VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Vladimir Safatle: A perda de hegemonia da esquerda


02/09/2012 - 09h55

por Vladimir Safatle, em CartaCapital

Durante décadas, a esquerda conseguiu sustentar uma certa hegemonia no campo cultural nacional. Mesmo na época da ditadura, tal hegemonia não se quebrou. Vivíamos em uma ditadura na qual era possível comprar Marx nas bancas e músicas de protesto ocupavam o topo das paradas de sucesso. Essa aparente legalidade que visava desarticular mobilizações mais profundas da sociedade nacional.

A ditadura brasileira compreendeu rapidamente que não era necessário um controle total da cultura. Os nazistas usaram um modelo parecido quando ocuparam Paris. Um controle parcial bastava, com direito a censura e perseguição em momentos arbitrariamente escolhidos. Dessa forma, liberdade e restrição confundiam-se em uma situação cada vez mais bizarra de anomia e desorientação da crítica.

Deve, porém, ter pesado no cálculo da ditadura a compreensão de que o custo para quebrar a hegemonia da esquerda no campo da cultura seria alto demais. Neste caso, melhor operar por intervenções cirúrgicas. Durante os anos 50 e 60, o País vivera uma impressionante consolidação cultural e intelectual que continuaria dando frutos nas próximas décadas. Colaborou para a propagação dessa hegemonia na classe média brasileira a guinada progressista da Igreja Católica, feita a partir do pontificado de João XXIII e do Concílio Vaticano 2º.

Com o fim da ditadura, a força cultural da esquerda permaneceu. Nossos jornais, por exemplo, seguiam o esquizofrênico princípio: conservador na política, liberal na economia e revolucionário na cultura. Mesmo que figuras como Paulo Francis e José Guilherme Merquior estivessem constantemente a representar o pensamento conservador, suas vozes eram em larga medida minoritárias. Vale lembrar que eles não representavam o conservadorismo mais puro e duro, com direito a pregação moralista de costumes e relação com os setores mais reacionários da Igreja.

Poderíamos acreditar que a perda de tal hegemonia seria resultado direto da queda do Muro de Berlim. Sem desmerecer o fenômeno, não é certo, no entanto, que ele tenha papel tão determinante. Pois vale lembrar como a esquerda cultural brasileira estava longe de ser a emulação do centralismo do Partido Comunista, com sua orientação soviética. Na verdade, as causas devem ser procuradas em outro lugar.

Primeiro, há de se lembrar como, desde o fim dos anos 80, as universidades brasileiras não conseguiam mais formar professores dispostos a desempenhar o papel de ­intelectuais públicos. Os intelectuais que tínhamos vieram da geração que entrou na universidade nos anos 70. Geração que viveu de maneira brutal a necessidade de mobilização política. As gerações que vieram compreenderam-se com uma certa timidez. Elas, em larga medida, foram marcadas pelo desejo de agir no âmbito mais restrito da universidade.

Segundo, há de se colocar a perda da hegemonia cultural como um dos sintomas da era Lula. Do ponto de vista político, o esforço da classe intelectual brasileira parece ter se esgotado com a eleição do ex-metalúrgico. Boa parte dos descaminhos do governo foi colocada na conta da legitimidade dos intelectuais que um dia o apoiaram ou que continuaram apoiando. O simples abandono do apoio não foi uma operação bem-sucedida. Como os intelectuais não tiveram discernimento suficiente para imaginar o que poderia ocorrer? Por outro lado, a repetição reiterada do lado bem sucedido do governo soava, para muitos, como estratégia para diminuir a força crítica diante dos erros, que não eram mais comentados no espaço público, devido ao medo de instrumentalização pela mídia conservadora.

Aos poucos, parte da mídia criou seus intelectuais conservadores, repetindo, algumas dezenas de degraus abaixo, um fenômeno que os franceses viram nos anos 70 com os nouveaux philosophes. Como se não bastasse, o próprio governo foi paulatinamente se afastando da órbita dos intelectuais de esquerda. A troca de comando do Ipea, por exemplo, com o convite ao economista liberal Marcelo Néri, está longe de ser um acontecimento isolado.

