VIOMUNDO

Diário da Resistência


Bolsonaro manda “esquecer” PSL para botar a mão em milhões de fundo partidário do PSL
Reprodução do Facebook do ministro anticorrupção.
Você escreve

Bolsonaro manda “esquecer” PSL para botar a mão em milhões de fundo partidário do PSL


08/10/2019 - 16h44

Esquece o PSL, esquece o Queiroz, esquece as queimadas na Amazônia, esquece a tortura na ditadura, esquece o laranjal… Bolsonaro faz a política do esquecimento. Foge daquilo que não lhe agrada e torce para que o povo tenha memória curta. Mas nós não esqueceremos. Sâmia Bonfim, deputada federal (Psol-SP).

O laranjal é imenso. As laranjas rolam pela rampa do @planalto até o gabinete presidencial. O ministro do Turismo já tinha sido convidado. Faltou. Agora, foi convocado. Terá de vir obrigatoriamente falar sobre essa fraude pela qual ele foi indiciado. Humberto Costa, senador (PT-PE).

Jair Bolsonaro envolvido no esquema de laranjas do PSL-MG. Flávio Bolsonaro maculado pelas rachadinhas na Assembleia do Rio. Queiroz desaparecido. Brasil contestado pelos incêndios na Amazônia. E o Bolsonaro diz que é o Bivar quem está queimado? Aff! Margarida Salomão, deputada federal (PT-MG).

Da Redação

O cochicho do presidente Jair Bolsonaro, na porta do Palácio do Alvorada, foi ostensivo.

Foi feito para ser gravado e ouvido.

Foi um recado.

Foi um blefe.

O diálogo foi assim:

Bolsonaro, Bolsonaro, eu sou de Recife, sou pré-candidato do PSL.

Esquece o PSL, tá ok? Esquece.

Eu, Bolsonaro e Bivar. Juntos por um novo Recife. Aê!

Cara, não divulga isso não, cara. O cara tá queimado para caramba lá. Entendeu? E vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara. Esquece o partido.

Luciano Bivar, o presidente do PSL, afirma que não entendeu nada.

Major Olímpio, líder do governo no Senado, disse que ficou perplexo com a declaração.

Olímpio é aquele que pregou a saída do PSL do senador Flávio Bolsonaro.

 O major acusou Flávio de mudar repentinamente de posição sobre a CPI da Lava Toga.

O filho de Bolsonaro teria feito isso em troca da ajuda de ministros do STF para se livrar de investigações das tramoias em que se envolveu com o laranja Fabrício Queiroz.

Para proteger a própria pele, Flávio provocou o desembarque da senadora Juíza Selma, que trocou o PSL pelo Podemos mas corre o risco de ser cassada.

Ela é acusada de ter sido eleita em Mato Grosso com o uso de caixa dois e abuso de poder econômico. É a “Moro de saias”.

Uma nota da coluna Radar, da revista Veja, especulou que Bolsonaro levaria com ele 30 dos 53 deputados da bancada do PSL se decidisse deixar o partido.

Mas, neste caso, Bolsonaro ficaria sem dinheiro para eleger aliados em 2020.

Bolsonaro não é de rasgar dinheiro, como o repentino enriquecimento de Flávio Bolsonaro demonstra.

Bolsonaro pai e os filhos querem assumir o controle total do PSL para indicar os candidatos do partido às principais prefeituras em 2020.

Eles também querem a chave do cofre.

Flávio preside o partido no Rio, afastou o PSL do governo de Wilson Witzel e está preparando o dedaço.

Eduardo manda em São Paulo e já ameaçou deixar sem legenda a líder do PSL na Câmara, Joice Hasselmann.

Joice já afirmou que Jair Bolsonaro tem “ciuminho” da relação dela com o governador paulista João Doria, candidato tucano ao Planalto em 2022.

O flerte entre Joice e Doria reflete interesse eleitoral de ambos.

Joice diz que será candidata à Prefeitura de São Paulo em 2020 com ou sem PSL.

O PSL terá mais de R$ 100 milhões* em fundo partidário para as eleições de 2020, uma fortuna que a família Bolsonaro pretende controlar.

É do controle deste dinheiro que Luciano Bivar não quer abrir mão.

Foi com este dinheiro que o PSL produziu seu laranjal já em 2018.

Bivar, ao defender o ministro do Turismo, acusado de produzir o laranjal em Minas Gerais, disse o seguinte à Reuters: 

O que foi o seguinte: toda campanha era feita umbilicalmente entre os candidatos e o presidente (Bolsonaro), foi por isso que fizemos 52 deputados federais, devido ao carisma do nosso presidente. Todos candidatos e candidatas tinham fotos juntas, não significa que aquilo foi caixa 2 para o presidente.

Notem a palavra umbilicalmente.

