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Diário da Resistência


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Como o Ocidente está manufaturando o terrorismo islâmico


12/01/2015 - 15h26

Obama e Hollande

O Ocidente está manufaturando monstros

Quem deve ser culpado pelo terrorismo islâmico

por ANDRE VLTCHEK*, no Counterpunch, em 09.01.2015

Reprodução parcial

Cem anos atrás, seria inimaginável que um par de homens muçulmanos entrasse em um café ou num veículo de transporte público e se explodisse, matando dezenas de pessoas. Ou que cometesse o massacre da equipe de uma revista satírica em Paris! Coisas como estas simplesmente não aconteciam.

Quando você lê as memórias de Edward Said, ou conversa com homens e mulheres de Jerusalem oriental, fica claro que a maior parte da sociedade palestina era absolutamente secular e moderada. Estava mais preocupada com a vida, a cultura, mesmo com a moda do que com dogmas religiosos.

O mesmo pode ser dito sobre muitas outras sociedades muçulmanas, inclusive as da Síria, Iraque, Irã, Egito e Indonesia. Fotos antigas falam por si. Por isso é importante estudar imagens antigas de novo, cuidadosamente.

O islã não é apenas uma religião; é também uma enorme cultura, uma das maiores do planeta, que enriqueceu nossa humanidade com conquistas científicas e arquitetônicas e com muitas descobertas no campo da medicina.

Os muçulmanos escreveram poesia deslumbrante e compuseram linda música. Mas, acima de tudo, desenvolveram algumas das primeiras estruturas sociais do mundo, inclusive enormes hospitais públicos e as primeiras universidades, como a de al-Qarawiyyin em Fez, no Marrocos.

A ideia do “social” era natural para muitos políticos muçulmanos e, se o Ocidente não tivesse interferido brutalmente, ao derrubar governos de esquerda para colocar no trono aliados fascistas de Londres, Washington e Paris, quase todos os países muçulmanos, inclusive o Irã, o Egito e Indonésia, provavelmente seriam socialistas, sob um grupo moderado de líderes seculares.

***

No passado, muitos líderes muçulmanos se levantaram contra o controle do mundo pelo Ocidente e figuras enormes como o presidente indonesio Ahmet Sukarno, foram próximos aos partidos e ideologias comunistas. Sukarno até forjou um movimento antiimperialista global, o Movimento dos Não-Alinhados, que ficou claramente definido durante a Conferência de Bandung, na Indonesia, em 1955.

Isso contrastava com as elites conservadoras e cristãs, que se sentiam em casa com governantes fascistas e colonialistas, com reis, comerciantes e oligarcas dos grandes negócios.

Para o Império, a existência e a popularidade de governantes muçulmanos progressistas e marxistas governando os países do Oriente Médio ou ricos em recursos como a Indonesia eram claramente inaceitáveis.

Se eles pretendiam usar a riqueza natural para melhorar a vida de seus povos, o que sobraria para o Império e suas corporações? Isso tinha de ser desfeito por todos os meios. O islã tinha de ser dividido, infiltrado com radicais e classes anti-comunistas e por aqueles que não se importavam com o bem estar de seus povos.

***

Quase todos os movimentos radicais do islã de hoje, em qualquer parte do mundo, são ligados ao wahhabismo, uma seita ultraconservadora e reacionária do islã que está no controle da vida política da Arábia Saudita, do Qatar e de outros grandes aliados do Ocidente no Golfo.

Citando o Dr. Abdullah Mohammad Sindi:

“Está muito claro pelos dados históricos que sem apoio britânico nem o wahhabismo nem a Casa de Saud existiriam hoje. O wahhabismo é um movimento fundamentalista do islã inspirado pelos britânicos. Através de sua defesa da Casa de Saud, os Estados Unidos apoiam o wahhabismo direta e indiretamente, apesar dos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001. O wahhabismo é violento, direitista, rígido, extremista, reacionário, sexista e intolerante…”

O Ocidente deu apoio total aos wahhabis nos anos 80. Eles foram empregados, financiados e armados depois que a União Soviética foi tragada no Afeganistão, na guerra civil que durou de 1979 a 1989. Como resultado da guerra, a União Soviética entrou em colapso, exausta econômica e psicologicamente.

Os Mujahedeen, que lutaram tanto contra os soviéticos contra o governo esquerdista em Cabul, foram encorajados e financiados pelo Ocidente e seus aliados. Vieram de todos os cantos do mundo islâmico para lugar a “Guerra Santa” contra os infiéis comunistas.

De acordo com os arquivos do Departamento de Estado:

“Contingentes dos assim chamados árabes afegãos e guerrilheiros estrangeiros desejavam mover a jihad contra os ateus comunistas. Notáveis entre eles era um jovem saudita de nome Osama bin Laden, cujo grupo eventualmente se tornou a al-Qaeda”.

Grupos radicais islâmicos, criados e injetados em vários países muçulmanos pelo Ocidente incluem a al-Qaeda, mas também, mais recentemente, o ISIS (também conhecido como ISIL). O ISIS é um exército extremista nascido nos campos de refugiados nas fronteiras entre Síria-Turquia e Síria-Jordânia, que foi financiado pela OTAN e pelo Ocidente para lutar contra o governo (secular) de Bashar al-Assad, na Síria.

Tais implantes radicais servem a vários objetivos. O Ocidente os usar para lutar suas guerras contra inimigos — países que ainda estão no caminho da completa dominação do mundo pelo Império. Depois, mais tarde, quando estes exércitos extremistas “fogem completamente do controle” (como sempre acontece), eles servem como espantalhos para justificar a “Guerra contra o Terror” ou, como o ISIS em Mosul, como desculpa para reengajamento de tropas ocidentais no Iraque.

Notícias sobre grupos radicais muçulmanos são constantemente divulgadas na primeira página de jornais, em capas de revistas ou mostradas nos monitores de TV, para lembrar às pessoas “como o mundo é perigoso”, “como o engajamento do Ocidente é importante” e, consequentemente, como é importante a vigilância, como são indispensáveis as medidas de segurança, assim como os tremendos orçamentos de defesa e as guerras contra estados bandidos.

***

Nas últimas cinco décadas, cerca de 10 milhões de muçulmanos foram assassinados porque seus países não serviram ao Império, não serviram suficientemente ou eram obstáculos no caminho.

As vítimas foram indonesios, iraquianos, argelinos, afegãos, paquistaneses, iranianos, iemenitas, libaneses, egípcios e cidadãos do Mali, da Somalia, do Bahrein e outros.

O Ocidente identificou os monstros mais horríveis, jogou bilhões de dólares, deu armas e treinamento a eles e os soltou por aí.

Os países que promovem o terrorismo, Arábia Saudita e Qatar, são aliados dos mais próximos do Ocidente e nunca foram punidos por exportar o horror para todo o mundo muçulmano.

Movimentos sociais, como o Hezbollah, que está engajado em combate mortal contra o ISIS — mas que também galvanizou o Líbano em sua luta contra a invasão de Israel — estão na lista de “terroristas” compilada pelo Ocidente. Isso explica muito, se alguém se dispuser a prestar atenção.

