VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Você escreve

Urariano Mota: Roberto Carlos e a ditadura


01/04/2011 - 08h29

por Urariano Mota, em Direto da Redação

As datas, os aniversários, têm um poder evocativo muito forte. Esta semana me veio de súbito uma pergunta: que música seria mais representativa do golpe militar de 64? Quais canções, que músico seria mais representativo daqueles anos inaugurados em um primeiro de abril?

Num estalo me veio que Roberto Carlos deve ter sido o compositor mais representativo da ditadura. Não sei se num curto espaço conseguirei ser claro. Mas tento. Os mais velhos sabem que a lembrança daqueles anos muito tem a ver com os rádios, em todos os lugares, tocando

“De que vale o céu azul e o sol sempre a brilhar

se você não vem e eu estou a lhe esperar

só tenho você no meu pensamento

e a sua ausência é todo meu tormento

quero que você me aqueça nesse inverno

e que tudo mais vá pro inferno”

Quando Roberto Carlos explodiu os rádios do Brasil, ele cresceu em um  programa que arrebentou em 65. O programa Jovem Guarda se opunha ao O Fino da Bossa, com Elis. Enquanto O Fino da Bossa fazia uma ponte entre os compositores da velha guarda do samba e os compositores de esquerda, o Jovem Guarda…

“Eu vou contar pra todos a história de um rapaz

que tinha há muito tempo a fama de ser mau..”

“O Rei, o Rei não tem culpa…”, diz-nos um senhor encanecido, ex-jovem guarda (e como envelheceu a jovem guarda!). “O Rei não tem culpa…”. Sim, compreendemos: quem assim nos fala quer apenas dizer, Roberto Carlos não teve culpa de fazer o medíocre, de falar aos corações da massa jovem daqueles anos. À juventude alienada, mas juventude de peso, em número, que ganha sempre da minoria de jovens estudiosos. Que mal havia em falar para a sensibilidade embrutecida mais ampla? É claro que ele não teve culpa de macaquear a revolução musical dos Beatles em versões bárbaras, em caricaturas dos cabelos longos, alisados a ferro e banha, para lisos ficarem como os dos jovens de Liverpool.

Mas é sintomático nele a passagem de cantor da juventude para o “romântico”. Essa passagem se deu na medida em que os jovens de todo o mundo deixaram de ser apenas um mercado de calças Lee e  Coca-Cola, e passaram a movimentos contra a guerra do Vietnã, até mesmo em festivais de rock, como em Woodstock. Ou, se quiserem numa versão mais brasileira, o Rei Roberto se torna um senhor “romântico” na medida em que as botas militares pisam com mais força a vida brasileira. Ora, nesses angustiantes anos o que compõe o jovem, o ex-jovem, que um dia desejou que tudo mais fosse para o inferno? – Eu te amo, eu te amo, eu te amo…

É claro que a passagem do Roberto Carlos Jovem Guarda para o senhor “romântico” não se deu pelo envelhecimento do seu público. De 1965 a 1970 correm apenas 5 anos. O envelhecimento é outro. Nesses 5 correm sangue e raiva da ditadura militar, no Brasil, e crescimento da revolta do público “jovem”, no mundo. Enquanto explodem conflitos, a canção de Roberto Carlos que toca nos rádios de todo o Brasil é “Vista a roupa, meu bem” (e vamos nos casar). Se fizéssemos um gráfico, se projetássemos curvas de repressão política e de “romantismo” de Roberto Carlos, veríamos que o ápice das duas curvas é seu ponto de encontro.

Enfim, o namoro do Rei Roberto Carlos com o regime não foi um breve piscar de olhos, um flerte, um aceno à distância. O Rei não compôs só a música permitida naqueles anos de proibição. O Rei não foi só o “jovem” bem-comportado, que não pisava na grama, porque assim lhe ordenavam. Ele não foi apenas o homem livre que somente fazia o que o regime mandava. Não. Roberto Carlos foi capaz de compor pérolas, diamantes, que levantavam o mundo ordenado pelo regime. Ora, enquanto jovens estudantes eram fuzilados e caçados, enquanto na televisão, nas telas dos cinemas, exibia-se a brilhante propaganda “Brasil, ame-o ou deixe-o”, o que fez o nosso Rei? Irrompeu com uma canção que era um hino, um gospel de corações ocos, um som sem fúria de negros norte-americanos. Ora, ora, o Rei ora: “Jesus Cristo, Jesus Cristo, eu estou aqui”.

Os brasileiros executados sob tortura não estavam com Jesus. Nem Jesus  com eles.



Ajude o VIOMUNDO a sobreviver

Nós precisamos da ajuda financeira de vocês, leitores, por isso ajudem-nos a garantir nossa sobrevivência comprando um de nossos livros.

Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia

Edição Limitada

R$ 79 + frete

O lado sujo do futebol: Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

R$ 40 + frete

Pacote de 2 livros - O lado sujo do futebol e Rede Globo

Promoção

R$ 99 + frete

A gente sobrevive. Você lê!


82 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

SPIN (link)

04 de abril de 2011 às 11h37

Urariano Mota tirou isso da minha boca, há décadas que trago isso engargado na garganta, apenas pensava que ninguém mais via assim
Não tenhamos a menor dúvida disso
Percebi isso durante minhas reflexões, meu processo criativo, ele(RC) nunca entrou na minha história

Responder

Eduardo Souto Jorge

02 de abril de 2011 às 14h34

Que palhacada!!Foi, fora de duvida , o comentario mais reducionista, simplista e reacionario que ja li no Viomundo. Como uma criatura dessa pode estar ganhando dinheiro escrevendo tantas bobagens juntas? Sinceramente nao sei. Querer "patrulhar" os mitos populares e a fe' religiosa , e' , no minimo, falta de total sintonia com as Massas de qualquer nacao .Seguindo o raciocinio do articulista, faltou falar do Simonal e da Tropicalia. Tenha a santa pasciencia! Nos estamos em 2011. Falar que movimentios como Bossa Nova, Elis Regina, etc, eram engajados nas lutas operarias, e' no minimo hilariante. Va catar coquinho meu caro!

