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Diário da Resistência


Aguardando registro no TSE, Partido Novo, de ideias liberais, quer tirar sindicatos e partidos das ruas
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Aguardando registro no TSE, Partido Novo, de ideias liberais, quer tirar sindicatos e partidos das ruas


22/03/2015 - 01h18

Kataguiri: Discurso idiota para analfabetos políticos. Ou, como o PT dançou com a ascensão social despolitizada

O PSDB NÃO É MAIS O GRANDE ADVERSÁRIO. CONHEÇA O NOVO ADVERSÁRIO DA ESQUERDA

por Arthur Abdala, em seu blog, sugerido pelo Eduardo Bernardes

Se você acha que o PSDB está por trás das manifestações do último domingo, está errado. Caso acredite que a mídia organizou os protestos, vai por mim que não é por aí; apesar da Veja ter deixado explícito o desejo de impeachment, e a Globo ter deixado implícito, cobrindo e exaltando os protestos desde cedo no domingo.

Enganam-se aqueles que acreditam que o PSDB usa a mídia, pelo contrário, a mídia usa o PSDB nos últimos 20 anos. Mas a mídia é assim não por obra da natureza, ela é instrumento de poder de uma elite econômica. Nesse cenário os tucanos são úteis, já que é o maior partido de oposição ao modelo progressista, mas é descartável, e será nos próximos anos, já que a sigla não é aquilo que o poder econômico sonha.

Na sua origem, e já escrevi aqui, o PSDB é um partido Social Democrata ou Social Liberal, entretanto, pelas circunstancias políticas da Nova República, os tucanos se aliaram aos setores mais conservadores da sociedade, e passaram a liderar um conjunto de propostas neoliberais, além de absorver pautas absolutamente retrógradas. Vale lembrar que o projeto da “Cura Gay”, “Kit Macho” e da redução da maioridade penal são de políticos do partido.

Mas a frouxidão e, muitas vezes, a indecisão ideológica do PSDB fizeram com que a elite, aos poucos, jogasse os tucanos para escanteio. Como o DEM (antigo PFL) está desmoralizado por conta dos coronéis da ditadura, apesar da compatibilidade ideológica, o poder econômico se viu obrigado a criar uma nova estratégia.

Dentre os organizadores das manifestações o Vem Pra Rua é quase insignificante nesse processo, apesar de ter mobilizado artistas para fazer a publicidade do ato. Mas o Movimento Brasil Livre merece toda a atenção do PT e das esquerdas de modo geral.

Primeiramente, recordarei uma história que ocorreu comigo no início do ano passado. Sempre fui e me declarei de esquerda, e isso de alguma forma chama a atenção de alguns. Tenho uma amiga que fazia parte de um movimento chamado Estudantes Pela Liberdade (EPL). Certo dia ela me convidou para ir a uma reunião do grupo para debater o ponto de vista contrário.

Fui, e quando me deparei naquele recinto, de cara me veio duas sensações, a de ser agredido ideologicamente, e que aquele movimento seria a real oposição no Brasil.

Eles têm uma interpretação distorcida de tudo, principalmente do filósofo Karl Marx, chegam em um nível absurdo de agressividade, dizendo que você é idiota por acreditar em uma corrente divergente, desmerecem suas referências, entendem pela metade sua argumentação, saem gritando aos quatro ventos que seus argumentos são irrefutáveis, usam dados sem contexto, interrompem enquanto você está falando, e isso sem contar no caráter moralista da conversa.

Tem como seus expoentes midiáticos os escritores Rodrigo Constantino (Veja e O Globo) e Olavo de Carvalho. Confesso que ao ler seus artigos e livros, nunca vi tanta bobagem.

Entretanto, eles têm uma habilidade retórica que mistura agressividade com caricatura, que faz com que a argumentação seja simples (sendo simplista), objetiva e convincente. E mais! Equivocam-se aqueles que acham que o discurso é impopular.

O brasileiro, inclusive o mais pobre, em linhas gerais tem um pensamento conservador. A maioria é a favor da pena de morte, contra o casamento gay, contra os direitos das mulheres e mais… acham que Estado e políticas sociais só atrapalham.

Talvez a única coisa que a maioria preserve de fato, sejam as conquistas trabalhistas. Mas pergunte a qualquer cidadão, se ele prefere mais impostos e mais políticas sociais, ou menos impostos e menos políticas sociais.

Quando esse paradigma passa para a classe média, aí o discurso liberal é campeão.
Voltando a EPL e ao Movimento Brasil Livre, seus membros seguem a linha de seus “pensadores” no Brasil. Eles têm uma agressividade no discurso que reproduz nas atitudes de seus manifestantes, como mostrei aqui.

Mas vamos conhecer mais desses dois movimentos. Acreditem, quem comanda a escala golpista contra a Dilma, e quem organizou de maneira muito competente (devo confessar) os protestos que levaram muita gente a Paulista e em todo o Brasil foram: Renan Santos (30) e Kim Kataguiri (19. Sim! 19 anos). Mas óbvio que há adultos por trás.

O EPL, assim com MBL, tem por trás o Instituto Liberal. Esse instituto organiza anualmente o Fórum da Liberdade em Porto Alegre, mesma cidade que ocorre o Fórum Social Mundial. Os principais patrocinadores do fórum são Itaú, Votorantim e Souza Cruz.

