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Michael Hudson e a crise na Grécia: A guerra das finanças contra a indústria e o trabalho


12/05/2010 - 11h37

Grécia hoje, Estados Unidos amanhã

O povo vs. Banqueiros

por Michael Hudson, no Counterpunch

Lobistas das finanças aqui nos Estados Unidos estão usando a crise grega como lição objetiva para alertar sobre a necessidade de cortar gastos públicos em Previdência Social e Medicare [programa federal americano de assistência médica]. Isso é o oposto do que os manifestantes gregos estão exigindo: reverter a mudança global que tira impostos da propriedade e das finanças para colocar no trabalho e dar prioridade ao pagamento de aposentadorias, não aos bancos que querem receber de volta 100% das centenas de bilhões de dólares em empréstimos irresponsáveis que fizeram, empréstimos que recentemente foram reduzidos ao status de lixo.

Vamos chamar a “operação de salvamento da Grécia” do que é: um TARP [programa de resgate do mercado financeiro dos Estados Unidos] para bancos alemães e europeus e para especuladores globais. O dinheiro virá de outros governos (principalmente do Tesouro alemão, que cortará gastos domésticos), numa espécie de conta através da qual o governo grego pagará investidores estrangeiros que compraram papéis cujos preços despencaram nas últimas semanas. Os investidores vão lucrar, assim como os compradores de bilhões de dólares em papéis de garantia da dívida grega, os especuladores no euro e outros jogadores do cassino capitalista (quem perdeu com papéis gregos também terá de ser salvo, e assim ad infinitum).

Quem vai pagar a conta são os contribuintes — no frigir dos ovos os gregos (na verdade os trabalhadores, já que os ricos escaparam de impostos), para reembolsar os governos europeus, o Fundo Monetário Internacional e mesmo o Tesouro dos Estados Unidos pelo seu compromisso com as finanças predatórias. O pagamento a quem tem papéis da Grécia será usado como desculpa para cortar serviços públicos, aposentadorias e outros gastos do governo. Será um modelo para outros países: impor medidas similares de austeridade num momento em que os governos aumentam seus déficits diante da queda na arrecadação de impostos sobre o setor financeiro, que enriquece com a transformação da “junk economics” em política internacional. E assim os banqueiros terão poucas dificuldades para pagar os bônus previstos para este ano. E quando todo o sistema entrar em colapso, eles terão se garantido comprando bens em seus nomes.

Os lobistas sabem que o jogo financeiro acabou. Estão jogando no curto prazo. O objetivo do setor financeiro é conseguir o maior valor possível em resgates e sair correndo, com bônus anuais suficientemente grandes para manter os banqueiros acima do resto da sociedade quando a hora final chegar. Menos gastos públicos em programas sociais significa mais dinheiro para cobrir as dívidas ruins que crescem exponecialmente e que, no fim, não poderão ser honradas. É inevitável: dívidas e empréstimos vão nos levar à convulsão da falência.

Os sindicatos gregos não estão pessimistas a ponto de desistir da luta. Reconhecem (o que o sindicalismo americano não faz) que alguém controlará o governo. Se os sindicatos — os manifestantes — perderem o espírito de luta, o poder será dado aos credores estrangeiros para ditar a política pública por WO. E quanto mais os interesses dos banqueiros for servido, mais a economia ficará a serviço da dívida. O ganho dos banqueiros é conquistado às custas de austeridade doméstica. Pagamentos de aposentadorias pelos fundos de pensão gregos e programas sociais do governo devem ficar à mercê do capital de bancos alemães e de outros países.

Essa visão de mundo já foi adotada na periferia mais ao norte da Europa, onde foi causa do masoquismo fiscal que os bancos agora querem ver implantado na Grécia. Tendo caído sobre suas próprias espadas, os governos do Báltico ficariam com ciúmes e mesmo com ressentimento se a Grécia conseguisse resgatar sua economia, quando eles fracassaram na tentativa de repudiar as demandas dos credores arrogantes. “Vista do lado oriental da União Europeia, a busca por medidas de austeridade na Grécia é notícia velha”, escreveu Nina Kolyako. “Por quase dois anos, os países bálticos — Lituânia, Letônia e Estônia — adotaram medidas draconianas, cortando gastos públicos e aumentando impostos para tentar sair do buraco”.

