VIOMUNDO

“O Brasil Privatizado”: País teve prejuízo de R$ 2,4 bilhões

02 de setembro de 2014 às 13h44

familia

Aloysio Biondi, um dos mais importantes jornalistas econômicos do Brasil, com os filhos Pedro e Antonio

por Luiz Carlos Azenha

O Brasil precisa de mais Estado e menos mercado — ou de mais mercado e menos Estado? Para Antonio Biondi, jornalista, filho de Aloysio Biondi, esta é a decisão que os eleitores brasileiros tomarão ao escolher o próximo ocupante do Palácio do Planalto.

Para ele, foi o Estado um pouco mais atuante, desde a eleição de Lula, em 2002, que tornou possível as melhorias sociais que o Brasil experimentou nos últimos 12 anos.

Conversamos com Antonio por conta do relançamento, previsto para o próximo dia 15 de setembro, na sede do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, de uma obra seminal para quem pretende conhecer a história recente da economia brasileira: O Brasil Privatizado, que vendeu cerca de 140 mil exemplares depois de chegar às livrarias, há 15 anos.

A apresentação do livro é de Jânio de Freitas, que estará presente ao lado do economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo.

“Como uma associação de interesses inconfessáveis desfechou o maior assalto da história ao patrimônio nacional”, é o subtítulo que resume o livro.

Para Antonio Biondi, um dos filhos do autor Aloysio, já falecido, a nova edição da obra é fundamental num momento em que uma jovem geração de eleitores — parte da qual foi às ruas pedir mudanças no Brasil, em 2013 — ajudará a decidir os rumos do país “com uma posição muito mais crítica ao atual governo do que em relação às alternativas que se colocam”.

Ele está falando, obviamente, do tucano Aécio Neves, herdeiro de Fernando Henrique Cardoso — a quem Aécio elogia, mas sem mostrar na propaganda eleitoral — e de Marina Silva, que foi do PV, fracassou ao tentar criar seu próprio partido e herdou a vaga de candidata depois da trágica morte de Eduardo Campos, do PSB. Agora socialista, Marina apresentou um programa econômico ainda mais conservador que o de Aécio, com proposta de autonomia institucional do Banco Central e um freio na exploração do pré-sal, entendido como opção de quem vê a era do petróleo — e a destruição ambiental causada por ele — a caminho do fim.

O jornalista vê com preocupação esta sinalização da candidata do PSB,  uma vez que os investimentos na exploração do pré-sal já foram feitos e seria temerário reduzir o ritmo de produção quando o Brasil ainda é importador de petróleo, podendo se tornar a médio prazo um grande exportador.

Antonio acredita que existe uma contradição clara entre as propostas de Marina e os desejos dos manifestantes que foram às ruas, em 2013, muitos dos quais pretendem votar nela. É que eles pediram saúde, educação e outros benefícios sociais públicos, que na opinião do jornalista exigiriam um Estado mais atuante. Justamente na contramão de um Banco Central autônomo, que dará mais poder aos banqueiros na definição da taxa de juros e nos rumos da macroeconomia, favorecendo o mercado.

Em outras palavras, afirma o filho de Biondi, se a intenção de Marina é baixar a inflação, o BC adotará medidas que podem ser incompatíveis com suas propostas eleitorais — juros mais altos em geral resultam em desemprego ou arrocho salarial.

Antonio prevê, portanto, choques institucionais entre um governo que tentará colocar em prática seus projetos e um BC autônomo focado exclusivamente no controle da inflação.

Além disso, ele opina que o câmbio livre numa conjuntura destas será um paraíso para os especuladores.

Boa parte de nossa conversa, aliás, foi sobre especuladores.

“O mercado quer inventar motivos para ganhar dinheiro em cima do que ele puder”, afirma, para justificar as recentes variações nos valores de empresas estatais atribuídas exclusivamente ao resultado de pesquisas eleitorais.

Exemplo concreto? A incrível valorização das ações da Petrobras, que em cerca de 52 semanas saltaram de R$ 11,81 até chegar a R$ 23,35 na última sexta-feira. Para Antonio, resultado de forte ação de especuladores.

Para reforçar seu arumento, deixa no ar uma pergunta: qual foi o sentido das ações da Petrobras continuarem subindo mesmo depois que a candidata Marina disse que o pré-sal não será prioritário num eventual governo dela?

privataria

Perguntei ao filho de Aloysio Biondi se ele acredita que, eleitos Marina ou Aécio, as privatizações serão retomadas. Os riscos maiores de isso acontecer, diz, são em empresas periféricas, ligadas às estatais restantes, como a seguradora e a empresa de cartões de crédito do Banco do Brasil, a Cielo.

Uma espécie de fatiamento, como se tentou fazer com a Petrobras, que o governo de Fernando Henrique Cardoso tentou mudar de nome para Petrobrax antes de vender.

Antonio Biondi lembra que estão de volta, nesta campanha presidencial, economistas ligados ao pensamento mais ortodoxo, como Armínio Fraga, André Lara Rezende e Eduardo Gianetti da Fonseca — assessores de Aécio e Marina.

Lara Rezende, aliás, hoje ligado à candidata do PSB, foi o formulador do desastroso confisco da poupança instituído em 1990 pelo governo de Fernando Collor, ao qual foi atribuído a redução da popularidade que eventualmente provocou a renúncia do hoje senador.

Os três citados economistas citados acima — Armínio, Lara Rezende e Gianetti — defendem menos Estado e mais mercado.

Porém, o que O Brasil Privatizado demonstra, em números, é que esta foi uma fórmula desastrosa: resultou numa imensa perda de patrimônio público, sem que houvesse as melhorias prometidas à época em qualidade de vida da população.

Empresas construídas com dinheiro dos contribuintes foram praticamente doadas.

O caso mais escabroso foi a da mineradora Vale do Rio Doce: “Vendida por 3 bilhões em 1997, ela teve uma receita de R$ 104,25 bilhões em 2013 (alta de 11,5% em relação a 2012)”, informa Antonio.