Olhando a partir do Oriente Médio, parece que o Ocidente, como durante as cruzadas, visa a destruição absoluta dos países e da cultura muçulmanos.

Quando à religião islâmica, o Império aceita apenas as formas amigáveis — aquelas que aceitam o capitalismo extremista e a dominação global pelo Ocidente.

O único tipo tolerável de islã é aquele manufaturado pelo próprio Ocidente e seus aliados do Golfo — desenhado para lutar contra o progresso e a justiça sociais: aquele que devora seu próprio povo.

*É novelista, cineasta e jornalista investigativo.

 PS do Viomundo: Governos seculares derrubados recentemente pelo Ocidente incluem Afeganistão, Iraque e Líbia, sem falar na Síria.

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21 comentários

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Estelina Rodrigues de Farias

14 de janeiro de 2015 às 14h16

Nao basta só condenar a barbárie e com isso justificar a igualmente bárbara violencia dos Estados Unidos e seus aliados, como a Franca, Reino Unido e etc. É fundamental mostrar quem criou as criaturas monstruosas que terrorizam agora os seus criadores.

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Luiz

13 de janeiro de 2015 às 12h34

Como diria Noam Chonsky, o maior pais terrorista do mundo é os Estados Unidos da América

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Euler

13 de janeiro de 2015 às 11h57

O que sustenta a economia dos países ricos – EUA e alguns países da Europa -, além da exploração e do roubo das riquezas dos demais países – petróleo, minérios, etc. – é a lucrativa indústria de armas. Esse complexo industrial da morte gera milhões de empregos diretos e indiretos – exércitos, por exemplo -, financia campanhas eleitorais e mantém a geopolítica imperialista.

Acredito até que o imperialismo não quer que todos os governos do Oriente Médio e do Norte da África, por exemplo, sejam afinados com sua política. Para eles, basta que haja alguns países, como Israel e Arábia Saudita, entre outros, pois assim eles podem manter toda a cultura da guerra que alimenta o Ocidente.

O 11 de Setembro e o recente atentado contra os jornalistas de Charlie Hebdo são claramente acontecimentos plantados pelas oligarquias donas do mundo e seu serviço de inteligência. São acontecimentos que justificam os altíssimos investimentos do dinheiro público norte-americano e do povo europeu na indústria da guerra, no chamado combate ao terror; são os pretextos para a invasão de qualquer país, ou qualquer domicílio de qualquer cidadão do mundo.

Os atentados terroristas são a carta branca para que o império possa agir como bem entende, sem qualquer limite ou censura. Se não forem praticados por seguidores de Bin Laden, serão praticados pelos serviços de inteligência do império, supostamente em nome de Alá. Infelizmente, até mesmo a pseudo liberdade de expressão, como a que teoricamente era praticada pela revista CH, é usada para gerar mais censura, mais tortura, mais atentados.

O fanatismo religioso do tipo jihadista, que não é novo na história da humanidade e nem nasceu com os muçulmanos, nada mais é, no mundo atual, do que a expressão marginal do fanatismo principal, praticado por estados (governos, parlamentos, judiciários, exércitos) dominados por grupos de ultra direita, de fanáticos que detêm o poder político e o capital.

Se compararmos de forma geral, abstraindo os focos da grande mídia – que é parte fundamental para a manutenção deste esquema de poder de fanáticos do Ocidente que controlam os aparatos estatais e o capital – veremos que o número de atentados terroristas e de mortes de inocentes provocados pelos atos de terrorismo de estado é imensamente maior do que aqueles provocados pelos atentados realizados por grupos jihadistas. Que, como dissemos, são um subproduto da política imperialista e de morte dos fanáticos que dominam os estados no Ocidente.

Em nome de Deus, da democracia ocidental, da liberdade ocidental, da cultura capitalista ocidental, os grupos de fanáticos que dominam os estados ocidentais praticam quaisquer atos de terror, com amplo apoio midiático e inclusive das próprias populações desses países, pelo menos uma expressiva parte dessas, manipuladas pela mídia.

É o mundo em que vivemos. Como eu gostaria de ver 5 ou 10 milhões de pessoas nas ruas protestando contra a indústria da morte que alimenta os lucros e a economia dos países ricos, e que ceifa a vida de milhares de pessoas diariamente. Já imaginaram 100 milhões de pessoas na França, nos EUA, na Inglaterra, no Brasil ocupando as praças e exigindo o fim da matança de palestinos por Israel, o respeito à autodeterminação dos povos, o fim da indústria da guerra, inclusive nuclear, nos países ricos do mundo? E o fim dessa mídia que alimenta e sustenta ideologicamente toda essa indústria da morte?

Responder

    javier

    13 de janeiro de 2015 às 19h59

    ninguem mais acredita que o 11 de setembro foi terrorismo arabe, ja foi mais que provado que foi trabalho interno,,e da mesma forma tambem acho que este atentado ao charlie, esta muito mal contado, ao meu ver não seria de extranhar, que seja obra da cia e comparsas

Leonardo

13 de janeiro de 2015 às 11h54

Uma pesquisinha sobre o autor e já entendemos o quão tendenciosa é este texto e não deve ser levado em consideração

Responder

Morvan

13 de janeiro de 2015 às 10h56

Bom dia.

Carissimi del VOM:
Texto estupendo. Didático. Isto explica porque muitos de nós gostamos de ler, aqui no VOM e na Carta, por exemplo[s]. Menção honrosa à contribuição do sempre agregador de conteúdo e de discussão, camarada FrancoAtirador.

Saudações bolivarianas; {♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥}; “Dilma, Reformas do Judiciário, Urgente e da Educação, mantendo, obrigatoriamente, as disciplinas ‘criticistas’“,
Morvan, Usuário GNU-Linux #433640 (Fedora 21_x64). Seja Legal; seja Livre. Use GNU-Linux.

Responder

    FrancoAtirador

    13 de janeiro de 2015 às 14h28

    .
    .
    Valeu, Camarada Bliasby.

    Hasta La Victoria!

    Siempre!
    .
    .

Fernando

13 de janeiro de 2015 às 10h45

Saddam Hussein, um esquerdista moderado transformado em ditador sangrento pela mídia hegemônica.

Responder

Mancini

13 de janeiro de 2015 às 07h19

Azenha, Conceição; vemos erros por todos os lados. Segunda a imprensa internacional já foram cerca de 2000 mortos na Nigéria nos últimos dias, e pouco se fala disso ‘do lado de cá’. Da mesma forma, no dia do ataque em Paris, mais cedo, foram 30 mortos em atentado no próprio Iemên. Hoje trazemos Saul Leblon que que ‘visita’ a Europa e seus problemas, incluindo esse. Mas o texto é esclarecedor quando diz “O Ocidente deu apoio total aos wahhabis nos anos 80. Eles foram empregados, financiados e armados depois que a União Soviética foi tragada no Afeganistão, na guerra civil que durou de 1979 a 1989. Como resultado da guerra, a União Soviética entrou em colapso, exausta econômica e psicologicamente.” http://refazenda2010.blogspot.com

Responder

Najiibm

13 de janeiro de 2015 às 02h14

Sobre a verdade do atentando: MOSSAD
Mentiras do Ocdiente
http://mentiradadireita.blogspot.com/2015/01/as-mentiras-do-ocidente-xenofobicos.html

Responder

FrancoAtirador

13 de janeiro de 2015 às 00h38

.
.
QUEM DIVIDIU O MUNDO ENTRE OCIDENTE E ORIENTE?

