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Diário da Resistência


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Genivaldo Neiva: Você quer saber de onde nascem os bandidos?


16/08/2013 - 12h32

por Genivaldo Neiva, no blog ComTextoLivre, do José Carlos Ferreira

Toda mãe católica tem o sonho de ver os filhos passando pela preparação da primeira eucaristia (antigamente se dizia “primeira comunhão”) e comungando todo compenetrado, feito gente grande. Toda mãe católica comenta com imenso prazer que o filho já sabe “responder” uma missa inteirinha. E em voz alta. (O problema é que alguns meninos ficavam enrolando, falando baixinho e sempre esperando que o vizinho começasse a resposta.)

Pois é, depois de algum tempo fica tudo meio automático e a gente repete até sem pensar no que está respondendo. Também, depois que aprende não esquece mais. Eu mesmo posso levar anos sem participar de uma missa que ainda me lembro de todas as respostas. A consequência disso é que algumas pessoas continuam repetindo frases sem compreender o significado e outros ficam esperando alguém começar a falar para continuar com a resposta.

Uma das respostas que me deixavam mais intrigado era quando o padre dizia “O Senhor esteja convosco” e todos respondíamos: “Ele está no meio de nós”. Claro que eu sabia que “Ele” não estava presente em carne e osso, mas não conseguia deixar de dar uma olhadinha para o lado em busca “Dele”.

Um dia desses usei esta expressão meio sem querer e fora do contexto da missa católica. Era um desses tantos eventos para discutir a violência, marginalidade, segurança, da necessidade de mais policiais na cidade, mais viaturas, mais armas, mais rigor na aplicação da pena de prisão e assuntos afins.

Estava cansado de ouvir as pessoas defendendo ideias absurdas do tipo “bandido bom é bandido morto”, “devia existir a pena de morte e prisão perpétua” e outros absurdos mais… Era como se “respondessem” uma missa induzidos por respostas prontas e decoradas.

Não sei por que as pessoas, seja aqui ou em outros locais que a televisão mostra, adoram ver os “criminosos” presos, algemados e sendo jogados em um camburão. Em contrapartida, as penas alternativas são sempre motivo de deboche e gozação: “ta vendo aí, não deu em nada! Algumas cestas básicas e o cara não foi preso nem um dia”! É assim, ou não é? A grande mídia se transforma em padre e as pessoas começam a repetir…

Voltando ao assunto “Dele” no meio de nós, depois de me conter, no referido evento, durante um bom tempo, perdi a paciência, o que ocorre muito raramente, e discursei furiosamente:

Vocês se referem a bandidos, marginais, delinquentes e outros adjetivos mais e se esquecem que os bandidos são pessoas humanas e filhos do mesmo Deus de todos nós!

Vocês esquecem que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança!

Vocês esquecem que todos os homens e mulheres são iguais perante a Lei!

Vocês esquecem que nossa República é fundada na cidadania e na dignidade da pessoa humana!

Vocês se transformaram em máquinas que apenas repetem o que a televisão manda!

Vocês pensam que esses tais bandidos nascem das bolhas que pipocam nos esgotos fedidos que cortam as ruas da periferia das cidades?

Vocês pensam que bandidos nascem da fumaça ou da quentura do lixo jogado a céu aberto nas margens das rodovias?

Vocês pensam que bandidos nascem nas varas das tabocas que abundam o lamaçal que se transformou o que um dia foi chamado de riacho?

Vocês pensam que bandidos nascem do fedor que exala das lagoas transformadas em fossa para receber o esgotamento sanitário das cidades?

Vocês pensam que bandidos nascem das cinzas ou do carvão que estão fazendo com as poucas árvores que sobraram da caatinga?

Vocês pensam que bandidos caem do céu com as tempestades de granizo?

Vocês pensam que bandidos chegaram do espaço em uma nave espacial?

Vocês pensam que bandidos saem da terra vindo das profundezas do inferno?

Vocês pensam que bandidos são filhos do demônio?

Não! Não e Não! Chega de mentira! Chega de repetição!

