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Diário da Resistência


Guerra de Quarta Geração: “Aniquilar, controlar ou assimilar o inimigo”
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Guerra de Quarta Geração: “Aniquilar, controlar ou assimilar o inimigo”


08/10/2010 - 01h16

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Quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Guerra de quarta geração

Cuidado, seu cérebro está sendo bombardeado…

por Manuel Freytas, no Gaceta en Movimiento, reproduzido em espanhol pelo Pedro Ayres em seu blog e traduzido pelo Viomundo

A quarta guerra mundial já começou. Enquanto você descansa, enquanto você consome, enquanto você goza os espetáculos oferecidos pelo sistema, um exército invisível está se apoderando de sua mente, de sua conduta e de suas emoções.

Sua vontade está sendo tomada por forças de ocupação invisíveis sem que você suspeite de nada.

As batalhas já não se desenrolam em espaços distantes, mas em sua própria cabeça.

Já não se trata de uma guerra por conquista de territórios, mas de uma guerra por conquista de cérebros, onde você é o alvo principal.

O objetivo já não é apenas matar, mas fundamentalmente controlar.

As balas já não se dirigem apenas a seu corpo, mas às suas contradições e vulnerabilidades psicológicas.

Sua conduta está sendo checada, monitorada e controlada por especialistas.

Sua mente e sua psicologia estão sendo submetidas a operações extremas de guerra de quarta geração.

Uma guerra sem frentes nem retaguardas, uma guerra sem tanques nem fuzis, onde você é, ao mesmo tempo, a vítima e o algoz.

1. A guerra de quarta geração

Guerra de quarta geração (Fourth Generation Warfare – 4GW) é o termo usado pelos analistas e estrategistas militares para descrever a última fase da guerra na era da tecnologia da informação e das comunicações globalizadas.

Em 1989 começou a formulação da teoria da 4GW quando William Lind e quatro oficiais do exército e dos fuzileiros navais dos Estados Unidos produziram o documento “O rosto da guerra em transformação: até a quarta geração”.

Naquele ano, o documento foi publicado simultaneamente na edição de outubro da Military Review e na Marine Corps Gazette. Embora no início da década de noventa a teoria não tenha sido detalhada,  nem tenha ficado expresso claramente  o que se entendia por 4GW, o conceito foi logo associado à guerra assimétrica e à guerra antiterrorista.

William Lind escreveu seu esboço de teoria no momento em que a União Soviética já havia sido derrotada no Afeganistão e iniciava seu colapso inevitável como sistema de poder mundial.

Portanto, a Guerra de Quarta Geração era visualizada como uma hipótese de conflito emergente do pós-Guerra Fria, tanto que alguns analistas relacionam seu ponto de partida histórico com os atentados terroristas de 11 de setembro [de 2001]  nos Estados Unidos.

Quanto à evolução das fases de guerra até a quarta geração, foi descrita assim:

Fase inicial: Arranca com a aparição das armas de fogo e alcança sua expressão máxima com as guerras napoleônicas. As formações de infantaria e a “ordem” no campo de batalha constituem seus principais objetivos e o enfrentamento entre massas de homens, sua essência. A Guerra de Primeira Geração corresponde aos enfrentamentos com táticas de linhas e colunas.

Segunda fase: Começa com o advento da Revolução Industrial e a disponibilidade no campo de batalha dos meios capazes de deslocar grandes massas de pessoas e disparar poderosos projéteis de artilharia. O enfrentamento de potência contra potência e o emprego de grandes recursos constituem a marca essencial desta geração. A Primeira Guerra Mundial é seu exemplo paradigmático.

Terceira fase: Caracteriza-se pela busca da neutralização da potência do inimigo mediante a descoberta dos flancos débeis, com a finalidade de anular a capacidade de operação, sem necessidade da destruição física do inimigo. A Guerra de Terceira Geração foi desenvolvida pelo exército alemão no conflito mundial de 1939-1945 e é comumente conhecida como “guerra relâmpago” (Blitzkrieg). Não se baseia na potência de fogo, mas na velocidade e surpresa. Esta etapa se identifica com o emprego da guerra psicológica e táticas de infiltração na retaguarda do inimigo durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1991, o professor da Universidade Hebraica de Jerusalém Martin van Creveld publicou um livro intitulado “A transformação da guerra”, que daria sustento intelectual à teoria da 4GW.

