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Reginaldo Nasser: Disparada no preço do petróleo é pura especulação
Petróleo bruto. Foto Wikipedia
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Reginaldo Nasser: Disparada no preço do petróleo é pura especulação


11/03/2011 - 02h00

por Manuela Azenha

Reginaldo Nasser é mestre em Ciência Política pela UNICAMP e doutor em Ciências Sociais pela PUC (SP). Arguto observador de nossos preconceitos, propõe que os ocidentais relaxem em relação ao futuro das revoluções em andamento no norte da África e no Oriente Médio: por que deveríamos cobrar revoluções “em ordem” de africanos e árabes se as revoluções europeias tiveram de tudo, menos ordem?

Ele também desconta que haja razões objetivas para uma disparada nos preços do petróleo. Ninguém rasga dinheiro. Atribui o aumento do preço no mercado internacional — cerca de 20%, desde o início de 2011 — à especulação.

É, a gente sabe que até o medo já é uma commodity altamente rentável.

Fiquem com a primeira das três partes da entrevista.

Manuela Azenha – Há quem desconfie do que possa surgir dessa grande revolta nos países árabes, mas ao mesmo tempo há um entusiasmo de quem acredita que é um momento único na história, em que esses países estão se libertando por movimentos próprios, internos, e não se “libertando” por meio de uma ocupação estrangeira, como aconteceu no Iraque ou no Afeganistão. Qual é a avaliação do senhor?

Reginaldo Nasser – É um momento privilegiado. É um momento único para várias coisas e uma delas é justamente mostrar que no Oriente Médio, no norte da África, no mundo árabe,  é possível ter uma alternativa que não seja de um lado, ditaduras seculares militarizadas tais como a da Líbia e do Egito, da Síria, e de outro lado, não ter um regime teológico como o do Irã. Porque isso é uma construção que de certa forma, se naturalizou no Ocidente, é uma construção no imaginário.

Independentemente do que vai acontecer, esse fato já esta provado e eu acho isso um ganho. Porque mobilizou vários grupos, não havia ate o momento, indício de uma reivindicação que saísse fora da esfera política, como reivindicações por emprego, contra a tirania. As reivindicações sociais são as questões mais importantes. Uma outra questão, que já se pergunta, é se seria possível ter um governo diferente. Eu diria que a possibilidade se dá através da construção da experiência e também da intencionalidade.

Quem começa a fazer essas comparações já no inicio é porque está esperando o insucesso dessa empreitada. Porque se nós olharmos para a história da Europa, foram séculos de experimentos e mesmo assim, se nós contarmos em termos de período histórico, a experiência democrática dos países europeus é muito pequena. Alemanha, Itália, França, grosso modo, pós-Segunda Guerra Mundial. É interessante que tudo isso some das comparações. As imagens que tem vindo dos movimentos, das rebeliões, mostram uma preocupação em manter a ordem. É muito interessante, no Egito, na Tunísia, se preocupam para que não haja saques, não haja vingança, querem cuidar dos poços de petróleo. São movimentos super ordenados.

Claro, é ingênuo achar que montado o governo, vai ter bonança, libertação, porque é natural que haja grupos conflitantes e como toda e qualquer revolução no mundo, americana, francesa, a russa, ela é feita por composição de grupos com interesses divergentes. Tudo isso para dizer que o Oriente Médio não tem nada de exótico na política. Tem em outras coisas, mas não na política. É uma luta para quebrar com esse preconceito. Eu avalio a situação situando o Oriente Médio e o norte da África da forma como nós debatemos a política na Europa, na America Latina, na Ásia.

Manuela– E por que o senhor acha que tem esse efeito dominó? O que existe em comum? Por que começou no Egito e na Tunísia e o que inspira esses manifestantes?

Nasser– Por que começa? Ate hoje ninguém sabe como começou a revolução francesa nem a russa então acho que sempre há o factualmente inexplicável. Mas a gente pode fazer algumas inferências. Primeiro, vou explicar o motivo disso estar se espalhando: porque eles tem a mesma herança. Não é casual estar acontecendo no norte da África e no Oriente Médio. E quais são as semelhanças? Não é só na sociedade, maioria árabe e muçulmana, mas é que tem o mesmo tipo de Estado.

