Eliane Brum: Chega de torturar mulheres

Tempo de leitura: 9 min

por Eliane BrumÉpoca, via Católicas pelo Direito de Decidir

Depois de quase oito anos, o Supremo Tribunal Federal deverá votar nesta quarta-feira (11) uma ação que decidirá se as mulheres grávidas de um feto anencéfalo (malformação incompatível com a vida) poderão interromper a gestação sem necessidade de autorização judicial. Hoje, elas são obrigadas a peregrinar pela Justiça, em geral por meses. Em alguns casos, o juiz dá autorização, em outros não, numa zona ambígua que depende das crenças pessoais de quem julga. Às vezes, quando o juiz dá a licença, já demorou tanto tempo, ocorreram tantas idas e vindas no processo, que o bebê nasceu e morreu. Em parte porque, ao descobrir que uma mulher pediu a interrupção da gestação anencefálica, grupos religiosos usam a estratégia de atrasar o processo com recursos como, por exemplo, um “habeas-corpus para o feto”. A ação, que já é lenta, tarda ainda mais, até que não exista mais o que julgar. Na prática, como todos sabemos (com exceção dos hipócritas, talvez), as mulheres de classe média resolvem a questão buscando clínicas clandestinas de aborto, para não ter de se submeter à demora e às dificuldades de um processo judicial no Brasil. Quem procura a Justiça são as mulheres pobres, que dependem da rede pública de saúde para interromper uma gravidez. Nesta quarta-feira, o STF terá a chance de estancar – com atraso – uma violação sistemática dos direitos humanos causada por um vácuo na lei, que além de desamparar as brasileiras mais frágeis em um momento dificílimo da vida, as condena à tortura.

Divido essa coluna em duas partes. Na primeira, faço algumas considerações gerais sobre a questão que será julgada pelo Supremo a partir do meu olhar sobre ela. Na segunda, conto a história de uma mulher particular, Severina, porque aprendi que só compreendemos a vida – na vida. Em 20 de outubro de 2004, o Supremo derrubou uma liminar que permitia interromper a gestação de anencéfalo sem autorização judicial. Um dos ministros disse, ao votar: “Mas quem são essas mulheres? A gente nem sabe se elas existem”. As mulheres severinas existem. E, como veremos, são, sim, torturadas.

A pergunta que o Supremo responderá nesta quarta-feira é a seguinte: “Uma mulher, grávida de um feto anencéfalo, pode interromper a gestação sem necessidade de autorização judicial?”. Espero que a resposta da corte seja afirmativa. Acompanho o percurso dessas mulheres há quase dez anos e me parece claro que este é um debate de direitos humanos. Impedir uma mulher de interromper a gestação de um feto incompatível com a vida, se ela assim o desejar, é condená-la à tortura. Assim como também seria tortura obrigar uma mulher a interromper essa mesma gestação se ela desejar levá-la até o fim porque, por crença religiosa ou qualquer outro motivo, encontra sentido nesse sofrimento.

Este é o ponto: se o feto é incompatível com a vida, só quem pode decidir pela interrupção ou não da gestação é quem o carrega no ventre. Ninguém mais – nem as feministas, nem os padres, nem eu ou você. Em geral, olhar pelo avesso nos ajuda a enxergar o quadro com maior clareza. Imagine se a lei brasileira determinasse o oposto. Ou seja: pela lei, todas as mulheres grávidas de fetos anencéfalos fossem obrigadas pelo Estado a interromper a gestação assim que o diagnóstico tivesse sido comprovado. Se não quisessem, precisariam entrar na Justiça para impedir o aborto compulsório. Neste caso, a violação de direitos humanos seria a mesma. E eu estaria aqui, defendendo o direito dessas mulheres de levar a gestação até o fim com a mesma veemência.

Ninguém deveria poder decidir por uma mulher como ela vai lidar com a gestação, dentro do seu corpo, de um feto que não poderá viver. Só ela sabe da sua dor – e de que escolha será mais coerente com aquilo que ela é – e acredita. As estatísticas mostram que 100% dos anencéfalos morrem: cerca da metade ainda na gestação, a outra metade após o parto. O que acontece hoje – e é essa desigualdade de direitos que o Supremo vai anular ou cristalizar nesta quarta-feira – é que as mulheres que encontram sentido em levar essa gestação até o fim têm seu direito respeitado. E aquelas para quem é insuportável conviver, dia após dia, gerando a morte em vez da vida, são torturadas.

