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Mayana Zatz: “Crueldade ímpar impedir interrupção de gravidez”


12/04/2012 - 12h45

por Conceição Lemes

O tubo neural é a estrutura embrionária que dá origem ao cérebro e à medula espinhal. Defeitos no seu fechamento podem comprometer o desenvolvimento do feto. A anencefalia é a doença mais grave. O feto não tem cérebro.

“É uma doença multifatorial”, explica a geneticista, professora e pesquisadora  Mayana Zatz,  coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP.  “Não sabemos exatamente a causa. O que sabemos é que a anencefalia é resultado da interação de vários genes com o ambiente.”

Ou seja, tem um componente genético –  o que os cientistas chamam de genes de predisposição — e algum fator ambiental deve fazer com que ela se manifeste.

“Não existe consenso de quando começa a vida, mas existe consenso de que ela termina quando cessa a atividade cerebral. Tanto que se desligam os aparelhos, muitos familiares doam os órgãos e todo mundo aplaude o gesto de solidariedade”, observa Mayana. “No caso da anencefalia, não existe nem início da atividade cerebral.”

“De forma que não considero aborto a interrupção da gravidez em caso de feto anencéfalo, porque é uma morte certa”, prossegue Mayana. “Então, interromper uma gestação numa situação como essa é simplesmente não prorrogar o sofrimento.”

No seu entender, é uma questão tão óbvia que não deveria nem entrar em votação na altura dos acontecimentos. Antigamente, não havia possibilidade de se saber no começo da gestação que o feto tinha anencefalia. Hoje, o diagnóstico já é feito  no terceiro mês.

“ Você vai deixar  passar nove meses para dizer a essa mulher, em vez de comprar um enxoval de bebê, comprar um caixão?”, questiona Mayana. “É uma crueldade ímpar impedir que ela interrompa essa gestação, sabendo desde os três meses que vai enterrar aquele feto.”

Além disso, é uma gravidez complicada. Como o feto não absorve direito o líquido amniótico, ele aumenta no espaço uterino, dando distensão de útero. O parto também é mais difícil, porque o feto não reage normalmente. A mulher produz leite, tem de secá-lo.

“É um perde-perde”, avalia Mayana. “Antigamente existia a expectativa de que  fosse possível doar os órgãos do feto com anencefalia. Hoje, a gente sabe que não servem nem para transplante, pois são órgãos malformados — funcionalmente e anatomicamente.”

“Por tudo isso, se mulher quer levar adiante a gravidez de feto anencéfalo, tudo bem. É um direito dela”, enfatiza Mayana. “Mas não se pode obrigar a manter essa gestação a mulher que não quiser.  Defendo não só que o STF libere a interrupção de gravidez em caso de anencefalia, mas também que o Estado dê a todas condições adequadas para isso ocorrer.”

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106 comentários

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Para prevenir anencefalia, ácido fólico nas gestantes - Geyer

28 de março de 2018 às 16h47

[…] uma doença multifatorial. Os cientistas não sabem exatamente a causa. O que sabem é que resulta da interação de componente… Em outras palavras: existem alguns genes que predispõem à doença e algum fator ambiental faz […]

Responder

» Ácido fólico previne a anencefalia O Primeiro Abraço

17 de abril de 2012 às 17h26

[…] uma doença multifatorial. Os cientistas não sabem exatamente a causa. O que sabem é que resulta da interação de componente… Em outras palavras: existem alguns genes que predispõem à doença e algum fator ambiental faz […]

Responder

Professor Mílton: Contra anencefalia, ácido fólico na gestantes | Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de abril de 2012 às 17h12

[…] uma doença multifatorial. Os cientistas não sabem exatamente a causa. O que sabem é que resulta da interação de componente… Em outras palavras: existem alguns genes que predispõem à doença e algum fator ambiental faz com […]

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virginia langley

14 de abril de 2012 às 08h33

a manifestação de muitos comentaristas aqui mostra que cérebro não faz a menor falta nessa terra de santa cruz….neguinho pode trabalhar, comprar computador e entrar na grande rede sem nenhum problema..em nossa terra cérebro é estorvo.

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renato

14 de abril de 2012 às 01h33

Mulheres até agora – 11 opiniões
Homens até agora – 77 opiniões, inclusive as minhas.
Tem alguma coisa certa neste número? Parece que estamos discutindo futebol.
Vou parar por aqui e convidar minha mulher para dar uma volta na cidade.

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Mário SF Alves

13 de abril de 2012 às 16h46

Essa polêmica toda em torno da anencefalia é, sem dúvida, bastante emblemática. É mais uma prova inconteste de quanto o Estado preocupa-se com o bem-estar moral dos indivíduos. O caso do fumante, por exemplo, é sui generis. O cara pega o próprio dinheiro e "meio que às escondidas" vai à banca mais próxima e compra um maço do inominável. E o que acontece? Leva de brinde – a cada compra- um mundo de aterrorizações sobre o mal que lhe pode acometer em razão do malfazejo hábito. E mais, para o infeliz que detém o vício, não há cristão que acuda. A todo e qualquer momento pode o infeliz ser vítima dos mais abjetos olhares e gestos de desaprovação e discriminação. Nem o cocainômano sofre tamanha discriminação. Mas, não nos iludamos, é tudo por obra e graça da ação do sacro-Estado e sempre na mais legítima defesa do progresso, felicidade e saúde do povo. E… curioso há nada mais que duas décadas era o tabagismo visto como demonstração de glamour; tanto é que nem a Coca-Cola tinha propagandas tão notáveis quanto as da Souza Cruz e seu famoso Hollywood.

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Gerson Carneiro

13 de abril de 2012 às 11h45

"E Deus criou o homem à sua imagem e semelhança"

E Deus não tem cérebro, CNBB ?

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    renato

    14 de abril de 2012 às 01h27

    Vírus do ebola não tem cérebro, no entanto…..
    Virus da AIDS não tem cérebro no entanto…
    Meu vizinho tem cérebro, mas esta em coma a cinco anos e tem cérebro, no entanto…
    Todos temos cérebros, no entanto…

    Miguel Matos

    14 de abril de 2012 às 13h27

    Só é semelhante a Deus quem nasce "perfeito"? Deus tem síndrome de Down?

