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Diário da Resistência


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Emir Sader: A rebeldia dos jovens que tanta falta nos faz


23/06/2011 - 19h00

Entre tantas frases estimulantes e provocadoras que as rebeliões populares no mundo árabe e agora na Europa, essencialmente protagonizada por jovens, fizeram ecoar pelo mundo afora, a que mais nos incomoda – com toda razão – é aquela que diz: “E quando os jovens saíram às ruas, todos os partidos pareceram velhos.”

Aí nos demos conta – se ainda não tínhamos nos dado – da imensa ausência da juventude na vida política brasileira. O fenômeno é ainda mais contrastante, porque temos governos com enorme apoio popular, que indiscutivelmente tornaram o Brasil um país melhor, menos injusto, elevaram nossa autoestima, resgataram o papel da política e do Estado.

Mas e os jovens nisso tudo? Onde estão? O que pensam do governo Lula e da sua indiscutível liderança? Por que se situaram muito mais com a Marina no primeiro turno do que com a Dilma (mesmo se tivessem votado, em grande medida, nesta no segundo turno, em parte por medo do retrocesso que significava o Serra)?

A idade considerada de juventude é caracterizada pela disponibilidade para os sonhos, as utopias, a rejeição do velho mundo, dos clichês, dos comportamentos vinculados à corrupção, da defesa mesquinha dos pequenos interesses privados. No Brasil tivemos a geração da resistência à ditadura e aquela da transição democrática, seguida pela que resistiu ao neoliberalismo dos anos 90 e que encontrou nos ideais do Fórum Social Mundial de construção do “outro mundo possível” seu espaço privilegiado.

Desde então dois movimentos concorreram para seu esgotamento: o FSM foi se esvaziando, controlado pelas ONGs, que se negaram à construção de alternativas, enquanto governos latino-americanos se puseram concretamente na construção de alternativas ao neoliberalismo; e os partidos de esquerda – incluídos os protagonistas destas novas alternativas na América Latina -, envelheceram, desgastaram suas imagens no tradicional jogo parlamentar e governamental, não souberam renovar-se e hoje estão totalmente distanciados da juventude.

Quando alguém desses partidos tradicionais – mesmo os de esquerda – falam de “políticas para a juventude”, mencionam escolas técnicas, possibilidades de emprego e outras medidas de caráter econômico-social, de cunho objetivo, sem se dar conta que jovem é subjetividade, é sonho, é desafio de assaltar o céu, de construir sociedades de liberdade, de luta pela emancipação de todos.

O governo brasileiro não aquilata os danos que causam a sua imagem diante dos jovens, episódios como a tolerância com a promiscuidade entre interesses privados e públicos de Palocci, ou ter e manter uma ministra da Cultura que, literalmente, odeia a internet, e corta assim qualquer possibilidade de diálogo com a juventude – além de todos os retrocessos nas políticas culturais, que tinham aberto canais concretos de trabalho com a juventude. Não aquilata como a falta de discurso e de diálogo com os jovens distancia o governo das novas gerações. (Com quantos grupos de pessoas da sociedade a Dilma já se reuniu e não se conhece grandes encontros com jovens, por exemplo?)

Perdendo conexão com os jovens, os partidos envelhecem, perdem importância, se burocratizam, buscam a população apenas nos processos eleitorais, perdem dinamismo, criatividade e capacidade de mobilização. E o governo se limita a medidas de caráter econômico e social – que beneficiam também aos jovens, mas nãos os tocam na sua especificidade de jovens. Até pouco tempo, as rádios comunitárias – uma das formas locais de expressão dos jovens das comunidades – não somente não eram incentivadas e apoiadas, como eram – e em parte ainda são – reprimidas.

A presença dos jovens na vida pública está em outro lugar, a que nem os partidos nem o governo chegam: as redes alternativas da internet, que convocaram as marchas da liberdade, da luta pelo direito das “pessoas diferenciadas” em Higienópolis, em São Paulo, nas mobilizações contra as distintas expressões da homofobia, e em tantas outras manifestações, que passam longe dos canais tradicionais dos partidos e do governo.

Mesmo um governo popular como o do Lula não conseguiu convocar idealmente a juventude para a construção do “outro mundo possível”. Um dos seus méritos foi o realismo, o pragmatismo com que conseguiu partir da herança recebida e avançar na construção de alternativas de politica social, de politica externa, de políticas sociais e outras. Os jovens, consultados, provavelmente estarão a favor dessas políticas.

Mas as mentes e os corações dos jovens estão prioritariamente em outros lugares: nas questões ecológicas (em que, mais além de ter razão ou não, o governo tem sistematicamente perdido o debate de idéias na opinião pública), nas liberdades de exercício da diversidade sexual, nas marchas da liberdade, na liberdade de expressão na internet, na descriminalização das drogas leves, nos temas culturais, entre outros temas, que estão longe das prioridades governamentais e partidárias.

Este governo e os partidos populares ainda têm uma oportunidade de retomar diálogos com os jovens, mas para isso têm de assumir como prioritários temas como os ecológicos, os culturais, os das redes alternativas, os da libertação nos comportamentos – sexuais, de drogas, entre outros. Têm que se livrar dos estilos não transparentes de comportamento, não podem conciliar nem um minuto com atitudes que violam a ética pública, tem que falar aos jovens, mas acima de tudo ouvi-los, deixá-los falar. Com a consciência de que eles são o futuro do Brasil. Construiremos esse futuro com eles ou será um futuro triste, cinzento, sem a alegria e os sonhos da juventude brasileira.

Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo.





64 comentários

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João

14 de julho de 2011 às 10h41

custei pra reencontrar esse artigo, mas valeu a pena!

esta semana (julho de 2011) está acontecendo em Goiânia mais um "encontro da UNE" patrocinado pelo Governo petista…

será q dá pra entender pq a "juventude UNEnista" não levanta a bunda da cadeira?

gato gordo não caça rato!

e o PT alimenta muito bem seus gatos pra proteger seus ratos!

