VIOMUNDO

Diário da Resistência


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O economista que tocou fogo na blogosfera


29/06/2010 - 21h41

Da série “Os que MORREM DE MEDO das blogosferas”
Economista aos blogueiros: “Calem o bico, idiotas”

28/6/2010, Salon, Andrew Leonard – traduzido por Caia Fittipaldi

Considerando que economistas supergraduados devem ser pressupostos ligados e espertos, Karthik Athreya, especialista em macroeconomia e finanças do consumidor, e que habita os intestinos do Federal Reserve Bank em Richmond, sabia, é claro, que provocaria um terremoto, ao publicar artigo em que diz que toda a discussão de economia na blogosfera é irrelevante, inútil e idiota.

Lutei muito à procura da melhor metáfora para descrever o impacto que “Economia é Dureza” [ing. “Economics is Hard”] teve na econoblogosfera. “Mexer em vespeiro” não espelha a magnitude da transgressão. Talvez uma declaração de guerra, de Brunei, à China? Ou Os Cavaleiros do Mal desafiando a horda mongol de Genghis Khan, para luta até o último homem? Uma coisa é certa: Karthik Athreya, ao descatar legiões de blogueiros como inúteis, garantiu lugar eterno (ou, no mínimo, por meia semana) na lista dos Infames.

O argumento básico de Athreya parece ser que só economistas pesquisadores profissionais podem ser autorizados a discutir economia, porque, bem, economia não é moleza, e ninguém, senão os economistas profissionais jamais entenderão ou avaliarão corretamente a complexidade da disciplina. “Quando um economista pesquisador profissional pensa ou fala sobre seguro social, desemprego, taxas, déficits de orçamento, dívida soberana, dentre outras coisas, quase sempre tem um modelo muito precisamente articulado, repetidamente testado para garantir sua coerência interna” – escreve o autor. O resto do mundo, não, ninguém tem nada disso.

Comparem-se, só por um momento, aqueles primores de raciocínio atento, argumentação clara, a abordagem gentil e transparente, sempre atentos, os economistas especialistas, ao que o ouvinte tenha a declarar, e a reprodução alucinada, sem sentido, sem ligar coisa a coisa, dos blogueiros autodidatas ou nada-didatas. A comparação é instrutiva.

A questão real é que há pouca probabilidade de as especulações e chutes dos não-treinados, sobre temas quase patologicamente carregados de “considerações dinâmicas” e “efeitos de retroalimentação”, apresentem algo de novo. O mais provável, sim, é que ofereçam contribuições incoerentes ou distorcidas.

(Se você aproximar o ouvido, aí, do seu monitor, ouvirá claramente o rugido de indignação de milhões de blogueiros. Não é ruído de alegria. De fato, parece mais o som que se ouve quando se atropela um ninho de cascavéis.)

Athreya observa, com certo desânimo, que não há onco-blogosfera – blogosfera na qual quadrilhas de idiotas sem qualquer treinamento deem palpites sobre câncer, o que é e como tratá-lo. (O que não é o mesmo que dizer que não haveria onco-jornalismo; há. Apenas que existe em número insignificante, se comparado ao número de pseudo-entendidos em economia, que se atrevem a usar em vão o nome de Keynes como se entendessem do que Deus tratou em “The General Theory of Employment, Interest and Money”.)

E Athreya pergunta, em tom lastimoso: “Alguém espera que os mais recentes avanços em biologia celular sejam imediatamente acessíveis a alunos de ginásio?”

E é exatamente aí que Athreya pisa, feio, na bola. A ciência da biologia celular não é monolítica, mas há razoável consenso sobre qual seja a verdade científica para a maioria dos cientistas que trabalham no campo. Claro que há muito por descobrir, e há teorias concorrentes que trabalham nas fronteiras da pesquisa, mas, mesmo não sendo professor supergraduado em biologia celular, posso dizer, com satisfatória segurança, que a maioria dos biólogos da biologia celular concordam quanto aos conceitos fundamentais.

