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Beatriz Cerqueira: Não se esqueçam do crime da Samarco; o criminoso sempre conta com a falta de memória do povo para seguir impune

27 de dezembro de 2015 às 13h57

BIA 2 E MARIANA

Não nos esqueçamos de Mariana e da bacia do rio Doce!

por Beatriz Cerqueira, especial para o Viomundo 

Quando fui a Bento Rodrigues,  senti como se estivesse invadindo a casa e a dor das pessoas. Foi muito doloroso andar pelos vários caminhos antes percorridos pela lama!

Após um mês do crime, o cheiro de putrefação ainda é forte em alguns trechos.  É preciso colocar os pés na lama para ter um pouco da dimensão do que se passou. Ver como a vida de uma comunidade foi destruída.  Achar o carnê do INSS de algum trabalhador, encontrar a escola municipal, a lata de óleo de cozinha ainda cheia, ver a sinuca do bar retorcida. Ver o que antes era casa estar, completamente, invadida pela lama.

Mariana

Procurei acompanhar os desdobramentos da Comissão Extraordinária da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Por quase uma hora, deputados indignados com a crítica que fiz discutiram e aprovaram um requerimento me “convidando” a explicar a minha opinião.

Mas não vi a mesma indignação quando um pescador de Conselheiro Pena relatou que a Samarco ainda não havia aparecido na cidade para responder aos mais 140 pescadores da Associação o que pescarão no Rio Doce depois que a lama, que afirmaram não ser tóxica, passou pela região.  E, até eu escrever este texto, os mesmos que querem explicações não “sujaram” os pés na “lama da Samarco/Vale/BHP”, pois não foram a Bento Rodrigues.

E o que relatei há um mês continua acontecendo: a Samarco é quem delimita quem é atingido, o que vai receber e  qual  Comissão de Atingidos vai escutar. São os psicólogos e assistentes sociais contratados por ela que prestam a assistência autorizada às vítimas do crime.

Durante uma reunião da Comissão Extraordinária, sem nenhum constrangimento, alguns deputados estaduais demonstraram preocupação com a empresa, chegando ao cúmulo de associar que a queda no Produto Interno Bruto (PIB) mineiro, em função da paralisação da empresa, afetará a economia do Estado comprometendo o salário dos professores estaduais!

O rio Doce agoniza, as comunidades atingidas estão expostas ao poder econômico das mineradoras e os governos locais lutam para minimizar os impactos do crime, alimentando a falsa ideia de que está tudo se acertando (com honrosas exceções, como o prefeito de Baixo Gandu/ES), mas a lama continua chegando ao rio Doce, situação que a Samarco afirma só resolver em fevereiro de 2016.

E as vítimas do crime são transformadas em culpadas, erraram por estarem na frente da lama.  Era um crime anunciado: a barragem rompida estava recebendo, irregularmente, rejeitos de mina da Vale S/A e não apenas da Samarco; o aumento no consumo de água e energia indica o aumento da produção, numa estratégia de manter os lucros, com a queda do valor do minério.

O local da barragem de Fundão poderia ter sido outro, mas como a ideia era aumentar a capacidade de recebimento de rejeitos unificando com a barragem de Germano, ficou na frente de uma comunidade que antes do crime já sofria com a falta de água ocasionada pela mineração.

E se você prestar atenção agora em Bento Rodrigues, depois da tragédia, fica com uma estranha e absurda sensação de que o lugar para uma nova barragem de rejeitos já está resolvido.  Não se esqueçam de Mariana.  O criminoso sempre conta com a falta de memória de um povo para seguir impune e cometendo novos crimes!

Beatriz Cerqueira é professora, presidenta da CUT/MG e coordenadora-geral do  Sind-UTE/MG

 Leia também:

Beatriz Cerqueira: Samarco está fazendo terrorismo econômico emMariana e região

Beatriz Cerqueira: Samarco comanda apuração do seu crime,controlando políticos, vítimas e jornalistas 

 

3 Comentários escrever comentário »

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Leonardo de Brezzi

28/12/2015 - 14h29

Prezados,

Pois então, ontem estava à casa da sogra já idosa e ela ainda é do tempo onde se assistia Fantástico, daí que assisti uns trechos.

Primeiro uma reportagem onde vão em Mariana e mostram as vítimas do que fica no ar como um “acidente” colocando suas vidas no lugar e “indo em frente”, finalmente “sorrindo e se confraternizando após a tragédia”.

Depois uma reportagem “denúncia” dos “abusos do poder público”, “cheio de vícios de corrupção” e malandragens que, ao que me deu a entender, não ocorrem no mundo privado, onde tudo dá certo, como é o caso das empresas privadas que não têm responsabilidade nenhuma sobre o que aconteceu em Mariana.

Responder

FrancoAtirador

27/12/2015 - 21h20

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Curiosidade
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Se a Mineradora Samarco (VALE/BHP) fosse uma Empresa Estatal (VRD)
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que tratamento daria, a ela e ao Governo, a Mídia Corporativa Jabáculê?
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Responder

Urbano

27/12/2015 - 14h13

A própria lama da moral intrínseca aos bandidos da oposição ao Brasil. Enquanto isso a fortuita queda numa enchente, em decorrência das chuvas das últimas horas, vem a ser a verdadeira catástrofe…

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