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Antonio de Lacerda: Como falir o Brasil


23/02/2011 - 11h32

Câmbio, velhos mitos e novos dilemas

Antonio de Lacerda, no Valor Econômico, via Nassif

23/02/2011

Velhos mitos sobre a questão cambial sobrevivem no debate público, ao arrepio das evidências. Há verdadeiras “lendas urbanas” repetidas à exaustão, embora não resistam a uma análise fria dos dados e fatos. O real foi a moeda que mais se valorizou entre as 58 maiores economias do mundo nos últimos anos, conforme estudo do Banco para Compensações Internacionais – o Bank for International Settlements (BIS) – o banco central dos bancos centrais, baseado em dados compilados até o dia 15 de fevereiro, que consideram o câmbio efetivo, isto é, as taxas cambiais dos países, ajustadas pelas taxas de inflação. Enquanto o real atingiu o índice de 152,61, o maior dentre os países analisados, o yuan chinês atingiu 118,13 e a rúpia 107,16.

No entanto, ainda é muito comum que se argumente que todas as moedas dos países emergentes se valorizaram. Todas de fato, podem ter se valorizado, mas o real foi de longe a que mais se valorizou, o que faz com que percamos competitividade vis a vis os nossos principais países concorrentes. Subsidiamos as importações e inviabilizamos as exportações de industrializados.

Também não raro, diante da evidência da valorização do real, a afirmação de que “as empresas acabam se adaptando à moeda valorizada”. De fato, a racionalidade microeconômica das empresas as leva a adaptar-se às circunstâncias, no caso ampliando as importações, diminuindo o valor agregado local e deslocando vendas externas para o mercado doméstico. Muitas se transformam e passam de indústrias a maquiadoras de produtos, ou meras representantes comerciais de fabricantes do exterior.

Há ainda quem veja na valorização cambial uma oportunidade fantástica para as empresas se modernizarem, adquirindo novas máquinas e equipamentos no exterior por uma verdadeira pechincha. Valeria questionar quem ainda vai se aventurar a produzir localmente com condições sistêmicas tão desfavoráveis, se é tão barato trazer logo os produtos prontos de fora?

Mesmo que a hipótese fosse verdadeira, de que o câmbio baixo estimula a inovação, seria o objetivo correto, porém com o instrumento equivocado. Ao distorcer um preço fundamental da economia, que é justamente a taxa de câmbio, estimulamos não apenas importações de bens de capital, mas também e principalmente de todas as categorias de bens de consumo, substituindo a produção local. Os coeficientes de importação na indústria estão aumentando significativamente, não apenas em máquinas e equipamentos, mas também e principalmente em bens intermediários e de consumo.

O estímulo mais adequado e coerente para a modernização via aquisição de máquinas e equipamentos no exterior deve fazer uso de instrumentos tarifários, tributários e de financiamento direcionados a esses bens. Isso evitaria subsidiar de forma ampla, via câmbio, a todas as importações indiscriminadamente como ocorre no Brasil, não importa se de bens para investimento, ou consumo, ou ainda se eles poderiam ser produzidos no país.

É também evidente que o câmbio não é o único fator responsável pela nossa perda de competitividade. Há tanto questões econômicas, como tributação, juros, burocracia, entre outras, quanto de outra ordem, como nível educacional, tecnologia, etc.. No entanto, é equivocado misturar as agendas e auto enganar-se que medidas compensatórias, como incentivos fiscais, possam “compensar” o problema cambial. Precisamos melhorar a competitividade sistêmica, mas também tratar de aprimorar a política cambial.

Caberia um debate mais qualificado e honesto sobre as consequências e os riscos da opção feita pelo Brasil de manter sua moeda valorizada. Ao contrário do que o senso comum poderia nos levar a concluir, uma moeda artificialmente forte nos entorpece e cria uma falsa sensação de riqueza.

Mas, não por acaso, não apenas o caso mais citado da China, países em sua fase de desenvolvimento optam por manter uma moeda fraca, justamente para estimular, juntamente com outros instrumentos de fomento à competitividade, o valor agregado local, os investimentos produtivos, as inovações e as exportações.

Podemos escolher permanecermos como paraíso da arbitragem com câmbio e juros, de ampla oferta de produtos baratos e de viagens de turismo no exterior. A pergunta é como vamos pagar a conta dessa festa imodesta.

