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Governo Bolsonaro nos envergonha ao entregar os Correios, quando empresas da França e Alemanha se tornam potências globais da logística
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Governo Bolsonaro nos envergonha ao entregar os Correios, quando empresas da França e Alemanha se tornam potências globais da logística


27/08/2021 - 18h54

Da Redação

Um alemão ou francês que visse a campanha publicitária feita pelo governo Bolsonaro dizendo que a privatização vai deixar os Correios ainda melhores certamente ficaria envergonhado.

É uma forma de indiretamente desvalorizar a estatal, num momento em que a capacidade de entregar encomendas se torna lucrativa e estratégica, com a explosão planetária do e-commerce.

A mídia, obviamente, apoia qualquer coisa que seja “privatização”.

Um recente texto do G1, da Globo, registrou: “A privatização dos Correios é uma das prioridades do Ministério da Economia. A estatal acumulou prejuízo de R$ 3,943 bilhões entre 2013 e 2016, mas desde 2017 vem registrando resultados positivos nos balanços anuais”.

Pouca vergonha jornalística!

O G1 registrou detalhadamente os prejuízos entre 2013 e 2016, mas não falou dos resultados positivos de 2017, 2018, 2019 e 2020. No ano passado, o lucro foi de R$ 1,5 bilhão. Este ano, 2021, deve ser ainda maior.

Se sobrasse um pouco de vergonha ao G1, ele faria o balanço completo, pois os lucros mais recentes dos Correios estão ligados, obviamente, à multiplicação das vendas pela internet, ao e-commerce.

Os Correios terão lucro explosivo nos próximos anos.

O preço das encomendas enviadas pela estatal brasileira equivale a 2/3 do preço do concorrente mais próximo.

Por que?

Os Correios brasileiros são a única empresa que cobre 5.570 municípios do país.

Em 5.246 deles a operação é deficitária, o que é mais do que compensado pelo lucro nos outros 324 municípios.

Afinal, segundo a Constituição de 1988, os Correios são um serviço público, não destinado ao lucro.

Enquanto o Brasil demole esta instituição, essencial para facilitar o comércio e, portanto, bombar a economia, a França e a Alemanha investem para tornar os seus próprios Correios empresas multinacionais.

São empresas estatais, ambas com cerca de meio milhão de funcionários. Que oferecem serviços financeiros e de transporte internacional de encomendas.

No Brasil a estatal francesa responde pelo nome de Jadlog.

E a estatal alemã é a DHL, Danzas e afiliadas.

Em outras palavras, alemães e franceses descobriram que podem faturar os tubos transferindo compras do e-commerce entre continentes.

Mas, no Brasil, o governo Bolsonaro quer entregar a galinha dos ovos de ouro para uma empresa privada.

Que, ao extinguir a agência, por exemplo, de São João do Piauí, vai tornar mais caras as encomendas para a progressita cidade do interior do Piauí.

Vai trabalhar contra o comércio. E contra as pessoas que compram pela internet. Como diria o saudoso Paulo Henrique Amorim, viva o Brazil!

A privatização dos Correios já passou pelos 300 picaretas da Câmara. Agora, é preciso desejar que reste alguma sanidade ao Senado.

Caso contrário, DHL, Jadlog e a norte-americana Federal Express poderão deitar e rolar com tarifas mais altas.

Muito embora nosso entrevistado, Marcos César Alves Silva, vice-presidente da Associação dos Profissionais dos Correios, diga que empresas como as lojas Marisa, a Ali Baba e a Amazon — grandes usuários dos Correios — não estejam interessados na privatização.

Todos eles poderiam montar suas próprias transportadoras e sistemas de entrega.

Mas, usam os Correios.

O que mais os preocupa estas empresas, apresentadas pelo governo como candidatas à privatização, é que os Correios caiam na mão de um concorrente — a norte-americana Amazon, por exemplo — o que em tese poderia atrasar as entregas de todas as demais empresas do varejo.

Um verdadeiro desastre!

Só num governo capacho e desastroso como o de Jair Bolsonaro a pretensão é de entregar uma empresa lucrativa que pode bagunçar a livre disputa entre as grandes empresas varejistas!