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Elisabeth

25 de junho de 2011 às 21h51

E falando de Lula, Dilma e Marina: Admiro muito os três!
Acho um privilégio um pais contar com a colaboração deles! Não votei em Marina, mas seu discurso parecido com penso,reconheço no que ela diz a clareza dos sentimentos políticos.Toda vez que escuto Marina fico de boca aberta com tanta lucidez! Pode ser frustrante para muitos aqui, mas sou grande admiradora de Marina! E como ela não gosto da politica da disputa pela disputa, acho esquizofrênico esta polaridades de ser oposição por oposição!
Existe aqui muita saudade de Lula,rs Eu sei tenho muitas saudades… Lula se tornou tão próximo que parecia alguém da família,rs Sempre comentando sobre tudo que se passava na sociedade e no mundo.Porém compreendo no que Lula foi mais grande: compreendeu profundamente o que o Brasil precisava. O Brasil precisava unir a sociedade ao estado. Não bastava tomar o estado para o bem da sociedade. Sociedade tinha participar não apenas com o VOTO ou filiação de partido.
O que existe é que Lula com sua grande intuição abraçou o fenômeno da mobilização social ,para além das políticas de governo, onde levou voluntários e agentes a fazer cisternas no sertão, levou médicos voluntários ao Amazônia, levou professores voluntários para periferia. Etc e etc…Quando se escuta uma pessoa que foi alcançada por algum programa social do governo,percebe que o individuo foi alcançado por noções de cidadania, quando se escuta um catador de papel fazer um discurso político e reivindicatório, isso foi na sociedade civil que se mobilizou e voluntariou e mobilizou outras camada da sociedades. Quer um exemplo a dona Marlyse no dia do lançamento do plano Brasil sem miséria. Afirma que antes vivia no seu mundinho de carências e foi alcançada pelo bolsa família que também foi alcançada por outras ações que se mobilizaram para dar noções outras reivindicações. Outras portas de oportunidades se abriram.
E a Dilma ?!! Ah, Dilma é um presente de Lula para sociedade brasileira. Porque Lula na sua grande intuição percebeu o que ela significava. Não é a apenas a imagem de “gestora” como querem impor para nós. Dilma um grande significado político. Lula entendeu antes de todos que Dilma era sobrevivente de uma geração que lutou para mudanças de estado tão injusto. Ela é de uma geração que realmente deu sangue para o Brasil. Lulacom perspicácia, sua capacidade de perceber claramente as sutilezas. Entendeu que o Brasil merecia ter uma mulher presidente e sobrevivente da ditadura militar. Antes de Tudo Dilma ser uma gestora ela é um fator político e com grande de significado. É assim que o mundo lá fora ver Dilma, a “ex guerrilheira” que afinal nunca foi!
Porém, antes de Dilma ser habilitar como grande gestora, ela já era uma ativista política desde a juventude.ela se habilitou política no engajamento estudantil. E ela sabe disso, no seu discurso de posse, ela disse estar "orgulhosa a de ser a primeira presidente mulher precedendo a presidência um homem do povo, decidu convocar uma mulher para dirigir os destinos do país."

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Elisabeth

25 de junho de 2011 às 21h17

E falando de Lula, Dilma e Marina: Admiro muito os três!
Acho um privilégio um pais contar com a colaboração deles! Não votei em Marina, mas seu discurso parecido com penso,reconheço no que ela diz a clareza dos sentimentos políticos.Toda vez que escuto Marina fico de boca aberta com tanta lucidez! Pode ser frustrante para muitos aqui, mas sou grande admiradora de Marina! E como ela não gosto da politica da disputa pela disputa, acho esquizofrênico esta polaridades de ser oposição por oposição!
Existe aqui muita saudade de Lula,rs Eu sei tenho muitas saudades… Lula se tornou tão próximo que parecia alguém da família,rs Sempre comentando sobre tudo que se passava na sociedade e no mundo.Porém compreendo no que Lula foi mais grande: compreendeu profundamente o que o Brasil precisava. O Brasil precisava unir a sociedade ao estado. Não bastava tomar o estado para o bem da sociedade. Sociedade tinha participar não apenas com o VOTO ou filiação de partido.
O que existe é que Lula com sua grande intuição abraçou o fenômeno da mobilização social ,para além das políticas de governo, onde levou voluntários e agentes a fazer cisternas no sertão, levou médicos voluntários ao Amazônia, levou professores voluntários para periferia. Etc e etc…Quando se escuta uma pessoa que foi alcançada por algum programa social do governo,percebe que o individuo foi alcançado por noções de cidadania, quando se escuta um catador de papel fazer um discurso político e reivindicatório, isso foi na sociedade civil que se mobilizou e voluntariou e mobilizou outras camada da sociedades. Quer um exemplo a dona Marlyse no dia do lançamento do plano Brasil sem miséria. Afirma que antes vivia no seu mundinho de carências e foi alcançada pelo bolsa família que também foi alcançada por outras ações que se mobilizaram para dar noções outras reivindicações. Outras portas de oportunidades se abriram.
E a Dilma Ah, Dilma é um presente de Lula para sociedade brasileira. Porque Lula na sua grande intuição percebeu o que ela significava. Não é a apenas a imagem de “gestora” como querem impor para nós. Dilma um grande significado político. Lula entendeu antes de todos que Dilma era sobrevivente de uma geração que lutou para mudanças de estado tão injusto. Ela é de uma geração que realmente deu sangue para o Brasil. Lula entendeu que o Brasil merecia ter uma mulher presidente e sobrevivente da ditadura militar. Antes de Tudo Dilma ser uma gestora ela é um fator político e com grande de significado. É assim que o mundo lá fora ver Dilma, a “ex guerrilheira” que afinal nunca foi!
Porém, antes de Dilma ser habilitar como grande gestora, ela já era uma ativista política desde a juventude.ela se habilitou política no engajamento estudantil. E ela sabe disso, no seu discurso de posse, ela disse estar orgulhosa a de ser a primeira presidente mulher precedendo a presidência um homem do povo, decidu convocar uma mulher para dirigir os destinos do país.

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Elisabeth

25 de junho de 2011 às 20h13

O que?!!! não olham em volta?Fiquei “Indignada” ,rs.Vivem alguma realidade paralela?! Não estão lendo as pesquisas? !!!Recomendo ler mais o IBGE Sério, muitos tem que se livrar desta cegueira!! O jovens estão mais participante e mais mobilizadores do que a geração anterior! A Decadas anteriores é que era de jovens individualistas.Não viram as novas pesquisas sobre os jovens?!! A pesquisa da Box 1824 :“Jovens de 18 a 24 anos focado no coletivo!!! Leiam a pesquisa: Nove em cada dez gostariam de ter uma profissão que ajudasse a sociedade .
O que existe que uma maioria não quer se ligar a partidos e Jovens não querem se unir as formas antigas de reivindicações… Exercem sua política de outras formas,
E mais , os jovens são tão diversos! Tantas “tribos”, diferentes em suas reivindicações e nas suas vontades!
”Rebeldia” ?!!! Ah,não brinca!! Esta expressão ficou tão antiga! As palavras agora são outras : Sustentabilidade, Diversidade,Consciência social, solidariedade, tolerância,mobilização popular… e INDIGUINADO é uma boa palavra! Existe é o descontentamento com o partidos, com antigas formas de política e ate com a mídia corporativa.
Não creio, que não estão vendo… A mobilização da internet esta indo para RUA!! As mobilizações saíram das redes para praças.
Desconfio que exista é a cegueira por não aceitar as novas formas de mobilização e fazer políticas, por estarem fora dos PARTIDOS e SINDICATOS e ate UNES e UBES da vida!! E digo mais, existe até um ressentimento… Sim , discurso ressentido por esta turma de mobilizadores não querem saber de partidos e de “política institucionalizadaapesar de serem POLITICOS!
Um conselho: Olhem para os lados, enxergam alem deste redoma autista. O Brasil mudou muita coisa não foi apenas porque houve políticas publicas do presidente Lula para o social.Lula também abraçou as mobilizações sociais. O IBGE informa não apenas que os pobres emergiram para novas classes, e economia estável! A miséria diminuiu também por que o estado se uniu a sociedade que quis AGIR. Existe vários exemplos de como o estado se uniu a sociedade! E sinto muito, não foi o PT, porque estava absorvido em disputas fazendo “politica” que também não tiro mérito, mas PT se distanciou da sociedade