Há de se notar como este governo é, desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso, aquele que tem menos intelectuais em seus quadros. Sequer o ministro da Educação é alguém vindo da vida universitária (como foram Paulo Renato Souza, Cristovam Buarque e Fernando Haddad).

Nesse contexto, sela-se uma situação nova no Brasil. Pela primeira vez em décadas a esquerda é minoritária no campo cultural. Há de se compreender como chegamos a esse ponto, já que este artigo é apenas um ­tateamento provisório.

PS do Viomundo: O que o autor não pode escrever, por motivos óbvios, é que a mídia cartelizada e oligopolizada promove a opinião e os colunistas de direita, em um círculo vicioso: os que opinam na rádio opinam na TV, escrevem nos jornais e palpitam na internet, lançam livros que por sua vez são promovidos no rádio, na tv, no jornal e na internet. É uma panelinha de direitistas que não expressa a diversidade da sociedade brasileira. Na Folha, Vladimir Safatle é o que os norte-americanos chamariam de “token leftist”, o esquerdista da cota, que ajuda a simular uma pluralidade inexistente.

Leia também:

Ermínia Maricato: Planejamento urbano é fetiche que encobre um grande negócio

Altamiro Borges: Tucano também chora

JR: A mulher de Cachoeira e o juiz

Conceição Lemes: O projeto que despertou polêmica no horário eleitoral de SP

Marilena Chauí: O mundo da classe média “ruiu”

André Singer: Neoliberalismo no Brasil é retardatário

Vladimir Safatle: O conservadorismo filho bastardo do lulismo

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74 comentários

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Jorge

23 de abril de 2013 às 23h52

Afinal, existe ou não esquerda no brasil?
Tem um texto sobre isso?
Grato

Responder

    Jorge

    24 de abril de 2013 às 09h31

    Digo, esquerda política.

Saul Leblon aplica a matemática de Bill Clinton ao Brasil « Viomundo – O que você não vê na mídia

10 de setembro de 2012 às 14h50

[…] Vladimir Safatle: A perda de hegemonia da esquerda […]

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Como a direita religiosa organizou um bloco que mudou a política norte-americana « Viomundo – O que você não vê na mídia

09 de setembro de 2012 às 23h52

[…] Vladimir Safatle: A perda de hegemonia da esquerda […]

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Estadão: Haddad quer disputar evangélicos com Russomano « Viomundo – O que você não vê na mídia

09 de setembro de 2012 às 23h48

[…] Vladimir Safatle: A perda de hegemonia da esquerda […]

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As mulheres que podem decidir a eleição em São Paulo « Viomundo – O que você não vê na mídia

08 de setembro de 2012 às 01h29

[…] Vladimir Safatle: A perda de hegemonia da esquerda […]

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FrancoAtirador

04 de setembro de 2012 às 20h37

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A juventude, a herança pesada do neoliberalismo e a rebelião no horizonte da crise:

75 milhões de jovens estão desempregados no mundo;

200 milhões trabalham por menos de 2 dólares por dia;

A taxa média de desemprego jovem no mundo é de 12,7%:
atinge 14,5% na América Latina;
vai a 17,5% nos países ricos;
26,5% no Oriente Médio;
27,5% na África;
na Espanha abrange 52% da juventude.
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Até quando o futuro pode esperar?

Por Saul Leblon, no Blog das Frases – Carta Maior

O artigo deste domingo de FHC no ‘Estadão’ é uma das excrescências mórbidas de que falava o italiano comunista Antonio Gramsci. Morto em 1937, ele ensinou: o que caracteriza uma crise é justamente o fato de que ‘o velho já morreu e o que é verdadeiramente novo não consegue nascer; nesse interregno, aparecem toda uma série de sintomas mórbidos”.