(https://www.youtube.com/watch?v=ZbKBRMn0hWM)
(https://www.youtube.com/watch?v=AbzGGYA3dbg)

Oriente e Ocidente: Demarcação

Por Mário B. Sproviero (*)

Introdução

Partindo da bipartição entre Oriente e Ocidente que remonta à Pré-história,
quando da separação dos povos, línguas e religiões – Fenômeno Unitário – é necessário demarcá-los para ter clareza quanto a sua abrangência.
Não podemos estudar o Oriente, sem saber o que o distingue do Ocidente e sem considerar a existência dos vários Orientes.

Será que termos tão genéricos quanto filosofia ocidental e filosofia oriental tem alguma unidade?
Estarão incluídas nessa bipartição todas as culturas da Terra?
Que dizer das culturas africanas, ameríndias, australianas etc?
Há uma unidade cultural no Oriente?

Para responder a esta e tantas outras perguntas congêneres, procedamos por etapas.

Primeira Etapa: Ocidente e Orientes

Conforme o enigmático autor René Guénon (1886-1951), crítico acérrimo do Ocidente moderno, pode-se perfeitamente falar de uma mentalidade oriental oposta em seu conjunto à mentalidade ocidental mas não se pode falar de uma civilização oriental como se fala de uma civilização ocidental e já que há várias civilizações orientais nitidamente distintas (1).
Teríamos, assim, uma civilização ocidental e várias orientais.

Por outro lado, a unidade cultural (2) da civilização ocidental moderna
só repousaria num conjunto de tendências que constituem uma certa conformidade mental, uma simples unidade de fato, sem princípio, desde que o Ocidente rompeu com a Cristandade, seu princípio constitutivo até a Idade Média.

Enquanto que as civilizações orientais, por mais diversas que sejam, cada uma repousando sobre um princípio de unidade diferente, trazem todas certos traços culturais comuns, principalmente quanto aos modos de pensar, o que permite dizer que existe, de um modo geral, uma mentalidade especificamente oriental (3).

Segunda Etapa: Critério Geográfico

O ponto de partida para caracterizar o Oriente e o Ocidente é geográfico, no entanto tais conceitos geográficos revelam profundo conteúdo cultural.

Nesse sentido, e em primeira instância, podemos dizer que o Ocidente é fundamentalmente a Europa, o Oriente é fundamentalmente a Ásia.

Não é preciso salientar o imenso conteúdo cultural de tais realidades. A oposição entre Oriente-Ocidente é a oposição Europa-Ásia.

Então, estão excluídas da bipartição Oriente-Ocidente todas as civilizações que não pertencem à Eurásia, como as da África, da América, da Austrália, da Oceânia etc.

É um ponto assentado por historiadores, não sem contestação,
que na Ásia principiaram as primeiras civilizações humanas.

Diz-nos o famoso historiador italiano do século passado, Cesare Cantù (4)(1804-1895), que a Ásia é o berço do gênero humano e da civilização, sendo não só a parte mais extensa do mundo como também a mais favorecida pela natureza.

Pelo menos para o início dos povos civilizados a Ásia avantajava-se em relação à Europa.

As primeiras grandes civilizações nasceram no chamado Crescente Fértil, região que vai desde o Egito até a Mesopotâmia (http://abre.ai/crescente-fertil_mesopotamia).

Nesse caso o Egito, apesar de ser África, tem sua história muitos mais entremeada com a dos povos da Ásia do que com os da África, como a Etiópia, inimigo irredutível da ordem egípcia.

Terceira Etapa: Mitologia

Muitos contestam essa primazia da Ásia.
As cidades mais antigas do mundo estariam na América.
Temos aqui uma problemática complexíssima referente às origens humanas, bem como um intrincado labirinto de mitologias, que apenas mencionamos porque muitos mitos estão relacionados à bipartição Oriente-Ocidente.

Apesar de muitas tradições, como a tradição suméria, a persa e a hebraica colocarem o paraíso perdido na Mesopotâmia, inúmeras outras insistem em colocá-las no extremo Ocidente.

O mito da Atlântida, por exemplo, que cativou profundamente a Platão (427a.C.-327a.C.) em sua velhice, a ponto de tê-lo levado consigo ao túmulo (5), revela uma participação primordial do Ocidente na civilização humana:
uma ilha entre a Europa e a América em que seu principal representante, Atlas, o atlante, está ligado ao Jardim das Hespérides (Hespérides quer dizer Ocidente!), imagem do Paraíso.

Vários outros mitos orientais, como o do famoso Paraíso de Amida, colocam o Paraíso no Ocidente (6).

A América redescoberta é, no imaginário europeu, a redescoberta do Paraíso.

Este mito é a matriz geradora de todos os posteriores mitos socialistas ocidentais [e do Destino Manifesto dos United States of America].

Não sendo esse tópico central para o nosso tema, basta mencioná-lo. Consideramos serem necessárias muitas outras descobertas e aprofundamentos para que se possa, talvez no futuro, desemaranhar esse misterioso passado.

Quarta Etapa: Etimologias

A palavra oriente vem do latim oriens, ‘o sol nascente’, de orior, orire, ‘surgir, tornar-se visível’, palavra da qual nos vem também ‘origem’.
A palavra ocidente nos vem do latim occidens, ‘o sol poente’, de occ-cidere, de op, ‘embaixo etc’, e cadere, ‘cair’.

Seríamos induzidos a seguinte analogia: da mesma maneira que o sol nasce no Oriente e morre no Ocidente, assim também a cultura nasce no Oriente e morre no Ocidente.

Os termos Europa e Ásia são mais incertos quanto a suas raízes primitivas.

A palavra Europa, conforme o citado dicionário, é provavelmente de origem semita, do acádico erebu, ‘entrar, por-se’ (dito do sol), ereb chamshai, ‘por do sol’.
Nessa hipótese, Europa que dizer exatamente Ocidente.
A forma E u r v p h , como no nome E u r -v p h , ‘cara larga’, seria apenas um tendência de helenizar as palavras estrangeiras.

A palavra Ásia, também viria do acádico asu, ‘ir-se, surgir’ (dito do sol), significa, então, exatamente o mesmo que Oriente.

Com isso, Ásia e Europa são sinônimos de Oriente e Ocidente, respectivamente.

Não são no entanto seguras essas etimologias de Ásia e Europa.

Uma coisa porém é certa, que o nome Europa está ligado ao mito relacionando gregos e fenícios (7).
Zeus, em forma de touro, rapta uma mulher fenícia, a bela Europa.
Assim, o nome Europa é nome que vem do Oriente, não se sabe, porém, como.

Quinta Etapa: Grandes Culturas

Quando se procura caracterizar o que seja uma grande cultura, não se pensa em primeiro lugar num critério valorativo.
Uma grande cultura não é necessariamente uma cultura superior.
É, porém, certamente uma cultura que quer expandir-se, que quer totalizar seu espaço geo-político.
Por exemplo, a cultura que surgiu na confluência do Rio Amarelo e do Rio Wei, na China, acabou por dominar todo o espaço da China.
Ainda hoje temos remanescentes de numerosas culturas na China que permaneceram em seu estado tribal.

