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Mike Whitney: Brasileiros e chineses acreditam mais no capitalismo que norte-americanos


25/04/2011 - 11h25

Os verdadeiros perdedores no jogo de esconder de Bernanke

Welcome to Banktopia

por MIKE WHITNEY, no Counterpunch

Vamos falar de quem toma na cabeça. O dólar tem sido martelado diariamente. E o dólar está sendo martelado por querer, já que o Banco Central quer uma moeda mais fraca para aumentar as exportações e diminuir o peso da dívida dos bancos. (Sim, Martha, os bancos ainda estão insolventes) Assim, para baixo vai o dólar, cada vez mais baixo, empurrando para cima os preços da gasolina e dos alimentos enquanto o poder de compra do trabalhador médio dos Estados Unidos some no buraco negro. E este processo vai continuar no futuro ao alcance da vista — como Obama prometeu no início do ano — já que Washington está comprometida com “dobrar as exportações nos próximos 5 anos”. Pense nisso: “Próximos 5 anos”. É o mesmo que dizer que o trabalhador norte-americano será reduzido à pobreza do Terceiro Mundo em meia década. É uma sentença de morte.

E nada disso tem qualquer coisa a ver com a redução do desemprego e o aumento do PIB. Na verdade, revisões do PIB do primeiro trimestre revelam as mentiras por baixo da política econômica. O primeiro anúncio do Departamento do Comércio colocou o PIB em 3,2%. Lembram-se? Agora estamos em 1,4% e alguns preveem que a revisão final poderia colocar o PIB do primeiro trimestre no campo negativo. Isso é do New York Times:

“Mais cedo nesta semana escrevemos que vários proeminentes analistas econômicos reduziram suas estimativas para o crescimento do PIB no primeiro trimestre deste ano. Hoje vemos declínio ainda maior. Macroeconomic Advisors, uma firma de avaliação econômica, reduziu sua estimativa anualizada para apenas 1,4%, quando apenas alguns meses atrás dizia que o PIB seria de 4,1%. A Capital Economics também reduziu sua estimativa para 1%, escrevendo numa nota para um cliente: Todos os dados divulgados na semana passada precisam ser revistos. Ao final da semana, quando a poeira tinha finalmente assentado, a estimativa era de apenas 1% de PIB anualizado. Na verdade, existe até mesmo a possibilidade de que a economia tenha contraído [no primeiro trimestre]”.  (“G.D.P. Estimates Slide Further”, New York Times)

Assim, é papo-furado. A economia não está crescendo. Como poderia? Os salários estão na mesma, o crédito ainda está encolhendo (excluindo os empréstimos a estudantes) e a única razão para a queda dos números do desemprego é que mais e mais pessoas simplesmente desistiram de procurar vagas. Todos sabemos disso. Assim, embora possamos ter um pequeno aumento do consumo e das vendas no varejo, não se engane. É só porque custa mais para colocar comida na mesa e dirigir para o trabalho, não porque as pessoas estão comprando à beça no shopping ou vivendo luxuosamente.

E o povo dos Estados Unidos sabe o que está acontecendo; ele pode enxergar através da “charada verde”. É por isso que a última pesquisa do New York Times mostrou que  “Nation’s Mood (is) at the Lowest Level in Two Years” e que “os norte-americanos estão mais pessimistas sobre a situação econômica e a direção do país do que estiveram desde quando o presidente Obama completou dois meses no poder, quando o país ainda estava preso à Grande Recessão”. (“Nation’s Mood at Lowest Level in Two Years, Poll Shows”, New York Times)

As pessoas perderam a fé em Obama, no Congresso e no processo político em si. Elas podem ver que o sistema está quebrado e não responde mais aos desejos do povo, o que explica porque as pessoas estão simplesmente desistindo. É óbvio. O Gallup descobriu a mesma coisa. Aqui um clip de uma pesquisa recente:

“O otimismo dos americanos em relação à direção futura da economia mergulhou em março pelo segundo mês consecutivo, quando a porcentagem dos que dizem que a economia ‘está melhorando’ caiu para 33% — quando era de 41% em janeiro… O otimismo sobre o futuro da economia declinou para simpatizantes de todos os partidos durante o primeiro trimestre… O índice de confiança econômica do Gallup, que inclui o otimismo sobre a economia, também mergulhou em março” (“U.S. Economic Optimism Plummets in March”, Gallup)