10 comentários

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Nelson

30 de agosto de 2021 às 14h09

Qualquer economista sério vai reconhecer que os países que alcançaram níveis mais elevados de desenvolvimento só chegaram lá porque tinham um Estado forte a ditar o rumo a seguir. É o que diz o filósofo e linguista estadunidense Noam Chomsky.

Como os países ricos, Estados Unidos à frente, não desejam que os países pobres ou em desenvolvimento se igualem a eles ou mesmo cheguem perto, passaram, através das receitas “milagrosas” do duo FMI/Banco Mundial, a prescrever o Estado mínimo. Com esta receita, os países ricos procuram atingir dois objetivos:

1 – Evitam que os países pobres, ao investirem nas suas potencialidades, tenham condições de fazerem suas economias avançarem a ponto de virem, em prazo não muito longo, a se tornarem competidores deles no mercado mundial.

2 – Por meio das privatizações, vão se assenhoreando do patrimônio e das riquezas pertencentes aos povos dos países pobres. Assim, vão ampliando os espaços de obtenção de lucros por suas grandes corporações, ao mesmo tempo em que viabilizam a consecução do objetivo primeiro.

Podemos chamar os países ricos de um monte de coisas, porém, há que reconhecermos sua imensa capacidade de engendrar mecanismos engenhosos que, apesar da intensa propaganda que fazem, não têm qualquer objetivo altruísta. Seu objetivo é, unicamente, manter os países que estão abaixo deles sob seu tacão pelo resto dos tempos.

Então, as privatizações não trarão qualquer benefício para a esmagadora maioria do povo e, por consequência, para a nação como um todo. As privatizações só trarão ganhos para uma ínfima parcela da população que fica longe de 1% do total e para os acionistas das grandes empresas que vierem a se assenhorear das riquezas do povo.

Em entrevista concedida ao jornalista Silio Boccanera, o economista sul-coreano, Ha Joon Chang, deita por terra o mito do Estado Mínimo e conta como o país mais capitalista do mundo, reino da iniciativa privada, os EUA, só conseguiu resistir ao colonialismo inglês no século 18 com medidas firmes impostas pelo …. Estado.

A entrevista de Ha Joon Chang está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=WKNC1VnxQis. Num vídeo de pouco mais de três minutos, ele acaba, inapelavelmente, com dogmas neoliberais/liberais/privatistas.

Se aceitassem as imposições que eram feitas pela Inglaterra no século 18, os EUA estariam até hoje vendendo peles. Com esta afirmação, Noam Chomsky ratifica as afirmações de Chang acerca das políticas adotadas pelo governo (Estado) estadunidense para proteger seu incipiente parque industrial da concorrência inglesa.

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Filho Neto

30 de agosto de 2021 às 00h17

As vezes, o peao demora para perceber que é peao. O governo trata todo mundo igual… a nao ser que a pessoa tenha um cargo muito elevado com poder de negociação.
O politico promete melhorias na profissao, mas nao cumpre as promessas nem para quem dirige o orgão, as vezes.
Certas promessas quem acredita é pq nao conhece os politicos.
Há qtos anos os vemos prometendo as coisas e nao cumprindo.
Nao adianta tapar o sol com a peneira. Isso é um metodo dado inicio no governo FHC. Tem pouca chance do trabalhador reverter isso. Ainda mais com as categorias desunidas e lutando separado. O governo espertamente privatiza os orgaos em separado. COMPREENDE. Separado. Pra que sindicato, né !
Certa vez ouvi desses ‘servidores’ apaniguados do prefeito que nós povo eramos um bando de fudidos. La naquela epoca esse tipo de servidor ganhava ja 6 mil na prefeitura.
O peao é a raça mais desunida que tem. As vezes, a pessoa (peao) pensa que é igual a autoridade maxima do orgao. Pensa que o governo o vai tratar igual a essa autoridade. Só que nao. Nao vai. O governo nao tá nem ai para a categoria.
Ja vi muita gente boa pedir as contas e ir embora pq sacou que era tudo cascata o que prometeram.
Esse modus operandi de tb nao ter concursos pode colapsar os orgaos no medio e longo prazo.
Tao dizendo na Faria Lima que o Guedes perdeu. Nao vejo no que. Quem perde é só o povo. Esse jogo é viciado.
Enquanto a Luta for de orgaos e categorias separadas o trabalhador SEMPRE vai perder.