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Euler Conrado

25 de junho de 2011 às 01h48

Este apelo à "juventude" enquanto segmento medido pelas lentes da faixa etária deve ser visto com reserva. Vivemos numa sociedade cujas disputas se dão pelo antagonismo social, na disputa de interesses entre ricos e pobres, entre proletários (ou assalariados) e burgueses (ou capitalistas). A juventude assalariada de baixa renda no Brasil está presente nas greves dos educadores, nas ocupações dos sem-terra, dos sem-teto, e também no grande movimento que surgiu com as redes sociais da Internet, entre outras.

Nem se pode dizer que haja uma despolitização dessa juventude dos de baixo, já que a política, no seu pior sentido, tornou-se a moradia da vilania, incluindo obviamente os partidos ditos de esquerda, que se igualam em quase tudo aos da direita, como os demotucanos.

Nesse desencanto com os políticos profissionais e também pela ausência de projetos de sociedade que se contraponham ao sistema vigente, é normal que parcelas da juventude explorada, de forma pulverizada, participem das demandas sem atingir grandes repercussões.

Creio que não serão os partidos o polo catalisador desta dispersão em movimento, mas o próprio movimento dos de baixo, dentro de um processo espontâneo de construção de programas ou projetos de maior alcance, e também de práticas, que unifiquem os de baixo – incluindo a juventude – na luta social por interesses comuns.

Não há modelo nem fórmula pronta para que isso ocorra. Mas, seguramente, a atitude dos governos ditos de esquerda em não priorizarem a Educação e a Saúde, por exemplo, para manterem as políticas neoliberais de transferência de renda para banqueiros e empreiteiros afasta parcelas expressivas da juventude assalariada.

A juventude trabalhadora do Brasil e do mundo haverá de encontrar os caminhos para a construção de uma outra realidade cotidiana, que se contraponha ao inferno do capital.

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FrancoAtirador

24 de junho de 2011 às 22h57

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O SÉCULO
(Castro Alves*)

O século é grande… No espaço
Há um drama de treva e luz.
Como o Cristo — a liberdade
Sangra no poste da Cruz.
Um corvo escuro, anegrado,
Obumbra o manto azulado,
Das asas d'águia dos céus…
Arquejam peitos e frontes…
Nos lábios dos horizontes
Há um riso de luz… É Deus.

Às vezes quebra o silêncio
Ronco estrídulo, feroz.
Será o rugir das matas,
Ou da plebe a imensa voz?…
Treme a terra hirta e sombria. . .
São as vascas da agonia
Da liberdade no chão?…
Ou do povo o braço ousado
Que, sob montes calcado,
Abala-os como um Titão?!…

Ante esse escuro problema
Há muito irônico rir.
Pra nós o vento da esp'rança
Traz o pólen do porvir.
E enquanto o cepticismo
Mergulha os olhos no abismo,
Que a seus pés raivando tem
Rasga o moço os nevoeiros,
Pra dos morros altaneiros
Ver o sol que irrompe além.

Toda noite — tem auroras,
Raios — toda a escuridão.
Moços, creiamos, não tarda
A aurora da redenção.
Gemer — é esperar um canto…
Chorar – aguardar que o pranto
Faça-se estrela nos céus.
O mundo é o nauta nas vagas…
Terá do oceano as plagas
Se existem Justiça e Deus.

No entanto inda há muita noite
No mapa da criação.
Sangra o abutre — tirano
Muito cadáver — nação.
Aqui — o México ardente,
— Vasto filho independente
Da liberdade e do sol —
Jaz por terra… e lá soluça
Juarez, que se debruça
E diz-lhe: "Espera o arrebol!"

O quadro é negro. Que os fracos
Recuem cheios de horror.
A nós, herdeiros dos Gracos,
Traz a desgraça — valor!
Lutai… Há uma lei sublime
Que diz: "À sombra do crime
Há de a vingança marchar."
Não ouvis do Norte um grito,
Que bate aos pés do infinito,
Que vai Franklin despertar?

É o grito dos cruzados
Que brada aos moços — "De pé"!
É o sol das liberdades
Que espera por Josué!…
São bocas de mil escravos
Que transformaram-se em bravos
Ao cinzel da abolição.
E — à voz dos libertadores —
Reptis saltam condores,
A topetar n'amplidão!…

E vós, arcas do futuro,
Crisálidas do porvir,
Quando vosso braço ousado
Legislações construir,
Levantai um templo novo,
Porém não que esmague o povo,
Mas lhe seja o pedestal.
Que ao menino dê-se a escola,
Ao veterano — uma esmola…
A todos — luz e fanal!

Luz!… sim; que a criança é uma ave,
Cujo porvir tendes vós;
No sol — é uma águia arrojada,
Na sombra — um mocho feroz.
Libertai tribunas, prelos …
São fracos, mesquinhos elos…
Não calqueis o povo-rei!
Que este mar d'almas e peitos,
Com as vagas de seus direitos,
Virá partir-vos a lei.

Quebre-se o cetro do Papa,
Faça-se dele — uma cruz!
A púrpura sirva ao povo
Pra cobrir os ombros nus,
Que aos gritos do Niagara
— Sem escravos, — Guanabara
Se eleve ao fulgor dos sóis!
Banhem-se em luz os prostíbulos,
E das lascas dos patíbulos
Erga-se a estátua aos heróis!

Basta!… Eu sei que a mocidade
É o Moisés no Sinai;
Das mãos do Eterno recebe
As tábuas da lei! — Marchai!
Quem cai na luta com glória,
Tomba nos braços da História,
No coração do Brasil!
Moços, do topo dos Andes,
Pirâmides vastas, grandes,
Vos contemplam séc'los mil!

*Antonio Frederico de Castro Alves (1847-1871),
poeta abolicionista baiano.

