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Diário da Resistência


Renato Rovai: A Lava Jato e a nova fase da demolição do PT
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Renato Rovai: A Lava Jato e a nova fase da demolição do PT


04/12/2014 - 11h16

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A fúria da extrema-direita nas ruas

O alvo do impeachment não é Dilma, mas o PT

Por Renato Rovai, dezembro 4, 2014 09:45, em seu blog

A operação Lava Jato, segundo pessoas que tiveram algum tipo de acesso ao processo, tem provas substanciais e vai levar muita gente à cadeia.

A Polícia Federal teria feito um trabalho que deixa pouca margem à defesa e por isso a grande quantidade de delações premiadas.

Quando o réu se vê frente ao que já se acumulou de informaçõe sobre os crimes que cometeu, abre o bico para tentar se livrar de uma imensa pena.

A despeito de quem possa vir a ser punido, esse é o papel da PF.

A mesma Polícia Federal indiciou ontem 33 pessoas no caso do trensalão tucano de São Paulo. Também cumprindo seu papel de investigar.

As diferenças entre um caso da PF e o outro não parece ser o processo de investigação, mas os vazamentos seletivos por um lado e a forma como a mídia tradcional aborda cada um deles.

Hoje, por exemplo, todos os grandes jornais do país dão manchetes buscando incriminar o partido de qualquer forma na Operação Lava Jato.

O gancho é o depoimento de Augusto Mendonça, do grupo Toyo Setal, de que teria doado recursos de propina para o caixa oficial do partido.

Ao contrário do que toda as reportagens destacam, no entanto, o executivo teria de fato dito que se encontrou com o tesoureiro do PT, João Vaccari, para finalizar a operação, mas acrescentou que “na ocasião não informou a Vaccari que as doações estavam sendo feitas a pedido do então diretor de Serviços da Petrobras”.

Ou seja, a ser verdade que houve doação por caixa 1 que poderia envolver propina, o que é praticamente impossível de se comprovar, o tesoureiro do PT não fez nenhum tipo de acerto com o doador. E isso, segundo, o delator do caso.

Mas Vaccari está sendo achincalhado e transformado em bandido por todos os veículos de comunicação.

Ao mesmo tempo nenhum dos 33 indiciados ontem no caso do trensalão tucano teve seu nome citado nas reportagens dos veículos tradicionais.

E o caso não ganhou nem destaque nas capas desses jornais.

Aliás, o único nome citada nas matérias é o de José Serra, para dizer que “investigado ele não foi indiciado”.

Ou seja, no caso de uma investigação que envolve tucanos, só o inocentado é citado. No caso petista, alguém que nem é citado é criminalizado.

Há uma clara desproporção nas coberturas. E ha também uma intenção clara por trás delas.

O PT é um inimigo a ser derrotado pela mídia tradicional. E neste momento o principal objetivo não é nem criar clima para um impeachment de Dilma, porque essa operação careceria de outras condicionantes.

Impeachment não é apenas uma operação jurídica, ele também precisa de condições políticas.

Ao que parece o objetivo é o de colocar o PT ou na completa ilegalidade ou o de lhe imputar multas tão altas que praticamente o inviabilizem.

A operação em curso (há algum tempo aliás) é a de derrotar o PT. Dilma seria algo para o futuro. E talvez até se tornasse uma operação desnecessária se ficasse completamente amarrada a se defender das acusações e visse seu partido completamente destruído.

O PT, independente de ter a presidência da República e cinco governadores, hoje é um partido muito mais fraco do ponto de vista simbólico do que já foi no passado. E também por isso se tornou um alvo fácil para qualquer denúncia. Tudo cola no partido.

E isso tem relação com o fato de em outros momentos a agremiação ter se acomodado na defesa de dirigentes que foram acusados sem provas por um lado e ter sido leniente com outros filiados que claramente estavam envolvidas em ilicitos.

O partido parece ter percebido isso e nos últimos tempos e mudou sua postura. Mas sua ação ainda é tímida.

O que vem pela frente é uma avalanche de acusações para incriminar o PT. O alvo ainda não é Dilma. Ela é o bode na sala.

Enquanto petistas estiverem preocupados em defendê-la, o partido vai sendo desgastado e demolido. Até que ninguém terá mais coragem para defendê-lo.

Na última eleição muitos jovens ousaram colocar a estrela vermelha do PT no peito.