Ramalho

13 de abril de 2012 às 11h27

Feto anencéfalo NÃO tem atividade cerebral. Qualquer um que não a tenha é considerado morto (ver o voto do ministro Celso de Melo) mesmo que o coração bata e respire. Por conseguinte, FETO ANENCÉFALO NÃO É PESSOA VIVA.

A interrupção de gravidez de feto anencéfalo não é aborto no sentido penal, pois o feto está morto no útero materno antes do procedimento. É análogo à retirada da placenta.

Quem fala em morte por aborto de feto anencéfalo, como o ministro Cézar Peluso, considerando que feto anencéfalo está vivo no útero, erra, pois está na contra-mão das principais correntes científicas que versam sobre o tema.

Interrupção de gravidez de feto anencéfalo não é aborto (no sentido penal), como reconheceram 9 dos 10 ministros que votaram (Lewandowski fugiu da questão, escondendo-se atrás de falsas tecnicalidades, sem ter tido coragem de questionar a tese da ação e julgá-la no mérito).

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Cezar

13 de abril de 2012 às 10h35

Por quê tanta celeuma sobre o anencéfalo? Se uma vida viável, porém proveniente de estupro, pode ser iterrompida, qual a razão de se discutir onde nem vida há? Parem de bobagens! E outra, não quer dizer que todas as mulheres optarão pela interrupção.

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    Mário SF Alves

    14 de abril de 2012 às 19h33

    Cara, a ideologia dominante é um monstro, cara. Seja religiosa, política ou econömica. É a maior de todas as armas. Produziu e produz Hitlers; produziu e pruduz Somálias; produziu e pode voltar a produzir milhoes de fogueiras (vide Idade Média). E produz a cada dia esses paradoxos aí, como você acabou de informar.

alceu

13 de abril de 2012 às 10h28

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

(Gilberto Gil)

Responder

alceu

13 de abril de 2012 às 10h25

Apos o sim do STF sobre a interrupção de mães geradoras de fetos com anencefalia, caso queira ela, o que se espera agora das igrejas e de seus pares é que cuide dos seus rebanhos para orienta-los quando uma das suas fieis seja diagnosticada com anomalia fetal e diante desse quadro, o clero e seus apóstolos não satanize essa mulher porque essa optou pela interrupção de uma gravidez mortuária. – Se isso acontecer mulher, ligue não, afinal, eles não sabem o que falam!

Responder

Rasec

13 de abril de 2012 às 10h17

Caraca! Nunca pensei que as trevas ainda cegasse a visão de tantos machos! Se os machos engravidassem seriam favoráveis a que a pessoa grávida decidisse o futuro de seu feto. Serra sabia onde estava mexendo quando acusou Dilma de ser favorável ao aborto! Mas depois descobrimos todos a hipocrisia: sua mulher já o tinha praticado!
A decisão do STF acende uma luz no túnel da Idade Média que ainda persiste!
Tô chocado com alguns pronunciamentos aqui!

Responder

Pedro

13 de abril de 2012 às 10h03

Penso que não é o caso de se surpreender com a posição da igreja católica no referido caso. Alguém pensa mesmo que para a igreja é importante que um católico tenha cerébro?

Responder

Marco

13 de abril de 2012 às 09h05

Cientistas sempre quererndo explicar aquilo que eles mesmos não acreditam. Querem é brincar de Deus, obviamente para que acredita em Deus.

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C. Roberto

13 de abril de 2012 às 08h41

Discurso sem sentido esse aqui sobre estado laico e ateu; eu sou ateu e pouco estou me lixando para quem tenha qualquer tipo de religião. Só não quero pagar impostos para financiar masoquistas (esse é o termo mesmo) que vão carregar na barriga filhos que nascerão mortos, quando o ISS tem outras parturientes com filhos sadios que precisam ser mais bem cuidadas. Religião virou negócio, e continuará assim, enquanto existirem acéfalos (vivos) que a financiem e que sigam cegamente suas idéias doutrinárias!…

Responder

    Miguel Matos

    14 de abril de 2012 às 14h04

    Mas quem é contra o aborto deve pagar impostos para financiá-lo?

Otto

13 de abril de 2012 às 06h48

Xiiii!! Agora a cantora Elba Ramalho vai ter que procurar outro assunto para permanecer em evidência…

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_Rorschach_

13 de abril de 2012 às 00h53

Essa história do feto anencéfalo é um absurdo tão grande, mas tão grande, que nem deveria estar sendo discutido em pleno século 21.

Mas isso mostra como nossa política é podre e nosos ilustres Congressistas se preocupam conosco.

Sabe o que chateia?

Que tenha que chegar ao ponto de o STF legislar negativamente, porque nossos políticos não querem tocar em assutos que "tiram voto".

Vejam só: não poderia o Congresso ter alterado nosso Código Penal na parte do estupro?

E o casamento gay? Teve que o STF dar o direito porque os parlamentares não tiveram coragem.

Parabéns ao STF e nota zero ao nosso Congresso, que já podia ter resolvido isso há muito tempo.

Responder

Fabio_Passos

12 de abril de 2012 às 23h42

Não é fácil conquistar avanços sociais.
Mesmo em casos como este… em que é tão evidente a vilania dos perseguidores das mulheres.

Responder

    JOSE DANTAS

    13 de abril de 2012 às 06h53

    Perseguidor de mulher a troco do que? Todo mundo tem mãe, filha, irmã e pelo menos onde existe uma coisa chamada família, o fato de ser homem ou mulher me parece cada vez menos relevante.

    Fabio_Passos

    13 de abril de 2012 às 14h06

    Perseguem as mulheres achando, sabe-se lá porque razão, que tem o direito de determinar o que elas podem ou não fazer com seus próprios corpos.