O autor afirma que a guerra evoluiu até o ponto em que a teoria de Clausewitz se tornou obsoleta.

Van Creveld prevê que no futuro as bases militares serão substituídas por esconderijos e depósitos e o controle da população se efetuará mediante uma mistura de propaganda e terror.

As forças regulares serão transformadas em algo diferente do que tem sido tradicionalmente, assinala van Creveld. Ele também prevê o desaparecimento dos principais sistema de combate convencionais e a conversão das guerras em conflitos de baixa intensidade (também chamadas Guerras Assimétricas).

A versão antiterrorista

Depois dos ataques terroristas de 11 de setembro [de 2001] nos Estados Unidos, a Guerra de Quarta Geração se complementa com o uso do “terrorismo midiatizado” como estratégia e sistema avançado de manipulação e controle social.

Produz-se pela primeira vez o uso sistematizado do “terrorismo” (realizado por grupos de operação infiltrados na sociedade civil), complementado pela Operações Psicológicas Midiáticas orientados para o aproveitamento social, político e militar do fato “terrorista”.

A Guerra Antiterrorista (uma variação complementar da Guerra de Quarta Geração) confunde as fronteiras tradicionais entre “front amigo” e “front inimigo” e situa como eixo estratégico de disputa a guerra contra um inimigo universal invisível, disseminado por todo o planeta: o terrorismo.

A lógica do “novo inimigo” da humanidade, identificado com o terrorismo depois de 11 de setembro, se articula operacionalmente a partir da “Guerra Antiterrorista”, que compensa a desaparição do “inimigo estratégico” do capitalismo no campo internacional da Guerra Fria: a União Soviética.

A “guerra preventiva” contra o “terrorismo” (como veremos mais adiante)  produz um salto qualitativo na metodologia e nos recursos estratégicos da Guerra de Quarta Geração a serviço dos interesses imperiais da potência hegemônica do sistema capitalista: Estados Unidos.

A guerra entre potências, expressa no confronto Leste-Oeste, desaparece com a União Soviética e é substituída, a partir do 11 de setembro, pela “Guerra Antiterrorista” liderada por todas as potências e pelo império (Estados Unidos) contra apenas um inimigo: o terrorismo “sem fronteiras”.

O desenvolvimento tecnológico e informativo, a globalização da mensagem e a capacidade de influir na opinião pública mundial converteram a Guerra Psicológica Midiática na arma estratégica dominante da 4GW, em sua variação “antiterrorista”.

As operações com unidades militares são substituídas por operações com unidades midiáticas e a ação psicológica substitui as armas no teatro da confrontação.

Desta maneira, a partir do 11 de setembro a “Guerra Antiterrorista” e a “Guerra Psicológica” formam as duas colunas estratégicas que sustentam a Guerra de Quarta Geração, com os meios de comunicação convertidos em novos exércitos de conquista.

2. Guerra Psicológica (ou Guerra sem fuzis)

Na definição conceitual atual, a coluna vertebral da Guerra de Quarta Geração se enquadra no conceito de “guerra psicológica”, ou “guerra sem fuzis”, que foi assim chamada, pela primeira vez, nos manuais de estratégia militar da década de setenta.

Em sua definição técnica, “Guerra Psicológica” ou “Guerra Sem Fuzis” é o emprego planejado da propaganda e da ação psicológica orientadas a direcionar condutas, em busca de objetivos de controle social, político ou militar, sem recorrer ao uso das armas.

Os exércitos militares são substituídos por grupos de operação descentralizados, especialistas em insurgência e contrainsurgência e por especialistas em comunicação e psicologia de massas.

O desenvolvimento tecnológico e informático da era das comunicações, a globalização da mensagem e as capacidades para influenciar a opinião pública mundial converteram as operações de ação psicológica midiática na arma estratégica dominante da 4GW.

Como na guerra militar, um plano de guerra psicológica está destinado a: aniquilar, controlar ou assimilar o inimigo.

A guerra militar e suas técnicas se revalorizam dentro de métodos científicos de controle social e se convertem em uma eficiente estratégia de domínio sem o uso das armas.

