VIOMUNDO

Diário da Resistência


Você escreve

Valmir Assunção: Esta base aliada vale a pena?


26/04/2012 - 17h35

por Valmir Assunção, em Brasil de Fato

O que vimos na Câmara dos Deputados com a votação do Código Florestal foi uma cena vergonhosa. O desserviço que a Casa envia à presidenta Dilma não é comemorado pela maioria da sociedade brasileira. Ao contrário, em ano de Rio +20, o que foi aprovado é a motosserra em nossas florestas, o desrespeito à nossa Amazônia, às nossas águas, aos nossos mangues, ao nosso meio ambiente. É uma afronta aos nossos camponeses. Estes, os verdadeiros preservadores do meio ambiente, por vezes tiveram sua identidade manchada por aqueles que teimam tomar a nossa voz, de camponês, para justificar o absurdo que aqui foi votado.

Nós, nordestinos, por vezes, fomos evocados para justificar o injustificável. Deu dor de estômago!

Desde o começo, os comprometidos com a agricultura camponesa, familiar e o meio ambiente sabíamos que a situação era difícil e complicada: não podíamos criar novos textos, mas escolher o texto do Senado, que apesar de ter pontos problemáticos, ainda era melhor que o da Câmara, que pode ser apelidado de Código Ruralista.

Tivemos uma aula de como a luta de classes é presente, ainda que muitos teimem em dizer que ela não existe: a bancada ruralista, uníssona em seus interesses, em detrimento daqueles que lutam pela produção de alimentos saudáveis, que precisam da natureza preservada para a sua sobrevivência.

Neste caso, não existe base aliada! Pergunto-me: vale a pena ter uma aliança tão ampla? Esta base está comprometida com os seus interesses, não com os projetos do povo. É a mesma base que não quer a reforma agrária, a mesma base que quer tirar o poder de nossa Presidenta de titular terras aos indígenas com a PEC 215; é a mesma base que emperra a votação da PEC do Trabalho Escravo há anos no Congresso Nacional.

No caso do Código Florestal, repito: da mesma forma que o relatório de Aldo Rebelo foi uma vergonha, o mesmo pode ser dito do relatório de Paulo Piau.

Precisamos impedir a possibilidade de recuperar só metade das áreas que foram desmatadas em beiras de rios e nascentes até junho de 2008; a desobrigação de recuperar as reservas legais desmatadas até 2008 para todos os imóveis com até quatro módulos fiscais; a possibilidade de recuperar ou preservar a reserva legal e/ou a Área de Proteção Permanente em outra propriedade de um mesmo bioma. Temos ainda que impedir que haja a autorização da recomposição das reservas legais e áreas de proteção permanentes com até 50% de espécies exóticas, o que aumentaria os desertos verdes de eucalipto e pinus, além da permissão do plantio de lenhosas em áreas com inclinação maior de 45° e topos de morros.

O Núcleo Agrário do PT trabalhará pelo Veta Dilma! É preciso mais que nunca uma grande mobilização social para não retroceder!

Deputado Valmir Assunção (PT-BA) é coordenador do Núcleo Agrário do PT, vice-líder do PT na Câmara.

Leia também:

STF derrota a tese da guerra civil

“Ministra Maria do Rosário, tortura com armas não letais, não!”

O contador e as fitas que estão por aí

Marco Aurélio Mello: Grampinho, chicletes e a colega da Globo





37 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

_Rorschach_

30 de abril de 2012 às 13h02

VETA DILMA!!

(Azenha abra uma exceção para a caixa nesse caso vai…são só duas palavrinhas…)

Responder

Roberval

27 de abril de 2012 às 16h40

O Deputado só esqueceu de dizer que no Senado o relator foi o senador Jorge Vianna do PT do Acre e que também não contribuiu para resolver esse retrocesso.
O que esperar do PT daqui para a frente nesta e em outras tantas matérias? Como, por exemplo, a Lei da Mídia. O PT e o Governo Federal (também PT) vai ficar assistindo a elite escravocrata e corrupta continuar mandando?
Os movimentos sociais precisam ser os remos desse governo que está à deriva, salvo algumas sóbrias ações como a diminuição dos juros bancários, a fim de que não seja engolido pelo redemoinho das elites corruptas.