Pode ter sido a última vez se a direção do partido não tiver coragem de enfrentar essa batalha com coragem e determinação. E ao mesmo tempo não tiver a ousadia de abrir mais espaços para novas lideranças que batam com firmeza no peito e defendam a história de um projeto que, com altos e baixos, não pode ser tratado e nem se deixar tratar como uma organização criminosa.

Leia também:

Igor Felippe: A Lava Jato, a demolição do Congresso e o futuro de Dilma

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22 comentários

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H.92

05 de dezembro de 2014 às 16h24

A imagem que ilustra a matéria tá bem digna daquele antro em que trabalham Lobão, Constantino e o Reinaldo azevedo… tá sertinho!

Responder

H.92

05 de dezembro de 2014 às 16h22

PT está sofrendo demolição desde 2003, mas parece que muita gente de esquerda está tão feliz quanto os de extrema direita, tucanos hipócritas e os paspalhos anti-corrupção (as dos outros é claro, a minha cuido eu).

E o PT recorrerá a quem?

Lei de meios com a câmara mais conservadora desde de 64?

Cadê os impolutos esquerdistas que não ajudaram a eleger mais dos seus no congresso e senado e que ano passado engrossaram as ruas junto com bandidos, neo-nazis, fascistas e a extrema direita?

Agora aguenta. Ou melhor: é bom tentar mobilizar os movimentos sociais de verdade, pois ver uma trupe de 30 atucanados panacas e o aécio berrar na tribuna é coisa de bundão também.

O dia que o PT parar de ser perseguido pela velha mídia e pelo poder financeiro nacional e internacional aí eu deixo de votar no partido, por que aí estará consumado que o PT tornou-se mais do mesmo.

Força Dilma!

Força Lula!

Força PT!

Acorda ~esquerda crítica~!

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FRANCISCO

05 de dezembro de 2014 às 15h54

Pelo domínio do fato, Serra deveria ser indiciado. Claro! ele era o governador na época dos fatos.

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abolicionista

05 de dezembro de 2014 às 11h55

Tentanto pensar pelo lado bom, com o esgotamento do modelo lulista e a inevitável derrocada do PT, surja das cinzas uma esquerda mais corajosa e combativa, que não tenha medo de pensar o país a fundo. Quanto a 2018, acho que as chances são pífias. Sem uma democratização da mídia, o anti-petismo seguirá crescendo a todo vapor.

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Maria Aparecida

04 de dezembro de 2014 às 22h13

Parece-me que o mensalão serviu para acordar a nós petistas!

Ninguém foi capaz de prever, no julgamento do mensalão, que alguém fosse preso por “domínio do fato”!!!

Agora estamos de olhos mais abertos, além disso, existe uma quantidade de denúncias de corrupção, que vai fazer com que os verdadeiros corruptos escorreguem e acabem cuspindo na própria cara!!!

Responder

FrancoAtirador

04 de dezembro de 2014 às 20h30

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‘DISTRIBUIÇÃO COSTURADA’

Gilmar Mendes foi ‘sorteado’ no STF

Relator da Ação do PT contra Aécio:

Pet 5237 – PETIÇÃO (Processo físico)
Origem: DF – DISTRITO FEDERAL

Relator: MIN. GILMAR MENDES

REQTE.(S) DIRETÓRIO NACIONAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

REQDO.(A/S) AÉCIO NEVES DA CUNHA

Andamentos

03/12/2014 Distribuído MIN. GILMAR MENDES

03/12/2014 Autuado

(http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoDeslocamento.asp?incidente=4682597)

PITACO DO DIA

“Gilmar deveria jogar na Mega-Mena,
ele ganha todos os Sorteios”

Simone Caldas, em Comentário no CAf

(http://www.conversaafiada.com.br)
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Responder

    João Vargas

    05 de dezembro de 2014 às 15h59

    Estou curioso para ver a defesa que o Advogado Geral do PSDB vai produzir para defender o Aécio. Com certeza vai gerar uma pérola jurídica, e se duvidar, é capaz de condenar o PT.

mineiro

04 de dezembro de 2014 às 19h01

a unica soluçao é todos nos que votamos no pt bundao e na pres. junto com todos os movimentos sociais começar a cobrar um postura corajosa desse partido que se acovardou e da pres. ou eles vao para a luta ou vao ficar totalmente isolado , isolado principalmente da esquerda.

Responder

mineiro

04 de dezembro de 2014 às 18h57

alguns comentarios nao apareceram e ai?