    JOSE DANTAS

    13 de abril de 2012 às 15h56

    Isso não é perseguição, é paranóia de quem anda pela cabeça dos outros como piolho. A Igreja tem um posicionamento sobre o aborto, como cada um tem o seu. Daí a achar que essa atitude tem como objetivo perseguir mulheres, que são justamente o maior público dentro dos templos católicos, tem uma enorme distância. A Igreja Católica é tão incompetente em matéria de política que nem uma bancada própria tem no congresso, como os evangélicos e esse negócio do Papa mandar na Dilma é querer fazer o povo brasileiro de anencéfalo, ou no mínimo de bobo.

    Fabio_Passos

    13 de abril de 2012 às 16h55

    Evidente que é perseguição.
    Estes fundamentalistas ainda consideram as mulheres como reprodutoras sem direito sobre o próprio corpo. É por isso que tentam arbitrar o que elas podem ou não fazer.

    Repugnante.

    Miguel Matos

    14 de abril de 2012 às 13h45

    Sempre o mantra do "fundamentalismo". As/os abortistas precisam desesperadamente acreditar e fazer os outros acreditarem que quem é contra o aborto é teleguiado pelo Papa ou por alguma outra igreja qualquer. É a mesma tática usada pelo movimento pró-aborto nos Estados Unidos e denunciada pelo Dr. Bernard Nathanson: http://www.endireitar.org/site/artigos/aborto/74-…
    "Uma das táticas mais eficazes que utilizamos naquela época foi o que chamamos de "etiqueta católica". Isso é importante para vocês, porque seu país é majoritariamente católico.
    Em 1966 a guerra do Vietnam não era muito aceita pela população. A Igreja Católica a aprovava nos Estados Unidos. Então escolhemos como vítima a Igreja Católica e tratamos de relacioná-la com outros movimentos reacionários, inclusive no movimento anti-abortista. Sabíamos que não era bem assim mas com esses enganos pusemos todos os jovens e as Igrejas Protestantes, que sempre olhavam com receio a Igreja Católica, contra ela. Conseguimos inculcar a idéia nas pessoas de que a Igreja Católica era a culpada da não aprovação da lei do aborto. Como era importante não criar antagonismos entre os próprios americanos de distintas crenças, isolamos a hierarquia, bispos e cardeais como os "maus". Essa tática foi tão eficaz que, ainda hoje, se emprega em outros países. Aos católicos que se opunham ao aborto se lhes acusava de estar enfeitiçados pela hierarquia e os que o aceitavam se lhes considerava como modernos, progressistas, liberais e mais esclarecidos. POSSO ASSEGURAR-LHES QUE O PROBLEMA DO ABORTO NÃO É UM PROBLEMA DO TIPO CONFESSIONAL. EU NÃO PERTENÇO A NENHUMA RELIGIÃO E EM COMPENSAÇÃO ESTOU LHES FALANDO CONTRA O ABORTO." (grifo meu).

Wellington PN

12 de abril de 2012 às 22h53

Antes de mais nada devemos ter nossos olhos voltados para como tal assunto está sendo tratado, é perceptível que partidos e os próprios políticos estão polemizando, promovendo o sensacionalismo para na verdade expor uma opinião que irá o enaltecer como pessoa de bem como cidadão, eles encima disso estão fazendo discursos moralistas, pronunciamentos hipócritas somente para serem visto perante o povo, como cidadãos íntegros e de bom, algo que em grande maioria é mentira.
Com questão ao aborto dos bebês que possuem essa anomalia, creio que não cabe a nenhum governo, a nenhum órgão ou instituição pública decidir, ordenar quais serão as medidas tomadas pela família, afinal, quem ficará com a criança serão os pais, não o governo, que gerará a criança será a mãe, e mais ninguém, o que deveria ser aprovado era a liberdade dos pais para tomar a decisão que eles acham mais cabível. Não simplesmente demarcar, que um determinado caso pode, ou que outro não.

Responder

olhos de lince

12 de abril de 2012 às 22h47

As pessoas que continuam fazendo as suas interpretações sob a ótica da fé que professam, não possuem cérebro (são anencéfalas)para separar suas crenças da realidade.Pessoas assim não conseguem perceber as coisas de forma racional e refletir sobre as consequências e traumas que alguém adiquire quando passa por situações psíquicas extremas, sob o risco de atentar contra a própria vida.Os fariseus pregam tudo em nome de Deus, e jogam pedras nos que buscam se libertar das amarras do obscurantismo,da penumbra do período das trevas,da inquisição e promovem a verdadeira caça às bruxas.
Sou a favor da descriminalização do aborto de forma ampla e irrestrita,porque cada ser humano deve ter respeitado o seu livre arbítrio.Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil………………..

Responder

    Renato

    13 de abril de 2012 às 13h08

    olhos de lince, então para dar a mulher ou uma outra pessoa o direito de escolha sobre o corpo,vamos permitir Assassinatos Dolosos, quadruplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e sem chance de defesa a vítima e de incapaz? Desculpe, mas para mim acima o direito de escolha sobre o seu corpo está o direito a vida de outra pessoa. E qualquer ato que fere esse direito eu sou contra. Um dia você esteve no utero de uma mulher, imagina como seria o mundo sem a tua presença, pois poderia ser com você.

    Mário SF Alves

    13 de abril de 2012 às 16h00

    É isso, olhos de lince, pode verificar, sempre incluem o imponderável na análise do sistema. Aí, já viu né, quem vai poder demonstrar o contrário? E a coisa funciona assim, desde que Roma é Roma. Imagine um sistema qualquer onde uma variável preponderante seja adimensional. Um carro, por exemplo, pense numa situação onde uma das peças, o motor, talvez, fosse produzido por um ET. Como e quando você iria poder diagnosticar um defeito nesse carro? Em resumo é isso, cara.
    Fico imaginando, o caso da anencefalia; podem simplesmente alegar que gerar um feto nessas condições seja a mais pura e irretorquível vontade de deus, e que mesmo em se admitindo o sofrimento da mãe, algum proveito moral – e por que não dizer quase-divino – seria alcançado. Então, aí, né… fazer o quê? Durma-se com um barulho desses.

