VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Gerson Carneiro: Alegria em meio ao inferno


22/08/2013 - 19h30

Gerson: “Evitei fotogravar miséria. E vi muito”

por Gerson Carneiro, especial para o Viomundo.

Fragmentos do Haiti.

Para fechar a trilogia dessa aventura deixei para escrever o último relato aqui no Brasil. Primeiro porque quis concluí-la, depois em razão de sua imprevisibilidade e do desgaste prazeroso físico e emocional.

Foi uma aventura gratificante, repleta de expectativas e surpresas.

Esse terceiro relato não será um texto lógico e cadenciado, mas, sim, um registro aleatório de memorias. Por isso, fragmentos do Haiti.

A noiva apressada

Sábado, 10 de agosto, véspera do início da minha viagem ao Haiti. Fui padrinho de um casamento. Planejei tudo para que não desapontasse minha esposa, amiga de infância da noiva, e não alterasse o calendário de minha viagem.

Mas, apreensivo com a expectativa da viagem, fugiu de mim o horário exato do casório. Eis que me encontrava em casa no finalzinho da tarde e o telefone tocou. Era a noiva informando que eu, o padrinho, estava atrasado. Foi aí que pus em prática toda a rapidez baiana e tudo deu certo. Celebração e festa maravilhosas.

Na manhã da segunda-feira, dia 12, encontrei meus afilhados no aeroporto na Cidade do Panamá. Estavam indo curtir a lua de mel em Punta Cana na República Dominicana.

— O que você está fazendo aqui? — me perguntaram.

— Esqueceram? Sou o padrinho. Tenho que tomar conta de vocês. Por isso estou acompanhando-os.

Estava nada. Foi uma tremenda coincidência. Eu estava indo para o Haiti e eles para a República Dominicana, que faz fronteira com o Haiti e unicamente divide o espaço geográfico da ilha com este.

FBI haitiano

Como se esperaria, com emoção e expectativas, estava eu no aeroporto de Porto Príncipe, aguardando o check in para voltar ao Brasil.

Cheguei  por volta das 11h e o meu voo só seria às 18h30. Como o traslado do acampamento ao aeroporto é complicado, aproveitei e fui junto com meu amigo Bryan Avey, que estava de partida para Los Angeles, cujo voo era às 13h15.

Ele fez o check in e seguiu viagem. Eu fiquei aguardando a abertura do balcão da companhia aérea, o que ocorreu por volta das 15h.

Antes disso, quando Bryan já estava voando, a energia elétrica do aeroporto caiu por cerca de meia hora. Encostei em uma parede e minha cultura preconceituosa me fez tenso, mas nada aconteceu.

No saguão do aeroporto, observei que cinco policiais conduziam, continuamente, seus cães em direção às malas para que as cheirassem, imagino que à procura de drogas ilícitas. Mas os cães, tão magricelas e apáticos, não se mostravam animados para cumprir a tarefa. Tanto que os policiais até abriam e vasculhavam as malas eles próprios, ficando os cães sentados, sem fazer nada.

Era notório que aqueles cães não estavam preparados para a tarefa a que estavam sendo submetidos, gerando, assim, um espetáculo grotesco de imitação de policiais do FBI. Temi: esses cães estão famintos, se cheirarem minha mala ficarão excitados com o meu sanduíche de pão com frango que trouxe do acampamento (pra aguentar a longa espera!) e estarei ferrado.

Logo percebi que minha preocupação era inútil e precipitada.Os policiais haitianos vasculhavam as malas apenas de outros haitianos, não incomodavam os estrangeiros a quem chamam de “brancos”. Lembrei imediatamente da letra da canção do Gilberto Gil e do Caetano Veloso: “O Haiti é aqui”.

Hostilidade no Haiti

Reservei uma tarde para visitar a base militar brasileira. Chegando na portaria fui informado por soldados que para adentrar à área restrita e permitida seria necessária autorização de algum superior.

Como estava acompanhado por um missionário brasileiro, que mora no Haiti e visita lá com frequência, este entrou em contato com o capelão da base, que veio a nós e autorizou nossa entrada.

Andei pela pequena área permitida, tirei algumas fotos, vi de longe o monumento aos soldados brasileiros mortos no terremoto (21 no total) e retornei.