Não se pode dizer o mesmo da economia. Os economistas Prêmio Nobel discordam praticamente sobre tudo, a saber: qual o papel correto das políticas fiscal e monetária em tempos de recessão? Salário mínimo ou imigração ilegal prejudicam ou estimulam o emprego? Os economistas discordam dos economistas. Que impacto tem a regulação, sobre a economia? Cada economista dirá uma coisa.

Sim, a economia é dureza – tão dureza, que economistas os mais impressionantemente laureados dão aos leigos a impressão de não saberem, absolutamente, porcaria alguma sobre o que acontece no mundo.

Nada disso seria problema grave, não fosse pelo pequeno, ínfimo detalhe, de que todos esperamos que os governos construam políticas econômicas.

Ninguém espera que deputados e senadores curem doentes de câncer, mas, sim, esperamos que façam todo o possível para não aprofundar a Depressão, para não provocar corridas aos bancos, para não estimular devastadoras guerras comerciais.

O problema é, sim, gravíssimo, porque, não bastasse os economistas discordarem entre eles, profundamente, sobre como suas pesquisas devem converter-se em políticas, a maior parte dos economistas é horrendamente incapaz de comunicar suas pesquisas em língua que os políticos compreendam.

É onde entramos nós, os autodidatas não graduados, tentando entender o que dizem os economistas para traduzi-lo em palavras que possam influenciar as decisões políticas, de modo prático-objetivo, na vida real.

O nosso trabalho é impressionantemente complexo, imenso. Mas isso não implica que se deva fugir dele – sobretudo agora que temos a internet.

A parte mais estúpida do ensaio de Athreya é o título: “Economia é Dureza”, que automaticamente traz à lembrança as bonecas Barbie Falantes: “Aula de matemática é dureza”. (Desgraçadamente, a Wikipedia ensina que nenhuma boneca Barbie jamais disse “Aula de matemática é dureza”, e acusa-me de idiotice terminal, porque acredito em tudo que leio na Wikipedia. Mas sou especialista em bonecas Barbie Falantes, e insisto. Mais um pouco, aparece alguém com dados e fontes, e corrige a Wikipedia.) O motivo pelo qual as mulheres detestam as bonecas Barbie Falantes está em elas reforçarem o estereótipo de que mulheres não seriam boas em matemática. Nesse caso, discutir é perda de tempo.

Serei o primeiro a reconhecer que desabei, de cara no chão, quando cheguei à parte da teoria econômica dos meus estudos matemáticos. Mas isso não implica que eu não continue tentando entender. Entender, nesse contexto, significa aprender em quem confiar na cacofonia do debate econoblogosférico. Quais as articulações do problema aproximam-se mais da realidade e soam em melhor harmonia com a história? Quem se mostra mais competente no trabalho de colher os dados do dia e articulá-los numa narrativa que faça sentido? E quem é obviamente o cínico, o idiota ideológico perfeito, o mais fascista convicto sincero?

Não me canso de maravilhar-me ante o poder que tem a Internet, para me por em contato, em pleno coração das discussões, entre economistas treinados e um vasto universo de intérpretes e filtros. Uma vez escrevi que a econoblogosfera seria um seminário sempre em andamento, de nível colegial, sobre economia, aberto a todos. Continuo a pensar do mesmo modo. Claro. Democratizar a informação implica que, sim, há muita besteira também na Internet, como na economia dos Prêmios Nobel. A lei de Sturgeon (“90% de qualquer coisa é sempre lixo”) aplica-se, sem dúvida, também às discussões de Internet sobre economia.

Mas… Leia com atenção, faça a lição de casa, e você descobrirá que pode aprender muito sobre os temas das discussões do dia, mais, hoje, do que jamais antes. O mais leve tende a flutuar e sobe à superfície e aparece. Temo que não seja esse o destino de “Economia é Dureza”.

A postagem original, em inglês, pode ser lida em: Economist to bloggers: Shut up, fools

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
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O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



46 comentários

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Ed.