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Romeu Lins

29 de agosto de 2021 às 03h33

Chama o Eduardo Cunha para defender os interesses da categoria.
Ou então aceita a sugestão do Bozo e compra um fuzil para andar de moto igual os barbudinhos do Afeganistão ou igual traficante.
Os caças americanos e russos se brincar voam mais rápido do que um projétil de fuzil.
Talvez andar cheio de dinamite presa ao tronco no corpo resolva nossos problemas.
FORA da política não tem solução para problemas coletivos. E um simples emprego depende da POLÍTICA.
Ser um exímio atirador não garante o bife na mesa, o arroz, o feijão, a cueca nova, a calcinha rendada.
Talvez esse super atirador dependa da esposa dele para o resto da vida.
Cargo estável, não é cargo vitalício.
O que é hj pode não ser amanhã. Já vi profissão top virar pó. Ainda mais com a modernidade moderna. Ou líquida.
Nossa indústria é obsoleta.
Não emprega mais como antes. E não garante bons salários.
OS salários de entrada são baixos em todas profissões basicamente.
A política para o povo é se o Lula roubou ou não.
Estão mais por dentro do BBB do que da política.
Então, ou o povo aprende a GOSTAR de política e entender ou sempre será usado, até por políticos juniores.
Agora não dá para desbater a panela.
As vezes, certas atitudes visão apenas a carreira política, porém essa pessoa não tá nem aí para o órgão ou categoria.
Até o povo aprender política vai levar muita bola nas costas ainda. E talvez 2.

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Riaj Otim

28 de agosto de 2021 às 19h35

a democracia é fazer o que a maioria quer. Durante os governos Lula e Dilma , quase todo dia os funcionários faziam manifestações querendo que privatizasse e por isso quase todos votaram no Mito. Agora esse tem obrigação de privatizar e demitir todos

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Breno

28 de agosto de 2021 às 11h09

Porcaria esta jadlog. Comprei algo por um certo site e quem fazia a entrega era esta jadlog e que rastreei e depois pergunta a amiga se recebeu a encomenda. Nunca chegou, comprei de novo pela minha cidade e enviei pelos Correios e desta vez chegou até o seu destino. Correios conhece melhor o País.

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Jair de Souza

28 de agosto de 2021 às 09h35

Só fosse tão somente um caso de vergonha, a gente até poderia aguentar. Quantas vezes a gente já não fez xixi nas calças e passou vergonha? O problema é que, além da vergonha, a privatização dos Correios é a entrega para beneficiários privados de um instrumento importante para a edificação de uma vida mais digna para o conjunto dos brasileiros. É, portanto, caso não só de vergonha, mas também de agressão aos interesses de todo o povo. O curioso é saber que a portentosa estatal alemã DHL passou pelo mesmo processo, só que ao contrário: era uma grande empresa privada de propriedade estadunidense e foi adquirida pelo Estado alemão. Será que aqueles que dirigem o Estado alemão são muito burros? Será que precisam de uma dupla Bolsonaro-Guedes por lá?

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Zé Maria

27 de agosto de 2021 às 22h01

Se a JadLog adquirir os Correios Brasileiros
não será PRIVATIZAção nem Desestatização,
mas sim transferência da Estatal Brasileira
para a Estatal Francesa.
Vai ver o Guedes pensa que a França
administrará os Correios melhor do
que o Brasil.
Ou será que é porque o mesmo Grupo
detém o Banco Postal Estatal Francês?

https://www.tecnologistica.com.br/portal/noticias/85563/geopost-adquire-38e-passa-a-deter-98do-capital-da-jadlog

https://www.jadlog.com.br/jadlog/quemsomos
https://www.dpd.com/group/en/company/geopost
https://www.dpd.fr/professionnels/nous-connaitre
https://www.groupelaposte.com/fr/les-chiffres-cles-du-groupe-la-poste
https://www.groupelaposte.com/fr

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Zé Maria

27 de agosto de 2021 às 20h45

Por certo o General Pezaduello será
o “CEO” dos Correios Privatizados.

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