No trajeto de volta, um soldado raso brasileiro, de nome Couto, me interpelou se eu tinha autorização da ONU para estar ali. Disse que não tinha autorização da ONU mas de um superior dele. Ele então disse que era proibido tirar fotos. No instante em que falava isso, dois soldados tiravam fotos da gente (estávamos em três). Nisso o missionário brasileiro perguntou: se é proibido tirar fotos, por que seus colegas estão tirando da gente? O soldado respondeu que eles eram da segurança.

Engraçado que éramos brasileiros, visitando a base militar brasileira, falando português…Foi a primeira e única vez que fomos fomos hostilizados no Haiti. E por brasileiros.

Concluí que eram soldados que precisavam comprovar serviço naquele dia e encontraram uma oportunidade.

O preço do bem

Ainda durante o planejamento da viagem procurei saber o volume de malas  permitido para transporte sem cobrança de taxa. Rapidamente li no site da companhia que eram permitidas duas malas de 32 quilos cada. Tudo bem. Minha mala com pertences pessoais pesava 15 quilos e a mala de donativos pesava 30 quilos.

Lá fui para o check in quando surpreendentemente fui informado que a franquia dependia do destino, e para o Haiti eram permitidas duas malas somando ambas 32 quilos. O excedente seria cobrado US$ 125 até 45 quilos. Para os EUA (indo ou voltando) eram, sim, permitidas duas malas de 32 quilos cada. Como minhas duas malas somavam exatamente 45 quilos, tive que pagar os US$ 125, mesmo informando para a atendente que a mala de 30 quilos tratava-se de donativos. A resposta obtida: “Não vou poder te ajudar nessa. Deus te recompensa”.

Ok. Deus já está me recompensando.

Haiti fragmentado

O Haiti é a síntese de toda interferência maligna humana no mundo. Percebi que todo problema do Haiti, toda miséria, toda violência, toda ignorância, é resultante exclusivamente da ganância do homem que anula qualquer preocupação com o futuro do planeta e da população.

É forte o sentimento de segregação no Haiti.

É tão evidente e marcante a questão da opressão no Haiti que a maioria dos haitianos detentores de um emprego qualquer se sente autoridade. Até o funcionário da companhia aérea, na fila para fazer a triagem dos passageiros, age como se fosse um policial interrogando um suspeito. E quando se trata de um haitiano pobre saindo do país, é humilhado. Eu presenciei isso.

É constrangedor ver haitianos humilhando haitianos.

Tratam com certa simpatia brasileiros. Poderia ter tirado proveito e ter vestido minha camisa do Brasil para conquistar alguma simpatia… Mas nem a camisa levei comigo, pois não fui ao Haiti fazer propaganda do meu país nem obter vantagens. Tampouco minha viagem foi patrocinada pelo meu país.

A população do Haiti (pelo menos da capital, há regiões diversas que não lembram em nada a capital) está à míngua. Não há transporte público, não há saneamento básico, não há hospitais, não há escolas públicas, não há segurança. A cidade inteira, exceto o bairro dos ricos, que não fiz questão de conhecer, é uma grande favela. A sensação de andar pela cidade é a de que estava andando em uma extensa favela.

É tão triste e vergonhoso que uma série de ditadores passou pelo Haiti e jogou o país na miséria total.

E o governo haitiano cobra US$ 400 dólares para um cidadão haitiano obter um simples passaporte.

Passei em frente à casa do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide que se encontra exilado em sua imensa mansão. Em uma rua esburacada, poeirenta, de repente aparece um muro alto, cercando um quarteirão inteiro. Lá dentro está o mundo particular do ex-presidente. Imagino um verdadeiro oásis.

Nessa mesma rua está o Jardim dos Pássaros. Uma enorme praça que seria pública, cercada por muros aonde só tem acesso o atual Presidente e os seus chegados.

No Haiti tudo funciona perfeitamente bem e rápido se for através de suborno. Até adoção de criança. Para um estrangeiro adotar uma criança haitiana o processo dura em média três anos. Se for através de suborno não demora três meses. O que menos importa ao esquema corrupto é a criança.

O material para construção de uma igreja, proveniente dos EUA, ficou esperando liberação no porto por sete meses.

Outra coisa chocante: vi seis vales que antes eram rios que desembocavam nos arredores da capital (um deles no centro da capital). Esses vales estão preenchidos de areia e pedras; o da capital, além de areia e pedra, por muito lixo.