“Aprendemos dolorosamente, pesadamente e eficazmente a lição de que é preciso olhar cuidadosamente para a questão fiscal”, o primeiro-ministro lituano Andrius Kubilius disse à AFP numa entrevista recente. “Nós entendemos de forma clara que a consolidação fiscal era a única forma de sobreviver”.

Capitulando, num caso clássico de Síndrome de Estocolmo (literalmente, já que estamos falando de bancos suecos), o governo da Lituânia apertou os parafusos de tal forma que o PIB do país caiu 17%.

Uma queda similar aconteceu na Letônia. Os países bálticos cortaram empregos no setor público e salários, impondo pobreza em vez dos padrões de prosperidade da Europa ocidental (e taxação progressiva para incentivar a classe média) prometidos depois que os países bálticos conseguiram independência da Rússia em 1991.

Depois que o Parlamento da Letônia impôs medidas de austeridade em dezembro de 2008, protestos populares em janeiro derrubaram o governo (como aconteceu na Islândia). Mas o resultado foi meramente outro “regime de ocupação” neoliberal controlado por interesses de bancos estrangeiros. Então, o que está acontecendo é a Guerra Social em escala global — não a guerra de classes prevista no século 19, mas a guerra das finanças contra economias inteiras, contra a indústria, o mercado imobiliário e governos, além dos sindicatos. Está acontecendo em câmara lenta, da maneira que grandes transições históricas acontecem. Mas, como em um conflito militar, cada batalha parece frenética e causa ziguezague nos mercados mundiais de ações, bonds e moedas.

Tudo isso é boa notícia para os corretores e seus programas de computador. O compromisso médio de investimento nos mercados financeiros é de apenas alguns segundos, já que eles estão sujeitos a vastas ondas de crédito sopradas pelas tempestades do planeta superaquecido das finanças.

Próximo passo: Distopia econômica

A crise grega mostra como mudou a “ideia europeia” desde 1957, quando a Comunidade Econômica Europeia de seis membros foi formada. Com o apoio dos Estados Unidos, o Reino Unido e a Escandinávia criaram o grupo rival de sete membros, a Associação Europeia do Livre Comércio. Ainda assim, a promessa da Eurolândia — pelo menos antes de Maastricht e Lisboa — era dar aos trabalhadores status de classe média , não impor programas de austeridade do FMI do tipo dos que devastaram o Terceiro Mundo. A mensagem para os endividados é clara: “Morra”. E eles estão obedientemente assumindo o compromisso de suicídio econômico (como o Japão fez nos Plaza Accords de 1985) ao adotar o Consenso de Washington — a guerra de classe das finanças contra os sindicatos e a indústria.

Poder político, social, fiscal e econômico está sendo transferido para a burocracia da União Europeia e os controladores financeiros do Banco Central Europeu e do FMI, cujos planos de austeridade e programas anti-trabalho forçam governos a vender bens, terras, minerais e empresas públicas, além de assumir o compromisso de usar impostos futuros para pagar as dívidas junto às nações credoras. Essa política já foi imposta na “Nova Europa” (as economias pós-soviéticas e a Islândia) desde o outono de 2008. Será imposta agora a Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha. Não é de espantar que haja quebra-quebras!

Para observadores que não viram o que aconteceu na Islândia e na Letônia no ano passado, a Grécia é o mais novo e maior campo de batalha. Pelo menos a Islândia e os países do Báltico têm a opção de re-denominar seus empréstimos em suas próprias moedas, cortar por conta própria a dívida externa e taxar propriedades para recapturar para o governo parte do que foi prometido a banqueiros estrangeiros. Mas a Grécia está trancada na união europeia, governada por autoridades monetárias que não foram eleitas, que inverteram o significado histórico de democracia. Em vez de o setor mais importante da economia — as finanças — se sujeitarem à política eleitoral, os bancos centrais (os lobistas oficiais de banqueiros comerciais e de investimento) se tornaram independentes dos controles sociais.

Direitistas da Europa e dos Estados Unidos (como o presidente do Banco Central, Ben Bernanke) chamam essa independência de “marca da democracia”. Na verdade é o selo da oligarquia, que tira o poder de alocação do crédito da economia — e, assim, do planejamento futuro — enquanto dá aos financistas o controle dos gastos em programas sociais.