Assim, a conversa de “tempos felizes” da propaganda não faz efeito. O público não acredita. Sabemos que estamos em uma Depressão. Como as pessoas não saberiam? Estão mergulhadas nas prestações da casa própria, não conseguem empréstimos, os filhos e o tio Arnie não conseguem emprego e o cara no Salão Oval não faz nada para ajudar. Não é surpresa que as pessoas estejam simplesmente desprezando o capitalismo. Para um choque, leiam o resultado desta pesquisa da Globescan:

“O apoio público dos americanos à economia de livre mercado caiu fortemente no ano passado e é menor agora que na China, de acordo com uma pesquisa da GlobeScan divulgada hoje… Quando a GlobeScan começou a fazer a avaliação, em 2002, quatro de cinco norte-americanos (80%) viam o livre mercado como o melhor sistema econômico para o futuro — o mais alto apoio nos países pesquisados. Este número começou a cair nos anos seguintes à crise financeira de 2007/2008, teve uma breve recuperação e caiu de novo em 2009, um total de 15 pontos naquele ano, e agora só três em cinco norte-americanos (59%) dizem que a economia de livre mercado é o melhor sistema econômico para o futuro. O presidente da GlobeScan comentou: ‘Os Estados Unidos eram o último lugar do mundo onde esperávamos ver uma queda de confiança tão grande no sistema da livre iniciativa. Isso não é boa notícia para os negócios’. Os resultados significam que várias economias emergentes superaram os Estados Unidos no entusiasmo em relação ao livre mercado. Chineses e brasileiros, 67% dos quais dizem que o sistema de livre mercado é a melhor oferta existente, tem opinião mais positiva sobre o capitalismo que os norte-americanos” (“Sharp Drop in American Enthusiasm for Free Market, Poll Shows”, GlobeScan)

Podemos acreditar? Os chineses gostam mais do capitalismo que os norte-americanos. Que tal isso como ironia? E não se enganem, o trabalhador comum não está gastando suas noites com o Manifesto Comunista, enquanto ensaia a Internacional [Socialista]. Bobagem. Os norte-americanos são práticos. Eles sabem que estão se ferrando com os dois partidos e é por isso que o apoio deles ao sistema erodiu ainda mais sob Obama. Caiu “15 pontos em um ano” desde 2009. É isso aí, Barry.

E as coisas vão apenas piorar quando o Congresso começar a atirar no orçamento, eliminando programas e serviços populares. Vai apenas acrescentar combustível ao fogo e convencer as pessoas de que o sistema não tem conserto. Resultado: as condições de vida vão se deteriorar, a atividade econômica vai diminuir e a economia vai entrar em um longo período de estagflação.

Mas isso não significa que Wall Street vai sofrer. Que diabos, não. Os mercados vão continuar a borbulhar alimentados pelas injeções de estímulo monetário do Banco Central como tem acontecido nos últimos três anos. Como a Bloomberg noticiou esta semana, Bernanke [Ben, presidente do Banco Central, o Fed] não planeja acabar com o QE2 [quantitative easing], como previsto, no final de junho, mas vai continuar a reclicar os dividendos dos papéis lastreados em hipotecas [mortgage-backed securities (MBS)] comprando bônus que vão assegurar que as ações continuem a bater recordes, enquanto 42 milhões de norte-americanos se viram com os cupons de alimentação [o Bolsa-Família dos Estados Unidos] e alguns milhões esperam para serem chutados para fora de casa. Parece justo, não?

Assim, se parece que os grandes bancos estão definindo a política… é porque estão. Pense assim: o governo dos Estados Unidos mantém dois livros contábeis.

Um registra as dívidas e as receitas públicas.

O outro é o livro das operações do Banco Central. Quando o Congresso gasta dinheiro, precisa ser aprovado pelo processo democrático normal. Quando o Banco Central gasta dinheiro, simplesmente escreve um cheque lastreado na “fé completa e crédito do Tesouro dos Estados Unidos, sem acompanhamento ou supervisão. E as dívidas que ele cria não são acrescentadas ao déficit do orçamento ou forçam os políticos a colocar freios nos bancos. Nada disso. Os 2 trilhões de dólares em lixo [mortgage-backed securities (MBS)] e outras doações que o Banco Central fez a Wall Street desde o colapso da Lehman deveriam ter colocado o déficit na estratosfera e forçado a falência dos maiores bancos do país. Mas isso não aconteceu, já que o Banco Central mantém isso “fora do orçamento”, onde não existe escrutínio do Congresso. Assim, vale qualquer coisa.