Que poderia haver de mais sintomaticamente mórbido nesse arrastado colapso neoliberal do que um ex-presidente tucano vir a público pontificar lições de ética, finanças e desenvolvimento tendo como régua e compasso o governo e o credo que o ralo da história digere há quatro anos?

FHC, Serra e outros valem-se do limbo pegajoso dos dias que correm para insistir em políticas e agendas condenadas, mas ainda não substituídas no plano mundial –o que dificulta a sua ruptura definitiva também no Brasil.
Debater com FHC nesse ambiente movediço traz a angústia das reiterações inúteis. ‘O velho já morreu’, dizia Gramsci.

Mas o novo não consegue nascer.

A quebra do banco Lehamn Brothers completa 4 anos no próximo dia 15. A falência do 4º banco de investimento dos EUA rompeu o sistema financeiro mundial e desencadeou a deriva da qual somos passageiros desde 2008.

Sugestivamente, nesta 3ª feira de setembro, começa também a convenção do Partido democrata nos EUA, da qual Obama sairá candidato à releição.

Visto como esperança de recomeço no terremoto de 2008, o democrata tornou-se ele também um ponto dentro da curva. Mais tragável que o antecessor ou o adversário, sem dúvida. Mas a nicotina mentolada de que é feito provou-se insuficiente para arejar o quadro asifixiante da maior crise capitalista desde 1929.

2008 não encontrou seu Roosevelt. E parece cada vez mais improvável que encontre um new New Deal capaz de afrontá-lo a partir do centro rico.

George Soros, o megaespeculador de cuja argúcia não se deve duvidar, declarou em recente entrevista ao El País que teme pelo desfecho político da deterioração em marcha. Sobretudo na Europa, coalhada de governos histericamente ortodoxos.

Profundamente pessimista com o futuro do euro, vítima da incapacidade alemã de assumir-se como um ‘Roosevelt na UE’, Soros, a 20ª maior fortuna do planeta, inquieta-se com os fantasmas que povoam seu ângulo de visão privilegiado. Um pouco como aconteceu depois da Depressão de 29, ele adverte, o salve-se quem puder será entremeado de nacionalismos econômicos e totalitarismo político.

A margem de manobra se estreita de uma ponta a outra do impasse.

O extremismo mercadista dobrou a aposta neoliberal na sua versão arrocho. O resultado desespera eleitores que se voltaram à direita desde 2008.Espanha, Portugal, Itália, Grécia etc fazem água e desemprego por todos os lados. Ninguém leva a sério ‘os esforços’ do direitista Rajoy para esfolar a Espanha até o osso, em troca de maior confiança dos mercados. Os mercados tiraram mais de 240 bi de euros da economia espanhola só no primeiro semestre deste ano.

Não é exatamente convidativo, tampouco, o horizonte de forças que se opõem à razia conservadora, mas o fazem na margem, sem afrontar o cuore da austeridade suicida.

O liquidificador dos interesses contrariados e das expectativas insatisfeitas tende a moe-los com virulência até superior à mastigação lenta dedicada às administrações direitistas.

Na França,o socialista recém-eleito François Hollande vê o seu espaço de governo estreitar-se sob duplo torniquete: de um lado, a voz rouca de 3 milhões de desempregados; de outro, pressões do bureau do euro para cortar 33 bilhões de euros do orçamento público. (Leia matéria do corrrespondente em Paris, Eduardo Febbro, nesta pág)

O ambiente é cada vez mais abafado na sala VIP do mundo. Mas a brisa da esperança que sopra da América Latina tampouco exibe vigor, por enquanto, para fixar uma nova rota de longo curso, à margem do engessamento neoliberal.

A AL –Brasil à frente– logrou em pleno colapso preservar baixas taxas de pobreza e desemprego, com alguma retomada de investimento.
Havia a expectativa de que o vendaval da crise pudesse amainar mais depressa devolvendo fôlego a essa travessia lenta e gradual, feita de redistribuição do crescimento com maior convergência de direitos e oportunidades.

