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Cartas de Minas
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Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio, era relatora de comissão que fiscaliza a intervenção; “es­tamos sempre sob ameaça da perda de bens, pra não falar da pró­pria vida”

14 de março de 2018 às 23h42

O texto sobre a vereadora e o Caveirão nas ruas de Acari, fotografado por um morador

“Todos os indícios são de crime político. Marielle foi alvejada e nada foi roubado, ao que tudo indica. Ela vinha denunciando a violência policial na comunidade do Acari. Exigimos apuração imediata!” Juliano Medeiros, presidente nacional do Psol, no twitter

Da Redação

A vereadora Marielle Franco, do Psol, foi morta esta noite no Estácio, centro do Rio de Janeiro.

Dois homens atiraram contra o carro em que ela estava e fugiram. O motorista da vereadora, Anderson Pedro Gomes, também morreu, mas uma assessora sobreviveu com ferimentos.

Marielle era relatora de uma comissão formada pela Câmara Municipal do Rio para acompanhar a intervenção federal.

A Comissão de Representação de Acompanhamento da Intervenção Federal na Segurança Pública do Rio é formada por 18 vereadores.

“Nós temos lado e somos contra essa intervenção. Já nos posicionamos sobre isso. Sabemos que ela é uma farsa, com objetivos eleitoreiros”, diz o texto que anunciou a relatoria para a qual ela havia sido indicada na página da vereadora no Facebook.

Nascida na Maré, Marielle foi eleita com 46.502 votos.

Era formada em Sociologia (PUC-Rio) com mestrado em Administração Pública na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Sua tese teve como tema “UPP: a redução da favela a três letras”.

A carreira da vereadora sempre foi marcada pela defesa dos direitos humanos.

Nos últimos dias, Marielle vinha denunciando a ação da Polícia Militar em Acari, na zona Norte do Rio.

No sábado, 9 de março, escreveu:

Sábado de terror em Acari! O 41° batalhão é conhecido como Batalhão da Morte. É assim que sempre operou a polícia militar do Río de Janeiro e agora opera ainda mais forte com a intervenção. CHEGA de esculachar a população. CHEGA de matar nossos jovens.

No dia seguinte, acrescentou:

Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior.

Nas redes sociais, ela compartilhou postagens do Coletivo Fala Akari.

O coletivo, por sua vez, havia indicado um texto da Revista Vírus narrando os acontecimentos recentes no bairro:

#PRAYFORPRAÇASÃOSALVADOR E A POLÍTICA DO TERROR EM ACARI

Por Buba Aguiar

No último dia 07 de março ocorreu um episódio trágico numa praça de Laranjeiras, Zona Sul do RJ.

Pessoas em um carro passaram atirando para executar um homem, que revidou.

O ocorrido resultou em duas pessoas mortas e uma baleada.

No dia seguinte (08/03), todos os veículos de comunicação da chamada grande mídia (Globo, SBT, Record e Band) passaram muitas horas na praça fazendo matéria sobre o que aconteceu.

Uma amiga chegou no trabalho dizendo que os jornalistas estavam fazendo filmagem do sangue que ainda estava no chão, isso já de tarde (e o negócio aconteceu tarde da noite do dia anterior).

E eu perguntei:

– “Ué, o sangue ainda tá lá?!”

E ela, ironicamente, respondeu:

– “Miga, esse povo aqui da ZS não sabe o que é pegar balde pra lavar sangue de morto na porta deles não, quem faz isso direto é a gente.”

Em Acari tivemos duas execuções extrajudiciais cometidas por policiais do 41ºBPM na segunda-feira da mesma semana (05/03) e por conta de inúmeras burocracias os corpos só puderam ser velados e enterrados na quarta, dois dias depois.

Mesmo com a repercussão que o ocorrido em Acari tomou, nada foi falado nessa mídia corporativa.

Ainda assim por conta do nosso grito pensamos que até o final dessa semana o 41ºBPM não faria nenhuma operação em Acari.

