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Mauro Santayana: Devagar com o andor que o santo é de barro


25/10/2011 - 09h32

do Blog do Mauro Santayana

Os aeroportuários da INFRAERO estão de parabéns com a vitória alcançada graças à greve de advertência contra a privatização dos aeroportos da forma como ela vem sendo conduzida até agora.

Se, no passado, essa tática tivesse sido adotada no caso da TELEBRAS, e de empresas como a ELETROPAULO, vendida aos gringos da AES com financiamento do próprio BNDES, e com dezenas de milhões de reais em caixa, não teríamos vivido o maior processo de desnacionalização da economia em 500 anos de história, e não estaríamos, agora, às voltas com problemas no balanço de pagamentos, devido ao envio de bilhões e bilhões de dólares para o exterior, todos os trimestres, sob a forma de remessa de lucro de multinacionais que aqui entraram naquele momento.

Não se pode permitir que o BNDES empreste dinheiro a juros subsidiados para que empresas estrangeiras venham a controlar, com a maioria das ações, os nossos aeroportos. Primeiro, por uma questão de segurança. Aeroporto é ponto de entrada e de saída, de pessoas e de coisas, como agentes a serviço de governos estrangeiros, terras raras ou biopirataria. E, em segundo lugar, porque se for para trabalhar com dinheiro do BNDES, nós não precisamos de estrangeiros. Está cheio de empresa estrangeira mandando dividendos para seus acionistas no exterior – a Vivo está fazendo isso com 80% dos lucros obtidos no Brasil, e pegando dinheiro nosso, a custo subsidiado, na hora de fazer algum investimento. – nós entramos com o risco e eles levam embora o dinheiro.

Depois de anos sem aumento, a INFRAERO está reajustando, pela primeira vez, os aluguéis das lojas e dos espaços públicos nos principais aeroportos brasileiros. Quer dizer, como fizeram com as tarifas telefônicas, que tiveram substanciais aumentos antes da privatização nos anos 90, estão engordando a galinha antes de entregar para a raposa.

A privatização dos aeroportos, se vier a ocorrer, tem que ser feita com a parte privada estrangeira trazendo o seu próprio dinheiro, ou, se for o caso, know-how, mas com, no mínimo, 51% das ações em mãos da INFRAERO.

Ou vamos correr o risco de ter funcionários públicos federais, que representam o Estado Brasileiro, recebendo ordens, e sendo comandados, diante de estrangeiros, por outros cidadãos estrangeiros.

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23 comentários

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Mauro Santayana: Vivo pega 3 bilhões do BNDES mas quer usar seu caixa para recompra de ações | Viomundo - O que você não vê na mídia

10 de novembro de 2011 às 21h34

[…] Mauro Santayana: Devagar com o andor que o santo é de barro […]

Responder

Fabio_Passos

25 de outubro de 2011 às 23h15

Parabéns aos trabalhadores.
A resistência precisa continuar ou os neoliberais entreguistas vendem tudo o que há no Brasil.

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marcos ferraz

25 de outubro de 2011 às 19h27

Olha aí, gente, o que a CUT e os sindicatos como os dos aeroviários estão esperando para soltar um manifesto contra as privatizações ? Ou uma grande manifestação em todo o país ? Esse assunto é mais grave que a corrupção. Tem que partir pra cima !

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Urbano

25 de outubro de 2011 às 18h43

Creio que o fred henrique flintstones salieiri, o moiteiro, colocou toda a segurança do nosso país nas mãos dos ianques, quando da venda da Embratel.

Responder

Nelson

25 de outubro de 2011 às 18h32

"Quer dizer, como fizeram com as tarifas telefônicas, que tiveram substanciais aumentos antes da privatização nos anos 90, estão engordando a galinha antes de entregar para a raposa."

Até dezembro de 1995, a tarifa básica, cobrada sobre os telefones residenciais aquie no Rio Grande do Sul, era de R$ 0,61. Não se espante, pois era isto mesmo: apenas R$ 0,61. Quando iniciou o ano de 1996, essa tarifa deu um salto de mais de 500%, aumentando para R$ 3,73. A seguir, nos meses e anos seguintes, tivemos aumentos absurdos nesta tarifa básica sempre muito, mas muito mesmo, superiores à inflação, para chegarmos, hoje, a algo em torno dos R$ 41,00.

Lembremos agora da propaganda avassaladora em favor das privatizações, que não deixava espaço ao contraponto. Essa propaganda afirmava, à exaustão, que, entregando tudo para a iniciativa privada teríamos preços e tarifas mais baratos, mais empregos, serviços de melhor qualidade, enfim, passaríamos a viver no melhor dos mundos.

Como podemos constatar, um grande engodo.