A visibilidade dessa zona de conforto político torna-se a cada dia mais opaca.

Tudo indica que os avanços sociais tendem a se tornar mais difíceis. Sobretudo porque, após vitórias significativas contra a pobreza, ir além implica afrontar a desigualdade. Essa requer mudanças estruturais na alocação do estoque da riqueza existente para ser alterada (seja na esfera fundiária, urbana, patrimonial ou financeira).

Não é um mantra ideológico. Que ninguém se iluda com fábulas amenas de retorno a um mundo de desconcentração financeira amigável à produção e ao desenvolvimento. Regulação não significa diluição, mas sim subordinação do capital financeiro aos desígnios da sociedade e seu retorno ao papel de alavanca da produção.

A concentração de capitais, a formação de grandes fundos de recursos, é um traço intrínsec à dinâmica capitalista. Num certo sentido é também uma necessidade da escala de financiamento requerida pelas demandas por infraestrutura, planos de universalização de serviços e direitos, ademais da reordenação ambiental.

Essa agregação de grandes volumes de recursos terá que ser feita por alguém. O colapso neoliberal mostra para onde a coisa caminha quando os mercados ficam livres e capturam o crédito, o financiamento e o juro para estrepulias especulativas dissociadas do circuito da produção.

A alternativa com capacidade para fazê-lo de maneira socialmente democrática é o Estado.

O prolongamento da crise exige que ele ocupe espaços crescentes na economia. Sem esse salto político será impossível comandar a retomada do crescimento e colocar os mercados e a serviço da sociedade.

Não se cumpre esse papel indutor e planejador sem fundos públicos em escala correspondente.

A carga fiscal média vigente na AL, de 18% a 19%, trava esse passo. (Dados da CEPAL, “Mudança Estrutural para a Igualdade: Uma Visão Integrada do Desenvolvimento”).

Na Europa e na América Latina, incluindo-se o caso específico do Brasil, a alavanca fiscal emperrada reflete um flanco mais grave: o desarmamento político das forças sociais que deveriam assumir a tarefa de acionar o papel hegemônico da iniciativa pública. Ou seja, erguer as linhas de passagem para equacionar a crise com uma socialização democrática dos recursos disponíveis.

É o cerne do impasse de que fala Gramasci.

A questão que se coloca aos partidos progressistas é de urgência transparente: quanto tempo o futuro ainda pode esperar antes que manifestações mórbidas, como a de FHC, tentem se impor à sociedade com sua agenda zumbi?

A ver…

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1080

Responder

    Mário SF Alves

    05 de setembro de 2012 às 21h15

    Mais uma vez agradeço sua boa vontade, sua clareza e desprendimento ao semear luzes. Atirador de conhecimento é o que tens sido, prezado Franco. Sua contribuição é imprescindível no aprendizado daquela que é a mãe e a mais importante de todas as modalidades de educação, a educação política.

    E é pensando assim que a cada dia, cada vez mais, me convenço de que na abordagem do problema político no mundo e na construção da respectiva práxis que o solucione torna-se imprescindível o amplo reconhecimento, ainda que doído, difícil, porém, sempre marxista, dessa referida perda de hegemonia à qual se refere o Vladimir Saflate. E melhor, passa igualmente pelo reconhecimento de que na América Latina o que verdadeiramente nos compete, o que nos move, é, não a supressão radical da propriedade privada, mas, muito a superação do subdesenvolvimento. Uma tragédia social que de forma alguma é exclusividade nossa. Os americanso do norte também são subdesnvolvidos. Os europeus idem.

    Por isso, prezado atirador de luz, não nos basta, não nos é suficiente, o arsenal teórico da esquerda. É hora de lutar por mais e mais democracia. Democracia como convicção. Democracia como conquista e como processo civilizatório. E jamais como estratégia, apenas.