Responder

    Maria Libia

    30 de abril de 2012 às 12h02

    Roberval, quantos senadores e deputados o PT tem? Quantos votaram a favor do não? Toda vez leio textos deste jaez, fico pensando que tal pessoa cursou as escolas estaduais de São Paulo, e tornou-se um Ignorante Funcional, que não sabe ler, se sabe não entende o que lê. Lamentável que numa casa de mais de 500 deputados só o PT é acusado. Voce, com certeza, apoiaria o não, a favor dos LATIFUNDIÁRIOS.

Geraldo Magela

27 de abril de 2012 às 16h01

A base aliada é a mesma que apoiou o Governo FHC, portanto, não tem qualquer compromisso com ideologias; ela só vota de acordo com os seus interesses. É tudo na base do toma lá, dá cá em nome da governabilidade. Para que o Código Florestal seja aprovado como quer a Presidenta Dilma, ela terá que abrir o cofre e/ou criar novos cargos para os apadrinhados dessa base aliada que é mais fluida que gelatina.

Responder

Moacir Moreira

27 de abril de 2012 às 15h45

O Brasil precisa é de uma nova Constituição Federal, pois a nossa está mais remendada do que cueca de pobre.

CPI VEJA-GLOBO no crime organizado internacional.

Vai sobrar pra muita gente "honesta."

Responder

    Marcio H Silva

    27 de abril de 2012 às 18h56

    Que adianta uma nova constituição com estes caras que estão aí?
    Melhor que uma nova constituição, é de eleição em eleição, fazermos uma limpeza no congresso.
    Esta limpeza tem que ser constante, até porque voce só conhece o candidato após sua posse, principalmente na votação de temas polêmicos.
    E eles vão saber que se votar contra a vontade popular, vai ser detonado na próxima eleição.

Sagarana

27 de abril de 2012 às 13h51

VETA DILMA, VETA! Coragem é o que o mundo espera de você.

Responder

Yarus

27 de abril de 2012 às 13h11

O desastre que seria o 13º salário, segundo o neoliberês:

“Uma notinha, na seção “Há 50 anos” do jornal O Globo, que não escapou ao ao olhar atentíssimo do amigo Ápio Gomes, mostra com,o não há nada de novo na cantilena de que os direitos sociais dos trabalhadores inviabilizam a competitividade das empresas brasileiras.

Há 50 anos, portanto, o Congresso aprovava e o presidente trabalhista João Goulart sancionava um benefício que se incorporou á vida brasileira e não provocou nenhum “desastre” como previa Eugênio Gudin, então a fina flor do reacionarismo econômico de então.

Como os que arranjaram a cobertura dos militares para derrubar Jango do Ministério do Trabalho, em 1953, por defender a elevação do salário mínimo, esta gente acha, há muito mais do que 50 anos, que o problema da economia é mesmo o trabalhador.

Se bobear, até a Princesa Isabel entra na lista dos “populistas”.

PARA VER A NOTINHA: http://www.tijolaco.com/o-neoliberal-nao-e-libera…

Responder

assalariado.

27 de abril de 2012 às 12h32

O fascinio e a atração entre as ideologias social democrata e os (neo) liberais já dura por mais de um século. É uma história de coerencias e traições, nunca explicadas para as massas. Porém, quem sempre perde são as massas assalariadas, meio ambiente e o povo na condição de explorado, nesta sociedade das elites, para as elites. Tudo bem! Este é um processo natural, para quem pensa vertical e defende os valores burgueses, onde os explorados entram com o pescoço e os exploradores entram com a corda. Nada mais coerente. Por favor, não tenham ilusões!

Aqui vai um video, mais um presente, de um socialista para os da social democracia:

Leandro e Leonardo, ENTRE TAPAS E BEIJOS:

[youtube v_0Mtz5mUb0&feature=channel&list=UL http://www.youtube.com/watch?v=v_0Mtz5mUb0&feature=channel&list=UL youtube]

Responder

Professor Cirino

27 de abril de 2012 às 11h57

Fora de pauta: Gostei de ver o patrocínio da loja "Balão da Informática" , de que já sou cliente há algum tempo. Serei mais fiel ainda.

Responder

Fernando

27 de abril de 2012 às 11h34

O veto é importante, mas apenas amenizará o desastre que é o governo Dilma na questão ambiental e agrária.