Estávamos enganados.

Operação oficial não teve mesmo.

Mas na quinta-feira mesmo eles entraram com o blindado, que chamamos de caveirão, pela localidade do Amarelinho dando tiros, no horário de crianças saírem das escolas, causando correria, medo, pânico e tudo o que a gente já sabe que acontece quando esses policiais entram.

Menos de uma hora depois foram embora como se nunca tivessem entrado lá.

No dia seguinte a mesma coisa, eles quebraram uma cancela que tem na localidade da Beira Rio passando por cima da cancela dando tiros.

Caveirão entrou de novo pelo Amarelinho também causando terror. E menos de uma hora depois foram embora.

Sabem o que é isso? Política do medo, do terror, da tentativa de nos calar.

Nenhuma das duas ações foram operações oficiais, nem mesmo a de segunda-feira foi oficial.

Diante das nossas denúncias eles devem estar “acuados” em fazer operação pois estamos em alerta, porém fazem essas ações de entrar com o caveirão, dar tiro e sair, em retaliação às nossas denúncias.

E na mídia? Ninguém fala um ai.

Há quase 2 anos atrás quando ocorreu a última chacina em Acari, ocorreu também a morte de um homem em Manguinhos, estive lá com alguns amigos.

Os moradores de Manguinhos disseram ter entrado em contato com essa mídia nojenta e eles mentiam dizendo que iriam para o local e não apareceram.

Depois disso eu e alguns companheiros fomos para Acari, havia muito trabalho a ser feito lá.

Chegando em Acari soubemos que alguns jornalistas da Globo e de uma outra emissora grande, SBT se não me falha a memória, foram em Acari e gravaram uma matéria superficial na frente do hospital, não chegaram nem a entrar na favela, não procuraram as famílias, nem nada.

Depois fomos para o IML encontrar os familiares dos jovens que foram executados.

No caminho tivemos que ouvir de um editor de um jornal do grupo Globo que ninguém tinha ido para Manguinhos porque TODO MUNDO TINHA IDO PRA ONDE TINHA MAIS MORTOS.

No artigo 5º da constituição federal diz: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

No artigo 1º da Declaração de Direitos Humanos diz: Artigo 1, Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.

Porém quando o sangue de pessoas de uma raça e classe x recebe mais atenção do que o sangue das pessoas de raça e classe y.

E quando a violência do estado (leia-se violência policial mesmo) numa favela só recebe atenção quando amontoamos corpos numa espécie de holocausto carioca, é necessário e cada vez mais urgente parar para analisar e decidir: de que lado você samba, você samba de que lado?

Eu já escolhi o meu.

Intervenção federal no Rio: “leilão do Estado e falta de investimento nos profissionais da segurança”

Gabriel Brito, no Correio da Cidadania

24/02/2018

Reprodução parcial

Cor­reio da Ci­da­dania: Em pri­meiro lugar, como ana­lisa a in­ter­venção do go­verno fe­deral na se­gu­rança pú­blica do Rio de Ja­neiro?

Ma­ri­elle Franco: Com re­ceio e pre­o­cu­pação. Já senti na prá­tica o que é dormir e acordar com ba­rulho de tanque, re­vistas e di­versas vi­o­la­ções de di­reitos, o que nos faz, fa­ve­lados e fa­ve­ladas, ter muita apre­ensão. Não só pela pers­pec­tiva do de­bate po­lí­tico e teó­rico. Na Maré, que é minha casa, meu lugar de vida, foram 14 meses de ocu­pação da Força Na­ci­onal na época das Olim­píadas. Des­pre­paro, vi­o­lação e vi­o­lência foram a ro­tina.

Além disso, tem a questão da des­con­ti­nui­dade da po­lí­tica, um ponto im­por­tante. Foram 14 meses, com avanço pra cima do va­rejo do trá­fico ar­mado e recuo da parte deles, mas a pos­te­riori não houve ne­nhum tipo de con­ti­nui­dade. O foco no va­rejo não re­solve.

