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Pesquisa nos EUA encontra glifosato no ar e na água de chuva


02/03/2014 - 17h58

O professor Wanderlei Pignati realizou pesquisa semelhante no Brasil. Foto: Manuela Azenha

 do site da AS-PTA, via e-mail

Um novo artigo científico publicado na revista Enviromental Toxicology and Chemistry relata a detecção do herbicida glifosato, bem como do metabólito AMPA, um derivado tóxico da degradação do glifosato no meio ambiente, em mais de 75% de amostras de ar e de água de chuva no estado do Mississipi, nos EUA.

O estudo foi realizado por pesquisadores do US Geological Service, órgão de pesquisa do governo dos EUA, e compara amostras de ar e de chuva coletadas semanalmente durante as épocas de cultivo em 1995 e 2007, na região agrícola do delta do Mississipi.

Trinta e sete compostos químicos foram detectados nas amostras de ar ou chuva em 2007, 20 das quais estavam presentes tanto no ar como na chuva. O glifosato não havia sido analisado em 1995, mas foi o agrotóxico predominante em 2007, tendo sido detectado em 86% das amostras de ar e em 77% das amostras de chuva.

Segundo o relatório, foram aplicados 2 milhões de kg de glifosato no estado do Mississipi em 2007, ou 55% do total de herbicidas naquele ano, o que é condizente com o resultado que mostra a prevalência do herbicida nas amostras de ar e água. E, embora o glifosato não tenha sido analisado em 1995, dados sobre o uso do produto apontam que ele representava apenas 3% do total de herbicidas aplicados no estado.

Se estiver correta, essa estimativa revela um aumento de 18 vezes nas concentrações de glifosato no ar e na água de chuva em apenas 12 anos – o que é devido à expansão das lavouras transgênicas de soja e milho tolerantes ao veneno.

Os pesquisadores observam que “o padrão de concentração no ar para o glifosato em 2007 foi similar àquele de outros herbicidas comumente detectados tanto em 1995 como em 2007, em que as concentrações mais altas ocorreram em abril e maio. Entretanto, havia concentrações detectáveis de glifosato ao longo de toda a estação de cultivo, o que é condizente com a forma como o glifosato é utilizado em lavouras transgênicas, incluindo aplicações de pós-emergência ao longo de todo o ciclo produtivo.”

Estudo similar já havia sido realizado no Brasil, no município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, vitrine do agronegócio e da produção de soja. Em 2006 essa cidade foi banhada por uma chuva de herbicida paraquate, classificado pela Anvisa como “Extremamente Tóxico” para a saúde (Classe I). O produto foi despejado por um avião agrícola que se apressava por terminar o serviço antes da chuva, e atingiu casas, jardins, hortas, escolas e canteiros públicos. Embora eventos desse tipo sejam recorrentes, o episódio de Lucas do Rio Verde ganhou repercussão na mídia e motivou um conjunto de ações sobre o tema na região.

Nesse contexto, teve início o projeto de pesquisa “Impacto dos Agrotóxicos na Saúde do Ambiente na Região Centro-Oeste”, coordenada pelo médico e doutor em toxicologia Wanderlei Pignati, Professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e realizada em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás entre 2007 e 2010.

Nessa pesquisa também foram encontrados resíduos de agrotóxicos em amostras de ar e água de chuva: 11% das amostras de ar e mais de 40% das amostras de água da chuva coletadas no pátio de 4 escolas públicas do município de Lucas do Rio Verde continham venenos. Também foram encontrados agrotóxicos na água de poços artesianos e, ainda mais grave: no sangue, na urina e no leite materno de habitantes do município (no caso do leite, foram encontrados resíduos de ao menos um tipo de veneno em 100% das amostras de leite das 62 mulheres que participaram da pesquisa, entre a 3ª. e a 8ª. semana após o parto).