Ora, vocês querem saber de onde nascem os bandidos? Querem?

Os bandidos nascem da falta de carinho dos pais com seus filhos quando ainda são crianças!

Os bandidos nascem da falta de escolas bem equipadas e professores estimulados!

Os bandidos nascem da falta de postos de saúde para cuidar dos filhos de vocês!

Os bandidos nascem da falta de políticas públicas de incentivo à cultura, ao lazer e aos esportes para os filhos de vocês!

Os bandidos nascem da falta de quadras poliesportivas, de centros culturais, de bibliotecas, de cinema e de teatro!

Os bandidos nascem da falta de uma profissão e do desemprego dos filhos de vocês!

Os bandidos nascem da roubalheira do dinheiro público!

Os bandidos germinam nos cofres abarrotados de verba pública desviada!

Os bandidos nascem da violência da polícia contra os filhos de vocês!

Os bandidos nascem do preconceito que a elite alimenta contra os pobres e negros da periferia!

E o pior de tudo: os bandidos nascem da falta de sonhos e da falta de perspectivas para os jovens!

E para terminar, se vocês querem saber mesmo, os bandidos nascem no meio nós e estão no meio de nós! Eles estão no meio de nós! Entenderam?Eles nascem e estão no meio de nós! Nascem e morrem por culpa nossa, nossa culpa! Nascem da nossa falta de pensar! Nós somos seus pais e mães e algozes ao mesmo tempo! Nós os criamos e os matamos!

Então, pergunto a vocês: quem é o bandido pior: o bandido que nasce do descaso do poder público ou bandido travestido de homem público que rouba o dinheiro que seria destinado à construção de escolas, creches, praças e hospitais?

Quem é o bandido pior: o que rouba para comprar crack ou quem permite que os jovens deste país, por falta de oportunidades, sejam seduzidos pelas drogas?

Quem é o bandido pior: o que não sonha ou quem lhe roubou o sonho? Bandido pior, se vocês querem saber, é quem transforma os jovens desta cidade e deste país em bandidos!

Ora, ora, vocês pensam que vão acabar com a violência matando os bandidos, mas vocês só enxergam os bandidos que nascem do meio de vocês mesmos! Filhos de vocês, primo, sobrinho, filho do amigo de vocês, o amigo de infância…

Passam a vida repetindo! Não querem ver os bandidos de verdade! Os ladrões dos sonhos!

Não, gente, não é assim que teremos paz! Não é defendendo a pena de morte ou prisão perpétua e nem fazendo passeata vestido de branco e pedindo paz, mas evitando, sobretudo, que todos os jovens sem sonhos desta cidade e deste país sejam transformados nos bandidos de amanhã! Vamos pensar, vamos refletir, vamos compreender! Vamos todos sonhar juntos por um mundo melhor e vamos fazer desse sonho uma realidade!

Chega! Chega de tanta mentira e hipocrisia!

Um silêncio profundo… alguns tinham os olhos arregalados, outros me olhavam incrédulos e outros como que hipnotizados… Eu também não gostei de me expressar assim, mas é que estou ficando cansado e sem muita paciência!

Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito (Ba.) membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD) e porta-voz no Brasil do movimento Agentes da Lei Contra a Proibição. (Leap-Brasil)

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25 comentários

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Ereniva Moura de Souza Ferreira

25 de abril de 2017 às 01h45

Achei verdade tudo isso do texto … quando principalmente, fala de oportunidades….ele foi atrás sem sucesso… mas encontrou nas ruas as drogas …foi preso aos 18 anos por crime contra o patrimônio… e se encontrá no regime fechado,em uma cela com 38 presos , todos jovens e com a mesma história do meu filho.