(poema extraído do livro Os Escravos)
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O_Brasileiro

24 de junho de 2011 às 22h48

O Prof. Emir Sader é um sábio, mas também é um homem que, felizmente, fala com paixão sobre as coisas!
O Arnaldo Jabor tenta fazê-lo também, mas não passa de uma caricatura!
Mas preciso discordar em alguns, apenas em alguns pontos do professor.
Como professor que também sou, posso dizer que a convivência com os jovens é o combustível que move o mundo. Ou alguém acha que a Apple fez iPhone e iPad pensando só nos idosos? (Vi muitos idosos numa loja da Apple em Boston aprendendo a usar os aparelhos!)
Só que, como o próprio Prof. Emir dá a entender, o sentimento de renovação é mais importante do que a idade. Até mesmo porque entre os jovens há opiniões diversas, muitas vezes contraditórias.
Por isso, penso que o mais importante não é só a voz dos jovens. É, e sempre será mais importante, a voz da MAIORIA!!!

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FrancoAtirador

24 de junho de 2011 às 22h47

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Mulheres levam a esquerda de volta a DCE da UFRGS:
Estudantes colocam três jovens à frente do diretório central em 2011

É com força feminina que a esquerda voltará ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) de uma das mais importantes instituições de Ensino Superior do Estado, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Na gestão 2011, o poder será compartilhado por três coordenadoras-gerais que, além de reforçarem a posição das mulheres na política estudantil gaúcha, marcarão uma nova guinada na condução dos 23 mil alunos de graduação representados por elas.

No ano passado, quatro décadas de hegemonia da esquerda foram rompidas pela vitória de uma chapa formada por nomes vinculados a partidos como PP, PSDB e PMDB. Uma das razões apontadas para a derrota histórica foi a fragmentação de antigos aliados em três chapas diferentes. Este ano, até o nome da chapa 3, declarada vitoriosa na noite de quarta-feira, evidenciou a mudança de estratégia: UFRGS Pública e Popular – Oposição Unificada.

A coalização de grupos estudantis vinculados a partidos como PSTU e PSOL reconquistou o comando ao somar 2.354 votos contra 1.130. Outras duas chapas disputaram o pleito, marcado por impasses e confusões (veja quadro). A partir de dezembro, o DCE será conduzido por uma coordenação formada por Sayuri Dorneles Kubo, 23 anos e aluna de Jornalismo, Rejane Aparecida Aretz (Políticas Públicas), 28 anos, e Jéssica Nucci (Geografia), 22 anos. Rejane é filiada ao PSOL, e Jéssica foi candidata a deputada federal neste ano pelo PSTU.

– Defendo a filiação partidária dos estudantes, mas o DCE será autônomo e independente – sustenta Rejane.

Do ponto de vista acadêmico, a gestão deverá ser marcada pela defesa de medidas como a criação de mais cursos noturnos e o sistema de cotas – combatido pela atual gestão.
– A infraestrutura precisa melhorar – avalia Sayuri.

A nova reviravolta política também deverá reaproximar o diretório de organizações sociais, sindicatos e manifestações de rua. Tudo sob a coordenação de um trio que reforça a tradição do movimento estudantil gaúcho de formar líderes mulheres, a exemplo de Maria do Rosário e Manuela D’Ávila.

http://dceufrgs2011.blogspot.com/2010_11_01_archi

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Lucas

24 de junho de 2011 às 22h29

Os jovens votaram na Marina porque nós percebemos, na época, que o Lula, pra ser eleito, levou o PT pra direita, e a Dilma iria levar mais pra direita ainda (e não é que estávamos certos?). A Dilma nas eleições fazia o jogo da direita, permitindo que os anseios direitistas pautassem o seu discurso e seu debate. E agora, no governo, faz o mesmo.

Sinceramente, estamos caminhando para uma situação como a dos EUA, um bipartidarismo com dois partidos de direita. A Marina no poder seria uma forma de quebrar a dicotomia PSDB/PT. A vitória da Dilma, apesar de ser melhor que a alternativa, é triste.

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Renan Araújo

24 de junho de 2011 às 19h38

Contudo, isso não resolve o problema, mas aponta que é preciso construir novas formas de luta contra hegemômicas. Ou melhor, mais que novas, sob todos os aspectos, radicalmente em superação as agonizantes formas atuais. É preciso recuperar as críticas elaboradas pelos clássicos à logica nociva do capital, porém, tê-los como ponto de partida na medida em que é preciso confrontar as idéias com as novas contradições em processo.
É preciso que a juventude se coloque enquanto protagonista da transformação radical da sociedade. Dessa forma, sou bastante otimista, interpreto o que chama de "afastamento político" como sendo uma espécie de recusa do existente. Talvez nesse gesto esteja sendo reinscrito aquela famosa frase: "Seja realista, exija o impossível".

abraços,

Renan Araújo

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Renan Araújo

24 de junho de 2011 às 19h37

Penso que vivemos momentos contraditoriamente interessantes, pois a juventude se afastou dos partidos de esquerda, muitos seguiram em direção aos grupos evangélicos, passaram (am) por formas de vivências estranhadas que ao fim e ao cabo, não dão conta de apontar para aquilo que é essencial à juventude: a futuridade. Os partidos de esquerda dizem; "sigam a experiente direção", já as Igrejas encetam: "a resposta está em Cristo". Desse modo, o esgotamento /esvaziamento das formas tradicionais de organização/representação, contém – numa perspectiva histórica – aspectos positivos.

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Renan Araújo

24 de junho de 2011 às 19h36

Prezado Emir,
Ainda que possamos reconhecer avanços durante o governo Lula, não lamento o fato de que a juventude não tenha sido (ainda bem!) "objeto do desejo" do governo passado via políticas institucionais para o segmento. Com isso, evitamos – por ora – a possibilidade de sua cooptação tal qual aconteceu com uma ampla maioria das direções sindicais, "movimentos sociais", etc…Penso que os partidos de esquerda ( o PT mais ao centro), tal qual se encontram atualmente, de modo geral, reproduzem o modus operandi de se "fazer política" segundo a forma regulada (sem aspectos contra hegemônicos) pela ordem sócio-metabólica de reprodução do capital. As formas e possibilidades no âmbito de reprodução da vida societário – de acordo come essa lógica – evidentemente não coaduna com a possibilidade de se pensar em ir além da ordem em questão.
abraços,

Renan Araújo

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Julio Silveira

24 de junho de 2011 às 17h54

Considero que dentre tantas coisas ruins que a ditadura nos deixou, um dos piores legados foi essa juventude bundona, filhos de pais enquadrados que se acostumaram a lavagem cerebral dos grupos de mídia que quando não eram colaboracionistas como o grupo da Folha eram simpatizantes da causa, dissimulando oposição, mas que ajudavam a propagar a doutrina da força da supremacia pelo dinheiro, e continuam a perpetuar essa competitividade que forma individualidades sobrepondo interesses coletivos.
A necessidade de esclarecimento da sociedade para necessariamente pela identificação de seus verdadeiros aliados e interessados comuns, para que não sirvam de massa para manobras e perpetuação de alienados e abobados.