Também vale o alerta que banalizar demandas empresariais envolvendo a questão, rotulando-as como “choradeira”, ou coisa que o valha, denota um enorme desconhecimento da lógica empresarial. Há muitos empreendedores que obtêm ganhos muito mais expressivos, correndo menores riscos e com bem menos trabalho, substituindo a produção local por importações. O retorno é muito mais fácil, rápido e, em geral, bem mais robusto.

A pergunta é se esse é um caminho minimamente sustentável para o país, e, por consequência, no longo prazo, para a empresa. Vale questionar se podemos abrir mão de gerar renda, empregos e tecnologia, em troca de nos tornarmos, no limite, apenas um entreposto comercial.

A permanecer o quadro de valorização cambial, o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos, acumulado em cerca de US$ 50 bilhões nos últimos doze meses, seguirá aumentando, o que nos tornará crescentemente dependentes da disposição dos capitais internacionais em nos financiar e mais vulneráveis.

Por todos os aspectos mencionados fica evidente que não se trata de um problema localizado, uma demanda corporativa setorial. Mais do que um problema da indústria, estamos diante de um dilema que afeta a nação brasileira e o seu futuro.

Antonio Corrêa de Lacerda é economista, doutor pelo IE/Unicamp, professor da PUC-SP e da Fundação Dom Cabral, é coautor, entre outros livros, de “Economia Brasileira” (Saraiva, 4ª edição, 2010). Ex-presidente da Sobeet e do Cofecon

Para ler sobre a opção preferencial brasileira pelo agronegócio e pelos minérios de exportação, clique aqui.

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55 comentários

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O_Brasileiro

24 de fevereiro de 2011 às 18h34

Ou seja, o que querem com as imorais taxas de juros? Tornar o Brasil uma imensa "Daslu"???

Responder

yacov

24 de fevereiro de 2011 às 10h53

Isso aí 'tá me cheirando a um tremendo "papo furado"… È como alguém reclamar que tá com muito dinheiro… Dá licença!!! Se temos dinheiro e nosso dinheiro vale tanto, façam-se mais investimentos em infra-estrutura, compre-se máquinas, compre-se bancos, invista-se em educação, inclusão social… Que conversa mole de vira-latas é essa???? 50 bi de déficit na balança de pagamentos… Grande merda!!! Temos 300 bi, só de reservas.,, 'Tá na hora de parar com esta conversa mole vira-latística, esse econômez chinfrim, esse pessimiso de mau-agouro típico da "urubóloga" global, e assumir nossa grandeza. NÓS PODEMOS!!!!

"O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS"

Responder

    Agruminaldo Bentuca

    24 de fevereiro de 2011 às 15h14

    Cara, me desculpe, mas você realmente não entende NADA de economia…

    Não adianta "pensar positivo" que o Brasil vai pra frente não. O mundo real não é igual aquele pseudo-documentário "O Segredo"… Não basta "pensamento positivo".

    Moeda forte = Algo ruim. A China pensa assim, os Estados Unidos pensam assim, todo mundo pensa assim, tanto é que fazem de tudo para desvalorizar as próprias moedas, ou pelo menos evitar que elas se valorizem. Slogans sobre a rede Globo não podem mudar esse fato econômico.

Valdeci Elias

24 de fevereiro de 2011 às 10h30

Quer dizer, que o unico modo, de aumentar a riqueza das elites, é provocando a desigualdade social e o aumento da miseria ? Pode haver erradicação da miseria, e ao mesmo tempo desvalorização da da moeda ?

Responder

    Asgruminaldo Bentuca

    24 de fevereiro de 2011 às 15h19

    A desvalorização da moeda é o sonho de todos os países do mundo. A China faz de tudo para a sua moeda, o yuan, não se valorizar, e permanecer artificialmente desvalorizada.

    Moeda forte = algo péssimo para a economia.

    Moeda forte significa: desestimulo às exportações, estímulo à entrada de importados baratos que quebram a indústria nacional, aumento da quantidade de pessoas viajando para o exterior e gastando muito dinheiro lá fora, o que desequilibra ainda mais a conta corrente do país.

Bertold

24 de fevereiro de 2011 às 02h02

Para este artigo de uma tese escatológica eu tomo a liberdade de parafrasear Winston Churchil " a fala do Lorde quando é boa não é nova e quando é nova não é boa".