    Vida longa, companheiro.

    FrancoAtirador

    07 de setembro de 2012 às 22h52

    .
    .
    Meu caríssimo Mário SF Alves.

    Sua lucidez e profundidade na abordagem dos mais diversos temas que dizem respeito à evolução civilizatória do ser humano, sempre com caráter propositivo e colaborativo, realmente são admiráveis.

    Um grande abraço camarada e libertário.
    .
    .

Fabio Passos

03 de setembro de 2012 às 20h41

Creio que esta hegemonia é ainda consequência do mundo unipolar pós 1989.
O Brasil não vive descolado do resto do planeta.

Responder

    FrancoAtirador

    03 de setembro de 2012 às 21h45

    .
    .
    Concordo.

    Mikhail Gorbachev, com a tal Perestroika,

    foi mais importante que Margaret Tatcher

    para a expansão da ideologia neoliberal

    que avassala o mundo ocidental até hoje.
    .
    .

    Fabio Passos

    04 de setembro de 2012 às 19h25

    Imposição do ideário conservador.
    Pelo poder econômico sem freios e o esmagador poder militar.

    Como disse o Smilinguido, não há mais cultura… só há mercado.

    Já passou da hora de derrubar este regime horrendo.

FrancoAtirador

03 de setembro de 2012 às 19h42

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“BENEDICITE”

Bendito o que na terra o fogo fez, e o teto,
E o que uniu à charrua o boi paciente e amigo;
E o que encontrou a enxada; e o que do chão abjeto,
Fez, aos beijos do sol, o oiro brotar do trigo;

E o que o ferro forjou; e o piedoso arquiteto
Que ideou, depois do berço e do lar, o jazigo;
E o que os fios urdiu, e o que achou o alfabeto;
E o que deu uma esmola ao primeiro mendigo;

E o que soltou ao mar a quilha, e ao vento o pano,
E o que inventou o canto, e o que creou a lira,
E o que domou o raio, e o que alçou o aeroplano…

Mas bendito, entre os mais, o que, no dó profundo,
Descobriu a Esperança, a divina mentira,
Dando ao homem o dom de suportar o mundo!

OLAVO BILAC

http://www.jornaldepoesia.jor.br/bilac.html

Responder

assalariado.

03 de setembro de 2012 às 18h04

De todos comentários, até agora, o que mais se aproximou do sentido politico do artigo do Sr. Safatle, foi o internauta Everaldo Fernandez (no facebook), quando este diz: Talvez Safatle confunda uma perda de visibilidade da esquerda com perda de hegemonia, que provavelmente sempre menor ou menos sólida do que se costuma pensar.

Sim, não se perde aquilo que nunca tivemos. Em todo caso, já passsou da hora de reverter essa correlação de forças, onde o capital nos impõem seus valores de ‘democracia’, através de seus holofotes midiáticos. Cabe aos de esquerda este trabalho politico na base da sociedade, e assim, começar a quebrarmos esta hegemonia da burguesia capitalista sobre o todo social. Claro, tudo isso para quem pensa socialista, (de fato).

Abraços Fraternos.

Responder

Darcy Brasil Rodrigues da Silva

03 de setembro de 2012 às 17h49

Deletou, sim, companheira! Obrigado, um grande abraço!

Responder

Conceição Lemes

03 de setembro de 2012 às 16h59

Darcy, por favor, verifique se eu deletei os comentários que vc pediu. abs

Responder

Marcos W.

03 de setembro de 2012 às 15h28

Mas o importante mesmo, a essência da definição, é ser “de esquerda” ou ser hegemônico?! Hegemonia de esquerda é quase um contrassenso!