    MarioSFAlves

    13 de abril de 2012 às 21h14

    É isso, olhos de lince, pode verificar, sempre incluem o imponderável na análise do sistema. Aí, já viu né, quem vai poder demonstrar o contrário? E o que é mais grave, a coisa funciona assim, desde que Roma é Roma. Imagine um sistema qualquer onde uma variável preponderante seja adimensional. Um carro, por exemplo, pense numa situação onde uma das peças, o motor, talvez, fosse produzido por um ET. Como e quando você iria poder diagnosticar um defeito no motor desse carro? Em resumo é isso, cara.
    Fico imaginando a questão da anencefalia; podem simplesmente alegar que "gerar um feto" nessas condições seja a mais pura e irretorquível vontade de deus, e que mesmo em se admitindo o sofrimento da mãe, algum proveito moral – e por que não dizer quase-divino – seria alcançado. Então, aí, né não… fazer o quê? Durma-se com um barulho desses.

mac

12 de abril de 2012 às 22h29

Reinaldo Azevedo é a prova que o homem pode viver sem cérebro ! Milagre de Deus !!!

Responder

FrancoAtirador

12 de abril de 2012 às 20h57

.
.
Bastante esclarecedora a matéria JORNALÍSTICA.

Precisa, objetiva e interessantemente didática.

Que possa trazer luz às trevas da ignorância

e consiga, por "milagre", reativar a atividade cerebral

de alguns desses fetrolls anencéfalos funcionais.
.
.

Responder

willforlife

12 de abril de 2012 às 20h19

é triste optar por descartar um ser semelhante, que surge já doente. nada pode-se fazer.
fico feliz por ser opcional, e não obrigatório. só espero que não tenha gente malandra alegando mentiras, para cometer o aborto deliberadamente.

Responder

Messias Macedo

12 de abril de 2012 às 19h57

… Somente os anencéfalos são contrários à interrupção da gravidez nos casos de feto acometido de anencefalia! É lastimável que uma prerrogativa tão elementar necessite julgamento pelo STF – o mínimo de racionalidade mediana e bom senso são suficientes para determinar o veredicto…

República de 'Nois' Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

    olhos de lince

    12 de abril de 2012 às 22h52

    Muito boa a sua colocação,pois os desprovidos de massa cefálica,fariseus hipócritas tudo declaram em nome de Deus, e não assumem os seus atos de preconceito e discriminação ao ignorarem os direitos humanos .

    Messias Macedo

    13 de abril de 2012 às 02h21

    Concordo com você, olhos de lince, urge sempre a necessidade de tremular uma bandeira, defesa de uma causa [ainda que estúpida], ou, simplesmente, a contestação irracional do inteligível… Eis a postura/atitude dos sectários, fundamentalistas, refratários ao aperfeiçoamento intelectual, moral e espiritual…
    ["O Sol gira ao redor da Terra!" (sic )]

    República Destes Bananas
    Bahia, Feira de Santana
    Messias Franca de Macedo

    Felicidades!

    Mário SF Alves

    14 de abril de 2012 às 19h03

    É! Galileu Galilei que o diga: "pelo visto o Sol continua girando em torna do centro do Universo, a Terra"

Joao Paulo Chalub

12 de abril de 2012 às 19h41

Porque absolutamente pertinente, indico aqui o fascinante e didático post da amiga Deborah Leão em seu blog: http://arealidadeelouca.wordpress.com/2012/04/11/…

Responder

Vírus Planetário – Mulheres saúdam vitória do Estado laico e da cidadania

12 de abril de 2012 às 18h55

[…] Mayana Zatz: “Crueldade ímpar impedir interrupção de gravidez de fetos sem cérebro” […]

Responder

renato

12 de abril de 2012 às 18h29

Não sei o que dizer.
Acho que teria capacidade de dizer se fosse um filho meu, ou seja, ter a possibilidade de discutir com minha mulher o que ela pensaria a respeito de nós termos um filho comprovadamente com problemas. Mas é uma dor inimaginável passar pela sua cabeça a possibilidade de você decidir sobre a vida ou morte de seu filho, as vezes construído lá atras, quando você era solteiro e imaginava sua amada e por consequência sua família.
Que o senhor da coisas, ilumine os magistrados.

Responder

    Alexei_Alves

    12 de abril de 2012 às 22h24

    O anencéfalo já está clinicamente morto.
    Morte cerebral.
    Os pais não estão decidindo sobre a vida ou a morte de um feto

Ramalho

12 de abril de 2012 às 17h54

O Supremo, neste caso, está de parabéns: começou a libertar a mulher da prisão reprodutiva. A descriminalização da interrupção da gravidez de anencéfalo já está aprovada (neste momento, 7 x 1).

Parabéns ao Supremo, mas, também e principalmente, às mulheres.

Responder

Roberto Leão

12 de abril de 2012 às 17h02

O tempo encaminhará de reverter esse erro humano.
Um dia todos entenderão os motivos e a importância do nascimento dessas crianças.
Que muitas famílias prossigam a gravidez e gerem seus filhos com muito amor, como o caso da Vitória de Cristo.

Responder

    Daniel Campos

    13 de abril de 2012 às 09h37

    Desculpe-me, mas simplesmente não consigo considerar uma pessoa que jamais poderá ter uma vida de verdade como uma "vitória"…

    Roberto Leão

    13 de abril de 2012 às 10h49

    Vida de verdade? Claro que está tendo uma vida de verdade. Ela está tendo a vida que ela precisa e com o tempo que precisa. Está sendo muito amada e trocando muito amor com sua família.
    A maior vitória está aí. Contrariou todos os laudos médicos. Além disso, prova que os médicos ainda tem muito o que aprender.
    De qualquer modo entendo seu ponto de vista. Como disse: "Um dia todos entenderão os motivos e a importância do nascimento dessas crianças".
    Um grande abraço.