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Malu

24 de junho de 2011 às 16h35

Os jovens, em sua maioria, só pensam no consumo, no último modelo de qqr. coisa. Quando converso com algum jovem mais politizado, fico até espantada. A maioria, infelizmente é preconceituosa, principalmente em relação às classes sociais mais baixas. Fico com o coração apertado de ver ideologia zero na maioria, só pensam em se dar bem, o que não era normal antes, quando se pensava mais no mundo. No Facebook, a gente percebe que só sabem aderir à murais, achando que estão fazendo a revolução porque são contra o novo código florestal, ou contra os políticos corruptos, mas não conseguem se aprofundar em nada, não lêem mais que 5 linhas, é tudo assim: se você é contra isso, cole no seu mural. Eu, infelizmente, não ponho fé nessa rapaziada…

Responder

Raphael G. furtado

24 de junho de 2011 às 16h22

Gente, tem mais de 2000 estudantes do país inteiro reunidos neste momento em Seropédica, no interior do Rio, no 1º Congresso da Anel – a Assembleia Nacional dos Estudantes Livre. Vamos parar de chorar pela Une e pela Ubes que não valem mais nem a vela do enterro, porque o movimento estudantil está vivo, se reorganizando e não é esta coisa amorfa e "internética" sobre a qual querem teorizar. O ME está vivo na luta pelos 10º do Pib para a educação e contra o PNE da Dilma. Está vivo na luta contra as opressões e por educação pública, gratuita e de qualidade. Está vivo na luta contra o aumento das passagens ! E , a propósito, a CSP-CONLUTAS está SIM na luta em defesa da juventude, nas escolas, nas ocupações, nas greves e nos canteiros de obras !

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    mario hen

    25 de junho de 2011 às 16h10

    A versão serrista da UNE ???? os leitores do tio Rei????

    pfffffffffffffffff

    Vinícius

    27 de junho de 2011 às 09h42

    Porque quem é mais de esquerda que o PT é de direita…

    Raphael G. Furtado

    29 de junho de 2011 às 23h15

    Companheiro, em que mundo vc vive ? Procure se informar sobre a ANEL – O novo pede passagem !

Bernardino

24 de junho de 2011 às 15h17

Boa observaçao CONCEIÇAO,os argentinos sao mais politizados que nós issi0 é indiscutivel.Os KICHNERS pegaram pesado com a midia corrupta e antipatriota,estao recebendo o Lucro da coragem.
Infelizmente,estamos pagando o pato da LIxeira portuguesa que nos originou,ai vai exemplo os jovens espanhóis e Gregos na luta.E os portugueses onde estao.Lá e Cá nao se manifestam,esta no DNA cultural comodismo e covardia!!!!!
LEANDRO E JOAO,perfeita a observaçao de vocês,tando esquerda quanto direita tratam de engordar o gato para que os Ratos frquem soltos,comendo o QUEJO DO PODER sem serem incomodados
PT EPSDB,irmaos siameses nas FALCATRUAS e apego ao PODER!!!!

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fernandoeudonatelo

24 de junho de 2011 às 13h35

Eu acredito que falta, dentro da estrutura de ensino básico no país, a inclusão de matérias ou atividades extra-classe sócio-culturais no currículo, relativas à Cidadania, Civismo e Solidariedade.

Seriam cadeiras relacionadas à participação do jovem na vida de sua comunidade, seja através da prestação de serviços ou mesmo de campanhas conscientizadoras, como visitas e diálogos em orfanatos, asilos, instituições médicas e etc.

A mobilização social, acredito que deveria ser por convergência de forças dos movimentos sociais e associações representativas.

Por exemplo, ao invés de manifestações pulverizadas em pequenos grupos por interesses muito específicos, concentrava boa parta dos interessados em grandes debates da agenda nacional e regional, mesmo que associados à instituições diferentes.

Responder

leandro

24 de junho de 2011 às 12h56

Claro, a UNE tá comprada, o meio universitário tá comprado e a parcela sem acesso a estudo não tem quase mobilização. Viva os hackers que tão mostrando que ainda tem alguem que mostra indignação.

Responder

    mario hen

    25 de junho de 2011 às 16h09

    Indignação contra o que ????/ a derrota do Serra????

    Qual é o modelo proposto eles???

Olavo

24 de junho de 2011 às 12h01

Creio que a ausência da juventude no debate consiste essencialmente na falta de reflexão da sociedade como um todo. A ausência de debate nos variados espaços é gritante. Tudo é instantâneo. Nada é lido relido, refletido. Não existe contato. Tudo é Rede social. Os jovens são as maiores vítimas. Ao compararmos um jovem de hoje com de outras gerações, nos assombramos com a falta de conhecimento geral, senso crítico. O jovem hoje é imediatista, individualista, diria até egoísta. Como isso deve ser revestido. Sinceramente, não sei.

Responder

heliopaz

24 de junho de 2011 às 11h43

Discordo do grande prof. Emir em um ponto essencial da discussão: a vida política não pode ser meramente reduzida às esferas partidária e/ou sindical: estas esferas fazem parte de um conjunto muito maior de entes políticos.

Espero que a seguinte pesquisa possa ser bem observada e muito bem compreendida por todos aqueles que consideram que o jovem brasileiro é predominantemente despolitizado, alienado, egoísta e consumista: ele apenas não crê na democracia representativa e nem tampouco consegue enxergar as soluções da sociedade a partir do sistema vigente, fordista, hierárquico, que divide a sociedade em partes e incentiva um diálogo apenas entre semelhantes.

Democracia e Mídias Sociais: uma proposta para um novo modelo de democracia – http://www.trezentos.blog.br/?p=2193
http://www.osonhobrasileiro.com.br

Responder

Remindo Sauim

24 de junho de 2011 às 11h23

A juventude mais a esquerda, não tem do que reclamar,seus ideais estão sendo colocados na prática, e estão no apoio ao governo. Os moderados estão aproveitando a vida e quem se rebela é o jovem contra as cotas na faculdade, o homofóbico e o que é contra a distribuição de renda.

Responder

Rogerio

24 de junho de 2011 às 11h04

Eu acho que a Ditadura ROUBOU do povo brasileiro essa possibilidade… A ditadura brasileira no período militar foi muito além das questões institucionais e historicas. Ela durante 20 anos, diabolicamente, conseguiu extirpar "a rebeldia" do povo. Deixou em seu lugar outras preocupações de ordem pessoal, profissional/financeira e como disse certa vez Rita Lee: "Todo mundo junto, mas cada um na sua".