Responder

Filipe Rodrigues

27 de abril de 2012 às 09h52

Essa é a base que Lula deixou para Dilma…em vez de fortalecer a esquerda, o ex-presidente preferiu se aliar com o fisiologismo.

Responder

zezinho

27 de abril de 2012 às 09h23

É de espantar a tamanha ignorância de muitos aqui. Não se deram nem ao trabalho de ler o que diz o código.
Primeiro que não há anistia alguma!
Segundo, apenas os pequenos proprietários, aqueles com até 4 módulos, que não deverão compensar o desmate na própria área.
Quanta ignorância achar que estão livrando os latifundiários. Estes já estão dentro da lei.
Essa revolta toda é coisa de torcedor cego de quatro patas.

Responder

    Luc

    27 de abril de 2012 às 11h28

    zezinho xinga quem é contra suas convicções, portanto sem educação, portanto sem razão.
    OCORREU ampla anistia:
    As multas por infrações ambientais cometidas até 22 de julho de 2008 serão suspensas a partir da publicação da nova lei.
    4 módulos fiscais podem chegar a 400 hectares dependendo da região.
    Metade de toda reserva legal agora pode ser derrubada para plantio de exóticas como eucalipto, ou seja, na prática METADE das reservas existentes podem ser vendidas como madeira, incineradas, destruídas.
    Áreas de proteção permanente , APP's , podem ser incorporadas nas reservas legais, então pode-se derrubar ainda mais as reservas legais.
    APP's foram reduzidas
    Manguezais passam a ser considerados NADA.
    E etc, etc, etc…. catástrofe ambiental, climática e mesmo rural eminente.

    bene nadal

    27 de abril de 2012 às 14h00

    Pois é seu zezinho, o Luc deu alguns esclarecimentos que para bom entendedor, mais do que basta… E deixou para mim o mais fácil: quem chama outra pessoa de "torcedor cego de quatro patas", no meu entender é; um posseiro de alguns metros de terra que ninguém quiz, e pensa que é latifundiário, ou na melhor das hipóteses e; alguma coisa de quatro patas, mas que pensa que só tem duas!!!

José Ruiz

27 de abril de 2012 às 09h19

Esperar oque? O vice-presidente desse governo é do PMDB, o partido mais fisiológico do mundo. O PMDB é pior do que DEM ou PSDB… estes pelo menos tem uma posição clara.. o PMDB não, vive na penumbra, joga por cargos no governo, se alia com qualquer um, é o síndico da Esplanada.. Estaria o PT se tornando o PMDB de amanhã? Há indícios..

Responder

Benedito

27 de abril de 2012 às 09h06

Sem base aliada, não se governa nesse país. Sem maioria parlamentar, nada se conquista. Enquanto não se faz uma reforma política (será que será feita um dia??), é preciso dormir com o inimigo pra poder governar. Talvez falte ao governo uma melhor articulação política com o Parlamento. Quanto ao PMDB, o senhor Michel Temer é um traíra histórico. E ele é o vice da Dilma… Por incrível que possa parecer, o "sim" teve mais votos entre os tucanos do que no PMDB. Ou seja, o governo não perdeu pra oposição. Perdeu pra ele mesmo.

Responder

Marcelo

27 de abril de 2012 às 08h39

Com todo apoio da mídia. A Band então, uma vergonha seu jornalismo de araque, apoio integral aos latifundiários, sem contraditório, claro.

Responder

    Luiz Deschamps

    30 de abril de 2012 às 13h30

    SAAD = máfia!! SEMPRE FOI ASSIM… BANDIDAGEM TRAVESTIDA DE JORNALISMO!!!

gilberto silva

27 de abril de 2012 às 08h13

O Chalita votou não e depois fica falando no PIG que seguiu ordem da bancada….ele ainda quer ser prefeito de São Paulo ????

Responder

Mari

27 de abril de 2012 às 08h05

Acontece que não há outra base aliada. Quem não tem cão caça com gato.