Diferentemente da guerra convencional, a Guerra de Quarta Geração não se desenvolve em teatros de operação visíveis. Não há frentes de batalha com elementos materiais: a guerra se desenvolve em cenários combinados, sem ordem aparente e sem linhas visíveis de combate; os novos soldados não usam uniformes e se misturam aos civis. Já não existem os elementos da ação militar clássica: grandes unidades de combate (tanques, aviões, soldados, frentes, linhas de comunicação, retaguarda, etc.)

As bases de planejamento militar são substituídas por pequenos centros de comando e planejamento clandestinos, desde onde se desenham as modernas operações táticas e estratégicas.

As grandes batalhas são substituídas por pequenos conflitos localizados, com violência social extrema e sem ordem aparente de continuidade.

As grandes forças militares são substitutídas por pequenos grupos de operação (Unidades de Guerra Psicológica) dotados de grande mobilidade e de tecnologia de última geração, cuja função é detonar acontecimentos sociais e políticos mediante operações de guerra psicológica.

As unidades de Guerra Psicológica são complementadas por Grupos de Operação, infiltrados na população civil com a missão de detonar casos de violência e conflitos sociais.

As táticas e estratégias militares são substituídas por táticas e estratégias de controle social, mediante a manipulação informativa e a ação psicológica orientada para direcionar a conduta social em massa.

Os alvos já não são físicos (como na ordem militar tradicional), mas psicológicos e sociais. O objetivo já não é a destruição de elementos materiais (bases militares, soldados, infraestrutura civil, etc.), mas o controle do cérebro humano.

As grandes unidades militares (barcos, aviões, tanques, submarinos, etc.) são substituídas por um grande aparato midiático composto pelas redações e estúdios de rádio e de televisão.

O bombardeio militar é substituído pelo bombardeio midiático: os símbolos e as imagens substituem as bombas, mísseis e projéteis do campo militar.

O objetivo estratégico já não é somente o poder e controle de áreas físicas (populações, territórios, etc.), mas o controle da conduta social em massa.

As unidades táticas de combate (operadores da guerra psicológica) já não disparam balas mas símbolos direcionados a conseguir o objetivo de controle e manipulação da conduta de massa.

Os tanques, fuzis e aviões são substituídos pelos meios de comunicação (os exércitos de quarta geração) e as operações psicológicas se constituem em arma estratégica e operacional dominante.

3. O Alvo

Na Guerra sem Fuzis, a Guerra de Quarta Geração (também chamada Guerra Assimétrica), o campo de batalha já não está no exterior, mas dentro de sua cabeça.

As operações já não se traçam a partir da colonização militar para controle um território, mas a partir da colonização mental para controlar uma sociedade.

Os soldados da 4GW já não são militares, mas especialistas de comunicação em insurgência e contrainsurgência, que substituem as operações militares pelas operações psicológicas.

Os projéteis militares são substituídos por símbolos midiáticos que não destroem o corpo, mas anulam sua capacidade cerebral de decidir por si próprio.

Os bombardeios midiáticos com símbolos estão destinados a destruir o pensamento reflexivo (informação, processamento e síntese) e a substituí-lo por uma sucessão de imagens sem relação com tempo e espaço (alienação controlada).

Os bombardeios midiáticos não operam sobre sua inteligência, mas sobre sua psicologia: não manipulam sua consciência, mas seus desejos e temores inconscientes.

Todos os dias, durante 24 horas, há um exército invisível que aponta para sua cabeça: não utiliza tanques, aviões nem submarinos, mas informação direcionada e manipulada por meio de imagens e notícias.

Os guerreiros psicológicos não querem que você pense na informação, mas que consuma informação: notícias, títulos, imagens que excitam seus sentidos e sua curiosidade, sem conexão entre si.

Seu cérebro está submetido à lógica de Maquiavel: “Dividir para conquistar”. Quando sua mente se fragmenta com notícias desconectadas entre si, deixará de analisar (o que, porque e para que cada informação) e se converterá em consumidor. Quando você consome mídia sem analisar os ques e os porquês, os interesses do poder imperial se movem por trás de cada notícia ou informação jornalística você está consumindo Guerra de Quarta Geração, de ordens psicológicas direcionadas através de símbolos.