Nunca cometi a indignidade de julgar uma mulher que decide levar uma gestação de anencéfalo até o fim. O sentido só pertence a ela – e aqueles que a julgarem extrapolam limites de humanidade. Do mesmo modo, lamento aqueles que se apressam a condenar as mulheres para quem a gestação se tornou intolerável. Na tentativa de impor suas crenças para todos, com a soberba de quem acredita deter o patrimônio do bem, cometem barbáries contra pessoas já fragilizadas pela imensa dor que é gerar um filho condenado à morte por uma malformação.

A dor e o luto pelo filho desejado e perdido são inevitáveis, como qualquer mulher ou homem que já testemunhou essa tragédia de perto – ou mesmo de longe – sabe. O outro sofrimento, o de continuar a gerar um filho para enterrá-lo, porque não lhe permitem interromper essa gestação sem futuro, não. Esse martírio pode ser evitado.

De tempos em tempos, grupos contrários à permissão do aborto no caso de anencefalia exibem uma mulher que decidiu levar a gravidez até o fim como uma espécie de heroína – como se ela fosse uma mãe melhor do que aquela que escolheu interromper a gestação. É uma mentira. Não há heroínas nessa história, apenas mulheres que sofrem. Qualquer oposição entre a mulher que optou por interromper a gestação e aquela que preferiu mantê-la é falsa. Ambas são mulheres que, diante da mesma tragédia, fizeram escolhas diferentes. E ambas devem ser respeitadas na sua decisão, seja ela qual for. O que discutimos aqui é por que uma escolha é reconhecida pelo Estado – e a outra não é.

Há algo importante para compreender nessa tragédia, que talvez parte das pessoas deixe de perceber por não ter convivido com ela. A mulher que se descobre grávida de um feto anencéfalo desejou aquele filho. Em geral, ela o planejou. Quando soube que estava grávida, ela comemorou. E então, num exame com 100% de confiabilidade, ela descobriu que seu filho era anencéfalo. Ou seja, uma malformação letal determinou a impossibilidade de seu filho viver.

Não se trata, portanto, de uma criança deficiente, como alguns definem, torturando também as palavras. Trata-se, como disse o ministro Ayres Britto, em 2004: “O que se tem no ventre materno é algo, mas algo que jamais será alguém”. Impor a essa mulher, submersa em desespero, a acusação de “assassina de crianças”, como alguns o fazem, “em nome da vida”, é cruel. Apenas isso: cruel.

Espero que, depois de quarta-feira, não caiba mais a nenhum de nós opinar sobre a escolha de uma mulher numa situação dolorosa como essa. Aquelas que decidirem levar a gestação até o fim continuarão sendo acolhidas em sua decisão – e aquelas que quiserem interrompê-la também serão amparadas pelo Estado. Ponto.

Agora, Severina, que nos conta com o seu viver o que é a vida em tragédia. Em 20 de outubro de 2004, no mesmo momento em que o Supremo derrubava a liminar que permitia o aborto de anencéfalo sem autorização judicial e um dos ministros perguntava se essas mulheres existiam, Severina Maria Leôncio Ferreira internava-se em um hospital do Recife para interromper a gestação. O médico decidiu deixar o procedimento para o dia seguinte – e no dia seguinte foi tarde demais. Severina teve de deixar o hospital carregando sua dor e sua barriga. Era o seu segundo filho. E ele não viveria.

Severina e seu marido Rosivaldo plantavam brócolis em Chã Grande, um pequeno município nas proximidades do Recife. Mesmo pobres e analfabetos, eles decidiram procurar a Justiça em busca de autorização para interromper a gravidez. Aqui talvez valha uma pausa para se enfiar na pele de Severina e imaginar o que é para uma mulher analfabeta, vinda da zona rural, sem dinheiro, buscar a Justiça no Brasil – e isso tudo em um momento em que se sentia despedaçada. Severina só teve a coragem de enfrentar essa enormidade porque continuar aquela gestação para a morte seria um martírio ainda maior.