A po­pu­lação da Maré mais uma vez se vê sob o jugo de muitos fuzis, seja das Forças Ar­madas, da PM ou do crime. É um ele­mento que vul­ne­ra­bi­liza quem mora lá. E a po­lí­tica pú­blica de se­gu­rança, ao invés de pensar numa pers­pec­tiva in­clu­siva, ci­dadã, com al­ter­na­tivas ao va­rejo da droga, in­fe­liz­mente chega com a mão forte do ge­neral. Por isso vejo tudo com muito re­ceio.

Cor­reio da Ci­da­dania: O que você viu com os pró­prios olhos nestes pri­meiros dias de in­ter­venção?

Ma­ri­elle Franco: Sei que a per­gunta não visa o as­pecto téc­nico por si só, mas 2018 é um ano elei­toral. Se con­si­de­rarmos as ocu­pa­ções do Com­plexo do Alemão ou da Maré, vemos que foram em anos elei­to­rais.

O pri­meiro sen­ti­mento que po­demos tirar das ruas é o re­flexo pelo es­tado do Rio, em todos os as­pectos que pre­ci­samos dar conta: ser­vi­dores sem sa­lá­rios, um sis­tema de trans­porte que não fun­ciona, uma ci­dade e re­gião me­tro­po­li­tana que não têm con­di­ções de dar ga­ran­tias de di­reitos so­ciais a seus mo­ra­dores…

Ti­vemos re­cen­te­mente duas ou três chuvas com ala­ga­mentos pela ci­dade. Enfim, existe uma pre­o­cu­pação em torno da grande po­lí­tica a res­peito de como lidar com todo esse con­texto.

No en­tanto, ob­je­ti­va­mente, já temos al­guns re­flexos. É cedo para uma ava­li­ação de­fi­ni­tiva, mas pre­ci­samos pensar na di­fe­rença entre o De­creto de Ga­rantia da Lei e da Ordem (GLO) e este pro­cesso de in­ter­venção fe­deral, num es­tado da di­mensão do Rio, en­quanto as ope­ra­ções ocorrem.

Vi­vemos a ope­ração na fa­vela da Maré, mas também na Ci­dade de Deus, por meio de forças mi­li­tares que já atu­avam quando co­meçou a vi­gorar o GLO, que entra na dis­cussão do mo­mento.

Agora, tais ope­ra­ções pa­recem ter mais apelo e le­gi­ti­mi­dade pe­rante a so­ci­e­dade, mas não há uma mu­dança tão apa­rente em termos de cir­cu­lação na ci­dade. Não dá pra ver se as pes­soas estão cir­cu­lando mais ou menos, se sen­tindo me­lhores, se há ga­ran­tias de que os ín­dices de le­ta­li­dade vão di­mi­nuir. Até porque não é a partir daí que a in­ter­venção se dá.

De todo modo, o sen­ti­mento de in­se­gu­rança é ge­ne­ra­li­zado e nas fa­velas é ainda maior. E o que es­tamos vendo, nas áreas po­bres da ci­dade, é o abuso, as ações to­tal­mente inó­cuas no com­bate à vi­o­lência – aliás, são elas pró­prias vi­o­lentas e in­cons­ti­tu­ci­o­nais –, como re­vistar mo­chila das cri­anças e fo­to­grafar ci­da­dãos.

Além de não coibir a cri­mi­na­li­dade, cri­mi­na­liza a po­breza. Armas e drogas não brotam nas fa­velas. Os que as fi­nan­ciam, e lu­cram com o mer­cado da cri­mi­na­li­dade, estão bem longe dali.