O Instituto Liberal é presidido pelo mesmo articulista da Veja e referência deles, o economista Rodrigo Constantino. Ele também é membro fundador do Instituto Millenium, que tem como seus colaboradores o Grupo Abril, Estado de São Paulo e o Grupo RBS (afiliada da Rede Globo no RS).

No início do ano passado, esse grupo de estudantes, junto a membros do Instituto Liberal, protocolaram no TSE o pedido de criação de um partido, que será chamado de NOVO. A sigla se encontra no aguardo de registro do TSE. O NOVO já tem um presidente, será João Dionisio Amoêdo, que foi presidente do Citbank e do BBA (hoje Itaú BBA).

Diferentemente do PSDB, o NOVO tem posição, são liberais, ou seja, defendem a menor participação possível do estado. Novamente, erram aqueles que acham que o partido nasce para ser mais um entre tantos.

Eles têm apoio na mídia, como puderam ver os apoios que recebem através dos institutos que tem na sociedade civil, e tem suporte financeiro, já que estão envolvidos muitos dos principais empresários brasileiros.

Além disso, a sigla tem quase 800 mil seguidores no facebook, é o terceiro na rede social, perdendo apenas para PSDB e PT. E somado a tudo isso, o Movimento Brasil Livre, claramente ligado ao partido, tinha o principal caminhão de som nas manifestações na Paulista, em frente ao MASP.

O bonde está passando, e a esquerda, em especial o PT, parece não ter acordado. Ao ir para cima do PSDB, como organizadores do protesto, cometem um erro de interpretação, análise e investigação.

Não é possível que o maior partido do Brasil, que tem uma estrutura gigantesca, governe com apoio popular, sem perceber que o adversário agora é outro.

PS do Viomundo: Na página do partido no Facebook, esta pérola:

Captura de Tela 2015-03-22 às 01.07.21

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51 comentários

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Crítico

06 de agosto de 2015 às 16h17

Interessante verificar o medo e as reações agressivas que um discurso discordante causa naqueles que sentem seus privilégios e seu monopólio ideológico ameaçados por ele.

Liberdade política e econômica. Essas serão as verdadeiras conquistas do século XXI e de seus futuros líderes.

O choro é livre e os seguidores de Marx e Gramsci, com sua ideologia belicosa e fracassada, em breve serão apenas lembranças de tempos piores nos livros de história.

Responder

Liberal

24 de março de 2015 às 14h21

O maior erro da esquerda, é achar que o Liberalismo faz parte Direita conservadora. Muitas ideias defendidas pelos liberais também estão nas bandeiras esquerdistas, como por exemplo a liberdade de manifesto/expressão, igualdade de oportunidades, apoio ao movimento GLS, ódio ao corporativismo com chancela estatal, liberdades individuais em geral. As manifestações recentes contra a Dilma, em que pesem engrossaram os eventos convocados pelo MBL, pouco tem em comum com as ideias de liberdade defendida por este. O que houve foi uma onda conservadora que aderiu ao chamado, que pede mais intervenção estatal através de militares, mais intervenção na saúde, educação, e consequentemente, mais impostos para financiar tais pedidos, o que acaba refletindo diretamente nos mais pobres, os que verdadeiramente sofrem com esses desmandos. Um liberal de verdade é totalmente contra ao intervensionismo estatal que atua a mando de grandes empresários, que tiram proveito das dificuldades burocráticas e tributarias criadas, pois impossibilitam novas empreendedores de concorrerem contra eles, competindo em preços, produtos e salários para os trabalhadores. Convido-os a se atentarem as ideias de liberdade, e não as ideias conservadoras que usurpam nossos ideias. Temos muitas boas saídas liberais para os grandes problemas sociais, e que valem a pena serem refletidas pela esquerda.

Responder

    Mário SF Alves

    24 de março de 2015 às 15h38

    O mal de vocês, ditos liberais, aqui no Brasil, é a ignorância histórica e a ojeriza à contextualização geopolítica.
    Assim, meu caro, fica muito fácil tomar uma posição, especialmente se essa posição não entra em choque (e ao fim e ao cabo se alia) com a ordem semi-feudal, subdesenvolvimentista, estabelecida.
    E, apenas para efeito de esclarecimento, em que medida o projeto de país defendido por vocês questiona ou fere interesses estrangeiros ou da oligarquia dita nacional reinante?
    Ou, ainda, o que é mais simples: quais os dispositivos constitucionais vocês, liberais, programaticamente defendem ou defenderam e quais os que vocês suprimiriam?

    Mário SF Alves

    24 de março de 2015 às 19h05

    E mais o que dizer disso?

    Quebec, Canadá: 50.000 estudantes em greve, podendo chegar a 180.000.

    “Hoje intensifica-se a mobilização. Contestamos um governo irresponsável, que ataca os mais desfavorecidos”, declarou neste sábado Camille Godbout, porta-voz da Association pour une solidarité syndicale étudiante (Assé – associação para uma solidariedade sindical estudantil).”

    “A deputada Françoise David, porta-voz parlamentar do Quebec Solidaire, disse à rádio 98.5 FM que o primeiro-ministro do Quebec, Philippe Couillard, líder do partido liberal do Quebec, terá de recuar nas medidas de austeridade.

    “Quanto mais as medidas atingirem largos segmentos da população, mais elas vão rebelar-se. Em dado momento, vão dizer: ‘não é mais possível, querer um Estado que não se preocupa com as pessoas’”, declarou à deputada à rádio.”
    _________________
    Repetindo:
    Quebec; CANADÁ; 50.000 estudantes; Primero-Ministro Phillipe Couillard, LÍDER dos partido LIBERAL…

    E aí? Alguma dúvida, por mais ligeira que seja?

