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Fátima Oliveira: “Meio ambiente não é adereço”


19/06/2012 - 11h49

Um recado firme e perfeito: “meio ambiente não é adereço”
É no “paralelo” que a presença feminista se faz notar

por Fátima Oliveira, no Jornal OTEMPO
Médica – [email protected] @oliveirafatima_

No último dia 13, nos preâmbulos da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a presidenta Dilma Rousseff discorreu sobre “o desafio das nações de crescer sem agredir o planeta” na inauguração do Pavilhão Brasil, exposição com cinco eixos – inovação e produção agrícola sustentável; inclusão social e cidadania; energia e infraestrutura; turismo, grandes eventos e cultura; e meio ambiente – e quatro exposições de programas de inovação, tecnologia sustentável e inclusão social, como Minha Casa Minha Vida, Água Doce e Cultivando Água Boa.

Acrescentou a presidenta: “Meio ambiente não é adereço. Queremos mostrar durante a Rio+20 que tornamos isso possível (…). Não consideramos que o respeito ao meio ambiente só se dá em fase de expansão do ciclo econômico. Pelo contrário, um posicionamento pró-crescimento, de preservar e conservar, é intrínseco à concepção de desenvolvimento, sobretudo diante das crises”.

Inegavelmente, um discurso de teor “verde”, que Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, que se acha detentora única do discurso verde, está empenhada em desacreditar, como era o esperado: diz que “o país tem vivido um acelerado retrocesso no setor e que abriu mão de liderar as discussões globais sobre o meio ambiente” e que “a base legal que fez com que, desde 2004, se conseguisse reduzir a pobreza e o desmatamento agora está sendo abolida”; e patati patatá…

Já ouviu falar em dinheiro verde? E em mangue verde, que é um pouco o cotidiano brasileiro quando o assunto é meio ambiente? E misture tudo ao desinteresse e ao descompromisso dos países ricos a respeito de desenvolvimento sustentável e embrulhe no papel celofane do discurso catastrofista de alguns verdes ranzinzas de escritório.

Tá tudo lá na babel da Cúpula dos Povos que, como afirmou Aron Belinky, especialista em sustentabilidade, responsabilidade social e consumo sustentável, a “Rio+20 é uma peça em dois atos”, o oficial e o paralelo (ou Cúpula dos Povos).

É no “paralelo” que a presença feminista se faz notar como “crítica global às falsas soluções propostas para a crise atual, representada pela economia verde – contra a mercantilização da natureza, em defesa dos bens comuns e, também, da liberdade, da autonomia e da soberania das mulheres sobre seus corpos e suas vidas e demandam voz ativa em todos os processos de decisão sobre as políticas em geral”.

No mesmo sentido, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) organizou atuação focada na “Autonomia das Mulheres e Desenvolvimento Sustentável”.

Talvez caibam as perguntas: quem se lembra da Agenda 21 das Mulheres? E do vocábulo sociobiodiversidade?

Refrescando a memória. Paralelamente à ECO-92, estruturou-se o Fórum Global, onde havia a tenda do Planeta Fêmea, na qual cerca de 1.500 mulheres do mundo finalizaram, após mais de 200 horas de debate, a Agenda 21 das Mulheres; aprovaram dois tratados e uma declaração em que denunciam que o uso do corpo das mulheres como cobaias tem sido uma constante histórica universal: “O direito das mulheres de controlar suas escolhas de vida é a base e o fundamento de toda e qualquer ação referente à população, meio ambiente e desenvolvimento. Rejeitamos e denunciamos toda e qualquer forma de controle do corpo da mulher por governos e instituições internacionais”.

Nada mais, nada menos do que a compreensão de que a Terra nos foi dada em usufruto e é nosso dever legá-la saudável para as futuras gerações.

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8 comentários

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A.Alvaro Guedes

17 de julho de 2012 às 19h14

O projeto de lei foi apresentado pelo partido do presidente Putin

A câmara baixa do Parlamento da Rússia (Duma) adotou nesta sexta-feira (13/7/3012), em terceira e última leitura, LEI que classifica de “agentes estrangeiros” e coloca sob forte controle as organizações não governamentais (ONGs) que possuam financiamento externo e atividade política.

O projeto de lei apresentado pelo partido Rússia Unida (no poder), votado em primeira leitura há uma semana e colocado urgentemente na ordem do dia da Duma, apesar dos protestos dos “defensores das liberdades”, da oposição “liberal” e dos juristas comprometidos com o ocidente, foi adotado por 374 votos a favor, três contra e uma abstenção (quase UNANIMIDADE).

O texto prevê registro e CONTROLE em separado para as ONGs que possuam FINANCIAMENTO EXTERNO e participem de alguma ATIVIDADE POLÍTICA em território russo.