Responder

Simone del Rio

02 de abril de 2011 às 13h56

Os cantores de jazz e blues eram chamados de King (B.B.King), Duque (Duke Ellington), Conde (Count Basie). Perez era o Rei do Mambo, Elvis, o Rei do Rock . Isso era uma tradição da época.

Chico Buarque fez inúmeras canções românticas nos anos de chumbo. Os sambistas ensinaram que na dor a alegria nos mantêm vivos.

Sambar com o "Cacique de Ramos" na rua também não podia?

Só os fascistas gritavam "Viva a morte!"

Está na moda perseguir artistas?

A ditadura detonou um dos programas humorísticos mais populares da época: "PRK 30".

João Saldanha , comunista de carteirinha, jamais se importou com a "alienação " do Rei Pelé". Quando o escalou para a seleção de 1970 , disse: "o crioulo sabe tudo de futebol, querem também que entenda de política?"

Se Roberto Carlos era alienado, quantos não eram nesse país, quantos da sociedade civil apoiaram a ditadura? Especialmente as sisudas senhoras de véu preto, cara fechada e terço na mão.

Responder

Taques

02 de abril de 2011 às 13h05

Roberto Carlos é um traidor, não tenho a menor dúvida !!!

Pelé, Éder Jofre e Emerson Fittipaldi foram outros covardes.

Mereciam ser fuzilados, ou melhor, ainda dá tempo, precisam ser fuzilados. Temos o dever de dar este exemplo para nossa sociedade.

Onde já se viu mostrarem todas as suas genialidades elevando o nome do Brasil em plena ditadura ???

Para enriquecer ainda mais o seu brilhante artigo, bem que o camarada Urariano podia divulgar uma lista contendo os nomes dos estudantes que foram fuzilados na ditadura. Precisamos saber os nomes desses verdadeiros heróis.

Saudações progressistas.

Responder

    Klaus

    02 de abril de 2011 às 13h46

    Exato, tinham que estar na luta contra a ditadura. Assim como um bando de padeiros, que durante a ditadura, com tantos sendo mortos, insistiam em fazer pão, minha gente, pão!

Anísio FC

02 de abril de 2011 às 12h05

Estou com 53, acompanhei bem de perto a Jovem Guarda, era uma criança na época e adorava tudo aquilo. Com o tempo virei um cara de esquerda e era da turma que dava pau em Roberto Carlos, Sílvio Santos, etc…
Há séculos deixei isso pra lá, Roberto Carlos é um artista genial – SS também -, o melhor dos nossos na música!
Se pra ser politizado tiver que compor uma das músicas mais chatas do mundo como "Caminhando" do Vandré, antes ser um artista de verdade como o Roberto Carlos, não um panfletário mala…

Responder

@DirckDisse

02 de abril de 2011 às 11h30

Outro mito tb precisa ser desmistificado: jovens americanos só se mobilizaram contra a guerra do Vietnam pq eles estavam perdendo a guerra. – Não parava de chegar defunto e histórias escabrosas vindos do mundo amarelo.

Responder

Roberto M Almeida

02 de abril de 2011 às 06h18

Afirmar que: quem ouvia RC era alienado é uma grande bobagem. Eu aprendi tocar violão com as músicas dele, que era e é de uma estrutura harmônica simples, naturalmente houve uma evolução musical para Caetano, Chico, Edu lobo, Taiguara,, Tom,Vinícius, Toquinho, etc. Gostava do RC mais isso não impediu que eu gostasse do Henfil com o Fradinho e a Grauna, que começasse a me interessar pela política lendo o s jornais, Movimento e o Pasquim e a participar de reuniões clandestinas do velho e bom PCB, o autentico partidão. Roberto Carlos não é uma unanimidade, tem seus defeitos? Todo mundo os tem. Agora compara-lo com Don&Ravel é de uma idiotice sem tamanho. O patrulhamento ideológico já deixou muitas vítimas, não precisamos de mais uma.

Responder

    Baader

    02 de abril de 2011 às 11h19

    Roberto, em partes, concordo com você. Hoje, os mesmo problemas sociais existem (ou vcs acham mesmo que o Estado de Direito existe na prática?) e há pouco questionamento no âmbito artístico. Acho que a crítica deve ser feita porque ela não é de toda errada. Mas as canções metafóricas de Chico Buarque, que pouco atingia as massas, contribuíram tanto quanto as de Roberto Carlos para o pseudo fim da ditadura!

José Roberto-SP

02 de abril de 2011 às 01h30

Jovem Guarda e Bossa Nova basta ver o nicho em que cada uma atuava. JOVEM GUARDA: Rua Augusta e adjacências – BOSSA NOVA: Rua Maria Antônia e adjacências. É a diferença.

Responder

    urarianomota

    02 de abril de 2011 às 09h41

    Valeu, José Roberto.

    O artigo é uma redução de um texto maior que escrevi. Por força de espaço curto, a gente acaba virando esquemático, como resumo de apostila.

    Para não ser maldoso,e por não ter a prova concreta, irrefutável, deixei de lembrar
    que RC era estimulado pelos militares brasileiros,a ponto de um show dele, no Geraldão, no Recife, ter recebido promoção do Exército.

    A Jovem Guarda sempre andou muto bem com o regime.