Todos foram colonizados, pelo império otomano, império inglês, francês ou italiano. Todos, no processo de independência, alguns mais outros menos, tiveram forte presença militar. Alguns foram para república, caso do Egito, Líbia, Síria; outros, para a monarquia, principalmente os países do Golfo Persa. Mas a estrutura do Estado é a mesma, a estrutura da economia é muito comum: alta concentração, economia basicamente de recursos naturais — caso do petróleo — e, portanto, a [mesma] formação de elites. Isso eles têm em comum.

Do lado dos manifestantes, as reivindicações são as mesmas: desigualdade de renda e repressão política, basicamente. Tem na Tunísia, na Líbia, no Egito, no Bahrein, em todo lugar. Portanto tem uma causa comum. Agora, existem questões especificas. A Líbia por exemplo, tem ainda uma presença tribal muito forte, não tanto como estão dizendo, mas tem.

Portanto com o Gadaffi, tem uma estrutura descentralizada, daí se explica a dificuldade da queda do poder. No Egito, com uma força militar altamente hierarquizada e centralizada , quando os militares decidiram, acabou o governo do Mubarak.

Tem um dado novo no Oriente Médio, independentemente da intenção dos governantes, da concentração de renda, da corrupção: a urbanização. Por isso na Líbia eu acredito que haja uma sobrevalorização das tribos. A Líbia tem 6 milhões de habitantes e no mínimo, 60, 70% de população urbana. Tunísia e Egito também apresentam essa característica. Grandes centros urbanos, classes médias, profissionais liberais e a questão demográfica: jovens.

Em média 30% de jovens. Nessa camada o índice de desemprego é de 70, 80% e são escolarizados. Tanto que no inicio das revoltas na Líbia… as tribos depois aderiram mas não começou com elas. Começou em Benghazi, com uma manifestação no “Dia de Fúria”, convocado por esses jovens e esses profissionais liberais que estavam protestando contra uma prisão e um massacre que o Gadaffi havia feito anos antes.

O peso excessivo da história no Oriente Médio atrapalha a entender o que é novo. Aquela figura do Gadaffi, a forma como ele se veste, não condiz com a Líbia. Nos últimos anos, a Líbia conheceu uma grande quantidade de investimento internacional. O alto número de imigrantes que tem na Líbia mostra o dinamismo do país. Isso é novo. As classes médias, que quando tinham oportunidade iam estudar fora, nos Estados Unidos e na Europa. Ainda tem muito isso, mas dadas as condições ultimamente, eles têm ficado no país. Aí tem o índice de desemprego e também a humilhação. Um pouco o que aconteceu com aquele jovem na Tunísia. Ele é símbolo disso. Tentou abrir o negócio próprio, o policial foi lá, o jovem não se corrompeu  e o policial o puniu. Aquilo não é um situação casual. Então, a urbanização, o aparecimento dos jovens desempregados e a elite intelectual, mas que não participa do processo decisório desses países, são fatores novos e determinantes.

Manuela – O que esses manifestantes estão pedindo? A gente tende a dar uma conotação religiosa para conflitos nos países árabes mas essa revolta pode ser vista como uma rejeição ao neoliberalismo?

Nasser – Eu daqui interpreto que seja contra o neoliberalismo, mas duvido que na cabeça deles seja isso. São contra um tipo de Estado e um tipo de economia de alta concentração, que é uma articulação de interesses das elites locais e internacionais. Não é uma cumplicidade apenas moral, é um elo orgânico das elites. São negócios. Os manifestantes estão contra isso. Eles estão contra um tipo de política externa que é praticado. Ninguém está botando fogo na bandeira dos Estados Unidos mas também não quer dizer que estão apoiando os Estados Unidos.  Não é pra eliminar o Estado de Israel, é um outro tipo de política que está sendo solicitado.

Digamos que a situação lá é tão ruim que eles estão pedindo pouco.  Querem liberdade de participação política, eleições, etc. Mudar o perfil do Estado e das relações econômicas, da distribuição de renda, seguridade social, são essas coisas. O melhor termômetro pra isso é ver o que o rei saudita fez quando saiu do hospital.  Eu costumo dizer que os governantes sabem avaliar melhor o problema do que os analistas. Quando ele chegou, ele não falou nada de religião, nada de terrorismo, ele disse: vou dar 37 bilhões de dólares para habitação, bolsa de estudos, seguridade social, uma série de coisas.

Manuela – E o senhor acha que será suficiente para impedir que as revoltas cheguem à Arábia saudita?

Nasser – Não, Arábia saudita é só uma questão de tempo. Não tem como. Não dá para prever mas não tem como segurar porque aquilo, como nos outros lugares, é uma bomba-relógio.

Manuela – Mas então eles estão pedindo algo além disso…

Nasser – Claro que estão. Isso que o rei saudita está fazendo é do estilo da monarquia, é um presente, uma dádiva, uma filantropia. Eles querem uma política de Estado,  não isso. Algo permanente, frequente, que invista nas pessoas, algo do qual as pessoas participem. Gadaffi tentou distribuir dinheiro, Mubarak foi ridículo, aumentou o salário e continuou no poder. Então, não vamos acreditar que essas tradicionais políticas populistas darão certo.

Eu diria que esse tipo de liderança, depois de dezenas de anos, acabou. Não tem mais chance, vai ter que ser construída uma outra. Não sei se será melhor, mas será outra. Essa não consegue ter mais legitimidade. Encerrou o ciclo. Seja das monarquias do Golfo, seja dos populistas ditos nacionalistas, que vieram de herança da década de 50 e 60, que são o Gadaffi, o Mubarak.

Manuela – E se chegar na Arábia Saudita, o que acontecerá com o preço do petróleo?

Nasser– Objetivamente, nada. Os fatos nos dizem que o que o petróleo da Líbia representa no mercado mundial não é o  suficiente para explicar o aumento que já vem ocorrendo.

Manuela– Mas talvez o temor de que as revoltas se espalhem explique o aumento. A expectativa da escassez de petróleo…

Nasser – Não, é isso que eu também tenho questionado. Porque haveria escassez de petróleo? Qual é o pressuposto? De que o rebelde colocaria fogo no petróleo? Ele vai continuar vendendo petróleo. Esse é um equívoco.  Se as revoltas se espalharem e mantiverem a intencionalidade dos atores, não vai acontecer nada. O que esta acontecendo na Líbia é exemplar. Em Benghazi, eles estão fazendo o máximo para proteger o poço de petróleo e o Gadaffi está dizendo que vai jogar bomba nele.  No Egito, não tem problema nenhum. Isso é especulação do mercado internacional.  Pura especulação.

E na Arábia Saudita, acredito que terá uma grande especulação mas objetivamente, não vai ter nada. Por que qual é a lógica daquele que está fazendo a revolução? Que ela dê certo. Para isso, precisa de recursos e no momento, o recurso é o petróleo. E aprenderam com a experiência do Irã, que foi isolado da comunidade internacional. Eles sabem que não dá para sobreviver. Gostando ou não, é uma estratégia. Se isolar, não tem chance. Aquela região — alguns países mais, outros menos — importa 70% dos alimentos. São economias muito frágeis. No caso da Líbia agora, a própria Arábia saudita diz: eu cubro. E pode cobrir. A Rússia pode cobrir. É uma especulação.

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29 comentários

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Reginaldo Nasser: “Um momento privilegiado” | Viomundo - O que você não vê na mídia

15 de março de 2011 às 22h44

[…] Se você prefere ler a entrevista, clique aqui. […]

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Luis Queiroz

14 de março de 2011 às 15h02

Entendo, com todos respeito ao cientista, que o que acontece com Gadaffi é que ele, herói nacional, acomodou-se como todos os políticos. O poder é confortável. Quando alguém senta nele… Oh gente difícil para levantar! O cientista político esta certíssimo quando diz que o povo Líbio esta querendo mais participação nas decisões. É isso que é lindo em democracia, a participação do povo, para encontrarmos o equilíbrio das forças divergentes. Os rebeldes é uma resposta ao conformismo político. O poder descentralizado dificulta um pouco. Mas é a melhor forma de não deixar que alguns bundas moles, sente nele, e queira não levantar mais. Democracia neles!

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Nasser: Revolta da rua árabe vai chegar ao solo europeu | Viomundo - O que você não vê na mídia

14 de março de 2011 às 13h18

[…] A PRIMEIRA PARTE DA ENTREVISTA ESTÁ AQUI […]

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kelvin

12 de março de 2011 às 16h50

Pela primeira vez eu vejo, principalmente na primeira parte da entrevista, ser discutidas as consequências que essas revoluções no mundo árabe podem trazer. Não aguento mais essa mídia que trata o assunto com sensacionalismo barato!

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Revoltas no mundo árabe vão mexer com lideranças de Israel e dos palestinos | Viomundo - O que você não vê na mídia

12 de março de 2011 às 13h41

[…] A PRIMEIRA PARTE DA ENTREVISTA ESTÁ AQUI […]

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Julio Silveira

12 de março de 2011 às 09h10

Cada dia que passa penso que tem mais coisas por trás da especulação que apenas economia de mercado. Existe um grande esforço de grupos pela dominação dos mercados, acontencendo isso se controlam países, controlam pessoas.

Responder

FrancoAtirador

11 de março de 2011 às 22h43

.
R7 informa:

HOJE FOI O DIA DA FÚRIA POLICIAL NA ARÁBIA SAUDITA
http://noticias.r7.com/internacional/noticias/pol

.

Responder

    Bonifa

    11 de março de 2011 às 23h23

    Esta notícia o PIG, se der, vai ser de raspão. Os orgulhosos sauditas têm vergonha de sair desarmados e correrem o risco de apanhar da polícia. Para eles, antes a morte. Mas pelo menos as coisas lá começaram, o que já é muito. E agora não terão fim enquanto não alcançarem seus objetivos.

Avelino

11 de março de 2011 às 21h55

Caro Azenha
Quero crer que troquei o seu nome pelo do Eduardo, desculpe a falha.
Saudações

Responder

Avelino

11 de março de 2011 às 21h51

Caro Eduardo
Para o ganho do capital financeiro especulativo, vale tudo, inclusive os 3% de petróleo da Libia, mas que é a principal reserva da Africa.
Quanto ao pico do petróleo, já faz algumas décadas que ouço isso.Quanto já não se faturou e ainda irá se faturar com isso?!Mas um dia ele acaba.

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Apressado

11 de março de 2011 às 19h21

Sinceramente, não gostei da análise.

Muito simplista…

claro que minha crítica é mais simplista ainda, mas neste momento não estou com tempo de elaborar. Tenho q voltar ao trabaho, que ao contrário do dele, não é analisar esta situação.

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Bonifa

11 de março de 2011 às 17h45

Será que a França irá à guerra para resolver a saia justa pessoal de Sarkozy? Já comentamos aquí que o Kadafi ameaçou contar um segredinho do presidente francês que iria derrubá-lo e submetê-lo a julgamento. Vejam agora o que diz o jornalista alemão Thorsten Knuf, do Berliner Zeitung:

"O presidente Sarkozy parece estar tomado de loucura. Há poucos meses ele teria de bom grado vendido centrais nucleares a Kadafi. Agora, comanda a caça antiKadafi. Parece que Sarkozy deseja abater o ditador líbio sozinho. Um combate homem a homem."

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Bonifa

11 de março de 2011 às 16h52

Notícia de hoje que corre mundo mas que deve ser censurada no Brasil pelo glorioso PIG, o mais zeloso bastião da desinformação ocidental: "Polícia abre fogo contra manifestantes no Yemen".
A polícia do ditador atira contra manisfestantes pacíficos na cidade de Saana, no sul do Yemen.
Comentário:
Bem, como este tirano é aliado e amigo do peito dos franceses e dos americanos, e como o Yemen não tem petróleo, está tudo às mil maravilhas e os malditos manifestantes que se danem.

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    Bonifa

    12 de março de 2011 às 11h19

    Essa notícia foi dada de raspão pelo PIG (Rede Globo). Saiu assim: "Policiais invadem um acampamento de manifestantes no Iemen. Uma pessoa morreu." Vejam a diferença do que diz a manchete de Le Monde: "La police tire sur des manifestants au Yémen".

ZePovinho

11 de março de 2011 às 14h13

BELLUZZO: 'KEYNES JÁ PREVIA A NECESSIDADE
DE UM COMITE INTERNACIONAL PARA ESTABILIZAR
OS PREÇOS DAS MATÉRIAS PRIMAS E ALIMENTOS"

'No vendaval das reformas neo-liberais, os governos abandonaram as políticas de estabilização de preços baseadas na formação e operação de estoques reguladores… e submeteram os mercados de commodities, instáveis por sua própria natureza, ao caprichos e à sanha especulativa dos mercados futuros (…) na posteridade da 2ª guerra mundial Keynes sugeriu a constituição de um comitê internacional encarregado de estabilizar os preços das matérias primas e alimentos. Esse comitê, composto por países produtores e consumidores, teria o apoio da Clearing Union, o sistema público de financiamento dos desequilíbrios dos balanços de pagamentos, envolvendo responsabilidades dos países deficitários e superavitários. Nada mais atual" (Luiz Gonzaga Belluzzo, especial para Carta Maior; nesta pág)
(Carta Maior; 6º feira, 11/03/2011)

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antonio c a santos

11 de março de 2011 às 13h06

analise política interessante, mas na questão do petroleo fica a desejar.

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ratusnatus

11 de março de 2011 às 13h00

"V – E se chegar na Arábia Saudita, o que acontecerá com o preço do petróleo?

RN – Objetivamente, nada. Os fatos nos dizem que o que o petróleo da Líbia representa no mercado mundial não é o suficiente para explicar o aumento que já vem ocorrendo."

Só eu achei a análise meio rala?
Se a região, como um todo, pegar fogo será mesmo que não existe influência no preço? rsrsrs

Responder

    Fabio

    11 de março de 2011 às 19h17

    Ele parece nem ter entendido a pergunta. Respondeu algo sem nexo.

    Emilio Matos

    14 de março de 2011 às 15h40

    Ele completou a análise na pergunta seguinte, dizendo que não é razoável esperar que a região toda pegue fogo.

edv

11 de março de 2011 às 11h47

Nem tanto ao mar, nem tanto a terra.
O chamado "peak oil" induz um aumento contínuo e crescente ao longo do tempo (próximas décadas), enquanto os "soluços" de preço, se não houver soluço de oferta ou demanda, são especulativos.
Os "traders" são pagos para ganhar (muuuuito) dinheiro…
Há brasileiros que pensam que Gérson foi um "legislador" local, mas a chamada "lei" é histórica e mundial.
Só ingênuos colonizados pensam que é uma lei "brasileira".

Responder

    Moésio Nogueira

    11 de março de 2011 às 12h43

    A especulação existe, mas se o pico petrolífero não tivesse sido atingido ainda, a especulação não conseguiria jogar o preço do barril para 120 dólares, que é um preço que seria totalmente inimaginável há 10 anos atrás, um preço impressionantemente alto.

    edv

    11 de março de 2011 às 16h24

    Moésio, sua lembrança (e de outros) ao "peak oil" é válida, já que uma hora (neste século?) o "oil", sob este consumo, vai acabar!
    Portanto temos menos de 100 anos (talvez bem menos), para uma gigantesca readaptação mundial!
    Mas se lembrarmos que o preço do barril ficou estável por cerca de um século (até 1973) em cerca de US$ 3,00 (ou seja, considerando a inflação, cada vez mais BARATO!), somente guerras e a OPEP foram motivos reais para aumento, quando houve CORTE de OFERTA.
    Os "traders" (assim como seus primos das finanças) são exímios em ganhar dinheiro, com meras insinuações ou, se necessário, terrorismo mesmo!
    No momento, vivemos apreensão, mas o petróleo já esteve há pouco tempo atrás em mais de $ 100 e voltou aos cerca de $ 50, com ou sem "peak", já assimilado há 2 ou 3 décadas.
    Sspeito inclusive que a "ordem" hoje é ganhar o máximo possivel no curto prazo, antes que (espero!) apareçam alternativas (falam de um tal bioenergia "inesgotável", cobrindo o fundo dos oceanos!) que até possam deixar reservas intactas, sem uso… ai voltaria aos $3… ou menos!

Siron

11 de março de 2011 às 10h41

Discordo que seja só especulação. Até agora a Arábia Saudita disse que ia cubrir e não cubriu. Nem a Rússia, nem a Venezuela, nem o Brasil. Pode haver sim, num momento de transição, uma interrupção ou uma queda acentuada na quantidade de barris negociados nestes países. Óbvio que o mercado aproveita para fazer dinheiro especulativo, mas que há uma dose de insegurança, há.

Responder

Moésio Nogueira

11 de março de 2011 às 10h13

Não é só especulação, não amigo… A especulação é amplificada pelo "nervosismo" causado pelo pico petrolífero (peak oil).

Ninguém quer falar de peak oil. Todo mundo tenta ignorar o problema, achando que assim ele vai embora.

Mas o problema está aí, e não tem como negar. O petróleo é um recurso natural não-renovável. E o peak oil já foi atingido. A produtividade média diária por poço está diminuindo, pois existem muito mais poços antigos, já em processo gradual de esgotamento, do que poços novos, recém-abertos, com alta produtividade. Poços novos surgem em ritmo cada vez mais lento.

Já chegamos a um ponto em que a demanda por petróleo cresce em um ritmo mais acelerado do que a oferta de petróleo. O crescimento da oferta não tem mais como acompanhar o ritmo de crescimento da demanda.

É pico petrolífero, não tem para onde correr.

Se a humanidade não der um jeito de desenvolver a fusão nuclear nos próximos anos, essa espécie de primatas falantes tá ferrada…

Responder

    Alexei

    12 de março de 2011 às 00h58

    Pois é, Moésio.
    O seu alerta é muito realista.
    Eu acredito que devemos investir também em Eólica, Solar e Geotérmica, com Biomassa como substituto para a industria Petroquímica.
    São saídas possíveis. Temos que estudá-las.

FrancoAtirador

11 de março de 2011 às 04h04

.
.
Enquanto isso:

De acordo com a Forbes, a soma das fortunas de 1210 indivíduos atingiu 4,5 trilhões de dólares, em 2010.

É como se um país com 1210 habitantes tivesse o 4º PIB do Planeta (maior que o da Alemanha).

Dentre estes miseráveis 1210 bilionários estão 30 brasileiros, desde banqueiros e empresários de mineradoras até proprietários de indústrias de cosméticos e donos de planos de saúde, cuja fortuna acumulada até o ano passado ultrapassa os 100 bilhões de dólares.
.
.
Aí, cabe perguntar:

QUEM SÃO EXATAMENTE OS ESPECULADORES NO MERCADO INTERNACIONAL DE COMMODITIES?
.
.

Responder

    Moésio Nogueira

    11 de março de 2011 às 13h34

    Realmente, uma concentração de riqueza absurda.

    Só não concordo com a comparação com o PIB. Patrimônio não pode ser comparado com PIB. O PIB é a produção ANUAL de riqueza de um país. O valor estimado de todos os imóveis do país NÃO entra no cálculo do PIB.

    O correto seria comparar a RENDA LÍQUIDA desses 1210 indivíduos no ano de 2010 com o PIB dos países em 2010. Ou seja, apenas a grana que eles ganharam em 2010, e não o patrimônio total.

    FrancoAtirador

    12 de março de 2011 às 04h59

    .
    .
    O correto seria taxar as grandes fortunas.
    .
    .

Alexei Alves

11 de março de 2011 às 02h31

Discordo em parte da última resposta do entrevistado. As guerras não serão tão capazes assim de afetar a produção mundial, mas há sim razões objetivas para o aumento do petróleo, e não é a especulação de curto prazo. Chama-se "Peak oil".
http://en.wikipedia.org/wiki/Peak_oil http://pt.wikipedia.org/wiki/Pico_do_petr%C3%B3le

O petrõleo é fonte finita e não renovável. A demanda continua cada vez maior mas a produção mundial não está mais conseguindo aumentar. E nem tem mais como. Recomendo a todos que se informem sobre os dados dos últimos dez anos de produção de petróleo. Não tem havido aumento real, mesmo com toda a valorização que o barril sofreu nestes anos.
A tendência a longo prazo é o petróleo se tornar cada vez mais caro.

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O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.