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amintas m de jesus

21 de agosto de 2013 às 14h03

Toda a violencia em que vivemos hj no BRASIL,é fruto das leis idiotas,feitas por idiotas,baseadas em estudos idiotas feitos por outros idiotas e sancionada por algum idiota,e tão somente para gerar milhões de empregos,ou seja,não é mais a miséria e a falta de instrução e o analfabetismo e nem o desemprego que gera a violencia,ela foi criada e estimulada para gerar empregos pra muita gente,infelizmente ela faz parte da economia do brasil, e sem ela teremos um caos social com milhões de desempregados,,,,

Responder

francisco.latorre

17 de agosto de 2013 às 15h31

fome.

crime é fome.

fomes.

..

real fome. de comer.`

fome por comer. sobreviver.

saiu de moda.

..

virtual fome. de querer mais. e mais.

fome por dinheiros. posse. consumo.

da hora.

..

a fome da ladroagem não é proleta.

é burguesa. sub-burguesa. consumista.

sinal dos tempos.

..

a bandidagem. ora..

são apenas capitalistas radicais.

querem o deles.

capital. é roubo.

enfim.. ou roubam todos. ou ninguém rouba.

..

aos hipócritas de plantão..

saudações.

..

Responder

Fabio Passos

16 de agosto de 2013 às 21h53

Não há dúvida.
A desigualdade é a principal causa da criminalidade.

E os principais responsáveis são aqueles que construíram um Apartheid Social no Brasil: A diminuta “elite” branca e rica.

Responder

Daniel

16 de agosto de 2013 às 20h55

De novo isso… Eu tenho vivência suficiente no _mundo real_ para afirmar ,sem hesitar um segundo sequer, que o criminoso não é um “coitado” e também não se determina pela sua origem ou posses.

Bandido não se define pela cor e também não se define pelo credo, bandido é simplesmente bandido. TODOS NÓS, SEM NENHUMA EXCEÇÃO vivemos sob um conjunto de regras de convivência que nos separam da barbárie e que torna possível que tenhamos cidades, estados e países. E TODOS SABEM, SEM EXCEÇÕES, que tais regras não podem ser quebradas, pois se forem quebradas a nossa frágil civilização vira barbárie. E TODOS SABEM, SEM EXCEÇÕES, que quem quebra estas regras PAGA POR ISSO, independente de ter um literal pé-rapado ou um banqueiro podre de rico. O último pode subornar políticos e continuar livre, mas ele CONTINUARÁ sendo um criminoso.

Se pobreza fosse desculpa para ser criminoso, 40% da nossa população seria composta por bandidos, talvez mais. E quem vive no mundo real sabe que – felizmente – não é assim.

Criminalidade é uma opção, sempre foi e sempre será. Eu já CONHECI pessoas que preferiam morrer de fome a se tornarem criminosos, e quem cruza essa linha vermelha ao se tornar um criminoso – que separa a nossa sociedade da selvageria – deve pagar por isso. “passar a mão na cabecinha” do criminoso e tratá-lo como um “pobre coitado” só dá carta-branca para criminosos cada vez mais animalescos agirem à vontade.

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    Edgar Rocha

    16 de agosto de 2013 às 22h05

    É exatamente o que quero dizer, Daniel. Estamos de acordo. Com a ressalva de que o discurso que vitimiza o bandido “pobre’ não se destina a denunciar sua condição, nem mudar sua situação, muito menos garante-lhe alguma condescendência quando este ataca aos “cidadãos de primeira classe”. Tal discurso não tem outro objetivo senão difundir a ideia de que todos são a mesma porcaria, além de legitimar de certa forma o delito advindo das classes dominantes: se o bandido pobre é coitado, se sua atuação é de alguma forma legítima, tenham consciência de que o que ele quer é chegar aonde outros já estão. Cafajestes não têm sexo, nem idade, nem classe social. E sabem muito bem manipular valores e sentimentos a seu favor. Se todo bandido ou corrupto pudesse provar que sua atitude é decorrência de uma pressuposta fragilidade social, seja ela qual for, tenho certeza que ninguém iria pra cadeia.

    Edgar Rocha

    16 de agosto de 2013 às 22h12

    A propósito, aquela família de bolivianos hipócritas que perderam o filho durante uma ação heroica de um jovem revoltado fez muito bem em retornar à Bolívia. O herói Diego foi visto por mim dias depois do ocorrido empinando pipa bem em frente à minha casa. Agora já deve estar bem longe.