Responder

João do Vale

03 de setembro de 2012 às 13h54

Boa discussão! Diria mesmo fundamental. Faltou um aspecto que só foi tocado de raspão, mas que me parece essencial: o governo brasileiro, desde a redemocratização, incluindo lamentavelmente os governos Lula e Dilma, não promove como deveria a Cultura Nacional. Como lembra o autor, nos anos 50 e 60 o Brasil criou e consolidou ícones em todas as artes: Poetas, Romancistas, Pintores, Cineastas… do porte de Drummond, Manoel Bandeira, João Cabral, Ferreira Gullar, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Portinari, Di Cavalcante, Nelson Pereira dos Santos, entre tantos outros. O advento do Brasil nacionalista, democrático e popular sem dúvida estimulou essa produção. Quem são os ícones atuais? Não os há, pelo menos não com o alcance e a popularidade daqueles. Urge que o país eleja a Cultura como estratégica. Pois, sem o estímulo governamental, ficamos todos nas mãos da “iniciativa privada” global, que já decidiu investir em “seus intelectuais”, importando mais sua visão de mundo reacionária do que a eventual qualidade do que produzam. Esse, na verdade, é mais um capítulo da luta ideológica para a qual, convenhamos, o PT volta e meia dá mostras de que titubeia, vacilante, sem visão e coragem para peitar os esquemas midiáticos dominantes.

Responder

Dialética

03 de setembro de 2012 às 13h29

Como disse Bob Dilan, quem disse que a esquerda melhor que hegemonia?
Quem está lamentando é o articulista. A esquerda melhor quer é contribuir.

Responder

Regis

03 de setembro de 2012 às 09h53

Não sou filósofo ou sociólogo, então me perdoem a ousadia da citação. Há um importante conceito marxista que trata da relação entre base material e superestrutura ideológica. Por este entendimento a base material, que é a relação dos indivíduos com o modo de produção , é determinante sobre a superestrutura ideológica. Sob esta interpretação estamos vivenciando uma mudança das idéias e valores, morais inclusive, haja vista a discussão já no nível institucional do aborto e relações homoafetivas, a partir da incorporação de boa parte da população ao mercado. Pessoas que tem um novo papel na estrutura produtiva e que demandam uma ideologia, se não inédita, adaptada às suas novas possibilidades materiais. Portanto a base real da mudança é econômica e material, e as percepções de perda de influência dos intelectuais da antiga esquerda, ou da direita, é o inevitável efeito desta bem vinda mudança. No popular, quem nunca comeu do melado, quando come se lambuza. E que coma mesmo e que se lambuze. E quem diz que isso é errado, feio, cafona ou sujo vai quebrar a cara. Essa talvez seja essa aparente crise do papel do intelectual de hoje, ele ainda não assimilou o mundo novo. O pulo do gato na política dos próximos anos é, e daí o risco da hegemonia conservadora midiática, o entendimento das possibilidades que este momento proporciona na formulação de novos paradigmas. O importante é perceber que uma idéia só não muda o mundo, mas uma ação que muda o mundo é uma boa idéia.

Responder

Marinho

03 de setembro de 2012 às 09h09

“Uma leitura da direita brasileira” em http://www.passapalavra.info

Responder

Rodrigo Leme

03 de setembro de 2012 às 08h42

Enquanto há uma “hegemonia cultural de esquerda” (insano, como se a cultura servisse à política, mas vamos jogar o jogo) tudo bem. Mas quando há essa hegemonia da direita (de novo, insano) aí o Azenha joga o “não expressa a diversidade da sociedade brasileira”.

Da maneira que eu li o texto, essa diversidade nunca foi representada. mas só agora incomoda o Azenha. E seguimos nós nessa barca, transformando até jogo de palitinho em batalha eleitoral.

