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Washington Araújo: O meteorito de papel


28/10/2010 - 19h22

Colunistas| 26/10/2010 | Copyleft

DEBATE ABERTO
O Jornal Nacional e o meteorito de papel

É um processo retroalimentado diariamente: primeiro surge na coluna de Merval Pereira, depois ganha mais substância com o comentário de Lucia Hippolito na rádio CBN e pronto: logo os engenhosos e incompletos raciocínios pautarão as falas do presidenciável José Serra ao longo do dia.

Washington Araújo

Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa, via Carta Maior

Ânimos exaltados fazem aflorar ainda mais a partidarização da imprensa no corrente pleito de 2010. Esta é uma campanha presidencialsui generis. Tudo o que não é fato vira notícia e tudo o que tem potencial de notícia deixa de ser divulgado. Chama a atenção o vocabulário corriqueiro dos candidatos à Presidência da República: o adversário é sempre mentiroso, não importa qual seja a situação, a mentira antecede o depoimento, a desfaçatez nubla a face da verdade e o que acusa o outro de mentiroso age da mesma forma e sem a contração de qualquer músculo facial.

Na tarde da quarta-feira (20/10), no Rio de Janeiro, tivemos o próprio “Efeito Borboleta”: uma simples bolinha de papel, pesando não mais que 5 ou 8 gramas, bateu na cabeça do candidato José Serra. Mas foi suficiente para produzido o festejado efeito cinematográfico: ocupou espaço nobre no Jornal Nacional, edição mais que caprichada com direito a inserção de vídeo com foto, de entrevista de médico com áudio de repórter, ampliações desmesuradas com o intuito nada ingênuo de transformar o choque de uma bolinha de papel sobre um ser humano com a gravidade e contundência de meteorito se chocando com o planeta Terra.

Fabricação de realidades

A idéia da TV Globo era usar todos os recursos de dramaturgia acessíveis. Apenas a emissora líder não contava com o baixo desempenho da protagonista… Com uma bolinha de papel não dá para escrever capítulo muito emocionante, algo que seja digno de novela das 9.

A edição pareceu resultante de vitamina de atleta olímpico e tinha de tudo mesmo: bolinha de papel tocando o lado esquerdo da calva do presidenciável, caminhada de 20 minutos, presidenciável atendendo chamada no telefone celular, presidenciável passando a mão levemente sobre o lado direito da calva, presidenciável entrando na van, depois saindo da van, voltando a caminhar, e tudo isso tendo como pano de fundo bandeiras vermelhas e azuis, gritos, gente alvoroçada.

Depois corta para entrada do presidenciável em hospital, sinais de tontura e as primeiras aspas ouvidas por testemunhas de que “estou meio grogue”. Depois saindo de clínica de saúde com médico dizendo que “o candidato não sofreu qualquer arranhão… nada externo”.

Foi esse enredo que atravessou os programas dos presidenciáveis. O de José Serra, carregado de dramaticidade, tendo a locução de repórter desconhecida emulando a voz de Ilze Scamparini, aquela correspondente da TV Globo para assuntos do Vaticano e também da Itália em geral. Emula o rotineiro e grave estilo de enunciar crise cardinalícia ou mesmo morte do pontífice ou então a eleição do novo sucessor no trono de Pedro. Impressiona a avidez com que emissoras de televisão se sentem tão à vontade para criar a realidade que lhes pareça melhor, mais adequada, conveniente ou ao menos plausível.

“Misterioso caso”

Na quinta-feira (21/10), temos discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva embrulhando os parágrafos acima e amarrando todo esse minitiroteiro com barbantes apertados. O aperto de quem denuncia o conteúdo do pacote como farsa, nada mais que farsa. Até o goleiro Rojas, aquele que simulou ter sido atingido por foguete em jogo no Rio de Janeiro, foi mencionado na fala presidencial. Uma vez mais o pano de fundo era desmascarar mais mentiras, mais inverdades, mais falsidade, mais realidade fabricadas.

Na edição do Jornal Nacional de quinta-feira (21/10), repetição de cenas do arquivo do dia anterior acrescidas de aula sobre bolinha de papel, rolo de fita crepe e a teoria pouco convincente – penso – de dois eventos estanques, isolados, completamente distintos. A aula foi ministrada com raro didatismo pelo ex-professor da Unicamp Ricardo Molina de Figueiredo em um veículo e em um horário em que cada segundo vale literalmente ouro em pó. Onde a eternidade é condensada aos 5, 10 ou 15 segundos de matéria levada ao ar.