Eram rios, que não mais voltarão a ser rios. Não há árvores na cadeia de montanhas que cerca a capital. Resultado de anos e anos de exploração, sem reposição, para fabricação de carvão. Matou os rios. Quem pensa que aquela conversa de extinção de rio é bobagem, que vá a Porto Príncipe conferir que não o é.

A capital do Haiti não é para turistas. É muito perigoso. Há muito ladrão. Os tiros que ouvi em duas madrugadas eram conflitos relacionados a ladrões. Aqui tenho que tomar o necessário cuidado para não cair na síntese simplista e ignorante de que a miséria aleija o caráter de um povo. Não. O Haiti tem um povo bom.

Mas uma população submetida à miséria extrema (vi pessoas lavando o rosto na água que corria na rua), ao desemprego extremo, mas com necessidades básicas e naturais de sobrevivência. Acredito que deva haver alguma ligação para explicar o alto índice de violência. Alguém com conhecimento específico saberá explicar. Não sou especialista em nada, conto apenas o que presenciei, senti, vi, e ouvi.

O índice de desemprego é altíssimo. E não é por não ter o que fazer. A ONU e o governo local deveriam estar de fato empenhados na reconstrução da capital. Implantando tudo o que necessário é e já relatei sobre a ausência: escolas, saneamento, segurança, pavimentação, transporte. Chego a pensar até no despropósito da MINUSTAH (Mission des Nations Unies pour la Stabilisation en Haiti) com a reconstrução do Haiti.

Em nome de Jesus

Em que pese a mensagem transmitida no filme “Quanto Vale ou É por Quilo?”, a presença de missionários evangélicos no Haiti é um alento para o povo sofrido.

Tive a oportunidade de estar em um culto evangélico e presenciei a entrega do povo à alegria de estar ali louvando, cantando e dançando. Em dado momento pareceu que estava eu em um salão de festa, sentindo o calor de adultos e crianças cantando e dançando.

Eles lêem o evangelho, pregam um pouco e depois caem na “farra”. Muito diferente dos cultos evangélicos no Brasil.

Como se vê no vídeo amador gravado por mim (está abaixo). Nele, o pastor haitiano Frederick Nozil aparece tocando baixo elétrico. Aliás, o pastor morou nos EUA e estava prestes (faltava um dia para vencer o prazo) a assinar a documentação para ganhar o visto americano permanente, mas teria que residir para sempre lá. Decidiu voltar para o Haiti para cuidar do seu povo.

Fiquei a pensar o que seria daquele povo sem a oportunidade de manifestar tamanha alegria.

Muintos dançam sem ter comido nada naquele dia. Observei que naquela tarde ninguém havia comido nada. Apenas bebido água.

Conheci um missionário evangélico americano, Thomas Osbeck, que está no Haiti desde 1998. Passou por vários momentos tensos. Apanhou diversas vezes de milicianos. Não foi assassinado porque gerenciava um orfanato, mas sofreu extorsão várias vezes. Hoje gerencia também uma escola que fundou para dar continuidade aos cuidados às crianças órfãs. Em torno de 250 crianças.

O governo haitiano só autoriza o funcionamento de igreja se esta mantiver uma escola em suas dependências. Transferindo assim a função e responsabilidade da Educação.

Fiquei hospedado com missionários evangélicos brasileiros que lá estão há dois anos: Marlon Mata, Rafael Lira, Vanessa Thomaz, Dilenee Lopes, Cristilene Pereira e Lucas Sobreira.  Fazem um trabalho relevante para manter elevada a autoestima do povo haitiano.


Água mole em pedra dura…

Nem sempre fura. O povo haitiano tem uma resiliência vigorosa (capacidade de, após momento de adversidade, conseguir se adaptar ou evoluir positivamente frente à situação adversa).  É um povo sorridente.

Caem na gargalhada quando são surpreendidos por brancos que se arriscam a conversar com eles no dialeto Kreyol. O missionário brasileiro Marlon Mata (o mesmo que me acompanhou à base militar brasileira) gostava de surpreendê-los quando vinham conversando em inglês. Respondia em Kreyol: “Desculpe, não falo inglês, só Kreyol”.

Ouvíamos então uma gargalhada só.

“O índice de suicídio é baixo e não se vê haitiano deprimido. Desenvolveram resistência ao sofrimento”, contou-me Marlon.