Acompanhei Severina para contar o longo dia seguinte a que os ministros do Supremo não assistiriam. O documentário Uma História Severina (Imagens Livres), dirigido por mim e pela antropóloga Debora Diniz, mostra que as mulheres severinas existem – e precisam que o Estado reconheça sua existência, sua dor e seus direitos. A longa travessia de Severina é contada em apenas 23 minutos (filme abaixo). Em 2005, o filme foi enviado a todos os ministros do Supremo.

Não vou repetir o que está contado pelo registro da vida em curso de Severina. Cada um pode ver por si mesmo. Quero contar apenas sobre algumas pequenas delicadezas e grandes brutalidades da trajetória de Severina que podem complementar as imagens – e nos ajudar a compreender o que significa para uma mulher ser condenada a continuar gerando um filho para a morte. Nas últimas semanas do martírio de Severina, eu tirei férias da ÉPOCA, onde trabalhava como repórter especial, e passei a acompanhá-la. Só a deixei depois do enterro do bebê, que nasceu morto.

Se a liminar não tivesse sido derrubada, Severina faria o aborto no quarto mês de gestação. Como foi obrigada a entrar na Justiça, seu sofrimento foi prolongado até o sétimo mês, quando finalmente conseguiu a autorização. Tenho convicção de que Severina não deveria ter vivido o que viveu nesses três meses. Ao testemunhar seu sofrimento, ficou muito claro para mim que aquilo era, sim, um tipo de tortura – uma tortura imposta pelo Estado.

Até o exame revelar que seu filho era anencéfalo, Severina fazia o pré-natal na companhia de outras grávidas da zona rural, numa alegre romaria de mães tecendo roupinhas e planos. Severina queria muito um segundo filho – e Rosivaldo, seu marido, sonhava com uma menina. De repente, os caminhos dessas mulheres bifurcaram-se – também literalmente. Dali em diante, Severina seguiria sozinha, por outra estrada. E no percurso dela, haveria morte – e não vida.

Imaginar como era a cabeça do filho dentro dela foi um dos horrores vividos por Severina nos três meses que se seguiram. Ela tinha, naquele momento, um medo e uma esperança. O medo era o de machucar, com algum movimento mais brusco, aquela cabeça em que o médico disse e o ultrassom mostrou que faltava uma parte. Para ela, era como uma ferida aberta. Numa ocasião, Severina sentiu-se mal e botou para fora um vômito escuro. Pensou que era sangue. E sofreu atrozmente por pensar que tinha machucado a cabeça do bebê.

A esperança, Severina só às vezes confessava. Mas pensava, quase sempre, que algo mágico aconteceria de repente, e a cabeça do filho seria reconstituída dentro dela. A cada sensação diferente, essa fantasia reacendia-se. Severina então me dizia, meio envergonhada: “Eu sei que não pode ser, o médico disse que não acontece, mas será que…?”.

Enquanto esperavam por uma decisão judicial, em horas e horas de cadeira, pilhas e pilhas de papéis que não decifravam, Rosivaldo, o marido de Severina, enfrentava a curiosidade do povo na feira. Já se espalhara na pequena comunidade que ele era “o pai do bebê sem cabeça”. No próprio verbete do dicionário Houaiss, a anencefalia é definida como “monstruosidade”, o que diz bastante sobre como o senso comum percebe essa fatalidade. Na escassez de novidades da vida da cidade pequena, Rosivaldo despontou como o “pai do monstro”. E quando ele alcançava a feira para vender seus pés de brócolis, precisava se conter para não responder com violência física à agressão verbal da vida concreta dos dias.

Só quando a autorização judicial chegou, Severina reuniu forças para uma providência que até então não tivera coragem de tomar: comprar a roupa com que o filho seria sepultado. O ato transformou-se numa violência muito maior do que já era – uma violência que me faltou repertório para prever. Severina queria uma roupinha com capuz para impedir que a cabeça malformada do seu bebê ficasse exposta à curiosidade pública no enterro. Severina desejava pelo menos poder proteger seu bebê na morte. É importante lembrar que, agora, não era mais um aborto, como teria sido no início da gestação. Agora, seria um parto. Haveria um enterro e, para sempre, um filho sepultado. E, no caso de Severina, existiria ainda a insanidade de um bebê sem certidão de nascimento – mas com atestado de óbito.