Edgar Rocha

16 de agosto de 2013 às 20h42

Por favor, não demorem tanto pra viabilizar um comentário. A gente entra e não encontra nada do que falou publicado. Se, por acaso, for de interesse publicar o primeiro post, desconsiderem a crítica ao site. Caso contrário, tá valendo. Afinal de contas, não dá pra aguentar calado um sujeito abusado feito este juiz mostrar um pensamento tão ultrapassado (e julgo, mal intencionado) sem ter direito a responder no mesmo nível. Estou indignado com esta matéria. Já é a segunda vez que vejo este juiz fazer pirotecnia com a desgraça alheia. Demonstra tanta condescendência com o crime, mas não com o jovem que é induzido ao crime, nem com a sociedade que está sem voz, sob uma ditadura da unilateralidade de ideias.

Responder

Edgar Rocha

16 de agosto de 2013 às 20h36

Meus parabéns ao Viomundo por dar vazão a este libelo de indignação social sincera e visceral do juiz Genivaldo Neiva. Afinal de contas, alguém tem de ser responsabilizado pelo banditismo e pelo discurso fascista que atenta contra avida de nossos jovens. A culpa é deste povo maldito (todo mundo!) que não educa seus filhos, que não reclama nunca e se deixa permear pela mentalidade vigente. Bem feito a esta gente! Tem mais é que ser assaltada mesmo. Tem mais é que engolir calada a virulência do discurso do ilustre juiz sem direito a indignar-se. Baixem todos a cabeça diante do irrefutável! Estes jovens são heróis de nossa sociedade. Seu filho, acomodado e iludido com a possibilidade de ser algo diferente tem mais é que levar um tiro (da polícia ou do bandido). Se fossem mais corajosos, pró-ativos, libertários, já teriam escolhido o lado certo e mostrado ao zé-povinho hipócrita quem é que manda. Não temam, garotos. O juiz está lá pra conscientizar a todos de sua importância. E o Viomundo cumprirá seu papel fazendo valer o sagrado direito à indignação dos que, com todo direito culpabilizam a nação inteira por obrigarem os heróis a reagirem com tanta veemência contra seus algozes e detratores. Este direito pertence unicamente a vocês. O zé-povinho que engula calado e não se atreva a retrucar. A vítima não é ele e por isso não cabe a ele indignar-se nem enfurecer-se. Ele é o culpado de ‘tudo isto que tá aí”. Tem mais é que se ferrar calado. Sua função é produzir, nada mais.