30 de junho de 2010 às 21h14

Vi um documentário, se nao me engano, da BBC, sobre a crise, onde tentam explicar os meandros da crise mundial. Simplesmente não dá, conforme eles mesmos demonstram. Eles entrevistam grandes executivos e famosos economistas e financistas para dar explicações sobre os componentes mais falados, como os tais "derivativos". Dentre dezenas de medalhões, NENHUM conseguiu explicar sequer razoavelmente, dada a complexidade até matemática dos processos financeiros envolvidos. A maioria gaguejava, começava, se perdia, reiniciava e desistia, rindo amarelo. Pelo menos 2/3 admitiram que é extremamente difícil acompanhar ou auditar as milhares de complexas operações e determinar sua rentabilidade ou mesmo razoabilidade operacional.
Milhões de pessoas no mundo perdem casas, empregos e outras coisas piores por processos no mínimo espertos (ou talvez, expertos…). Como tais executivos são humanos, nada como ganhar muito dinheiro e respectivos bônus periódicos milionários sem precisar explicar nada um ao outro, ou a ninguém, pois será uma conversa onde ninguém se entenderá ou provará coisa alguma (vide congresso americano). É simplesmente "pasmante", "perplexante" !!! …

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Jo Rolex

30 de junho de 2010 às 22h56

Apesar de sua sapiência, os economistas do sistema financeiro internacional foram tapeados (por desonestidade uns, pela empáfia outros), por espertalhões que levaram o mundo a uma crise brutal.
A incompetência aliada ao desprezo pela humildade, mantém os países da crise patinando no lodaçal quando poderiam recorrer com desprendimento às lições do operário, apedeuta, que realiza proezas surpreendentes.
Antes de creditarem a outros a razão do sucesso brasileiro, recorde-se que, seguindo, orientações dos cardeais da economia, Lula reduziu o compulsório dos bancos, que logo aplicaram o presente em títulos de renda.
Então o presidente foi à TV estimular o consumo, desonerou impostos, e reduziu as taxas de juros nos bancos estatais preservando empregos. A quem se dará os louros da ousadia?

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Heldo Siqueira

30 de junho de 2010 às 16h43

Lembrei que outro dia li uma manchete em um jornal aqui de vitória que era mais ou menos "especialistas dizem que mentir às vezes pode fazer bem". Além do fato de a manchete estar no condicional (que qualquer coisa pode fazer bem ou mal, dependendo das circunstâncias), me veio a mente a seguinte pergunta: especialista em que?! Tenho um tio especialista em mentiras (dois filhos fora do casamento) será que era esse tipo de especialista?!

Foi só pra alegrar o forum…

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Emilio_Matos

30 de junho de 2010 às 16h29

Essa comparação de economia com oncologia é pura distorção. A economia estuda como nós, a população, consumimos, produzimos, trabalhamos. Parece muito evidente que a população tem muito a dizer sobre isso. A comparação correta seria se células cancerosas pudessem falar e discorressem na internet sobre o que acontece com elas. É evidente que seria importante ouvir o que as células cancerosas teriam a dizer sobre o câncer…

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João Luiz Brandão

30 de junho de 2010 às 16h06

Vige!!!
YACOV, você não pegou o senso da coisa. O que o cara disse, é que tem muito economista dizendo coisas sem embasamento; e muitas vezes – e aqui neste país frequentemente – em função de suas convicções políticas.
Eu cá comigo fico pensando em alguns – melhor omitir nomes – e outros que nem são, mas são metidos, tipo Dona Miriam Leitão, Merval Pereira, enfim a lista é enorme. A própósito: Serra é mesmo economista? Onde fez sua graduação?

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Carlos

30 de junho de 2010 às 15h48

O que é feito de Francis Fukuyama ?

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Nelson Menezes

30 de junho de 2010 às 15h44

Quem foi o economista( pelo menos disse que é) que errou na conta,dando aula de matematica para aluno do ensino fundamental,me parece que ele quer ser presidente,quem serra?

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    beattrice

    30 de junho de 2010 às 16h14

    Foi denunciado por falsidade ideológica no Conselho Federal de Economia.
    Lamentavelmente a denúncia foi vista por última vez empoeirando dentro da última gaveta de uma mesa X.