Matheus

23 de março de 2015 às 17h13

A tristeza do Brasil é ter uma oposição igual à Venezuelana, sem ter um governo igual ao de Chavez e Maduro.

Responder

    Mário SF Alves

    24 de março de 2015 às 10h03

    É fato. Assim como também é fato que o Brasil não é a Venezuela.

Marcio H Silva

23 de março de 2015 às 17h08

O texto começa confuso, VIOMUNDO, no meio do texto contradiz o escrito no início ao falar do patrocinio do institiuto millenium….falar que a Globo e a grande imprensa não está por trás dos protestos é ingenuidade. Estes órgãos tem muita experiencia em golpes….são canais para organizações como o EPL, MBL, etc…..tudo está interligado com apoio de muita verba externa, não só de patrocinadores internos….

Responder

Bacellar

23 de março de 2015 às 13h29

No fim o grande adversário é o mesmo de sempre; o conjunto dos grandes detentores e operadores de capital.

Responder

Vixe

23 de março de 2015 às 12h56

Kim Kataguri = aprendiz de Fujimori tupiniquim.

Responder

abolicionista

23 de março de 2015 às 10h39

Desculpem, mas não dá para levar esse tipo de alerta a sério. É preciso entender, de uma vez por todas, que a ideologia de extrema direita serve a um propósito, mas que ela é o que é, ou seja, uma ideologia. Toda ideologia contém um momento de verdade e um momento de ocultamente. Numa democracia de araque como a nossa, qualquer ideologia rastaquera funciona.
Afinal, as propostas do tal “partido” são infantis e inaplicáveis. Nos EUA, há pequenos partidos radicais de direita que propõem, por exemplo, o fim do mercado financeiro em nome da “fair trade”. Eles são usados para desarticular o trabalho de base da esquerda e manter no poder justamente os políticos que estão no bolso de Wall Street. A ideologia funciona por caminhos tortuosos.
Se tirarem o Estado da economia brasileira, não sobra economia. O empresariado brasileiro não sobrevive sem o Estado, a disputa é, e sempre foi, por quem fica com as melhores tetas. Esse tal partido é só um sintoma, não é a causa nem o fim dessa disputa.

Responder

    Marcio H Silva

    23 de março de 2015 às 17h12

    Concordo…

    Mário SF Alves

    24 de março de 2015 às 10h21

    Sigo o Márcio. Ou seja, também concordo.
    Capitalismo de muletas, e haja teta.
    Curioso é que ainda tenha a coragem de discursar defendendo o tal Estado Ínfimo. Qual a lógica disso?
    Não fosse pelo fato de o conceito de Estado Mínimo entre nós (e entre outros, possivelmente) não signifique nada além de ampla, implacável, geral e irrestrita privatização do que nos resta de empresas estatais e do enxugamento da máquina pública e respectiva supressão total de concursos públicos, certamente eu não os entenderia.

Rubens

23 de março de 2015 às 00h36

Se as denúncias de assinaturas falsas feitas acima forem verdadeiras, o Novo é um caso de polícia. Onde arrumaram o cadastro de eleitores para fazer os registros falsos?

Responder

Jonas

22 de março de 2015 às 19h14

Nazismo=esquerda
Nazismo não é nem nunca foi direita, nem centrão. Nazismo foi a maior expressão de Estado máximo, ideologia tipicamente nazi. O discurso nazi se aproximou tanto dos anseios da população alemã por conta de seu cunho unificador, exaltador das qualidades alemãs, recheado de figuração coitadística, onde colocavam a alemanha e seu povo como vítimas da manipulação financeira dos banqueiros judeus e da comunidade europeia que cobrava as dividas produzidas com o advento da primeira guerra.
Resumindo, discurso totalmente alinhado com os discursos da nossa esquerda, principalmente da extrema, mais alinhados ainda com as ações governamentais.
Há muito mais semelhanças, pesquisem.
Nazismo=esquerda.

Responder

    Douglas

    22 de março de 2015 às 22h46

    Pronto!!!

    Edvaldo

    22 de março de 2015 às 22h52

    Pelo que li acima, posso dizer… esse é do NOVO

    abolicionista

    23 de março de 2015 às 10h24

    Nossa, esse fugiu do zoológico…

    Marcelo Gaúcho

    23 de março de 2015 às 10h55

    Como pode o Nazismo ser de esquerda se o mesmo e Hitler era anti-comunista?
    Você precisa estudar mais a História, meu amigo.

    Vixe

    23 de março de 2015 às 12h55

    Palavras de um “expert” no assunto e não um COXINHA qualquer:

    “”No entanto, Alexandre Hecker, professor de História Contemporânea da Universidade Presbiteriana Mackenzie, diz que “a correlação entre socialismo e nazismo é uma grande deturpação”.

    “Não vejo relação entre nazismo, o fascismo com partidos de esquerda. Estes são regimes de extrema direita, na medida em que não há minima liberdade. A gente até encontra certos livros que o Hitler se definia como socialista, mas ela é totalmente diferente da luta dos trabalhadores do século 19”.