Responder

FrancoAtirador

27 de abril de 2012 às 00h29

.
O CÓDIGO DE UM GRUPO CONTRA TODA A SOCIEDADE

274 votantes, de um total de 458, sonegaram à sociedade salvaguardas ambientais minimamente contempladas na versão do projeto aprovada no Senado.
O que se viu ali foi a ação de um poder econômico que deixado à própria sorte transforma-se em força anti-social. Deve ser objeto do mesmo enquadramento estatal preconizado contra a desregulação financeira.
O veto da Presidenta Dilma neste caso é um recurso legítimo da democracia contra a imposição de um grupo sobre toda a sociedade.

Por Saul Leblon, na Carta Maior

Com justificável desalento, após a aprovação do Código Florestal na Câmara, nesta 4ª feira, membros do Greenpeace classificaram o agronegócio brasileiro como o maior partido do país. O desabafo é compreensível quando 274 votantes, de um total de 458, sonegam à sociedade salvaguardas ambientais minimamente contempladas na versão do projeto egressa do Senado. A identificação entre aritmética e hegemonia porém é equivocada. Ser um grande partido requer justamente o oposto do que caracterizou o espetáculo de ganância obtusa propiciado pelo Legislativo federal.

O corporativismo pequeno personificado no relator da Câmara, deputado Piau (PMDB-MG), distingue-se da liderança política, entre outras coisas, pela incapacidade de dar a seus interesses uma grandeza que incorpore parcela expressiva dos anseios da sociedade de uma época.

Desguarnecer a proteção dos grandes rios brasileiros; desdenhar da mesma proteção no caso de vertedouros urbanos; sancionar a devastação com anistia a grandes desmatadores e tornar dúbia a fiscalização coercitiva numa transferência de responsabilidade a esferas da federação desprovidas de meios para exercê-las, configura mais um golpe de um grupo contra a sociedade do que um projeto capaz de pavimentar o seu futuro.

O futuro é a maior vítima da lógica corporativa que se contradiz nos seus próprios termos. Abala-se frequentemente o agronegócio brasileiro a ostentar sua proficiência produtiva. Não raro, utiliza-a como argumento para descredenciar a pertinência da reforma agrária que no século XXI já não se ampara exclusivamente no relevante objetivo produtivista, assumindo também dimensões de política populacional e instrumento de ocupação sustentável do território.

O Brasil de fato notabiliza-se pela indiscutível competência agrícola.
Subsídios estatais de fomento e pesquisa foram generosamente investidos com esse fim. A Embrapa, um órgão estatal de pesquisa, é o maior centro de conhecimento em agricultura tropical do planeta. Nos últimos 20 anos a oferta agrícola cresceu 155%; a expansão da área plantada no país foi de 22%. A demanda mundial de alimentos deve saltar 20% nesta década; as projeções internacionais indicam que 40% da oferta correspondente virá do plantio brasileiro. Se a eficiência é indiscutível, seu custo social nem sempre é reconhecido: um processo acelerado de expulsão da terra impulsionado durante a ditadura militar gerou no país a urbanização caótica que hoje penaliza a sociedade em diversas frentes.

O Brasil favelado equivale a um Portugal inteiro: 11,5 milhões de pessoas vivendo em 6.300 núcleos precários. A abundância da colheita não se fez acompanhar do equilíbrio na distribuição: coube ao governo Lula criar um programa de combate à miséria, amplificado pela Presidenta Dilma, que hoje atende mais de 12 milhões de famílias. De outra forma, 50 milhões de brasileiros não teriam o que comer, apesar das supersafras no campo.

Antes de sancionar, como querem seus porta-vozes, a competência produtiva desautoriza a ganância inscrita no projeto de Código Florestal. Cálculos do próprio agronegócio indicam que o Brasil tem 96 milhões de hectares de pastagens agricultáveis, área superior a tudo o que é cultivado hoje –cerca de 70 milhões de hectares. Basta elevar a eficiência da pecuária extensiva para liberar espaços subutilizados em benefício da oferta adicional de alimentos. Qual o sentido então de se ocupar encostas com gado, como prevê o Código aprovado esta semana? Ou acanhar a exigência de reserva legal em regiões da Amazônia?

A capacidade de organizar um futuro crível e inclusivo distingue uma força social portadora de liderança histórica de um mero ajuntamento guiado por lógica autoreferente. O capital financeiro hoje domina a vida econômica do planeta em crise; caracteriza-se mais como uma ameaça à sociedade do que um lastro de ordenação do seu bem-estar e desenvolvimento.