O único problema é que o Projeto de Bem-Estar dos Bancos do Fed, de um trilhão de dólares, levou à diminuição do poder de compra e ao mergulho do dólar. Assim, seria apropriado chamar as ações do Banco Central [QE2] de um imposto disfarçado sobre os trabalhadores, em vez de “estímulo monetário” (o que não é). A verdade é que Bernanke está deliberadamente detonando o dólar para ajudar a manter os amigões falidos dos bancos flutuando e para manter as ações “no ponto” para os compradores. Mas o resultado disso é uma grande perda de riqueza pessoal para todos os demais.  Eles são os verdadeiros perdedores no jogo de esconder de Bernanke.

Olhando para o futuro, veremos mais do mesmo. As ações vão continuar a subir, a tinta vermelha no balanço do Banco Central vai continuar a acumular e o dólar vai continuar seu agonizante mergulho. O Banco Central está organizando o tiroteio agora e o resto de nós apenas assiste, sem direito a palavra.

Bem-vindos à Banktopia.

Mike Whitney lives in Washington state. He can be reached at [email protected]

PS do Viomundo: Adivinhem para onde vem os dólares do Fed americano?

Veja aqui como 42 milhões de norte-americanos dependem do Bolsa Família para se alimentar

E aqui sobre a necessidade do controle de capitais para evitar a apreciação do real

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22 comentários

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sevvone

26 de abril de 2011 às 09h52

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OzeiasLaurentino

26 de abril de 2011 às 06h56

O jovem, velho é sempre atualizado Karl Marx, já dizia primeiro tem que se desenvolver o capitalismo, depois vem o socialismo, é um processo evolutivo que eles tentam impedir mas não conseguirão, dai essa falta de crença no capitalismo dos EEUU.

Responder

FrancoAtirador

25 de abril de 2011 às 22h49

.
.
Como os socialistas construíram a América

Por John Nichols*

"Os Estados Unidos não seriam o que são hoje se não tivessem tido a influência positiva de revolucionários, radicais, socialistas, socialdemocratas e seus companheiros de viagem. Abraham Lincoln, Teddy Roosevelt, Franklin Roosevelt, Dwitht Eisenhower e John Kennedy não eram socialistas. Mas a nação se beneficiou de seus empréstimos às ideias socialistas e social democratas. Ideias como seguridade social, financiamento público da moradia, investimento público, proteção legal para direitos trabalhistas e outros atributos do Estado de Bem Estar”.

*John Nichols é correspondente em Washington do The Nation e editor associado do The Capital Times (http://host.madison.com/ct/), Wisconsin.
Seu livro mais recente é “A Letra S: uma breve história na tradição americana ( The “S” Word: A Short History of an American Tradition) publicado em março, pela Verso.

Excerto do livro, na Carta Maior, em:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMos

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Arsenio

25 de abril de 2011 às 22h33

Desde que a China adotou o seu capitalismo paralelo ela o fez pensando em jogar o jogo dos ocidentais, com as mesmas regras. E parece que ela está ganhando enquanto o ocidente agora quer rever as regras para mudar o jogo. Meio tarde, presumo. A Rússia (socialista ainda) adotou a tática da China para vencer o poderio dos EEUU. Ambos, China e Rússia, continuam com o propósito de enterrar o capitalismo, de vez. O tempo dirá.

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SILOÉ

25 de abril de 2011 às 21h17

Claro!!! É a lei de Murfim…agora é a hora deles.

Responder

Eneas

25 de abril de 2011 às 18h34

Será que ainda veremos um EUA migrando para o Socialismo??? Seria risível, mas compreensível. Surgindo uma terceira via(viável) nos EUA, diferente dos únicos partidos viáveis, e ganhando força, quem sabe!

Responder

Francisco

25 de abril de 2011 às 17h33

Eu tenho medo até de pensar nisso. Uma coisa é o Brasil ou a China se desesperando: viramos camelôs, safos e usamos do jogo de cintura ou, os mais desorientados, abrimos uma boca de fumo. Totalmente desesperados, nos lançamos no contraponto entre direita e esquerda, entre capitalismo e socialismo.