    Hecker explica que a esquerda socialista tem como discurso projetos que pretendem instituir a “ideia de igualdade e derrubar barreiras entre grupos sociais”. Já a direita, é definido pelo pensamento que “admite diferenças profundas na sociedade e aposta mais na liberdade individual do que na igualdade coletiva”. “”

    Edvaldo

    23 de março de 2015 às 15h21

    “… Eles têm uma interpretação distorcida de tudo, principalmente do filósofo Karl Marx, chegam em um nível absurdo de agressividade, dizendo que você é idiota por acreditar em uma corrente divergente, desmerecem suas referências, entendem pela metade sua argumentação, saem gritando aos quatro ventos que seus argumentos são irrefutáveis, usam dados sem contexto, interrompem enquanto você está falando, e isso sem contar no caráter moralista da conversa.”

    Mário SF Alves

    24 de março de 2015 às 10h28

    Sou defensor da tese de que não se deve deixar nenhum troll, olavete, constantinete, vejete ou coisa que o valha sem a devida e pedagógica ração diária de educação política. Portanto…

Sidnei Brito

22 de março de 2015 às 18h10

Conheço muita, mais muita mesmo, muita gente que vive dizendo que não está nem aí pra partido, que nenhum partido presta, que político nenhum vale nada, que até, em último caso, vota em “nomes”, mas jamais em “partidos”.
Pois é. Mas por um fenômeno absolutamente sem explicação, quando chegam as eleições, elas votam sempre nos candidatos do PSDB – que coincidência, não? Se só votassem, tudo bem; o problema é que quando os quadros sucessórios vão se afunilando e as disputas vão ficando mais acirradas, elas começam abertamente a fazer propaganda para os candidatos do PSDB nas redes, nas correntes de e-mail, no bate-papo condescendente com os empregados.
Como se sabe, é uma gente que até, num último caso, aceita votar em nomes, independentemente dos partidos. Ora, que culpa elas têm se esses “nomes” sempre são do PSDB?!
Tudo isso para dizer que essa turma que fala mal de partidos, discursa contra a política e tudo mais, tem se mostrado organizada, ou melhor, agindo com “organicidade”, em favor do PSDB.
Não acredito que o tal “Partido Novo” vá muito longe. Mas não duvido que vire uma ‘seita’ ou um satélite da órbita do PSDB, mais ou menos da forma que o Tea Party está para os republicanos nos Estados Unidos. O que não é pouco.
E por falar em partidos novos ou novos partidos, leiam a curiosa crônica ficcional (mas nem tanto) do misterioso Faustus ‘Mestre’ Sapienza:

“O PC – Partido da Corrupção
Faustus ‘Mestre’ Sapienza

-Mas o que tá acontecendo com você, Fabinho? Te vi chorar em 1989, com a derrota do Lula. Agora, você não pode nem ouvir falar em PT?
-Chorar, chorar, eu não chorei. Mas confesso que fiquei triste, como um monte de gente ficou. Mas meu ódio… Quer dizer, ódio não porque eu não odeio ninguém, mas minha bronca em relação ao PT é porque eles me traíram, com essa sujeirada toda.
-Ora, mas muita coisa nem provada é, você sabe. E tem mais: você andou votando nuns caras aí que não chegam a ser um “papa francisco”…
-Ok, ninguém presta. Mas é que o PT quando era oposição só sabia falar de ética. Era ética pra cá, ética pra lá… E agora me apronta essas coisas todas. Se tem uma coisa que eu não aceito é traição.
-Cara, que bom que você falou nisso. Eu tava sem jeito de falar com você. É que eu tô colhendo umas assinaturas aí prum partido que eu tô pretendendo fundar.
-Você?
-Eu mesmo. Bom, você manja mais do que eu, sabe das formalidades, não é fácil. Vou precisar colher muitas assinaturas. Você conhece bastante gente…
-Cara, não sei se você tá falando sério ou não, mas chega de tanto partido. Pensa noutra coisa.
-Mas esse partido vai ser a salvação, principalmente para pessoas como você.
-Ah, tá bom! Pra começar, como é o nome do partido.
-PC.
-PC? Bem, com certeza não é partido comunista! PC? Partido da…?
-PC: Partido da Corrupção.
-Sabia que era zoeira!
-Não. Tô falando sério. Já tenho pronta a declaração de princípios. É menor do que a declaração de princípios do jornal do “Cidadão Kane”.
-Cidadão Kane, o filme?