    Julia dig

    13 de abril de 2012 às 14h34

    1. Desculpe intorromper, mas a Bebê Vitória não tinha na verdade anencefalia, foi diagnosticada com actânia, que é diferente. A luz da ciência, por enquanto, o conceito anencefalia, significa SEM o encéfálo, que é aquele que define a "morte", juridicamente e biologicamente teconhecida. Portanto, imputar tanto à Vitoria, quanto a família que a quis, como um bebê sem vida é tão cruel como obrigar por força de lei uma mulher a gestar e parir um feto anencéfalo, que hoje, já não é mais obrigada a isto, graças a belíssima decisão do STF. Temos que ter cuidado em ciência e conceitos para não condenar as mães que tiveram filhos com graves mal-formações no cérebro, PORÉM com encéfalo, e não discriminar esta criança e todas as outras que não são consideradas "sãs", porque senão, o medievalismo aparece aqui também, pois outrora, bebês surdos, ou cegos, ou quaisquer outras "deficiências" eram considerados "não gente" e confinados. (continua)

    Julia dig

    13 de abril de 2012 às 14h36

    ( Continuação)
    2. Não podemos confundir as coisas. Nem crucificar as mulheres. Temos que ter respeito por elas, tanto as que querem dar a luz ao filho, quanto as que não querem. Isto sim é laicidade, democracia e liberdade de decisão e escolha. Respeitem pois, Vitória e seus pais. Se ela está viva, ela não é anencéfala – dentro da definição do conceito – mesmo que alguns médicos tenham errado o diagnóstico inicial, e isto, incorreção de diagnóstico, pode acontecer.
    Bela decisão judicial. Claríssimo o voto do relator, brilhante o voto do queridíssimo Ayres Brito.

    Julia dig

    13 de abril de 2012 às 14h50

    Ah! só para lembrar: Palavras de Mayana Zatz: (grifos meus) – uma das melhores geneticistas brasileiras.

    " A anencefalia é a doença mais grave. O feto NÃO TEM CÉREBRO."

    “No caso da anencefalia, NÃO EXISTE NEM INÍCIO da atividade cerebral.”

    Julia dig

    13 de abril de 2012 às 14h53

    Julia dig

    13 de abril de 2012 às 23h47

    errata:

    " 1. Desculpe intorromper, mas a Bebê Vitória não tinha na verdade anencefalia, foi diagnosticada com ACRÂNIA, que é diferente."

    Miguel Matos

    14 de abril de 2012 às 13h28

    O que tu chamas de "vida de verdade"?

augusto2

12 de abril de 2012 às 16h56

E Se voce, conceiçao, fica na posiçao de uma fiel evangelica por suposiçao.
Como voce resolve isso minha querida?
Convencendo teu pastor das vantagens do estado laico?

Responder

Antonio

12 de abril de 2012 às 16h24

Tudo bem que as fiéis decidam passar meses sofrendo, se martirizando para expiar seus pecados, carregando um feto anencéfalo. Só não acho justo o SUS financiar os gastos. Quem tem que pagar os custos desse ritual masoquista são as igrejas que incentivam a prática.

Responder

    Miguel Matos

    12 de abril de 2012 às 17h05

    Teu ponto de vista é contraditório. Quer dizer que não é justo o SUS arcar com os custos da gravidez levada até o final por opção da mãe, mas seria justo o SUS arcar com os custos do aborto?
    Miguel Araujo de Matos

    Maria Quiné

    13 de abril de 2012 às 02h16

    Muito bom, Miguel.
    Acrescento, porém, se É justo o SUS arcar com doenças provocadas por sexo livre, drogas, acidentes por embriaguês ou mototaxistas atrevidos, agreções físicas… todos esses sofrem por escolha própria, o "bebê" não.
    Estou sensibilizada pela aprovação por conhecer um menino que amanhã 14/04 completará um ano e a um mês foi submetido a uma cirurgia para melhorar a defesa do muitíssimo pequeno cérebro dele. O médico aconselhou a interrupção da gravidez pelo amparo da justiça.
    Ele está reagindo muitíssimo bem e a família sabe das limitações dele e aceita com carinho o desafio que virá. Sabe como se chama o bebezinho? ……Gabriel. Nome de anjo, como o seu.
    Que os anjos continuem protegendo nossos "fiotinhos indefesos" .Amém!

    Alexei_Alves

    13 de abril de 2012 às 11h21

    Tecnicamente, o Gabriel está com morte cerebral.

    Roberto Leão

    12 de abril de 2012 às 17h31

    Complicado hein?
    Primeiro defende um Estado Laico. Agora quer impor suas idéias? E ainda um pensamento tão absurdo?
    O STF decidiu que a decisão da mãe deve prevalecer e ser totalmente respeitada.

    marcio_cr

    12 de abril de 2012 às 17h58

    Foi o que falei em outro artigo aqui no Viomundo. Estão confundindo estado laico com estado ateu.

    Thiago_Leal

    12 de abril de 2012 às 21h20

    E Estado laico e ateu não são a mesma coisa? Não devem ser a mesma coisa, por acaso? Se você tem uma crença, você a tem na condição de indivíduo. E para que essa sua condição individual seja respeitada, é necessário que o Estado seja laico, ou ateu, como queira. Religião só é atributo de Estado quando existe teocracia.

    claudia

    12 de abril de 2012 às 23h17

    Não, Estado Laico pressupõe a separação entre Estado e Igreja Estado Ateu pressupõe o repúdio à crenças religiosas, a negação da existência de um Deus, há diferenças principalmente no fato de no primeiro ser não só licito como saudável a participação de grupos religiosos atraves de seus representantes eleitos pleitear o respeito a seus valores pelo Estado, respeitados é claro os limites constitucionais. Só pra constar por conta do preâmbulo de nossa CF e a intelecção do art. 19 I da mesma nosso Estado apesar de Laico é tbm Teísta.

    Dani

    13 de abril de 2012 às 00h08

    O Brasil não é um estado confessional. É laico. Talbém não é um EStado ateu. Estado ateu é Estado confissional, como Cuba, que tem o ateísmo como dogma de Estado.