Cor­reio da Ci­da­dania: O que pensa das dis­cus­sões téc­nico-po­lí­ticas que tomam conta dos no­ti­ciá­rios prin­ci­pais? Para quem vive nos lo­cais ocu­pados pelo exér­cito tem muita di­fe­rença em re­lação a ou­tras in­cur­sões mi­li­tares, como as já men­ci­o­nadas, isto é, não chega a ser al­ta­mente in­sen­sível uma apre­ci­ação me­ra­mente téc­nica dos acon­te­ci­mentos?

Ma­ri­elle Franco: Acho que sim. Dis­cute-se com poucos ele­mentos. Mas tra­balho com dois pa­ra­lelos. A in­sen­si­bi­li­dade e o des­res­peito com o fa­ve­lado e também os pró­prios po­li­ciais. O Braga Neto (no­meado chefe da in­ter­venção fe­deral) es­tava de fé­rias. O mesmo grupo go­verna o Rio desde 2007, o ex-se­cre­tário Ro­berto Sá (exo­ne­rado nesta se­gunda, 19 de fe­ve­reiro) se­guia a linha do an­te­rior, Ma­riano Bel­trame, que tinha algum nível de pres­tígio, se po­demos dizer assim, pelo menos para quem via de fora. Temos au­to­ri­dades que ficam sa­bendo das coisas pela im­prensa. A in­sen­si­bi­li­dade e des­res­peito se di­rigem a todos os mo­ra­dores da ci­dade.

Foi feita uma en­quete com duas per­guntas, a pri­meira se a pessoa era contra ou a favor da in­ter­venção, a se­gunda sobre se acre­di­tava nos seus re­sul­tados. De um dia pra outro a apro­vação já tinha caído de 80% pra 60%.

Há des­res­peito e in­sen­si­bi­li­dade, sim, mas quem já viveu o con­fronto sabe que al­guns corpos da ci­dade são mais des­res­pei­tados.

Por­tanto, o de­bate da sen­si­bi­li­dade não existe porque esses corpos não são vistos como pes­soas pas­sí­veis de res­pei­ta­bi­li­dade. A abor­dagem aqui co­lo­cada é boa, pois também diz res­peito ao pró­prio ofi­ci­a­lato, aos agentes da se­gu­rança pú­blica que também de­ve­riam ter di­reito a outra po­lí­tica pú­blica de se­gu­rança.

Cor­reio da Ci­da­dania: Que re­sul­tados você con­si­dera mais pro­vá­veis para esta me­dida?

Ma­ri­elle Franco: Eu pre­firo ir pelo oti­mismo: que con­si­gamos manter o pro­cesso de­mo­crá­tico de 2018 em curso e as forças de se­gu­rança en­tendam que não há so­lução sem diá­logo com pro­fis­si­o­nais da área, praças, po­li­ciais civis, mo­ra­dores de áreas ocu­padas, so­ci­e­dade civil or­ga­ni­zada.

Ao não se so­lu­ci­onar o pro­blema e a in­ter­venção se con­so­lidar como algo que não re­solve, só o diá­logo po­derá re­solver.

In­ter­venção mi­litar é farsa. E não é con­versa de hashtag. É farsa mesmo.

Tem a ver com a imagem da cú­pula da se­gu­rança pú­blica, com a sal­vação do PMDB, tem re­lação com a in­dús­tria do ar­ma­men­tismo…

Há uma série de fa­tores que me levam a essa con­vicção. Uma ação mi­diá­tica. Não à toa o Temer se reuniu com seu time de mar­que­teiros para ava­liar os im­pactos do anúncio da in­ter­venção, saiu nos jor­nais.

Nós da Maré, em toda sua ex­tensão, desde o Caju, na fun­dação Oswaldo Cruz, até o final, em Ramos, tí­nhamos dois ba­ta­lhões, o 24º BIP (Ba­ta­lhão de In­fan­taria Blin­dada, do Exér­cito), e o Ba­ta­lhão de Po­lícia Mi­litar, se­pa­rados por uma dis­tância de uns 500 me­tros, além do CPOR (Centro de Pre­pa­ração de Ofi­ciais da Re­serva).