Sobre o setor de telecomunicações, o jornalista diz que seu pai “sempre alertou sobre o perigo que a privatização de empresas como a Telesp, Telerj e Telebras representariam para o país, especialmente na questão da remessa de lucros e da sua importância estratégica. Pois bem, hoje essas empresas obtém polpudos empréstimos do BNDES, e remetem bilhões de dólares para suas matrizes no exterior, fragilizando ainda mais nossa balança comercial, conta corrente e balanço de pagamentos. As empresas privatizadas integram alguns dos maiores conglomerados de telecomunicações do mundo, gerando lucros e receitas crescentes para empresários como Carlos Slim, um dos homens mais ricos do planeta — dono da América Móvil (controladora da Claro) e com participações na Embratel e na NET”.

Antonio Biondi fala de outras promessas não cumpridas pelos tucanos de FHC: “A perspectiva de concorrência no setor se mostrou outra falácia, com uma crescente concentração nas principais empresas — que se revezam nas perspectivas de fusões e aquisições. Se ontem a Telefônica queria comprar a TIM, hoje a Vivo já incorporou a Telefônica, e quer comprar a GVT. Aliás, havia até uma proposta de ‘empresas-espelho’, que desapareceram tal qual miragem. Ou alguém sabe por onde anda a Intelig e o código 23?!”.

O jornalista lamenta o desmanche quase completo da Telebras: “Por fim, diante da falta de interesse de essas empresas fazerem investimentos estratégicos para o Brasil (como uma rede de fibras óticas que atenda às instituições públicas, ou uma banda larga que chegue aos rincões do país), foi necessário ao governo federal reativar a Telebras. Que, diga-se de passagem, nunca foi liquidada nem pelos tucanos, pois seus funcionários seguiram prestando serviços indispensáveis para a Anatel e para o Ministério das Comunicações. E que também não cumpriu com tudo que se espera e se prometeu em relação a ela. A Telebras ainda não chegou onde pode e onde queremos, pois isso contraria muitos interesses. Um doce para quem adivinhar de onde partem as pressões e onde elas chegam”.

O filho de Aloysio Biondi faz um alerta sobre o maior ativo dos brasileiros, a Petrobras, fustigada hoje pelos conservadores nos jornais, na Bolsa e no Congresso:  “O Biondi dizia, mais ou menos com essas palavras, que se dependesse dos liberais, a Petrobras ainda estaria pesquisando petróleo com lampião e vara de bambu. E estaria longe, muito longe de encontrar e explorar o petróleo da camada Pré-Sal. Creio que essa ironia sirva também para quem diz que o Brasil nunca teria chegado a essa miríade de celulares utilizados pelo povo brasileiro, caso não tivesse privatizado o sistema Telebras. Eu uso o exemplo da Petrobras — e minha convicção na capacidade do país e do seu povo — para dizer que poderíamos e podemos chegar onde quisermos, seja em relação aos celulares, seja em relação à geração de energia e à exploração do petróleo. Agora, se eles não acreditam na nossa capacidade, já é uma questão que cabe somente a eles responder”.

O “eles”, aqui, inclui Aécio Neves e Marina Silva: “Aliás, para quem afirma que pretende suspender, mesmo que temporária e preventivamente, os investimentos no Pré-Sal, cabe a recordação de que os maiores desastres ambientais recentes da Petrobras se deram justamente por falta de investimentos, e não o contrário”.

Cliquem abaixo para ouvir o áudio completo da entrevista, que traz um dado estarrecedor. Ao concluir sua obra, Aloysio Biondi calculou quanto o Tesouro brasileiro ganhou efetivamente com as privatizações, descontando os investimentos públicos feitos para “preparar” as empresas antes da venda (foram R$ 21 bilhões em dois anos e meio zó na Telebras). Biondi concluiu que os leilões da Vale, das empresas de telefonia e de outros setores deram prejuízo ao Brasil de R$ 2,4 bilhões, sem computar a perda da capacidade de desenvolver tecnologia nacional em setores estratégicos.

Mas o patrimônio público brasileiro, que virou fumaça, engordou e continua engordando os bolsos e cofres de muitas pessoas e empresas, cerca de duas décadas depois da onda de privatizações.

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Léo

06/09/2014 - 12h33

Baseado neste livro, que tem provas robustas e errefutaveis, conclamo um(a) advogado(a), fazer uma petição e pedindo abertura de investigação.

Paralelamente, conclamo o PT e Centrais Sindicais, da inicio a coleta de assinaturas, nas praças, ruas e fabricas e pedir que seja criado e instalado uma CPI, no Congresso nacional.

Agora ou nunca.

Responder

Antonio

06/09/2014 - 12h04

2,4Bi? As estatais foram vendidas abaixo do preço,só a Vale valia R$ 90 bi e foi vendida por 3 bi e segundo o delegado Protógenes só entrou R$28mi na conta do tesouro. Õ prejuízo foi bem maior que 2,4 bi.

Responder

Arisvaldo

06/09/2014 - 04h14

Caro Sergio Correa, a “DIMINUIÇÃO DO ESTADO” deveria ocorrer no âmbito municipal, isso já pedia um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo há mais de 40 anos, que era, “A EXTINÇÃO DE MILHARES DE MUNICIPIOS INVIAVEIS”, isso ficou reforçado em uma pesquisa realizada em 2006 no Estado de Sergipe, dos 75 municípios sergipanos, 72 estavam com a pesquisa concluída, 03 municípios faltava concluir, apenas 03 municípios tinham renda do “CUSTO POLITICO”, custo politico é toda a renda para pagamento das despesas inerente ao funcionamento dos órgãos públicos municipal (poder executivo, legislativo e prestação de serviços à população), apenas 03 municípios atendia aos preceitos da lei, e esses eram: Aracaju, Carmopolis e Siriri, esses 03 municípios possuíam “RENDA PROPRIA”, em pior situação, estava o município de Gararu, de cada R$ 1,00 (hum real) arrecadado, necessitava de R$ 4,00 (quatro reais) de repasse do governo federal e estadual, a população precisa dos serviços de : “EDUCAÇÃO, SAUDE, SANEAMENTO BASICO”, isso no âmbito municipal, não inclui “SEGURANÇA”, porque ela é prestada pelo estado, se esses “MUNICIPIOS INVIAVEIS” fossem “EXTINTOS”, a economia seria enorme, aí sobraria dinheiro para investir na saúde, educação, saneamento básico e etc., vou citar um exemplo como a “CRIAÇÃO” de municípios inviaveis prejudicou os municípios existentes, dos quais foram desmembrados, o município de Propriá, já foi o 2º na economia do estado, hoje é um município pobre, e os outros que foram criados, do desmembramento do seu território, também o são, o que “GANHOU” a população, com a criação desses municípios? “NADA”, apenas os políticos é que ficaram “RICOS”, uma nova “REDIVISÃO TERRITORIAL MUNICIPAL” é preciso fazer com urgência, concordo com essa “DIMINUIÇÃO DO ESTADO, POREM NO AMBITO MUNICIPAL, EXTINÇÃO DOS MUNICIPIOS INVIAVEIS”.