Os EEUU não têm, na sua culinária, nada parecido com a coxinha de galinha (pão dormido e galinha desfiada), não conhecem a palavra "rapa", quando têm fome invadem o país de alguém que tem comida. Ou petróleo. Ou o que for. Totalmente desesperados não têm CUT, MST, Boff, nada. Só conhecem o Tea Party, a Klu Klux Klan, os "falcões" e o "destino manifesto".

Não me deixa feliz ver uma besta-fera nuclear começar a olhar para o prato cheio dos vizinhos. Principalmente quando um dos vizinhos sou eu.

Responder

Yes we créu !!!

25 de abril de 2011 às 17h02

Bomba !!! Bomba !!!

Mais um tucano voou do ninho: Walter Feldman.

Responder

ZePovinho

25 de abril de 2011 às 16h46

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMos

Como os socialistas construíram a América

Os Estados Unidos não seriam o que são hoje se não tivessem tido a influência positiva de revolucionários, radicais, socialistas, socialdemocratas e seus companheiros de viagem. Abraham Lincoln, Teddy Roosevelt, Franklin Roosevelt, Dwitht Eisenhower e John Kennedy não eram socialistas. Mas a nação se beneficiou de seus empréstimos às ideias socialistas e social democratas. Ideias como seguridade social, financiamento público da moradia, investimento público, proteção legal para direitos trabalhistas e outros atributos do Estado de Bem Estar”. O artigo é de John Nichols.

John Nichols

(*) Excerto da obra The “S” Word: A Short History of an American Tradition… Socialism, publicado em março, pela Verso.

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EUNAOSABIA

25 de abril de 2011 às 15h18

Tem mais reaça de direita no Brasil e na China do que esquerdopata de meia pataca e que adora o que o capitalismo tem a oferecer.

Responder

    Luís

    25 de abril de 2011 às 18h28

    Que tal se fossem dados os IP dos cybertucanos, como a Carmem Leporina e o ELENUNCASABE?

    Yes we créu !!!

    25 de abril de 2011 às 22h13

    Muito cuidado com os tucanos, Luis. Eles sao uma especie em extincao.

ZePovinho

25 de abril de 2011 às 15h09

OLHA AÍ!!!AGENTES DA DITADURA MILITAR TRABALHANDO PARA A GLOBO E A VEJA!!!!!!!!!!!
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011

"Agenda" de fontes "em off" da Globo e da Veja coincide com a agenda do sargento do atentado ao Riocentro

O jornal "O Globo", depois de abafar por 30 anos muitas informações sobre o atentado do Riocentro, publicou alguns nomes do caderninho de telefones que o sargento Guilherme Pereira do Rosário guardava no bolso, quando a bomba que ele levava para o Riocentro, explodiu em seu colo.

O jornalão diz que os agentes dos serviços de inteligência da ditadura, após a redemocratização, partiram para empresas particulares de vigilância, segurança, contra-informação, arapongagem.

Faltou explicitar que muitos deles fazem parte do submundo das famosas fontes "em off" de dossiês que chegam às redações do PIG (Partido da Imprensa Golpista), nem sempre verídicas e quase sempre usada contra gente do governo Lula.

O próprio jornal "O Globo" de hoje, chega a citar um caso recente:

Da comunidade de informações, a caderneta de telefones de Guilherme do Rosário trazia, por exemplo, o nome de Wilson Pinna, agente da Polícia Federal aposentado. Entre 1979 e 1985, Pinna trabalhava no Dops, na coleta e análise de informações. Era um dos que, por exemplo, iam a assembleias, protestos, comícios e outras reuniões para ver quem dizia o quê. Pinna chegou a, por exemplo, coordenar a análise de informações do movimento operário da época.

Aposentado da PF em 2003, Wilson Pinna foi exonerado, em 2009, de cargo comissionado que ocupava na assessoria de inteligência da Agência Nacional de Petróleo (ANP), após ter sido acusado pela Polícia Federal como o autor do falso dossiê contra o então diretor do órgão, Victor de Souza Martins, irmão do então ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal.