Responder

Galerius

23 de fevereiro de 2011 às 23h09

Se voce entrar numa loja no exterior, Europa/America do Norte, onde se vende produtos brasileiros, se nota de imediato o absurdo do caro dos produtos brasileiros em comparação com produtos de outros países na pratilheira , que só se pode comprar a coisa uma vez ou outra, consequencia direta do real supervalorizado. E de vez de comprar aquele docinho feito no Brasil voce acaba comprando aquele outro feito na Argentina..

Ontem mesmo, o Financial Times noticiou uma pesquisa indicando o aluguel de espaço comercial no Rio de Janeiro ser mais caro do que em Nova Iorque. Ora, isso não faz sentido.

"..Há tanto questões econômicas, como tributação, juros, burocracia, entre outras, quanto de outra ordem, como nível educacional, tecnologia, etc..".

Porque se fala tão pouco da burocracia brasileira que sempre passa por despercebido!

Responder

Martin

23 de fevereiro de 2011 às 20h30

Desenvolver NOVAMENTE o TRANSPORTE FERROVIÁRIO (Socorro !!! Que fizeram com a RFFSA ??!! ) ajudaria o Brasil, concordam !!??

( Ei !! Já conhecem o AEROMÓVEL ??! ) http://www.youtube.com/watch?v=CxU6_qI3sHo

Att.
Martin

Responder

isaias

23 de fevereiro de 2011 às 20h23

Se nossa moeda é a que mais valorizou está na hora de ir as compras e compar as multinacionais e inverter o fluxo do capital.se estamos com moedas valorizada ,compremos os Santader , o HSBC ,empreasa de computação e multinacionais ,vamos aproveitar nossa moeda forte ,façamos nós oque o japão fez aos Eua nos anos 80.Compremos e invertamos o fluxo de capitais ! Empresas brasileiras as compras !

Responder

Rafael

23 de fevereiro de 2011 às 20h08

Acho que tem um pouco de alarmismo exagerado. O governo Dilma assim como o governo Lula é comprometido com o desenvolvimento do país, foi eleito para isso,exemplo disso é aprovação da partilha do pré-sal ao invés de entregar para a chevron como serra queria, fortalecimento da Petrobras ao invés de privatizar como serra queria. Só para começo de conversa. Não conheço muito de economia, mas certamente não se está com dólar valorizado por vontade do governo e certamente não o desvaloriza porque isso não depende somente da vontade do governo. Não vão acabar com uma herança de pleno emprego e redução da miséria por capricho de uma minoria.

Responder

    Flavio Hugo

    23 de fevereiro de 2011 às 21h40

    Pois é bom você começar a entender de economia… Você vai se assustar com o que você vai descobrir… Vai perceber como o Brasil de 2011 está praticamente no caminho oposto ao do Brasil de 2009…

    O governo tem sim como evitar a sobrevalorização do real… Mas pra isso precisa enfrentar poderosos lobbys do mercado financeiro.

    Anti-acomodado

    24 de fevereiro de 2011 às 10h08

    Não dá pra falar em evitar a sobrevalorização. Temos que falar em revertê-la, pq ela já é fato.

    Acho que o governo tem como fazer isto, mas eles terão que andar na corda bamba, pq existe mesmo uma pressão inflacionária, não é invenção do mercado financeiro. E inflação alta é geradora de pobreza.

    não defendo, de modo algum, aumento de juros. Os juros têm que desabar, junto com o spread. Mas pra isso ser possível, a inflação tem que ser controlada por TODOS os outros mecanismos:

    – Desindexação total. Eletricidade, telefonia e aluguel, por exemplo, continuam indexados à inflação como nos velhos tempos. Indexação não faz sentido. Inflação futura depender tão fortemente de inflação passada é receita de fracasso.

    – Aumento de compulsório para diminuir o crédito indecentemente fácil. Até pq o crédito está caríssimo apesar de fácil, e a dívida privada do brasileiro pode se tornar impagável.

    – Menos gastos públicos, menos corrupção, e maior eficiência do setor público. Independentemente de sua opinião sobre o PT, falta muito pra o setor público brasileiro ser minimamente eficiente em seus gastos.

    – Métodos financeiros de estabilizar preços de commodities, especialmente alimentos. Melhores mercados futuros no país, por exemplo.

    – Taxação, indireta, sutil, escondida de todo jeito, sobre a exportação de commodities. Se feita às claras, pode gerar boicotes pelos produtores e ter o efeito adverso de aumentar os preços das commodities, em vez de diminuí-los. Nada de seguir o modelo Kirchner. Mas temos que aumentar a oferta interna de allimentos e outras commodities. E exportar produtos com maior valor agregado.