Responder

Observadoro

24 de junho de 2011 às 11h01

O chamado "PIG" conseguiu alienar nossa juventude da política nacional.

Hoje em dia, se vc perguntar a algum jovem o que ele pensa de política, ele responderá que todos os políticos são ladrões e que não vota em ninguém.

Responder

    Joao

    24 de junho de 2011 às 12h47

    rapaz… pesquisa mais um pouco e vc vai descobrir q o "PIG" foi o culpado pela 2ª Guerra Mundial, pela escravidão no Brasil e pela "peste negra" na idade média… o "PIG" é culpado de tudo segundo o "raciocino" simplista de vcs!

    Já eu acho q nenhum partido (ou imprensa) tem o poder de mobilização (e MANIPULAÇÃO) dos chamados "movimentos sociais" q tem o PT…

    e com o PT no "puder", a UNE "chapa branca" e os sindicatos comprados vão reclamar de q?

    "gato gordo não caça rato"

    e o PT alimenta bem seus gatos…

    Mariano

    24 de junho de 2011 às 13h54

    Comentário absolutamente perfeito.

    Sami

    24 de junho de 2011 às 13h27

    "Hoje em dia, se vc perguntar a algum jovem o que ele pensa de política, ele responderá que todos os políticos são ladrões e que não vota em ninguém. "

    E não é verdade?

    Vinícius

    27 de junho de 2011 às 09h05

    Pois é Sami, não é verdade não. No pior das hipóteses, existem os piores, os menos piores, e sempre haverá a opção de você mesma por a cara a tapa e começar ou se integrar a um movimento. Já viu agricultor reclamando "o sol racha a terra, a chuva leva tudo embora, o negócio é sentar e morrer de fome"? Não importa que o mundo seja injusto, se a gente não se mexe morre à míngua. Não tem moleza pra lavrador, não terá moleza pra quem semeia na política.

    Boa sorte e um grande abraço.

Conceição

24 de junho de 2011 às 10h59

Fora do contexto mas importante:
Não quero saber de índio …
Isto é importante para a Presidente saber:
Presidenta se fortalece com lei da mídia
Infelizmente, a notícia não é sobre a presidenta brasileira, mas sobre a argentina. Cristina Fernández de Kirchner disparou nas pesquisas eleitorais para presidente da República Argentina. A eleição será em 23 de outubro próximo.
Segundo as sondagens, Cristina tem entre 45% e 55% das intenções de voto contra médias de 15% do deputado oposicionista Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raul Alfonsín, e de 7% do ex-presidente Eduardo Duhalde.
Quem acreditou nos noticiários brasileiro e argentino emitidos até o ano passado, certamente não entendeu esses números. O que vinha sendo dito por aqui era que Cristina estava desmoralizada politicamente por divergir da Santa Mídia. http://www.blogcidadania.com.br/2011/06/president

Responder

rafael

24 de junho de 2011 às 10h29

Não é fazendo uma passeata por minuto "contra tudo que ai está' que a juventude brasileira modifica sua realidade, ela está sim nos partidos, em todos eles, nas igrejas salvo melhor juízo, são agentes bem ativos na assistência social, e nos pontos de ônibus e metros indoe e voltando na luta diária do mercado de trabalho, esses jovens estão sim mudando o mundo, ao contrário dos estudantes profissionais de marchas para a maconha e dces da vida.

Responder

Fernando Drechsler

24 de junho de 2011 às 10h27

Falo por mim…

Tenho 26 anos, e achei estranho quando vi jovens, na minha faculdade, que se negam a brigar quando é necessário. O diálogo tem que ser proposto e feito sempre QUE POSSÍVEL. Caso contrário, a luta se torna necessária, seja no campo burocrático (que era o meu caso, expondo problemas na instituição), seja em matéria de exposições de coletivos, seja no confronto direto.

Obviamente que isso sempre tem que ser usado como último recurso, ou ele se desgasta de tal maneira que deixa de ser completamente efetivo. Estamos com essa idéia de que tudo vai ser resolvido na conversa. Eu gostaria muito que fosse tudo assim, mas infelizmente não é. Então, se for para ir para a conversa, vá armado das inúmeras armas que estão dispostas à nós (e não fiquem em apenas uma), para o caso da necessidade de usar.

Responder

Carlos J. R. Araújo

24 de junho de 2011 às 10h18

Quando vejo a juventude grega e espanhola indo às ruas, defendendo o seu próprio futuro, sinto uma dor na alma. Os jovens brasileiros de hoje são altamente despolitizados. Cidadania para eles é o celular turbinado, a internet, as roupinhas de grife, as baladas, o carrinho para ouvir som bem alto. Escutar a conversa deles, então, é de matar, um besteirol completo, levam horas falando de futebol, carro, sexo, transas e só. São órfãos de tudo. E o que esperar deles? Nada. A UNE, os DCEs e outros grupos não diferem muito deles. E o diabo é que, como dizia um dissidente theco da década de 80,as lesões sociais são iguais às lesões físicas. Algumas podem levar anos para ser recuperar e outras são irreversíveis. Quem viver, verá.

Responder

osmar

24 de junho de 2011 às 10h14

Esperar o que da igenuidade de jovens que são vítima do pensamento único ( tv globo,bandeirantes,sbt,veja,jornalões,zero hora…. e um monte de outras baboseiras). Não conhecem e não se interessam no outro lado da notícias (contraponto) existentes nas midias alternativas internet. E o pior se acham…. Esperar o que da alienação?

Responder

Vinícius

24 de junho de 2011 às 10h12

Eu acredito que o grande desafio é reincluir a juventude no movimento sindical. De um lado, os jovens são individualistas e tem opinião formada contra o sindicalismo; do outro, os sindicalistas são burocráticos, hierárquicos, politicamente oportunistas, insinceros, tudo que a juventude não agüenta, e ainda por cima a maioria dos líderes sindicalistas objetivamente busca eliminar as jovens lideranças, que vêem como concorrentes ou como 'descontinuadores' de seu trabalho de décadas.

O movimento estudantil, eu estive lá, é uma piada: pequenos burgueses pregando para os convertidos sobre a salvação do mundo, incapazes de entender e serem entendidos pelo povo. A real inclusão do jovem na política, a meu ver, é pelos sindicatos. Inclusive, uma multidão de jovens está, sem exagero, perdendo a audição e a saúde mental para o telemarketing e a CUT, a Força e a CONLUTAS estão pouco se FODENDO pra isso.

Responder

Klaus

24 de junho de 2011 às 09h20

A juventude brasileira "rebelde" foi burocratizada. Os "rebeldes" de hoje têm carteirinha de rebeldes.

