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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Jornais “parecem ferramentas de magnatas”. Estamos falando de Israel

12 de agosto de 2011 às 14h33

Protests Force Israel to Confront Wealth Gap

por  ETHAN BRONNER

New York Times, em 11.08.2011

TEL AVIV —Eles estão no foco das colunas sociais e nas páginas das revistas de papel brilhante. Alguns são elogiados pela alas de hospitais que bancaram, outros são motivo de fofocas por conta de suas artimanhas.

Mas, nos dias de hoje, o punhado de famílias ricas que domina a economia de Israel está assumindo um novo papel:  o principal alvo dos manifestantes acampados que chacoalharam Israel no mês passado.

Os “magnatas”, como eles são conhecidos mesmo em hebreu, estão enfrentando o raivoso escrutínio das famílias de classe média que reclamam que um país que já foi visto como exemplo de igualdade hoje tem uma das maiores taxas de desigualdade entre ricos e pobres no mundo industrializado.

Os manifestantes acampados, que mudaram o debate público ao exigir moradia barata e outros bens essenciais, divulgaram um documento esta semana pedindo uma nova agenda socioeconômica. O principal objetivo: “Reduzir a desigualdade social”.

“O que mantém estas pessoas nas ruas é a pergunta:  se estamos todos enfrentando dificuldades e estamos todos trabalhando e pagando impostos, quem é que está lucrando?”, disse Daphni Leef, o cineasta de 25 anos de idade que começou o movimento de protesto no Facebook e continua no centro das manifestações. “Sabemos que certas famílias tem muito dinheiro e influência, mas não há transparência. As pessoas se sentem enganadas”.

As famílias — os Ofers, os Dankners, os Tshuvas, os Fishmans e outros — representam os 10 maiores grupos de negócios do país e juntas controlam cerca de 30% da economia.  Elas vão sem dúvida ser alvos de uma nova série de manifestações planejadas para sábado à noite.

“Está se tornando claro para mais e mais pessoas que a questão da concentração de riqueza se tornou importante”, disse Einat Wilf, um legislador que apresentou um projeto de lei no ano passado para lidar com a situação. “Como resultado dos protestos, há muito mais vontade política para enfrentar o problema que no passado”.

Outros alegam que a concentração de riqueza é apenas um dos fatores que contribuem para o atual lamento da classe média e que focar exclusivamente nisso desvia a atenção de outras questões igualmente importantes. Eles citam questões como o inchaço do orçamento de defesa, subsídios para os religiosos ultra-ortodoxos e o custo dos assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalem, onde o ministério do Interior anunciou na quinta-feira que vai construir 1.600 unidades habitacionais e faz planos para outras 2.700.

Mas a questão da desigualdade encontra grande ressonância populista. Embora a economia de Israel seja forte, os dados sobre concentração de riqueza, publicados pelo Banco de Israel, são impressionantes. Um pequeno grupo de empresas controlado por famílias tem bancos, redes de supermercados, empresas de mídia, companhias telefônicas e de seguros. Eles dependem fortemente de dinheiro emprestado, colocando em risco a economia como um todo, e controlam a economia através de uma rede de empresas interconectadas, tornando mais difícil disputar o mercado dominado por elas.

“São chamados esquemas de pirâmide porque, através de ações de uma empresa,  controlam uma segunda empresa e, através dela, uma terceira”, diz Eytan Sheshinski, um economista da Universidade Hebraica de Jerusalem. “Eles movem os seus lucros através da pirâmide, o que não poderia acontecer nos Estados Unidos, por causa de como funciona a cobrança de impostos lá”.

Ainda assim, o estudo do Banco de Israel mostra que enquanto nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha a concentração de riqueza é muito menor que em Israel, o país não é diferente de muitas outras democracias. Baseando-se nos bens das dez maiores empresas familiares, Israel está na mesma situação da Suiça, da França e da Bélgica, e a riqueza é muito menos concentrada que na Suécia, por exemplo.

No outono passado, o primeiro ministro Benjamin Netanyahu formou um comitê para examinar a concentração de riqueza e para reduzir o poder dos monopólios.

“Uma pirâmide é uma ferramenta para ampliar fortemente o poder de seu capital e ter controle sobre grande entidades econômicas”, disse o professor Eugene Kandel, assessor econômico-chefe do sr. Netanyahu em uma entrevista. “Sabemos, ao olhar para outros paises, que grandse grupos econômicos endividados podem reduzir o crescimento, causar instabilidade e dificultar a competição. O comitê nomeado pelo primeiro-ministro Netanyahu trabalha para evitar que isso cresça em Israel”.

Daniel Doron, que dirige o Centro para Progresso Econômico e Social de Israel, uma organização de pesquisa pró-mercado, disse que está convencido de que os bens quase falidos que foram privatizados nos anos 80 e 90 levaram a uma consolidação perigosa, da mesma forma que aconteceu na ex-União Soviética e em países árabes, como o Egito e a Síria. Bancos, construtoras e mineradoras, todas controladas por agências do governo e enfrentando graus variados de problemas, foram vendidos àqueles que tinham dinheiro para comprá-las.

“Foi a venda de bens para amigos”, o sr. Doron disse. Quando a economia se recuperou no fim dos anos 90, estas companhias usaram suas fortes posições no mercado para aumentar suas tarifas fortemente, ele disse, acrescentando, “hoje, toda a economia de Israel é construída sobre a capacidade das elites de tosquiar os consumidores”.

