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Damous:  As mortes devem ficar na cota da política desastrosa de Temer, Moreira Franco e Rede Globo
Falatório Política

Damous: As mortes devem ficar na cota da política desastrosa de Temer, Moreira Franco e Rede Globo


15/03/2018 - 11h47

Jovens Negras Movendo as Estruturas

por Wadih Damous, especial para o Viomundo

O dia 14 de março começou com professoras sendo espancadas pela polícia do prefeito João Dória, em ato de protesto contra a reforma da previdência de servidores municipais na cidade de São Paulo e terminou com a covarde execução da vereadora Marielle de Castro, do PSOL, na cidade do Rio de Janeiro.

Mas, o dia 14 de março não terminou e nem pode terminar, porque é síntese e prenúncio do que virá.

Marielle nasceu na favela da Maré, mesmo local que ficou sob intervenção do Exército por quatorze meses, ao custo de 400 milhões de reais, pela chamada Garantia da Lei e da Ordem.

Das palavras do próprio General Villas Boas: “gastamos 400 milhões de reais e devo dizer que foi um dinheiro absolutamente desperdiçado”.

A verdade é que a única política séria que se tentou implementar nas comunidades do Rio de Janeiro foram os CIEPs de Brizola, Darcy Ribeiro e Niemeyer.

O projeto foi boicotado pela Rede Globo e outros personagens políticos que ainda hoje, como espectros, estão por aí.

O projeto era muito mais que educacional, pois resgatava a dignidade de milhares de crianças que se alimentavam de luz.

Depois disso, a única política pública que chegou nessas comunidades foi a do fascismo do estado policial.

Em 1998, Marielle teve a sorte de frequentar o primeiro curso pré vestibular comunitário na Maré, formou-se socióloga pela PUC/RJ, com mestrado pela Universidade Federal Fluminense.

É daquelas histórias de vida que contrariam o destino traçado e imposto por uma sociedade cruel, assentada sobre a exploração de classe, formada sob a lógica do consumo e que oprime, mata e estraçalha vidas humanas sem qualquer pudor.

As mortes de Marielle e do motorista Anderson Pedro Gomes devem ficar na cota da política desastrosa de Temer, Moreira Franco, Rede Globo e outros deletérios personagens da atual quadra da vida brasileira que, ao mesmo tempo em que aprofundam fossos sociais com a retirada criminosa de direitos de milhões de pessoas, irresponsavelmente tentam transformar a tragédia social do Rio de Janeiro em caso de espetacularização midiática.

As mortes do dia 14 de março retiraram o véu que tenta encobrir a farsa da intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro e farão refluir o discurso do ódio que prega a morte, praticado por protofacistas como Bolsonaros e outros trágicos exemplos desses tempos. Refluirá por alguns dias apenas, no entanto, se não formos capazes de transformar a indignação em ação.

Felizmente, é o que se vê com atos marcados em oito capitais brasileiras.

Que assim como a vida, a morte de Marielle se torne um impulso da luta contra o extermínio da população pobre e negra no Brasil, da violência contra a mulher e contra o fascismo que já se instalou por aqui.

Não é casual que no mesmo dia em que o rosto de professoras seja coberto pelo sangue do cassetete de homens como João Dória, uma jovem mulher negra seja assassinada no Rio de Janeiro, provavelmente a mando de homens brancos e agentes do Estado.

Em sociedades terrivelmente desiguais como a nossa, o neoliberalismo só se sustenta com a violência contra os corpos de mulheres, jovens e de todos aqueles que ousam erguer sua voz e denunciar.

Que essa trajetória de vida belíssima nos sirva de exemplo e coragem para seguir lutando e que a indignação contra essa tragédia possa servir para alterar essa lamentável conjuntura.

Antes de ser covardemente assassinada, Marielle participou de um evento com o nome que resume bem tudo isso: “jovens negras movendo as estruturas”.

Wadih Damous é deputado federal (PT-RJ) e ex-presidente da OAB-Rio

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15 comentários

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Eduardo

15 de março de 2018 às 19h25

Luiz Fux declarou publicamente estar ”chocado” com a morte de Marielle! Este é o Ministro mais “chocado”do Brasil! Ele se choca com tudo. Quando ouço essa palavra me lembro sempre dele. Ele é um ministro chocado, que se choca com tudo, menos com o auxílio moradia imoral que aprovou! Eu estou chocado com a sua cara de pau, já que nunca o ví sem peruca!