A TV Globo, ao escolher o especialista Molina, deixou claro que neste jogo quer maior protagonismo. Afinal é o mesmo Molina quem vem abastecendo dezenas de matérias produzidas pelo mesmo Jornal Nacional ao longo das décadas: Seu nome se encontra de alguma forma envolvido com casos como a compra de votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso; o acidente aéreo com os integrantes da banda Mamonas Assassinas; o pagamento de suborno no caso Waldomiro Diniz; as mortes de Celso Daniel e de Paulo César Farias; os atentados do PCC em São Paulo; e o caso da menina Eloá, em São Paulo.

Apesar da notoriedade, em suas aparições na mídia, o ex-professor Molina comumente faz declarações sobre ações da perícia criminal oficial, mesmo sem nunca ter sido perito criminal oficial. Certamente passará a lustrar mais sua fama com este “misterioso caso da bolinha de papel” na reta final da campanha presidencial de 2010.

De joelhos

Chegamos a uma encruzilhada perigosa em que a credibilidade de boa parte de nossa grande imprensa parece uma vez mais afundar: se dispomos das conclusões e se estas parecem sólidas, quase pétreas, por que não montar as variáveis do problema que possam se harmonizar de forma indolor e quase imperceptível com as conclusões? E é um processo retroalimentado diariamente: primeiro surge na coluna do jornalista Merval Pereira, depois ganha mais substância com o comentário da historiadora Lucia Hippolito na rádio CBN e pronto: logo os engenhosos e incompletos raciocínios pautarão as falas do presidenciável José Serra ao longo do dia.

Para chegar a tais conclusões basta um pouco de paciência: visitar os blogs dos citados e conferir vídeos no Youtube do presidenciável, em especial aqueles com suas aparições nos telejornais das TVs Globo, SBT, Record e Band.

O que é mais escasso no episódio é a ausência total de análises profundas por parte da grande imprensa sobre o acirramento de ânimos de parte a parte. O excesso de uso dos carimbos contendo palavras como “mentira”, “inverdade”, “falsidade”. Revistas e jornais proclamam completa independência dos partidos postulantes à Presidência da República ao mesmo tempo em que os profissionais que assinam suas matérias, colunas e também os simulacros de reportagens não fazem outra coisa que proclamar diária e semanalmente sua profissão de fé na capacidade e experiência demonstrados por seu candidato ao Palácio do Planalto. Tal profissão de fé é sempre recorrente como recorrente tem sido a demonização do tal “outro lado” que atende também pelo nome de “campanha adversária”.

Como linha auxiliar da oposição, parte considerável da grande mídia verbaliza o que pode ser apenas intuído por esta campanha. E se a “campanha adversária” decide não deixar passar em branco tão engenhosa estratégia partidária, então veremos que 10 em 10 vezes esta será atacada como atentatória à liberdade de imprensa, estará mostrando ranço autoritário, demonstrará assimetria entre a liturgia que se espera de detentor de cargo público e a função de militante político. E partem para a desqualificação mesmo…

Ao momento, a profundidade (da análise) a que me refiro é tal que uma formiga de joelhos poderia atravessar sem o menor risco de afogamento.

Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil, Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.org — Email – [email protected]



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21 comentários

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Rios

29 de outubro de 2010 às 16h02

28 de outubro de 2010
Senador, não tenho obrigação de me curvar ao poderO senador eleito Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirmou nesta quinta-feira (28) ao jornal Folha de S. Paulo que minha versão sobre o xingamento proferido por ele na última segunda-feira (25) é “mentira de petista”. Após me chamar de “pelego filho da puta”, diz o senador que sou “insolente.”
http://www.notaderodape.com.br/2010/10/senador-na

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Pafúncio Brasileiro

29 de outubro de 2010 às 13h39

Azenha,
A única coisa que sobrou legal da tal bolinha de papel foi o sambinha muito bom dos bambas lá do Rio. O sambinha avacalhou com o Zé Fujão.

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monge scéptico

29 de outubro de 2010 às 13h02

Tem razão o navegante lá em cima. Confiar na caixinha do ministrão, é ser tolo demais.
O neumané do sbt é uma figura ótima para cartunistas; não diz coisa com coisa. O ca-
-melô(sem insulto a operosa classe), é um cínico cara de pau. não tem lado; o lado para
o qual vai, é o que lhe dá mais vantagens(cara depau ou sem vergonha, hoje é moda.
O serra tá agora na tv com uma criança no colo. Coitada!! ARGH!!!