Responder

Rossi

04 de dezembro de 2014 às 18h56

O mensalão “ponto fora da curva” 2º próprio ministro daquela corte, foi a senha ao condenar o Dirceu SEM PROVAS. O partido se acoelhou e deixou rolar a cabeça do Dirceu, seu principal combatente e mentor intelectual. Daí pra frente foi só pau dessa mídia maluca, que se imagina saindo do atoleiro de braços dados com a direita hidrófoba.

Responder

mineiro

04 de dezembro de 2014 às 18h56

mas o que parece é que esse pt bundao , pt travado , covarde , é o que eles querem. porque nunca vi um partido bundao covarde igual a esse depois que entrou no poder. ta todo mundo vendo que a direita golpista, o pig desgraçado junto com os demonios tucanos , quer extinguir o partido e os bundoes de boca aberta apanhando calado. tem a santa paciencia, uma hora todo chuta o balde e começa a acreditar que o pt é isso tudo mesmo que eles falam. eles nao tem coragem nem de se defender e ficam ai nesse discursinho sem vergonha de paz e amor com os golpista. vai nessa bando de bundoes ta todo mundo querendo ver o pt na lama e os m…………………………nao tem coragem de reagir. depois que o lula se acovardou diante do stf no caso do mentirao e demitiu logo de cara o protogenes e o lacerda , de la para ca o pt so foi descendo ladeira abaixo e se transformou nessa m……………………………….de covardes. um partido que enfrentou a ditadura , nao tem coragem de enfrentar o pig.

Responder

    Messias Franca de Macedo

    04 de dezembro de 2014 às 20h44

    … Está mais do que claro: também está havendo um complô, uma articulação deliberada “dos profissionais da imprensa”!

    Os empresários do rádio estão “chamando às falas os seus empregados”!

    Se a Polícia Federal investigar, descobre o criminoso arranjo fascigolpista!

    E a patifaria transcorrendo “nas barbas” do ‘miniSTÉRIO’ da Justiça e do ‘miniSTÉRIO’ das Comunicações!

    Cada vez mais até “os [chinfrins] sopradores de latinha das emissoras de rádio” estão, sistematicamente, detratando o PT como “o Partido corrupto no governo federal”!

    Sendo que a maioria destes mesmos “[chinfrins] sopradores de latinha” das emissoras de rádio dos rincões do Brasil “vivem alimentados pelos jabás dos coronéis locais”!

    Um acinte grotesco!

    Um rebanho de aloprados reverberando ‘a [capciosa e tendenciosa] opinião publicada’ do PIGolpista!

    É verdade: ou o PT reage à altura ou a DIREITONA conseguirá mais um intento: desmobilizar de morte a militância!

renato

04 de dezembro de 2014 às 18h39

DILMA me representa.

Responder

Regina Fe

04 de dezembro de 2014 às 18h19

Sem lei de médios, ou, ainda, sem o enfrentamento direto, sem firulas, o PT pode dar adeus a 2018.Não pode apanhar tanto e não se defender, que todos vão querer tirar uma lasquinha..E não haverá Lula que segure.

Responder

Messias Franca de Macedo

04 de dezembro de 2014 às 17h48

A incitação ao ódio no contexto fascigolpista! Via as ondas potentes do rádio dos rincões deste ‘Brasilzão do Meu Deus’!

[Fala Alexandre Garcia das organizações (sic) Globo!]

Hoje (04/12/2014), o Garcia do ‘Mau Dia Brasil’ do rádio inciou e terminou o programete afirmando:

“Ouvinte a roubalheira do PT na Petrobras é a causa de o preço da gasolina, no Brasil, ser um dos mais altos do mundo!”

Foi a mais, digamos, moderada acusação covarde, canalha e capciosa do ex porta-voz da ditadura militar!

É a barbárie!

As emissoras de rádio não permitem o contraditório, o contraponto!

Após “o recado do Garcia da Globo”, segue o pacote de anúncios comerciais!

As emissoras de rádio são concessões públicas!

E o golpe segue nos galopes das ondas eletromagnéticas!

EM TEMPO: se depender do Garcia “da Globo”, os ouvintes dele não tomam conhecimento de que – das 09 empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato – pelo menos 06 também financiaram a campanha do candidato derrotado Aécio ‘Never’!
Não sabem que o DEMoTucano Sérgio (Gu)erra “é um defunto milionário (sic) graças ao assassinato (idem sic) de uma CPI da Petrobras”!
Não sabem que o corrupto Paulo Roberto Costa isentou das denúncias o ex presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff!…
Não sabem…

Viva a liberdade [seletiva e capciosa] de expressão!

