VIOMUNDO

Diário da Resistência


Beatriz Cerqueira: Venha construir conosco uma publicação inteirinha sobre o mestre Paulo Freire!
Experiência inspiradora: Beatriz Cerqueira na Escola Municipal Professor Paulo Freire, em BH
Quem luta educa

Beatriz Cerqueira: Venha construir conosco uma publicação inteirinha sobre o mestre Paulo Freire!


28/09/2019 - 11h38

por Beatriz Cerqueira*

Em 19 de setembro de 1.921 nascia em Recife o grande educador Paulo Freire, o Patrono da Educação Brasileira.

Aplaudidíssimo lá fora, é considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial.

Enquanto isso, no Brasil, especialmente desde o golpe que derrubou a presidenta Dilma, em 2016,  é alvo de ataques vis que nos envergonham perante o mundo.

Com um detalhe: partem geralmente de pessoas que nunca leram um livro de Paulo Freire nem conhecem a realidade das salas de aulas.

Por isso, mais do que nunca, precisamos colocar Paulo Freire no centro das discussões.

Precisamos explicar o que ele representa na alfabetização, como fiz no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais no dia 18 de setembro, véspera de 98º aniversário.

E farei quantas vezes forem necessárias, pois o desconhecimento dos meus colegas sobre as das salas de aula é profundo.

Quem fala que a alfabetização foi ideologizada não conhece o nosso cotidiano.

Este ano completo 23 de magistério.

Quase toda a minha experiência é com alfabetização de crianças, jovens e adultos.

— Como nós alfabetizamos?

A partir da vida concreta das crianças, do local, da comunidade em que estão inseridas.

Quem nos mostrou isso foi Paulo Freire, com a experiência belíssima de ensinar, por exemplo, o alfabeto utilizando os nomes dos colegas de classe e não mais a uva, o caqui, frutas que muitas vezes não estão na mesa do povo.

É isso mesmo. Nós paramos de alfabetizar as crianças com Eva viu a uva, porque muitas crianças não comem uva.

Então, quando começam a ler o mundo e conseguem interpretá-lo, elas, para muitas pessoas, tornam-se “perigosas”.

— Por que tanta gente tem medo de Paulo Freire?

Porque a gente aprende na escola a interpretar o mundo. E para muitas pessoas a interpretação do mundo é um perigo, porque o sistema precisa continuar como está.

A capacidade de pensamento crítico é um “problema” porque a gente começa a questionar o sistema.

Agora, a busca da plena humanidade  não pode ser feita isoladamente ou de maneira individualista, mas só na comunhão e solidariedade.

Por isso, no dia 19 de setembro, dia em que se comemora o aniversário do Patrono da Educação Brasileira, eu fiz questão de levar a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa para visitar a Escola Municipal Professor Paulo Freire, em Belo Horizonte.

O objetivo foi conhecer o projeto político-pedagógico da instituição que, desde a sua fundação, incluindo a escolha do nome, tem uma história fortemente ligada à organização e articulação comunitária.

É uma escola aberta à comunidade, que valoriza a inclusão e articula-se com diversas instâncias, como as igrejas locais, universidades e até escola de samba.

Conta com sala audiovisual, biblioteca, informática, laboratório, quadra poliesportiva e horta e todos são responsáveis por sua manutenção.

Nos finais de semana, a E.E Paulo Freire funciona como um espaço social e cultural para receber famílias, estreitando laços e permitindo que crianças e jovens ocupem o local de forma integral e saudável.

Uma experiência lindíssima. Inspiradora. Emocionante.

Por isso, convidamos você a construir conosco uma publicação inteirinha com artigos de opinião e experiências de práticas pedagógicas baseadas nos ensinamentos de Paulo.

Venha construir com a gente!

Envie seu texto ou relato de experiência até 11 de outubro para este endereço: [email protected]

*Beatriz Cerqueira é deputada estadual (PT-MG),  presidenta da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALMG e diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG).

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2 comentários

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Joao candido

30 de setembro de 2019 às 09h34

Maravilha! Paulo Freire é divinamente humano. Uma pessoa extraordinária que construiu uma pedagogia dialética, e por ser dialética inevitavelmente libertadora e libertária. Seus críticos m conhecem a dialética, precisam estudar Heráclito, Hegel, Marx e outros para terem uma ideia mais abrangente e positiva de seus ensinamentos…

Responder

a.ali

29 de setembro de 2019 às 23h24

excelente iniciativa…
orgulho do grande paulo freire!

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