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Campus do Cérebro não prejudica pesquisadores e fará inclusão científica


26/11/2014 - 13h16

macaiba

Os inimigos de Miguel Nicolelis promovem uma perseguição feroz a tudo o que esteja ligado ao neurocientista

Nota de esclarecimento

Com relação aos questionamentos que envolvem o projeto desenvolvido pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont, esclarecemos que o valor destinado pelo Ministério da Educação (MEC) à entidade, de R$ 247.572.222,00 (duzentos e quarenta e sete milhões, quinhentos e setenta e dois mil e duzentos e vinte e dois reais), não faz parte do orçamento federal brasileiro para ciência e tecnologia.

Na realidade, esses fundos se originaram de outra fonte orçamentária, justamente por não se tratar de um projeto científico pontual e sim da instalação e custeio de um novo campus. Sendo assim, esse aporte financeiro, que será desembolsado ao longo dos próximos quatro anos, não resultará em nenhum tipo de prejuízo a qualquer cientista brasileiro.

Este aporte corresponde às despesas de manutenção do novo Campus do Cérebro, um projeto realizado em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que tem por missão promover a inclusão social e o desenvolvimento econômico numa região de baixo IDH por meio da ciência de ponta.

Para tanto, o campus promoverá atividades de ensino, pesquisa e extensão em uma área de 99,5 hectares, no município de Macaíba (RN).

Dentre essas, destaca-se o programa Educação para Toda Vida, que começa no pré-natal das mães dos nossos futuros alunos, passando pelo ensino básico/médio e indo até a pós-graduação e o treinamento de pós-doutorado.

O Campus do Cérebro, que pode ser comparado ao de outras universidades que vêm sendo construídas atualmente pelo Governo Federal no País, será um polo científico-tecnológico em Neurociências e Neuroengenharia, com impacto direto em todo o Nordeste e, consequentemente, em todo País.

Também faz parte do projeto a manutenção de três Centros de Educação Científica, em funcionamento em Macaíba e em Natal, ambos no Estado do Rio Grande do Norte, e outro em Serrinha, na Bahia, que visam promover ações que facilitem o acesso de alunos da rede pública de ensino ao conhecimento e práticas científicas, às informações que estimulem a produção de conhecimentos, à inovação científica e tecnológica, à criação de novos experimentos, à expressão de ideias próprias e sua fundamentação científica, além de promover a formação continuada de professores na troca de experiências e reflexões sobre a prática pedagógica e sua fundamentação teórica.

Ao todo, 1.400 alunos estão sendo atendidos anualmente. Desde 2007, um total de 8.270 jovens oriundos de escolas públicas do RN e BA já participaram desse programa.

No projeto do Campus também consta uma escola de ensino básico de horário integral e de gestão democrática, que utiliza o método científico na sua proposta educacional e um currículo que vise a desenvolver nos educandos, não só a necessidade de aprendizagem contínua, mas também a responsabilidade pela coautoria do processo de construção coletiva do projeto de educação, estimulando o desenvolvimento da consciência crítica da realidade vivida.

A partir de 2015, 700 crianças passarão a frequentar essa escola, com área construída de 14 mil m².

Além disso, o Campus do Cérebro também ampliará as atividades do Centro de Educação e Pesquisa em Saúde, serviço ambulatorial de referência para a saúde materno-infantil na região de Macaíba, com capacidade atual de atendimento de 12 mil consultas/ano.

Desde 2008 esse centro de saúde já realizou 50 mil consultas.

Para se ter ideia do que isso representa, a população de Macaíba é de 70 mil habitantes. Com a ampliação prevista, mais de 20 mil consultas/ano serão realizadas a partir de 2015.

Esse centro de saúde também tem por objetivo atuar na formação, desenvolvimento e educação permanente de profissionais de saúde e desenvolver ações de ensino e pesquisa na área da saúde materno-infantil e em suas interfaces com a Neurociência, Neuroengenharia, reabilitação motora e sensorial.

A meta é oferecer cenários para atividades acadêmicas para 100 alunos de graduação/ano, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), na área de atuação na saúde materno-infantil.

Trinta pesquisadores principais, além de alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado, irão trabalhar no Centro de Pesquisas do Campus em 2016.

O número de pesquisadores principais aumentará para 47 em 2017, compondo uma equipe total de 103 profissionais, na qual também estão veterinários, bioteristas, técnicos, auxiliares, assistentes e engenheiros, entre outros.

As linhas de pesquisa serão focadas nas áreas de Parkinson, plasticidade sensório-motora, bases neuronais da aprendizagem sensório-motora, desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina para restaurar a função neurológica, bases neuronais da percepção tátil, bases eletrofisiológicas de transtornos motores, neuromodulação por estimulação elétrica, neurofisiologia, cognição de primatas, bases neurais do comportamento social, eletrofisiologia e neurofisiologia.

Gestão

Qualificado como Organização Social por meio do decreto presidencial de 27/2/2014, o Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont será responsável pela gestão do Campus do Cérebro, o que inclui a contratação de equipe pedagógica, clínica, de pesquisadores, administrativa e de manutenção, bem como a compra de equipamentos, montagem de salas de aulas e laboratórios, entre outros.

A construção do Campus está sendo executada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que recebeu recursos próprios para tanto.

O total previsto de profissionais envolvidos nos projetos de educação, saúde e pesquisa do Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont será de 319 em 2015, 447 em 2016 e 552 profissionais em 2017.