Os crimes da “grande” mídia compensam, inclusive, os bolsos desses sabujos jornalistas amigos destes mesmos patrões barões!…

Responder

Monica

04 de dezembro de 2014 às 14h47

Concordo com a matéria. No entanto, e talvez seja ignorância minha, acho que não vão bater na Dilma por outro motivo: ela tá dando conta disso. A nova composição ministerial vai contra a posição dos movimentos populares que apoiaram a presidenta. Colocar essas pessoas em pastas tão importantes e estratégicas ignorando o que o povo clama é muito arriscado, afinal, em meio a tanta militância contra o PT e Dilma nós acreditamos e votamos naquela que consideramos ‘a proposta de sociedade mais digna e justa’. Esses nomes não representam isso…
Confesso estar decepcionada, estou esperando para ver o que acontece, para ver se entendo o sentido disso tudo, porque neste momento eu confesso me sentir traída e, assim como eu, tem mais um monte de gente se sentindo impotente e mudo.
O PT precisa dos movimentos populares e votamos no PT porque acreditamos que naquele cenário apenas ele representaria a nossa luta. Espero que eu esteja vendo tudo errado e que tenha coisas boas nesse meio, de coração.

Responder

AT

04 de dezembro de 2014 às 13h32

Renato Rovai disse muito bem, com muita elegância, sem ser passional, partidário, arrogante. Parabéns pelo ótimo artigo!

Responder

jose carlos lima

04 de dezembro de 2014 às 13h01

Ao invés de buscar provas dos crimes ao invés de se basear tão somente nas palavras de delatores bandidos, o juiz federal Sérgio Moro tá parecendo delegado que faz negocio com advogado de porta de cadeia, refiro-me a esta dobradinha Sérgio Moro – Catta Preta

Saiba mais

http://josecarloslima80.blogspot.com.br/2014/12/nassif-para-entender-operacao.html

Responder

FrancoAtirador

04 de dezembro de 2014 às 12h48

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PRESTAÇÃO DE CONTAS Nº 981-35.2014.6.00.0000
– CLASSE 25 – BRASÍLIA – DISTRITO FEDERAL

Relator: Ministro Gilmar Mendes

Requerente: Partido dos Trabalhadores (PT) – Nacional

Requerente: Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República – PT

DESPACHO

1. Nas Informações nºs 451/2014 e 452/2014, a Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias (Asepa) solicita autorização para encaminhar à Receita Federal dados de receitas e despesas declaradas nas prestações de contas, a fim de que aquele órgão preste os seguintes esclarecimentos:

a) informar se houve extrapolação de limite de doação para campanha dos doadores elencados no anexo I;

b) avaliar as empresas constantes do anexo I com capital social e faturamento incompatível com o valor doado;

c) avaliar as empresas constantes do anexo II que não possuem registros de empregados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados e da Relação Anual de Informações Sociais;

d) avaliar os fornecedores de bens ou serviços de campanha criados no ano da eleição, conforme anexo III.

2. Oficie-se com urgência à Receita Federal, requisitando os esclarecimentos acima elencados, e encaminhe-se-lhe cópia das informações da Asepa e deste despacho.

Publique-se.

Brasília, 1º de dezembro de 2014.

MINISTRO GILMAR MENDES
Relator

Despacho em 01/12/2014 – PC Nº 97613 MINISTRO GILMAR MENDES
Publicado em 03/12/2014 no Diário de justiça eletrônico, nº 228, página 3-4

(http://inter03.tse.jus.br/sadpPush/ExibirDadosProcesso.do?nprot=192012014&comboTribunal=tse)
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Responder

    FrancoAtirador

    04 de dezembro de 2014 às 20h49

    .
    .
    1947: A Cassação do PCB no Cenário da Guerra Fria

    A partir de 1943, após a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial
    para combater o nazi-fascismo, o PCB adotou a tese da “União Nacional”,
    afirmando que todos os brasileiros deveriam dar apoio à política de guerra do governo Vargas e lutar pela normalização democrática do país.

    Na época, não só no Brasil, mas em todo o mundo,
    a palavra de ordem dos diversos partidos comunistas
    era apoiar os governos que combatessem o nazi-fascismo.