Yacov

30 de junho de 2010 às 15h32

Essa MALA do sr. Karthik Athreya parece um dos "escolásticos" da idade média que eram os DONOS do saber de então. Sumidades que baseavam seus conhecimentos nas escrituras sagradas, só por eles conhecidas, e cujo conhecimento lhes foi revelado por intervenção divina. Será que esse cara já ouviu falar em construção coletiva do conhecimento, democracia e acesso aos bens culturais??? Ora, Tenha a SANTA PACIÊNCIA. sr. Katrefas. Desça de sua torre-de-marfim.

"O BRASIL DE VERDADE não passa na gLOBo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS"

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Heldo Siqueira

30 de junho de 2010 às 15h23

Como todo mundo sabe, toda a ciência tem um alto grau de subjetivismo. A diferença é que nas ciências ditas "naturais" a experiência de todos os indivíduos varia muito pouco em relação à média… (a experiência de todo mundo com a gravidade é a mesma, com pouquíssimas diferenças; a diferença entre a experiência das pessoas com biologia celular difere muito pouco, etc) O negócio é que com economia não tem nada disso!!!

A experiência de um economista brasileiro que mexe com agropecuária (meu caso) é completamente diferente da experiência de um economista americano que estuda mercado financeiro. Dos blogueiros com a economia é a mesma coisa. Dizer que um economista americano (somente por ter estudado economia em nível avançado) sobre a economia brasileira (por exemplo) do que a experiência de um blogueiro qualquer é no mínimo preconceituoso. Mas na academia há um montão de gente preconceituosa.

Além do mais, que tem muito chute na blogsfera tem mesmo… uhuahuauh

Abraços

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Yacov

30 de junho de 2010 às 15h19

Todos os economistas profissionais que se seguiram nos diversos governos dos quais me lembro em nosso país, sempre nos "doutrinaram" a acreditar que o país deveria "primeiro fazer crescer o bolo, para depois dividi-lo". Isso nunca ocorreu, porque depois que o bolo crescia uns poucos famintos o devoravam gulosa e sistematicamente. Eu, em minha santa ignorância, sempre pensei: Ora, "se o povo tem dinheiro, o povo compra, se o povo compra, ativa o comércio e a indústria, que tem que produzir para suprir a demanda, o que gera mais empregos, mais consumo num ciclo virtuoso. Muito bem, LULA chegou ao poder, instituiu políticas distributivas, o povo começou a consumir e o BRASIL começou a bombar. Apesar de ignorante nessa área, agradeço aos céus o fato de nosso presidente também não saber lhufas de economia.

"O BRASIL DE VERDADE não passa na gloBo – O que passa na gLOBo é um braZil para TOLOS"

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monge scéptico

30 de junho de 2010 às 16h40

A economia capitalista pode ser complexa e, as vezes, ininteligível. Altéia ou Alcéia pode ter razão. Mas dai considerar
que na rede de blogueiros não tenha pessoal absolutamente brilhante, vai uma distância muito grande. É fato que muitos
desses blogueiros não levantam temas para discussões profundas, por medo de cair na galhofa geral e,portanto opina
apenas sobre as nossas superficialidades e paixões do dia a dia, com futebol e política por exemplo. Altéia deveria res-
-peitar mais a rede e sua diversidade de opiniões, que é o que faz o fascínio da rede.(sei que o nome é Athreya)
Eu ignorante, tenho aprendido muito com mestres como Azenha e demais navegantes e sou grato. Porém confiro as infor-
-mações.

Responder

Marcos Doniseti

30 de junho de 2010 às 12h32

No final de 2008, a Rainha Elizabeth II questionou os economistas da London Scholl of Economics com a seguinte pergunta:

"Como foi possível que, depois de mais de um século de estudos, os senhores foram incapazes de prever a crise que colocou em risco a economia mundial?".

Se o sr. Karthik Athreya responder esta simples pergunta, eu poderei começar a levá-lo à sério. Até lá, esqueçam…

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    José Sabino

    30 de junho de 2010 às 18h17

    Esta é facílima:

    Se todos que possuem dólares fora dos EUA os vendessem haveria um refluxo dessa divisa para o país de origem levando-o (o país) ao colapso.