Responder

    Joao

    24 de junho de 2011 às 10h39

    foram "burrocratizados" e comprados, não se esqueça!

    a UNE recebe verba federal e é "alinhada" com o Gov petista…

    os sindicatos recebem R$ 1BI/ano e Lula ainda vetou o controle dos gastos sindicais pelo TCU…

    no auge da crise do MENSALÃO, q seria justificativa pro PT querer o fim de qualquer governo q não fosse o dele, quantas vezes a UNE ou algum sindicato se manifestou pedindo honestidade?

    NENHUMA!

    "gato gordo não caça rato!"

    e o PT alimenta bem seus gatos…

    Everton de Souza

    24 de junho de 2011 às 11h23

    Aqui só existe rebeldia quando é para perpetuar algum privilégio, ou seja, "direitos" que só um minoria possui e de preferência as custas da maioria.

Féla

24 de junho de 2011 às 09h13

Os jovens já perceberam que não tem jeito de mudar nada de significativo agora e o único caminho é deixar f… de vez (e até ajudar a f… e acelerar a f… geral) prá ver se o que surge das cinzas (se é que restará algo) é um pouco melhor que o absurdo visto atualmente.

Responder

[Oz_.]

24 de junho de 2011 às 01h03

Acabei de me obter minha graduação e sei muito bem o que encontrei pelo caminho…
Espanta o tipo de pensamento das classes mais altas da sociedade.

Não há como fazer um Governo de Esquerda se a maioria do povo possui pensamentos extremamente Conservadores. Lula se virou como pôde. Aposto que fosse estatizado alguma empresa privada haveria um golpe de Direita e ainda achariam é bom, tamanho ódio do barbudo operário.

O pensamento pode estar começando a mudar, mas ainda vai demorar muito para que o pensamento e a raiva direitista destes jovens se torne menos evidente.

Não é simplesmente com o Governo que muda, é necessário uma transformação do deste novo pensamento da sociedade e uma evolução do espírito crítico.

Responder

[Oz_.]

24 de junho de 2011 às 01h00

Visitem uma Universidade e façam uma pesquisa…
Taí, Azenha, se quiser, um bom tema pra fazer máteria; reportagens; pesquisar etc.
Pergunte para algum jovem o que é Socialismo Democrático ou Social Democracia. Pergunte o que acha do Liberalismo econômico (neoliberalismo), monetarismo, do Liberalismo Social, como o casamento gay ou direitos GLB's etc; pergunte a respeito do que acham do Bolsa Família – Álvaro Dias iria se deleitar com essa, acredite.

Responder

[Oz_.]

24 de junho de 2011 às 00h59

A respeito de Marina:

Jamais foi uma boa opção. Possui como intelectual econômico aquele Giannotti da Fonseca. Esse liberal me dá ânsia só de pensar em ouvi-lo.
__
Os jovens mais "entendidos" de política hoje em dia, no Brasil, são Conservadores. Pior, são puramente reacionários e nem fazem questão de tentar entender como de onde vem o próprio pensamento. Odeiam tudo. Preferem "jogar uma bomba e recomeçar do zero", sem as classes baixas, sem operários e sem nordestinos, mas jamais sem suas domésticas e babás. Fazem questão se serem "politicamente incorretos" e se julgam "revolucionários". A verdade é que são Fascistas enrustidos que ainda não se descobriram.

Responder

    Antonio Lopes

    24 de junho de 2011 às 10h25

    O melhor comentário até agora. Oz o pior é que é seu comentário é verdadeiro…….

    [Oz_.]

    24 de junho de 2011 às 20h21

    Valeu, Antonio Lopes!
    ____
    Obs: a ordem certa de meus comentários estão de baixo pra cima.
    Devem assim por causa de como a data do blog os organiza…

FrancoAtirador

24 de junho de 2011 às 00h00

.
.
Em nível nacional, as únicas pontes são a UNE e a UBES.

Sem a atuação destas entidades representativas estudantis

dificilmente haverá articulação entre os anseios da juventude

e a efetiva participação dos jovens na atividade política brasileira.
.
.

Responder

    Vinícius

    24 de junho de 2011 às 10h21

    A UNE é para universitários. Universitários não representam toda a juventude.

    A epidemia de crack é um problema dos jovens, e a UNE não sabe nada a respeito.

    Já a UBES, até onde eu sei, 99% é massa de manobra e 1% são líderes pensando "putz, eu só manobro a massa, não dá pra fazer debate, mas fazer o que".

    Klaus

    24 de junho de 2011 às 11h05

    Meu caro, UNE e UBES são justamente a burocratização da juventude, os jovens de carteirinha. UNE e UBES há tempos não representam os estudantes. São apenas braços políticos de partidos (principalmente PC do B). Dizer que sem a atuação destas entidades não haverá articulação é colocar a juventude num escaninho pré-determinado. A juventude pode estender (obrigado, Elton!) sua atuação a todos os setores da sociedade sem necessidade de ser guiada por estas entidades.

Luiz Fortaleza

23 de junho de 2011 às 23h50

Espero que não se caia num militantismo alienante, sem horizonte para além do capitalismo, pois a luta pelo aperfeiçoamento da estrutura do sistema é uma luta de permanecer na escravidão da ALIENAÇÃO econômica. Superar o imediatismo da luta política burguesa é a verdadeira revolução. Libertar-se do REFORMISMO burguês é que é a grande CHAVE de compreensão da nossa SITUAÇÃO HISTÓRICA. Livrar-se da vida egoísta burguesa é construir uma vida de comunidade, de comunismo.

Responder

Armando do Prado

23 de junho de 2011 às 23h44

O que é ser jovem ou que é o jovem? De pendendo da resposta estaremos diante de ditadura de meia dúzia de privilegiados ou de setores respeitáveis da sociedade brasileira. Temo que se está falando da primeira hipótese, pois o jovem na sua maioria continua se ralando em subempregos em telemarketings para representar o que os mais velhos não têm coragem de falar aos consumidores ou vegetando em cursos que formam analfabetos funcionais. Cadê a responsabilidade social nos seus deveres fundamentais dos bem pensantes deste país??

Responder

Gustavo Pamplona

23 de junho de 2011 às 23h23

Lá vem o grande "Emir Sader" com saudades da época da ditabranda… mas tudo bem… tem muita gente "velha" da esquerda que não consegue largar daquilo mesmo, eu até compreendo.

Deixa eu explicar para vocês, meus queridos amigos do "Vi o Mundo" uma coisa…

Sabem porque não há muita "rebeldia" hoje nos jovens? Simples… a maioria hoje está tão "anestesiada" pela mídia e estão tão interessados em atingir seus "sonhos de consumo", isto quando não estão em seus computadores "tuitando" ou sei lá, no Facebook, Orkut, etc. falando bobagens.