Alice

02 de abril de 2011 às 00h32

Tudo inveja porque o único artista de verdade neste país chama-se Roberto Carlos Braga ele é ouvido e querido de A a Z,é o único pop estar brasileiro, porque não deu outro não e nem vai dar,melhor do que ele só Deus e Jesus Cristo!!!!!!Quem quer saber de ditadura assuntos desagradáveis é melhor ouvir uma canção do Roberto ah se esse país tivesse milhares de RC!!!!!VIVA O REI O REI É VIDA É ALEGRIA É POESIA É TUDO DE BOM TEM SABOR DE MEL É UM PEDACINHO DO CÉU AQUI NA TERRA NÃO MISTURE O REI COM ESSAS COISA HORRÍVEIS COMO ESSA POLÍTICA SUJA QUE SE FAZ NESSE PAÍS,TANTO NA DITADURA COMO NESTA FALSA DEMOCRACIA,RESPEITEM O REI UMA PESSOA SEM MÁCULA,UM SER HUMANO MARAVILHOSO,REI COMO DIZ SUA CANÇÃO …"NÃO DER OUVIDO A MALDADE ALHEIA "" ELES FAZEM ISSO PORQUE NÃO SABE CANTAR E NEM TEM SENTIMENTO NEM AMA NINGUÉM,SÃO DIGNOS DE PENA ALMA PEQUENA COITADOS!!!!!

Responder

    Bury

    02 de abril de 2011 às 12h51

    Uma das coisas mais chatas da Net é ter que aguentar esse povo que, sem argumentos para rebater alguma crítica, ou mesmo na total incapacidade de entendê-la, diz que a pessoa está com "inveja" do criticado… Isso é o fundo do poço de qualquer discussão, a anulação da retórica em si mesma, coisa que lembra crianças de pré-primário discutindo qual pai tem o melhor emprego. É dose.

    ZAQUEU LAGES GONÇALVES

    14 de dezembro de 2019 às 19h29

    … “de A a Z” não!!Definitivamente, não!! O Problema central que até aqui não se pontuou em ceio, é que Roberto “b…” Carlos é um artista que usou sua grande popularidade, seu “reinado”, apenas para ganhar e guardar dinheiro… com um poder desses nas mãos, uma pessoa de mais sensibilidade, certamente teria a coragem de criticar mais. Muitos mais… Deixa muito a desejar, pois só fala em “meu amorzinho” para as classes que não passam fome… COVARDE, MESMO… (Mamae, se a ditadura vier aqui, atras de mim, vou entrar num buraco e vou ficar “piquininin”. Então eu coooorro demais… cooooorro demais. Quero é ganhar o meu “din-din”… kkkkkk ( Zaqueu Lages, O rei da paródia)

SILOÉ

01 de abril de 2011 às 23h58

Roberto Carlos aqui não, por favor!!!
Azenha o que a gente fez de errado?
Nenhum de nós merece tamanho castigo!!!
Haja saco, PÔ!!!

Responder

GIOVANNI RICCIO

01 de abril de 2011 às 22h41

Sou materialista, comunista, não sou fã de Roberto Carlos, mas sem dúvida o presente artigo é uma das maiores besteiras que eu já li.

GIOVANNI RICCIO

Responder

Neuza

01 de abril de 2011 às 21h36

Muito bom! Lúcida análise. Sou daquela época, mas em vez de jovem guarda já curtia Chico, Edu Lobo, Gil e tantos outros excelentes artistas que iluminaram aquele tempo de escuridão. E nunca, nunca consegui entander o que o bom-mocinho babaca tem de rei….

Responder

Lucas

01 de abril de 2011 às 20h15

Não se podia fazer romantismo naquela época?

Pelo que me consta, por conta da pluralidade inerente à condição humana, as pessoas têm diferentes aptidões. Nem todos têm interesse por política, seja por preguiça, seja por falta de consciência crítica, etc.

De modo que a maioria dos brasileiros tentatava levar a vida da maneira que podia naquele período, indiferente aos problemas políticos de então.

Os que foram para o sacrifício, os garantidores da democracia atual, foram uma minoria esclarecida e abnegada.

Não entendo que artista tenha um obrigatório e necessário compromisso com política. Não vejo o Roberto Carlos escrevendo músicas capazes de competir com as de Geraldo Vandré em termos de protesto, p. ex.

Responder

fichacorrida

01 de abril de 2011 às 18h56

Errou. Debaixo dos caracois dos cabelos do Caetano Urariano visou Nelson Mota.

Responder

Lucas

01 de abril de 2011 às 18h46

Discordo totalmente da matéria, não acho que culpabilizar um artista, pelo papel que ele exerceu ao não tomar uma postura crítica tenha a ver com o fato de ele apoiar ou não a ditadura. Então que culpem toda a jovem guarda, e os bregas por não terem adotado postura críticas. Isso revela que muitas vezes até entre os que se dizem de esquerda, existe um certo orgulho em regurgitar ranços da época da ditadura a algumas pessoas que são injustamente criticadas.

O fato é que a postura do cantor pode ter servido aos propósitos da ditadura, mas isso não implica na responsabilidade dele ao que aconteceu.