-Não vi nem tenho vontade de ver. Mas me fale da declaração do seu partido.
-Ótimo filme. Tomara que mude de ideia. Mas a declaração de princípios de nosso partido se resume a: total despreocupação com a ética. Nosso partido não quer nem ouvir falar de ética. Ou melhor: nosso partido não quer mesmo é falar de ética na política, essa coisa estúpida, udenista, pequeno-burguesa.
-Vai, vai! Aonde você quer chegar?
-A lugar nenhum, por enquanto. Quero apenas sua assinatura e seu empenho para nos ajudar a fundar o partido. Afinal, temos o que você e outros milhões de pessoas querem: somos diferentes e originais na forma de encarar a política e, melhor, nunca, jamais o decepcionaremos.
-Não sei por que te dou ouvidos, mas tudo bem: explique-se.
-Somos diferentes porque, ao contrário do que você e outros milhões de pessoas dizem, o discurso político amparado nessa coisa abstrata chamada de ética nunca foi exclusividade do PT. Não saio por aí lendo estatutos de partido, mas desconfio que a maioria deles fala em compromisso com a ética, ainda que não de forma expressa – mas que dá a entender que a ética é alicerce de seu comportamento. Até porque o senso comum diz que não pode ser diferente…
-Cara, apesar de ser tudo bobagem, até que cê tá falando bonito…
-Mas o mais importante: nosso partido nunca vai decepcionar você…
-Rapaz, agora imaginei aquele magnífico locutor das propagandas do PSDB falando isso!
-E não vamos decepcioná-lo porque, ao deixar claro que não temos compromisso nenhum com a ética, quando metermos o pé na jaca, ou quando vier a imprensa fazendo seu denuncismo seletivo, seja justo ou injusto, não importa, todos vão poder dizer: bem que eles falaram que não tavam nem aí pra ética mesmo. Ou seja, meu querido Fábio, ao recusarmos a ética, de acordo com o seu modo de enxergar o mundo, estamos desobrigados de observá-la, não é isso? Consequentemente, jamais o decepcionaremos.
-Desnecessário dizer que isso é um sofisma, certo?
-Hum. Agora você é que falou bonito! Sofisma? Não diria não. Se quiser chamar de uma fábula política bem vagabunda e singela.
-Ok. Bem vagabunda, pode ser?
-Pode.
-Mas, voltando… Você falou uma coisa lá atrás que é verdade e eu não deveria ter vergonha de admitir: eu chorei mesmo, de soluçar, quando o Lula perdeu pro Collor…”

Do mesmo autor, quem quiser outra crônica política ficcional, leia: http://sidnei-quasetudo.blogspot.com.br/2015/03/ficcao-de-faustus-mestre-sapienza.html

Responder

    Eunice

    24 de março de 2015 às 18h14

    Eu nunca tinha ouvido falar deste partido Novo e já tinha ouvido falar de um partido que
    o PSDB lançaria. Pra ajudar, todos estão ligados pelo dinheiro: Instituto Mileniun, Mises, PSDB, Novo, e todos estes com os liberais pelas ideias.

    Engraçado é que ninguém informa qual a experiencia de trabalho desses moleques. Pra que, se mesmo FHC nunca tinha botado a mão na massa antes de se tornar um liberal (só de ideias que representavam interesses de outrem).
    Há inúmeros falidos na Iniciativa Privada que se tornaram politicos do PSDB. Esses meninos dod novo estão copiando o PSDB: eu não trabalho mas repito as frases que agradam o pequeno empreendedor. Então por que eles não são o Novo partido do PSDB?

vitor macedo

22 de março de 2015 às 15h54

hahaha nunca vi tanta baboseiro, sério! mimi liberais mimi kkkk financiados pelo grande capital( que gera prego e benefícios) contra o estados e seus marajás(agentes públicos) como atualmente somos governados pelo Partido Fascista Brasileiro (Fascismo é de esquerda, já que detesta a democracia liberal, apoia sindicatos e seus urubus). Gramsci consegiu sua revolução( silenciosa e diabólica. a ESQUERDA É CULPADA PELA CRISE NO MUNDO! É MUITO ESTADO SEM NECESSIDADE

Responder

    Edvaldo

    22 de março de 2015 às 22h53

    Esse também é do NOVO

    Edgar Rocha

    23 de março de 2015 às 00h01

    Olha, disse bem. O capital só gera prego. O Kim Kataguiri comprova a tese. Só não não entendi os benefícios de ter tanto prego? Apoio à construção civil?

NOVO

22 de março de 2015 às 15h39

Sobre as informações falsas a respeito do NOVO publicadas pelo blogueiro Arthur – seja por dificuldade pessoal para a apuração de fatos ou por má-fé – e repercutidas no portal, esclarecemos ao público que eventualmente tenha interesse na realidade:

“No início do ano passado, esse grupo de estudantes [do EPL], junto a membros do Instituto Liberal, protocolaram no TSE o pedido de criação de um partido, que será chamado de NOVO.”

O NOVO não foi fundado e não é constituído por “esse grupo de estudantes” do EPL ou “membros do” IL. Por motivos óbvios, integrantes de ambas as organizações apoiam nosso projeto – como indivíduos, não coletivos, noção que talvez seja de difícil compreensão para a mentalidade coletivista.

O NOVO foi fundado em 2011. Após três anos e meio de trabalho intenso, protocolou no meio do ano passado (e não início) seu pedido de registro junto ao TSE.

“Eles têm apoio na mídia, como puderam ver os apoios que recebem através dos institutos que tem na sociedade civil, e tem suporte financeiro, já que estão envolvidos muitos dos principais empresários brasileiros.”

Esclarecido o ponto anterior, estas relações que o blogueiro força em sua “apuração” também se mostram falsas. O NOVO não detém “institutos na sociedade civil” e não pertence a qualquer um destes.

Quanto aos “principais empresários brasileiros”, é notório que estão envolvidos com o governo petista, os chamados campeões nacionais.

“E somado a tudo isso, o Movimento Brasil Livre, claramente ligado ao partido, tinha o principal caminhão de som nas manifestações na Paulista, em frente ao MASP.”

Tal ligação entre MBL e NOVO é clara apenas enquanto fantasia elaborada pelo blogueiro e replicada, sem critérios jornalísticos, neste portal. Critérios estes tão nebulosos quanto o adotado pelo blogueiro para tratar um caminhão de som como o principal da manifestação em função de sua boa localização (a ordem de solicitações junto à Polícia Militar talvez não foi uma hipótese considerada e apurada pelo blogueiro).