    Um estado confessional é aquele no qual há uma religião (por vezes também citada como religião de Estado) oficialmente reconhecida pelo estado, o que não deve ser confundido com uma teocracia. Estados que não possuem religião oficial são denominados Estados laicos. Na atualidade existem poucos Estados realmente confessionais no planeta, sendo exceções notáveis os países do mundo islâmico.

    JOSE DANTAS

    13 de abril de 2012 às 06h35

    Considerei acertada a decisão do STF. Agora, quando a cientista diz "Não sabemos exatamente a causa" ela expõe o tamanho da ignorância da humanidade a respeito da própria vida, que está dentro de cada um de nós e sobre a qual não exercemos nenhum controle. Como é que vamos discutir a existência ou não de Deus e a Fé das pessoas, se não conseguimos explicar coisas desse tipo? Como é que se defende um estado laico sem saber do que se trata, confundindo com qualquer coisa que satisfaça o próprio ego?
    Parabéns a Claudia e Dani pelos oportunos esclarecimentos.

    andre i souza

    12 de abril de 2012 às 17h56

    Crente e ateu pagam impostos. Qualquer que seja a decisão da mulher, ela tem todo o direito de ser assistida pelo SUS; Assim como o governo tem a obrigação de ampará-la.

    Emilio Matos

    13 de abril de 2012 às 11h24

    Pelo mesmo raciocínio, o SUS não deveria atender pessoas fumantes com doenças pulmonares, não deveria atender alcoólatras com cirrose, não deveria atender acidentados por imprudência, a lista é infinita.

    As pessoas têm o direito de ser tontas, todo mundo é tonto.

João

12 de abril de 2012 às 16h20

Começamos a sair da idade média.

Responder

    marcio_cr

    12 de abril de 2012 às 18h02

    E voltar aos horrores da antiga. Onde jogavam os filhos em penhascos por não considera-los bons o suficiente. Ou quando eram queimados dentro de estatuas de bronze ao deuses.
    A única diferença é que mudou a cara o ídolo, que antes eram um animal e agora é um conceito abstrato.

    andre i souza

    12 de abril de 2012 às 18h37

    Ou como fazia Moisés, por exemplo.

    ratusnatus

    12 de abril de 2012 às 22h08

    hihihi, como é fácil contraargumentar com fanáticos, não?

    Miguel Matos

    14 de abril de 2012 às 14h00

    Sim, basta recorrer ao velho mantra do suposto "fundamentalismo" de quem tem opinião contrária.

    Mário SF Alves

    14 de abril de 2012 às 19h16

    Sim, mas, nem sempre. Só é fácil enquanto náo nos metem guela abaixo o imponderável. Quando isso acontece… adeus dialética!

    Daniel Campos

    13 de abril de 2012 às 09h34

    A Igreja fez "melhor". Queimou milhares de pessoas perfeitamente saudáveis e aptas para a sociedade por serem consideradas "bruxas" ou por cometerem a heresia de não concordarem com a Igreja. E mandou outros milhões para morrerem nas Cruzadas para enriquecer uma meia dúzia de lordes e bispos. E dê uma olhada melhor no seu livro de contos de fadas (aka, bíblia), para ver os horrores que mandavam fazer contra os que não fossem do "povo escolhido".

Almeida Bispo

12 de abril de 2012 às 16h10

Olha, na contra-mão da onda, eu não tenho dúvidas de quando a vida começa. Por tudo que aprendi na escola – e não em alguma igreja – a vida começa quando dar-se o início de um novo ser capaz executar as funções primárias da vida, qual seja a de se desenvolver. Uma ameba, um tricomonas, um tripanossoma, unicelulares, é uma vida; do mesmo modo, um óvulo fertilizado já é uma vida pois encerra em si todo o processo de evolução a partir da célula mater que originou depois os multicelulares. Alguém irá dizer: mas é muito dependente. Ora, um homem feito, guardadas as devidas condições é tão dependente para continuar vivo como o ovo que o trouxe até aqui. Só se mata o que se vai comer. Ou que quer nos comer.

Responder

    Alexei_Alves

    12 de abril de 2012 às 22h34

    Indo pelo seu raciocíno então….
    aposto que você nunca mata um único inseto, nem usa desinfetante pra não matar bactérias, nem pomada contra frieira, pra não matar os fungos….. certo?

andre i souza

12 de abril de 2012 às 16h09

Lembram-se do Pinheirinho; Claro, né? Pois é, a TV Vanguarda, afiliada e extremamente assemelhada á Globo e vivaz propagandista da Igreja Católica, assim como a Globo, nos brindou com uma "reportagem" sobre a questão da OPÇÃO (coisa que, como vocês verão, ela deixa clara) pelo aborto de criança anencefálica. Segue (ctrl v /ctrl c) de reportagem que agora está transcrita no portal VNews: http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=118447&amp…. Mas que foi exibida pelo canal, e com direito a "caras e bocas" da âncora que apresentou. Logo após à "reportagem", estrategicamente, e umbilicalmente, eles nos levam ao assunto Igreja Católica e o aborto (missa e 'talecoisa').

Segue:

Atualizado em: 14h06min – 12/04/2012

Aborto de anencéfalos: Mãe de menino com 15% de cérebro diz que não se arrepende de ter tido o bebê
Bebê, de Potim, já está com um ano.
Será retomada na tarde desta quinta-feira, em Brasília, a votação sobre o aborto em casos de fetos sem cérebro. E em meio a um assunto tão polêmico, vamos mostrar o caso de uma jovem de Potim que decidiu manter a gravidez.

Você sabe o que é um bebê anencéfalo?

“O anencéfalo é um feto que não apresenta o cérebro e não tem a calota craniana, o crânio, e nem couro cabeludo. Ele não tem cérebro nenhum”, explica o médico obstetra Edson Meireles.

A legalização do aborto para bebês nessas condições preocupa o obstetra. Ele teme que, se o aborto for permitido para alguns casos, poderá haver equívocos. E bebês que tem problemas cerebrais, mas não são anencéfalos poderão morrer.