Vaidade não tem nacionalidade

No geral, o haitiano é vaidoso, talvez até seja uma inconsciente fuga do seu estado de carência. É comum ver nas ruas haitianos trajando roupa social em pleno sol escaldante que produz no forasteiro a sensação térmica de 40 graus positivos. O que me disseram é que muitas vezes falta-lhes comida, mas fazem questão de se mostrarem bem vestidos.

Evitei fotogravar miséria. E vi muito.

Recompensa

Aceitei o convite e fui ao Haiti, daqui do Brasil, sozinho. Fui convidado por meu amigo americano, Bryan Avey, que reside em Los Angeles. Nos encontramos no aeroporto de Porto Príncipe. Foi uma viagem cheia de expectativas, até de medo. A volta, do momento que saí do acampamento até o em que entrei em casa, durou 24 horas. Toda a viagem produziu um cansaço físico e emocional, por tudo que vivi. Mas foi muito gratificante.

No penúltimo dia, aproveitei para ir à praia. No Haiti, paga-se para frequentá-las. Há praias de US$1, 10, 20 e 40 dólares. O diferencial é a infraestrutura, mas todas são naturalmente lindas. A que fui, fica a 70 quilômetros da capital. E custava U$ 20 dólares.

Cheguei em casa no Brasil na quarta-feira, 21 de agosto, às 10h. Fiquei de quarentena, vivendo o estado do choque cultural reverso. E na manhã do dia seguinte, ou seja, hoje, registrei estas memórias.

Leia também:

Gerson Carneiro: No Haiti, não há espaço para a soberba





22 comentários

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edir

28 de agosto de 2013 às 16h14

Vi na TV alemä se näo me engano em 2008 uma reportagem sobre a capital do Haiti. Na maior favela da cidade, uma senhora fazia päo com terra, isso mesmo. Ela usava alguns ingredientes e acrescentava terra à massa . Os “päes eram vendidos aos moradores da favela. Os “paes” eram amassados no chäo e assados num “forno” improvisado. Tudo a ceu aberto. Me deu tanta dó daquele povo que näo consegui dormir naquela noite.

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    James

    21 de junho de 2016 às 14h55

    Edir

    só para te esclarecer melhor, eu sou Haitiano, e aquilo que vc viu na TV não era pão de fato, é um tipo de produtos q uma parte do povo haitiano gostar de comer, n é feito com terra normal, é uma substancia especial que vem da terra, de fato esse produto tem alguns lado bom para a sáude, e tbm lado ruim ! Quem consome ele é pq está precisando. Cada pais tem suas tradições próprias, no Brasil de fato não existe esse produto pq somos dois povos de cultura diferente. Esse produto não é pão comum !

edir

28 de agosto de 2013 às 16h00

Me deu até vontade de viajar para lá, apesar das descricöes que voce faz, da miséria e dificuldades. Quem sabe um dia , eu consiga.

Responder

Gerson Carneiro

25 de agosto de 2013 às 16h23

Gostaria de responder um a um, cada um de vocês leitores. Vou responder para todos.

A cada comentário que leio fico emocionado, apaixonado, e gratificado.

Sou imensamente grato ao VIOMUNDO que abriu esse espaço e me deu essa oportunidade. Não se trata de contrato, nada disso. Foi um trabalho voluntário e espontâneo que não teria a visibilidade que está tendo não fosse a generosidade do VIOMUNDO. Em especial da melhor repórter do Brasil, que eu sou fã incondicional, que se chama Conceição Lemes.

Quando fui convidado, lá no início do ano, pelo meu amigo Bryan Avey para ir ao Haiti, aceitei de pronto. E logo comentei, à época, com a Conceição Lemes sobre a possibilidade da minha viagem e ela me disse que o VIOMUNDO estaria aberto para eu publicar, se eu quisesse, um texto sobre o Haiti. E ficamos assim.

Viajei e tomado pela emoção fui escrevendo sem planejamento prévio. Nem eu esperava que o resultado seria esse, tão gratificante.

Estou muito feliz. Agradeço ao VIOMUNDO, ao Luiz Carlos Azenha, à Conceição Lemes, e a cada um de vocês. Vocês, leitores, completam essa aventura. Muito obrigado. Um forte abraço.

Responder

Elias

25 de agosto de 2013 às 02h14

Gerson

No primeiro relato “Revivendo infância em cidade pobre da Bahia” eu disse que você poderia trazer um livro sobre sua experiência no Haiti. A trilogia confirma minha sugestão. Caro Gerson, seu texto nos faz ver o que você viu nitidamente nesse país: o povo haitiano. Espero que uma boa editora o contrate o mais rápido possível. abs.