    – Direcionar investimentos de BNDES, BB e Caixa mais pra capacidade produtiva, menos pra atividades próximas ao consumo. Mais oferta, menos demanda. E diminuir a disponibilidade de crédito como um todo via estes bancos.

    – Sei q não vai acontecer, mas os grandes projetos improdutivos da Copa e das Olimpíadas deveriam ser cancelados. Muita corrupção, aumento da demanda sem aumento da produtividade da economia, sobreaquecimento da construção civil e do mercado de imóveis. Pressiona inflação sem trazer ganhos de produtividade.

    – Tb não boto fé no trem bala. Não me parece economicamente viável, parece só um símbolo de modernidade que vai custar caro para o país e pressionar mais a demanda de setores já pressionados. Este dinheiro seria muito melhor gasto em ferrovias de carga pelo país.

    – Diminuir o preço dos combustíveis. Depende só da Petrobrás segurar diminuição nos lucros, e tem um efeito de diminuir os preços em toda a economia.

    Se tudo isso for feito e mais todas as coisas que eu não faço a menor idéia, talvez tenhamos condições de começar a cortar os juros seriamente.

    Acho que será necessário tb taxar a um nível proibitivo o capital externo que vem aqui comprar títulos públicos em reais. Dólar está muito fácil pros bancos estrangeiros, se este dolar vier parar aqui, como vem acontecendo, estamos perdidos.

    Com todas as medidas anti-inflacionárias possíveis menos juros, talvez a economia brasileira aguente a desvalorização do real sem ter desequilibrio inflacionário e necessidade total de aumento de juros.

    Acho que Lula foi muito importante para o país, mas faltou a seu governo aplicar outros mecanismos de controle de inflação pra forçar os juros pra baixo. O Brasil só vai se desenvolver de verdade com juros no nível internacional e câmbio compatível com a produtividade do trabalhador brasileiro, que é muito menor que o americano e o europeu, pela baixíssima escolaridade média da nossa força de trabalho.

    E mais que tudo isso que eu escrevi, o Brasil precisa investir em educação. Não apenas melhorar a estrutura física. Nem os professores são o gargalo, apesar de precisarem de treinamento e melhores salários. O grande problema do sistema são os alunos! Eles não acreditam que seu futuro pode ser mudado via educação, e não se esforçam minimamente. Precisamos de investimento em publicidade
    pró-educação. Uma estratégia de mudança total, em que tudo muda de cara, os professores são oferecidos cursos e melhores salários, segurança dentro da escola é garantida, disciplina é requerida, e as pessoas têm que ver na TV todo dia mensagens sentimentalistas sobre como é importante estudar. Como gente que nasceu pobre AGORA está ficando bem de vida, pq o Brasil mudou. Nossa nova geração precisa ter a sensação que educação leva pra frente.

    Enquanto nada disso for feito, e convenhamos que Lula deixou a desejar, o Brasil vai continuar crescendo sob uma ilusão financeira. Eu estou convicto que a economia brasileira está no topo agora por conta da ilusão financeira de câmbio valorizado e crédito abundante. E a produtividade do trabalhador? Será que aumentou? Em 2006 era comparável à da Uganda! Vamos lutar pra melhorar o país de verdade, gente!

    Fabio_Passos

    23 de fevereiro de 2011 às 21h51

    Depende da capacidade e vontade do governo em enfrentar o cassino.
    O governo é submisso aos especuladores.

    E há personagens deste governo que são financiados pela banca.
    Empregadinhos da FEBRABAN.

    Corrupção institucionalizada.

Rafael

23 de fevereiro de 2011 às 19h35

Alguém pode responder então por que se mantém o real valorizado? Por que o governo não toma uma atitude enérgica?
A vale é exemplo claro dessa situação. O dia em que a China não comprar ou diminuir a compra de minério de ferro já era a empresa.

Responder

    Marcelo de Matos

    23 de fevereiro de 2011 às 20h12

    Rafael. Na minha ignorância, acredito que o real está supervalorizado porque os juros estão altos, o que faz com que uma enxurrada de dólares seja carreada para o país. O governo poderia tomar uma atitude enérgica para desvalorizar o real? É difícil. Precisaria baixar os juros, mas, setores hegemônicos da sociedade (leia-se: oligopólios) entendem que os juros já baixaram o suficiente. Seria necessário, então, refundar o país. Na verdade, não gosto desse termo refundar, que tem sido impropriamente empregado. Refundar, na verdade, significa levar mais para o fundo e ninguém está querendo que o país vá para o buraco. Seria ótimo se pudéssemos baixar os juros e desvalorizar o real. Aumentariam as exportações de manufaturados que iriam somar-se às de commodities. Esse seria o melhor dos mundos. Mais crescimento, mais empregos. Quem sabe alguém descubra a fórmula para fazer tudo isso.