Esta tendência à expansão, que podemos perfeitamente chamar de imperialista, ou seja, de querer imperar universalmente, é um traço característico do que se denomina uma grande cultura.

Ora, na Europa surgiu um grande sistema cultural que culminou no que chamamos de cultura ocidental.

O que caracterizaria a cultura ocidental é ser esta a síntese de três culturas:
a Grega, a Romana e a Judaica, esta na componente Cristã.

A esta cultura assimilaram-se e a dinamizaram os Povos Germânicos.

Então, nem a cultura grega, nem a romana e nem a judaica, separadamente, constituem a cultura ocidental.

Nesse processo de integração entre essas três culturas, destaca-se,
para complicar as coisas, um bloco oriental, o Greco-Bizantino,
em que a componente romana teve um papel secundário, e que assimilou os Povos Eslavos.

O Império Romano do Oriente e o posterior Império Bizantino
são por assim dizer o ‘Oriente ocidental’, o ‘Oriente Europeu’,
mas não o que chamamos propriamente de Oriente.

Poderíamos dizer que suas duas capitais históricas, Roma e Constantinopla,
hoje estão representadas por Washington e Moscou.

Tudo isso é, no entanto, Europa, ou melhor, Ocidente.

Deve-se constatar que foi a Rússia que se expandiu para a Ásia.

No entanto, esta tendência poderá inverter-se em favor da China.

Paralelamente, na Ásia, em que encontramos uma incrível pluralidade de línguas e culturas, surgiram, depois de um longo desenvolvimento histórico, três grandes sistemas culturais – e não um – que foram denominados por sua relação de proximidade com a Europa de: 1. Próximo-Oriente, 2. Oriente-Médio e 3. Extremo-Oriente, e que constituem o que hoje se denomina especificamente de Oriente.

Sexta Etapa: Os Três Orientes

Vejamos agora esses três Orientes.

O Próximo-Oriente

O Próximo-Oriente é constituído pela Cultura Árabe.

Nem sempre foi assim.
Tivemos, no passado, inúmeras culturas nesse mesmo espaço:
a cultura Suméria, a Egípcia, a Assírio-Babilônica, a Persa, a Hebraica, a Greco-Romana, a Greco-Bizantina etc.

Hoje temos a volta dos judeus à Palestina, rompendo a antigo equilíbrio.

Temos que assinalar que hoje (vide mapa 2) confunde-se o Próximo-Oriente com o Oriente-Médio, principalmente no Brasil.

Havendo um conflito na Palestina nossa mídia impressa e eletrônica fala de um conflito no Oriente-Médio, enquanto que a televisão alemã, em relação ao mesmo conflito se refere ao Próximo-Oriente (Konflikt in Nahosten). É como se o Próximo-Oriente não existisse mais! (8)

O Próximo-Oriente, segundo Guénon, começa nos confins da Europa e estende-se tanto pela parte da Ásia, mais próxima da Europa, quanto por toda a África do Norte.

As populações bérberes da África do Norte não se confundem com os árabes, no entanto, na medida em que possuem uma unidade, esta é não somente muçulmana mas também árabe em sua essência.

O grupo árabe, no mundo muçulmano, é primordial, pois é com ele que o Islão nasceu e é a língua árabe, a língua tradicional de todos os povos muçulmanos, qualquer que seja sua origem e raça.

Ao lado grupo árabe, há dois outros grupos principais, o grupo turco-mongólico e o grupo persa.

O primeiro compreende os turcos e os tártaros, que apesar de racialmente diferirem dos árabes, destes dependem culturalmente.

Todos estes formam um conjunto que se opõe ao grupo persa, formando a separação mais profunda que existe no mundo muçulmano, separação que se exprime, ainda que não de todo exatamente, dizendo que os primeiros são sunitas enquanto que os persas são xiitas.

No entanto, grupos muçulmanos encontram-se também na Índia e na China.

A Pérsia, por seu passado, raça, cultura e religião antiga, e mesmo geograficamente,
deveria pertencer propriamente ao Oriente-Médio, mas hoje [no Irã] é inteiramente muçulmana.

O Oriente-Médio

O Oriente-Médio é constituído pelo universo cultural Hindú (9).

Propriamente deveria compreender duas civilizações: a hindú e a dos antigos persas, mas a segunda como vimos passou para o Próximo-Oriente, e os remanescentes ‘parsis’ formam pequenos grupos na Índia e no Cáucaso.

Então, essa civilização indiana, compreende, em sua unidade, povos de raças bem diversas, bem maiores que as diferenças encontradas em toda a Europa.

No entanto, esses povos são portadores de uma mesma cultura, uma mesma língua culta: o Sânscrito (10).

Essa cultura hindú expandiu-se mais para o leste do que para o oeste, em certas regiões como a Birmânia, o Cambodja, a Tailândia e algumas ilhas da Oceânia.
Sua maior influência deu-se através do budismo, em grande parte da Ásia central e oriental.

O Extremo-Oriente

O Extremo-Oriente constitui-se pelo universo da cultura chinesa. Extende-se ao Vietnã, Coréia.
O Japão também está incluído, principalmente por ter adotado o sistema de escrita chinesa.
Contudo, possui também uma cultura própria, com elementos bem característicos e diferenciados. Este mundo do Extremo-Oriente possui uma unidade racial bem mais acentuada do que os outros Orientes.

O que unifica esta cultura é principalmente a língua escrita chinesa comum.

Poderíamos salientar que o Tibet, povo de raça chinesa,
cuja língua pertence ao grupo sino-tibetano, voltou-se para a cultura hindú,
tendo empregado inclusive um alfabeto derivado do alfabeto “Devanágari” (11).

Sétima Etapa: Expansão

Esta divisão é fundamental.
Temos claramente três Orientes distintos com suas línguas, religiões, culturas e histórias diferentes (12).
Essas quatro grandes culturas, o Ocidente e os três Orientes, expandiram-se em várias partes do mundo.
É importante ressaltar que as áreas onde se expandiram essas culturas, são consideradas como pertencentes à mesma, assim, por exemplo, o norte da África que já foi de cultura Ocidental-Cristã hoje é de cultura Oriental-Islâmica.
A Austrália, no Extremo Leste, é de cultura Ocidental.

Conclusão

Há certamente uma origem pré-histórica da bipartição Oriente-Ocidente, difícil de ser penetrada, marcando, para muitos, uma diferença irredutível (13).

Houve vários encontros entre Ocidente e Oriente, desde a mítica Guerra de Tróia até as guerras em tempos históricos, como as guerras greco-pérsicas.

O escritor latino Firmianus Lactantius (ca.250d.C.-330d.C.), convertido ao Cristianismo, diante da iminente derrocada do Império Romano, disse que, conforme uma antiga tradição imemorial, o Império Romano seria destruído voltando a ser asiático, e essa catástrofe precederia o fim dos tempos (14).

Parece incrível que tivesse permanecido na consciência histórica dos romanos
uma tradição que remonta à origem da separação Oriente-Ocidente
e que a volta da Europa à unidade indiferenciada seria a volta ao caos.