Responder

Nelson

05/09/2014 - 22h57

Oferecer preços e tarifas mais baratos e produtos e serviços de melhor qualidade aos brasileiros. Isto é que dizia a imensa propaganda a favor das privatizações.

A verdade, porém, sempre foi outra. Não foi com espírito de benemerência que os neoliberais idealizaram as privatizações. Foi com o fim de expandir os espaços onde as mega corporações, que viriam adquirir as empresas estatais, pudessem aumentar ainda mais seus lucros.

Assim, como objetivavam o lucro de uns poucos, as privatizações só poderiam entregar aos brasileiros produtos e serviços com preços e tarifas muito, muitíssimos maiores do que quando eram estatais.

Responder

Urbano

05/09/2014 - 10h52

Ainda ontem cheguei a perceber um idiota de raiz juntando tudo quanto não presta de ladrões da oposição ao Brasil, sendo a grande maioria cria da ditadura, e contabilizar os seus roubos na conta do PT, pode?

Responder

marcio gaúcho

04/09/2014 - 22h20

Esqueceram de mencionar Mendonça de Barros, também arquiteto das privatizações no governo tucano de FHC, que está acessorando a coligação de Marina.

Responder

    FrancoAtirador

    04/09/2014 - 23h56

    .
    .
    Luis Carlos Mendonça de Barros

    foi sócio de André Lara Resende

    no Banco Matrix, de 1993 até 1995.

    Ambos foram integrantes da Equipe

    do Governo Fernando Henrique (PSDB).

    Por falar nisso, vale a pena relembrar a transcrição
    daqueles famosos diálogos do Lara Resende com o FHC…
    .
    .
    No ano de 1998, às vésperas do leilão da Telebrás,
    o então presidente do BNDES, André Lara Resende,
    liga para o presidente Fernando Henrique Cardoso.

    Tenta convencê-lo da necessidade de os fundos de pensão
    entrarem no leilão privata das estatais de telefonia:

    André Lara Resende:
    Agora, aí entraram alguns, alguns problemas,
    e a Previ bandeou para um segundo grupo.
    O senhor deve estar aí bem informado
    de que ele tem andado aí para um outro grupo,
    que nós estivemos com eles hoje de manhã.

    Fernando Henrique Cardoso: Sei.

    Lara Resende:
    Em princípio, isso não tem nada de mais.
    Agora, a conversa, quanto mais nós vemos aqui,
    é, acho que é um pouco, é uma, uma aliança
    da assim corporativa, do corporativismo
    das próprias empresas telefônicas…

    FHC: Com aventurismo.

    Lara Resende:
    Com a Sistel. Exatamente. Com o pior do aventurismo.
    .
    .
    O trecho seguinte é o mais polêmico da gravação.
    Nele, o presidente autoriza a utilização do seu nome
    para pressionar a Previ a entrar no consórcio do Banco Opportunity.

    André Lara Resende:
    Então nós vamos ter uma reunião aqui,
    estive falando com o Luiz Carlos
    [Mendonça de Barros, Ministro das Comunicações],
    tem uma reunião hoje aqui às seis e meia.
    Vem aqui aquele pessoal do Banco do Brasil,
    o Luiz Carlos etc.
    Agora, se precisarmos de uma certa pressão…

    FHC: Não tenha dúvida.

    Lara Resende:
    A idéia é que podemos usá-lo aí para isso.

    FHC: Não tenha dúvida.

    Lara Resende: Tá bom.

    (http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_grampo_do_BNDES)
    (http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Carlos_Mendon%C3%A7a_de_Barros)
    (http://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Lara_Resende)
    (http://www.terra.com.br/istoedinheiro-temp/161/financas/161lara.htm)
    .
    .

    Nelson

    05/09/2014 - 22h58

    Um abjeto vende-pátria que deveria estar mofando na cadeia.

nei

03/09/2014 - 19h49

Azenha,
Não consigo enviar matérias pra meus amigos por e-mail. Qual o problema?
Nei

Responder

Léo

03/09/2014 - 15h39

Não caberia abrir uma CPI, para investigar tudo que este livro relata?

O JB, não viu isso? Ele não leu este livro?

Responder

Fernando

03/09/2014 - 09h49

Pegaram exemplos mau feitos de privatização e adotaram como liberal.

Nesta logica posso unir o fracasso de Stalin como socialismo e dizer que o modelo defendido por muitos aqui é falido e fracassado.

Responder

    sergio m pinto

    03/09/2014 - 15h19

    Mas por acaso existe algum caso de bem feito, em se tratando de privataria?

    Matheus

    04/09/2014 - 02h28

    Sim, olhe os casos dos paises mais liberais do mundo. Singapura, Canada, Australia por exemplo.
    O Chile é a atual economia mais liberal da America do Sul, e tambem é o pais com os melhores padrões de vida do continente.

FrancoAtirador

03/09/2014 - 03h14

.
.
RISCO-MARINA NÃO É SÓ ECONÔMICO,

É TAMBÉM POLÍTICO E SOCIAL.
.
.
1º/09/2014

Marina Silva, uma Candidata de Alto Risco

Por Cláudia Rodrigues, no Jornal Já

Em entrevista publicada em 24 de julho de 2013 na revista Exame,
Marina Silva abriu o jogo sobre seus planos ao jornalista Daniel Barros.

Na ocasião, ela estava tentando fundamentar o partido Rede Sustentabilidade,
sob a batuta econômica de Eduardo Giannetti da Fonseca
e a ideia era ser candidata à presidência.

Muita água rolou embaixo da ponte,
Marina acabou como vice de Eduardo Campos, do PSB,
e em poucos meses o jogo virou.

Com a morte trágica do candidato,
volta Marina como candidata à presidência,
dispara nas pesquisas tirando parte importante
dos eleitores de Aécio Neves [PSDB]
e causando uma guerrilha ideológica interna
entre o que seria ela como candidata da Rede Sustentabilidade
e o que vem a ser a Marina representante do PSB.