    Fabio_Passos

    23 de fevereiro de 2011 às 21h47

    A fórmula existe.
    É pressionar o governo.

    Este governo, ao que tudo indica, pertence a banca.
    Já passou da hora de lembrar que deveria pertencer a nós…

Marcelo de Matos

23 de fevereiro de 2011 às 19h08

Como falir o Brasil? Primeiramente, acho que nenhuma pessoa física ou jurídica pode pespegar falência a outra. Pode, sim, ser autora da própria falência. Se ao invés de exportar commodities o país resolvesse fabricar guarda-chuvas para concorrer com os similares chineses, vendidos a R$ 5 no centro de Sampa, aí sim, estaríamos no caminho da falência. Segundo os mais otimistas (Lula), o Brasil será a 5ª economia do mundo em 2020 e, segundo os menos otimistas (Price WaterhouseCoopers), em 2025. Isso não é pouca coisa para um país que a minha geração viu ser chamado de “não sério”, supostamente por De Gaulle, e incluído na lista de subdesenvolvidos. A explicação é a parceria com a China, que importa commodities brasileiras e já é a nossa maior parceira comercial. A Cosan, produtora de álcool e açúcar, uniu-se à Shell formando a Raízen, que já é nossa quinta maior empresa em faturamento. É possível abandonarmos a produção de commodities para fabricar guarda-chuvas, mas, a enxurrada da concorrência poderá nos remeter de volta às origens.

Responder

    Flavio Hugo

    23 de fevereiro de 2011 às 21h38

    Com o real sobrevalorizado e os juros nas alturas, nós não vamos a lugar algum. Pode esquecer as previsões otimistas.

    Fabio_Passos

    23 de fevereiro de 2011 às 21h45

    E você ainda comemora o Brasil como mero produtor de commodities?
    Opção "conciente" pelo subdesenvolvimento?

    O fato é que nos últimos 16 anos nosso subdesenvolvimento aumentou em relação aos eua.

    As bugigangas chinesas invadem o Brasil porque o governo, submisso aos interesses da especulação financeira, irresponsávelmente permite a hipervalorização do real.

    Câmbio é preço!

    O governo brasileiro, para satisfazer a rapinagem dos rentistas, permite a deterioração de nossa competitividade para bens de maior conteúdo tecnológico.
    Isto é injustificável.

Fabio_Passos

23 de fevereiro de 2011 às 18h56

A situação é clara!

Terra Arrasada.
Subdesenvolvimento.
Um crime contra o Brasil.

O IPEA alerta:

"Como resultado, nesse período, a participação do valor das exportações da indústria de alta intensidade no total das exportações brasileiras passou de 12% para 6%, enquanto a participação dos produtos não industrializados cresceu de 17% para 28%"

"
A dependência brasileira em commodities
Enviado por luisnassif, qua, 23/02/2011 – 17:36
Do Brasilianas.org
País deve rever o foco em commodities, diz IPEA
" http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-depend

Responder

Fabio_Passos

23 de fevereiro de 2011 às 18h44

Estamos fubecados com este real hipervalorizado.
Terra arrasada.

É a mesma merda que fez fhc e quebrou o Brasil.
Estamos repetindo. Não aprendemos nem com a nossa história recente?

Responder

Carmem Leporace

23 de fevereiro de 2011 às 18h11

Serra é PhD em economia pela Cornnel University, onde foi professor de economia.

Serra deu aulas para alunos de prêmios nobeis, mais de 40 sairam de lá.

O diploma de doutora da Dilma vale onde???

Responder

    Elton

    23 de fevereiro de 2011 às 18h58

    E você é doutora em TROLLAGEM….quanta besteira!!!!!!!!!!

    betinho2

    23 de fevereiro de 2011 às 19h10

    Poxa, o Brasil inteiro pedindo para ver o diploma do Çerra e você escondendo ele?
    Aproveita, já que está aqui, manda uma cópia…rsrs

    Rafael

    23 de fevereiro de 2011 às 20h00

    Prova.