Devemos considerar, para finalizar, que os três Orientes estão vivos
e presentes no mundo de hoje, e que depois da ocidentalização global,
através da revolução planetária da tecnologia, emergem os mesmos,
lutando pela supremacia no mesmo campo de batalha econômico-tecnológico ocidental (15).

Para o mundo globalizado de hoje é premente um conhecimento recíproco profundo entre Oriente e Ocidente.

O ponto de partida deve ser uma demarcação clara do que sejam
os três Orientes e o Ocidente em suas unidades e oposições.

1- René Guénon – Introduction Génerále a l’étude des Doctrines hindoues. Paris, Les Editions Véga, 1964. De interesse para este artigo são os capítulos primeiro e segundo, pp. 53-65. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Gu%C3%A9non)

2- Usamos os termos civilização e cultura numa relação análoga à de corpo e alma: substancialmente unidos sem confusão de substâncias.
Há, no entanto, grande variedade de acepções e usos quanto a esses dois termos.

3- op.cit. p.53.

4- cf. Cesare Cantù – História Universal. buenos Aires, Editorial Spena, 1950. Consultar o livro II, capítulos 1-5, sobre Ásia: vol. I, p.103-125.

5- O mito é mencionado no Timeo 24d-25d e depois tratado no Crítias 120e-121c, diálogo inacabado que termina com uma reunião dos deuses por Zeus em que ele iria dizer o motivo do castigo dos atlantes.

6- Recomendo a sugestiva obra do autor russo Dimitri Merejkowski (1865-1941): – Atlântida-Europa: O Mistério do Ocidente. Belgrado, 1930. Dispomos da tradução italiana: L’Atlantide-Hoepli. Milão, 1937.

7- Gerhard Herm – A Civilização do Fenícios. Otto Pine editores, 1979, pp 229-230.

8- Parece que a Índia depois de Jawaharlal Nehru (1889-1964) retirou-se do cenário internacional. Assim, se explica que a designação Oriente-Médio confunde-se com a de Próximo-Oriente.

9- Indicamos a obra de de Pierre Gourou – Le terre et l’homme en Extrême-Orient. Paris, Flamarion, 1972.

10- Isto não impede que todas as etnias possuam suas próprias línguas dialetais, os vários prakrti.

11- Devanágari quer dizer ‘divina escrita de cidade’, é o nome do alfabeto sânscrito. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Devan%C3%A1gari)

12- Para ulteriores aprofundamentos recomendamos a obra de Pierre Gourou – L’Asie. Paris, Hachette Université, 1971.

13- Como Rudyard Kipling (1865-1936), escritor e poeta inglês e que de 1882 a 1889 foi jornalista na Índia. Em seu famoso romance Kim (1901), ambientado na Índia, aprofunda o modo de pensar e agir recíproco dos inglese e hindús. É dele a surpreendente frase: O Oriente é Oriente, o Ocidente é Ocidente e não se encontrarão nunca.

14- cf. Johannes quasten – Patrologia. Slamanca, B.A.C., 1961, p.665-683.

15- Essa ocidentalização do mundo foi apenas material, não espiritual,
um Ocidente sem sua alma, o Cristianismo. [Observe-se aqui a Influência do Pensamento Medieval da ‘Pureza Ocidental Judaico-Cristã’]

*Prof. Assoc. DLO-FFLCH/USP

(http://adalbertoprofessor.blogspot.com.br/2013/04/documentario-oriente-e-ocidente-formas.html)
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Meridiano de Greenwich

O Greenwich Mean Time (GMT) se tornou a referência mundial do tempo
em uma conferência celebrada em 1884 em Washington;
Hoje o Universal Time Coordinated (UTC) dita o tempo na Terra

Linha vertical imaginária que divide o planeta entre Oriente e Ocidente, o Meridiano de Greenwich foi estabelecido através de um acordo mundial realizado em 1884 na cidade de Washington, nos Estados Unidos da América do Norte.

O objetivo era estabelecer uma padronização de horários e datas em todo o mundo.
Funcionou. O meridiano de Greenwich é hoje referência na definição de tempo e amplamente aceito em âmbito global, sendo responsável pela determinação dos fusos horários em todo o mundo.

Apesar dessa aceitação, há décadas o horário GMT não gerencia mais os relógios do planeta.

O Meridiano de Greenwich leva esse nome porque atravessa o Observatório Real de Londres em um distrito chamado de Greenwich, situado na região leste da capital britânica.

Ele determina o tempo “solar”, baseado na rotação da Terra e medido pelos astrônomos há 129 anos a partir desse ponto.

Porém, 88 anos depois do acordo que instituiu o Meridiano, uma conferência internacional adotou em 1972 o Tempo Universal Coordenado (Universal Time Coordinated – UTC, na sigla em inglês), calculado em mais de 70 laboratórios do mundo por pelo menos 400 relógios atômicos e atual referência de tempo universal.

O Greenwich Mean Time continua sendo a hora oficial da Grã-Bretanha e ainda é utilizado amplamente no mundo como referência.

Ele “corta” o mundo ao meio:
para Oeste, o fuso horário é negativo
(caso do Brasil, cujo horário em Brasília é GMT-03);
para Leste, será positivo.

Em 2011, cientistas tentaram alterar essa definição de tempo e propuseram eliminar o horário GMT (Greenwich Mean Time, a hora do Meridiano de Greenwich), utilizando em seu lugar o Tempo Universal Coordenado.

O tempo atômico tem a vantagem de ser muito mais preciso, mas difere por frações de segundo do tempo definido pela rotação da Terra.

Atualmente, para guardar a correlação com rotação terrestre, um “segundo intercalado” é acrescentado periodicamente.

E agora os cientistas propõem suprimir este segundo, abandonando com isto a correlação com o horário GMT.

(http://noticias.terra.com.br/educacao/voce-sabia/ha-129-anos-meridiano-de-greenwich-dividia-o-mundo-entre-ocidente-e-oriente,98d650fef98a1410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html)
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O OPIÁRIO

Por Álvaro de Campos*

(Ao Senhor Mario Sá Carneiro)

É antes do ópio que a minh’alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Esta vida de bordo há-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
já não encontro a mola pra adaptar-me.

Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os próprios gozos gânglios do meu mal.

É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes.

Vou cambaleando através do lavor
Duma vida-interior de renda e laca.
Tenho a impressão de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.

Ando expiando um crime numa mala,
Que um avô meu cometeu por requinte.
Tenho os nervos na forca, vinte a vinte,
E caí no ópio como numa vala.

Ao toque adormecido da morfina
Perco-me em transparências latejantes
E numa noite cheia de brilhantes,
Ergue-se a lua como a minha Sina.

Eu, que fui sempre um mau estudante, agora
Não faço mais que ver o navio ir
Pelo canal de Suez a conduzir
A minha vida, cânfora na aurora.

Perdi os dias que já aproveitara.
Trabalhei para ter só o cansaço
Que é hoje em mim uma espécie de braço
Que ao meu pescoço me sufoca e ampara.

E fui criança como toda a gente.
Nasci numa província portuguesa
E tenho conhecido gente inglesa
Que diz que eu sei inglês perfeitamente.