As notícias e as imagens são mísseis de última geração que as grandes cadeias midiáticas disparam com precisão demolidora sobre os cérebros convertidos em teatro de operações da Guerra de Quarta Geração.

Quando você consome notícias com “bin Laden”, “Al Qaeda”, “terrorismo muçulmano”, sua mente está consumindo símbolos de medo associados ao terrorismo, “delinquencia organizada”, “vândalos”, “grevistas”.

O mesmo acontece no México quando se diz “Atenco” [localidade mexicana conhecida por ter resistido a uma ação de despejo], “macheteros” [que usam machetes, símbolo dos campesinos mexicanos], “privilegiados do SME” [o combativo Sindicato dos Eletricitários do México], “zapatistas”, “professores” e um grande catálogo de etc. Enquanto isso seu cérebro está servindo de teatro de operações para a Guerra de Quarta Geração lançada para controlar as sociedades em escala local e global.

Quando você consome a mídia sem analisar os porques e para ques ou os interesses do poder imperial que se movem por trás de cada notícia ou informação jornalística, você está consumindo a Guerra de Quarta Geração.

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44 comentários

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FrancoAtirador

04 de dezembro de 2016 às 07h36 Responder

KARARYU DRAGON GHOUL

27 de outubro de 2010 às 15h12

Postei este artigo na íntegra no meu Posterous kararyu.posterous.com

Responder

francisco.latorre

09 de outubro de 2010 às 09h27

Elections in Brazil and the US Intelligence Community
http://www.strategic-culture.org/news/2010/10/07/

falta traduzir.

..

Responder

Aline

08 de outubro de 2010 às 21h44

(continuando) O que me causa espécie é que pessoas religiosas, aparentemente ciosas de sua ética, etc repassem esses emails sem o menor escrúpulo, como se estivessem anestesiadas. Seria interessantíssimo um estudo sobre esse fenômeno. Nos últimos dias está uma verdadeira tempestade desse tipo de tática. São uns dez novos tipos de spams desses novos que circulam diariamente.
Por todos esses motivos considero que o tema desse artigo é do maior interesse nesses momento.
Se puder Azenha, tente trazer mais informações a respeito.

Responder

    francisco.latorre

    09 de outubro de 2010 às 15h39

    a rede é arma do império. começou assim e assim permanece.

    só temos espaço porque tomamos.

    tá rolando o repeteco do tuitaço golpista contra as eleições do irã 2009.

    agora é no brasil 2010.

    tudo conforme o plano. usamerika imperial. ned-cia

    temos que resistir. e lutar. muito.

    que o jogo é esse mesmo.

    ..

Aline

08 de outubro de 2010 às 21h42

Muitíssimo oportuna a postagem desse artigo sobre Guerra de Quarta Geração. Recentemente li um texto da Eva Golinger sobre esse tipo de guerra psicológica na Venezuela. Falava sobre uso de blogs, sites de relacionamento e uso de spams. Fora a Mídia Grande e instituições diversas formais ou clandestinas e informais.
Aqui no Brasil temos tentado avaliar o papel da blogosfera nessas eleições mas existe também a avaliar como os sites de relacionamento e os spams entram nessa guerra psicológica poderosíssima. Nos últimos meses fui me dando conta desse fenômeno que está ocorrendo amplamente, que consiste nessa enxurrada de emails terroristas contra Dilma Rousseff, alguns de uma crueldade extrema.São criminosamente montados sobre sórdidas calúnias e insinuações dignas de psicopatas declarados. Tentam apelar para sentimentos e emoções ligados ao ódio, medo, preconceitos, pânico, inveja etc sem dó nem piedade.

Responder

Pedro

08 de outubro de 2010 às 21h06

Não há nada mais inútil do que uma descoberta inútil. Esta quarta geração, agora, aqui no Brasil, durante o processo eleitoral, está mostrando que sua capacidade de convencimento está em declínio. A mídia capitalista, toda ela, só tem um padrão: a mentira. Esta história de propaganda, que é a isto que se reduz todo esse papo sobre a mídia, é tão antigo como a arca de Noé. Vamos à luta, que os tempos não estão para outra coisa.