“O problema maior é esse, o pessoal confundir um anencéfalo com uma deformidade congênita do cérebro, quer dizer, tem uma porcentagem. O pessoal pensa que vai provocar um aborto numa pessoa que tem condições de sobreviver em condições extra-uterinas”, diz Edson.

João não fala, não anda, não enxerga bem e pouco se mexe. Mas é um ótimo exemplo de vitória. Quando ele ainda estava na barriga, a mãe soube que ele nasceria só com 15% do cérebro. Mesmo assim, manteve a decisão de ter o filho.

“No começo a gente fica meio em dúvida, só que eu pensei comigo, se alguém tem direito de tirar a vida de quem quer que seja é Deus, então eu estava nervosa com a situação, mas eu achei que eu deveria levar adiante porque se ele tivesse que morrer ele morreria dentro da minha barriga, ou até mesmo na hora do parto”, diz a dona de casa Kátia Pontes.

Durante o tempo todo, sobra atenção e carinho para João. Kátia diz que em nenhum momento se arrepende da decisão, mesmo ao reconhecer que não é fácil criar o filho.

“A hora de dar banho é difícil porque por enquanto ele pequenininho, vamos ver quando ele ficar grande como é que eu vou dar banho, mas assim o amor que ele passa pra mim, o sorriso transmite quando ele ta conversando com os anjinhos é especial”, diz Kátia.

Mas todo o esforço, segundo a mãe, vale à pena. Com quase um ano de vida, João é saudável na medida do possível. E um bom exemplo de que bebês com deformação cerebral podem viver e devem nascer, apesar das limitações.

De Potim, a dona-de-casa torce para que o aborto não seja legalizado, nem mesmo para os anencéfalos.

A votação no Supremo Tribunal Federal será retomada na tarde desta quinta-feira (12). Na quarta-feira (11), seis ministros votaram. Cinco a favor do aborto. Apenas um contra.

“Acho um absurdo, já tem tanto assassino e eles estão querendo criar mais e mais e mais. Eu acho que assim, infelizmente, graças a Deus eu tomei uma atitude e espero que todas as mães que estejam na situação que eu passei, que deixe essa lei pra lá e pense naquele feto que está lá dentro, naquela crianças que está lá dentro”, completa Kátia.

Viram? E isso televisado é mais chocante, no quesito tendenciosidade, pois pela fala da mulher entrevistada, fica a impressão de que o governo está querendo impor o aborto. Até meu filho (17 anos) que é desligado pra caramba, notou essa tendência. Ó, dá NOJO!

Responder

    andre i souza

    12 de abril de 2012 às 16h47

    Desculpe-me, mas na terceira linha, entre parênteses, leia-se "ela NÃO deixa clara".

    Miguel Matos

    12 de abril de 2012 às 17h08

    Obrigado por publicar esse relato, ainda que seja para tentar desqualificá-lo.

    andre i souza

    12 de abril de 2012 às 17h47

    Fique bem claro:

    Desculpe-me, mas não desqualifiquei o relato, e, como asserção, esclareço que fico feliz que aquela mãe tenha tomado uma atitude que hoje não lhe pesa (bem como não me cabe aferir se uma decisão como essa é errada ou não). Desqualifico a "reportagem", que foi tendenciosa, não ouviu o outro lado ( e nem anunciou que irá ouvir o outro lado), pôs exatamente um médico – que é contrário a ideia do aborto de anencéfalos – e não esclareceu que mesmo sendo permitido o aborto, essa opção ficará a cargo da gestante. Você não viu, me parece, a reportagem, ela foi extremamente tendenciosa. Independente de posições, um canal de TV (concessão pública) não tem o direito de se posicionar e tentar dirigir uma questão que não lhe é de Direito. Só isso.

    Ah, sou a favor da liberação, pelo Estado, do aborto. Não acho que o Estado possa interferir nessas questões de cunho pessoal. Por favor, religião, bem como a não religião eos dogmas, deve estar distante de um Estado laico.

    willforlife

    13 de abril de 2012 às 00h37

    tive um amigo, sofreu acidente. perdeu metade do cérebro, mas continua a sorrir…
    é uma pena, pois seguindo a linha de raciocínio, poderia se fazer a eutanásia…

reinaldo carletti

12 de abril de 2012 às 15h11

um ministro, tentar justificar o seu voto contrario a isso, é simplesmente um absurdo.
reinaldo carletti

Responder

    André

    12 de abril de 2012 às 17h06

    Ele informou no voto que a competência seria do legislativo. Nesse ponto não há absurdo. É a visão dele. Mas independentemente disto, o STF foi favorável ao aborto de anencéfalo. Foi uma vitória da sociedade.

    Renato

    13 de abril de 2012 às 13h10

    Esse assunto do aborto, nem o congresso deveria discutir e sim a sociedade através de plebiscito.

Iracema de Alencar

12 de abril de 2012 às 15h05

como se pode comprovar aqui mesmo, pelos comentarios, nascer sem cerébro nao representa o menor problema para o sucesso e a felicidade nessa terra varonil….aliás, cerebro na maior parte das vezes atrapalha..

Responder

    Miguel Matos

    12 de abril de 2012 às 17h09

    Concordo. Muitos nascem com cérebro, porém sem alma. (podem negativar à vontade)

    Anônimo do Prado

    12 de abril de 2012 às 18h26

    Acho que vi uma Leporace…

    Scan

    12 de abril de 2012 às 22h24

    E eu tenho certeza que vi uma anencéfala…

    Miguel Matos

    14 de abril de 2012 às 14h12

    Acho que tu viste UM anencéfalO: No espelho.

RicardãoCarioca

12 de abril de 2012 às 14h33

Fora de assunto, mas as ilustrações abaixo são tão legais que mereceriam um post, como o PHA fez no blog dele:

Site: http://ilustrebob.com.br/page/6/

FHC x Lula I: http://ilustrebob.com.br/wp-content/uploads/2010/…

FHC x Lula II: http://ilustrebob.com.br/wp-content/uploads/2010/…

FHC x Lula III: http://ilustrebob.com.br/wp-content/uploads/2010/…

Especial para aqueles que ainda defendem FHC.