Gostava de ter poemas e novelas
Publicados por Plon e no Mercure,
Mas é impossível que esta vida dure.
Se nesta viagem nem houve procelas!

A vida a bordo é uma coisa triste,
Embora a gente se divirta às vezes.
Falo com alemães, suecos e ingleses
E a minha mágoa de viver persiste.

Eu acho que não vale a pena ter
Ido ao Oriente e visto a Índia e a China.
A terra é semelhante e pequenina
E há só uma maneira de viver.

Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.

Fumo. Canso. Ah uma terra aonde, enfim,
Muito a leste não fosse o oeste já!
Pra que fui visitar a Índia que há
Se não há Índia senão a alma em mim?

Sou desgraçado por meu morgadio.
Os ciganos roubaram minha Sorte.
Talvez nem mesmo encontre ao pé da morte
Um lugar que me abrigue do meu frio.

Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avòzinha que anda
Pedindo esmola às portas da Alegria.

Não chegues a Port-Said, navio de ferro!
Volta à direita, nem eu sei para onde.
Passo os dias no smokink-room com o conde –
Um escroc francês, conde de fim de enterro.

Volto à Europa descontente, e em sortes
De vir a ser um poeta sonambólico.
Eu sou monárquico mas não católico
E gostava de ser as coisas fortes.

Gostava de ter crenças e dinheiro,
Ser vária gente insípida que vi.
Hoje, afinal, não sou senão, aqui,
Num navio qualquer um passageiro.

Não tenho personalidade alguma.
É mais notado que eu esse criado
De bordo que tem um belo modo alçado
De laird escocês há dias em jejum.

Não posso estar em parte alguma. A minha
Pátria é onde não estou. Sou doente e fraco.
O comissário de bordo é velhaco.
Viu-me co’a sueca… e o resto ele adivinha.

Um dia faço escândalo cá a bordo,
Só para dar que falar de mim aos mais.
Não posso com a vida, e acho fatais
As iras com que às vezes me debordo.

Levo o dia a fumar, a beber coisas,
Drogas americanas que entontecem,
E eu já tão bêbado sem nada! Dessem
Melhor cérebro aos meus nervos como rosas.

Escrevo estas linhas. Parece impossível
Que mesmo ao ter talento eu mal o sinta!
O fato é que esta vida é uma quinta
Onde se aborrece uma alma sensível.

Os ingleses são feitos pra existir.
Não há gente como esta pra estar feita
Com a Tranqüilidade. A gente deita
Um vintém e sai um deles a sorrir.

Pertenço a um gênero de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.

Leve o diabo a vida e a gente tê-la!
Nem leio o livro à minha cabeceira.
Enoja-me o Oriente. É uma esteira
Que a gente enrola e deixa de ser bela.

Caio no ópio por força. Lá querer
Que eu leve a limpo uma vida destas
Não se pode exigir. Almas honestas
Com horas pra dormir e pra comer,

Que um raio as parta! E isto afinal é inveja.
Porque estes nervos são a minha morte.
Não haver um navio que me transporte
Para onde eu nada queira que o não veja!

Ora! Eu cansava-me o mesmo modo.
Qu’ria outro ópio mais forte pra ir de ali
Para sonhos que dessem cabo de mim
E pregassem comigo nalgum lodo.

Febre! Se isto que tenho não é febre,
Não sei como é que se tem febre e sente.
O fato essencial é que estou doente.
Está corrida, amigos, esta lebre.

Veio a noite. Tocou já a primeira
Corneta, pra vestir para o jantar.
Vida social por cima! Isso! E marchar
Até que a gente saia p’la coleira!

Porque isto acaba mal e há-de haver
(Olá!) sangue e um revólver lá pró fim
Deste desassossego que há em mim
E não há forma de se resolver.

E quem me olhar, há-de-me achar banal,
A mim e à minha vida… Ora! um rapaz…
O meu próprio monóculo me faz
Pertencer a um tipo universal.

Ah quanta alma viverá, que ande metida
Assim como eu na Linha, e como eu mística!
Quantos sob a casaca característica
Não terão como eu o horror à vida?

Se ao menos eu por fora fosse tão
Interessante como sou por dentro!
Vou no Maelstrom, cada vez mais pró centro.
Não fazer nada é a minha perdição.

Um inútil. Mas é tão justo sê-lo!
Pudesse a gente desprezar os outros
E, ainda que co’os cotovelos rotos,
Ser herói, doido, amaldiçoado ou belo!

Tenho vontade de levar as mãos
À boca e morder nelas fundo e a mal.
Era uma ocupação original
E distraía os outros, os tais sãos.

O absurdo, como uma flor da tal Índia
Que não vim encontrar na Índia, nasce
No meu cérebro farto de cansar-se.
A minha vida mude-a Deus ou finde-a…

Deixe-me estar aqui, nesta cadeira,
Até virem meter-me no caixão.
Nasci pra mandarim de condição,
Mas falta-me o sossego, o chá e a esteira.

Ah que bom que era ir daqui de caída
Pra cova por um alçapão de estouro!
A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.

E afinal o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas —
E basta de comédias na minh’alma!

(No Canal de Suez, a bordo)

*Heterônimo de Fernando Pessoa

(http://www.fpessoa.com.ar/poesias.asp?Poesia=139)
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Poema em Vídeo

Declamação por Mário Viegas:

(https://www.youtube.com/watch?v=uHigwMm_I_U)
(http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Viegas)
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Responder

    Vlad

    13 de janeiro de 2015 às 13h09

    Depois dá um copiar colar no Exaustivo Manual de Contabilidade Pública.
    Estão todos ansiosos pra ler com atenção.

    FrancoAtirador

    13 de janeiro de 2015 às 13h52

    .
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    HISTÓRIA DA TIPOGRAFIA: DESMENTINDO A ‘IMPRENSA OCIDENTAL’

    O PAPEL

    A invenção do Papel representou uma inovação técnica tão importante como a da Tipografia.

    Ambas são invenções da antiga China.

    O Papel foi inventado em 105 dC, quando o Império Chinês se encontrava sob o comando da dinastia Han (206 aC – 220 dC) e no Ocidente reinava o imperador romano Trajano.

    No mesmo ano, a primeira fábrica de papel foi instituída na China, em Tsai Lun.

    As técnicas de produção de papel foram mantidas em segredo pelos chineses, por cerca de 500 anos.

    Somente no século VII passaram à Coréia e foram introduzidas no Japão no ano 610.

    A vitória da aliança árabe-persa-turca contra os chineses, em 751, na batalha de Talas, perto do Lago Balkhach, na cidade de Samarcanda, permitiu a captura de artesãos chineses conhecedores das técnicas primitivas de produção do Papel (manual e em pequenas folhas).

    Os árabes começaram a produzi-lo em Bagdá por volta de 793 dC, depois em Damasco e Cairo – de onde, séculos depois, chegou à Itália – e mais tarde no Marrocos.

    A introdução do papel na administração pública árabe iniciou-se sob o reinado do califa Arun Al Rashid – personagem das Mil e uma Noites – para evitar falsificações de documentos, porque o pergaminho era mais fácil de ser fabricado que o papel.