Responder

Dilene

24 de agosto de 2013 às 21h35

Amigo Gerson, voce escreve muito bem, em poucos dias conseguiu descrever muito do Haiti. Que privilegio ter hospedado e conhecido voce. Meu desejo e que este artigo nao apenas gere reflexoes e comentarios, mas que seja uma voz que soe de maneira a convidar o outro para mudar, ajustar o seu olhar para esse povo que acorda todos os dias com a esperanca de um Pais melhor!!! Nao sabemos a hora e nem o dia desse acontecimento mais estamos aqui com eles, vivenciando cada abrir dos olhos, comendo a sua comida, falando a sua lingua, pegando o seu transporte, morando nao apenas no seu Pais…Entrando no mundo das suas ideias.
Todos os dias me deparo nao apenas com a pobreza, mais tambem com a frieza de que se trata da indignidade desse povo. E facil lutar pela justica quando vivemos sob os palacios da riqueza, dificil e repartir de forma justa e igualitaria o que temos a favor dos pobres.

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Lafaiete de Souza Spínola

24 de agosto de 2013 às 19h30

Triste é pensar que o grande vizinho investe milhões de dólares em cada foguete teleguiado para ser lançado pelo mundo afora.

Mas falta verba para levantar escolas e melhorar um pouco a vida de um povo tão sofrido.

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Luiz filosofo

23 de agosto de 2013 às 22h11

Muito interessante e curioso o seu relato. Imagino a confusão ou turbilhão de emoções que vc teve ao lhe dar com esta realidade hostil, infernal, diria. Um país que é esquecido e q foi explorado colonialmente por anos, séculos. Deve ter sido um baque emotivo forte ver gente que ainda não é um ser humano no sentido pleno desta palavra. Como diz Enerst Bloch, um “ainda-não-ser”, um ser negado, incompleto. O pensamento sofre, o coração taquicardia e os sentimentos se revoltam. Mas é a sua experiência ímpar, inesquecível, um combustível para fazer vc ser mais ainda um contestador do sistema do capital, do lucro pelo lucro de minorias. Mas o bom de tudo isso é que sua sensibilidade para com o outro, com o próximo está mais viva e forte do que nunca. Portanto, tudo vale a pena quando a alma não é pequena, como diz nosso poeta Fernando Pessoa. É percebendo a dor e o sofrimento do irmão que nossa fraternidade expande, se fortalece e se avoluma. Feliz Existir!

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renato

23 de agosto de 2013 às 20h17

Gostei do Religioso Americano.
De sua devoção que você narrou.
As vezes eu ficava brabo, por
ler americanos falando de nós.
Do tipo: Eles se comportam assim
Falam assim, movimentam-se assim
festejam assim, tem o hábito de..
Hoje somos nós que radiografamos
outros Povos…
Desculpe, foi só um sentimento.
Acho que pela pobreza em que eles
estão, mesmo assim vão sobrevivendo.
Obrigado por trazer bem próximo
sentimentos que não são os de uma
praia de Florianópolis.
Valeu.

Responder

Nilva Sader

23 de agosto de 2013 às 19h17

Parabéns, Gerson!Não tem como não se emocionar com o magnífico relato desta sua experiência no Haiti.

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Gilberto

23 de agosto de 2013 às 10h24

Acho que seria bastante útil que, sempre que nos referíssemos ao Haiti atual, com todas as suas misérias, contextualizássemos a história antiga do país: o Haiti já foi um dos países mais prósperos das Américas, o PRIMEIRO do mundo a abolir a escravidão e o SEGUNDO das Américas a conquistar sua independência. Claro que isso jamais seria perdoado pelas nações imperialistas, hoje chamadas de “desenvolvidas”, e o Haiti foi então premiado com um bloqueio comercial perverso de 60 anos, invasões, ameaças, a cobrança de uma dívida absurda e imposição de sucessivos presidentes corruptos e ditadores, títeres daquelas nações. Tudo isso acabou com o Haiti e aquele país jamais se recuperou, mas foi tudo cruel e meticulosamente planejado, o crime do Haiti foi se destacar positiva e independentemente no cenário mundial, unindo prosperidade e ideias libertárias, assim como Paraguai, Cuba e outras nações africanas, recentemente, e outras nações no passado. Mais informações aqui: http://www.midiaindependente.org/pt/red/2010/01/463568.shtml

Responder

    renato

    23 de agosto de 2013 às 17h11

    Bem lembrado Gilberto.