É uma candidata de alto risco,
pode levar muitos votos
de quem vive cantando a música
de que os políticos são todos iguais,
mas um eleitor um pouco mais leitor,
ao ler a trajetória política de Marina,
vai perceber que se ela não sabia fazer
o jogo político quando saiu do PT,
indignada contra os transgênicos, contra Belo Monte,
aprendeu direitinho assim que entrou no PSB,
um partido que quer assegurar melhorias ao agronegócio.

Entretanto, Marina não abre mão de seu discurso ambientalista
e nessa área é impossível chupar cana e tocar flauta ao mesmo tempo.

Se existe um jeito de contemplar as duas políticas e levá-las adiante,
então já há quem faça com maestria:
o atual governo do PT, que tem tirado tomate de pedra de ambos os lados.
Garante subsídios aos grandes, investe na agroecologia, em pesquisas, na expansão
da agricultura familiar, na produção e distribuição de alimentos orgânicos.

A única mágica que Marina poderia fazer na área
seria radicalizar para um lado ou para outro,
o que ela afirma que não vai fazer,
então é alto risco investir em alguém
que vai reinventar o mesmo caminho do governo atual,
de viver sob pressão de ruralistas e ambientalistas.

E se ela tender para os ruralistas?
E se ela tender para os ambientalistas
e se for apenas um troca-troca de cadeiras,
anos de desorganização e instabilidade
quando as abóboras já estavam
razoavelmente acomodadas na carroça?

Na área da saúde, das discussões sobre gênero
e direitos sociais, como aborto e legalização da maconha,
educação sexual na escola, a candidata de novo é de alto risco.

Ela sofre pressão severa dos grupos radicais da ala evangélica.

Quando resolve ser mais moderninha, o discurso é de boazinha,
aquela coisa “somos todos iguais, mas eu não pegaria uma mulher,
somos todos iguais, mas nunca dei um tapa num baseado,
de minha parte não cometo pecados, os pecados são dos outros”.

Quando é para bancar de fato uma posição, ela foge.
Ninguém sabe em que casinha política ela vai se esconder,
que camiseta irá vestir para cada caso, cada causa.

Marina é uma candidata de alto risco tanto para eleitores conservadores,
que querem ver a sociedade repetindo padrões de comportamento congelado,
quanto para eleitores que querem e lutam por mudanças reais com base
em leis e garantias, mergulho em processos e promoção
de educação pública sob paradigmas laicos
que trabalhem preconceitos com pulso firme.

Marina é uma opção de alto risco para os grandes e para os pequenos.

A classe média, que está sempre por fora, a dar tiros no pé,
pode pegar esse bonde de alto risco achando que assim
finalmente chegou o seu dia de virar protagonista de novela.

E dará outro tiro no pé, porque Marina vai ter que ‘oPTar’.

Se mexer muito nessa regra de três, que o PT desenvolveu
para ficar no poder, vai ser uma bagunça, começaremos tudo outra vez.
Se aceitar o que tem no cardápio neoliberal do mundo,
tentando adequar e melhorar a vida de quem é pequeno,
o que já faz o PT, vai dar no mesmo, mas com mais pressão.

O fato é que apostar em Marina é um tiro no escuro, é alto risco,
com o discurso que ela prega, pode fazer qualquer coisa,
para um lado e para outro e a última classe que ela atenderá
será justamente a de seus eleitores de pensamentos médios e mágicos.

(http://jornalja.com.br/marina-silva-uma-candidata-de-alto-risco)
.
.
Leia também:

(http://jornalja.com.br/a-pergunta-que-o-anti-petismo-deixa-para-depois)
(http://jornalja.com.br/um-perigo-chamado-marina-silva)
(http://terezacruvinel.com/2014/09/01/o-risco-marina-nao-e-economico-e-politico)
.
.

Responder

sergio

03/09/2014 - 02h56

E agora, com Marina/Itaú, estão preparando a Privataria 2, o retorno.
Pelo jeito as jazidas do Pré-Sal já estão na mira.

Responder

Luiza

03/09/2014 - 02h53

Pois é…
A verdade sobre a história das privatizações no Brasil não interessa em nada aos jovens que vão as ruas protestar. Eles preferem ser “alienados” e “analfabetos políticos”.

Eles querem Marina, não é isso?

Pois bem, a terão.

Chorarão lágrimas de sangue quando perceberem que foram enganados e feitos de idiotas, que foram usados pela mídia.

A USP com o “plano de demissão voluntária” já levou alguns professores(um absurdo), e o último, semana passada, a se demitir foi o diretor da biblioteca do curso de História. Já há um estudo para umplementar a “cobrança de mensalidades” para cada curso. Muitos alunos deixarão de estudar por não poderem pagar. É a privatização chegando.

FHC só não conseguiu privatizar a USP porque não deu tempo. Com Marina todas as universidades estaduais e federais serão privatizadas, é só uma questão de tempo. E os jovens mesmo assim querem Marina. Eles merecem esse futuro negro que estão escolhendo. Vão tê-la!

Todos os projetos sociais serão descontinuados.

Pobres jovens “ignorantes políticos”.

Estão “entregando o país” nas mãos do mercado financeiro e dos interesses estrangeiros. Se arrependerão amargamente.

Sinto pena desses jovens, do país de cabeça para baixo que eles estão escolhendo para viver.

Sofrerão muito e comerão o pão que o Diabo amassou. Eles nem sabem o que os espera. Serão atingidos em cheio e conhecerão um Brasil economicamente mergulhado no caos.
Na época de FHC foi assim. Mas a história do Brasil não interessa aos eleitores de Marina. Eles só querem tirar o PT, nada mais do que isso.

Vai ser tarde a saudade dos governos Lula e Dilma.

Terão que enfrentar as consequências da sua escolha irresponsável.

Tenho pena deles.

Responder

    Andre

    05/09/2014 - 23h55

    Luiza,
    Infelizmente moro no mesmo país, não gostaria de passar por tudo novamente.

Nelson

02/09/2014 - 23h58

Se você ainda não leu o livro do Biondi, recomendo que leia e releia. Justifico. Em uma leitura apenas você não vai acreditar no que estiver lendo.

Você não acreditará que pós-graduados, mestres e doutores em Economia, Administração, Sociologia, e o escambau – como FHC, Pedro Malan, Pedro Parente, Gustavo Franco, Armínio Fraga e outros -, foram capazes de cometer tamanhos crimes contra o povo brasileiro.