Como venho do Estado mais frio do Brasil, eu jamais supus que encontrar uma touca poderia ser um problema. Mas, no clima tropical do Recife, Severina não conseguiu achar uma roupinha com capuz. E o inusitado do pedido fez com que ela se sentisse obrigada a explicar, de loja em loja: “Ele não vai viver”. Prometi, então, que depois que ela fosse internada, eu procuraria por ela. Encontrei no dia seguinte, em um shopping, uma roupinha branca com uma touca que ela ficou acariciando no hospital com os olhos afogados. Depois, buscou o álbum de fotografias de seu filho, Walmir, então com 4 anos. Acariciou cada foto em silêncio – cada uma delas uma prova de que ela poderia gerar um filho vivo.

Na rede pública de saúde, desenhou-se a estação seguinte do calvário severino. Ela foi empurrada de um hospital a outro, com a autorização judicial na mão. “Não há vagas”, “meus colegas são contra o aborto”, “tenha paciência”. Não fosse Paula Viana, da ONG Curumim, ajudar Severina a fazer cumprir seus direitos duramente conquistados, sua peregrinação duraria ainda mais tempo, como é mostrado no documentário.

Severina suportou mais de 30 horas de trabalho de parto, a maior parte delas com contrações excruciantes. Quando não tinha mais posição, arrastava-se até o corredor. Era inevitável encontrar-se com uma mãe feliz com seu bebê – vivo – no colo. Nesses momentos, os olhos de Severina gritavam uma dor que eu nunca vi no olhar de outro ser humano. Se a tortura de Severina fosse resumida em uma só cena, seria aquele olhar. Aquele olhar que palavras são insuficientes para descrever. Entre todas as mulheres da maternidade, Severina seria a única ali que, ao final, teria um caixão – e não um berço.

E assim foi.

Severina está longe de ter sido a única mulher torturada nesses anos todos, apenas que sobre a tortura dela há documento. Espero dormir na quarta-feira em um país que não torture mulheres porque tiveram a infelicidade de gerar um feto sem cérebro.


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Comentários

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Vírus Planetário – Mulheres saúdam vitória do Estado laico e da cidadania

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marcus

"(com exceção dos hipócritas, talvez)" Que mania essa de chamar de hipócrita quem tem uma opinião contrária. Em que isso ajuda a discussão?

    Fábio

    De todo o texto, foi este o trecho que te causou especial inquietação?
    Inacreditável…

universitária

Esse "julgamento" dos homens do poder sobre o aborto de acefalo serve só pra mostrar como esses homens sao covardes e incompetentes. Precisam mandar no corpo da mulher com as unicas ferramentas que possuem e dão mais uma prova cabal de que desmerecem comandar a justiça recebendo meio milhao por extras e nao conseguem julgar corretamente nem oborto de acefalo nem meninas de 12 anos sendo estupradas e absolvendo o homem viril. É para ter repulsa da ignorancia e estupidez alheia.

    adão neves

    Cara universitária, mais calma. A luta contra o machismo e a misoginia é difícil mesmo num país como o nosso onde a presidência da República se curva ao catolicismo.

@Misantropismo

Veja a foto do STF. Tem uma cruz enorme em cima da cabeça do presidente! Vcs acham q a religião não pesa? Pesa demais na cabeça fraca desses fanáticos irresponsáveis que acham que podem mandar na vida da mulher brasileira. Vergonhoso! A demora pode matar a mãe que gera um filho morto! A única forma aceitada pela medicina de morte em geral, é a morte encefálica. Se não tem cérebro não tá vivo! E sério, eu tenho vergonha alheia desses comentários estúpidos tentando proteger essas religiões nojentas e seus misticismos sobre a vida e as mulheres

    Mário SF Alves

    De uma coisa você pode estar certo: essa tal cruz não é para eles. E não tem nada a ver com o ali fazem. A bem da verdade, tal cruz é uma arma apontada bem no coração do povo, que jamais poderá ousar pensar que ali – no sacrossanto refúgio da justiça – impera a justiça de uns poucos, a chamada justiça-classe dominante. O fantástico nessa história toda é que o "dono da cruz" jamais esteva a serviço de tal classe.

