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Kehl: Paralisia dos brasileiros diante de Temer é temporária
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Kehl: Paralisia dos brasileiros diante de Temer é temporária


27/08/2017 - 08h59

DESMONTE DE TEMER

Para Maria Rita Kehl, fúria com perda de direitos deve aflorar a qualquer momento

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, psicanalista diz que Dilma “foi vítima da própria base de apoio”.

“O problema não foi o PSDB e os partidos mais à direita, foi o abandono do PMDB”

por Redação RBA publicado 24/08/2017 

Para psicanalista, presidente Michel Temer tem uma “cara de pau permanente”

São Paulo – Por que, mesmo diante de um cenário de desmonte de direitos, não há grandes mobilizações nas ruas?

Em participação no Jornal Brasil Atual, na Rádio Brasil Atual, a psicanalista Maria Rita Kehl falou sobre o tema e também comentou as circunstâncias que levaram o país à atual situação.

Questionada pela jornalista Marilu Cabañas sobre a passividade da população perante diversas medidas do governo Temer, Kehl ponderou que talvez os brasileiros estejam “atônitos”.

“Não sei se as pessoas estão passivas ou anestesiadas, a impressão que tenho na rua é que as pessoas estão furiosas com todas as perdas de direitos, com a crise econômica e as saídas impopulares do governo Temer. Mas estão um pouco sem opção por enquanto”, destaca.

“Durante um tempo as pessoas ficam paralisadas, mas espero que isso não dure muito.”

A psicanalista ressalta o “cinismo das autoridades que estão no governo”, afirmando que o presidente Michel Temer tem uma “cara de pau permanente”, sempre com a expressão constrangida.

Para ela, o PMDB foi um dos principais agentes do processo que levou ao atual cenário de crise política.

“Dilma estava sitiada pelo PMDB e não tem o jogo de cintura que o Lula tinha para negociar. Quem aceitou a aliança com o PMDB foi o Lula”, lembra, recordando que um grupo de intelectuais paulistas chegou a cobrar o líder petista a respeito da aliança com os peemedebistas.

“Ele (Lula) explicou, como um sindicalista negociador, que sem o PMDB até poderia se eleger, mas não governava, porque já tinham sitiado o Congresso. Entendeu que tinha que fazer a aliança, mas, com a grande habilidade que tem, conseguiu colocar o PMDB em suas mãos”, descreve, anotando que a ex-presidente Dilma Rousseff “foi vítima da própria base de apoio”.

“O problema não foi o PSDB e os partidos mais à direita, foi o abandono do PMDB. Com o argumento da pedalada fiscal, Dilma, sem conseguir conchavar, caiu.”

Para ela, parte dos motivos que mina a possibilidade de haver grandes mobilizações populares se relaciona à falta de informação.

“As grandes manifestações de rua têm a ver com questões claras para o povo. Não sei se as pessoas que leem jornal correndo ou que nem têm tempo de ler e acompanham o noticiário pela televisão, que é sempre meio oficial, têm clareza do que elas perdem diretamente com as privatizações. Não sei se têm clareza da importância de se ceder uma área da Amazônia para ruralistas.”

A falta de lideranças é outro fator que corrobora o quadro de desmobilização, aponta Kehl, citando o cerco sofrido pelo ex-presidente. “Com Lula acuado, quem é o grande líder para levar gente pra rua?”, questiona.

Ouça aqui:

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7 comentários

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Regina Fe

28 de agosto de 2017 às 16h52

Do que vejo nos ambientes que frequento, quem está empregado não realizou a perda dos direitos. Nas grandes empresas há uma alienação impressionante, é cada um por si em ambientes extremamente competitivos. Não há solidariedade como nas fábricas. Acho que as coisas começarão a mudar se as privatizações se concretizarem e uma leva de funcionários públicos perder o emprego, junto ao aumento de preços de produtos e serviços. Ou, ainda, com a quebradeira de empresas, já que o comércio está ruim. Sábado último fui a um shopping classe média em São Paulo que estava às moscas, os vendedores de braços cruzados olhando para os corredores. Apenas a praça de alimentação tinha algum movimento. Além disso, há os que não querem admitir que erraram apoiando a saída da Dilma. Conheço alguns que estão torcendo para o Lula voltar, mas não confessam esse desejo de jeito nenhum.