Descrente

23 de fevereiro de 2011 às 17h41

Como assim, pode falir o Brasil ? Isto significa dizer que a saúde, a educação, a segurança deixariam de ser o primor que são ?

Responder

Urbano

23 de fevereiro de 2011 às 17h37

Oxente! Pra falir o Brasil? Entreguem pros tungados e demos, que são expertise no assunto, para verem o que acontece.

Responder

Gunter Zibell

23 de fevereiro de 2011 às 16h33

Vamos tomar cuidado com os textos que sairão este ano. Há dois lobbies em ação, um pró-câmbio valorizado, outro pró-desvalorização. Na maioria das vezes (na realidade, todas as vezes…) quem escreve mostra dados que corroborem apenas a sua tese.
Este texto de hoje fala, por exemplo, que o Real foi a moeda que mais valorizou nos últimos anos. Isso é verdade desde 2004. Mas não fala que o ponto de partida foi um Real extremamente depreciado pela sucessão de crises cambiais de 1999 a 2002. (Tão depreciado que o PIB da época era de US$ 500 bilhões, atualmente é US$ 2 trilhões…)
Também fala do déficit de transações correntes de US$ 50 bi, o que induz as pessoas a temerem por fuga de capitais. Mas não fala que a maior parte desse déficit ainda é coberto por Investimentos Estrangeiros Diretos.Os economistas/jornalistas que defendem o câmbio valorizado também selecionam números convenientes quando escrevem, é normal.
A verdade provavelmente está no meio, não em nenhuma das argumentações extremas.

Responder

    Fabio_Passos

    23 de fevereiro de 2011 às 18h49

    Você acredita mesmo nestas baboseiras que escreve?

    A verdade não está no meio… está diante do seu nariz.
    Você não enxerga porque é um cego tentando defender toda e qualquer atitude do governo. Mesmo as mais evidentes cagadas.

    Gunter Zibell

    24 de fevereiro de 2011 às 14h04

    Fabio, certamente você não lê tudo o que eu escrevo. E também não percebeu a quem interessa a desvalorização do câmbio.

    Fabio_Passos

    24 de fevereiro de 2011 às 20h38

    Interessa ao Brasil.

JC Tavares

23 de fevereiro de 2011 às 14h41

Olha, é preferível ter uma moeda forte e ficar ao critério do governo a sua eventual desvalorização, do que ter uma moeda fraca com uma economia anêmica como era nos tempos de F.H.C. e Serra, que pousa de economista mas nunca apresentou diploma, aliás, o que ele dizia em campanha era tanta baboseira que nem merece ser comentado.

Responder

sérgio ferreira

23 de fevereiro de 2011 às 14h34

fernandoeudonatelo

gostaria de me aprofundar nessas informações interessantes sobre o Irã

será que vc poderia informar onde obtê-las?

Sérgio

Responder

    fernandoeudonatelo

    23 de fevereiro de 2011 às 15h58

    Obtive num punhado de blogs e sites sobre geopolítica:

    Azenha, por favor leia e se possível, publique algumas dessas questões: Paradigma do desenvolvimento nacional, caso Irã

    Saiu na Terra: http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI4557…

    Irã satélites: http://www.investimentosenoticias.com.br/ultimas-

    Entrevista do Embaixador do irã, com blogueiros progressistas de Brasília : http://www.cafenapolitica.com/wordpress/?p=2718

    sérgio ferreira

    23 de fevereiro de 2011 às 17h43

    obrigado´

    parece bem interessante

    fernandoeudonatelo

    23 de fevereiro de 2011 às 16h08

    Ministro da Ciencia e tecnologia visita o Irã (Sergio Rezende na época e se impressiona): Avanços tecnológicos

    "Vi medicamentos que eles desenvolveram sinnteticamente, que não temos. Para o combate à Aids, por exemplo.
    Aqui, as empress nacionais de fármacos foram sendo vendidas para multinacionnais e ficamos para trás. Estamos agora tentando recuperar, fazendo muito investimento. O Irã, como ficou isolado, teve de se virar".
    http://www.cafenapolitica.com/wordpress/?p=1280 http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a...