    Resultado: cada americano para comer teria que trabalhar como todos do resto do mundo. Todas as mazelas do mundo estariam solucionadas. O fato de o mundo financiar os EUA levou ao desacerto econômico que vivemos.

    E os americanos sabem como tirar proveito dessa escravidão voluntária. Deitam e rolam. Matam, matam e matam. Atiram bombas nucleares e outras coisas mais.

    O consumo de UM americano daria para matar a fome e CEM pessoas que não tem o que comer.

    Responda, amigo, se não seria um grande avanço. Não avanço, uma solução.

    A bolha imobiliária é somente o começo do que vem por aí.

    O fato é que o mundo já se saturou de dólares. Assim, como vão (os americanos) arranjarem quem queira mais dólares para sustentar suas perdulariedades?

    Existe pelo menos um (para variar, e de acordo com o tema do post, um economista hiper preparado) Henrique Meirelles, que compra ao dia uma média de US$ 1,5 milhão. Com o nosso dinheiro, evidentemente.

    Só para pensar:
    – se os EUA somente entesouram ouro, por que diabos o Brasil teria que entesourar dólares?
    – se dólares fossem a solução os EUA estaria em dificuldades?
    – se uma cédula de US$ 100.00 custa ao erário americano sete centavos é justo pagar o valor de face?
    – a exemplo do euro, cada país que fizesse uso do dólar não teria o direito fazer sua emissão?

    Ou a moeda é americana ou é universal. Não é dado ao servo servir a dois patrões. Isso que Bretton Woods enfiou goela abaixo do mundo é o maior golpe baixo da história da humanidade. Que, felizmente, começa a desabar. E pobre será aquele que esperar o império anoitecer com dólar e amanhecer com outra moeda.

    Manda outra.

Gilson Raslan

30 de junho de 2010 às 12h30

Economista é como astrólogo: um prevê uma coisa; outro prevê coisa diferente; outro mais prevê coisa diferente dos dois e assim por diante. Algum deles, com certeza, vai acertar em sua previsão. Este será o Nobel de Economia.
Certo estava o fundador do BRADESCO: o meu banco tem esse sucesso porque não sou economista.

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Bonifa

30 de junho de 2010 às 11h55

Bah! É apenas defesa (fraquíssima) de corporativismo. É orientação neoliberal, que decompõe o geral e consagra os "especialistas" de cada setor como únicos autorizados a falar daquele assunto. Isto subtrai ao cidadão comum o direito universal de pensar e especular sobre todas as coisas, tirando conclusões próprias. É anti-humanismo. Bem típico de "especialistas" especiais, na verdade filósofos, americanos.

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Elias São Paulo SP

30 de junho de 2010 às 11h53

Quando Alan Greenspan, disse em 2008: "demos com os burros n'água", esses burros não estavam só no Lehman Brothers. Sem dúvida estavam também no Federal Reserve Bank e Karthik Athreya era um deles.

PS: Respeito economistas. Karl Marx, pra mim, o maior. Ilusionistas do capitalismo financeiro eu os abomino.

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Hans Bintje

30 de junho de 2010 às 11h21

Azenha:

Você deveria publicar alguns discursos de antigos vice-reis britânicos na Índia. Os argumentos são deploráveis mas, em geral, os textos são muito bem escritos.

O problema é quem tenta imitar o estilo desse pessoal sem ter um mínimo de classe. O caso de Karthik Athreya, do Federal Reserve Bank em Richmond, é tão tosco que pode ser desmontado com uma frase de Gandhi:

– Primeiro eles te ignoram, depois riem de você, depois brigam, e então você vence.

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    clemes

    30 de junho de 2010 às 14h45

    Que frase, Hans! Brilhante. Abs

    Gerson Carneiro

    30 de junho de 2010 às 12h44

    Do Gandhi também tem essa que eu gosto muito:

    "Viva, como se fosse morrer amanhã. Aprenda, como se fosse viver eternamente"

Odon Barbalho

30 de junho de 2010 às 10h03

A idéia desse "deus" da economia não é nova. O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco professa o mesmo dogma: economia é para iniciados, não é para qualquer um. Deu no que deu.
Quanto à imensa sabedoria dos economistas, basta lembrar do Prémio Nobel da Economia em 1997, Myron Scholes, que ganhou o prêmio por seu extenso trabalho (começou a estudar o assunto em 1971) em análise de riscos de derivativos e em 1999 quebrou o fundo que administrava, o Long Term Capital Management (LTCM), obrigando o governo americano a intervir para evitar perdas de US$ 100 bilhões.