Paulo

23 de agosto de 2013 às 09h43

O Gerson leva jeito para literatura de viagem. Vai fundo amigo

Responder

Mardones

23 de agosto de 2013 às 08h50

Parabéns pela viagem e pelo diário.

Responder

Magda Viana Areias

22 de agosto de 2013 às 23h59

Gerson, parabéns pela coragem e pela solidariedade prestada ao povo haitiano

Responder

Hélio Pereira

22 de agosto de 2013 às 21h17

Gerson,parabéns por suas “Férias/Trabalho” seu artigo ficou muito bom e imagino que você viu mesmo muita miséria,que vem obrigando nossos irmãos a migrar em busca de condições melhores na América do Sul,principalmente no Brasil.
Gerson no Brasil chegam em média 40 Haitianos todos os dias,este pessoal esta “acampado” na Cidade de Brasiléia no Acre,num verdadeiro “Campo de Concentração”.
Em Brasiléia existem 800 haitianos,num espaço de 200 metros quadrados,protegidos por um Telhado de Zinco,num calor de 40 graus.
Neste local existem apenas cinco Latrinas(Banheiros) e 10 chuveiros,eles não falam nossa língua e não contam com nenhum tradutor,o esgoto corre a céu aberto e existem dezenas de casos de diarréias.
Acho lamentável que o Governo Federal não tenha tomado nenhuma Providência pra minorar o sofrimento dos imigrantes Haitianos,que muitas vezes estão em situação pior no Brasil,do que estavam em seu país de origem,onde pelo menos eles conseguiam se expressar.
Espero que seu artigo desperte em nosso Governo um minimo de solidariedade a este Povo tão sofrido que é tratado pior do que animal na cidade de Brasiléia e saiba que eles não vem ao Brasil fazer Turismo,mas tentar sobreviver.
Bom regresso Gerson Carneiro e que Deus o acompanhe em seu retorno.

Responder

MarceloBA

22 de agosto de 2013 às 20h55

Mandou bem, Gerson! A leitura flui bem. E, pelo menos no meu caso, envolveu. O texto é simples, mas muito bem escrito, o que torna a leitura agradável. E a sua tradicional versão sacana dos fatos aparece aqui com um formato mais formal, sem deixar de ser contundente, cortante. Parabéns pela iniciativa! Vai fundo! Abraço

Responder

Sônia Bulhões

22 de agosto de 2013 às 20h46

Amigo Gerson,

Estive por 15 dias no Haiti em 1997, em reunião do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos, como vice presidente desse movimento que tem sede em Bruxelas. Terminado o programa, saimos de dois em dois membros do Conselho para intercambio com os militantes do interior do país e a mim, com minha tradutora mais um padre belga, fomos à República Dominicana, ao norte em Santiago de los Cabaleros. A viagem em si na ilha, foi de um sofrimento indescritível. Desconforto físico e psicológico. Sofri tanto por aquele povo carente de tudo, mas de tudo mesmo e hostilizado pelo vizinho menos pobre (RD). Vi tudo isso que vc descreve, e mais: soldados americanos naquele aeroporto que mais parecia um campo onde houvera uma espécie de guerra. Cada vez que falo nisso não contenho a comoção….. Quando retornei ao Brasil, fiquei um mês em depressão. Era gente tão valorosa, sonhando com futuro melhor e nós tão impotentes para fazer algo. Tínhamos a proposta que foi levada para a ONU da taxa Tobin, para tentar acabar com a pobreza no mundo. UTOPIA. UTOPIA.
de lá para cá muito mudou, infelizmente para pior…. pobre povo.

Responder

Gerson Carneiro

22 de agosto de 2013 às 20h40

De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora…

Agora está tão longe
Ver a linha do horizonte me distrai

Vento no Litoral – Legião Urbana

Responder

FrancoAtirador

22 de agosto de 2013 às 20h05

.
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Muito bom!
.
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Responder

    FrancoAtirador

    22 de agosto de 2013 às 20h08

    .
    .
    Muito bom é pouco:

    Ótima narrativa

    e brilhante abordagem.
    .
    .

João Antônio

22 de agosto de 2013 às 19h41

Gerson, senti inveja da sua coragem. E também da tua ternura. Muito bem, cara!

Responder

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