Um deles é bem perto da Ave­nida Brasil, com o qual con­vivo desde que me en­tendo por gente. Já fui em for­ma­tura de amigos que de­pois de cum­prirem ser­viço mi­litar ti­veram ali suas ce­rimô­nias.

Assim, vi de perto como é o Exér­cito ou o ba­ta­lhão ocupar por tanto tempo esse es­paço. Além do mais, a con­vi­vência entre eles é apenas tá­cita e ter­ri­to­rial, sem in­te­ração.

Por­tanto, a ocu­pação em si dos es­paços não deve re­solver a questão, como sempre vimos.

Cor­reio da Ci­da­dania: Como fica po­si­ci­o­nado o go­verno Pezão nesta si­tu­ação com traços iné­ditos, ao menos em termos for­mais po­lí­tico-ju­rí­dicos?

Ma­ri­elle Franco: Olha, o Fora Pezão só perde para o Fora Temer. Am­pli­ando um pouco a visão, o pro­cesso de de­cretar ca­la­mi­dade não de­veria partir apenas da questão da se­gu­rança, de­veria abarcar vá­rios âm­bitos, como a Uni­ver­si­dade.

O Rio está em fran­ga­lhos, sem re­cursos e go­ver­nado por quem não tem le­gi­ti­mi­dade.

Assim, Pezão dá uma car­tada, pois sabe como mexer as peças do ta­bu­leiro, no sen­tido de se apro­veitar do medo num mo­mento em que as pes­soas se res­guardam cada vez mais, pois da zona norte à zona sul es­tamos sempre na imi­nência de con­fronto e ti­ro­teios, dentro e fora das fa­velas.

Es­tamos sempre sob ameaça da perda de bens, como carros e ce­lu­lares, pra não falar da pró­pria vida…

Ele apro­veita tudo isso e dá uma ta­cada de mestre, por assim dizer, pois usa o medo das pes­soas, já que uma par­cela da so­ci­e­dade, in­fe­liz­mente, ainda acre­dita em tal tipo de so­lução.

Pre­ci­samos de res­pon­sa­bi­li­dade com o pro­cesso his­tó­rico, ou seja, ana­lisar as in­ter­ven­ções mi­li­tares e ocu­pa­ções em épocas elei­to­rais, quais as saídas e le­gi­ti­mi­dade de um go­verno que sofre pe­didos de im­pe­a­ch­ment e deve sa­lá­rios a ser­vi­dores.

O dé­cimo ter­ceiro de 2017 não foi pago ainda. O or­ça­mento da se­gu­rança de 2017 tem zero reais em in­ves­ti­mentos de qua­li­fi­cação dos pro­fis­si­o­nais da se­gu­rança. E o su­jeito ainda de­cide por uma in­ter­venção.

Assim, Pezão usa o senso comum pra res­pirar um pouco. Bem de acordo com a his­tória do PMDB, faz um mo­vi­mento de cú­pula, que leva a ci­dade à fa­lência e de­pois joga a culpa no outro, como se Pezão não fosse vice do Ca­bral.

Neste mo­vi­mento todo, ele con­segue res­pirar e ga­nhar tempo, avan­çando um pouco no pró­prio ima­gi­nário da po­pu­lação do Rio, in­fe­liz­mente.

Mas es­pero que não só na prá­tica como também com os ele­mentos como a cor­rupção, re­la­ções po­lí­ticas com Mo­reira Franco, Ca­bral, Edu­ardo Cunha, o es­tado do RJ com­pre­enda a jo­gada po­lí­tica e elei­to­reira.

Serve para o PMDB res­pirar, mas vul­ne­ra­bi­liza toda a po­pu­lação.

Cor­reio da Ci­da­dania: No âm­bito po­lí­tico fe­deral, o que pensa da ideia de Mi­chel Temer de criar o Mi­nis­tério da Se­gu­rança Pú­blica, que ab­sor­veria al­gumas prer­ro­ga­tivas do Mi­nis­tério da Jus­tiça, ou no­mear um mi­nistro ex­tra­or­di­nário caso a nova pasta não se efe­tive?