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Jair de Souza

08 de outubro de 2010 às 19h56

A coisa é bem séria e podemos ver o papel fundamental que a mídia corporativa desempenha nesta nova situação. Daí, podemos entender o comportamento de nosso PIG no presente processo eleitoral. A mídia corporativa é o verdadeiro partido político do grande capital multinacional nesta era de globalização neoliberal. No entanto, eles podem ser derrotados. Aliás, têm sofrido fortes golpes, especialmente na América Latina. O golpe mais forte até hoje é a Revolução Bolivariana, na Venezuela. Lá, Hugo Chávez não tratou de contemporizar com as máfias midiáticas. Quando elas lhe declararam guerra, ela aceitou o desafio e foi à luta, sem medo do enfrentamento. Até hoje, Hugo Chávez e a Revolução Bolivariana têm sido vitoriosos, para desespero do império e de seus cachorrinhos amestrados.

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Rodolfo Machado

08 de outubro de 2010 às 17h42

Azenha, um site interessante, sobre Geopolitica, é o de Eric Walberg, temas como esse são sempre tratados por la:
http://ericwalberg.com/

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Ramiro

08 de outubro de 2010 às 16h00

Li esse post, ontem, já traduzido em português em: http://pedroayres.blogspot.com/2010/10/brasil-e-o
Gostei bastante da introdução que o blogueiro Pedro Ayres fez ao artigo, quando postado lá. Curta e grossa! Matou a pau!
Trata-se de um excelente blog sobre América Latina , de um velho jornalista brasileiro, sempre digno militante da esquerda,que entende dos riscados.
O tema merece aprofundamento. É o tema da hora, pois estamos no olho do furacão dessa Guerra de Quarta Geração, cheia de modernidades,que varre a América Latina à procura da próxima Honduras!

Responder

Vera Silva

08 de outubro de 2010 às 15h18

Brilhante artigo.
Este parágrafo sintetiza tudo: "Quando você consome a mídia sem analisar os porques e para ques ou os interesses do poder imperial que se movem por trás de cada notícia ou informação jornalística, você está consumindo a Guerra de Quarta Geração."
Proponho que façamos o seguinte exercício: ao ler jornais e revistas, ao ver as revistas expostas nas salas de espera, assistir Tv, assistir telejornal, assistir seriados na Tv a cabo, assistir comícios, cerimônias, cultos e similares, RESUMAMOS a mensagem que realmente nos é transmitida por aquele seguimento midiático.
Ensinemos a nossos filhos o mesmo exercício. Quanto menores eles forem, assistamos com eles os programas, examinemos os brinquedos que eles têm, vejamos os exercícios da escola e RESUMAMOS o que estão dizendo aos nosso filhos pequenos. Então, ludicamente, exerçamos a contrainformação.
Sou psicóloga e há anos observo isto que o autor escreve. Espanto-me em ver que pessoas treinadas em pesquisas, com formação colegial completa, professores, líderes religiosos, políticos de esquerda e por aí vai, não percebam minimamente o que estão escolhendo ver e ouvir. Percebo que desaprendemos, como sociedade, a leitura das idéias. E, quando desaprendemos a ler as idéias, somos controlados.

Responder

Lucas Cardoso

08 de outubro de 2010 às 15h10

Ora, propaganda sempre houve, dizer que entramos numa Quarta Geração de Guerra é, no mínimo, exagero. A doutrina é interessante, mas ainda é cedo pra dizer que guerras convencionais acabaram e agora é só "corações e mentes" e "baixa intensidade". A impressão que fica é essa porque as guerras que tivemos nesse novo século foram todas de países poderosos contra países fracos (mais especificamente, os EUA invadindo o Oriente Médio sem motivo nenhum). Quando países com poder similar se enfrentarem, aí sim o bicho vai pegar.

Responder

    Ramiro

    08 de outubro de 2010 às 17h07

    Não vejo nenhum exagero.
    Trata-se de uma nova modalidade de guerra simplesmente, que se vale de características próprias da atual sociedade de consumo,da intenet, dos avanços dos usos de técnicas de psicologia social e propaganda.
    Quem não entender profundamente do que está se passando será inevitavelmente manipulado.
    E começará a demontrar que está sendo manipulando, quando começar a negar que pode vir a sê-lo.