    Os mouros invadiram a Península Ibérica no século VIII, levando o conhecimento da técnica de produção do Papel para a Espanha, e, cerca de um século depois, no ano 801, quando perderam o domínio territorial na Catalunha, o segredo de fabricação passou a se disseminar pela Europa.

    Mas foi somente no século XIII que o Papel começou a ser fabricado fora das jurisdições árabe, japonesa e chinesa, em 1276, na região de Fabriano, na Itália.

    Na França, a produção de Papel iniciou-se em 1348, na Alemanha, em 1390, e na Inglaterra, em 1494.

    Mas tal processo de fabricação continuou artesanal e moroso até o final século XVIII, quando ainda se fabricava apenas folhas de papel.

    Na época, um trabalhador, por mais que se esforçasse, não conseguia produzir mais do que 750 folhas por dia.
    Dada essa baixa produtividade, que encarecia o custo de produção das peças literárias, o preço de um livro editado em papel era mais alto que o de outro produzido em pergaminho.
    Daí o motivo da pouca utilização do papel, em relação ao uso do pergaminho, por vários séculos, no continente europeu.

    Somente em dezembro de 1798, o francês Louis-Nicolas Robert, patenteou a primeira máquina capaz de produzir papel em longas fitas que mediam de 12 a 15 metros de comprimento por cerca de 40 cm de largura.

    Em 1803, Henry de Fourdriner e seu irmão aperfeiçoaram o invento de Robert, transformando-o numa máquina para confecção em formato de rolos contínuos, dando origem às bobinas de papel.

    A TIPOGRAFIA

    Tipografia (do grego ‘typos’=’forma’ e ‘gráphein’=’escrever’) é um processo milenar de impressão serial de textos, originado do aprimoramento tecnológico da Xilogravura, que consiste na confecção de tipos (caracteres ou fontes), representando símbolos gráficos (letras, algarismos, sinais, etc) construídos em alto relevo (como carimbos), através do entalhe em materiais sólidos, como madeira, cerâmica e metal, ou da fundição de ligas metálicas, constituindo uma ou mais matrizes gráficas que são posteriormente tintadas e aplicadas sobre superfície de material flexível, como pergaminho, velino ou papel.

    Portanto, basicamente, a Tipografia tem por finalidade a multiplicação de um mesmo texto previamente elaborado em um dispositivo físico construído para execução em série contínua, por aplicação manual ou mecânica, através do método da prensagem.

    A impressão tipográfica foi criada na China, na Antigüidade, a partir do desenvolvimento da técnica da Xilogravura ou Xilografia (do grego ‘xylon’=’madeira’ e ‘gráphein’=’escrever’).

    Curiosamente, embora os chineses tenham sido os primeiros a dominar a tecnologia da Xilogravura e conseqüentemente a da impressão tipográfica, o primeiro texto impresso por essa técnica, documentalmente datado, foi publicado no Japão, entre 764 dC e 770 dC, no Período Nara.
    A Imperatriz Koken (749-758) abdicou em 758 e retornou ao trono do Império Japonês, em 764, com o nome de Imperatriz Shotoku (764-770), quando encomendou a impressão de 1 milhão cópias de uma oração budista chamada Hyakumanto Darani, para serem distribuídas nos templos de todo o Japão.
    Eram pequenos pergaminhos impressos xilograficamente, acondicionados em miniaturas de pagodes japoneses esculpidas em madeira.

    PRIMEIRO TEXTO IMPRESSO, NO SÉCULO VIII, NO JAPÃO
    http://www.schoyencollection.com/Pre-Gutenberg_files/ms2489s.jpg
    HYAKUMANTO DARANI E PAGODE DE MADEIRA

    SUTRA DO DIAMANTE: O LIVRO IMPRESSO MAIS ANTIGO DA HISTÓRIA.

    O primeiro Livro impresso que se tem notícia, datado de 868 dC, foi o Sutra do Diamante (sânscrito: Vajracchedika Prajnaparamita Sutra), um texto budista confeccionado pelos chineses com uma técnica de impressão xilográfica sofisticada, com tipos minuciosamente talhados em códices (do latim ‘codex’=’bloco de madeira’) que se constituíram nas matrizes que foram posteriormente aplicadas sobre pergaminho.
    O Livro foi encontrado pelo arqueólogo húngaro Marc Aurel Stein, em 1907, numa caverna, em Dunhuang, no nordeste da China.
    Um exemplar impresso, com data real, encontra-se na Biblioteca Britânica, e tem cerca de 16 metros de comprimento.

    O Sutra do Diamante foi impresso quase seis séculos antes da Bíblia de Gutenberg.

    bibliotecaucs.files.wordpress.com/2011/09/diamond-sutra.jpg
    SUTRA DO DIAMANTE: O LIVRO IMPRESSO MAIS ANTIGO DA HISTÓRIA

    A invenção da impressora de tipos móveis de cerâmica também foi inventada na China, por volta do ano 1045.
    É atribuída pelos povos orientais ao inventor chinês Pi Cheng (ou Bi Sheng), porém não há exemplares conhecidos desse modelo de impressão tipográfica.

    A PRIMEIRA PRENSA MÓVEL METÁLICA

    Os primeiros caracteres em metal apareceram na China sob a dinastia de Yuan (1279-1368), porém o impresso mais antigo em tipos metálicos móveis é uma obra coreana.

    Em julho de 1377, os religiosos Seokcan e Daldam utilizaram tipos móveis metálicos para imprimir o Jikji, um trabalho do monge coreano Beagun Hawsang, que, em 1372, compilou, em dois volumes, os ensinamentos essenciais do Seon (em coreano: Zen Budismo).
    A obra foi impressa no antigo templo Heungdeok-as, da cidade de Cheongju, com fundos doados pela sacerdotisa Myodeok.

    O volume do Jikji, ainda existente, foi preservado na Biblioteca Nacional da França e contém apenas 38 páginas, enquanto a versão completa dos 307 capítulos da Antologia é preservada em uma impressão em madeira na Biblioteca Nacional da Coréia, na capital Seul.

    Na História da Humanidade, o coreano Jikji é o mais antigo exemplar de um Livro produzido com tipos móveis metálicos, setenta e oito anos antes do primeiro livro impresso pela Prensa Móvel de Guttemberg.