Ma­ri­elle Franco: Segue a mesma linha da res­posta an­te­rior: apro­veitar o de­bate da se­gu­rança pra se salvar e apostar em algum Jung­mann da vida pra can­di­dato, ou ainda se salvar e re­verter sua imagem.

Também se deve ao mo­mento de con­ser­va­do­rismo atroz que vi­vemos, que faz Bol­so­naro avançar nas pes­quisas.

A onda da po­lí­tica de di­reitos hu­manos, li­ber­dades, cons­truídas nos úl­timos anos, fa­lando de ra­cismo, igual­dade de gê­nero, avanço de coisas como o Pro­grama Na­ci­onal de Di­reitos Hu­manos, que sob o go­verno do PT, mesmo com todas as crí­ticas, avan­çaram, agora cede lugar ao con­ser­va­do­rismo que quer negar tudo como so­lução pra crise.

Não tem mais mi­nis­tério de Di­reitos Hu­manos ou das Mu­lheres, mas querem criar um Mi­nis­tério de Se­gu­rança que tra­ba­lharia apenas pela ló­gica ar­ma­men­tista. Em suma, é só mais uma jo­gada.

Cor­reio da Ci­da­dania: O que co­menta da en­tre­vista do ge­neral Edu­ardo Villas-Boas, a dizer “temos que agir com a ga­rantia de que não ha­verá outra Co­missão da Ver­dade”?

Ma­ri­elle Franco: Ele só pede li­cença pra vi­olar. O pró­prio in­forme do Exér­cito apre­senta a ideia de que as ins­ti­tui­ções de­mo­crá­ticas, se atu­arem com si­nergia e acom­pa­nha­mento, podem com­pro­meter sua atu­ação.

É quase a linha Bel­trame, “pra fazer ome­lete tem de que­brar ovos”, “po­demos ter perdas, mas são ne­ces­sá­rias pra manter a ordem”.

Enfim, não po­demos aceitar nem o dis­curso puro da ordem e nem o da li­cença pra tudo. O ge­neral quer o que, li­cença pra tor­turar e de­sa­pa­recer?

Pois as Co­mis­sões da Ver­dade tra­ba­lham também a questão do mo­ni­to­ra­mento de dados, da in­for­mação, coisas sobre as quais sempre se quis negar acesso.

Ele quer se de­so­brigar de prestar contas, quer se des­pre­o­cupar das re­la­ções so­ciais mais am­plas? É muito pre­o­cu­pante. O ge­neral quer li­cença pra vi­olar.

Cor­reio da Ci­da­dania: Con­si­de­rando a eu­foria econô­mica que o RJ viveu nos úl­timos anos, como lidar com este mo­mento? Como se chegou tão fundo na crise, com des­do­bra­mentos de vi­o­lência tão alar­mantes?

Ma­ri­elle Franco: Passa pela au­sência e leilão do Es­tado, passa pela com­pac­tu­ação com grupos cri­mi­nosos…

Se pe­garmos o de­bate da vi­o­lência, passa pelo trá­fico, pela dis­puta de grupos pelo seu co­mando, passa também pelas mi­lí­cias, já que existe um de­bate moral a res­peito do que faz al­guns agentes da po­lícia en­trarem em fac­ções de mi­li­ci­anos. Há ainda a questão da re­gu­la­men­tação do bico do po­li­cial, o não aper­fei­ço­a­mento dos pro­fis­si­o­nais, o de­bate hi­e­rár­quico entre as po­lí­cias…

E, mesmo sendo re­dun­dante, tem a ne­gação de di­reitos a esta po­pu­lação, claro.

Meu exemplo con­creto, também sobre os mo­ra­dores da Maré: em 1997, 98, quando co­me­çaram os cur­si­nhos pré-ves­ti­bular, a pro­porção de alunos uni­ver­si­tá­rios no local era de 1% da po­pu­lação, igual o nú­mero de fun­ci­o­ná­rios do trá­fico.