Paulo Silva

08 de outubro de 2010 às 15h04

Caro Azenha
Esse artigo é excelente e devia ser lido por todos. Já que no momento, com toda a certeza, as estratégias e táticas da Guerra de Quarta Geração estão sendo aplicadas em toda a linha na campanha suja do Serra.
Esse artigo que vc indica ,está no blog do Pedro Ayres, Crônicas e Críticas da América Latina, desde ontem , em português e com uma introdução redigida por ele ,um velho jornalista de muito boa cepa. Essa introdução dele vale a pena ser lida por todos, tanto quanto esse artigo que vc reproduz traduzido: http://pedroayres.blogspot.com/2010/10/brasil-e-o

Responder

CC.Brega.mim

08 de outubro de 2010 às 14h45

ok, tudo verdade…
nossa direita está entregando a gente de bandeja
a luta é séria.
mas mesmo assim…
não gosto desse pique
"estão controlando sua mente…"
sim, sempre estiveram.
por isso não paro de procurar perguntar saber mais
mas não quero ser aterrorizada
nem contra al qaeda
nem contra o terrorismo que cria o terrorismo
acho que devemos simplesmente dizer
aqui não.
em nóis cêis num manda não!
dilma lá.

Responder

    Baixada Carioca

    08 de outubro de 2010 às 16h48

    É, também acho que esse sempre foi o objetivo das classes dominantes. Eles não estão interessados na aniquilação das massas, mas manipulá-las, controlá-las; e isso já vem sendo feito há séculos. A tática do medo é sentida mais profundamente por aqueles que ainda se sentem incapazes de responder a altura.

    Aline

    08 de outubro de 2010 às 17h09

    Cê pode nun gostá, mano! Mas que estamos sendo manipulafos, pautados e controlados full time, lá isso estamos!

isaias ximenes

08 de outubro de 2010 às 12h47

O History chanell apresentar um documentário que chama spartacus de terrorista , eles sempre usam esses meios para desmoralizar qq contestação do status quo.

Responder

João Carlos

08 de outubro de 2010 às 11h57

É arrepiante! Essa guerra nem George Orwell previu.

Responder

Fernando Gonzales

08 de outubro de 2010 às 10h48

Bem que faz tempo que aviso sobre a lavagem cerebral que é feita aqui no Ocidente pelas hostes do mal – Europa e EUA – nada contra o povo destes países, mas tudo contra a ideologia que se estabeleceu a séculos no governos destes países. Não é uma ideologia pura e simplesmente defendendo o capitalismo, leis de mercado e liberdade, muito pelo contrario, eles usam estas três palavras para esconder o que realmente querem fazer, que é a dominação total de recursos dos países fracos, para a sustentação eternas das famílias ricas européias e americanas. Não existe Xiita e Sunita, Comunismo e Capitalismo, Ocidente e Oriente, Católicos e Evangélicos o que existe é o que tem poder sobre o que não tem, o rico sobre o pobre, esta é a verdade. Já fui católico, evangélico e umbandista e sempre existe a dominação do grupo ou panelinha dos que são ricos sobre os que são pobres. Nas igrejas evangélicas que eu participei e são igrejas poderosas inclusive com colégios e universidades, sempre tinha uma união forte dos que eram ricos para dominar a massa que era pobre, e faziam de tudo para barrar a ascensão de algum pobre a liderança.
Sempre vai existir o rico querendo barrar o pobre, em qualquer grupo humano, onde aja ricos e pobre, os ricos vão querer dominar, mesmo que este pobre tenha inteligência igual ou superior a deles, no mínimo vão querer corrompelo.
A Dilma tem estudo e uma vida financeira boa, mas não faz parte da elite brasileira, assim como o Brasil faz parte das dez maiores potências financeiras do mundo, mas não faz parte dos países dominadores, Europa e EUA.
Certo o Lula que quer fazer uma América do Sul forte, pois daí nós teremos nossa própria gleba de países dominadores.

Responder

Amaury Andrade

08 de outubro de 2010 às 10h15

Que bom! Azenha. Poderei praticar tiro aos alvos moveis nesses "soldados", basta eliminar um-a-um. Eu particularmente não exitaria em eliminar os falastrões. hehehehehe!!!!!! Simples assim. Prefiro a tese de: Para cada corpo tombado cem (100) levados como companhia.