Wilson Pinna disse não se lembrar de ter conhecido Guilherme do Rosário, mas, segundo ele, podem ter se encontrado em algum dos cursos da área de inteligência feitos pelo agente federal, como aulas no DOI, no CIE e no Cenimar.

O referido falso dossiê, foi amplamente explorado em "reporcagens" da revista Veja, amplificadas no Jornal Nacional da TV Globo.

Dizia de forma sensacionalista que era um "relatório da Polícia Federal", chegando a dizer que "Segundo o jornalista [Diogo Mainardi], as investigações não teriam ido adiante graças a interferências políticas no trabalho da Polícia Federal.".

Clique na imagem para ampliar

Depois de passar mais de duas semanas enxovalhando a honra alheia, e procurando atingir a imagem do governo, forjando um escândalo inexistente com base em um dossiê falso, o próprio JN foi obrigado a voltar atrás e confessar a mentira, ainda que através de um texto ardiloso, para dissimular o absurdo que foi notícia original:

Clique na imagem para ampliar

Responder

Hans Bintje

25 de abril de 2011 às 15h03

A gente não se diverte com a desgraça nos EUA.

(Aliás, em lugar nenhum. "Schadenfreude" é uma palavra para riscar do dicionário.)

O site do Azenha relata as consequências da crise econômica naquele país: menos empregos, mais guerras.

Há um texto clássico a respeito disso no site ( https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/vanity-fa… ). Trecho:

"Edgar Prince deixou de herança importante negócio de fabricação de peças para automóveis em Holland, Michigan, com 4.500 empregados e ampla linha de produtos, de visor antirreflexo a abridor programável de portas de garagens.

Erik, 25 anos, servia como fuzileiro em corpo especial da Marinha (serviu no Haiti, no Oriente Médio e na Bósnia), e nem ele nem as irmãs tinham condições de assumir a empresa. Venderam a Prince Automotive por US$1,35 bilhão."

Eis o que aconteceu com parte do dinheiro dessa venda:

"Hoje, o [Centro Blackwater de Alojamento e Treinamento] é centro de uma rede de instalações onde são treinadas cerca de 30 mil pessoas por ano. Prince, proprietário de um avião-robô de dimensões zepelinescas e que gastou 45 milhões para construir uma frota de veículos de transporte blindados e à prova de bomba para conduzir seu pessoal, viaja seguidamente para o campo pilotando ele mesmo seu Cessna Caravan, que decola de sua casa na Virginia. O campo de treinamento tem pista privada de pouso.

Os hangares abrigam um verdadeiro zoológico de aviões de guerra: helicópteros Bell 412 (usados para seguir ou conduzir diplomatas no Iraque), helicópteros Black Hawk (atualmente passando por processo de adaptação para atender às exigências de segurança de um cliente de um dos estados do Golfo), um avião Dash 8 (que transporta soldados e veículos no Afeganistão). No campo de treinamento, com mais de 52 cenários, há vilas virtuais desenhadas para mostrar todos os tipos imagináveis de ameaça real: pequenas praças cobertas de carros explodidos, situadas junto a cruzamentos de rodovias e portos."

Responder

ZePovinho

25 de abril de 2011 às 14h59

VEJA: COMO ERA GOSTOSO O MEU FULGÊNCIO BATISTA!!!!!!!!!!!

ah, os bons tempos…

A RECEITA DE 'VEJA' PARA CUBA: SENZALA FARTA E DITADURA 'COM MAIS AUTOMÓVEIS QUE O JAPÃO'

"…Em 1962, três anos depois do triunfo da Revolução Cubana (NR: e dois anos após o início do embargo econômico aniquilador dos EUA contra Cuba, até hoje mantido) quando se começaram a medir as agruras a que os "menos iguais" da ilha eram submetidos pelos "mais iguais", a porção média de carne e feijão no prato dos cubanos sob o regime comunista era apenas um quarto da que os escravos ingeriam em 1842, ao tempo em que a ilha era colônia espanhola. Pelo menos os escravos podiam pescar na vasta e generosa costa da ilha caribenha — atividade popular suprimida pela ditadura castrista pelo motivo óbvio de que os barcos prefeririam escapar da prisão cruzando os 150 quilômetros de extensão do Estreito da Flórida a fisgar algum peixe.Nos anos 50, antes dos Castro (NR: sob a ditadura de Fulgêncio Batista, quando Havana era o bordel privado da plutocracia americana) Cuba tinha uma das maiores rendas per capita da América Latina e era mais próspera do que a Espanha e a Áustria. Os cubanos possuíam mais automóveis, em proporção à população, do que os japoneses e a menor mortalidade infantil da América Latina…" (VEJA, em análise que converge com as do comunicólogo da ECA sobre a ilha 25-04)
(Carta Maior; 2º feira, 25/04/2011)