Jornalismo baixo, e de péssima qualidade

Responder

Paulo Monteiro

01 de abril de 2011 às 18h22

Meu pai de origem bem humilde sitiante semi analfabeto, e qdo pergunto pra ele sobre a ditadura, ele me responde, "Só ouvia dizer que não podia falar mal do governo..só isso, e que muitos vereadores da nossa região sumiram naquele tempo, pq eram contra as coisas do governo, e que na roca, ouviam sempre sobre histórias de perseguição. Mas pra gente que não mexia com isso, ahh não mudava nada tudo era igual (as mesmas difculdades pra ganhar de sempre p/ ganhar a vida)". O que ele lembra era de ter levado meu irmão mais velho na época (nenenzinho) que estava muito doente, e os médicos fazendo uma associação ao PTB falavam assim: "não se preocupe pai, esse ptbzinho vai ficar bom, vai sobreviver" . De fato meu irmão sobreviveu, mas o PTB foi fechado. O que entendo disso é que se na época a maioria da população contasse com um grau de instrução melhor, acho que o golpe não tinha durado tanto, não teriam aceitado a alienação advinda de todos os meus midiaticos, artisiticos, etc.

Responder

Paulo

01 de abril de 2011 às 16h47

Alem de tudo gosta de um plágio. http://canal100.blogspot.com/2007/07/plgio.html

Se voce achar que é montagem veja o filme http://www.viddler.com/explore/ligiscrazy/videos/

Responder

Gerson Carneiro

01 de abril de 2011 às 16h19

Só pra concluir: já quase no final do regime militar, quando todos ainda estavam preocupados, o pelegão Roberto Carlos ainda foi e fez uma música preocupado com as baleias que cruzavam no oceâno.

Todo mundo preocupaco com os milicos, as baleias no maior love no oceânao, e o pelegão, para fugir do assunto, se metendo na vida das baleias.

Pau no lombo do pelego!

Responder

    alexandre a. moreira

    01 de abril de 2011 às 18h01

    Olha não sou Fã de RC mas pior é julgar obra de artísta com vício ideológico. Isto é estalinismo do pior tipo. Só beneficia o preconceito. Se quiser falar que o cara ia dar show na casa de milico para adular tudo bem, é criticável. Mas como disse antes, Michelangelo trabalhou para um PAPA assassino. E aí, o Davi é uma Bosta ?!
    Não çentendo querer misturar a não ser para fazer patrulhamento estético do mais baixo nível e olha que eu nem gosto do Cara !!! menas povo menas !!!

    Gerson Carneiro

    01 de abril de 2011 às 18h47

    É sexta-feira, deixa eu brincar um pouco com o pelego vai.
    Quem aprontou lá atrás e achou que iria escapar, se enganou.

    Eu sou terrível
    E é bom parar
    De desse jeito
    Me provocar

    Você não sabe
    De onde eu venho
    O que eu sou
    E o que tenho

    Eu sou terrível
    Vou lhe dizer
    Que ponho mesmo
    Pra derreter

    Estou com a razão no que digo
    Não tenho medo nem do perigo
    Minha caranga é máquina quente

    Eu sou terrível
    Vou lhe contar
    Não vai ser mole
    Me acompanhar

    alexandre a. moreira

    02 de abril de 2011 às 09h27

    B Happy

Klaus

01 de abril de 2011 às 15h14

Uraniano é daqueles que avalia o sabor do pão pela militância do padeiro. Daqui a pouco vai liderar uma nova marcha contra a guitarra elétrica!

Responder

Gerson Carneiro

01 de abril de 2011 às 14h54

Você tem uma ideologia
Eu tenho outra opinião

Você é o pierrô-retrocesso
Com a graça de Deus
Tamos fazendo sucesso

Hei, Rei!
Eu também errei
Estamos na estrada certa
A trilha louca do poeta

Hei Rei – Cazuza

Responder

Gabriel

01 de abril de 2011 às 14h16

Azenha, não sei se você sabe, mas o Uraniano já tinha publicado esse texto a alguns anos na Carta Maior. Pelo visto ele decidiu republicar em outro site por causa do aniversário da ditadura militar.

Responder

Aldous

01 de abril de 2011 às 14h06

Roberto Carlos, é um artista, mas não deixa de ser um trabalhador. Até onde eu sei, naquele período ganhou seu dinheiro honestamente com sua profissão. A maioria dos trabalhadores brasileiros fizeram o mesmo que ele. A sobrevivência não tem ideologia.

Responder

    Gerson Carneiro

    01 de abril de 2011 às 14h55

    Sobrevivência tem ideologia sim. Vide a sobrevivência dos carrascos e delatores.

Carlos J. R. Araújo

01 de abril de 2011 às 14h03

O artista é como o escritor. Lida com o público, mexe com corações e mentes. Daí a sua responsabilidade social, em maior grau do que os demais mortais. O Roberto Carlos é um cancioneiro (medíocre?). E o que ele fez, como muitos outros, apenas desatou e acomodou paixões individuais pelo sexo oposto. Um romantismo erotizado. E sua música se tornou, por isso mesmo, um engodo social, um anestésico coletivo e individual que, mesmo que ele não perceba, apenas serviu para que ignorássemos os problemas sociais e econômicos de ontem e de hoje.

Marx dizia que a religião é o ópio do povo. A canconeta romântica é pior, faz mais estragos. O diabo é que, no caso do Roberto Carlos, parece que ele não percebe isto. Imagino que ele não saiba o que é responsabilidade social do artista. Ele quer ficar naquela choramingas romântica ou cantilena religiosa, incapaz de perceber os estragos que fez. Para ele, a sociedade não existe. Enfim, se a inteligência é um título de responsabilidade, ele foi, ao longo de todos estes anos, incapaz de perceber isso. Voltaire tinha razão: o inferno está cheio de inocentes. Resta saber qual a atitude de Polifermo…

Responder

    alexandre a. moreira

    01 de abril de 2011 às 14h42

    Sinceramente acho uma verdadeiro deserviço intelectual misturar critica de arte com política de momento histórico.
    A que serve?
    Descobrir que o artista por ventura se inspirou no cavalo de um general para pintar um lindo quadro de animais ?
    Me desculpe, mas Michelangelo foi mecenizado por um PAPA violento e nem por isto queimamos o que ele criou e nem pixamos com tinta colorida por isto.
    Concordo com alguém aqui que este texto mais parece falta de assunto do que algo relevante.
    Ninguém aqui parou de embalar na interpretação do Simonal por que ele era um dedo duro.
    A vida é mais complicada e sugerir ,e é isto que esta acontecendo, que o filtro ideológico tem esta capacidade toda de qualificar a obra de alguém ( !!!! NÂO SOU FÃ DE RC !!!) é preconceito e mais, não faz análise correta nenhuma das seminimas e ritmos na sua harmonia com a poesia da música. Só emite juizo ideológico que não tem nenhum fundamento. Ligar Romantismo com adesismo político é no mínimo um reducionismo de discurso intelectual assustador.