Responder

    Mário SF Alves

    14 de abril de 2012 às 19h42

    Fui lá. Muito bom mesmo, amigo. Só náo entendo o por que de tais informações, táo inerentes ä melhoria de vida do povo, serem táo pouco divulgadas.

Renato

12 de abril de 2012 às 14h31

Aborto = Assassinato Doloroso, Triplamente Qualificado, Motivo Torpe, Sem Possibilidade de Defesa a vítima e meio cruel.

Responder

    Miguel Matos

    12 de abril de 2012 às 17h11

    ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

    Scan

    12 de abril de 2012 às 22h28

    As definições foram tiradas do "Novo Dicionário Católico Apostólico Romano", cuja última edição foi na baixa Idade Média…

    Renato

    13 de abril de 2012 às 09h07

    Scan, Qual é a diferença do aborto de um bebe anencefalo a da eutanásia de um doente terminal e sem possibilidade de cura?
    Nos dois casos, as pessoas que toma a decisão do aborto ou eutanásia, em uma atitude mesquinha, acabam decidindo pela interrumpção da vida de um incapaz.
    Eu posso escolher matar uma outra pessoa pois eu não quero a convivência dela? Que é o caso do aborto? Eu não tenho direito de tirar a vida de outrem e nem mesmo a minha.

    Eu não praticaria um ato desse, porém eu não posso condenar que faz. Contudo, não aprovo a decisão do STF. E não reconheço o STF e o Congresso como os lugares ideais para isso. O povo deveria decidir sobre isso através de um plebiscito.

    Luiz Octávio

    13 de abril de 2012 às 10h52

    Remato, para com isso! Por que você quer impor que eu leve a termo a gestação de um anencéfalo? Leve você e deixe-me resolver o problema da melhor maneira para mim e não para você.

    Alexei_Alves

    13 de abril de 2012 às 11h11

    Sua comparação está incorreta, Renato.
    São casos totalmente diferentes.

    O bebê anencéfalo já está com morte cerebral.
    O doente sem possibilidade de cura não.

    O caso do nenem anencéfalo se assemelha apenas com a de um doente terminal que JÁ TEVE sua morte cerebral constatada, não havendo mais atividade no cérebro nem possibilidade de recuperação dessa atividade.

    Aliás, sua pergunta ja nasce distorcida pois a retirada do anencéfalo não pode ser chamado de "aborto" pois o nenem já está tecnicamente morto.

    Miguel Matos

    14 de abril de 2012 às 13h55

    Abortistas adoram tecnicismos.

Gilberto

12 de abril de 2012 às 13h32

é um daqueles casos em que não há o que comemorar, apenas constatar, foi tomada a melhor decisão… não consigo imaginar a dor da decisão, mas acho um absurdo que a mulher seja obrigada a manter um gravidez de feto sem cerebro.
foi uma vitoria para a sociedade

Responder

    marcio_cr

    12 de abril de 2012 às 18h12

    Mas como um médio disse sobre o tema, o termo acefalia é enganoso, pq não existe acefalia. O que sempre se tem é mesocefalia, existe sempre partes (nem que seja resquícios) do encéfalo. Mas a questão é que se o argumento usado para aprovar o aborto nesse caso é da impossibilidade de vida, existe uma outra grama de doenças congênitas que impossibilitam a vida e não existe mais o porque não abortar as crianças portadoras dessas doenças. Abriu-se a caixa de pandora para a eugenia.

    andre i souza

    12 de abril de 2012 às 18h35

    O dia em houver possibilidade (mesmo a esperança) de transplante de cérebro, um medicamento ou máquina que substitua as funções o cérebro, talvez a anencefalia não seja mais motivo para tal exceção.

    Quanto outra gama de doenças, há que se ver as quais são os impedimentos.

    De toda forma, qual é o problema? Vocês levam o assunto omo se o Estado, de agora em diante, obrigasse a gestante a abortar anencéfalo.

    Decisão, meu amigo, decisão. Ou, como você deve preferir: Livre Arbítrio.

    Alexei_Alves

    12 de abril de 2012 às 22h21

    Quanto bobagem.

    Enganoso é chamar de aborto a retirada de algo que já está clinicamente morto.
    O anencéfalo sequer pode ser chamado de vivo, pois se enquadra no conceito de morte cerebral.

    Daniel Campos

    13 de abril de 2012 às 09h30

    O anacéfalo jamais será uma pessoa capaz de viver por si própria, isso se chegar à sobreviver ao parto e depois sobreviver mais do que um ano (e que tipo de vida seria essa, só ser capaz de respirar?).

    Nesse ponto eu acho interessante como a religião mostra brutalmente a sua crueldade… Pois o que é mais cruel: Abortar algo que nunca poderá ser uma pessoa ou fazê-la viver "na marra" com todos os problemas que isso irá acarretar para os pais e para os familiares? Ou os religiosos "piedosamente" irão assumir os cuidados do anacéfalo?

    E mais interessante ainda que o que se liberou é a OPÇÃO de fazê-lo ou não. Se a mãe for uma fanática religiosa e quiser levar a gravidez adiante mesmo sabendo que certamente o bebê já nascerá morto, é escolha dela.

    Miguel Matos

    14 de abril de 2012 às 14h02

    Por que será que todas/os as/os aborteiras/os justificam seus argumentos tachando de "fanáticos" os que têm opinião contrária à delas/es?

    Mário SF Alves

    14 de abril de 2012 às 19h11

    O problema com vocês, anti-aborteiras, é radicalizar na proteção da vida intra-uterina e serem por demais flexíveis ou mesmo ignorá-la após o parto. Mas, náo, náo se preocupe. Eu compreendo. É a ideologia religiosa de direita, né náo?

Alberto

12 de abril de 2012 às 13h17

Enfim, TUDO!

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