Responder

    sergio m pinto

    03/09/2014 - 15h23

    Não considere que esses iluminados erraram porque são incompetentes. Antes disso, é bom pensar sobre os objetivos que levaram a tais práticas. É apenas a questão de entender de qual lado do balcão eles realmente estavam.

    LUIS

    27/10/2014 - 20h52

    Seria muito bom que as pessoas comprassem os livros a privataria tucana do Amaury Jr. e do Aluizio Biondi o Brasil privatizado, 2 livros esclarecedores q. desmiuçam nos por menores, nos minimos detalhes as doações de nossas estatais, os quais a maioria davam lucro ao país, com certeza isso é crime de lesa-pátria, formação de quadrilha isso não foi brincadeira não e nossas autoridades judiciais não deviam fazer vistas grossas e nem ouvido de mercador foi desmanche da máquina pública e deboche contra a nação brasileira/povo.

Brancaleone

02/09/2014 - 22h29

Existe a interpretação pervertida e nem um pouco verdadeira que empresas estatais por serem “do governo” eram/são tambem do povo.
Estatais não são do povo. Nunca serão do povo. Como o nome diz, são estatais, ou seja, do Estado, do Governo e daqueles que se locupletam dele através de contratos e votos.
Empresas estatais são sim constituídas e mantidas com dinheiro público – e digo mantidas porque quase sempre são geridas de forma incompetente e corrupta sem jamais gerarem um vintém sequer de lucros, produzirem produtos de péssima qualidade e serviços tambem péssimos.

Exceções não contam. A Petrobras é exceção ao que eu disse, ou quase exceção…

Os românticos neo comunistas e socialistas acreditam que as estatais são um simulacro de “coletivização”, tipo não é ninguém mas é de todos e outras sandices. Pura burrice. Estatais servem para dar empregos muitíssimo bem pagos, com fundos de previdência milionários e que são criminosamente desiguais aos dos trabalhadores comuns.

Responder

    Ulisses

    03/09/2014 - 08h27

    Eram do povo sim. Como não lembrar que a assinatura básica do telefone era 3,00 reais e passou depois da privatização para 35 reais? Ou o valor das tarifas de ligações, hoje, uma das mais caras do mundo. E a falácia de dizer os números de linhas que existe hoje, esta evolução só ocorreu pelo desenvolvimento tecnológico e pelos investimentos federais antes da privatização. Imaginemos a Petrobras privatizada. Qual seria o valor pago pelo litro de diesel ou gasolina? Só estamos pagando este valor a aguentando a chiadeira do PIG por que a Petrobras está vendendo a gasolina mais barata que compra no mercado internacional. Mas isto é temporário, por que em 2015 duas novas refinarias, as primeiras desde 1980 vão operar e o Brasil vai ser tornar auto-suficiente em refino de combustíveis. E se você adora privatizar e doar o patrimônio brasileiro para particulares por que não questiona as mídias PORCAS brasileiras? Elas não admitem a entrada de capital ou empresas estrangeiras no Brasil. Estranho não? Elas berram aos quatro cantos abertura da economia, mas se fecham que nem tatu para qualquer intromissão econômica na sua área. São intocáveis. Tu não acha uma tremenda hipocrisia?

    Nelson

    05/09/2014 - 22h48

    Meu caro Ulisses.

    Aqui no Rio Grande, a tarifa básica era de R$ 0,61 até dezembro de 1995. Então, aquela coisa espúria que a maioria dos gaúchos elegeram como governador, iniciando o cumprimento da missão para a qual teve sua eleição patrocinada por grandes empresas, aumentou tal tarifa para RR$ 3,73.

    A missão era privatizar a CRT, companhia que fora criada pelo saudoso Governador Leonel Brizola para livrar os gaúchos do descalabro que era a telefonia privada nos anos 1950/1960.

    Com tamanha majoração na tarifa, o governo de Antônio Britto já preparava a CRT para a privatização de forma a garantir gordos lucros aos seus compradores. Ainda antes de privatizá-la, Britto elevaria a tarifa para mais de R$ 8,00.

    Depois da privatização, a tarifa básica veio subindo, subindo, até chegar a mais de R4 42,00. E já faz alguns anos que a Brasil Telecom, depois OI, deixaram de citar tal tarifa na fatura. Mas continuam a cobrá-la. Por isso, eu não sei dizer a quantas anda o valor da mesma.

    Ou seja, com a privatização, a tarifa básica teve um aumento de uns 7.000%, no mínimo.

    Jair de Souza

    03/09/2014 - 08h39

    Depois dessa declaração de entreguismo-mor, você já pode se candidatar a assessor de Marina Silva e Neca Setubal para assuntos de entrega do patrimônio público ao capital privado (de preferência multinacional, como é do gosto delas).

    Nelson

    05/09/2014 - 23h03

    Estás buscando uma “boquinha” para escrever para a Veja, Exame, Época, Zero Hora, Folha. Globo, entre outros, meu caro Brancaleone?

Alexandre Tambelli

02/09/2014 - 21h23

Tinha escrito este texto e postado no meu Facebook. Tem uma semelhança nas ideias, vou postá-lo aqui, também:

As contradições de Marina Silva: porque ela vai perder ou o reino mágico de Marinolândia.

A candidatura Marina Silva não tem em si mesma a condição de ser porta-voz das ruas, das manifestações de junho de 2013 e nem da indignação (um tanto fabricada pela grande mídia) da Política no Brasil como um antro de corrupção, de malversação do dinheiro público e de cobrança de impostos.
Não se tem como dissociar o desejo mudanças com os apoios que ela possui.

O radicalismo religioso, o radicalismo dos bancos e seu neoliberalismo rentista e a ecologia conservadora (a que impede o desenvolvimento do Brasil) não foram pautas reivindicadas nas manifestações de junho de 2013.

A necessidade de apoios à direita, em segundo turno, vide FHC, SERRA, JOSÉ AGRIPINO, que flertam aliança com a candidata, para com a possível vitória dela retomarem o Poder do País sem os votos da população, que já em 2012, lhes deu apenas 20% dos votos não representa a “nova política”, não vai de encontro aos anseios da população brasileira. PSDB e DEM não possuem mais respaldo popular. Sem contar o PPS de Roberto Freire que se juntou à candidata via PSB desde o primeiro momento da campanha, coligados que estão nesta Eleição: PSB e PPS.