A Islândia, a Letônia e agora a Grécia são os primeiros salvos numa campanha mundial para acabar com os grandes programas de reforma democrática do século 19 e a Era Progressista: taxação da terra e dos ganhos com imóveis, ações e bens financeiros e a subordinação do setor financeiro às necessidades de crescimento econômico sob direção democrática. Essa doutrina ainda era seguida pós-1945, na era da taxação progressiva, que resultou em crescimento econômico e no maior aumento do padrão de vida do século 20. Mas a maior parte dos países reverteu essa tendência fiscal desde 1980. Os coletores de impostos “libertaram” a renda de obrigações públicas para vê-la comprometida com os bancos, que passaram a usar o crédito para sustentar os preços do mercado imobiliário.

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35 comentários

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augustinho

13 de maio de 2010 às 13h56

Gentes! uma [boa] noticia!
A provincia de Quangzhou, na china, que é a grande zona industrial da gigantesca produçao chinesa, está
com falta de mao de obra em varios setores industriais. Informaçao vinda de lá mesmo! Motivo:
fabricas no interior e apoio governamental a agricultura nos locais DE ONDE vem a maioria da
mao de obra industrial!
Todos os prazos de entrega p/exportaçao subiram bastante e ate dobraram!!
Os caras sairam de ferias no ano novo chines em Fev e naturalmente preferem ficar perto de casa mesmo.
Os salarios sobem em quangzhou e uma empresa ' rouba' empregados da outra.
Beleza.Ufa! por q parte dessa festa made in china pode perder a graça. Muito melhor é made in pernambuco,ne1

Responder

Fernando Frota.

13 de maio de 2010 às 13h16

O grande perigo é que estas figuras sub-humanas de financistas desesperados e seus solidários governos, acabam por ver uma única saída para o terrível emaranhado de irresponsabilidades em que meteram seus países: a saida da guerra. Começam com a visualização simples de que a guerra seria uma possível solução para seus mil problemas globais. Depois, consolidam-na como uma verdadeira solução, vinculando-a a diversos tipos de vantagens decorrentes e concorrentes. Em seguida convencem-se de que a guerra é inevitável e é a única solução. Partem então para um foco preciso, que seja grande o suficiente para um envolvimento global e que não seja tão grande que inviabilize a vitória.
Isto posto, começam então o trabalho de demonização do alvo, para justificar que a futura guerra seria uma "guerra justa", ao tempo em que vão arrebanhando aliados. Desqualificam os países pacíficos que se recusam a entrar na trilha da guerra e passam a acusá-los de estarem servindo, por ingenuidade idealista ou por oportunismo pragmático, ao já demonizado alvo. Em seguida passam a criar conflitos e pretextos a partir dos países vizinhos de seu alvo.
Pensam que todo este processo é recente? Pois ele está meticulosamente descrito por Montesquieu em seu livro "Grandeza e decadência dos romanos". O processo está todo lá. Mas, e se o capítulo de demonização não se mostrar eficiente? Hoje já não há o mesmo domínio de certas elites sobre o cérebro em rápido desenvolvimento da população comum. O que podemos esperar é que o povo europeu desta vez não permita que seus desesperados e arrogantes mandatários se lancem na aventura da guerra para resolver problemas que eles criaram, arrastando o povo para a fogueira do seu desatino.

Responder

@rldigital

13 de maio de 2010 às 08h57

É a luta de classes, versão século 21, quando até o presidente da FIESP entra no Partido Socialista Brasileiro. É a burguesia industrial com medo que o capital financeiro tome conta de tudo e jogue o Brasil numa situação como a da Europa.

Derrotando Serra, derrotamos os bancos. É o primeiro passo para avançar mais numa sociedade com distribuição de renda e justiça social.

Responder

Gerson

13 de maio de 2010 às 04h22

…o destino da humanidade está nas mãos de idiotas
A confusão será meu epitáfio.
http://www.youtube.com/watch?v=GAxvyvWPhiY

King Crimson

Responder

Gerson

13 de maio de 2010 às 03h53

Só resta ouvir Pink Floyd (Brain Demage e Eclipse)
http://www.youtube.com/watch?v=P04TrA2cw1k

The lunatic is in the hall
The lunatics are in my hall
The paper holds their folded faces to the floor
And everyday the paper boy brings more

….I can't think of anything to say except
I think it's marvelous! Hahaha!