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Gerson Carneiro

30 de junho de 2010 às 09h48

Economista; gente que dá previsão do tempo; e astrólogo. Ôh povo sem noção!

Fico pensando: Eles não devem fazer só isso. Eles devem ter um emprego de verdade. Um bico, um negócio próprio… não é possível.

Responder

    Zé Cabudo

    01 de julho de 2010 às 12h00

    Gerson, gente que dá previsão do tempo é Meteorologista. No caso desses profissionais, embora também seja um ligeiro exercício de futurologia, pelo menos eles têm uma grande taxa de acerto e quase sempre concordam nas previsões. Ao contrário das outras duas alternativas. Com a vantagem de que a meteorologia é muito útil desde a sua decisão em levar um guarda-chuva até emitir alertas de enchentes.

    Abraço.

    Zé C.

Zé Cabudo

30 de junho de 2010 às 09h11

Sobre a comparação entre biologia molecular e economia, digo o que já disse em algum lugar internet afora: como pode ser chamado de Ciência um estudo que tem como produto a mais pura especulação? Isso vale para Economia, Psicologia (em parte) e Astrologia.

Responder

antonio aguiar

30 de junho de 2010 às 08h17

Descobrimos aí a origem da míriam leitão ?

Responder

Gerson Carneiro

30 de junho de 2010 às 03h47

Meu economista preferido: Lula.

"- Lá (nos EUA), ela (a crise) é um tsunami; aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar".

E o cabra não cursou economia nem no IUB – Instituto Universal Brasileiro, e manja.
Sem frescura deu todo o prognóstico e acertou.
Aí fica esse monte de dotô proferindo ilações discordes da realidade fática, ou seja: conversa mole pra boi dormir.

Responder

    iguatemi

    30 de junho de 2010 às 09h12

    Gerson, eu entendo como voce, e digo mais: economista são todos 171, as fantasmagorias deles , que nem eles entendem, servem pra o banqueiro encher mais a barriga e a bolsa.

    Gerson Carneiro

    30 de junho de 2010 às 09h44

    Taí a prova: Ninguém menos do que o Iguatemi para aprovar a Economia do Lula. Não é só o grupo Pão de Açúcar.

    Apois é, meu caro. Economista e o povo que dá a previsão do tempo é tudo igual, e tem a mesma importância na mudança do rumo das coisas. É só observar.

    José Carlos

    30 de junho de 2010 às 10h35

    Camarada Gerson, eu concordo com você, não em relação a economistas, mas a "operadores do mercado financeiro". Não, não estou enganado: o Gustavo FranGo e a Mirian Urubulóloga são economistas de formação e operadores de função. Sempre foram, né não? Abção.

Pedro Ayres

29 de junho de 2010 às 23h39

A questão essencial da crítica desse monetarista, funcionário do Citibank e conselheiro do Federal Reserve of Richmond, embora alguns pensem que ele deseja desacreditar o debate econômico travado via internet, na realidade e a bem da verdade, é a continuidade de uma luta ideológica que há muito é travada no âmbito da economia.
Que é evitar a predominância de temas e problemas que inevitavelmente conduzem ao campo da economia política. Um campo em que as equações matemáticas ou modelos gráficomatemáticos pouca importância têm, pois, como a economia faz parte da ação humana em seu interagir com a natureza, modelos econométricos podem quando muito servir como antolhos para as vítimas do mercado financeiro, com seus derivativos e fundos especulativos.
Se a excelsa técnica desse funcionário dos sistema financeiro estadounidense fosse o que ele reafirma ao negar qualquer valor para o que se debate na internet, então, esta crise vivida pelos grandes centros financeiros e econômicos do mundo não existiria, pois, os sofisticados modelos matemáticos e informatizados dessas operações seriam facilmente projetados e logo em seguida se teria a solução. Um fato que não aconteceu e nem acontece, pois, tal sistema, que teve em Paul Samuelson um de seus gurus, é apenas uma das formas de aplicação do famoso "Sistema ou Esquema Ponzi", ainda que seus cultores se vejam como sérios intelectuais, o que é um direito que eles têm de assim se verem.
Dureza mesmo é ler o que gente como esse funcionário do sistema financeiro escreve. Enfim, como alguém já disse que o papel é muito generoso…………….