Responder

    Morvan

    25 de outubro de 2011 às 22h28

    Boa noite.
    Você descreveu cronológica e perfeitamente, Nelson. Aqui, na terra do meu amado Ceará, governado – estou sendo condescendente – governado não é bem o termo – pelo "Tenho jatinho porque posso", à época, quem se metesse a contra-argumentar, como eu o fazia, era "antiquado", era um pré-histórico, para ser mais exato.
    Os "mudernos", como chama o grande jornalista Lustosa da Costa, não aceitavam qualquer pensamento dissonante. Pagavam os "tubos" para o PIG – daqui e de fora – fazer a cabeça dos otários.
    Foi nesta toada "privadizante" que eles, os "cabeça de planilha" (créditos para o Nassif) doaram a Vale do Rio Doce.
    Criminosos. Patifes. Desmantelaram o país, entregaram-no, por trinta dinheiros, aos chacais.
    Zé Torquemada se jactava de ser este "um país que privatiza com velocidade", só para refrescar a nossa memória.
    A ANATEL e outras ANAS quaisquer coisa são fruto destes "jênios".
    E essa "banda larga" também…

    Cadeia é pouco.

    Morvan, Usuário Linux #433640.

José Roque Neto

25 de outubro de 2011 às 15h40

Parabéns Mauro Santayana pelo esclarecimento. Tens toda razão e mais um bocado dela também não consigo entender essa privatização anunciada. Quando os hoje despenados privatizaram serviu até como mote de campanha até aí tudo bem, tinha qua denunicar mesmo agora, fazer a mesma coisa! Estatizar é a palavra mais acertada para o momento e vamos ocupar os cargos por competência que logo logo veremos os resultados, né?

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Morvan

25 de outubro de 2011 às 15h26

Boa tarde.

O PT está fazendo, sem nenhuma consciência disto, acho, um grande desserviço ao país.
Ao mostrar para o eleitor mediano (nem sequer se cite o eleitor ideologizado) que não há, a rigor, diferença entre os partidos, é só uma questão de quem está ou não no poder, o eleitor se confunde (isto é ótimo para os "Bóris CCC Casoy" da vida, os quais podem continuar com a ladainha "o PT é um partido igual aos outros"), não consegue "identificar" os seus adversários, ou melhor, inimigos e vota sem nenhuma segurança e sem qualquer identificação ideológica. É aquela mesma ladainha que eu prego, aqui no VOM e também no CAf: educação política. Depois que o verdadeiro privatista (o PT é o genérico) voltar ao poder, fica muito difícil explicar para o eleitor que partido "A" tem correntes de pensamento que defendem isso, que defendem aquilo, etc., e que a tendência "X" do partido "A" é a privatista e ela é a corrente majoritária, daí as privatizações…

Perguntinhas inocentes:
Onde estão os históricos do PT? Porque não se manifestam? Será o efeito Lula? Será a hipertrofia de determinadas linhas de pensamento, dentro do PT?

O porquê do recrudescimento desta sanha entreguista, agora?
É a "governabilidade"? Se for, porque não partimos para cima e atropelamos quem a defende?

:-((

Morvan, Usuário Linux #433640.

Responder

    Nelson

    25 de outubro de 2011 às 18h13

    Lamentavelmente, meu caro Morvan, parece que não tem mais jeito. Eu creio que é como se diz, no popular, aqui no meu Estado: "se foi o boi com a corda".

emerson57

25 de outubro de 2011 às 14h11

privatização, tem gente que gosta!
vejam:
O empreendimento, ponte sobre o rio negro, custou R$ 1,099 bilhão,
o bndes emprestou para a vivo em 20/09/2011, R$ 3 bilhões.
http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/

antes, 28/05/2007 já tinha emprestado 1,5 bilhões
http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/

nos últimos 4 anos o bndes emprestou quatro (4) pontes equivalentes para a vivo.
deve ter alguma lógica. só não a encontrei, ainda.

primeiro privatizamos.
depois emprestamos com jurinho camarada,
depois pagamos o preço maior do mundo por um serviço pior do mundo.

-desse jeito, até eu.

Responder

    Scan

    25 de outubro de 2011 às 17h08

    Se a Dilma começar a ficar com boca de sovaco e a falar francês como o punguista mor…estará tudo explicado.

jaime

25 de outubro de 2011 às 14h11

Pois é, mas um texto como este do Mauro Santayana vai ser publicado em quais órgãos da "grande" imprensa? Hein, Paulo Bernardo?

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Devagar com o andor que o santo é de barro « Blog do EASON

25 de outubro de 2011 às 14h07

[…] publicado no Blog Vi O Mundo de Luiz Carlos Azenha […]

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EUNAOSABIA

25 de outubro de 2011 às 13h25

Como assim…""se vier a ocorrer ???"""