Responder

Marcelo Fraga

13 de maio de 2010 às 01h20

Como essa gente consegue dormir sabendo que o contribuinte está tendo que pagar suas loucuras de sábado a noite no sistema financeiro. Tendo que pagar não só diretamente como também em serviços, já que pensam em cortar "gastos" com previdência e assistência médica. Tudo isso por causa da babaquice desses "investidores". Que absurdo, meu Deus.

Responder

Cecéu

13 de maio de 2010 às 01h17

Quando um sujeito pouco dotado de inteligência atola seu carro na lama, pensa que acelerar fortemente é o que poderá tirá-lo do atoleiro. E assim faz e os pneus se vão cada vez mais atoleiro adentro, até desaparecerem cobertos por lama de todos os lados. É isso que os neoliberais remanescentes no poder estão fazendo na Europa e nos Estados Unidos.

Responder

Milton Hayek

13 de maio de 2010 às 01h12

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/05/100512_hillarybrasil_ac.shtml

Para Hillary Clinton, carga tributária contribui para progresso do Brasil
Alessandra Corrêa
Da BBC Brasil em Washington

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta quarta-feira que "não é por acaso que o Brasil está crescendo" e citou a carga tributária como um dos fatores que contribui para os recentes progressos do país.

Em discurso na 40ª Conferência das Américas, em Washington, Hillary disse que em muitos outros países da região a relação entre a arrecadação de impostos e o PIB (Produto Interno Bruto) está entre as mais baixas do mundo, o que é "insustentável".

"Tenho conversado com meus colegas no continente e com chefes de Estado e de governo sobre a necessidade de aumentar a arrecadação dos governos. E isso é apenas outra maneira de dizer impostos", afirmou a secretária, diante de ministros e diplomatas dos países latino-americanos, dos Estados Unidos e do Canadá.

"Se olharmos para a relação entre arrecadação e PIB no Brasil, é uma das mais altas do mundo. Não é por acaso que o Brasil está crescendo e que está começando a reduzir as desigualdades em sua sociedade. E é uma sociedade grande e complexa. Mas eles estão fazendo progressos", acrescentou.

"É uma política que vem de várias décadas e que tem sido seguida com grande comprometimento e está dando certo", concluiu Hillary.

Críticas

As declarações da secretária de Estado contrastam com as críticas comumente feitas à carga tributária no Brasil, que ficou acima de 35% do PIB em 2009 – a maior na América Latina e uma das mais altas do mundo.

Há anos se discute a necessidade de uma reforma fiscal e tributária no país, a fim de reduzir a carga tributária.

O próprio representante brasileiro no encontro em Washington, o secretário-geral de Relações Exteriores, Antonio Patriota, pareceu surpreso com a declaração da secretária.

"Foi interessante ouvir a secretária Clinton dizer que uma das vantagens do sistema brasileiro é uma taxa de arrecadação muito alta na comparação com outros países", disse Patriota, em seu pronunciamento, após a secretária já ter deixado a reunião.

"Isso não é necessariamente visto como uma vantagem pelo público brasileiro. Muitos no Brasil pensam que devemos simplificar os impostos", afirmou.

Segundo Patriota, esse será um dos desafios a serem enfrentados pelo novo presidente, "quem quer que seja eleito em outubro".

Responder

Milton Hayek

13 de maio de 2010 às 00h12

A crise financeira na Grécia e na União Europeia

– Os ricos não pagarão os seus impostos, de modo que o trabalho terá de fazê-lo

por Michael Hudson [*]

Primeiro atacaram os países bálticos, mas não me importei porque não sou lituano, nem letão nem estoniano. Depois atacaram a Islândia, mas não me importei porque não sou islandês. A seguir atacaram a Grécia, também não me importei porque não sou grego. Por fim atacaram Portugal, mas então já era tarde demais para reagir.
29 de Maio, Grande Manifestação Nacional da CGTP-IN
http://resistir.info/crise/hudson_11mai10.html

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Tweets that mention Michael Hudson e a crise na Grécia: A guerra das finanças contra a indústria e o trabalho | Viomundo - O que você não vê na mídia -- Topsy.com

12 de maio de 2010 às 20h38

[…] This post was mentioned on Twitter by joao. joao said: Michael Hudson e a crise na #Grécia: A guerra das #finanças contra a indústria e o trabalho. http://ur1.ca/00i0q […]