Responder

    Narr

    03 de setembro de 2012 às 13h08

    Troll sofista. Argumento do boneco de palha. Atribui determinada teoria ao adversário e então passa a criticá-lo por isso. Poderia ter dito “ah, sim, vocês lamentam que o PT ainda não tenha implantado o zhadovismo na cultura brasileira” ou “pobre Shostakovich, a CUT não teria permitido que ele sobrevivesse”. Quem é que propôs que a cultura deva estar subordinada ao político ou ao jogo eleitoral? O fato de que cultura e política não descolem não significa que um mande sobre o outro. A hegemonia da esquerda não significa necessariamente o sufocamento do outro. É batido, mas não custa lembrar que Marx apreciava o aristocrático Balzac. Pode-se fazer leitura de esquerda sem querer jogar no lixo autores politicamente de direita como, por exemplo, E. Junger, Cèline, E.Pound e Borges. Arre, e eu ainda perco tempo em responder!

    Rodrigo Leme

    03 de setembro de 2012 às 14h57

    Parabéns pela interpretação que, na prática, não se refere a nada escrito no texto ou no aparte do Azenha. Mas eu me prendo ao que está lá, e lá há uma repulsa à hegemonia de direita e uma lamentação pela hegemonia não ser de esquerda.

    Se o texto lá em cima fosse o seu, eu até concordaria (menos com a parte que – sei lá pq, visto que vc nem me conhece – vc me agride). Mas o seu entendimento é seu, não do texto.

    Darcy Brasil Rodrigues da Silva

    04 de setembro de 2012 às 13h55

    Concordando com você , primeiro de que RODRIGO LEME É UM TROLL, “assim, assim, sem tirar, nem por”. Em seguida e sobretudo, com a sua avaliação de que um grande artista o será sempre, independentemente de ser de direita ou de esquerda, trata-se de talento restrito a determinados indivíduos ( a grosso modo, podemos dizer que Neymar será sempre um grande jogador, independente de ser de direita, ou de esquerda, ou, ainda, de ser tal como é, um alienado. Compete a nós sermos grandes leitores ( em sentido amplo) de suas obras ( inclusive a de Neymar). Apenas uma pequena correção: Balzac não era um aristocrata. Sua obra se inscreve no Romantismo, porém,trata-se de inscrição mais para efeito de estudos acadêmicos do que por realização de traços dominantes ao Romantismo. Baizac,nascido em 1799, por quem me interessou ler precisamente por conta de Marx, foi um crítico feroz dos costumes da burguesia de sua época, seu Romantismo , nesse caso, seria uma espécie de pré-realismo, tal como sucedeu com Castro Alves entre nós. A Comedia Humana deveria ser recomendada a todos como leitura obrigatória.

Romanelli

03 de setembro de 2012 às 08h29

valeu o esforço ..mas dá pra resumir mais ..tipo assim : Perdeu a hegemonia porque muitas de suas teorias foram colocadas à prova, testadas na prática ..e falharam ou se mostraram insuficientes pra nos explicar e /ou sanear de muitas de nossas falhas

Um exemplo – Há uma década o país cresce e gera emprego, famílias agora DESARMADAS e cotizadas, humildes, enricam e sonham sair da miséria absoluta, muitas empurradas que foram para o endividamento usurário que cabe no bolso, a maioria voltado pra compra SUICIDA de bens de “consumo-porcaria” importados da China ..ou isso, ou carro eu resumiria

e mesmo assim, mesmo com o modelo lhe sendo favorável em GINI, geração de renda e em outras diversas estatísticas, mesmo assim a violência continua a crescer e sem perspectivas concretas de retroagir

Responder

    Dialética

    03 de setembro de 2012 às 13h27

    Eu fico contente pela massa desprovida, qundo leio que a Folha está triste que o PT não é o mesmo radical, que LUla não é o mesmo cara.
    Esses veiculos tem raiva mas reconhecem o valor das instituições e das pessoas. E sabem que na direita nem mesmo muitas pessoas há,que sejam honestas em suas defesas, a maioreia é fisiológica mesmo.

Jose Mario HRP

03 de setembro de 2012 às 08h03

SENSACIONAL:
O Viomundo em seu PS mandou bem!
É isso ái!
Aliás como está chato ler a Folha SP!
É só mensalão, parece o jornal nacional!
Já deu !