Marina Silva está entre a cruz e a espada. Precisa de apoios políticos para ser candidata com chances de vitória em um eventual segundo turno, para além daquele caminho traçado de ser a representante da “nova política”, o que não lhe dará uma imagem bem clara. Ao eleitor pode acabar sendo associada como a melhor representante da “velha política”.

A Eleição está se tornando plebiscitária, entre centro-esquerda e direita. Marina Silva sonha surfar pelo meio do caminho, um pé lá um pé cá e, poderá acabar em lugar nenhum.

Não é possível estar do lado de uma política ambiental consciente (sem o radicalismo do não desenvolvimento, que parece a candidata gostar) e ao mesmo tempo do agronegócio e dos transgênicos (seu candidato à vice Beto Albuquerque que o diga).

Não é possível estar ao lado das bandeiras sociais (individuais) e progressistas da descriminalização do aborto e das drogas, da consideração de crime de homofobia a discriminação contra os homossexuais, do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, da Educação sexual nas escolas, das pesquisas com células-tronco e ao mesmo tempo estar ao lado do criacionismo, do radicalismo evangélico que segue ao pé da letra a Bíblia e que é radicalmente contrário às bandeiras de boa parte dessa juventude das jornadas de junho e que a sociedade progressista, em geral apoia. Sem contar que o vice da candidata Beto Albuquerque (Senador da República) é da bancada da BALA no Congresso Nacional, segundo, o Instituto Sou da Paz, recebendo até doação de campanha em 2010, da Taurus – fabricante de armas, totalmente diverso da ideia de uma cultura de paz que os novos tempos da Nova Política e da juventude que ela se crê representante sonham.

Não é possível estar do lado progressista e conservador ao mesmo tempo.

Não se pode querer acreditar possível a conciliação dos interesses do capital e os interesses da sociedade, principalmente, dessa juventude que ela ousa capitalizar para si, se apoiando em uma Política econômica, que vai na contramão dos investimentos públicos, que não está atenta as necessidades reais dos que foram às ruas, que não se liga nos jovens de todos os espectros sociais, dentre eles, os das universidades públicas e particulares mais conceituadas e suas bandeiras libertárias e dos jovens das periferias e sua realidade difícil, do bairro sem infraestrutura, do transporte coletivo deficitário e demorado até sua casa, da ausência de equipamentos de lazer próximos do seu domicílio, da Polícia que desce a porrada neles, confundindo-os com bandidos, quando voltam da faculdade tarde da noite, etc. Política econômica de concentração de renda, do lucro sem produzir, do rentismo sem nenhuma preocupação com o desenvolvimento social de um país.

Não é possível brincar com todo esse contingente de jovens cheios de idealismo e nem brincar com esse conjunto de adultos dos votos brancos e nulos. Eles não se manifestaram (se manifestam) para haver um retrocesso social, para haver desemprego e diminuição de renda; nem, tampouco se manifestaram (se manifestam) para haver uma terceirização das relações de trabalho e uma paulatina diminuição dos direitos trabalhistas.

O voto pela Nova Política é um voto de emancipação do povo brasileiro, de crescimento do investimento nas demandas sociais mais prementes, de libertação dos costumes conservadores que emperram qualquer discussão progressista da sociedade, que colocam a Política a serviço de interesses particulares ou do radicalismo religioso e que resumimos tudo, com um exemplo claro, na aliança política, que a gente desacredita existir, que é o caso da candidatura de Marina Silva: em que a candidata do partido socialista vai implementar no Poder um programa neoliberal radical, e tem sua equipe econômica formada por banqueiros e não por defensores de um modelo de economia que vá, paulatinamente, criando as condições de socialização dos meios de produção, como está no Manifesto do Partido Socialista Brasileiro. Isto é nova política?

Não há nova política numa candidatura que quer retomar o período de vacas magras de FHC, onde o desemprego grassava nos 20% na grande São Paulo, onde os juros chegavam aos 45% ao mês, onde o trabalhador pulava de emprego em emprego, se a sorte permitisse ficava empregado 6 meses e trabalhava por no mínimo 3 pessoas, onde o Brasil ia de pires na mão ao FMI pedir ajuda, onde um simples emprego de Gari na cidade do Rio de janeiro ajuntava 15 mil pessoas para as poucas vagas que eram oferecidas (O IBGE aponta: julho de 2014 desemprego na cidade maravilhosa: 3,3%), e assim por diante.

Não há nova política na busca de independência do Banco Central. Imagina um Presidente eleito que se torna refém do mercado financeiro, dos juros decididos pelos banqueiros, do câmbio flutuante; em que mundo vivem a Marina Silva e a sua nova política? Com juros altos como vamos investir no País? Endividando o Estado, tornando-o refém dos bancos privados?

Não há nova política em um Programa de Governo que quer abandonar toda a Política do Pré-Sal e a cadeia produtiva em torno da indústria petrolífera, naval e automobilística, que gera e gerará milhões de empregos, que se esquece dos royalties do Pré-Sal, estimados em 1,3 trilhões de reais para serem destinados à Educação e à Saúde, o que melhoria consideravelmente a qualidade dos serviços prestados à população. É nova política abandonar a possibilidade de dar aos jovens deste país uma Educação cada vez melhor? E ter mais recursos para investir na Saúde é desprezível?

Não há nova política em um Programa de Governo que visa à substituição da energia hidroelétrica por outros tipos de energia, sem nenhuma preocupação com a necessidade de ampliação da oferta de energia elétrica para o Brasil poder desenvolver sua Indústria e, por conseguinte, melhorar as ofertas de emprego no país e dar segurança ao povo trabalhador de que teremos muitas novas oportunidades de trabalho para os brasileiros sustentarem suas famílias.

Não há nova política em uma candidatura que não garante a valorização dos bancos públicos: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES para investimentos no crescimento das demandas sociais e de infraestrutura do Brasil. Ou alguém acredita que banco privado vai financiar infraestrutura, programas sociais como o Bolsa Família ou vai valorizar o Minha casa minha Vida sem cobrar juros escorchantes do Governo e trabalhador brasileiro?