Hoje, temos cerca de 10% da po­pu­lação local na uni­ver­si­dade, mas graças a cur­si­nhos po­pu­lares e co­mu­ni­tá­rios pro­mo­vidos pela so­ci­e­dade civil, não por po­lí­ticas pú­blicas.

Há 10, 15, 20 anos com­pre­en­demos que era im­por­tante a po­pu­lação am­pliar seu re­per­tório, avançar eco­no­mi­ca­mente, am­pliar seu es­pectro cul­tural… É aí que falo do leilão de um Es­tado au­sente nas áreas fa­ve­ladas e pe­ri­fé­ricas.

A Maré tem ba­ta­lhão, Re­gião Ad­mi­nis­tra­tiva, De­tran, uma série de ór­gãos.

O que jus­ti­fica ca­veirão, como vimos nesta quinta, e toda essa ope­ração onde se in­cide no va­rejo do trá­fico de drogas se o Es­tado está ali pre­sente? Aliás, pre­sente de que modo?

Essa crise passa pelo não in­ves­ti­mento e aper­fei­ço­a­mento da se­gu­rança pú­blica e seus pro­fis­si­o­nais, pela ne­gação do di­reito a uma po­lícia ci­dadã ou o que vi­esse a ser isso.

A Maré não teve UPP, por exemplo. Porém, olhamos a Ro­cinha e vemos a des­mo­ra­li­zação através do caso Ama­rildo. Ou para o Caju, onde parte da qua­drilha que le­vava arma para o trá­fico era da pró­pria UPP local.

Enfim, tem a au­sência e leilão do Es­tado, e também sua de­sor­ga­ni­zação in­terna como ele­mentos que levam ao acir­ra­mento da crise.

Fora isso, existem ou­tros de­bates, da mo­der­ni­dade, do ter, do per­tencer, de qual corpo passa pela fa­vela e é o ele­mento sus­peito, ou quando e por que não é ele­mento sus­peito.

Se você está no Ca­tete ou no Largo do Ma­chado, numa re­gião cen­tral ou sul da ci­dade, com uma par­cela da so­ci­e­dade a dispor de um nú­mero maior de vi­a­turas, ha­verá uma de­ter­mi­nada sen­sação de se­gu­rança.

As mesmas vi­a­turas em certas áreas passam a sen­sação oposta, de in­se­gu­rança.

A au­sência do di­reito à ci­dade para tantos se­tores da po­pu­lação também faz parte do pro­cesso de acir­ra­mento da crise so­cial que nos levou ao ponto em que che­gamos.

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Gustavo Horta

15/03/2018 - 13h16

Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio, era relatora de comissão que fiscaliza a intervenção; “es­tamos sempre sob ameaça da perda de bens, pra não falar da pró­pria vida”
> https://gustavohorta.wordpress.com/2018/03/15/marielle-franco-vereadora-assassinada-no-rio-era-relatora-de-comissao-que-fiscaliza-a-intervencao-es%c2%adtamos-sempre-sob-ameaca-da-perda-de-bens-pra-nao-falar-da-pro%c2%adpria-vida-2/

….“Todos os indícios são de crime político. Marielle foi alvejada e nada foi roubado, ao que tudo indica. Ela vinha denunciando a violência policial na comunidade do Acari. Exigimos apuração imediata!” Juliano Medeiros, presidente nacional do Psol, no twitter

Da Redação

A vereadora Marielle Franco, do Psol, foi morta esta noite no Estácio, centro do Rio de Janeiro.

Dois homens atiraram contra o carro em que ela estava e fugiram. O motorista da vereadora, Anderson Pedro Gomes, também morreu, mas uma assessora sobreviveu com ferimentos.

Marielle era relatora de uma comissão formada pela Câmara Municipal do Rio para acompanhar a intervenção federal.