Paulo Ricardo

01 de abril de 2011 às 13h47

É 1° de Abril, certo? Se é piada, é ótima. Se o texto for sério, é uma das maiores asneiras que já li.

Responder

alexandre a. moreira

01 de abril de 2011 às 13h35

Complicado.
Me desculpe mas arte é forma. A semântica é história…acho esse tipo de comentário só vale para depreciar o artista…não esclarece nada.
O meio é a mensagem…Qual é a ideologia das pinturas rupestres…o que realmente esclarece. Tanto romântismo não seria o choro da nação ?
Sinceramente este tipo de visão Hauseriana e engajada da "expressão" humana tem folego muito curto.

Responder

Roderick

01 de abril de 2011 às 13h29

Bom moço ou não, a obra de RC é boa e faz parte de nossa cultura. Roberto Carlos compos e gravou várias canções que hoje são consideradas clássicos da musica brasileira. Fazer um paralelo entre sua obra e a ditadura é forçar a barra. Se o autor do texto não gosta da obra de RC deveria deixar isto bem claro. A arte, engajada politicamente ou não, pode ser de péssimio gosto, a de RC pode não agradar a todos, mas com certeza passa longe de ser de mau gosto.

Responder

waleria

01 de abril de 2011 às 13h22

Com o tempo, Roberto e Erasmo Carlos fizeram algumas canções de qualidade – é verdade.

Alguns plágios – também é verdade, mas outras de qualidade.

Mas chamar esse cantor popular de Rei… minhas entranhas protestam, veementemente.

Responder

    manezão

    02 de abril de 2011 às 00h11

    Esse é o fio da meada pouco percebida. RC só ganhou esse titulo midiático de "rei" exatamente porque servia aos interesses da elite golpista da época. Aproveitou o gancho e deslanchou sua carreira. Ele sempre soube disso, pois de ingênuo ele não tem nada.

Ed Araujo

01 de abril de 2011 às 13h22

Esse rei era totalmente alienado….como xuxa….como…com…são tantas emoções e alienados.

Responder

waleria

01 de abril de 2011 às 13h20

Toda vez que escuto alguém chamar o Roberto Carlos de REI, sinto um problema nas entranhas.

Porque será?

Responder

    Erasmo

    01 de abril de 2011 às 19h28

    Tome um sonrisal.

Roberto Santos

01 de abril de 2011 às 13h17

Só falta o Uraniano dizer a todos: Rá, ráI Primeiro de abril! Peguei vocês!

Responder

Roberto Santos

01 de abril de 2011 às 13h13

Roberto Carlos e a ditadura (parte 2/2)

Particularmente, eu gosto mais das músicas do RC da fase dos anos 70, mais pelas letras e arranjos do que por qualquer suposto efeito politicamente anestesiante. Se RC fez sucesso, foi por escolha do povo, bem como ocorreu com Chico, Gil e Caetano. Que não se tire os méritos de RC por seu sucesso.
Havia uma dupla de cantores e compositores que faziam música para a ditadura, acho que o nome era Paco & Ravel ou algo parecido. Com o fim da ditadura eles sumiram. Parece que a lógica do Uraniano não funciona para o caso deles nem de Wilson Simonal, que foi injustamente acusado de conluio com o regime e caiu em desgraça.

Responder

    Ronaldo

    02 de abril de 2011 às 09h22

    Dom e Ravel,os incriveis eu te amo meu Brasil…

Roberto Santos

01 de abril de 2011 às 13h13

Roberto Carlos e a ditadura (parte 1/2)

O texto do Uraniano parece sugerir que RC fez músicas para a ditadura com o propósito de alienar o povo. Isto não o faz muito diferente daqueles que diziam que quem fazia música de protesto era comunista. Associar a intensidade da repressão ao sucesso de RC soa ridículo, senão maquiavélico.
Compositores em geral, fazem letras de música baseadas em suas próprias experiências de vida. Basta ver que a personalidade de RC, de romântico e religioso é a mesma até hoje. O objetivo do artista é ter público e vender disco, e todo mundo sabe que musiquinha romântica vende muito, haja visto os Beatles.

Responder

yacov

01 de abril de 2011 às 13h07

O RC é o espelho da juventude alienada da década e 60 e 70. Jà naquela época tinha muita gente que fugia dos livros como o diabo da cruz, e fazia a cabeça vendo a TV, que era uma novidade, como hoje é a Internet, guardadas as devidas proporções. Foi deste nicho que a Gloebbels se apoderou. Acredito que 99% do povo que curte ou curtia o RC, à época, inclusive o próprio, são eleitores da direita reaça, que apoiavam a ditadura contra os "Comunistas Comedores de Criancinhas", depois passaram a votar em "malufi", e hoje estão condenando São Paulo ao sucateamento com 20 anos seguidos da praga tucana devastando nosso Estado. Mais uma prova de que a dominação e violência política estão diretamente ligadaa à mediocridade e alienação das massas. "He's a real nowhere, sitting in his nowhere land, making all his nowhere plans for nobody" (Lennon-McCartney)

"O BRASIL PARA TODOS não passa na 'groBo' – O que passa na "groBo' é um braZil para TOLOS"

Responder

    Bonifa

    01 de abril de 2011 às 16h44

    Discordo, discordo, não concordo, é absurdo o que querem fazer com um dos maiores e melhores artistas do Brasil. Daqui a pouco estarão vendo microfones acoplados em baratas. Olha os limites, peça!