Responder

Josnei Di Carlo

08 de outubro de 2010 às 10h07

A Guerra de Quarta Geração está se aperfeiçoando. O conceito de "agressão interna", que estabelece que as fronteiras não são mais geográficas, mas ideológicas, foi usado para depor João Goulart. Em outros termos, as convulsões sociais ocorridas durante o governo João Goulart não eram produtos da realidade brasileira, eram produtos da Guerra Fria. A reivindicação dos camponeses da Liga pela terra, por exemplo, não tinha nada a ver com o latifúndio, mas com a disputa entre as duas potências, EUA e URSS. A oligarquia brasileira internacionalizava conflitos sociais nacionais para preservar o status quo, não alterar a estrutura social do atraso, além de preservar os interesses dos EUA no Brasil.

Responder

    Luk

    08 de outubro de 2010 às 11h48

    Josnei,
    Usei seu comentário como introdução quando mandei esse post para algumas pessoas.
    Obrigada.

valdeci elias

08 de outubro de 2010 às 10h06

O inimigo só usa tatica de guerrilha, por causa do dominio aerio convencional. Pois se ele ficar em campo aberto em formação convencional, a força aeria e os misseis ,os anulam antes de haver um confronto tradicional. Com o fim da URSS , a tendencia dos inimigos dos EUA, é de se esconderem no meio da população civil, ou ambientes inospitos como desertos, cavernas, floresta.

Responder

Camilo Cazonatto

08 de outubro de 2010 às 09h56

Azenha, você acha que o Indiano contratado pela camapnha do PSDB, que foi menosprezado por muitos, pode ter utilizado dessa estratégia "silenciosa"?

Responder

    francisco.latorre

    08 de outubro de 2010 às 14h25

    opa.. e não?..

    mas ele foi só a parte visível.

    ..

francisco.latorre

08 de outubro de 2010 às 09h51

rede contra midião.

estamos travando a batalha do brasil. decisiva. pro mundo.

e tá cheio de assessores militares amerikanos na parada. na campanha reacionária no midião e infiltrados na rede.

cabe identificá-los. e denunciar.

a campanha deve sim denunciar os interesses estrangeiros na eleição. sem medo. enfrentar.

maçonaria usamerika. opusdei vaticano. novos e velhos manipuladores de mentes.

..

'Guerra Psicológica Midiática (…) aniquilar, controlar ou assimilar o inimigo.' 11/9. o falso ataque. midiático. pra chocar e manipular mentes.

'As unidades de Guerra Psicológica são complementadas por Grupos de Operação, infiltrados na população civil com a missão de detonar casos de violência e conflitos sociais.' no méxico o processo tá avançado. chegando ao limite.

'cérebros convertidos em teatro de operações da Guerra de Quarta Geração.' mídia. biopolítica. controle social.

..

nessa guerra somos os guerrilheiros. voluntários da frátria. vietcongs. a horda bárbara que engole o império.

somos muitos. venceremos.

razão prevalece. sempre sempre. a história demonstra.

..

Responder

    Sergio F. Castro

    08 de outubro de 2010 às 10h01

    É uma teoria muito bonita mas o Afeganistão está provando o seu completo fracasso.

    francisco.latorre

    08 de outubro de 2010 às 14h22

    o afeganistão?..

    eu vejo os usamerika afundando. não?..

    ..

    Baixada Carioca

    08 de outubro de 2010 às 16h52

    Mas estamos em incomensurável desvantagem. Ainda que a Rede seja uma armadilha para a velha mídia, ela só alcança 1/4 da população, e nem todos estão do nosso lado. A grande massa ainda não dispõe da Rede e, enquanto isso, a velha mídia continua a induzir as grandes massas.

    francisco.latorre

    09 de outubro de 2010 às 09h20

    a força bruta tá sempre com eles.

    poder. é força. bruta.

    contrapoder parte em desvantagem.

    por princípio/definição.

    ..

Nadraas

08 de outubro de 2010 às 08h43

Pena que Gengis Khan – entre tantos outros, alguns mais antigos ainda – nao leu o artigo. Aprenderia com especialistas algo sobre o que nunca pensou e fez.