    Alceu Gonçalves

    24 de fevereiro de 2011 às 08h58

    E a burrice dos usamericanos ao imporem o embargo contra o Irã não provoca conseqüências positivas somente no setor de saúde. Vejam só:

    1 – Com cerca de 70 milhões de pessoas, Irão (Irã) é uma das economias mais importantes da zona.
    2 – O Irã fabrica e coloca em órbita seus satélites.
    3 – O Irã ocupa 4 lugar sobre a diversidade dos produtos agrícolas no mundo.
    4 – O Irã é o 2º produtor de Petróleo e Gás no mundo.
    5 – O Irã mantém 4º – 9º posto na produção de zinco, chumbo, cobalto, alumínio, manganês e cobre do mundo.
    6 – 233 Tecno – projetos de engenharia foram executadas em 33 países por empresas iranianas durante os últimos 10 anos.
    7 – Os produtos industriais representam cerca de 70% das exportações não petrolíferas.
    8 – A economia do Irão desfruta de uma estabilidade importante. Apesar das oscilações dos preços do petróleo nos mercados mundiais desde o 11S, as medidas tomadas pelo governo nos últimos anos, permitiram que Irão cresça a um ritmo do 4.8% anual. Além disso, se flexibilizaram as medidas relacionadas com o controle e os regulamentos do comércio exterior, melhorado as condições para exportar, eliminação progressiva das barreiras não tarifárias, etc.

    As informações acima estão na pt.reingex.com, uma empresa especialista em comércio internacional com credibilidade para quem é do meio.

    Como podemos ver, o Irã não é a terra do Capeta, como os sionistas e seus cupincha apregoam aos trocentos ventos.

    AlceuCG.

    Alceu Gonçalves

    24 de fevereiro de 2011 às 09h24

    E a burrice dos usamericanos ao imporem o embargo contra o Irã não provoca conseqüências positivas somente no setor de saúde. Vejam só:

    Com cerca de 70 milhões de pessoas, Irão (Irã) é uma das economias mais importantes da zona.

    – O Irão ocupa 4 lugar sobre a diversidade dos produtos agrícolas no mundo.
    – O Irão é o 2º produtor de Petróleo e Gás no mundo.
    – O Irão mantém 4º – 9º posto na produção de zinco, chumbo, cobalto, alumínio, manganês e cobre do mundo.
    – 233 Tecno – projetos de engenharia foram executadas em 33 países por empresas iranianas durante os últimos 10 anos.
    – Os produtos industriais representam cerca de 70% das exportações não petrolíferas.
    – Já fabricam satélites e mísseis próprios, aviões não tripulados, além de domínio na fabricação de medicamentos, como radiofármacos (para o câncer), defensivos agrícolas, colheitadeiras, carros, processamento de alimentos etc.

    A economia do Irão desfruta de uma estabilidade importante. Apesar das oscilações dos preços do petróleo nos mercados mundiais desde o 11S, as medidas tomadas pelo governo nos últimos anos, permitiram que Irão cresça a um ritmo do 4.8% anual. Além disso, se flexibilizaram as medidas relacionadas com o controle e os regulamentos do comércio exterior, melhorado as condições para exportar, eliminação progressiva das barreiras não tarifárias, etc.

    Pesquisem. Indico alguns sites: http://www.cafenapolitica.com/wordpress/?p=1280%2
    http://pt.reingex.com/Irao-Negocios-Economia.asp

    AlceuCG.

    Rafael

    24 de fevereiro de 2011 às 15h16

    Baseado no seu texto o que os eua fazem então com o Irã é semlhante a que a Inglaterra fez contra o Paraguai.

sérgio ferreira

23 de fevereiro de 2011 às 14h31

Caro Azenha

mas qual é a alternativa?

câmbio fixo desvalorizado? taxação das importações? outra?

por que os especialistas só criticam?

não valeria a pena que fossem apresentadas outras hipóteses de trabalho para que pudéssemos discutir?

Abraços,

Sérgio

Responder

    Saulo Pires

    23 de fevereiro de 2011 às 16h20

    Controle de capitais.

    O real está supervalorizado pela entrada descontrolada de dólares e euros de especuladores, dinheiro que vem para cá só para investir em CDB, renda fixa e títulos públicos, aproveitando as altas taxas de juros.

    É preciso controle de capitais, acabar com essa farra especulativa.

    Fabio_Passos

    23 de fevereiro de 2011 às 18h51

    Exato!

    Fechar o cassino não tem nada de radical.
    É puro bom senso.

Jairo_Beraldo

23 de fevereiro de 2011 às 14h14

Como falir o Brasil? Nem li o post, não precisa….com certeza é só colocar DEMo/Tucanos no executivo, não só na Presidencia da República, mas também nos governos estaduais…só blábláblá, nhémnhémnhém e trólóló e nenhuma ação concreta!