Gerson Carneiro

01 de abril de 2011 às 13h01

Pois já que abriu a porteira vou soltar os cachorros: é um ingrato também.

Sinto uma certa mágoa no olhar triste do Erasmo Carlos. Parceiro responsável pelos melhores sucessos do Roberto Carlos.

Um dia vi o Tim Maia se queixando dele (Roberto Carlos).

Tim Maia foi quem deu o ponta pé inicial na carreira dele. Ele começou cantando na banda do Tim Maia. Cantava mal e o Tim deu um pé na bunda dele. Daí toda vez que o Tim ia para os ensaios na TV Record e o Roberto Carlos já lá se encontrava ele começava a falar: "Lá vem o Tonhão maconheiro".

Tim fez menção ao fato de que sempre morou no mesmo bairro que o Roberto Carlos mas um não conhecia os filhos do outro, respectivamente, em função da arrogância do "rei".

Responder

    Mário SF Alves

    06 de abril de 2011 às 15h19

    Gerson,
    Não conheço toda a história, mas "Tonhão maconheiro" faz sentido. O que só reafirma a hipótese de ele ser por demais ingênuo à época. As letras das músicas dizem isso; são de uma infantilidade glamurosa. Caiu nas graças do povo? Com as bençãos da mídia + sistema político anti-Tonhão maconheiro ajudando, não sei não. De todo modo, penso que muito mais por ele, com sua história e sua musicalidade, do que propriamente pelas letras de sua Jovem Guarda.
    O problema todo é esse inferno de Rei. Rei do quê? O que será que o “amigo de fé e irmão camarada”, Erasmo, diria disso? Parece que a febre não vai passar nunca e que o Brasil aprendeu mesmo a gostar disso. É hora de preparar o terreno para outros "reis", caso contrário, isso vira um drama difícil de superar.

Gerson Carneiro

01 de abril de 2011 às 12h46

E as "coincidências" não param por aí.

Dessa época de repressão militar, dois baianos foram exílados, um pretinho e um branqinho. O pretinho chegou a ser preso aqui no Brasil, o branquinho não. E o "rei" compôs uma música para o qual deles? Para o branquinho. O xodó da direita até hoje.

.

Responder

    Bonifa

    01 de abril de 2011 às 16h41

    Pera aí, Gersão… Essa não!

Bonifa

01 de abril de 2011 às 12h40

Não concordo. E mesmo se RC estivesse muito em sintonia com seu tempo e este tempo fosse marcado pela ditadura, ele estaria dentro de seu tempo e não dentro da ditadura. Nem ele nem a Jovem Guarda têm coisa alguma da ditadura, pelo contrário, era um movimento libertário a seu modo, portanto revolucionário em costumes e contraposto à ditadura, conservadora de corpo e alma. E a ditadura, por seu cerne conservador, odiava a Jovem Guarda. Até que algum militar "esclarecido" resolveu que podiam aproveitar-se do movimento para infiltrar um recado, através de uma dupla srtaneja bem conhecida que não vale lembrar os nomes. Foi uma má idéia. O mundo da arte não perdoa babões nem dedo-duros.

Responder

    Mário SF Alves

    06 de abril de 2011 às 15h28

    Bonifa,
    Era alienação política, sim. E como admitir a Jovem Guarda como movimento libertário? Que conceito de libertário seria esse? A questão é: havia muita conveniência, muita grana e muita luz saindo dos holofotes. Resta saber se havia conivência, e isso, meu caro, são outros quinhentos; passado que, francamente, não vejo porque cobrar.

Gustavo Pamplona

01 de abril de 2011 às 12h29

Já que tenho apenas 29 anos, não sou chegado a músicas da jovem (velha) guarda, na realidade não sou gosto de música brasileira nenhuma, Samba, Pagode MPB, Axé, Funk (que é um lixo).

Logicamente entendi o texto, mas para mim, depois que o RC virou funcionário da Globo com aquele especiais de final de ano, ele simplesmente é um "vendido".

Nem mesmo de bandas de rock nacionais (tirando as de heavy metal), isto porque sempre vem alguém que lança um acústico, retira as guitarras ou pior ainda, quando um dos integrantes resolvem cantar algum clássico da MPB. Costumo dizer que todos se venderam.

Peguem um Marcelo D2 por exemplo, o cara que se lançou no Planet Hemp (e que teve vários problemas com isto devido a apologia a drogas), hoje o cara canta pagode, samba e já virou ator da Globo. Enfim… é outro que se vendeu ao sistema.

Detalhe: Sou baixista.

Responder

    Mário SF Alves

    06 de abril de 2011 às 15h34

    Não sei porque, Gustavo, mas alguma coisa aí tá me lembrando o Lobão, versão 2011!

Renato

01 de abril de 2011 às 12h17

Concordo com o artigo… Roberto Carlos, desculpem, mas é uma das maiores enganações musicais da história desse país.
Músiquinha pop, romantiquinha, revoltadinha com o pai/padrasto… enfim a palavra certa: um lixo!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Responder

bissolijr

01 de abril de 2011 às 12h03

é o mercado, estúpido, o mercado…

Responder

Paulo C.