Em resumo, o Brasil agora conta com movimentos sociais, organizações da sociedade civil e até agremiação partidária que fogem à apropriação da cartilha socialista, o que tem incomodado alguns monopólios ideológicos. Tais instituições atuam de forma independente, mas algumas ideias convergentes entre si bastam para que narrativas (e não descrições) sejam forjadas em torno de “ligações”, “conexões”, “financiamentos” e todo o tipo de conspiracionismo que a inventividade do establishment possa criar.

Responder

    Edgar Rocha

    22 de março de 2015 às 23h37

    De minha parte, agradeço aos esclarecimentos tão bem fundamentados. Por certo, não se pode confundir o NOVO com seus simpatizantes.

    No entanto, isto nos traz uma outra questão secundária. Um detalhe irrelevante que só atende à curiosidade de maníacos depressivos com certa propensão a TOC, feito este que vos fala. Se possível, por piedade mesmo, já que não poderei mais dormir com esta dúvida, em função de meu cacoete patológico, por pura condescendência, me responda, e prometo não ser mais tão inconveniente.

    Afinal de contas, quem sois vós?

    timoteo batalha

    23 de março de 2015 às 09h51

    Cara,
    português sôfrego, pensamento confuso, feito para confundir com falsa aparência de inteligência.
    mero reacionário!
    O NOVO já nasceu VELHO! Não é nem de direita nem de esquerda! É um NOVO VELHO sentado na praça a resmungar ” dando milho aos pombos”!!
    o Novo não engana ninguém! Só agrega reacionários aloprados que cansaram de tentar golpes e mais golpes, e agora, cheios de testosterona, querem validar a diplomacia da porrada e da fala confusa!!
    O NOVO, é a cara do LOBÃO…ideológico conservador confuso berrando ao megafone, tentado seduzir com barba e cabelo branco as novinhas e novinhos de direita…..
    Eis o NOVO, para uma NOVA CAGADA!!!

    Rafael Silva

    23 de março de 2015 às 22h15

    É tanto esquerdista chorando aqui que mal consigo segurar a risada kkkkkk. Boa resposta Novo, se mídias pró-governo como Viomundo estão malhando o partido, é sinal de que estamos no caminho certo!

    Mário SF Alves

    24 de março de 2015 às 11h01

    “Em resumo, o Brasil agora conta com movimentos sociais, organizações da sociedade civil e até agremiação partidária que fogem à apropriação da cartilha socialista, o que tem incomodado alguns monopólios ideológicos. ”
    ________________________
    “Brasil agora conta com…” Agora???
    Cartilha socialista??? Ah, sim, deve ser o ideário “Brasil Um País de Todos”.
    ______________________________
    Ó, a começar por aí, lhe digo: já começou mal.

    Dúvida: e qual a finalidade de mais um partido estruturado em falsas premissas e liderado por indivíduos meramente retóricos.

    Afinal, essa coisa aí de Novo não seria apenas mais um truque semântico para tentar eufemizar a incompetência e o vaselinismo político de sempre?

    Já não basta disso, não?

Marcelo Delfino

22 de março de 2015 às 15h15

O Partido Novo não representa ameaça alguma para quem discorda dele. O pedido de registro do partido está mofando desde julho de 2014 no TSE. Quem preside o TSE é um ex-advogado do PT. Isso é só coincidência, não é mesmo?

Responder

    timoteo batalha

    23 de março de 2015 às 10h02

    …e o ex advogado do PT é obrigado a agir em favor do NOVO???
    pensamento VELHO esse seu heim NOVINHO!!!???

JonJon

22 de março de 2015 às 15h04

Dia desses recebo uma carta do Tribunal Regional Eleitoral solicitando que compareça para esclarecer acerca de conferência de assinatura de apoiamento para criação de partido político.
A carta era endereçada a meu filho que não mora mais no Brasil há 4 anos.
Arguido, meu filho diz que nunca assinou tal apoiamento.
Contatei, por e-mail, a Zona Eleitoral para saber qual era o partido.
Por e-mail também veio a resposta:
“Há ficha de apoiamento ao PARTIDO NOVO, com os dados de XXXXXXXXX.
XXXXXXXXX foi chamado ao cartório porque a assinatura da ficha não coincidia com as constantes em nossos arquivos.
Não há data específica dessa assinatura.
Muitos eleitores já compareceram informando que não reconhecem a assinatura da ficha.
Todos esses casos serão levados ao conhecimento do Promotor de Justiça Eleitoral, e possivelmente será instaurado Inquérito Policial para investigação.

Este é o Partido NOVO.

Responder

Mário SF Alves

22 de março de 2015 às 14h49

Partido novo, o partido do ovo… do ovo da serpente.
E por falar nisso quanto será que o pai da criança – não dessa criança – anda levando nisso?

Responder

Runas Waldan

22 de março de 2015 às 13h39

Esse Kim é até engraçadim mas nasceu junto com o bebê de FHC é muito novim e não sabe nada de história.