Responder

    beattrice

    30 de junho de 2010 às 16h18

    Pedro,
    uma pergunta que não quer calar,
    ele é assim porque trabalha no CITI ou trabalha no Citi porque é assim?

    Ramiro Tavares

    30 de junho de 2010 às 22h35

    Pedro
    É sempre bom encontrá-lo na blogosfera. Concordo inteiramente com você. Esse "especialista" ignora a existência da Economia Política. Vive num mundo de encantamento e fantasia.
    Deve ser bem pago para isso.

Milton Hayek

29 de junho de 2010 às 23h29

“Quando um economista pesquisador profissional pensa ou fala sobre seguro social, desemprego, taxas, déficits de orçamento, dívida soberana, dentre outras coisas, quase sempre tem um modelo muito precisamente articulado, repetidamente testado para garantir sua coerência interna” – escreve o autor'.

É por isso que esse economista é tão arrogante.Ele acha que modelos são a realidade em si,podendo-se deduzir uma coisa complexa como o real a partir de modelos matemáticos da economia neoclássica.Que pretensão!!!!!!
Pegue a "lei" da oferta-procura,por exemplo.Se você desconsiderar o "coeteris paribus"(mantidas todas as outras variáveis constantes) a relação entre demanda e oferta fica tão complexa que torna-se difícil aplicá-la para entender a relação entre demanda e oferta.Aí o sujeito desconsidera todas as outras variáveis e,como num mundo idealizado,diz que a demanda de um bem sofre apenas inflluência da oferta.Vocês acreditam nisso??????Existe coisa no universa que se relacione apenas com uma outra coisa????
Quando você joga uma pedra para o alto ela está sobre a ação apenas da gravidade????????E o atrito com o ar,com o vento, a influência da rotação da Terra,com a atração dos outros corpos,etc?????????
Esse é o problema desse mauricinhos que acham que o mundo pode ser entendido com esses modelinhos matemáticos.Esses caras nunca entraram em um laboratório ou tem nojo da realidade selvagem da vida.

Responder

dukrai

29 de junho de 2010 às 23h15

meus economistas preferidos: Mailson da Nóbrega, o único homem no planeta que conseguiu botar a inflação em 84% ao mes e não foi empalado em praça pública e o meu favorito, José Chirico Serra, o Economista SD (sem diploma).

Responder

    Jairo_Beraldo

    30 de junho de 2010 às 14h20

    Sou mais o Malan(dro)…ficou lá 8 anos, desemprego em alta, FMI 3 vezes e brigou com seu predileto SD…

Roberto Locatelli

29 de junho de 2010 às 23h07

Os doutos economistas não previram a crise de 2008.

E não se entendem sobre o que fazer quanto às consequências dessa crise na Europa.

O fato é que a economia influencia o nosso bolso e, só por isso, temos direito de darmos nossa opinião.

Constato, mais uma vez, que a blogosfera (que prefiro chamar de Infosfera) continua incomodando.

Responder

Conti-Bosso

29 de junho de 2010 às 22h57

"Não economistas tem mais facilidades para ver as metáforas do que os economistas, pois estes estão habituados com o uso diário de que é lógico que a produção vem de uma função e que os negócios movem-se em ciclos". Deidre N. McCloskey, The Rhetoric of Economics.