A irresponsabilidade ambiental que o ruralismo pretende impor ao país evidencia identico paradoxo. Trata-se de um poder econômico que deixado à própria sorte transforma-se em força anti-social. Deve ser objeto do mesmo enquadramento e veto estatal preconizado contra a desregulação financeira; é um direito da democracia rechaçar as imposições de um grupo contra os interesses de toda a sociedade.

http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cf…

Responder

    jaime

    27 de abril de 2012 às 11h33

    "O Brasil de fato notabiliza-se pela indiscutível competência agrícola.
    Subsídios estatais de fomento e pesquisa foram generosamente investidos com esse fim. A Embrapa, um órgão estatal de pesquisa, é o maior centro de conhecimento em agricultura tropical do planeta."
    Vamos por partes: 1 – Subsídios estatais de fomento e pesquisa foram generosamente investidos com esse fim, o que se traduz por: o "empresário" do agrobusiness está pendurado nas tetas do governo; 2 – A Embrapa também é uma empresa pública, o que se traduz por: o governo, novamente, está bancando todos os custos de pesquisa e entregando de bandeja ao "empreendedor" rural; 3 – O financiamento das safras, em todas as etapas, é comtemplado com juros altamente subsidiados: ou seja, nossos impostos amortizam os custos dos "empreendedores". Conclusão: o Brasil, de fato, notabiliza-se pela indiscutível incompetência do parasita setor agrícola.

    FrancoAtirador

    27 de abril de 2012 às 21h01

    É verdade, Jaime.
    Os latifundiários são indiscutivelmente incompetentes.
    Cabe acrescentar que os "empresários do agrobusiness" praticamente não pagam Imposto Territorial Rural (ITR) e recolhem para a Previdência Social a insignificância de 2% (dois por cento) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural.
    E outros elementos concretos comprovam a incompetência dos parasitas do agronegócio:
    .
    .
    Agricultura familiar alimenta a população, gera empregos e é mais eficiente

    Por Antônio Canuto*, na Adital

    O IBGE divulgou ao final de 2009, o resultado do Censo Agropecuário realizado em 2006.
    O Censo apresenta à sociedade um retrato da realidade agrária brasileira.
    Em primeiro lugar o Censo detecta acentuação na concentração da propriedade da terra que é medida pelo chamado Índice de Gini. O índice que em 1995 era de 0,856, em 2006 atingiu o patamar de 0,872. É bom frisar que quanto mais próximo a 1, maior é o grau de concentração.
    Este dado se materializa nos outros números do Censo.

    A agricultura familiar, com 4.367.902 estabelecimentos, ocupa uma área de 80.250.453 hectares.
    Por sua vez, os 807.587 estabelecimentos da agricultura empresarial, que o Censo denomina de "não familiar", ocupam uma área de 249.890.940 hectares.
    Isto quer dizer que a agricultura familiar com 84,4% dos estabelecimentos, ocupa 24,3% da área total.
    Em contrapartida, a agricultura empresarial ocupa 75,7% da área, com apenas 15,6% dos estabelecimentos agropecuários.

    O Censo também vem confirmar que a agricultura familiar é responsável pela maior parte dos alimentos consumidos pelos brasileiros, e assim garante a segurança alimentar.

    A agricultura familiar produz 87,0% da mandioca, 70,0% do feijão, 46,0% do milho, 38,0% do café, 34,0% do arroz, 58,0% do leite.
    A agricultura familiar ainda detém 59,0% do plantel de suínos, 50,0% do plantel de aves, 30,0% dos bovinos, e produz 21,0% do trigo.
    Onde a agricultura familiar tem menor participação é na cultura da soja 16,0%.

    Se analisarmos a produção da agricultura familiar a partir da área ocupada, vamos ver que ela é muito mais eficiente que a empresarial.

    Partindo da produção de bovinos em que a agricultura empresarial é responsável por 70% do total, vemos o seguinte: a agropecuária empresarial criava 119.628.809 cabeças, numa área de 249 680 940 hectares, ou seja, 0,47 cabeças por hectare.
    Já a produção da agricultura familiar era de 0,64 cabeças por hectare, pois criava 51.991.528 cabeças, em 80 250 453 hectares.