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, foi indiciado na sexta-feira sob a acusação de produzir candidatas laranja.

Teria fraudado a cota das candidaturas femininas (30%) em Minas Gerais, onde presidia o PSL,  para desviar dinheiro público em benefício próprio, de sua candidatura e da campanha presidencial de Jair Bolsonaro.

Apesar do indiciamento, foi mantido no cargo por Bolsonaro.

O ministro foi convocado para depor no próximo dia 22 na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização, Controle e Defesa do Consumidor do Senado.

É desgaste público para Bolsonaro, que ainda mantém a fachada de ser combatente da corrupção.

O presidente da República parece contemplar a possibilidade de, no limite, empurrar o laranjal no colo de Bivar e do ministro do Turismo.

Mas, pelo jeito, o PSL não vai morrer afogado no suco de laranjas.

O deputado Júnior Bozella (PSL-SP) está articulando um manifesto de apoio a Luciano Bivar.

“Temos o caso do [Fabrício] Queiroz e o do ministro do Turismo, e o presidente tenta encobrir esses dois assuntos ao mesmo tempo em que desfere ataques indevidos ao PSL”, afirmou o deputado à Folha de S. Paulo.

PS do Viomundo: *Este número foi atualizado no título e no conteúdo do post depois que advogados do presidente Jair Bolsonaro divulgaram oficialmente o valor do Fundo Partidário do PSL previsto para 2020 em ação movida contra o partido.

Últimas unidades

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



5 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Zé Maria

08 de outubro de 2019 às 18h41

“Temos o caso do Queiroz e o do ministro do Turismo,
e o presidente [Jair Bolsonaro] tenta encobrir esses
dois assuntos ao mesmo tempo em que desfere
ataques indevidos ao PSL”
Deputado Federal Júnior Bozzella (PSL/SP)

Responder

Zé Maria

08 de outubro de 2019 às 18h32 Responder

Zé Maria

08 de outubro de 2019 às 18h25

Na realidade o Presidente do PSL afirmou à Reuters
que o Partido do Bolsonaro usou Dinheiro Público,
do Fundo Partidário, para todas as Candidaturas
tanto nas proporcionais (deputados) quanto nas
majoritárias (Senadores e Presidente da República),
como se fosse o “Bolão do Tâmo Junto e Misturado”:
juntou tudo e distribuiu para o País inteiro.

Responder

    Zé Maria

    09 de outubro de 2019 às 16h29

    https://t.co/r6RTJ6tjws

    Agora, o Beáto Dalanhól dá choque no Marréco de Maringá

    Uma Injustiça com o Procurador-Chefe, Subordinado do Juiz

    No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro disse
    que o deputado Luciano Bivar (PE), presidente do PSL,
    está “queimado para caramba”, o ministro da Justiça,
    Sérgio Moro, jantou com ele e com parlamentares do partido
    em um restaurante de Brasília.
    A justificativa foi a de que era preciso discutir o pacote
    anticrime, em tramitação na Câmara. (…)

    Não foi apenas Jucá quem passou aperto.
    Quando viu Moro entrar no restaurante, Deltan se levantou
    certo de que o ministro iria até a sua mesa para cumprimentá-lo.
    Nada disso.
    ‘Atrasado’, Moro apressou o passo para o local reservado
    pelo PSL e deixou o ex-colega de Curitiba no “vácuo”.

    O ministro foi direto cumprimentar Bivar.

    https://twitter.com/DCM_online/status/1181958132160962560
    https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/dallagnol-e-esnobado-por-moro-em-restaurante-onde-ministro-jantava-com-bivar/

    Zé Maria

    09 de outubro de 2019 às 21h15

    Damous sobre Moro e Dallagnol:
    “Quem delata primeiro? Um já ignora o outro”.

    Wadih Damous, ex-deputado federal pelo PT-RJ, usou o Twitter nesta quarta-feira 9 para comentar a notícia de que Sergio Moro, ministro da Justiça, ignorou Deltan Dallagnol, procurador-chefe da Lava Jato, em um restaurante de Brasília, na noite de terça.

    Moro estava no restaurante para jantar com membros do PSL. Dallagnol, por sua vez, estava com seu colega de Lava Jato Roberson Pozzobon.

    Moro e Dallagnol não trocaram palavras, nem olhares.

    O que leva à reflexão de Damous:

    “Moro evitou falar com Dallagnol
    em um restaurante em Brasília.
    Ao saber disso, pensei cá com meus botões:
    em futuro próximo, qual dos dois
    fará a delação premiada
    e qual dos dois será o delatado?”
    https://twitter.com/wadih_damous/status/1181991726984175617

    https://www.conversaafiada.com.br/brasil/damous-sobre-moro-e-dallagnol-quem-delata-primeiro


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.