Responder

Milton Hayek

12 de maio de 2010 às 22h53

E a arrecadação per capita de impostos,no Brasil,é baixíssima:
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/05/12
http://blogln.ning.com/forum/topics/arrecadacao-p

VEJAM ESSA TABELA:
http://spreadsheets.google.com/pub?key=twVD7153ct

12/05/2010 – 18:30
Uma discussão sobre gastos públicos

Dois textos de hoje levantam a questão do tamanho ideal de Estado. O articulista David Leonhardt, do jornal The New York Times, diz em seu texto “In Greek Debt Crisis, Some See Parallels to U.S.” que, se a população norte-americana quiser bons programas sociais de assistência à saúde, previdência, educação, infraestrutura e exército forte, terá que pagar mais impostos.

A Grécia, que gastava mais do que arrecadava, é um exemplo prático de que não é possível pagar poucos tributos e ter bons serviços públicos. “Lidar com esta desconexão [entre arrecadação e serviços] será a questão central da economia da próxima década na Europa, Japão e neste país [os EUA]”, segundo Leonhardt.

No Portal Luís Nassif, o blogueiro L Malheiro disse, no texto “A arrecadação per capita“, que a discussão sobre o tamanho do Estado é secundária. A qualidade do serviço público é diretamente proporcional ao capital nele investido, segundo Malheiro. “Exemplos desse problema são os professores que ainda perdem tempo com diários de papel ou funcionários da prefeitura que reparam buracos no asfalto de forma inadequada, com pás.”

“Poucos ou nenhum jornal faz uma defesa da redução da carga tributária através de investimentos em eficiência do Estado (em contraposição a melhora da eficiência através de “cortes”), aumento da produtividade da população e distribuição de renda, com a conseqüente distribuição de carga tributária. Parece que a única solução é a redução de alíquotas”, critica Malheiro.

Para ele, está na hora de “começar a discutir o Estado necessário e o Estado possível”.

Responder

    Junior

    13 de maio de 2010 às 10h08

    O Reino Unido arrecada o mesmo valor de impostos que o Brasil e oferece servicos de boa qualidade, a diferenca é que nao paga um valor enorme em juros de dívidas externas passadas como o Brasil vem pagando. No Reino Unido também nao se tem tanta corrupcao como vemos diariamente no Brasil, nisso estao incluidos os políticos de todos os partidos e também o povo.

Melinho

12 de maio de 2010 às 22h27

Ave Maria cheia de graça! Acabei de ler e estou todo me tremendo. Se a bola da vez é a Grécia e logo depois os Estados Unidos, será que existe algum país no mundo que possa escapar da ferocidade do capital financeiro? É este o destino da humanidade inteira?

Responder

    Milton Hayek

    13 de maio de 2010 às 00h56

    A saída,Melinho,é controlar o BACEN e evitar que essa corja se torne dona da política monetária do Brasil.Toda vez que a taxa SELIC sobe(e eles fazem terrorismo,usando a "inflação",com matérias pagas no Jornal Nacional pelo UNIBANCO,BRADESCO e ITAÚ) temos de remunerar com mais juros os parasitas financeiros que vivem de emprestar dinheiro para o governo tendo a LRF(votada no interesse deles),a mídia comprada e os famosos especialistas em contas públicas(como aquele que aparece na GLOBO,empregado do ITAÚ ou UNIBANCO-não sei) como "formadores de opinião" pra defender essE assalto aos nossos impostos.
    Esse mecanismo de apropriação dos nossos impostos(pelos rentistas e bancos) é tão vergonhoso que ele foi colocado no projeto final da Constituição depois que ele foi votado nas comissões em 1987.Veja aqui:
    http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8857

    Repare que a introdução solerte(como diz o autor) desses dispositivos, após o projeto de constituição ter sido votado nas comissões, se refere ao SERVIÇO DA DÍVIDA:
    "……..
    II – Serviço da Dívida
    Para compreender a gravidade das conseqüências da adição ilegal de dispositivos constitucionais acima descrita, há que avaliar o significado do serviço da dívida no contexto da disputa por recursos orçamentários. O dispositivo ilegal excetua o serviço da dívida das restrições ao remanejamento desses recursos, mediante a adição de texto ao inciso II do atual artigo 166 da Constituição de 1988 (alínea b). A questão das despesas com juros e amortizações da dívida pública estava no centro das preocupações que suscitaram a própria convocação da Assembléia Nacional Constituinte, em 1986".