Vai ocorrer rapaz, o governo não tem dinheiro, o dinheiro que tem é para pagar juros da dívida interna e evitar que o principal fuja ao controle, o que já vinha ocorrendo ao longo dos oito anos de governo do The Doctor.

A China já começou a refugar, o governo Lula foi o Ctrl C e Ctrl V da mesma política econômica de FHC e a China fez o resto, ficou oito anos sem faze NADA, não inovou e nem criou NADA, seu programa social era o famigerado e fracassado Fome Zero, só propaganda enganosa mesmo, o que funcionou foi o Bolsa Escola de Dona Ruth, e com a China em queda, a Noruega de Lula que só existe na cabeça de vocês vai começar fazer água.

Essa é a privataria do PT, Vendilhões da Pátria.

Vocês não enganam é nignuém.

Responder

eunice

25 de outubro de 2011 às 12h14

Kadafi era o BHC deles.

Responder

Jota Ricardo

25 de outubro de 2011 às 11h42

Parabéns ao Mauro Santayana pela coerência e espírito público, sempre devemos nos lembrar de
que o Brasil está acima de eventuais governos. Votei na Dilma e votaria de novo se a eleição fosse hoje, mas não podemos repetir os erros do passado. As privatizações são chagas que dificilmente serão revertidas- como a da Vale do Rio Doce, por exemplo, onde não vendemos/doamos empresa, e sim minérios, o subsolo.
O artigo de Santayana merece ser lido com atenção pelos que pensam o país a longo prazo.Taí o sucesso do governo de Cristina. ''OJO !'' , como dizem os HERMANOS…

Responder

Scan

25 de outubro de 2011 às 11h38

Se fosse pra entregar como pretendem, poderíamos ter ficado com o osciólogo.
Nenhuma diferença perceptível entre nossa preclara presidente e o punguista FHC nesse episódio.
Dá nojo.

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Lu_Witovisk

25 de outubro de 2011 às 11h34

Essa estória de privatizar aeroportos não tá me cheirando nada bem, tá neoliberal demais pro meu gosto… que p* é essa?? não aprenderam?? um dos temas de campanha era não às privatizações… e?! alguém que entenda, pode por favor, me explicar isso??

Responder

monge scéptico

25 de outubro de 2011 às 10h55

VERDADE!!Damos de graça e pagamos para carregar. Acho difícil acreditar, que seja
só burrice; é mais uma sujeição mental, das amebas de brasília, aos interesses dos
"gringos" e as possíveis(pq não?), propinas, que podem auferia pelo entreguismo.
O BRASIL não será reformado sem luta, infelizmente!.

Responder

Noir

25 de outubro de 2011 às 10h47

É o Mauro outra vez.
Muito, muito bom ler o que escreve.
Fica muito difícil realizar qualquer comentário adicional, pois o Mauro é sempre claro no que expõe e não deixa espaços ou dúvidas.
Apenas concordo com tudo.
Acabou.

Responder

Carlos

25 de outubro de 2011 às 10h37

Entregar tudo que é público nas mãos de um grupo cruel de "iluminados". Aí eles pintam e borbam, ou melhor, deitam e rolam. Temos aqui nos Rio o exemplo dos transportes ferroviários e marítimos. O serviço prestado é de qualidade duvidosa. E para tomar essas concessões, é praticamente impossível. Eles criam logo uma associação poderosa para defendê-los. Nunca se conseguirá suspender uma concessão, porque os recursos jurídicos são "infindáveis". Privatizar não é sinônimo de melhoria na qualidade dos serviços. Agora um outro fato que me deixa refletindo. Quem ocupa os melhores postos e ganham os melhores salários podem ser parentes? Se podem, precisamos mudar a legislação das concessões. Senão teremos concessionárias pertencentes praticamente a uma ou duas famílias.

Responder

Tácio Nues

25 de outubro de 2011 às 10h21

Vou te dizer, essa e o plano nacional de banda larga tiraram o meu voto do PT, fiquei muito decepcionado com Dilma eu pensei q ela fosse mais estado brasileiro, dói no coração ler noticias como esta, os funcionários tem q mostrar para sociedade esse assalto ao patrimonio público, pôxa em pleno 2011 o PT vem com essa, pensei q ja estariamos livres disso, acorda Brasil.

Responder

damastor dagobé

25 de outubro de 2011 às 09h59

e estão fazendo isso usando como biombo um "GOVERNO DE ESQUERDA" como muitos tontos acreditam…é o caso tipico de tirar a castanha do fogo com a mão do gato…enfim; quase todos acreditam em palavras; e tolices impressas…sou de esquerda então é…

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