Responder

Carmem Leporace

23 de fevereiro de 2011 às 12h51

José Serra dizia extamente isso durante a campanha, naquela época ele era massacrado por alguns tipos, mais uma vez nota-se que ele tinha razão, não a toa é PhD em economia.

Responder

    Emilio Matos

    23 de fevereiro de 2011 às 13h53

    Que distorção!

    Ele foi massacrado não por isso, mas pelo neoudenismo, pelo discurso babaca sobre o aborto, pelo apoio ao regime de concessões para o pré-sal, pela campanha de difamação que contratou.

    O problema do câmbio é do conhecimento de todo o reino animal, vegetal e mineral. Ou agora você vai aderir ao bordão de "nunca antes nesse país se pensou nisso"?

    Daniel

    23 de fevereiro de 2011 às 14h20

    A dureza é achar o número dele em algum órgão de classe. Então, diria: "Serra não é um economista, nem um PhD. Mas é um à toa"

    Panambi

    23 de fevereiro de 2011 às 14h21

    Meus Deus do céu, diria mamãe!!!!!!!!!!!!!

    Scan

    23 de fevereiro de 2011 às 14h44

    Pô! Todo mundo procurando exaustivamente um mísero diploma pro asno, diplominha qualquer. Até da Universidade Concha y Toro do Chile vale…e nada!
    Esfoços fadados ao fracasso.
    De repente essa Carmem aí já consegue até título de doutor pro jegue!
    Hua! Hua! Hua!
    Tem gente que pra ser uma besta falta o farol de milha.
    Carmem, dirija-se incontinenti ao blog do Reinaldinho Cabeção, o Eunuco, e permaneça entre seus pares.
    Hua! Hua! Hua!
    Cada louco que aparece…

    Elton

    23 de fevereiro de 2011 às 19h01

    Carmem.acho que você é "alter ego" do Serra…….ou ele mesmo travestido.

    Rafael

    23 de fevereiro de 2011 às 19h45

    No discurso ele sabe muito bem, mas por que no governo fhc ele não fez nada já que foi ministro do planejamento? O discurso desse pessoal tá muito bem decorado, ams não passa disso quando estão no governo, só governam para os amigos do rei, o povo e o país não existe.
    E se serra se preocupasse com isso não teria vendido a vale que hoje só exporta minério, e quando a Petrobras precisou comprar aço para construção dos navios teve que comprar de fora do país porque o aço aqui é mais caro do o importado, sem falar na questão dos trilhos para estrada de ferro que agora vão ter ser importados da China porque o jênio foi o pirncipal articulador da venda da vale e hoje o páis não consegue criar uma empresa siderúrgica para atender a demanda interna.E você ainda acha que ele tinha razão. Só não enxerga que não quer.

fernandoeudonatelo

23 de fevereiro de 2011 às 12h40

É o paradigma de desenvolvimento nacional.

O Irã por exemplo, país "atrasado" e "medieval" assumiu frentes estratégicas, como tecnologia, com o lançamento de satélites, com plataformas e mísseis totalmente iranianos (este ano serão lançados mais 4 satélites)

A construção de submarinos, navios, aviões não tripulados com autonomia para mil quilômetros e mísseis de alcance intercontinental.

Também, 9 entre os 20 medicamentos contra a AIDS são fabricados pelo Irã, que também tem excelência nas células troncos, com a fabricação de remédios para o câncer, a clonagem de animais, além da medicina nuclear e estruturação do complexo de farmoquímicos.

Resultado, o país chegou em 2010 com uma das maiores taxas médias de inovação e P&D no mundo (acima de 11%).

Responder

Livre pensar é só pensar | Viomundo - O que você não vê na mídia

23 de fevereiro de 2011 às 12h26

[…] Clique aqui para ver como a opção preferencial dos rentistas pelos juros altos (com apoio da mídi…   […]

Responder

waleria

23 de fevereiro de 2011 às 12h18

Prof. Antonio de Lacerda está cheio de razão.

Só falta avisar o Tombini, a diretoria do BC e a presidente Dilma.

Responder

    Lucas Cardoso

    23 de fevereiro de 2011 às 13h55

    E o Palocci. Não esqueçamos de avisar ao Palocci.

    Panambi

    23 de fevereiro de 2011 às 14h23

    Somente a Dilma, o BC é um país vizinho e independente.


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