Em São Paulo, por exemplo… qualquer manifestação de estudantes (e também não-estudantes) é reprimida a força e quando é que a mídia (PIG) vai noticiar aquilo?

Ou mesmo em outros lugares, quando há manifestação de estudantes, eles não são plenamente atendidos e poucas vezes a mídia (PIG) de fato dá REAL atenção as reivindicações deles. Ou em outras palavras, os estudantes pensam:

"Para que nós iremos perder o tempo com isto, se sabemos que não conseguiremos muita coisa"

Querem um exemplo disto? A tal da Dilma, durante a campanha presidencial, bradava o tempo todo a plenos pulmões que "Eu fui torturada isto", "eu fui torturada aquilo". chegou na presidência e olhem o quê que aconteceu… avançou em alguma coisa?

No campo social sim… agora sobre a ditabranda, houve algum avanço?

Eu tinha lido em algum lugar, não sei se foi aqui, no PHA, no Nassif algo dizendo que a ditabranda foi apenas uma correção de rumo contra um possível "comunismo" que teria sido instalado aqui.

Analisando Cuba hoje ou mesmo até a poderosa Rússia, eu até considero que a ditabranda foi um "mal necessário", fez bem ao Brasil.

—-
Gustavo Eduardo Paim Pamplona – Belo Horizonte – MG
Desde Jun/2007 considerando a ditabranda um "mal necessário" no "Vi o Mundo"! ;-)

Responder

    Luiz Fortaleza

    24 de junho de 2011 às 11h00

    Só um depoimento pueril deste como seu é q merece perdão: "Pai, perdoai-vos, eles não sabem o q fazem" ou melhor, "não sabem o que dizem".

FrancoAtirador

23 de junho de 2011 às 23h20

.
.
SÓ P'RA LEMBRAR

"Os Deputados do PT ou dos outros partidos de esquerda que se elegem a partir dos movimentos sindical e popular só vão deixar de prestar um serviço a esses movimentos se eles se desligarem do movimento social e do seu partido, se eles deixarem de levar as reivindicações dos trabalhadores ao parlamento."
(Jose Dirceu – julho de 1989)

http://www.cedap.org.br/caderno4.html

Responder

João PR

23 de junho de 2011 às 22h58

Estamos entrando em uma cultura de consumo de massa. Logo, o que importa para os jovens é o consumo.
Aqui a juventude não está recebendo os reflexos negativos do neoliberalismo (como na Espanha e Grécia), estão recebendo os frutos de um governo bem sucedido (Lula) que colocou o país em uma situação muito boa (há mais empregos do que candidatos a vagas em muitos casos).

Assim, creio, caberia ao governo, através do PNBL, politizar esta juventude. Os jovens brasileiros pouco sabem da situação no Chile agora (com Piñera no poder). É necessário informar, politizar o debate com a juventude, para que esta não permaneça anestesiada no consumo. Do contrário, logo logo corremos o risco de eleger o Berlusconi (ou Piñera) tupiniquim.

Responder

Fabio

23 de junho de 2011 às 22h07

Lendo este texto, ocorreu-me pensar que talvez a categoria "jovens" tenha sido descrita de modo ainda muito abstrato (no sentido hegeliano do termo). Será que as aspirações dos jovens oriundos, por exemplo, de famílias brasileiras com renda per capita de classe média, no nordeste do Brasil são as mesmas dos jovens de classe média alta de São Paulo? Não sei. Não seria mau uma pesquisa sociológica a respeito.

Responder

FranX

23 de junho de 2011 às 22h03

"…Por que se situaram muito mais com a Marina no primeiro turno do que com a Dilma (mesmo se tivessem votado, em grande medida, nesta no segundo turno, em parte por medo do retrocesso que significava o Serra)?…"

Os jovens sempre buscam empunhar 'bandeiras ideológicas' ou, pelo menos (como aqui no Brasil), fazer parecer que possuim algum discurso ideológico. Um manifesto da juventude brasileira, ao meu ver é preocupante, porque, em geral,é muito mais quantitativo que qualitativo.

Responder

FranX

23 de junho de 2011 às 22h02

cont…
A juventude brasileira que domina recursos modernos de comunicação, não procura se informar a fundo de assuntos relevantes. Ela é cooptada pela emoção, 'uma página em branco' a serviço de quem a conquistar. A novela do sbt sobre 64 é um exemplo disto, ela 'chegou antes' para escrever nas jovens cabecinhas a sua versão dos fatos. São muitos os jovens 'cooptados' nas massas religiosas do nosso país, que respondem com prontidão aos mais 'fervorosos' e retrogrados discursos. A atual geração não faz ( e, ao que parece, nem quer fazer) idéia do que foi a ditadura e a inflação fora de controle, ela nasceu período abastado do país e, esta situação confortável, (que difere da de jovensde outros lugares, que precisam tomar ciência do que os cercam para poder agirem) lhe permite seguir desinformada, abraçando qualquer corrente ideológica que lhe soe 'moderninha' ou apaixonante. Assim me parece.

Responder

Arnaldo

23 de junho de 2011 às 20h10

Infelizmente a nossa juventude está anestesiada!

Responder

    Luiz Fortaleza

    24 de junho de 2011 às 00h00

    Uma juventude sem ideologia e/ou utopia faz movimento apenas de fogo de palha que logo se apaga…

Vania Costa

23 de junho de 2011 às 20h00

Meu querido Emir Sader, pena não ter incluido a lição de cidadania que os jovens de Natal/RN deram para todos os jovens do Brasil. Eu, fiquei orgulhosa de ver o nível do debate e a forma como a ocupação da Câmara transcorreu. Nós natalenses, estamos de parabéns.

Responder

    Vinícius

    24 de junho de 2011 às 10h15

    Comprem uma plantação de pimenta, eu, como talvez muitos outros, morro de inveja de vocês.

@luisk2017

23 de junho de 2011 às 19h31

Outro dia conversando com um integrante da juventude moderada do PT ele expôs a seguinte "proposta" para ação política contemporânea:
1) O papel atual dos movimentos sociais de juventude é "lutar por políticas públicas".
Por que?
Segundo ele, a minha geração (final dos anos 70, início dos 80) lutou pela democratização do país. E a anterior (nomeando José Dirceu) resistiu à Ditadura.
Sinceramente, miitância jovem de esquerda que não discute, "pratica" e propõe revolucionar o mundo (ainda que de forma pouco consistente e por vezes ingênua) não tem sentido algum, a não ser preparar uma meia-duzia para o parlamento. É muito desperdício de hormônio.

Responder

Joao

23 de junho de 2011 às 18h56

pena ver a UNE vendida e os jovens q pintaram as caras pra pedir moralidade no caso Collor hj vejam pela janela toda a corrupção dos MENSALÕES da vida sem nada fazer…

Responder

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