Responder

Pedro Luiz Paredes

29 de junho de 2010 às 22h48

Mais um brincalhão, deveriam chamar ele para fazer parte da comitiva do Serra 2010, não por atacar a blog esfera(PTpress?), mas pelas características dignas de um Deus conferida por ele aos economistas "profissionais", rsrsrsrs.
Esses são os titulares! kkkkk
Eu não tenho nem curso virtual de economia e falei para meu antigo patrão da subida do dolar há alguns anos atrás antes de o tema ser preocupação nas rodas do globo news e internet, ninguém aqui perto ganhou dinheiro com isso, todavia, aqui nesse blog também fiz previsões sobre a bolsa de valores no fim do ano passado acho que perto de outubro, de como ela estaria no carnaval em pontos, não deu outra. Falei também no blog do Nassif na virada do ano sobre a taxa Selic para o fim deste ano, estará um pouco acima das minhas previsões(+/-1% acima) mas, notável o esforço do BC em subi-lá mais do que o necessário.
Então isso quer dizer que quanto mais profissional eu ficar, ou seja, me graduar na PUC e fazer mestrado em Harvard, mais apto estarei em errar e saber explicar melhor o que deu errado, hein senhor?????????????
Acho que esses caras se vestem tanto de economia que não conseguem mais mensurar os fatores que não são estritamente econômicos e que tem influência sobre a economia. Acabam ficando reféns de teorias distantes da realidade, perdem o senso de qualquer coisa.

Responder

    dukrai

    29 de junho de 2010 às 23h28

    véi, quando pintou a crise financeira ninguém sabia qual a fundura do poço até a Bovespa bater nos 29 mil pontos e começar a reagir. Quando chegou nos 32 mil pontos, falei com um vizinho que se tivesse dinheiro botava tudo na Bolsa e ele me olhou com uma cara estranha. Quando chegou a 56 mil em março (abril?) disse para o mesmo que se tivesse comprado essa era a hora de vender e ela ainda chegou nos 72 mil.
    Olha a curva de intenção de votos da Dilma e uma projeção para 3 de outubro; está dando 52,43% dos votos válidos, eleita no primeiro turno.
    É tudo igual.

    José Sabino

    30 de junho de 2010 às 22h22

    Sr. Paredes,

    Entendi que V.Sa. tem muito bom senso sobre economia. Eu, apesar de não economista (graças a deus), consegui ver isso em suas afirmações. Mas, por favor, aprenda primeiro um pouquinho de português: aquela sua primeira frase nem criptógrafo entende, ok?

Polengo

29 de junho de 2010 às 22h47

A Economia me fascina.
Porque essa classe de gente xucra cai sempore nessa?
Tem um aí que não é mas fala que é. Ele podia ter inventado outra coisa, mas, economista…

Essa das teorias divergentes explica que qualquer um que se diz economista fala a bobagem que quer, que possivelmente encontrará o fundamento em qualquer outro economista que já tenha dito bobagem semelhante.

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Leônidas

29 de junho de 2010 às 22h46

E eu que pensava que as ciências de um modo geral estivessem a serviço da sociedade.
Pena quando uma ciência se volta para si e tem em seu próprio corpo seu objetivo, assim ela não tem mais razão de existir, pois não tendo como objetivo o homem, seu bem estar e de suas relações em sociedade é inútil para a humanidade compreendê-la.
Talvez, por pensamentos pedantes como este, o mundo (pelo menos o mundo da economia pedante) tenha quebrado e esteja agora na sarjeta.
Preferem o "mercado" ao homem.

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Fabio_Passos

29 de junho de 2010 às 22h41

Até parece que devemos nos abster das discussões e decisões que afetam diretamente nossa vida porque alguns pretensiosos especialistas não nos consideram habilitados.

Imagina se vou deixar de defender meus interesses porque uma serviçal do status quo se autodeclara sumidade.

Dureza é aguentar a arrogância desta economista super-bem-formada… e uma tremenda bocó.

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Marcelo M B

29 de junho de 2010 às 22h34

Eu parcialmente concordo com a Athreya, mas então para cada texto que o econimistas escrevessem eles deveriam demonstrar com base em algum dos tais modelos duramente testados…

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blogdacoroa

30 de junho de 2010 às 01h06

O Rio que não é manchete no Jornal Nacional
http://blogdacoroa.wordpress.com/2010/06/29/o-rio

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