Elias

Em maio de 2008, quando o STF aprovou a realização de pesquisas com células-tronco embrionárias, o ministro Ayres Brito fez uma comparação entre o feto anencéfalo e uma pessoa com morte cerebral. E em seu comentário observou que é plenamente aceito pela sociedade o transplante de órgãos da pessoa com morte cerebral. Ayres Brito, que foi relator da matéria, votou a favor da realização das pesquisas. Vamos ver nesta quarta-feira, 11 de abril de 2012, como vota o ministro que tomará posse da Presidência do Supremo Tribunal Federal na próxima semana.

abolicionista

E na TV se você vir um deputado em pânico
Mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo
Qualquer qualquer
Plano de educação
Que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
do ensino de primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal

beattrice

O Brasil dos fundamentalistas se arrasta na Idade Média.
Vergonhoso.

Ana Giulia Zortea

Eu acho que falar é muito fácil para quem não esta vivendo o drama de uma mãe que tem que decidir entre deixar nascer ou abortar. Eu particularmente hoje sou contra o aborto, é um posição minha,mas acredito que esta é uma decisão que cabe a cada mulher individualmente, ninguém pode decidir por ela. O sofrimento da decisão e da indecisão já deve ser ruim o suficiente para ter que esperar o parecer de terceiros para decidir sobre o sofrimento que esta vivendo. Numa situação assim, a mulher tem que ter o direito de fato de decidir. A verdade é que nenhum homem pode julgar isto, porque nunca vai saber o que significa esta mistura de sentimentos que uma mulher neste caso deve sentir. Só vivendo para saber a dimensão da dor e do desespero
que uma situação desta causa.Por este motivo acredito que cabe a mulher que está passando por isto, decidir o que fazer. No máximo com a OPINIÃO de seus familiares mais próximos.

    beattrice

    Ah Giulia……….. vc se supera.

Fabio_Passos

É absurda maldade o que fazem com as Severinas.
De embrulhar o estômago.

Que o STF tenha decência e permita o fim de tanto sofrimento inútil.

Malditos sejam estes pervertidos que se acham no direito de causar tanto sofrimento a estas mulheres.

abolicionista

Texto excelente. Chega de obscurantismo. O fanatismo religioso já cometeu sua quota de crimes e todos estão cansados de saber disso. Já sofremos mais do que o suficiente sob o jugo de psicoses coletivas desse gênero. Basta!

    Fabio_Passos

    Vamos acompanhar se o STF terá a pachorra de sustentar esta necessidade estúpida de autorização judicial.
    Basta deste atraso injustificável.

    Haverá alguma alma demoniaca do STF capaz de não se sensibilizar com o sofrimento real destas mulheres?

Alberto

Grávida de feto anencéfalo enfrentou longa batalha judicial
O Globo – 10/4/2012

CHÃ GRANDE (PE) – Criada no município de Chã Grande – a 85 quilômetros da capital – e sem nunca ter saído de Pernambuco, a agricultora Severina Maria Leôncio Ferreira, de 34 anos, está com medo da primeira viagem de avião. Mas nada que se compare ao sofrimento que enfrentou em 2004, quando, aos três meses de gravidez, descobriu estar grávida de um feto anencéfalo – sem o cérebro ou parte dele.
Severina só retirou o feto no sétimo mês de gestação, após longa batalha judicial. Com a mesma disposição, estará no Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira, quando a Corte começa a decidir o destino de mães que passam pela mesma peregrinação. O STF julgará a arguição que defende o direito à antecipação terapêutica do parto em caso de anencefalia do feto. Iniciada em 2004, a ação foi proposta pela Confederação Nacional de Trabalhadores na Saúde em parceria com a ONG Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, que está pagando a viagem de Severina a Brasília.

Alberto

Grávida de feto anencéfalo enfrentou longa batalha judicial
O Globo – 10/4/2012

Severina conta que, antes de retirar o bebê, foi a uma lojinha e comprou uma roupinha para o filho, sepultado em um caixão branco no cemitério da cidade. Ela ainda teve coragem de ver o bebê:
– A gente vê na ultrassonografia, mas, quando vê de verdade, a dor é maior.
A lavradora é a protagonista do documentário “Uma história Severina”, de Débora Diniz e Eliane Brum, que já participou de 33 festivais e levou 17 prêmios. Hoje, viaja a Brasília com o marido, o trabalhador rural Rosivaldo Vicente Ferreira, de 32, e o filho Valmir, de 11.
– A gente é católico, temente a Deus, mas já tinha falado com o padre e ele tinha entendido. Foram quatro meses sofrendo na mão da Justiça.

