Altamiro Borges: O meteorito internet atinge o Le Monde

Tempo de leitura: 2 min

O Le Monde e a crise dos jornalões

por Altamiro Borges, em seu blog

Sete dos onze redatores-chefes do jornal Le Monde pediram demissão nesta semana, agravando ainda mais a violenta crise do tradicional diário francês. Em carta enviada à direção da empresa, eles explicaram que há meses alertam sobre as “graves disfuncionalidades e a falta de confiança” na redação.

O principal alvo das críticas é a diretora do jornal, Natalie Nougayrède, acusada de adotar de métodos truculentos e de impor um plano de reestruturação que prejudicou 57 áreas de trabalho. Eles também criticam a interferência na linha editorial exercida pelas poderosas empresas acionistas, como a operadora de telefonia Free.

O jornal Le Monde agoniza há muito tempo. No livro “A explosão do jornalismo”, Ignacio Ramonet relata que na década passada o diário perdeu 25% dos seus compradores em bancas e cortou centenas de postos de trabalho. A crise, porém, é generalizada nos jornais da França: “À procura de uma rentabilidade que não encontram, as empresas da imprensa são entregues a temíveis ‘cost killers’, especialistas na redução de custos, que cortam a machadadas as equipes e as despesas… Os salários dos funcionários foram diminuídos ou congelados. As condições de trabalho dos escritores e jornalistas free-lancer se degradam”.

A razão principal da crise é o crescimento da internet, que abala o modelo de negócios da mídia tradicional. “O planeta mídia está sofrendo um traumatismo de amplitude inédita. O impacto do ‘meteorito internet’, semelhante àquele que fez desaparecer os dinossauros, tem provocado uma mudança radical de todo o ‘ecossistema midiático’ e a extinção massiva dos jornais da imprensa escrita… Trata-se de uma mudança de paradigma. Uma revolução que avança aos saltos e sobressaltos”, teoriza Ignacio Ramonet.

Nesta semana, a vítima deste meteorito foi o Le Monde!

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Comentários

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Murdok

Amém!

Pedro

A questão merecia um aprofundamento da matéria. Perguntaria: o que é que não está em crise no capitalismo? Estamos vivendo, no que se refere a este mundo da informação, uma revolução profunda. Lembra, alegoricamente, o que aconteceu quando Gutenberg inventou a imprensa. Então, aquela imprensa significava um grito de liberdade contra a ditadura feudal da igreja católica e dos reis. A internet é de tal modo o anúncio de uma outra liberdade, liberdade que os monopólios midiáticos não vão conseguir sufocar. A atual radicalização da mídia comercial não passa de um canto de cisne. Seu fim já é previsível. As mudanças históricas são dramáticas quando atingem os privilégios.

FrancoAtirador

    FrancoAtirador

    .
    .
    Agora, dá para entender bem melhor

    por que esse Prostituto de Pesquisa

    é popularmente conhecido como GLOBOPE.
    .
    .

Bárbara de Pindorama

Até aí, muito bom. Medo que os diabinhos menores tipo “descarregos” de pacotinhos no celular de pessoas e só sejam aceitos por empresas de telefonia se forem provenientes da direita, por exemplo. O medo é do grande irmão.

Aline C. Pavia

Alvíssaras, pelo fim da imprensa escrita #jornalixo.
Outro artigo divulgado há algum tempo já recomendava que se voltasse aos pequenos jornais de bairro. Em Campinas eu recebo dois: Folha do Taquaral e Folha do Cambuí. São semanais e gratuitos, tiragem aí de 3000, 5000 exemplares, se tanto.
“Grande imprensa” breve não vai servir nem pra embrulhar peixe.

Julio Silveira

A internet veio para quebrar paradigmas, para retirar das mãos de um pequeno grupo de pessoas da elite mundial, articuladas, o poder de direcionar culturas rumo a unanimidade cultural que abrange desde idioma até economia. Muito pertinente a este tema, e no afã de expandir ainda mais as mentes dos felizardos brasileiros que tem acesso aos conteúdos dessa internet revolucionária, disponibilizo um vídeo do YouTube lembro que Paul Hellyer, ex ministro da defesa do Canada, aborda um assunto indigesto mas muito interessante só passível de se conhecer neste instrumento possante, a internet. Boa análise.
https://m.youtube.com/watch?v=JN0hqnxVTLM

    Mário SF Alves

    Interessante. É a segunda vez que tenho a chance de ver esse vídeo. Da primeira vez preferi classificá-lo no grupo dos cortinas de fumaça. Talvez o assista agora, em consideração a você.

    Penso que se correlacionarmos as fantásticas estruturas civis, agrícolas e demais conhecimentos das civilizações pré-colombianas e egípcia antiga, talvez seja razoável admitir-se que representantes de civilizações extraterrenas estiveram, sim, em turnê pelo planetinha azul.

    Não é pelo fato de a ciência oficial não admitir um fenômeno ou a complexidade real de um fato que automaticamente devemos negá-lo.

    “Entre o Céu e a Terra há mais mistérios do ousa imaginar nossa vã…”

    Julio Silveira

    Meu caro Mario, imponderável é um ser humano existir equilibrando-se em 70% de água e 30% outros materiais orgânicos associados, numa proporção perfeita para a consciência de uma existência. Se temos isso, nada deve ser impossível.

Francisco

Tem Le Mond na internet?

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