Não há nova política em uma candidatura como a de Marina Silva. A candidatura dela é apenas mais uma tentativa de tirar o Partido dos Trabalhadores do Poder. Tem pouca preocupação com a juventude das ruas de 2013 e descompromisso para com a indignação popular contra os métodos políticos (o modelo de Política atualmente existente, e que chamamos de presidencialismo de coalisão), onde se misturam legendas díspares de esquerda e de direita num mesmo Governo por necessidade de maioria parlamentar para governar.

Marina Silva vai governar com FHC, SERRA, JOSÉ AGRIPINO, HERÁCLITO FORTES, JORGE BORNHOUSEN? Tentando vencer com o apoio de Aécio Neves do PSDB no segundo turno e vem alguém me dizer que é a nova política? Que agora vamos implementar o novo conceito de Política sem a necessidade de coligação com o PP de Paulo Maluf que forma um bloco com o PROS, e detém a terceira maior bancada do Congresso; com o PMDB de Renan Calheiros e José Sarney, a segunda maior bancada do Congresso? Essa é a nova política?

Marina Silva é um produto de mídia. Sem a mídia sua candidatura não teria votação expressiva. Seria como o seu partido, não existiria para além das redes sociais! Marina Silva é fruto do monopólio das comunicações no Brasil. Se ela vencesse venceria a mídia hegemônica: Rede Globo, SBT, Band, Veja, Estadão, Folha, Zero Hora + RBS, Estado de Minas, Correio Brasiliense e não mais que isto. Venceria a propaganda antipolítica de anos a fio no Brasil, praticada por estes meios de comunicação, e a verdadeira oposição no Brasil, pela fragilidade da oposição que pode se candidatar e receber votos.

Seria o mundo virtual vencendo a realidade.

O que viria depois, nem dá para imaginar. Talvez, a amplificação da desilusão para com a Política das parcelas da população que saíram do voto branco e nulo e deram seu voto para Marina Silva e a amplificação das manifestações de jovens pelo Brasil todo, sem se poder dizer ao certo, o que aconteceria com a Presidenta eleita.

Sobreviveria quanto tempo no Poder? A candidata apartidária, das contradições entre o desejo da juventude e da sociedade e o desejo dos banqueiros e seu capitalismo financeiro?

Sobreviveria uma maquiagem midiática para com a Presidenta virtual por quanto tempo? A nova política duraria quanto tempo? Só o tempo de colocar José Serra, um Político conservador, como Ministro, o Político da rejeição de mais de 50% num Estado, totalmente conservador, como São Paulo?

Claro que não sobreviveria mais que alguns meses.

Por isto tudo que falei eu posso afirmar que de contradição em contradição Marina Silva vai perder a Eleição.

Afinal? De que lado Marina Silva está?

Não podemos brincar com os sentimentos, os sonhos, os anseios de toda uma juventude! Não podemos iludir toda uma população que anseia uma “Nova Política” com “P” maiúsculo utilizando como modelo de desenvolvimento econômico, o que há de mais perverso no mundo de hoje: o neoliberalismo radical, em cenário de horror na Europa e outras partes do mundo!

Últimas duas perguntas: desde quando os representantes do mercado financeiro estão preocupados com a juventude do Brasil e do Mundo, com o combate a qualquer desigualdade social, com a melhoria da qualidade de Vida das pessoas?

Como governar um País, com suas imensas desigualdades sociais, dando carta branca para banqueiros comandarem nossa Economia?
Só no reino mágico de Marinolândia.

Responder

    Vinicius

    03/09/2014 - 12h29

    Adorei seu texto,vai ao encontro do que penso.

    Espero que os jovens acordem desse sonho e recoloquem os pés no chão e voltem a realidade.Política não é brincadeira,é coisa séria demais pra se brincar.

Lindivaldo

02/09/2014 - 20h52

Há algo suspeito nas manchetes do PIG de hoje. Um fedor de enxofre no ar…
Como se a direita neoliberal estivesse enroscada para dar o bote fatal ainda no primeiro turno.
O primeiro foi assegurar os dois turnos nas eleições com a aparição espetacular de Marina na disputa.
Como o Aécio não decola, vão com a 2ª opção, visto que a Marina já se rendeu totalmente ao mercado.
Para não correr o risco, ela já lhes basta!
Não se admirem, portanto, se o Aécio e o pastor Everaldo de repente renunciarem em favor de Marina.
De preferência, depois do dia 15 de setembro.
O PT que se cuide!

Responder

    Mário SF Alves

    06/09/2014 - 23h47

    Também considerei essa hipótese, caro Lindivaldo.

    Talvez seja algo que mereça atenção, sim.

Edfg.

02/09/2014 - 18h40

Hilariante. E as privatizações de estradas e aeroportos? Nenhuma palavrinha?

Responder

    abolicionista

    02/09/2014 - 21h18

    Os pedágios pra sair de São Paulo ficaram super baratinhos. Só não pergunta isso pro Serra que ele faz você ser demitido, como ele fez com o Heródoto.

    Diniz

    03/09/2014 - 01h04

    Se para você concessão é o mesmo que privatização gostaria de lhe perguntar: Quando é que a Vale do Rio Doce vai ser devolvida para a União ?

    leandro

    03/09/2014 - 13h15

    No mesmo dia que os poços secos do pré-sal. Aliás, concessão é muito diferente, só esqueceram de combinar com os chineses para encherem o poço antes dele “voltar ao povo brasileiro”.

    Mário SF Alves

    06/09/2014 - 22h22

    E aí, Diniz, percebeu a essência do discurso contida nos termos da comparação que sustenta o argumento logo mais abaixo?

    É assim, companheiro. É assim que argumentam. Mas, ainda assim, coisa rara de se ver. Uma legítima tentativa de argumento. Normalmente usam mesmo é o argumento da força bruta; a diplomacia do big stick.

Belmiro Machado Filho

02/09/2014 - 17h15

Vale a pena ler, refletir, divulgar e se indignar com os crimes lesa- pátria cometidos pelos governos FHC. Um pequeno excerto: “Em cinco ou seis anos, clones malditos dos intelectuais de ontem destruíram o que havia sido construído ao longo de décadas. Destruíram mais. Destruíram o sonho, a alma nacional”. Atual e assustador(Marina/Aécio).

Responder

Adrian Freitas

02/09/2014 - 17h09

Endosso vossas palavras pois cheguei a convicção que uma boa parte da população Brasileira tem descedencia com papagaio porque só sabem repitir tudo aquilo que ver, ouve e escultar na midía.