    4.bp.blogspot.com/_fGbNjy2kz9I/SfkLlKc88HI/AAAAAAAACsw/sZ6jnWDrygY/s400/Placa+de+Metal.jpg

    PRENSA MÓVEL METÁLICA COREANA: A PRIMEIRA

    bangnangja.files.wordpress.com/2011/10/jikji1.jpg

    upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9f/Korean_book-Jikji-
    Selected_Teachings_of_Buddhist_Sages_and_Seon_Masters-1377.jpg
    JIKJI: PRIMEIRO LIVRO IMPRESSO COM TIPOS METÁLICOS, EM 1377, NA CORÉIA
    .
    .
    Detalhes em:
    (http://www.youtube.com/watch?v=GVDsKRb9WPA)
    (www.madeira.ufpr.br/disciplinasklock/polpaepapel/fabricadepapel.ppt)
    (http://bit.ly/14HKUEq)
    (http://bibliotecaucs.wordpress.com/2011/09/22/diamond-sutra-o-livro-mais-antigo)
    (http://spirituslitterae.blogspot.com.br/2009/04/biblia-nao-foi-o-1-livro-impresso-no.html)
    (http://www.buddhachannel.tv/portail/spip.php?article2284)
    (http://graficaverdana.com.br/historia-da-impressao.html)
    (http://www.apoema.com.br/pape1.htm)
    (http://www.restaurabr.org/siterestaurabr/volumesarc/arc02pdf/07preservacaodeacervos.pdf)
    (http://portaldasartesgraficas.com/diversos/cronologia.htm)

    A PRENSA TIPOGRÁFICA MÓVEL DE GUTTEMBERG

    A expansão da publicação literária no mundo ocidental começou em meados do Século XV, a partir da construção da Prensa Tipográfica Móvel pelo alemão Johannes Guttemberg, que possibilitou a impressão de textos em larga escala, vindo daí a utilização do termo Imprensa como o conhecemos hoje.

    A Prensa Móvel com tipos metálicos inventada por Guttemberg foi uma adaptação das prensas já utilizadas, àquela época, na produção de vinhos.

    Durante os três séculos seguintes, a invenção de Guttemberg reinou absoluta no Ocidente.

    Mas foi só no final do século XVIII, já no período da chamada Revolução
    Industrial, que o uso da Tipografia com tipos móveis metálicos acelerou seu curso, impulsionado pela mecanização do processo de impressão, inclusive na produção de papel, transformando-se .

    Em 1811, O alemão Friedrich Köenig, estabelecido na Grã-Bretanha, inventou a
    Prensa Móvel Mecânica, que praticamente dobrou a velociade de impressão.

    Três anos depois, junto com o também alemão Andreas Friedrich Bauer, Köenig
    desenvolveu a Prensa Móvel a Vapor utilizada pela primeira vez para a edição de
    29 de novembro de 1814 do diário inglês The Times.

    En 1818, Bauer e Koenig regressaram à Alemanha e fundaram, na cidade de Oberzell,
    próxima a Würzburg, a fábrica de Prensas de Alta Velocidade Koenig & Bauer.

    Com a invenção do telégrafo, por Samuel Finley Breese Morse, em 1844, e a dO linotipo, por Ottmar Mergenthaler, em 1886, a Imprensa-Empresa passou à categoria de Indústria Gráfica, transformando-se definitivamente em “Mercado Editorial”.

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    TIPOS MÓVEIS DE MADEIRA E DE METAL

    upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e9/Metal_type.svg/220px-
    Metal_type.svg.png
    TIPO MÓVEL METÁLICO

    Elementos principais
    a. Olho
    b. Face (anterior) ou Barriga
    c. Corpo

    Detalhes
    1. Rebarba ou talude
    2. Risca ou ranhura
    3. Canal ou goteira
    4. Pé.

    (http://www.tipografos.net/glossario/index.html)
    .
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    FrancoAtirador

    13 de janeiro de 2015 às 14h08

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    JIKJI

    PRIMEIRO LIVRO IMPRESSO COM TIPOS METÁLICOS, EM 1377, NA CORÉIA

    http://imgur.com/N8jLSC9
    i.imgur.com/N8jLSC9.jpg
    upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9f/Korean_book-Jikji-Selected_Teachings_of_Buddhist_Sages_and_Seon_Masters-1377.jpg
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    FrancoAtirador

    13 de janeiro de 2015 às 15h52

    FrancoAtirador

    13 de janeiro de 2015 às 16h04

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    SUTRA DO DIAMANTE

    O LIVRO IMPRESSO MAIS ANTIGO DA HISTÓRIA

    78 anos antes da Bíblia de Guttemberg

    http://imgur.com/dtK1oNc
    i.imgur.com/dtK1oNc.jpg
    bibliotecaucs.files.wordpress.com/2011/09/diamond-sutra.jpg
    https://bibliotecaucs.wordpress.com/2011/09/22/diamond-sutra-o-livro-mais-antigo

    FrancoAtirador

    13 de janeiro de 2015 às 17h48

    .
    .
    Perdão.

    A impressão do Sutra do Diamante ocorreu

    587 anos antes da Bíblia de Guttemberg.

    Na Biblioteca Britânica, há uma cópia

    dessa Escritura Maaiana datada de 868 dC.

    O Jikji, sim, foi impresso 78 anos antes

    do que o Livro Sagrado Judaico-Cristão.
    .
    .

Wendel

12 de janeiro de 2015 às 20h14

Os ocidentais não são bonzinhos, e para se tornarem no que são, fizeram e usaram de todos os artificios possíveis. Inclusive criando as criaturas que hoje se voltam contra eles! Será que estão se voltando mesmo, ou será apenas uma outra tática para não perderem o podio ?
Há que se ter muita cautela em comprar este peixe podre que estão vendendo.
Existem os que compram, mas….., nem todos !!!!!!!!!!!!!!

Responder

José Mauricio

12 de janeiro de 2015 às 20h08

Que bom que hoje temos a internet. Em outras epocas saber essas informações era praticamente impossivel.
Eu, quando ouço algo sobre uma pessoa e não conheço o lado dela sobre o assunto em questão, tendo a ter muitas duvidas do que me é dito. Hoje quando tantas coisas são ditas sobre os mulçumanos, se não tivermos o lado deles da história, sempre parecerá que eles são os representantes do mal aqui na terra. Mas o mal existe em tudo quanto é lugar. Esses mesmos senhores que se intitulam defensores da democracia e da liberdade, têm suas mãos calejadas de obrar o mal.

Responder

Olegário

12 de janeiro de 2015 às 18h50

O sujeito é novelista, cineasta e jornalista investigativo; sei…

Responder

Léo

12 de janeiro de 2015 às 17h30

A mais famosa organização terrorista foi sustentado e apioado pelos “donos do mundo” (as nações ricas ou como sempre foram ou ainda é chamado: G7 e a Russia). Al Qaeda, o “ditador” saddam… foram alimentados pelo governo americano durante muito tempo. Não tinham mais a oferecer ou se voltaram contra seus criadores, foram pegos e assassinados.

Em 2001, cidades foram destruidas, hoje possivelmente milhares de civis são assassinados pelos exercitos das nações amigas: EUA e toda a Europa.
Já disse e não custa repetir, fanatico e extremistas existem em qualquer lugar,seja ele religioso, politico, militar ou aqueles casos em que jovens americanos invadem um local cheio gente comete um atentado e é classificado como um desequilibrado, sofreu “bulling”… Apesar de ter as mesmas caracteristicas de um “ato terrorista”. Ele só era um doente ou alguém problematico. Isso vale para os países que hoje sofrem esse tipo de coisa.

A imprensa costuma taxar nações do oriente médio de: “Estado islâmico”, fundamentalistas reliosos de “mulssumanos terroristas”, “terroristas islamicos”… Deveriam chamar apenas de fundamentalistas ou terroristas sem fazer ligação com religião ou origem. Temos fundamentalistas aqui, nos EUA, na França, no vaticano, no protetantismo… Seja lá qual for o lugar, sempre existira esse tipo de pessoa ou grupo.

Responder

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O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.