Esses estudos evidenciam a gravidade das consequências sobre a saúde pública, sobretudo nas regiões do agronegócio, advindas do modelo convencional de agricultura, baseado em grandes monoculturas intensivas no uso de venenos. Também revelam como estamos sujeitos aos riscos da exposição aos agrotóxicos através do ar que respiramos e da água que bebemos.

PS do Viomundo: O glifosato é um agrotóxico bastante usado no Brasil, que a Monsanto patenteou com o nome de Roundup. 

Leia também:

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4 comentários

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Heitor

04 de março de 2014 às 22h26

A ganância acabando com a vida humana.
Quem sabe usando esses produtos, um dia criem humanos mutantes com dez braços para trabalhar no lugar de dez funcionários e receber o salário de um. Os patrões, fazendeiros, banqueiros, industriais, e todo o restante, teriam orgasmos infinitos.

Responder

Mário SF Alves

03 de março de 2014 às 17h52

Superando o dualismo, em busca da Verdade.

Através da lógica:

Dentre todos os seres vivos, nenhum deles busca a própria morte. Todos, creio, sem exceção, querem viver. E viver bem. Nenhum quer ser molestado, nenhum quer sofrer privações. Privação de tipo algum. Um leão, por exemplo, um ser não dotado de consciência, irracional, com todo o seu esplendor, agilidade e força física, não caça, não mata, apenas por caçar ou por mero prazer. Já, entre os homens, seres dotados de consciência, os índios Tupinambás, por exemplo, considerados exímios guerreiros, possivelmente mal interpretados ou preconceituosamente rotulados de antropófagos, não matavam por matar; não comiam seus inimigos por comer. Até porque, alimento não lhes faltava.

Em síntese, ninguém, nenhum ser vivo, tem em si o ímpeto da morte, o assassinato, como meta, como prioridade. Então, por que os seres vivos, humanos ou não, têm de ser submetidos ou condicionados à tortura, à fome, e/ou à miséria moral? Que crime cometeram? Contra quais interesses ou interesses de quem e em que circunstâncias eles se insurgiram ou pecaram? Onde está a lei que concede o direito a alguém de suprimir, condicionar ou molestar a existência de outrem? Onde está o direito de alguém lançar bombas atômicas e através delas ceifar a vida de milhões de inocentes? Seria este um direito à autodefesa? Se sim, definitivamente, isso não se aplica a inocentes, claro. Milhões, e nenhum deles culpados. Como justificar isso? Como lidar com essa chaga? Tão somente uma questão de ordem prática? Ou a surrada e velha ideologia de que os fins justificam os meios? Mas, essa não é a mesma justificativa que tantas vezes foi usada por Hitler para a solução final, que culminou no extermínio de milhões de judeus?

Assim, em não havendo justificava para o Mal, como ainda admiti-lo? Ora, não somos os Tupinambás. Por quais caminhos tortuosos o Mal ainda é tolerado? Quais tortuosos caminhos nos conduz a sermos tão impassíveis que a vida de milhões e milhões de seres humanos seja ainda tão maltratada?

Dizem que o mal só é ruim para quem ele faz mal, mas que para um outro pode ser bom. E se o mal é feito contra milhões e milhões de pessoas, de modo a atender apenas o interesses de algumas de outras poucas pessoas? Ainda assim, o mal deveria ser tolerado?

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Mário SF Alves

03 de março de 2014 às 17h20

Se pesquisarmos mais detidamente, só não encontraremos o glifosato e demais agro-químicos, bem como resquícios de sementes patenteadas ou geneticamente modificadas, nos ânus dos acionistas das grandes corporações. Estas, a cada dia que passa, se sentem (ou sentem que se tornam) mais e mais empoderadas diante do fato de serem uma das vias mais promissoras no processo de condicionamento absoluto da vida, da liberdade, da criatividade e da soberania de povos e nações.

Dúvidas? Liguem pros… digamos… acionistas da Monsanto. De uma coisa estejamos certos, eles não são totalmente idiotas e isso eles sabem.

Responder

renato

02 de março de 2014 às 22h17

Tamo MORTO antes da hora..

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