A Comissão de Representação de Acompanhamento da Intervenção Federal na Segurança Pública do Rio é formada por 18 vereadores. ….

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L'Amie

15/03/2018 - 11h56

As coisas se repetem e nada se faz para que não continuem a se repetir. Não precisa ter diploma de coisa alguma, não precisa ser Sherlock Holmes para se dizer o nome dos responsáveis desta barbárie. Um simples analise dos acontecimentos ocorridos nos últimos 4 anos e chegaremos aos facinoras desta tragédia. Que pessoas tem tamanho interesse nesta EXECUÇAO encomendada. Quantos são os beneficiários e por que o são ? A câmara, la tem uma quadrilha regida pela fetranspor, logo não tem moral para cobrar nada. Ela vai fazer o de sempre, deixar que a lentidão nos canse e nos leve ao esquecimento; assim tudo voltará à estaca zero, até que um novo e semelhante fato ocorra. Alguns pilantras correrao a homenageá-la co uma plaquinha de plástico afixada num vazadouro reurbanizado dentro de qualquer favela. Que coisa, uma criatura luta, se diploma, coloca-se em favor do próximo e é assim tratada por estas feras irracionais. Dá nojo. Mais ainda quando o nome é Cabral, Pezão, Franco, Temer, Moro, Dallagnol, Dodge, Mendes, FHC, Silva, ……………. etc

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Eduardo

15/03/2018 - 11h43

Agora tem muito que se falar, os golpistas criaram varias frentes para que o povo possa atacar! Dentro de breve tempo não se falará nos grandes políticos Romero Jucá e Aécio Neves( homens limpos e exemplo para os jovens políticos) José Serra (um dos maiores chanceleres da historia do Brasil) assim como estão quase esquecidos os bandidos Eduardo Cunha, Marcelo Odebrecht, Geddel e outras dezenas de ladrōes! Há coisa mais triste e humilhante para uma mãe? E o ser deplorável Temer?O Brasil está perdido! Estamos todos perdidos! Chamem os americanos para cuidar de nós!

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FrancoAtirador

15/03/2018 - 10h33

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Intervenção Militar para dar Cobertura ao Esquadrão da Morte PM.
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Eduardo

15/03/2018 - 09h44

Passaram-se 50 anos! Os sujos não se limparam! Voltam sujos!

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Julio Silveira

15/03/2018 - 07h12

Os criminosos comandam o Brasil acobertados pelos seus cumplices midiaticos que recebem e bem pelos favores da ocultação. O Brazil tem sido construido por mafiosos de direita que não permitem ingerencia que resulte em quebra da estrutura nem de hierarquia. Investigar, principalmente se resvalar na cupula é risco de morte, principalmente para quem vem de origem pobre, aí não eles não tem nem remorsos.

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João Lourenço

15/03/2018 - 00h08

Poxa meninos vcs já começam Já jogando a Intervenção na manchete ?Vou ensinar pra vcs .VEREADORA DO PSOL MUITO ATUANTE NAS COMUNIDADES FOI EXECUTADA .Sim ela era muito atuante e sabia brigar pra valer ,não tinha medo e por isso foi uma das 5 mais votadas do RJ e tinha um belo futuro político pela frente .Já posso dizer que foi coisa de amador e possivelmente de um PM já que ela vinha colocando no Twitter delas sérias acusações e e acredito ser verdade.Agora vamos esperar as investigações e não vamos deixar que durante este vácuo até a solução ninguém se aproveite da morte dela pra se projetar ,afinal vcs sabem que 2018 tem eleições .Aprendam porfavor !

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    Gomes Pereira

    15/03/2018 - 10h00

    João Lourenço,

    Após o decreto de intervenção o Exército responde legalmente por TODA a segurança do Estado do Rio de Janeiro, logo, qualquer crime, ainda mais crimes políticos como este, deve ser cobrado do Exército, sim….abguinho!!!

    Aprenda, por favor!

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