01 de abril de 2011 às 11h47

Combinação perfeita de babaquice com sectarismo político.

Responder

ANTONIO ATEU

01 de abril de 2011 às 11h46

Digite o texto aqui![youtube PJpjfGEk_3Q http://www.youtube.com/watch?v=PJpjfGEk_3Q youtube]
é as vezes o silencio é a palavra dos traidores.

Responder

Ismael Muras

01 de abril de 2011 às 11h32

Tem gente que não entendeu o artigo.
E essa memória do João Grillo acima, foi muito bem lembrada.
E de papa-hóstias e baba-ovos o mundo tá cheio.

Responder

Ricardo Montero

01 de abril de 2011 às 11h21

Esse artigo prova que a imbecilidade existe no centro, na esquerda e na direita. Com uma pretensão desmedida, o autor quer, em poucos parágrafos, analisar a obra de um artista respeitado, com mais de 40 álbuns lançados!

Antes de cometer esse texto, deveria o autor consultar o livro de Pedro Alexandre Sanches, onde o crítico analisa disco a disco a obra de RC. Ou ainda se informar com Caetano a respeito da canção composta por RC e EC em honra ao compositor baiano então no exílio:

Um dia a areia branca
Teus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante

Responder

    Fátima-Bahia

    01 de abril de 2011 às 16h50

    Muito bem lembrado!abomino essa perseguição ao RC e não tenho a menor vergonha de admitir que gosto de suas músicas tanto quanto das de Chioc,Gil,Caetano e afins.Era criança nesse começo da ditadura,mas guardo na lembrança as emoções dos festivais da Record e,gostar de RC na adolescência,não me fez alienada e incapaz de perceber(ao menos em parte) o que ocorria ao meu redor.
    Não creio que não estar totalmente engajado na luta contra a ditadura seja automaticamente igual a estar a seu favor.E não vejo em que acrescenta voltar ao linchamento do artista,a essa altura da vida!
    Desculpe,Uraniano,aprecio muito os seus textos,mas dessa vez…ao meu ver,bola fora!

leo

01 de abril de 2011 às 11h06

RC é um ícone do bom-mocismo.

Responder

Fernando Trindadae

01 de abril de 2011 às 10h59

Caro Urariano, (Parte IV)
Descontado o exagero de Caetano (compreensível no contexto), eu não tenho nenhuma dúvida de que o Brasil social e econômico que estava na cabeça da maior parcela da melhor geração de jovens jamais ‘produzida’ no País já não mais existia e isso nos ajuda a entender a análise política equivocada que foi majoritariamente feita então. É certo que ali, naquela momento, isso não estava tão claro, mas permanecer sem compreender isso hoje, mais de 40 anos depois?
Cuidado com o sectarismo, caro Urariano, como você bem sabe, Elis Regina, que você contrapõe a Roberto Carlos, se apresentou nas Olimpíada do Exército em 1972. Vamos ‘justiçá-la’ por isso?
As coisas são mais complexas na vida real, como diria o Conselheiro Acácio e há mais mistério entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia, como disse outro personagem, mais antigo que o Conselheiro…

Responder

    MCG

    01 de abril de 2011 às 13h35

    Fernando Trindade, disse tudo e mais um pouco. A radicalização não acrescenta nada em nada.

    Mário SF Alves

    02 de abril de 2011 às 10h11

    Oi, Fernando, cá pra nós, será que não ficou por demais pesada essa coisa aí de "justiçá-lo"? Você realmente acredita que a intenção do autor passou por aí?
    Att., Mário.

Fernando Trindade

01 de abril de 2011 às 10h57

Caro Urariano, (Parte III)
Por outro lado, é fato que após o ápice da jovem guarda Roberto Carlos faz a sua ‘virada’ místico-conservadora e é fato que é possível sim associar tal virada (inclusive como opção mercadológica da indústria fonográfica) à ampliação – e acomodação – das classes médias efetivada pelo ‘Milagre econômico’ dos anos Médici.
Mas daí a concluir que a canção que demarca o ‘turning point’ místico de Roberto Carlos o torna “o compositor mais representativo” da ditadura é de um sectarismo e de uma estupidez sesquipedal. Sectarismo e estupidez da mesma espécie dos que vaiaram Caetano em 1968 e levaram o tropicalista a dizer as famosas palavras “Vocês não estão entendo nada, absolutamente nada!”

Responder

Fernando Trindade

01 de abril de 2011 às 10h55

Caro Urariano, (Parte II)

É certo que também sempre houve tensão entre a ‘jovem guarda’ e a esquerda mais tradicional da época, que não gostava da influência do rock, e seus desdobramentos mercadológicos e culturais (a questão do imperialismo americano) e estava em pleno processo de valorização e recuperação da cultura nacional e popular (processo que acabara de sofrer um retrocesso com a reação oligárquica que retomara o poder com o golpe de 64).
O tropicalismo é quem vai mastigar, processar e devolver tudo que ocorreu e estava ocorrendo naquela primeira metade dos anos 60, de certo modo como os modernistas haviam feito quarenta anos antes, só que agora com um componente popular muito mais expressivo (o elitismo na cultura brasileira foi ferido de morte com a Revolução de 30 e seus desdobramentos).
Assim, sem a ‘jovem guarda’ – e Roberto Carlos – não teríamos o tropicalismo como ele se apresentou e venceu (v.g. as guitarras dos Beat Boys em Alegria, Alegria e os Mutantes em Domingo no Parque). Como também sem João Gilberto, não haveria Roberto Carlos, nem Caetano.