    Depois que essa sacanagem começou a circular,tentaram apagar as provas explodindo o lugar onde ficam os documentos da Assembléia Nacional Constituinte.Isso aconteceu em 10/10/2003.Veja aqui no final desse artigo:
    http://www.cic.unb.br/~rezende/trabs/fraudeac.htm

    Essa "rapeize" é "profissa",Melinho.Nos empurraram essa excrescência de BACEN depois de 1964 e querem se tornar os donos da nossa moeda.

    Jairo_Beraldo

    13 de maio de 2010 às 21h41

    Existe melinho…o Brasil,se não for dado aos tucanos governarem!

Remindo Sauim

12 de maio de 2010 às 20h38

O mundo formado no pós-guerra vai se esvaindo, as fórmulas mágicas da exploração não estão mais funcionando. As Máquinas da Guerra custam mais caro que os despojos conquistados. O Lula é um dos profetas deste novo mundo, um líder sem estudos acadêmicos, mas com o sonho da justiça e da redenção a milhões de explorados. A mesa de negociação é o mundo, o Brasil é o exemplo.

Responder

Milton Hayek

12 de maio de 2010 às 18h19

Kennedy denuncia as sociedades secretas
http://www.youtube.com/watch?v=OB6klulKffE

Responder

Milton Hayek

12 de maio de 2010 às 18h02

É só baixar os filmes e entender:
http://docverdade.blogspot.com/search/label/Dinhe

Money as Debt (2006)

The Money Masters – Os Mestres do Dinheiro(1996)-Com assessoria do Von Mises Institute,tão admirado pelos neoliberais oligárquicos do DEM/PSDB

Zeitgeist II – Addendum (2008)

Memórias do Saque – Memoria del saqueo (2003)

ULTIMO DISCURSO DE JFK ANTES DO SEU ASSASSINATO. http://www.youtube.com/watch?v=-FydoWXIG_c

Money – A Brief History Of The American Dollar – Part 1 of 2 http://www.youtube.com/watch?v=1FiaUpeJxcA

ESSE AQUI É EXCELENTE:

A Ilha dos Náufragos:Uma fábula para entender o dinheiro.
Criada em 1939 por Louis Even
http://www.ecocidio.com.br/a-ilha-dos-naufragos/

Responder

Hans Bintje

12 de maio de 2010 às 17h16

Meus respeitos, broer Azenha. Publicar textos de economia escritos por Michael Hudson é coisa incomum na blogosfera brasileira.

Esses textos resistem ao que eu chamo de WYSIWYG (sigla em inglês de "What You See Is What You Get" – o que você vê é o que você obtém) do jornalismo. Se você for visitar pessoalmente a Grécia ou qualquer outro país citado, é essa mesma a situação que você vai encontrar em cada um deles.

É difícil encontrar isso na imprensa brasileira, muito menos no "universo paralelo" criado pela Plural Imprensa Gloriosa (PIG do Hariovaldo).

Na verdade, nem sequer é preciso ser "modernoso e antenado". Basta lembrar Montaigne (1533-1592):

"Ele não escreve um 'Tratado' ou uns 'Princípios', não é detentor da verdade, não persegue certezas, põe em causa as verdades do seu tempo e o conhecimento como algo absoluto: é cético. Mas cético não é negar, é duvidar. A dúvida de Montaigne não persegue refutar nenhuma tese anterior a ele, senão criticar o fácil dogmatismo que afeta a todos os aspectos da cultura (ciência, filosofia, política e religião) e as consequências que nos conduz – e das que ele é testemunha na Europa do seu tempo – como o fanatismo e a guerra." (http://pt.wikilingue.com/gl/Michel_de_Montaigne )

Responder

trombeta

12 de maio de 2010 às 17h11

Solução mais simples seria prender os banqueiros por crime de extorsão, estatizar seus bancos e colocá-los a serviço do financiamento da produção ou usar uma forte tributação de seus ganhos e formar um fundo para consertar o caos que eles causam aos países e às sociedades.

A propósito, ninguém se deu conta mas o pacote legal em gestação no governo Obama vai com tudo pra cima dos bancos, espero que concretize pois é preciso pôr freios nessa gente antes que eles tornem inviável a vida na terra.