Miguel Matos

Azenha, por que este blog não ouve o outro lado quando se trata do tema aborto?

    luiza hernandez

    Aqui, o outro lado? Aqui, é só pra seguidores de Herodes que ao lerem esses artigos ficam indigados com o absurdo de não se ter o aborto aqui no Brasil ainda, ou felizes porque acreditam que estamos caminhando a passos largos pra isso. Aqui, não se pretende discutir os dois lados. Não sei porque. Não tinha reparado ainda?

    Yara

    Luiza, não sei qual a ligação que vês disso com a questão do aborto em geral, seja de anencéfalos ou não. Quando gestei meu filho, ao sétimo mês quase sofri um tombo. Nesse momento pensei: se meu bebê morresse agora, me mataria. Tem noção? Tem noção dessa ligação? E da dor dessas mulheres? Pare de pensar isso como um passo a outra questão, que é o aborto em geral! Sensibilidade não mata ninguém.

    JOSE DANTAS

    Aqui é uma espécie de PIG canhoto, além de contrário, a não ser em matéria de política, onde os dois se juntaram para bater no governo, com um detalhe: no final apenas um levará vantagem. Aqui o Papa manda na Dilma e quem crê em Deus é burro.

    Miguel

    sim, quem cre em deus e' burro. mas isso nao e' motivo o suficiente pra interferir na vida dos outros. s evoce conversa com amiguinho imaginario, nao faca aborto. so nao queira impor isso a quem tem a cabeca em ordem.

    Eduardo Mendes

    Os comentários estão aí pra isto.

    Por que vc não fala o que acha do assunto logo em vez de ficar choramingando?

    Yara

    Miguel, o outro lado já é ouvido sempre. Porque não deixar as mães escolherem o lado que elas creem melhor a elas? Você não útero, nunca gestou um bebê. Não deveria opinar com tanto certeza a respeito do assunto.

    beattrice

    Se não ouvisse o outro lado não estaríamos suportando indefinidamente a cantilena enfadonha dos que não entendem que descriminalização do aborto é questão de saúde pública.

Miguel Matos

Ou seja, teria sido melhor abortar o bebê e jogá-lo no lixo do que deixá-lo nascer, ainda que morto, e dar-lhe um sepultamento digno de um ser humano. Tenho pena da autora deste artigo.

    Alberto

    E eu tenho dó de você Miguel Matos que quer mandar nas decisões de outras pessoas livres. Se manca, cara!

    abolicionista

    Às vezes eu penso que seria melhor não ter nascido para ler esse tipo de argumento que você acabou de expor.

    Yara

    Sepultamento do feto, ou da mãe? A mãe também é um ser humano Miguel. Que enterre o feto, se for o caso. Mas o enterre logo, apenas. Nunca vi um argumento tão insensível. Só podia vir de um homem!

    Miguel Matos

    Yara, tu já paraste pra pensar em quantas mulheres foram obrigadas a abortar por homens (amantes, pais, namorados, etc.) aos quais não interessava o nascimento da criança?

    Polengo

    Pois é, Miguel Matos não nasceu anencéfalo, mas está tentando.

    beattrice

    Realmente defender o parto de um natimorto é de uma crueldade subhumana, não importa de que fundamentalismo se disfarce.

    Fábio

    Ora Miguel, se este for o desejo da mãe, sim…Aliás, é este o tema central da discussão, meu caro: a escolha da gestante. Se, para ela, o melhor caminho para espancar o sofrimento for a realização do dito "enterro digno", que assim seja. Para outras tantas (ouso dizer, a maioria esmagadora), a continuidade da "gestação" apenas aumentará o suplício. É sim, uma tortura, uma gigantesca crueldade, obrigar que estas mulheres mantenham em seus ventres fetos fadados à morte. Esta decisão, repito, TEM QUE SER DA MÃE!!
    Digno de pena, isto sim, os incapazes de se identificarem com o sofrimento das severinas desse Brasil.

    Miguel

    Muito bonitinho esse discurso pra quem nao tem que carregar um cadaver dentro do corpo durante 9 meses, e depois ainda ver nascer o sposto filho so pra dar um "enterro digno". hipocrita.

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