Na época das privatizações, alguns dizem, a direita apoiava por motivos ideológicos e a esquerda queria tirar a economia das mãos do governo, que era controlado pela direita.

O resultado — o número limitado de indivíduos controlando a maior parte dos bens nacionais — preocupa israelenses da direita e da esquerda. Talvez o melhor exemplo é Nochi  Dankner, presidente do IDB Holdings. O grupo dele controla a Super-Sol, maior rede de supermercados; a Cellcom, a maior empresa de telefonia; a Netvision, uma das maiores empresas de internet; e Clal Finance, uma das maiores instituições financeiras. Ele acaba de comprar a fatia controladora do Maariv, um dos maiores jornais. O sr. Dankner não quis ser entrevistado para esta reportagem.

O controle das empresas de mídia, especialmente quando elas se tornaram menos lucrativas, é um dos aspectos da concentração de riqueza que preocupa muitas pessoas. As emissoras de televisão são parcialmente controladas pelos magnatas, assim como vários jornais. Sheldon Adelson, o dono de um cassino e amigo do sr. Netanyahu, publica um jornal gratuito que promove as políticas do primeiro-ministro.

Guy Rolnik, editor do Marker, um jornal financeiro de propriedade do Haaretz [diário israelense], que tem atacado a concentração de riqueza, diz que a questão não recebe cobertura da mídia porque as famílias que controlam as empresas tem medo de perder patrocinadores. Muitas vezes os jornais parecem ser apenas ferramentas de magnatas batalhando uns contra os outros, assim como certas figuras políticas.

Um jornalista de televisão, que deu entrevista sob anonimato por causa da delicadeza da questão, disse que sua estação provavelmente não fará um programa sobre a concentração de renda para não deixar os donos da emissora desconfortáveis.

Mas muitos dos magnatas estão à esquerda do sr. Netanyahu em política externa e seus jornais podem atacá-lo nisso. Outros jornais acusam o primeiro-ministro de estar na cama com os ricos. Ainda outros dizem que o foco nos magnatas é uma tentativa de desviar a atenção do custo dos assentamentos e de outras políticas fracassadas do governo.

O comitê do sr. Netanyahu deve fazer recomendações nos próximos dois meses. Elas podem incluir mudança no sistema tributário das corporações, assim como regulamentações antitruste que tornem mais difícil ou ilegal o controle de setores amplos da economia, na mesma linha dos passos dados pelos Estados Unidos na primeira metade do século 20. Mas o comitê não vai recomendar a redistribuição de renda que muitos manifestantes buscam.

“Já foi politicamente impossível protestar contra os cartéis, mas agora que 300 mil pessoas foram às ruas, temos um mandato para isso”, disse um assessor do sr. Netanyahu. “Mas o primeiro-ministro não vai fazer deste país um país socialista de novo”.

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10 Comentários escrever comentário »

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francisco.latorre

20/08/2011 - 16h10

“foi a venda de bens para amigos”..

opa. conhecemos o filme.

..

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Leonardo Câmara

13/08/2011 - 12h43

Acabou-se o jornalismo, o que existe hoje são empresas de traficância de notícias falsas e distorcidas.

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Regina Braga

13/08/2011 - 10h07

E falam que a Teoria da Conspiração é loucura…Que seja,mas os fatos reais são ainda piores.Os tea party dos judeus.Meia dúzia de inumanos governando o mundo.Ah! Ganância!!!

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    Jorge da Costa

    13/08/2011 - 19h42

    teoria da conspiração não é loucura, é antissemitismo… como já disse Nietzsche: "Os antissemitas invejam os judeus pelo capital e intelecto. Antissemitas, outra palavra para rotos e tolos." Leia o seguinte texto, você esta precisando: http://boitempoeditorial.wordpress.com/2011/07/26

Marcio H Silva

13/08/2011 - 02h34

Qual o modelo ideal? ninguem sabe ou tentou.
Concentração de renda até no meio do povo judeu?
Qual seria o modelo de sobrevivencia da imprensa "livre" sem depender dos grandes anunciantes?
Como regular e equilibrar isto?
E mais uma vez os Ricos tosquiando os pobres. O mundo hoje só tem estes dois partidos.

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Heloisa Villela: O mocinho vem montado em um cavalo branco | Viomundo - O que você não vê na mídia

13/08/2011 - 02h15

[…] Jornais “parecem ferramentas de magnatas”. Estamos falando de Israel Os efeitos da privataria […]

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O_Brasileiro

12/08/2011 - 18h16

Privatizações… Vendidas para os amigos… Aumento de tarifas… Concentração de renda…

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jaime

12/08/2011 - 15h19

"Na época das privatizações, alguns dizem, a direita apoiava por motivos ideológicos e a esquerda queria tirar a economia das mãos do governo, que era controlado pela direita." Em outras palavras, a direita no governo sempre consegue provar e comprovar que o Estado é incompetente. O capitalismo entregue a si mesmo produz sociedades idênticas ao que era o Brasil há algumas décadas: extrema concentração de renda. É para lá que estão indo os países "avançados"? Se sim, nós éramos a vanguarda e não sabíamos.

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