Aportes

O projeto recebeu, em setembro de 2014, a primeira parcela, no valor de R$ 29.693.901,00 (vinte e nove milhões, seiscentos e noventa e três mil e novecentos e um reais).

Os demais aportes serão feitos semestralmente até dezembro de 2017, quando o Campus estará em pleno funcionamento.

O projeto deverá entrar em operação no segundo semestre de 2015, quando já deverão estar trabalhando cerca de 200 pessoas, entre professores e pesquisadores, e outros.

Conforme exposto acima, não se trata, portanto, de um “projeto pontual” e apenas científico, mas uma ação estratégica de longo prazo, que envolve educação, ciência e também o próprio desenvolvimento social da comunidade, que foi auditado e aprovado por comissões formadas por cientistas e educadores de entidades como Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Finep, Ministério da Educação e Ministério da Ciência e Tecnologia, entre outros, ao longo dos últimos oito anos.

Também frisamos que somos sede de um instituto nacional de ciência e tecnologia (INCT) — Instituto Nacional de Interface Cérebro-Máquina (Incemaq) –, que foi renovado por meio do parecer de pares da comunidade científica mencionados acima.

Esperamos que esses esclarecimentos desfaçam qualquer dúvida ou má interpretação sobre esse importante projeto, que não é apenas de seu idealizador, o Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont, mas de todo Brasil.

Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont

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11 comentários

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Laura

29 de novembro de 2014 às 09h50

Este Projeto é muito importante para o Brasil e muito importante para o NE e Rio Grande do Norte e UFRN. É muito importante a ciencia de ponta descentralizar-se pelo país. O resto é inveja e despeito.

Responder

Mauro Assis

27 de novembro de 2014 às 16h18

Porque será que toda vez que fala-se em “inclusão social” eu tenho vontade de segurar firme a minha carteira?

Responder

    Maria Dilma

    28 de novembro de 2014 às 12h58

    Afora fatos concretos, eu tenho mesmo é vontade de segurar minha carteira quando se fala em financiamento pelo Santander, por exemplo.
    Este vai apalicar 25 bi na infraestrutura, e a quê juros? O resto de nossas vidas e de nossos netos pagaremos.

    Maria Dilma

    28 de novembro de 2014 às 12h59

    Tudo é social também. Até a infraestrutura… mas esta é mais cara e só empresas grandes estão ligadas, o povo nem vê….

    eu tenho medo de órgãos onde o povo não vê…. a maioria é assim…

O Mar da Silva

27 de novembro de 2014 às 15h42

Nicolellis enfrenta forte artilharia porque enobrece o Brasil. Fosse um vira-latas já teria a adoração do PIG.

Responder

Maria Helena Correa

27 de novembro de 2014 às 14h23

Aplausos para o cientista e brasileiro, acima de tudo! Vergonha é ter de explicar para uns idiotas enciumados que nem sabem da grandeza do projeto de múltiplas linhas de atuação. Mas, apesar deles, o Brasil cresce e crescerá.

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Antonio Lobo

26 de novembro de 2014 às 23h44

Na ciência, a grande maioria dos projetos são concedidos após a avaliação pelos seus pares. Isto ocorre não apenas no Brasil, mas em todos países sérios. A concessão de R$ 250 milhões para o Nicolelis sem que tenha sido avaliado pelos seus pares é incomum e a meu ver incorreta. É o equivalente à dispensa de licitação de obras públicas. Como há um certo clima de que o Nicolelis “é perseguido” pela comunidade científica brasileira, uma alternativa seria contratar revisores/avaliadores internacionais. Várias agências de fomento tem este hábito no Brasil.

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    Pedro Cordeiro

    27 de novembro de 2014 às 10h32

    Analfabetismo funcional.

    Não se trata de um projeto científico. É um campus universitário que vai beneficiar milhares de pessoas. Não se trata de 250 milhões “para o Nicolelis”.

    “Na realidade, esses fundos se originaram de outra fonte orçamentária, justamente por não se tratar de um projeto científico pontual e sim da instalação e custeio de um novo campus.”

Sérgio Fernandes

26 de novembro de 2014 às 20h19

Parabéns Prof. Nicolelis por sua vanguarda e por demonstrar que a verdadeira ciência não conhece barreira geográfica!

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Elias

26 de novembro de 2014 às 18h24

São mobilizações como essas que podem nos levar a ser um país respeitado em todo o mundo. E não há de se medir gastos quando se trata de avaços científicos e tecnológicos porque ambos estão embrionariamente ligados à educação de qualidade tão falada e desejada por toda a sociedade. Quando em meados do século vinte EUA e URSS deram início à corrida espacial, nenhuma das duas nações preocupavam-se com verbas, o importante era buscar resultados que fizessem dos dois países as potências que realmente se tornaram naquele período. Foi talvez o tempo em que mais surgiram cientistas que mais tarde levaria o planeta a desfrutar de todas as tecnologias que se tem hoje. Por isso, todo apoio ao Campus do Cérebro será um ato em favor de nossos avanços científicos e soberanos. Um grande Salve! ao incansável professor Miguel Nicolélis. É uma grande Vaia aos reacinários e retrógrados de sempre.

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Julio Terceiro

26 de novembro de 2014 às 14h27

O projeto é audacioso. Produzir, também, tecnologia de ponta é fundamental, num pais que capenga nessa área. Todo investimento na região norte/nordeste incomoda. A quem incomoda?

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