Responder

    Marcelo Delfino

    22 de março de 2015 às 15h16

    É porque o Brasil é uma Pátria Educadora, não é mesmo?

osmar g. pereira

22 de março de 2015 às 13h37

A gênese do “Novo”…ou o “ovo do novo” foi “posto em 1947….ou, antes, até, por volta de 1934…Hayek e a sociedade do Monte Pelerin…..”peregrino”….os movimentos “liberais”, think thanks, a difusão via “estudos e pesquisas acadêmicas” e a repercussão midiática, o jogo de desqualificação da “politica tradicional”, o “apartidarismo” e o “protagonismo” de uma auto-intitulada “sociedade civil”, o “fim do Estado-Nação”…há uma batalha das idéias em curso e o lado progressista, as esquerdas, estão sendo engolfadas em lutas intestinas e perdendo de vista o monstrinho que que nos mira no horizonte….Teorias da conspiração? Não penso assim, vejo a velha luta entre “visões e divisões” do mundo posta em novos termos. “Mais Mises e menos Marx”?…”Menos Paulo Freire”?…AQUI, NÃO!

Responder

    Mário SF Alves

    22 de março de 2015 às 14h51

    Aplausos verdadeiros.

    Araujo

    22 de março de 2015 às 17h44

    Perfeito!

    Araujo

    22 de março de 2015 às 17h45

    Só faltou dizer qual é a mão que balança este berço, que nós já a conhecemo.

Fernando

22 de março de 2015 às 13h36

NOVO é meuZOVO.

Responder

Lauri Guerra

22 de março de 2015 às 13h11

Isto aí é um projeto gestado, organizado e financiado pela CIA, com a adesão da elite dominante que busca manter privilégios, sem o mínimo compromisso com o país e seu povo. Um projeto de longo prazo, que agora se encaminha para a eventual formação de um partido. Mas que não depende necessáriamente disto, desde que sua agenda avance.

Responder

Jacó do B

22 de março de 2015 às 12h23

Ser novidade não quer dizer muita coisa não! A Blablarina foi novidade em duas eleições com Itaú, agrotóxicos, Globo e golpistas nacionais e internacionais e sifu! Quase não chega em terceiro lugar. Por trás desses moleques tem políticos tradicionais e achacadores.

Responder

Mário SF Alves

22 de março de 2015 às 11h59

Tá no texto: “Enganam-se aqueles que acreditam que o PSDB usa a mídia, pelo contrário, a mídia usa o PSDB nos últimos 20 anos.”
________________________________
Pegando daí. Discordo: é simplificação além da conta. O PSDB usa e é usado pela mídia empresarial. E, pior, esta, por sua vez, é usada pelo imperialismo anglo-saxão.

Ou ainda haverá quem acredite que tal empoderamento de tal mídia se deu de maneira espontânea e natural? O que temos aqui é nada mais nada menos que uma seção do Departamento. Por isso o pensamento único no Ocidente; por isso a seletividade vista e comprovada na Vaza à Jato; e uma das respostas ao porque ressucitaram com tanta força o velho, velhaco e já manjadíssimo golpismo.

Responder

    FrancoAtirador

    22 de março de 2015 às 13h34

    .
    .
    O Mercado Financeiro Globalizado é a Hidra do Grande Capital.
    .
    Aqui no braZil, o PSDB é a Cabeça-Tentáculo Político Partidário.
    .
    A Mídia-EmpreZa HSBC da Suíça é a Cabeça-Tentáculo Ideológico.
    .
    As Corporações Empresariais são a Cabeça-Tentáculo Econômico.
    .
    A Bolsa de Valores é a Cabeça-Tentáculo da Manipulação Financeira.
    .
    Os Bancos são a Cabeça-Tentáculo da Apropriação de Recursos.
    .
    Os Intelectuais da Direita Moralista, a Cabeça-Tentáculo na Internet.
    .
    E a Cabeça-Tentáculo ‘Imortal’, que opera a Moeda à distância, é o FED.
    .
    .

FrancoAtirador

22 de março de 2015 às 11h14

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IMPÉRIO GLOBO E O MONOPÓLIO DA MEDIOCRIDADE JORNALÍSTICA
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É Hora de um Basta Definitivo no Jornalismo-Lixo da Tevê Globo
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Por J. Carlos de Assis*, no Portal GGN
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…Record, Bandeirantes e SBT não se aproveitam das falhas estruturais da Globo
para lhe ocuparem o espaço jornalístico.
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Na Band o jornalismo é tão pobre que as notícias dos principais Estados
são veiculadas por rádio, sem acompanhamento de imagem.
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A Record tem a sorte de ter em seus quadros um dos maiores jornalistas do Brasil,
Paulo Henrique Amorim, mas também nela falta infraestrutura para o noticiário em geral.
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Com isso, a Globo nada de braçadas, fixando o padrão de mediocridade
que move a maior parte do jornalismo de televisão.
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Como colunista do Globo, privei durante quase um ano da intimidade
de Roberto Marinho, o que me possibilitou conhecer bem algumas de suas facetas.
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Era um homem simples, sem ideologia, voltado quase exclusivamente para o jornal, não a tevê.
É que, de jornal, ele acreditava entender bem – entrou na tipografia e acabou dono -, enquanto a televisão não lhe era familiar, e deixava entregue a José Bonifácio, o Boni, e Walter Clark.
Boni e Clark puderam dar uma direção profissional à televisão, sem interferência do dono, enquanto o jornal era estritamente vigiado por ele.
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Talvez viesse daí a mediocridade do Globo quando comparado com o Jornal do Brasil, por exemplo.
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Entretanto, mesmo que não fosse um luminar do jornalismo, Roberto Marinho tinha o espírito da notícia. Lamentou várias vezes não ter podido dar o furo do Plano Cruzado porque Sarney lhe pedira reserva.
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(O curioso nesse episódio é que Sarney não se deu conta de que estava passando informação privilegiada para o maior grupo de comunicação do país num momento crucial da vida econômica brasileira.
Na verdade, Sarney temia tanto o grupo Globo que não pensou duas vezes antes de lhe entregar uma ficha valiosa que não foi usada.)
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O espírito jornalístico de Roberto Marinho não foi transmitido à prole.
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No caso da televisão, foi totalmente desvirtuado.
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Como jornal perdeu espaço no mundo da comunicação, a penetração da tevê tornou-.se uma arma mortal de difusão ideológica.