Responder

rezende

08 de outubro de 2010 às 08h42

Sabe quando um time entra em campo só precisando do empate pra ganhar o campeonato?
e fica se defendendo o tempo todo alí na grande área?
e que de repente leva um gol?
e sai pro ataque no desespero e leva uma goleada?
Pois é assim que está a campanha da Dilma.
ou a Dilma acaba com essa história de se defender do aborto e parte pra cima do serra com o debate sobre o plano de governo e a comparação dos governos FHC e Lula, ou vai levar de 80% a 20% e olhe lá se não for mais.
parem com essa história de religião que isso é coisa de gente que jamais votaria na Dilma ou em qualquer outro candidato do PT.
É a direita fazendo campanha e mnipulando um bando de idiotas tentando aterrorisar o eleitor da Dilma.
a Campanha da Dilma tem que mudar de assunto.
tem que impor seu ritmo de jogo.
tem que ir pro ataque e mostrar que o serra não tem programa de governo, por isso fica criando história pra enganar o eleitor.
Fui!!!

Responder

rezende

08 de outubro de 2010 às 08h41

Só hoje eu recebi 17 e-mails de baixaria sobre a Dilma.
se é assim que a campanha vai reagir é melhor então entregar logo a faixa de presidente e de papa ao serra.
pelo menos assim estaremos livres dessa chateação.
não dá pra defender uma candidata que não se defende.
o que eu estou vendo é o seguinte:

Responder

Rodolfo Machado

08 de outubro de 2010 às 08h14

Azenha, na linha deste texto, veja o comentário do leitor Clóvis Ribeiro Chaves Júnior no Blog do Nassif, sobre a influencia da CIA nas eleições brasileiras:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/fora-de-

Aqui, o original em Inglês:
http://www.strategic-culture.org/news/2010/10/07/

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Werner_Piana

08 de outubro de 2010 às 08h01

Na mosca. Nenhuma dúvida quanto a isso tudo. Disgusting…

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Carlos Augusto Gomes

08 de outubro de 2010 às 03h25

Azenha, esta matéria publicada no Estadão mostra qual deve ser o tom a ser adotado daqui pra frente pelo PT e coligados.
Acho que o caminho é este mesmo:

Os partidos que apoiam a candidatura a presidente de Dilma Rousseff (PT) reuniram aproximadamente 300 militantes na noite de hoje (07), em Curitiba, com o objetivo de traçar estratégias para a campanha de segundo turno. E já definiram que o tom central do discurso será "não deixar o medo vencer a esperança". "Os adversários estão usando argumentos baixos, totalmente despolitizados, cheios de preconceito", disse a senadora eleita, Gleisi Hoffmann. "Nós temos que enfrentar o debate, não ter vergonha, enfrentar inclusive diante da comunidade religiosa."

Segundo ela, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva "é a favor da vida". "Nós precisamos trazer a politização da campanha, restabelecendo a verdade", pediu. Segundo ela, é preciso lembrar a todo instante que o candidato do PSDB, José Serra, era ministro do Planejamento do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Foi o ministro do apagão, do ridículo salário mínimo, do desemprego, da não inclusão social", afirmou em discurso. "Nós temos que ir para a ofensiva, não podemos ficar acuados."

O governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB), convocou os militantes para que, no dia 13, às 13 horas, façam em todos os 399 municípios do Estado um grande foguetório e que saiam pelas ruas com bandeiras de Dilma. "Os nossos adversários estão mais estruturados porque já são detentores de uma vitória para o cargo de governador", disse. "Por isso convoco vocês: não vamos permitir que o retrocesso volte."

O candidato derrotado ao governo, Osmar Dias (PDT), apareceu pela primeira vez em público depois das eleições e acentuou que a "lealdade" o levará a fazer campanha pela candidata do PT. Segundo ele, se as igrejas defendem os pobres, "tem que ficar ao lado de Lula e da Dilma". "Ou o que o Lula construiu neste país não é o que as igrejas pregam?" questionou. "O Lula foi o maior apóstolo deste país."

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ValmontRS

08 de outubro de 2010 às 02h58

Percebo agora como são facilmente manobrados os dogmáticos e fundamentalistas religiosos.
Verdadeiros robôs teleguiados, previsíveis e programáveis.

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childerico IV

08 de outubro de 2010 às 02h43 Responder

FatimaBahia

08 de outubro de 2010 às 02h01

Assustador,até porque claramente verdadeiro e atual!

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