Responder

Adonis

02/09/2014 - 16h47

A velha direita e a velha mídia mudaram seus veículos e não percebemos…

No geral, jovens reconhecem que a grande mídia –através dos jornais e televisão– influencia negativamente em suas decisões.

Este mesmos jovens não consomem a grande mídia veiculada em velhos canais (jornais e televisão) e portanto, não se acham influenciados por eles.

A contradição é que este jovens continuam consumindo a grande mídia e continuam (sem perceberem) sendo influenciados, agora via internet.

A internet dá um sensação de liberdade, uma sensação de descoberta pessoal. Esta sensação se dá pois, enquanto na televisão e no jornal as notícias são impostas, na internet clicar é opção.

A questão é que mesmo na internet, a geração de conteúdo dos grandes portais se baseiam ainda na velha mídia, e muito desses portais são a própria grande e velha mídia.

Tal como Marina Silva se apresenta como novo, a velha mídia também se apresenta como novo através dos grandes portais.

Tanto Marina, quanto a grande mídia… ainda vendem as velhas ideias neoliberais e capitalistas.

Responder

    thiago

    02/09/2014 - 21h40

    Análise perfeita!

    Flavio

    19/11/2014 - 23h44

    Mídia: seja qual for, deve ser lida sempre com muita cautela e principalmente com conhecimento de causa, senão os interessados sempre vencerão as eleições. Sempre lembrando do famigerado “Color de Melo”.

Carlos

02/09/2014 - 16h41

Que falta que faz um Plínio no debate.

2010, Plínio desconstruindo FACILMENTE Marina: https://www.youtube.com/watch?v=A5l_I9oVjrI

Responder

andre

02/09/2014 - 16h32

fugindo do assunto:
Procurador que escondeu trensalão quer faturar com morte de Campos
Por Miguel do Rosário.

A princípio, defendo sempre a transparência. Mas às vezes me canso de dar pitaco sobre tudo, então não tenho opinião formada sobre a lei de sigilo para acidentes aéreos.

Entretanto, não deixa de ser curioso que Rodrigo De Grandis, aquele procurador que ficou famoso por “esquecer” o processo de trensalão numa gaveta errada, durante anos, agora volte aos holofotes para falar contra uma lei aprovada no Congresso Nacional.

Ora, me parece um acinte um procurador se pronunciar contra uma lei aprovada pelos deputados e senadores.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal são os únicos que podem determinar se a lei é inconstitucional ou não.

Aliás, depois de tudo que fez, De Grandis voltou a se ocupar do trensalão. Melhor então que ele se concentre nesta tarefa, para não se confundir de novo. Se ficar se dispersando com outros assuntos, proferindo opinião que ninguém lhe pediu sobre leis aprovadas no congresso, pode recolocar novamente o processo que investiga tucanos envolvidos no cartel de trens numa “gaveta errada”.

*

Procurador alerta que Lei do Sigilo para acidentes aéreos é inconstitucional

Por FAUSTO MACEDO, em seu blog no Estadão

Sexta-Feira 15/08/14
Rodrigo de Grandis, que investigou caso TAM, avalia que segredo só deve existir ‘em razão da eficiência da investigação’

O procurador da República Rodrigo de Grandis afirmou nesta quinta feira, 14, que é inconstitucional a Lei 12.970/14 , que dispõe sobre as investigações do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer) e impõe sigilo sobre as informações das caixas pretas dos aviões. “É uma reserva de espaço investigatório à autoridade aeronáutica, inexplicável no sistema constitucional brasileiro”, adverte o procurador.

Rodrigo De Grandis investigou o maior desastre aéreo do País – 199 mortos na queda do avião TAM, na zona Sul da Capital, em junho de 2007. Para ele, o sigilo deve existir em razão da eficiência da investigação. A Lei 12.970/14 foi sancionada em maio.

ESTADO: O sr. é a favor do sigilo?
PROCURADOR DA REPÚBLICA RODRIGO DE GRANDIS: Em regra, toda investigação deve ser sigilosa. Investigação sob holofotes não costuma ser eficiente. A Lei número 12.970/2014, todavia, estabelece um sigilo que compromete, porque extensível ao Ministério Público e à Polícia, a adequada investigação de um fato criminoso, como, por exemplo, os crimes de homicídio (doloso e culposo), lesões corporais (dolosas e culposas) e de atentado à segurança de transporte aéreo.

(…)
– See more at: http://www.ocafezinho.com/2014/08/15/procurador-que-escondeu-trensalao-quer-faturar-com-morte-de-campos/#sthash.XhvFXecU.dpuf

Responder

Salgueiro

02/09/2014 - 16h29

Como faço para adquirir o livro?

Responder

Antonio - SC

02/09/2014 - 16h23

O melhor texto que já li sobre Marina vem lá do Recife, escrito pelo Urariano Mota.
O retrato cubista de Marina Silva
http://blogdaboitempo.com.br/2014/09/02/o-retrato-cubista-de-marina-silva/

Responder

Léo

02/09/2014 - 15h29

Li e reli este livro em sua primeira edição. Tem uma geração inteira que não conhece os desmando do Governo FHC.

Muita gente não sabe porque FHC ganhou o titulo o “Principe da Privataria”.

Responder

José X.

02/09/2014 - 14h25

Importante.
—————————–
“Antonio acredita que existe uma contradição clara entre as propostas de Marina e os desejos dos manifestantes que foram às ruas, em 2013, muitos dos quais pretendem votar nela. É que eles pediram saúde, educação e outros benefícios sociais públicos, que na opinião do jornalista exigiriam um Estado mais atuante. Justamente na contramão de um Banco Central autônomo, que dará mais poder aos banqueiros na definição da taxa de juros e nos rumos da macroeconomia, favorecendo o mercado.”

Responder

    Sergio Correa

    02/09/2014 - 19h34

    Não há nada de contraditório entre os desejos da população e a diminuição do Estado. Aliás, o Estado Brasileiro está inchado e sem nenhuma eficiência. A gastança não obedece aos critérios de uma economia de mercado. A atuação do governo deve ser no sentido de gerenciar bem, sem desvios, os recursos públicos e cuidar das atribuições que lhe são pertinentes pela Constituição (controle monetário, saúde, educação, segurança, infra-estrutura). Aliás, a ineficiência dos administradores públicos e a gatunagem são os piores inimigos do Brasil. Se corrigir um pouco isso, as coisas já melhoram.

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