Aqui o velho filme "Como era gostoso o meu francês":

[youtube TWH8Ribc6zc http://www.youtube.com/watch?v=TWH8Ribc6zc youtube]

Responder

João Bahia

25 de abril de 2011 às 14h30

Existem algumas coerências. Uma delas é que o "livre mercado" é bom, enquanto eu estou bem. Ou, o "livre mercado" é bom, para algumas situações… que o digam os bancos americanos, que na hora do ônus convocou o poder público prá segurar a barra… na hora do bônus, evidentemente, valem as regras de mercado, ou vocês acham que os bancos vão distribuir lucros em agradecimento ao socorro recebido com dinheiro do povo? Sem chances… Apesar do gostinho de "bem feito, se ferrou" (nunca me simpatizei com a "ideologia" americana), fica uma preocupação: não é legal o empobrecimento da nação mais militarizada, até prova em contrário, de toda a nossa galáxia… Esses caras resolvem crises com guerras… logo agora que começou a chover em nossa horta, seria uma lástima uma guerra nuclear…

Responder

Oliveira

25 de abril de 2011 às 13h56

E eu que pensava que a função primordial de um Banco Central era proteger a moeda.

Responder

Yes we créu !!!

25 de abril de 2011 às 13h51

"O apoio público dos americanos à economia de livre mercado caiu fortemente no ano passado e é menor agora que na China."

Eu quase tive um orgasmo ao ler isso.

Responder

Remindo Sauim

25 de abril de 2011 às 13h38

Os americanos merecem. Nos exploraram durante muito tempo.

Responder

Valdeci Elias

25 de abril de 2011 às 13h05

Na decada de 80, vi Reagan derrotar a URSS, de dentro pra fora. A incapacidade ,dos paises comunistas, de fazerem artigo de consumo, falou mais alto.
Será que nessa decada (10), vou ver a China implodir, o capitalismo de dentro pra fora ? Derrotar os E.U.A no seu proprio território, e sem dar um tiro ?

Responder

ZePovinho

25 de abril de 2011 às 13h00

Os EUA sempre tiveram capitalismo de Estado,com o orçamento da União financiando as empresas americanas.A maior prova disso ocorreu na última crise,quando trilhões de dólares de dívida foram acrescentados nas costas do povo americano para salvar empresas que faliram.
Os estadunidenses estão com saudade,na verdade,do capitalismo regulado e de quando podiam jogar seus problemas nas costas do mundo.

Responder

Hans Bintje

25 de abril de 2011 às 12h05

Azenha:

Um dos grandes mistérios do Viomundo é quem escolhe as "Imagens da Vez". Gosto de visitar o site e ver as imagens, é um tipo de comunicação não-escrita entre nós que aprecio muito.

Por favor, mande meus cumprimentos para a pessoa que seleciona as imagens.

*****

Quanto ao texto de Mike Whitney, é o dia-a-dia que a gente vê nos EUA e não aparece na mídia. Só para variar…

O Viomundo criou uma rede de informações paralela. Vale a pena acompanhá-la para evitar surpresas.

Sim, a ideia-chave é "evitar surpresas". Vamos deixar de lado as considerações pessoais sobre notícias boas / ruins, basta saber o que iremos encontrar no momento que formos aos EUA e outros países.

É um diário de viajante, e eu o respeito por ser assim.

Para quem não pretende sair de casa, qualquer relato sobre terras distantes se torna mais interessante quanto mais se aproxima das crenças da pessoa que o lê. É a letra de uma antiga música italiana, "Ti voglio tanto bene":

"Diga mesmo mentindo diga
A minha alma fará tudo, tudo para acreditar
Juro eu amo tanto tanto
Que faço do meu mundo mentira ilusão
Amo eu amo que importa a realidade
Se eu vivo da incerteza desse amor"

Infelizmente, este leitor não tem direito a tal luxo.

Responder

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