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Pedro

29 de outubro de 2010 às 12h53

A democracia da Globo é aquela que nada bem, e ganha todas as provas, nas águas das ditaduras sustentadas pelo império americano. Ela amou, ama e sente uma saudade mortal de todos os Pinochets que a democracia americana cevou na América Latina e no resto do mundo.

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Adriana

29 de outubro de 2010 às 08h14

Concordo com o Paulo.
Acrescente o tal de José Neumanne Pinto. Acordo cedo para trabalhar a acabo ouvindo esse jornal do sbt de manhã cedinho.
Ele é patético. Seus argumentos são deploráveis, sempre contra o PT e a favor do PSDB.
E fala com ar de "superioridade"… Como se fosse o dono da verdade. O único inteligente do planeta.

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    ZePovinho

    29 de outubro de 2010 às 11h27

    Esse jornalista é da Paraíba,Adriana.Ligadíssimo ao ex-gevernador,cassado duas vezes,Cássio Cunha Lima(PSDB).

    Herlan

    29 de outubro de 2010 às 14h29

    Deixei de assistir o SBT Manhã por causa desse cara insuportável. Só sabe falar mal do Lula e do PT, e imagino que agora também de Dilma.

    Deve ser representante de alguma oligarquiasinha do Nordeste. Dos poucos que ainda sobraram lá, felizmente!

    Mas ele é o porta voz do que também pensa o SBT, assim como o Jabour é o porta voz da Globo. São por esses caras, que vemos de que lado estão esses grupos de comunicação no Brasil.

Iran

29 de outubro de 2010 às 00h07

Ainda hoje dirigia ouvindo uma rádio local em Salvador, onde um ouvinte ligou acusando o PT de ser contra a imprensa livre e comparou a Hugo Chavez que fechou uma televisão na Venezuela. Uma das duas pessoas que estavam no carro comigo concordaram com o fato então iniciei o questionamento. Pedi que avaliassem quantas vezes Dilma apareceu na capa da Veja e qual o teor destas capas (sempre acusações e muitas falsas) e perguntei sobre o Serra ( na última ele aparecia rindo com ar quase angelical), perguntei sobre como todo comentário de "grandes colunistas" sobre o caso da bolinha de papel atribuiam a Lula a agressividade da campanha e no entanto perguntei quantos do carro já havia recebido telefonema e/ou panfleto falando mal da Dilma (quem começou a jogar baixo e sujo na campanha?); perguntei em quantos órgãos de imprensa já ouviram falar dos telefonemas?; perguntei quantos órgãos de imprensa tratam Serra como guerrilheiro já que ele participou de um grupo chamado AP que fez atentados na época da ditadura? e quanto a Dilma? Meu amigo ficou calado…

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Porteiro Paulo

28 de outubro de 2010 às 23h49

Faltou um dos mais sanguinolentos e raivosos (e que começa cedinho) Um tal de José Neumanne Pinto que diz que "vai direto ao assunto" o assunto dele e descer a lenha no Governo Lula e na Dilma, esse chega a sair espuma pela boca e se apresenta um pouco depois das 5 da manhã num jornaleco que se repete no SBT todas as manhãs que é o único do horário (da tv aberta)

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    V

    29 de outubro de 2010 às 01h07

    Eu achava que o Zé Pinto era obra de ficção, um robô com pouca memória e processado por um 286, representante da direita.

Baixada Carioca

28 de outubro de 2010 às 23h41

É um processo retroalimentado diariamente: primeiro surge na coluna de Merval Pereira, depois ganha mais substância com o comentário de Lucia Hippolito na rádio CBN e pronto: logo os engenhosos e incompletos raciocínios pautarão as falas do presidenciável José Serra ao longo do dia.

Eles se lêem. Eles se amam. Eles se entendem. Eles são uma coisa só: PIG.

Responder

Regina Martins

28 de outubro de 2010 às 23h19

Ele já tem um novo emprego.
Pastor de igreja. Já esteve até em reunião no Paraná. Vai ser moleza, moleza conseguir uma comunidade para abrir uma igreja…
Com todo respeito: eu sou cristã e respeito as igrejas, mas Serra e todos que dão corda a ele são ilários.

