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Marcos Dossa: Se o microchip é o petróleo do século 21, Bolsonaro está suicidando a eletrônica brasileira
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Marcos Dossa: Se o microchip é o petróleo do século 21, Bolsonaro está suicidando a eletrônica brasileira


05/05/2021 - 17h10

Da Redação

Federalizado em 2008, durante o segundo mandato do ex-presidente Lula, o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (CEITEC), baseado em Porto Alegre, está sendo liquidado pelo governo Bolsonaro justamente quando o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações é um astronauta.

Não poderia haver algo mais simbólico do desprezo do atual governo pela soberania nacional.

O argumento oficial é que o CEITEC não dá retorno financeiro.

Porém, é o centro avançado da microeletrônica do Brasil.

Segundo o engenheiro Marcos Dossa, da Associação de Colaboradores do CEITEC, a liquidação da empresa, que já está em andamento, representa o “suicídio da eletrônica” brasileira, justamente num momento em que as grandes potências investem pesado no setor.

O senador Paulo Paim (PT-RS) recrutou seus colegas senadores gaúchos para tentar impedir em Brasília o fim do Centro.

“Esta empresa é peça fundamental, necessária e estratégica na chamada indústria 4.0 (quatro ponto zero) no Brasil. O governo federal pode fomentar a Ceitec adquirindo chip usado na emissão de passaporte e os Correios comprarem TAG de logística. O Brasil é um dos poucos países de economia forte que não domina a cadeia de produção de circuitos integrados”, argumentou Paim.

Dossa afirma que o fechamento da “sala limpa” ou a demissão dos funcionários que cuidam dela poderá ser o golpe de morte na empresa.

Conforme explica a empresa em seu perfil do Facebook, a “Sala Limpa é a denominação de um ambiente onde a concentração de partículas em suspensão no ar é controlada. Estas salas são construídas e utilizadas de maneira a minimizar a introdução, geração e retenção de partículas no seu interior. As Salas Limpas são necessárias em atividades em que a contaminação por partículas não pode interferir no resultado como, por exemplo, na indústria farmacêutica, laboratórios químicos, hospitais, mecânica de precisão, entre outros”.

Dossa diz que o fechamento do CEITEC não é apenas um erro estratégico de longo prazo para a tecnologia nacional, mas defende que outros centros do mesmo tipo sejam criados em outras partes do Brasil, pois o microchip é o petróleo do século 21.

Um paralelo histórico pode ser feito com a privatização da telefonia, que aconteceu justamente quando a estatal do setor mirava em desenvolver os componentes para os telefones celulares, que provocaram uma explosão de lucros do setor.

Naquele caso, a privatização promovida pelo governo de Fernando Henrique Cardoso entregou o mercado para operadores estrangeiros e demoliu o embrião de indústria nacional.

No caso da Petrobras, foi o Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello, CENPES, que desenvolveu a tecnologia de buscar petróleo em águas profundas, responsável pela descoberta do pré-sal.

Demolir a CEITEC, segundo Dossa, equivale a um haraquiri. Vale a pena ver e disseminar a entrevista que ele deu ao Viomundo (topo).





6 comentários

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Nelson

06 de maio de 2021 às 20h45

Mas, fiquem tranquilos, pois o lema desse desgoverno é “Brasil acima de tudo”.

Ironias à parte, a demolição do Ceitec é só mais um passo no desmantelamento completo do setor público e estatal do nosso país. É isto que prevê o “Ponte para o Futuro” ou ultraliberalismo, que Temer começou a implementar e Bolsonaro tem a missão de terminar.

O Brasil não poderá mais ter pesquisa e tecnologia de ponta. Terá que comprar das megacorporações capitalistas dos países para que essas se empanturrem ainda mais de lucros.

E, como mais de 90% da pesquisa é feita no âmbito estatal, se requer a privatização de tudo e a demolição também do serviço público do país para que a dependência total se estabeleça.

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baader

06 de maio de 2021 às 06h41

até no governo militar golpista havia proteção à ind.informática. hoje temos exemplos de como fazer (Coreia e China) dar certo, mas com estas desgraças em Brasília… bando de imbecis q votaram na pior espécie de gente, espelho deles mesmos.
https://www.youtube.com/watch?v=pEO1mzIfzNI&ab_channel=frombestplace

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robertoAP

05 de maio de 2021 às 20h31

Como todas as pessoas de bem alertavam em 2018, “Quem clicar em 17 estará assinando o seu atestado de óbito, dos seus filhos e até dos seus netos”.
E o brasileiro anta CLICOU……..e a desgraça CHEGOU.
Então agora “OU O BRASIL ACABA COM O GENOCIDA OU O GENOCIDA ACABA COM O BRASIL”.

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Henrique Martins

05 de maio de 2021 às 19h42 Responder

Zé Maria

05 de maio de 2021 às 19h06

Não há sequer um Setor da Economia Real que esteja bem
no desgoverno Genocida/Guedes/Mourão. “Brasil Titanic”.

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Francisco

05 de maio de 2021 às 17h28

A questão dos microprocessadores (chips) é tão importante que foi a causa das recentes movimentações militares, envolvendo a China e os Estados Unidos, em torno de Taiwan. Naquela ilha está a maior fábrica independente de chips do mundo, que fornece componentes para inúmeras marcas, inclusive a Apple.
Os chips são o coração de todo equipamento eletrônico inteligente, incluindo computadores, smartphones e inúmeros outros. Abrir mão de sua pesquisa e fabricação significa manter o país dependente de tecnologia externa.

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