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Edgar Rocha

16 de agosto de 2013 às 18h12

Tudo verdade. Só um pouquinho defasado. Troque a palavra “bandido” pelo termo “trabalhador”. Quem sabe assim poderão incitar uma certa tolerância a quem não adotou este modo de vida que, tenha certeza, senhor juiz, já é o predominante e hegemônico. O odiado não é mais o bandido faz tempo. O odiado é o “não-bandido”. Pelo menos na periferia. Até porque, quem repete feito papagaio este discurso por prisão perpétua e pena de morte o faz por pura impotência e falta de formação (bandido não precisa de escola, quem precisa é quem não quer sê-lo). Mas, tranquilize-se. Esta gentinha, este “zé-povinho”, este subproduto do esgoto da sociedade – o chamado “esquemão da sociedade”, no jargão do crime – este tipo desprezível que só faz reclamar, não mata ninguém. Por isso mesmo sonha com uma ação institucional, seja ela proporcional à sua revolta (pergunta: zé-povinho pode ser revoltado contra bandido? Pode???) ou consciente e instruída. Não é este povo que mata na rua. É a polícia corrupta que coopta para o crime, é a justiça e seus juízes corruptos que provam que um crime é sempre fruto da desigualdade social e da vitimização do bandido, é o tráfico e o crime organizado que paga estes caras pra conferirem a eles o direito de vida e morte acima da lei nas periferias. Considere isto antes de fazer demagogia com este discursinho mais que hipócrita. Cínico, eu diria. Isto porque, os agentes diretos do “banditismo” são vítimas, sim. Os jovens e viciados são vítimas sim. Mas seu discurso exige tolerância e compaixão não a eles, mas a seus atos. E aqueles que são vitimados juntamente com eles, não por terem aderido, mas por serem contra, são completamente esquecidos. São jogados na mesma vala em que se encontram os moralistas que pregam a paz e querem ordem, mas que disseminam o discurso do Estado autoritário como única opção. O povo humilde que pede atitude não quer “autoritarismo”. Quer apenas o resgate do estado de direito. E antes de culpabilizá-los por reproduzir o discurso autoritário, aponte os que sustentam tal discurso. Seja solidário com quem sofre do outro lado desta história. Entenda que o espanto causado pelo teu discurso não é movido pela culpa ou pela perfeição irrecusável de sua tese. Talvez, seja a impotência de saber dos riscos de se questionar uma autoridade da justiça e ter que, por isso, engolir uma afronta destas. Com certeza não faltou quem quisesse lhe mandar ao colo quente de sua genitora (na casa-de-luz-vermelha em que esta se encontra). Faça este discurso pros que têm a responsabilidade de governar e que possuem poder pra implementar políticas em defesa do bem-estar social e que não fazem. Não pulverize a responsabilidade pelo crime ou pelo discurso violento, nem vitimize quem por ele optou.

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Ademar

16 de agosto de 2013 às 17h57

O s.r é um ingênuo…

Responder

Debora

16 de agosto de 2013 às 16h35

Parabens pelo comentario.Com muita propriedade,infelismente e a realidade brasileira.

Responder

Mauro Assis

16 de agosto de 2013 às 15h07

Genilvaldo,

Dizer que pobreza e falta de oportunidade conduzem à violência é muito questionável. Se assim fosse:

– Nos lugares onde as condições de vida mais melhoraram no Brasil (nordeste e norte) não seria onde a violência mais cresceu.

– Os países mais pobres do mundo seriam os mais violentos, o que absolutamente não é verdade. A Índia é um bom exemplo: estive lá e a população carcerária de um estado com 80 milhões de habitantes, mais de 50% deles em condições de pobreza absoluta e a população carcerária é de menos de 10.000 pessoas. Esse é só um exemplo, mas a Índia, como outros países extremamente desiguais e corruptos tem um índice de violência “suiço” quando comparado com o Brasil.

Não que as mazelas que vc elenca não exitam e muito menos que não sejam determinantes para que a maioria da nossa população viva mal. Mas a raiz da nossa violência está sim, na total sensação de impunidade que grassa o nosso país, seja no governo, entre os ricos e pobres. Aqui, roubar e matar pode.

Será coincidência que São Paulo tenha o menor índice de violência por habitante do país e também o dobro da população carcerária?

Responder

    matheus

    16 de agosto de 2013 às 17h05

    Então dê um parabéns para o Marcola, pois foi o PCC que reduziu os homicídios em São Paulo, através da unificação de diversas gangues das periferias e do sistema prisional em uma grande organização criminosa. A violência entre criminosos foi reduzida ao mínimo, mas não a violência contra cidadãos honestos, grande parte da qual é cometida por organizações criminosas ligadas ao sistema prisional (PCC) e policial (esquadrões da morte).

    Não há correlação entre encarceramento em homicídios. Tanto que a taxa de encarceramento subiu no Brasil, enquanto a taxa de homicídios se manteve estável.

    Mauro Assis

    16 de agosto de 2013 às 17h19

    Matheus,
    Não existe nenhuma prova desta “teoria da conspiração” de Marcola e quetais. Isso é uma justificativa torta que o povo que defende a correlação entre pobreza e criminalidade inventou para “torturar” os números da criminalidade em São Paulo.