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    Julio Silveira

    16 de março de 2018 às 07h49

    Rsrsrs, você foi no ponto. Essa gente hipocrita só se choca com o obvio, como jogada de efeito de marqueting do politicamente correto. Mas camuflam suas anomalias morais.

Eduardo

15 de março de 2018 às 19h08

O imundo Carlos Marun declarou que : “ o que aconteceu com Marielle é “só mais uma prova de que a intervenção está certa”. Na cabeça dele a vida de Marielle nada vale” O importante é o marketing da intervenção”

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Julio Silveira

15 de março de 2018 às 17h26

Que mais isto sirva de lição aos coxandelas que por sua covardia e falta de convicção ideologica acreditam na regeneração de uma camarilha de degenerados, a ponto de os incluirem em seus planos de retomada de poder democratico. Essa gente que calca fundo na critica a partidos que concorrem na mesma linha ideologica, sempre criando barreiras a uma unidade, mas que de forma estranha e tacanha permitem portas abertas as oligarquias quadrilheiras especializadas nos diversos meios de poder, que dominam os cenarios nacionais a decadas repassando suas expertises de manutenção de poder a seus descendentes.

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Fábio Lima

15 de março de 2018 às 16h25

Ué, e Sérgio Cabral e seus mais entusiastas opiadores, Lula e Dilma , não têm nada a ver com isso ??

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    leonardo-pe

    16 de março de 2018 às 13h52

    mais 1 que acaba de passar recibo. é fã da grande imprensa e a defende com unhas e dentes. coitado.

José Guilherme

15 de março de 2018 às 15h34

Digo: lukas, tu és um imbecil!

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José Guilherme

15 de março de 2018 às 15h32

Li mas, tu és um imbecil!

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L'Amie

15 de março de 2018 às 15h03

Quem alguma vez jogou no lixo um Diamante lapidado, quem jogou uma Aliança de ouro filigranada em prata no lixo. Quem tirou a vida valiosíssima de um Diamante raro, encastoado em uma choupana. É o que foi feito com essa maravilhosa criatura. Uma joia, auto lapidada, que chegou à vitrine da joalheria. Que por ofuscar com seu brilho alguns cascalhos de nulo valor foi esmagada, despedaçada pela inveja, ciúmes, arrogância e insensatez destes. Façamos destes fragmentos uma coroa e que com seus multiplos focos irradie sobre nossas consciências a luz da liberdade, do nacionalismo, da fraternidade e do amor ao próximo. Que a piedade Divina desça sobre estes infelizes causadores desta imensa tragédia, pois sofrerão profundamente.

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    leonardo-pe

    16 de março de 2018 às 13h54

    mais 1 que passa recibo. é fã da grande imprensa.

Lukas

15 de março de 2018 às 14h55

Felizes com um cadáver.

Fico imaginando a felicidade com a notícia da morte da vereadora. A Primeira pergunta que vocês se fazem é: como atingir a Globo com a morte de uma vereadora do Rio pela polícia militar.

Respeitem a falecida e esperem, pelo menos, o enterro para fazerem uso político de sua morte. A família não merece.

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    Fábio Lima

    15 de março de 2018 às 16h26

    Acho que você está pedindo demais !

    Julio Silveira

    15 de março de 2018 às 17h46

    Agora só falta vc daí, do baixo da sua sabedoria, com a estatura de uma larva, vir afirmar que ela praticou suicidio sendo seguida por seu motorista, ou então que foi premeditado e encomendada por sua gente para criar essa comoção. Ora faça-nos um favor, cale-se, magda.

    leonardo-pe

    16 de março de 2018 às 13h57

    Lukas é mais 1 que passa recibo. sou fã da imprensa. triste ver essa sociedade brasileira indo atrás da hipocrisia dessa imprensa.

FrancoAtirador

15 de março de 2018 às 14h29

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Se a Intervenção Militar no Rio de Janeiro é Federal, Então esse Atentado à Bala
Contra a Esquerda Política – Representado pela Execução Sumária da Vereadora do PSol –
é de Responsabilidade do Governo Federal, por Negligência, no Mínimo.
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