    Outro elemento que reforçou a posição do PCB foi o fato de que, em função das alianças estabelecidas durante a guerra, em abril de 1945 Vargas restabeleceu as relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética.

    No primeiro semestre de 1945, para fazer frente às pressões pró-redemocratização, Vargas definiu um calendário eleitoral e anistiou os presos políticos.

    No mesmo período surgiram diversos partidos, e o PCB foi legalizado.

    Na legalidade, o PCB conseguiu grande visibilidade e atingiu o maior crescimento de sua história.

    Chegou a contar com mais de 100 mil filiados.

    Nas eleições de 2 de dezembro de 1945, concorreu à presidência da República e à Assembléia Nacional Constituinte, alcançando um resultado surpreendente.
    Obteve 10% da votação nacional e, num universo de 320 parlamentares, elegeu 15 deputados federais e um senador, Luís Carlos Prestes, o segundo mais votado no país, suplantado apenas por Vargas, também eleito senador.

    Entre as 13 agremiações partidárias,o PCB tornou-se a quarta força eleitoral, atrás do Partido Social Democrático (PSD), da União Democrática Nacional (UDN) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

    Nesse mesmo período, diversos partidos comunistas, sobretudo na Europa, também tiveram grande crescimento eleitoral.

    A política adotada por todos eles, de estabelecer alianças
    para combater o avanço do nazi-fascismo, deu bons resultados.

    Com o avanço da redemocratização,
    representado pelo início do governo Dutra
    e a instalação da Constituinte no início de 1946,
    o movimento operário ganhou vigor,
    o número de sindicalizados cresceu
    e várias greves eclodiram no país.

    Para barrar o avanço do movimento sindical,
    que contava com forte apoio dos comunistas,
    Dutra, ainda no início do governo,
    antes da promulgação da nova Constituição
    (18 de setembro de 1946),
    baixou um decreto proibindo o direito de greve.

    No primeiro ano do governo Dutra,
    por conta de uma conjuntura internacional favorável
    à cooperação entre países capitalistas e socialistas,
    a atuação dos comunistas, apesar das restrições, foi tolerada.

    Prova disso é que, em janeiro de 1947, quando se realizaram eleições
    para governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores,
    o PCB obteve boa votação, chegando a formar, com a eleição de 18 vereadores,
    a maior bancada da Câmara Municipal do Distrito Federal.

    Mas as mudanças ocorridas a partir de então
    no cenário internacional logo se fariam sentir.

    No início de 1947, a aliança entre os Estados Unidos da América (EUA)
    e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)
    começou a ser desfeita.

    Era o início da chamada Guerra Fria.

    Segundo o presidente americano Harry Truman,
    as potências mundiais da época estavam divididas
    em dois sistemas nitidamente contraditórios:
    o capitalista e o comunista.

    E a política externa americana
    voltou-se para o combate ao comunismo.

    No Brasil, as repercussões da Guerra Fria foram imediatas.

    No dia 7 de maio de 1947, após uma batalha judicial,
    o PCB teve seu registro cassado.

    Nesse mesmo dia, o Ministério do Trabalho
    decretou a intervenção em vários sindicatos
    e fechou a Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil,
    criada pelo movimento sindical em setembro de 1946
    e não reconhecida oficialmente pelo governo.

    O PCB apelou para o Judiciário, requerendo habeas corpus
    para o livre funcionamento das suas sedes, mas o pedido foi negado.

    Em seguida, os comunistas tentaram organizar
    uma nova agremiação partidária, o Partido Popular Progressista (PPP),
    incorporando as teses centrais do PCB.

    O TSE também negou o registro para o PPP.

    A exclusão dos comunistas do sistema político-partidário
    culminou em janeiro de 1948, com a cassação dos mandatos
    de todos os parlamentares que haviam sido eleitos pelo PCB
    [inclusive do Deputado Federal baiano Carlos Marighella].

    Sob o impacto da cassação, o PCB lançou um manifesto
    pregando a derrubada de imediata do governo Dutra,
    considerado um governo “antidemocrático”,
    de “traição nacional” e “a serviço do imperialismo norte-americano”.

    Além de perseguir os comunistas, o governo Dutra,
    totalmente alinhado com os Estados Unidos,
    em outubro de 1947 rompeu as relações diplomáticas
    do Brasil com a União Soviética.

    Dulce Pandolfi

    (http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas2/artigos/DoisGovernos/CassacaoPC)
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