No Jornal Nacional ela vinha sendo usada com alguma moderação porque os editores, William Bonner à frente, calculavam que os telespectadores são sobretudo de classe média baixa.
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A partir da última eleição, contudo, com o sistema Globo assumindo papel de militante pró-Aécio, a manipulação ideológica também do noticiário televisivo no horário nobre tornou-se aberta.
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Como já escrevi anteriormente, o sistema de três feudos e várias satrapias jornalísticas do Globo não tem hoje nenhum controle político.
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É o campo da liberdade sem limites dos âncoras e apresentadores, no qual atua a lei da selva.
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Um ensaio iluminado de Norberto Bobbio ensina que os luminares do alvorecer da Idade Moderna não esclareceram bem o que entendiam por liberdade.
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Alguns, como Locke e Montesquieu, viam a liberdade como o não limite;
outros, como Rousseau e Hobbes, como prerrogativa de estabelecer os próprios limites.
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Os primeiros inspiraram o liberalismo econômico. Os segundos, a democracia.
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A tevê Globo é hoje o império da liberdade sem limites, do liberalismo econômico que gerou nas quatro últimas décadas o neoliberalismo.
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Antes, por contraditório que possa parecer, Roberto Marinho lhe dava um caráter democrático. Um dia, na minha época no Globo, entrei na sala dele e lhe expus o que sabia dos rumores de corrupção do Governo Collor.
“O que acha que eu devo fazer?”, perguntou ele a mim,
que tinha pouco mais de metade de sua idade.
“Ponha na televisão”, sugeri.
Ele ficou em silêncio alguns segundos para comentar,
encerrando a conversa: “É muita responsabilidade…”
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É essa responsabilidade que a Globo perdeu sob a influência nefasta do grupo Veja.
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Destruidora do Governo Collor, sem provas – a entrevista que publicou com o irmão de Collor foi um monumento à irresponsabilidade jornalística -, Veja começou a articular suas “revelações” de escândalos, oriundas de espionagem paga, com o noticiário do Jornal Nacional e o Jornal da Globo.
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Duplamente irresponsáveis, esses dois sistemas de empulhação jornalística estão destruindo o Brasil com intrigas, e contribuindo para a degradação de todas as instituições brasileiras, Executivo, Legislativo e Judiciário.
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Chegou o momento do BASTA!
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*Jornalista, economista e professor, doutor pela Coppe/UFRJ,
autor de mais de vinte livros sobre Economia Política,
sendo o último “A Razão de Deus”, pela Civilização Brasileira.
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(http://jornalggn.com.br/noticia/como-dar-um-basta-definitivo-no-jornalismo-lixo-da-globo-por-j-carlos-de-assis)
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Responder

FrancoAtirador

22 de março de 2015 às 11h03

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Novo Partido Único…
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Responder

FrancoAtirador

22 de março de 2015 às 10h34

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Yanis Varoufakis: ‘Não queremos mais o regime colonial representado pela Troika’
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“Impuseram à Grécia um programa guiado pela ideologia, um programa que gerou humilhação, fome, privação e desespero.
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Sabemos, desde 1930, como este coquetel, combinado com o desemprego em massa, produz… o nazismo.
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Este fenômeno existe na Grécia hoje.
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O partido que ficou em terceiro lugar nas eleições parlamentares se reivindica abertamente nazista.
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Assim como na República de Weimar, o centro falhou.
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O Pasok se desmantelou. A Nova Democracia está desacreditada.
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Eu disse claramente aos meus colegas do Eurogrupo que nossa derrota beneficiaria a extrema direita.
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Se formos impedidos de conduzir uma política alternativa, Le Pen chegará ao poder na França e a Aurora Dourada vai tomar as rédeas da Grécia.”
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(http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Yanis-Varoufakis-Nao-queremos-mais-o-regime-colonial-representado-pela-Troika-/7/33110)
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Responder

    Mário SF Alves

    22 de março de 2015 às 12h06

    Mais claro do que isso ofusca. Não precisamos nada além disso. Basta acrescentar em lugar de Grécia, Brasil:

    “Impuseram à Grécia um programa guiado pela ideologia, um programa que gerou humilhação, fome, privação e desespero.
    .
    Sabemos, desde 1930, como este coquetel, combinado com o desemprego em massa, produz… o nazismo.
    _________________________________
    E se não fossem os brasileiros politizados, o PT do Lula e da presidenta Dilma, o MST e os demais movimentos sociais organizados, é exatamente isso o que estaríamos vivendo no Brasil hoje.
    Tentaram isso com as privatizações naquele contexto de neoliberalismo desenfreado. Querem voltar. E pior, querem voltar pelo absurdo e inaceitável golpe do impeachment injustificado.

tiao

22 de março de 2015 às 09h44

Cá entre nós,esta fanta é uva não é?

Responder

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