    Se fizermos os cálculos em outros produtos vamos ver que a eficiência da agricultura familiar é muitíssimo
    maior que a empresarial.

    Outro dado importante do Censo é em relação à mão de obra em atividade.

    O total do pessoal ocupado nas atividades agropecuárias, segundo o Censo, era de 12.801.179 pessoas. Destas, 11.036.701 atuava nas atividades da agricultura familiar
    e somente 1.764.478 pessoas, nas atividades da agricultura empresarial.

    Isso mostra que em média a agricultura familiar gera um emprego a cada 7 hectares;
    enquanto a agricultura empresarial gera um emprego a cada 141 hectares
    e alardeia aos quatro cantos que sua atividade é responsável pelo aumento do emprego no campo.

    O direito à propriedade é direito fundamental da pessoa, garantido pela Constituição. Os incisos XXII e XXIII do artigo 5° sobre os direitos da pessoa garantem o direito de propriedade, condicionando-o ao cumprimento de sua função social.
    Esse direito universal, porém, acaba restrito a poucas pessoas.
    É um contrassenso que encontra sua fonte na história de nossa colonização.
    Em decorrência disso as margens das nossas estradas gritam, com seus acampamentos, que milhões de famílias buscam terra como espaço de vida e trabalho.
    A propriedade é fonte de liberdade quando beneficia a todos, quando concentrada se torna raiz de violência.

    O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, do qual a CPT faz parte lançou a Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar.
    Só um limite para a propriedade da terra pode garantir a soberania alimentar de nosso país.
    Nas pequenas propriedades é que se pratica a agricultura, pois nas grandes se desenvolve o agronegócio que se preocupa não com a produção de alimentos, mas com o que dá lucro.
    Um limite para a propriedade é uma questão de sabedoria e de bom senso!

    *Jornalista e Secretário da Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

    http://www.adital.com.br/site/noticia_imp.asp?cod…

Lenin

26 de abril de 2012 às 22h29

Veta,e pronto!até o ciro gomes tém razão:o lobby gringo cai de pau na produção brasileira,por supostos motivos ecológicos,e aí ninguém vende mais zorra de nada pelo mundo.

Responder

    Renato

    27 de abril de 2012 às 09h05

    Veta, e dai volta para o congresso onde o veto será derrubado por causa da força do PMDB.

    Fabio_Passos

    27 de abril de 2012 às 12h14

    Veta e enfrenta os problemas: chantagens, represálias e retaliações.
    Afinal, o regime é presidencialista.

    A presidenta tem uma base aliada… ou há um grupo no congresso que tem a presidenta na coleira?

kalango Bakunin

26 de abril de 2012 às 21h41

ei, só esquecemos que a maiora dos depufedes e senadores são latifundiários!
ruralista é quem TRABALHA NO CAMPO

Responder

FrancoAtirador

26 de abril de 2012 às 21h20

.
.
O Vice-Presidente da República é do PMDB.

Orientação do Governo: SIM

E como votaram os deputados peemedebistas:

PMDB
Adrian RJ Não
Alberto Filho MA Não
Alceu Moreira RS Não
Alexandre Santos RJ Não
Antônio Andrade MG Não
Arthur Oliveira Maia BA Não
Asdrubal Bentes PA Não
Benjamin Maranhão PB Não
Carlos Bezerra MT Não
Celso Maldaner SC Não
Danilo Forte CE Não
Darcísio Perondi RS Não
Edinho Araújo SP Não
Edinho Bez SC Não
Edio Lopes RR Não
Edson Ezequiel RJ Não
Eduardo Cunha RJ Não
Elcione Barbalho PA Sim
Eliseu Padilha RS Não
Fabio Trad MS Não
Fátima Pelaes AP Não
Fernando Jordão RJ Não
Flaviano Melo AC Não
Francisco Escórcio MA Não
Gabriel Chalita SP Não
Genecias Noronha CE Não
Gera Arruda CE Não
Geraldo Resende MS Sim
Giroto MS Não
Henrique Eduardo Alves RN Não
Hermes Parcianello PR Não
Hugo Motta PB Não
Íris de Araújo GO Não
João Arruda PR Não
João Magalhães MG Não
Joaquim Beltrão AL Não
José Priante PA Não
Júnior Coimbra TO Não
Leandro Vilela GO Não
Lelo Coimbra ES Não
Leonardo Picciani RJ Não
Leonardo Quintão MG Não
Lucio Vieira Lima BA Não
Luiz Pitiman DF Não
Manoel Junior PB Não
Marçal Filho MS Não
Marcelo Castro PI Não
Marinha Raupp RO Não
Marllos Sampaio PI Não
Mauro Benevides CE Não
Mauro Lopes MG Não
Mauro Mariani SC Não
Natan Donadon RO Não
Newton Cardoso MG Não
Nilda Gondim PB Não
Odílio Balbinotti PR Não
Osmar Serraglio PR Não
Osmar Terra RS Não
Paulo Piau MG Não
Pedro Chaves GO Não
Pedro Novais MA Não
Professor Setimo MA Não
Raul Henry PE Sim
Renan Filho AL Não
Rogério Peninha Mendonça SC Não
Ronaldo Benedet SC Não
Rose de Freitas ES Não
Sandro Mabel GO Não
Saraiva Felipe MG Não
Teresa Surita RR Não
Valdir Colatto SC Não
Washington Reis RJ Não
Wilson Filho PB Não
Wladimir Costa PA Não
.
.