Responder

Fernando Trindade

01 de abril de 2011 às 10h50

Caro Urariano, (Parte 1)

Em geral gosto dos seus artigos. Mas desta vez não gostei absolutamente.
Você está sendo de um sectarismo estúpido.
Na sua primeira fase, com “Quero que vá tudo para o Inferno”, de 1965, Roberto Carlos se tornou símbolo de parte expressiva da juventude de classe média que à época contestava padrões de comportamento vigentes e era malvisto pelos setores mas conservadores do regime militar já instalado.
Se bem me recordo, com relação à canção acima referida, houve inclusive críticas abertas de setores religiosos que haviam apoiado o golpe e lhe davam sustentação, que a achavam blasfema e alguns desses setores queriam censurá-la.
Você deve bem se recordar que esses setores mais conservadores associavam cabelos compridos, calça jeans (chamada à época de ‘calça lee’) automaticamente a drogas, contestação social, ‘destruição da família’ e… comunismo…
Portanto, o movimento da ‘jovem guarda’ não foi bem aceito pelo regime e sempre teve uma relação tensa com o reacionarismo.

Responder

leandro

01 de abril de 2011 às 10h37

Todos se acham herois que lutaram contra a ditadura. Onde estão os herois hoje?? Se relacionando com o que havia de pior na epoca (sarney, calheiros, etc…), se vendendo para multinacionais como a Oi. Onde estão os socialistas que agora no poder se deslumbraram e se acham acima do resto do povo, como se fossem brasileiros acima dos demais. (passaportes especiais, enriquecimento meteorico). hoje os pseudos socialistas não abrem mão dos luxos do capitalismo. Carros, mansões, uisque, aviões e o povo só se ferrando como naquela epoca…..Me poupem.

Responder

manoel

01 de abril de 2011 às 10h01

O joão gilberto também nunca protestou contra o regime militar.

Responder

    Mário SF Alves

    02 de abril de 2011 às 10h13

    Manoel, o que pega pra valer é toda essa estória de Rei.

Adriana

01 de abril de 2011 às 10h01

Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Vou postar só um pedacinho de uma canção linda do Roberto e do Erasmo que eu gosto muito…

""Um dia a areia branca
Teus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar

Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante

As luzes e o colorido
Que você vê agora
Nas ruas por onde anda
Na casa onde mora

Você olha tudo e nada
Lhe faz ficar contente
Você só deseja agora
Voltar pra sua gente………………………………………""

Sem mais!!!

Responder

    Mário SF Alves

    02 de abril de 2011 às 10h07

    Tá. Daí é Rei?

João Grillo

01 de abril de 2011 às 09h23

Até que enfim, escutei o que meu coração e minha cabeça sempre martelaram! E eu pensando que era o culpado! Tenho 55 anos e esse rei aí , destronei pouco antes da Copa de 70, ainda com 14 anos, quando senti cheiro de pólvora e de merda dos cânticos do "brasinha" saindo do radinho de pilha do sanguinário Garrastazú Médice, quando ele fingia que escutava narração de futebol junto com o povo, o mesmo que naquele momento estava sendo trucidado.
O Erasmo custou a sair do esquema, só saiu depois que as suas finanaças lhe deram independência. O Tremendão nunca falou das músicas que o Rei comprava por 2 Cruzeiros, de uma empregada doméstica. O assunto foi incinerado pela Globo em tempos de trevas, sem internet.

Responder

Ary

01 de abril de 2011 às 09h08

Uriano, ao não ter o que fazer, pensou: Hoje eu vou trazer o RC para a pauta. Daí, escreveu essa baboseira sem limites.

Responder

    rogerio

    01 de abril de 2011 às 10h10

    bravo, ura!
    sempre achei esquisito tacharem rc de rei (até hoje não sei de quê), esse sujeito de canções babacas, que nunca abriu a boca (como ícone) contra a ditadura, e que é endeusado pela "grobo".
    com tais companhias, é preciso dizer mais?

    Mário SF Alves

    06 de abril de 2011 às 16h17

    Rogério,
    Não precisa ir muito longe, não. Ou precisa? Falando sério, lembro-me claramente. No auge da JG, tive a sorte de ouvir o Jair Rodrigues cantando Disparada. Eu ainda não entendia praticamente nada de nada, mas, aquilo marcou; tinha densidade; tinha história, e mais do que isso, tinha relação de causa e efeito.
    Desculpe-me, vá lá, talvez eu esteja sendo – inconscientemente tendencioso – talvez seja o fato de, à época, minhas preferências terem sido os filmes de faroeste. Vá saber. O fato é que, não obstante isso, cheguei a gostar de uma outra, essa notadamente jovemguardiana, a História de Um Homem Mau, cuja letra era de Louis Amstrong – Zilner Trenton Randolph e a versão do Roberto Carlos, e por aí vai. Mas, lembro, com carinho, de outra, igualmente de lavra monárquica que era Maria, Carnaval e Cinzas. A letra, no entanto, era de Luiz Carlos Paraná; vale a pena checar:
    "Nasceu Maria quando a folia
    Perdia a noite, ganhava o dia
    Foi fantasia seu enxoval
    Nasceu Maria no Carnaval
    E não lhe chamaram assim
    Como tantas Marias de santas
    Marias de flor, seria Maria
    Maria somente, Maria semente
    De samba e de amor
    Não era noite não era dia
    Só madrugada, só fantasia
    Só morro e samba
    Viva Maria
    Quem sabe a sorte
    Lhe sorriria e um dia viria
    De porta-estandarte
    Sambando com arte
    Puxando cordões e em plena
    Folia de certo estaria
    Nos olhos e sonhos de mil
    Foliões

    Eduardo Souto Jorge

    02 de abril de 2011 às 14h34

    Perfeito Ary!


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!