    E há, sim, correlação entre encarceramento e criminalidade: a estatística Brasil é distorcida pelo fato de que, onde a polícia/justiça agem com mais rigor, a bandidagem realmente diminuiu ou se estabilizou. Ocorre que, com a explosão da criminalidade nos estados onde o combate ao crime é leniente, o índice não cai. Mas se vc pega a estatística estadual (o crime é estadual, no Brasil praticamente não existem gangues de atuação nacional), verá que nos poucos estados onde o combate ficou mais rigoroso, o crime caiu.

    Caracol

    16 de agosto de 2013 às 18h01

    Mauro, quanto à impunidade ser fator de aumento na violência… concordo com você.

    No entanto você diz:

    “ Nos lugares onde as condições de vida mais melhoraram no Brasil (nordeste e norte) não seria onde a violência mais cresceu.”

    Ora,ora…

    – A imposição de uma cultura monetarista, consumista e descartadora… é violência e gera mais violência.

    – A imposição de uma cultura capitalista que encoraja a competição com vistas ao “ter” ao invés do “ser” mesmo às custas de pisar no pescoço da própria mãe… é violência e gera mais violência.

    – A substituição da mentalidade do “mutirão” – que nos é cultural – pela do big brother – alienígena -… é violência e gera mais violência.

    – A difusão comercial da necessidade de ter tênis Nike e celular que toca musiquinha, como sendo coisas sem as quais ninguém pode viver… é violência e gera violência pra cacete.

    – A imposição de comer veneno enlatado e pesticida… é violência.

    Vai daí que rico não é quem tem mais, mas sim quem precisa de menos.

    Vai daí que nesse mundo, o país mais rico de coisas e de dinheiro, é de longe o mais violento.

    Vai daí também que os maiores ladrões desse nosso país são os que têm coisas e dinheiro e que como são doentes, querem mais coisas e mais dinheiro, e para conseguir mais, não têm vergonha de pisar no pescoço da tua e da minha mãe.

    Então… não é por aí. Basta perguntar a um desprovido de tudo o que é que ele prefere: se ter emprego mesmo que modesto e poder ver os filhos sendo criados com escola de qualidade, saúde de qualidade, segurança, cidadania, ter um lugar pra ser enterrado, ou ter conta gorda no banco e nada daquilo garantido e ter que roubar pra conseguir. É claro que caso as coisas continuem indo como estão indo, a escolha vai cada vez mais ser a segunda opção. Infelizmente.

    E assim, cada vez haverá mais violência mesmo (e principalmente) nos tais “lugares onde as condições de vida mais melhoraram no Brasil”.

    Há que pensar seriamente no que sejam “melhores condições de vida”. O articulista deu a pista.

    Bob

    16 de agosto de 2013 às 18h01

    É, deve ser algo que colocaram na água, então… Ou uma epidemia de psicopatia e cleptomania…

    Não acho que pobreza seja a única causa. Mas devemos nos lembrar que, desde o começo dos tempos, os seres humanos vivem em comunidade porque esperam ser beneficiadas por isso: proteção, abrigo, cooperação. Hoje em dia, vivemos em sociedade por causa das facilidades que esse tipo de vida nos proporciona também.

    A grande maioria contribui para a sociedade, pelo seu bem próprio e na esperança de que terá apoio quando necessário. Obviamente existem exceções, mas elas não são regra.

    Aí nós nos deparamos com a situação atual: o cara faz parte de uma sociedade que não lhe dá a mínima, nem o mínimo para sobreviver. Exigem que você tenha conhecimento, que você consuma, que você contribua… e não te dá nada em troca. Pelo contrário, ainda tem uma meia dúzia que quer mais que você e seus filhos morram!!!!

    A pergunta de um milhão de dólares é: por que alguém vai se importar em seguir as regras de uma sociedade que quer mais que vc e sua família se f****?

    Por que seguir as regras de uma sociedade que exige demais e entrega de menos?

    Por que tentar mudar isso, se todos os que tentaram mudar ou são achincalhados ou, no pior caso, torturados, exilados, mortos?