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RONALD

28 de agosto de 2017 às 16h43

Precisamos democratizar a mídia televisiva para que o povo saiba o que se passa no Lupanar Jaburu…

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Cançada da nércia do povo brasileiro

28 de agosto de 2017 às 12h47

Na minha humilde opinião o povo brasileiro ñ está indo as ruas pela total falta de informações verdadeiras, onde corre muita informação correta sobre o q está acontecendo no Brasil corre nos blog’s de esquerda/facebook/twitter e a massa, muitos até acredito eu, q nem sabem o que isso significa, FACEBOOK/TWITTER/BLOG’S DE ESQUERDA???????? vi numa pesquisa de ibope que 8 a 9 milhões de pessoas assistem o jornal nacional e 13 a novelinha das 21 hs, como não assisto o canal ñ posso dizer q tipo de propaganda eles estão veiculando entre suas programações, mais acredito piamente q essas propagandas e até mesmo nos tele-jornais discorrem que o Brasil caminha as mil maravilhas e inclusive que a diminuição do salário mínimo trará benefícios para aqueles que o ganham e que a destruição da CLT é favorável aos trabalhadores, como essa massa não tem informações contrarias elas acreditam piamente no que assistem na TV e a revolta só começará qd uma grande quantidade de pessoas começarem a sentir na carne, nem sei se adiantará ir para as ruas e será tbm o pensamento de muitos, pois as poucas manifestações que virão serão rechaçada MEGA VIOLENTAMENTE até mesmo pelo exército levando os presos a responderem por atos de terrorismo, e as emissoras de TV globo e parceiros mostrando o povo apanhando com grande destaque, como quem diz – NÃO RECLAMEMJ FIQUEM QUIETOS, OU ENTÃO…
E outro detalhe o foi revelado em uma pesquisa q o Brasil é o 3o. país mais ignorante do mundo.
traduza o link—–https://www.ipsos.com/ipsos-mori/en-uk/perils-perception-2015—– tenho pena dos mais pobres são os q menos sabem e o ~estão sendo mais atingidos e pior dando ibope p a globosta se estufando de rir.

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Fran

28 de agosto de 2017 às 11h20

Do meu ponto de vista é porque qualquer movimento que vá contra o atual governo tem sempre muita gente carregando bandeira de partido político, de grupo sindicalista (apoiado por estes partidos) e às vezes até blackblocks. A maioria da população de bem não se identifica com esse perfil de “manifestante”, que é visto como massa de manobra dos partidos populistas. Creio que movimentos apartidários teriam grande adesão popular.

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Assim Falou Golbery

28 de agosto de 2017 às 06h09

O mais provável é que o povo argentino de revolte contra Temer do que o brasileiro. Afinal, Temer faz pelo povo o que ninguém jamais fez

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Sei

28 de agosto de 2017 às 06h00

Gente eu não estou entendendo porque quando foi pra tirar Dilma as pessoas foram para rua e agora temer deita e rola e ninguém faz nada acorda gente

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Eugênio Viola

27 de agosto de 2017 às 14h05

Com grande sensibilidade social, a psicanalista Maria Rita Kehl é precisa no diagnóstico da “anestesia diante da crise”. O Consenso de Washington, que trouxe os devastadores tempos de neoliberalismo desde os anos 90, volta feroz em toda a América Latina. Ainda em “estado de choque”, prevalece a apatia. Apesar de termos superado e conquistado em parte o estado de bem-estar social no início do século XXI, a doutrina econômica dos chicago boys reimplanta a ditadura do capitalismo financeiro nos dias atuais. Mas vale a pena rever o brilhante documentário de Fernando Solanas “Memórias do Saque” para compreender melhor o passado, entender o presente e construir o futuro. A História não acabou. Um outro mundo sempre será possível.
https://www.youtube.com/watch?v=uSE-EkshbbQ

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