Responder

Willian

26 de abril de 2012 às 19h56

Caso Dilma vete o projeto de lei, o mesmo retornará ao Congresso Nacional, onde será apreciado em seção conjunta, no prazo de 30 (trinta). Pode o veto presidencial ser derrubado pela maioria absoluta dos deputados e senadores, que votarão em sigilo, conforme estipulado pelo artigo 66, §4º da CR/88.

Responder

lulipe

26 de abril de 2012 às 19h11

Por que não pensaram nisso antes, caro Deputado???Agora é cômodo ficar fazendo beicinho…

Responder

Fabio_Passos

26 de abril de 2012 às 18h31

Veta Dilma!

Responder

Marcos

26 de abril de 2012 às 18h19

Que maravilha! Sigamos o conselho do deputado e viveremos felizes para sempre com as centenas de CPI's que virão em seguida ao rompimento.
O partido da imprensa agradece o conselho do deputado e torce para que seja realizado o quanto antes.
Francamente, esse deve ser mais um inocente útil como o Suplicy.

Responder

    Rodrigo Giordani

    26 de abril de 2012 às 19h14

    Marcos, sabemos que é necessário construir maioria parlamentar e abrir mão de muitos pontos do programa das esquerdas, mas se não for pra defender uma agenda minimamente progressista, que respeite os direitos humanos, os direitos das populações tradicionais do campo pra que governar? Para atender os interesses dos empresários rurais? O texto do Senado era um consenso em que o PT e o governo abriam mão de muita coisa, aí a maioria reacionária do Congresso pisou no acordo e literalmente passou a motosserra em todas as nossas leis ambientais. Que aliança é essa com o centro político em que eles ficam com incontáveis cargos e… dão o quê mesmo em troca?

    renato

    27 de abril de 2012 às 09h31

    Não passa na Dilma, e o pessoal deve continuar a lutar.
    E se não passa na Dilma sou a favor dela.
    Estes caras vão fazer um estrago no país, tem gringo só esperando.

O_Brasileiro

26 de abril de 2012 às 17h59

O pior é que essa conta nós é que vamos pagar, através de mais subsídios para os ruralistas!
Com a degradação do meio ambiente, virão mais enchentes e mais estiagens, com consequente perda de lavouras e diminuição da produção. Ai, o que vai acontecer? Esses mesmos ruralistas que querem destruir o meio ambiente vão para Brasília pedir mais e mais dinheiro para cobrir os prejuízos que eles mesmos estão causando.
Isso é "enxugar gelo"…

Responder

    jaime

    27 de abril de 2012 às 11h37

    Concordo. É só olhar em volta para descobrir que todas as nascentes de água foram eliminadas para que o "empreendedor agrícola" ganhasse espaço de plantio. Depois se queixam e querem dinheiro quando acontece a seca. Essa turma chegou ao cúmulo de iniciar projetos de lei para receber dinheiro do governo pela não devastação de áreas florestais, em outras palavras, ganhar para ver as árvores que já existiam, continuarem crescendo. Dá um tempo!


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding