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Denise Romano alerta: Retorno das aulas presenciais causará ampla disseminação do vírus da covid em Minas Gerais; vídeo
Denise Romano, coordenadora-geral do Sind-UTE/MG e os desembargadores que decidiram pelo retorno das aulas presenciais: Saulo Versiani, que abriu divergência em relação ao voto do relator; André Leite Praça e e Wagner Wilson Ferreira mudaram de posição. Fotos: Sind-UTE/MG e TJMG
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Denise Romano alerta: Retorno das aulas presenciais causará ampla disseminação do vírus da covid em Minas Gerais; vídeo


12/06/2021 - 08h46

Da Redação, com informações do Sind-UTE/MG

“Muito espanto, muita indignação”.

Foi como Denise Romano, coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas (Sind-UTE/MG), reagiu na última quinta-feira (10/06) à decisão da Justiça sobre a reabertura das escolas.

Por 3 votos a 2, os desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) autorizaram o retorno das aulas presenciais em toda a rede pública do estado, medida pleiteada pelo governo Romeu Zema (Novo).

“Em 27 de maio, o Tribunal de Justiça já havia formado maioria dos votos para manter a segurança dos trabalhadores em educação e da comunidade escolar”, expõe Denise.

“Porém, inexplicavelmente, em 10 de junho, o Tribunal de Justiça alterou o seu entendimento e autorizou o Estado reabrir as escolas”, diz, ainda perplexa, com a repentina mudança de votos dos desembargadores.

“A pressão do governo Zema funcionou”, supõe. “Dois dias antes o próprio divulgou que o retorno das aulas se daria a partir da decisão do TJMG”.

“Mais estranheza e perplexidade ainda porque estamos em mais um momento de agravamento da crise sanitária em nosso Estado”, adverte.

MUDANÇA DE VOTOS

Em outubro de 2020, (Sind-UTE/MG) entrou com mandado de segurança, para impedir a retomada presencial determinada pelo governo mineiro.

Primeiro, porque contrariava as medidas de isolamento social. Segundo, não havia dados que indicassem redução de casos e de óbitos.

Em liminar, os desembargadores atenderam à demanda dos trabalhadores em educação.

Na sequência, os magistrados mantiveram o mesmo entendimento em outros mandados de segurança impetrados pelo sindicato.

Em 27 de maio, eles iniciaram o julgamento do mérito.

O desembargador-relator julgou os mandados procedentes.

Três colegas seguiram o seu voto.

Resultado: 4 votos para que as aulas presenciais só ocorressem quando as medidas e os protocolos de segurança estivessem, de fato, implementados nas escolas.

Faltava um voto, o do desembargador Saulo Versiani, que havia pedido vista do processo.

Na quinta-feira,10 de junho, o julgamento foi retomado.

Versiani apresentou voto divergente do relator, argumentando que o Judiciário não poderia adentrar no mérito de ato administrativo do Executivo.

Os colegas André Leite Praça e Wagner Wilson Ferreira mudaram os seus votos, acompanhando Versiani.

Ou seja, de última hora, o resultado sofreu reviravolta.

‘JUSTIÇA DESCONSIDEROU A REALIDADE’

De quarta para quinta, quando o TJMG tomou a estranha decisão, Minas Gerais teve 11.043 novos casos de covid-19 e 319 óbitos.

Desde o início da pandemia, já são 1.657.147 casos e 42.319 mortes.

No estado, os 200 mil trabalhadores em educação da rede pública atendem 1,5 milhão de alunos sem contar as redes municipais.

E a vacinação desses trabalhadores só começou na semana passada.

“Aparentemente, a Justiça não levou em conta a realidade”, atenta Denise.

“Com a retomada das aulas presenciais, haverá amplo processo de disseminação do vírus da covid no estado”, prossegue.

“Assim, a decisão do Tribunal terá repercussão na saúde pública, na ocupação de leitos e no próprio estado”, acrescenta.

O Sind-UTE/MG vai recorrer da decisão do TJMG, tão logo o acórdão seja publicado.

“Vamos tomar todas as medidas cabíveis para garantir a vida dos trabalhadores em educação e da população do estado”,

“Vamos também denunciar as responsabilidades e consequências dessa decisão”, completa.





7 comentários

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Livio Tito

13 de junho de 2021 às 19h31

Moysés,
Não é a justiça.
Quem decide isso são os políticos. Quem financia a campanha dos políticos.
Não viaja, maluco !
Interpretação de texto: aprenda fazendo. Renato Aquino. Ou usa o péssimo livro do Cereja.

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    Zé Maria

    14 de junho de 2021 às 11h43

    Deve-se dar nome aos bois.

    No caso concreto, quem decidiu expor
    os alunos e professores ao Coronavírus
    nas escolas mineiras foi o Governador
    de Minas Gerais Romeu Zema que
    autofinanciou sua campanha eleitoral
    em 2018, porque é empresário.
    Resta saber por que os desembargadores
    do TJ-MG André L. Praça e Wagner W. Ferreira
    decidiram mudar os seus votos em favor do
    Governador Romeu Zema, eximindo-se do
    dever funcional judicial e jurisdicional.

Zé Maria

13 de junho de 2021 às 11h58

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Com 25 das 27 Unidades Federativas, inclusive MG, com Taxa de Transmissão Maior do que 1
e em alta, e os Casos permanecendo em “um Patamar absurdamente Elevado, que gera,
por consequência, um Número Altíssimo de
Internações e de Óbitos”, o “Brasil é um
Foguete parado na Estratosfera”, diz Cientista

[ Reportagem: Luis Barrucho | BBC News Br ]

Quando se ouve falar de “estabilidade da pandemia de covid-19” no Brasil, isso não significa que ela está, necessariamente, sob controle.

Pelo contrário, os casos permanecem em “um patamar absurdamente elevado, que gera, por consequência, um número altíssimo de internações e de óbitos”, diz à BBC News Brasil Isaac Schrarstzhaupt, cientista de dados e coordenador na Rede Análise Covid-19, iniciativa que reúne pesquisadores para divulgados dados e combater a desinformação sobre a pandemia.

“Eu faço uma analogia com um foguete: deixamos ele decolar e chegar até a estratosfera, e aí ele parou lá em cima. Agora está até subindo novamente”, explica.

“Para ilustrar, ontem (10/6), tivemos quase 90 mil novos casos notificados. Em um dia. Quantas internações e quantos óbitos sairão desses 90 mil casos só de um dia de notificações?”

Schrarstzhaupt alerta que desde abril tem havido uma “reversão da tendência de queda em patamares elevados”.

Apesar disso, em um último desdobramento da crise do coronavírus no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro disse ter pedido ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, um parecer para liberar vacinados e recuperados da covid de usar máscaras.
Essa ideia é criticada por especialistas em saúde pública, uma vez que mesmo quem foi vacinado ou teve a doença ainda pode contrair o vírus e transmiti-lo para outras pessoas.

Bolsonaro voltou a defender a proposta nesta sexta-feira (11/6), mas afirmou que a decisão final será de governadores e prefeitos. “Eu não apito nada”, ironizou.

O Brasil é o terceiro país em número de casos de covid-19 (17,2 milhões) e o segundo em número de mortes (482 mil).

Nas últimas 24 horas, os óbitos em decorrência da doença somaram 2.344.
São 140 dias com média móvel de mortes acima de 1 mil.

Íntegra em: (https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57440926)

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Moyses Ferreira Nunes

12 de junho de 2021 às 21h53

Enviarão as crianças, adolescentes e professores para o matadouro conscientes disso! Que tristeza ver onde chegamos… Uma justiça assim pra quem? Para benefício de quem?

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Moyses Ferreira Nunes

12 de junho de 2021 às 21h48

Já passou da hora para indiciarem criminalmente os irresponsáveis por estas atitudes. Enviarão as crianças, adolescentes e professores para o matadouro conscientes disso! Que tristeza ver onde chegamos…

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Anás Filho

12 de junho de 2021 às 19h02

Não dá para fazer nenhum curso presencial. Em escola nenhuma, em faculdade nenhuma. Em idade nenhuma.
Simples assim.
Quem teimar e meter o peito vai se ferrar de verde e amarelo.
A escola vai te dar um contrato para assinar se desenresponsabilizando se vc pegar covid e morrer. Ou seja, a escola vai tirar o dela da reta. Só quer o SEU dinheiro.
Entende ?!
Lê o contrato.
O Brasil só vacinou 11% com duas doses. Ou seja, nada.
Piorou se é criança ou adolescente, pois esses ficam pulando literalmente uns nos outros. São muito pequenos. Não entendem as regras.

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Lilio Maltac

12 de junho de 2021 às 18h12

Vai morrer os bambinos de 3,4,5,6 anos.
E os profs.
E aí o diretor da escola vai jogar a culpa na família.
País, não mandem seus filhos para escola. Não vale a pena.
É menos PREJUÍZO perder 1 ano ou 2 de escola do que perder o seu filho. A vida vale muito mais.
Não tem segurança. Isto só seria possível se todo mundo estivesse vacinado.

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