Responder

    Jairo_Beraldo

    13 de maio de 2010 às 21h41

    É o caminho.Simples assim!

Leider_Lincoln

12 de maio de 2010 às 16h36

A função do governo agora é arrecadar impostos de todos para dá-los aos banqueiros? É este o programa do Serra, não é mesmo?

Responder

    Milton Hayek

    12 de maio de 2010 às 17h00

    É isso aí,Leider.Nós SIFU e eles se dão bem.Esse é o "choque de capitalismo" tungano,quero dizer,tucano.

    Jairo_Beraldo

    13 de maio de 2010 às 21h41

    Essa proposta está na pauta do PSDB, mas a mais que mais estão para fazer é "vender" o resto do espólio Brasileiro.

Daniel Campos

12 de maio de 2010 às 16h35

E onde isso irá parar?

Vamos supor que os banqueiros consigam satisfazer todas as suas vontades. O que acontece?

Todo o dinheiro DO MUNDO irá parar nas mãos de provavelmente meia dúzia de banqueiros-chave. O comércio deixará de existir (pelo menos como o conhecemos) porquê ninguém terá como comprar nada.

Sem compradores, a indústria pára porquê não têm mais para quem vender. (as compras dos banqueiros não sustentariam nem meia dúzia de empresas).

Sem indústrias, sem empregos. E sem empregos, sem consumidores. Sem consumidores, sem indústrias. Um círculo vicioso.

Os banqueiros são a versão moderna da praga bíblica dos gafanhotos do Egito, e deveriam ser tratados como tal antes que seja tarde demais.

Responder

    Miriam Lopes

    13 de maio de 2010 às 01h18

    Termina assim como terminou o Império Romano que foi sendo destruído pouco a pouco (caiu em um círculo vicioso) devido a suas elites (patrícios e senadores) ganânciosas e arrogantes que usavam o estado Romano para obterem cada vez mais poder e riqueza. Pensavam que poderiam prescindir do estado pois apesar do estado ser a sua maior fonte de riqueza ainda assim eles o consideravam um empecilho a sua cobiça sem limite, achavam que poderiam mais e melhor sem o estado para atrapalhar. Pois, então já naquela época eles queriam um estado mínimo e foram degradando e destruindo o estado romano com todas as consequências que todos conhecemos. A queda do Império Romano foi o fim de um mundo, mas isso só foi percebido pela posteridade, pois os que viviam na época não estavam cientes do que lhes acontecia, então, quando a Idade Média já ia adiantada muitos ainda pensavam que eram cidadãos romanos e que falavam latim, quando há muito tempo já não acontecia nem uma coisa nem outra. Será que o mesmo não está acontecendo connosco agora? Será que tudo isso que está acontecendo não está indicando o fim de uma era, de um mundo, ou de uma visão de mundo?

    Jairo_Beraldo

    13 de maio de 2010 às 21h42

    Bela interpretação…vi que leu bem atentamente a pauta de governo tucano!

francisco.latorre

12 de maio de 2010 às 16h15

quarto reich. ou quinto.

vem aí.

..

Responder

Maria Dirce

12 de maio de 2010 às 15h51

é muito dinheiro que esses bancos ganham.será que o Brasil com o povo entrando nessa de empréstimos"fáceis" casas carros etc,,,não pode entrar nessa?forma um bolha de individados?

Responder

    Jairo_Beraldo

    13 de maio de 2010 às 21h42

    Entrará, se os banqueiros forem imbecis, e ajudarem a eleger tucanos, criando assim um desemprego em massa. Tendo emprego, há dinheiro,tendo dinheiro não haverá inadimplencia, pois foram os pobres que entraram para salvar o país da bancarrota, e há pouca chance de haver malandros nesta classe.

Polasky

12 de maio de 2010 às 15h10

Latvia = Lituânia ?

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    12 de maio de 2010 às 16h24

    Latvia=Letônia. Obrigado pela dica. Já corrigimos. abs

    Leider_Lincoln

    12 de maio de 2010 às 16h32

    Lituânia é Lietuva. Aprendi vendo o europeu de basquete…

Milton Hayek

12 de maio de 2010 às 14h49

http://resistir.info/crise/geab_44.html

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O velho GEAB sempre vai na mosca.

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A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.