Aliás, Aécio conseguiu o inimaginável: associar-se a imagem de FHC e Serra definitivamente. Coitado do Aécio…. a Carta bem que tentou ajudá-lo… mas ai veio o PIG e bradou, às margens do Iprianga: INDEPENDÊNCIA É MORTE!!!!

O resto está ai… ele acomapnhando o Serracafetão na própria terra mineira.

Mineiros e todos nós brasieliros não merecemos isso, porque para nós MORTE É SERRA!

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    Edmilson

    29 de outubro de 2010 às 02h36

    Tõ achando que chantagearam o Aecim com a história da quebra de sigilos. Se ele não se empenhasse muuuito por Serra, iriam revelar no JN que foi ele o responsável e detonar com sua reputação (nem que fosse só após o segundo turno, para não atrapalhar o Zé). Achei-o com uma expressão meio esquisita em suas últimas aparições, no RJ e no programa do Zé pedágio.

    Regis Araxá

    29 de outubro de 2010 às 10h43

    Edmilson, perfeito seu comentário!! Também acredito que o Aecim está sendo chantageado. Pode ser também que ele está sendo grato ao Serra ,que disse defender a união civil entre homossexuais, atendendo pedido dele,Aecio, e do governador de Minas, o Anastasia. Legislando em causa própria.

    Luiza Helena

    29 de outubro de 2010 às 12h12

    Chantageado?!
    Deixem disso! Aécio tem agenda própria e ninguém que tenha pertencido à cúpula do PSDB nos últimos tempos é inocente!
    Eu acredito em duendes! Mas, em submissão de Aécio Neves à chantagem não acredito mesmo! Eles estão todos juntos e misturados!!!!

Tony Araujo - Recife

28 de outubro de 2010 às 22h42

De um amigo que é de Pena Forte no Ceará: "Quando Serra disse que a transnordestina e a transposição estavam com as obras paradas, deu vontade de entrar na TV e pegar ele…" É que as duas obras cortam as terras do pai dele que por isso detesta o Lula. Detalhe: Esse amigo é eleitor de Serra. É o coletivo prevalecendo sobre o individual, a terra cumprindo seu papel social. Tudo isso preceito constitucional.

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Ivonildo Dourado

28 de outubro de 2010 às 21h51

Azenha.
O Jornal da record acaba de veicular matéria sobre o escandalo do metrô paulista:
A Justiça deu um prazo de 48 horas para que a estatal apresente os envelopes lacrados das ocorrências da linha lilás, suspeita de fraude. A obra foi suspensa e está sob investigação pelo Ministério Público paulista. Esta não é a primeira suspeita de corrupção nas obras do metrô de São Paulo. http://noticias.r7.com/videos/justica-estipula-pr

Responder

neisão

28 de outubro de 2010 às 21h45

Comentar o que? Tenho vergonha de assistir os Programas do PSDB, sinto-me como se o candidato achasse que eu fosse um asno, sem discernimento. Deus me perdoe.
neisão

Responder

Antonio

28 de outubro de 2010 às 21h22

Azenha,

O Serra é um cara gozado. Hoje, seu horário eleitoral noturno foi ilário. Ele quer um pacto pela educação: acho que é o pacto do cacete no professor. Também, um povo muito generoso encontrou um homem muito bom no horário eleitoral dele. E Serra revelou que é ele mesmo. A gente não esperava por essa. E no governo dele saúde é prioridade. Acho que vai dar um bom dinheiro para a tchurma do PSDB. E ele vai fazer um plano eficiente para a compra de remédio. Acho que o governo vai dar o dinheiro na mão dele, para ele mesmo ir às compras – na Suíça.
Antes teve bolinha de papel, Aécio no colo, sumiço do dinheiro da Saúde, Paulo Preto, Alstom, licitação fraudulenta do metrô. Dá pra um nego desse tipo ser presidente ? Ele devia ser humorista. Ia morrer de fome, mas enfim. Ainda tem toda a extrema direita religiosa nas suas costas querendo uma fatia do poder.

Responder

    Edmilson

    29 de outubro de 2010 às 02h31

    E o pior é que no dia em que as autoridades começarem a investigar a fundo essa gente, eles, com a ajuda desse mesma mídia ordinária que está aí, recorrerão ao discurso de que o governo está perseguindo e quer calar a oposição…

silas32

28 de outubro de 2010 às 20h55

Não entendi? Ele quis dizer, no primeiro (ou segundo) parágrafo, que a Dilma tem o mesmo comportamento do SERRA?

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