O Rússia Unida tem a maioria absoluta na câmara, com 238 dos 450 assentos da Duma. Tanto este partido, liderado pelo Primeiro-Ministro Dimitri Medvedev, quanto o populista Partido Liberal-Democrata e o Partido Comunista, oposto a toda INGERÊNCIA OCIDENTAL, anunciaram que votariam a favor do texto.

Com informações Terra/AFP

(1) A redecastorphoto está criando uma SÉRIE com atitudes políticas que podem/devem ser adotadas no Brasil.

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Lu Witovisk

20 de junho de 2012 às 11h10

Não discordo das bandeiras louvaveis do movimento feminista, mas quero aproveitar o espaço e avisar as feministas responsaveis que como todo movimento há facções, e ontem testemunhei uma cena deplorável, que me envergonhou muito.

Feministas que vieram para a Rio+20 discutindo num bar com um homem, uma delas se dizia Doutora em Ciencia Politica. Só vendo para crer a agressividade delas, o rapaz caiu na asneira de dizer que não concorda com a agressividade ofensiva contra as instituições religiosas, contra os homens, etc.. Elas: não somos pacifistas como vc, nós acreditamos na revolução. Ele: o verdadeiro revolucionario luta com argumentos, não com ofensas, Fidel nunca fechou uma Igreja Catolica em Cuba.

Ficaram nessa quase 1h, mas o que me deu vergonha dessas mulheres foi a raiva contra os homens em geral, falavam como se nós fossemos superiores e não precisassemos deles para nada.

Ora, ora, ora… que a sociedade patriarcal, o machismo, a Igreja Catolica foram os alicerces para este mundo podre não temos duvidas. Mas estamos no seculo XXI, esse discurso feminista de guerra dos sexos está mais que superado. Está mais que na hora de humanos trabalharem juntos por um mundo e um futuro melhor e parar de bobagem.

Então, vcs das fileiras do movimento, acordem. Estas facções radicais que não querem saber de conviver com a diversidade acabam com a imagem do movimento. Nem toda mulher tem boas intenções, nem todo homem é o bicho papão.

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Marcelo de Matos

20 de junho de 2012 às 10h56

Para quem é ecologista de carteirinha, temos uma novidade: o TSE acaba de aprovar a fundação do PEN – Partido Ecológico Nacional. Será que essa sigla abrigará Marina Silva, ex-PV e atualmente sem partido? De qualquer forma atingimos novamente as três dezenas de partidos. Aí teríamos a simpática acreana disputando palmo a palmo a presidência com Dilma e o impagável Zé Pedágio. Vejamos.

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    Lu Witovisk

    20 de junho de 2012 às 11h13

    Tanto faz o nome… é a direita pintada de verde. Só vota quem acredita em raposa cuidando de galinheiro.

Paulo

20 de junho de 2012 às 07h20

Dilma parece que não cumpriu o discurso de abertura da Conferência. Eu também fiquei muito contente com o discurso dela. No entanto a presidenta viajoue deixou tudo nas mãos do tamaraty que, a mandado dela, muito certamente, afinou pro Vaticano, o que é uma vergonha. Infelizmente.

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Elias

19 de junho de 2012 às 17h22

“Meio ambiente não é adereço” e a liberdade da mulher não tem preço. O Vaticano está sob suspeita e já faz tempo. A morte de João Paulo I, para muitos, aos quais me incluo, ainda não está esclarecida. O recente escândalo envolvendo o mordomo do Papa (mordomoleaks) é só mais um entre tantos. Joseph Ratzinger está longe de ter autoridade sobre todos os católicos. Ele que já foi oposição e hoje é poder no seu diminuto Estado, não é conselheiro viável para uma nação de 100 milhões de mulheres de diversos credos. Nossa presidenta se orgulha de sua opção pelo mercado interno, deve se orgulhar também pelos movimentos de mulheres no Brasil e ouvir mais a estes do que aqueles encastelados em tronos medievais.

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Rio+20: Mulheres denunciam violação dos compromissos assumidos na Eco 92 « Viomundo – O que você não vê na mídia

19 de junho de 2012 às 17h02

[…] Fátima Oliveira: “Meio ambiente não é adereço” […]

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Tetê

19 de junho de 2012 às 13h27

Fátima, Dilma recuou no discurso: NEGOCIOU os direitos reprodutivos das mulheres para agradar ao Vaticano. É um governo que sempre cede ao Vaticano. E eu não esperava por tal coisa. Sempre achei que voc~e era dura demais com ela quando dizia “Governo Dilma submete corpo das brasileiras ao Vaticano”
https://www.viomundo.com.br/denuncias/fatima-oliveira-governo-dilma-submete-corpo-das-mulheres-ao-vaticano.html

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