    Por que tentar alcançar um nível maior, se aqueles que já estão lá fazem questão de bater a porta na cara de quem sobe? Isso sem falar que cometem crimes semelhantes, se não piores?

    Nós conseguimos parar para pensar e raciocinar a respeito.

    Mas vá exigir isso da mãe que trabalha em três subempregos porque não teve educação de qualidade, passa 4 horas por dia dentro de um ônibus com os filhos sendo criados por ninguém, à mercê de pessoas más por falta de creches, tem um monte de filhos porque as únicas formas de diversão/lazer possíveis eram sexo e bebida e que viu seus pais e avós passarem pela mesmíssima coisa, trabalhando até morrer sem um pingo de esperança de melhora…

    Vá lá perguntar o que ela acha dos que vão para o crime… Ela vai dizer que eles não estão certos nem errados, mas que era esperado que isso acontecesse. Nem todo mundo aguenta se f**** a vida inteira pra nada…

    Aí me vem aquela música dos Racionais: “E aí, o que é que você quer? / Viver pouco como um rei/Ou não muito como um Zé?”

    assalariado.

    16 de agosto de 2013 às 20h44

    Mauro Assis, o seu primeiro questionável (Nordeste e Norte), sofre de miopia, visto que, nunca como agora, a ilusão com o deus dinheiro é tão forte nessas regiões, isso sem falar na questão das drogas. No seu segundo questionável, na India, o deus dinheiro ainda está gatinhando enquanto valores ‘sociais’ e status. Chegarão lá. No seu terceiro questionável, a impunidade grassa entre os bandidos pobres ou bandidos ricos?

    Abraços.

    Emilio

    16 de agosto de 2013 às 23h10

    A Índia não é um país desigual, é um país pobre. O índice de desigualdade lá é muito baixo, quase igual aos países escandinavos. Procura aí na Wikipédia pra confirmar…

Leandro_O

16 de agosto de 2013 às 14h06

Parabéns. Não vou entrar no mérito do porquê você ainda estar frequentando o local, mas parabéns por ter falado tudo isso.

Responder

antonio carlos ciccone

16 de agosto de 2013 às 14h04

Só que os bandidos de hoje nada tem de coitadinhos, filhos da pobreza, miséria etc,etc.
Essa tese vem impedindo o combate à criminalidade.
São todos bem criados, bem nutridos, classe média, inteligentes, espertos, com habilidades importantes como entender de telecomunicações, informática, eletrônica, etc,etc.
A maioria são brancos, paulistas e não pobres. É só ver as imagens das quadrilhas presas nas revistas , jornais e tv.Muitos tem emprego fixo e usam o emprego para passarem informações pra quadrilha.
Explosão de caixa eletronico, roubo de carga, sequestro, adulteração de combustivel, não é coisa de pé de chinelo.
Chega de passar a mão na cabeça de bandido!

Responder

    assalariado.

    16 de agosto de 2013 às 20h29

    Antônio Ciccone afirma:

    ‘Chega de passar a mão na cabeça de bandido!’

    De qual bandido que você fala, do bandido endinheirado ou do bandido lumpemproletariado?

    Abraços.

    antonio carlos ciccone

    17 de agosto de 2013 às 07h42

    Qualquer bandido.Bandido é bandido.Gente honesta é gente honesta.Pode ser bandido armado, ou do colarinho branco.Negro , branco, paulista , nordestino, homem , mulher.Bandido é bandido.Nada justifica queimar uma pessoa viva pra se divertir.Ou dar tiro na cabeça da vítima a cada assalto.
    O Brasil nunca teve uma taxa de desemprego tão baixa e nunca teve crimes tão bárbaros.

    assalariado.

    17 de agosto de 2013 às 12h13

    Antônio Ciccone, estou querendo lhe dizer que, o problema nosso de cada dia não é o bandido pobre, é sim, o bandido rico. Os presídios estão abarrotados de ladrões pobres, enquanto isso os ladrões ricos, …

    Abraços.

Mineirim

16 de agosto de 2013 às 13h51

Carai…

Responder

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