Responder

    FrancoAtirador

    03 de setembro de 2012 às 20h49

    .
    .
    O Moreira Leite é o “token leftist” da Época/Globo.
    .
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smilinguido

03 de setembro de 2012 às 07h55

não tem mais hegemonia da esquerda na cultura pq nao tem mais esquerda e nao tem mais cultura…

Responder

Luiz Fortaleza

03 de setembro de 2012 às 07h26

Não dá pra descolar que a queda do muro de Berlim e o fim do socialismo real não tenham interferido no fim das utopias no campo das esquerdas, inclusive numa nova rota de caminho do PT e CUT. Mas a esquerda brasileira perdeu muito de sua força com a crise do PT no mensalão, pois um partido que pregava fervorosamente a ética na política se esmaeceu. A direita e sua mídia apoiadora deu este xeque-mate e o que foi eleito por três vezes no poder federal não foi o PT, mas o lulismo.

Responder

Marcos W.

03 de setembro de 2012 às 07h21

A esquersa perdeu a hegemonia no campo cultural por que não faz sentido “latir” para o próprio rabo!

Responder

Eduardo Vieira Miranda

03 de setembro de 2012 às 01h46

Esse fim da hegemonia de esquerda na cultura não é exclusivo do Brasil. É um fenômeno que se alastra pelo mundo e que também é refletido aqui…

Por mais esquisito que isso possa parecer, percebo que a diminuição da presença da esquerda no meio cultural está ligada, de uma forma mais direta, à saída da igreja católica do front político de esquerda, com uma boa guinada para a direita que se iniciou nos anos 1980, ganhou força na década de 1990 e se consolidou neste início de século; à ascenção social de uma parcela da sociedade mais conservadora na essência, que, por falta de oportunidade (escolaridade e condição financeira) não teve acesso à cultura de esquerda que estava disponível até os anos 1980; e por uma despolitização (ou descompromisso com uma bandeira) das novas gerações, se é que assim podemos dizer, causada por uma maior facilidade de acesso ao entretenimento.
A esquerda, por um outro lado, carece de mais objetividade em suas produções culturais. A nova sociedade anda meio sem paciência para discursos prolixos e complexos para os padrões de hoje. É preciso ser de esquerda, mas com nuances de direita. Coisa que os sociais-democratas europeus faziam bem nos anos 1990, e que o Obama também fez nos EUA.
Voltando mais especificamente ao Brasil, apesar da grande desigualdade que ainda existe por aqui, os avanços obtidos no governo Lula, como a melhora na renda familiar dos pobres, por meio de programas sociais, fez com que os objetivos e anseios dos esquerdistas brasileiros se descolassem das causas dos esquerdistas dos países vizinhos da América do Sul. Uma postura nacionalista, com viés esquerdista, para nós, pode soar como arrogância para eles.

Responder

Paciente

03 de setembro de 2012 às 00h45

O artigo provoca algumas considerações:
1) Pensar não esta na moda, à esquerda ou à direita.
2) Se pensar ou se faz ouvir tete a tete ou por escrito, pelas mídias broadcasting, não rola.
3) Fala. Quem ouve? Escreve. Quem lê?
4) A jornada de trabalho e a quantidade de empregos só aumenta. Tempo?
5) Nas mídias broadcasting, para falar, tem que sentar no colo do titio…
6) Para falar o que quer… é preciso ser o dono.
7) O Único lugar onde isso é possível é na internet.
8) Quais os sites que o Azenha lê (os outros intelectuais)? Vai saber…
9) Outra: a esquerda histórica só poe transmitir a sua cultura para a geração nova (e formar quadros) se falarem a mesma língua.
10) Jacob Gorender tem blog? Pois é!

Por fim:

11) Fazer surgir o “pensamento critiqueiro” é fácil. Fazer surgir o pensamento “pensamento critico” é difícil. Fazer surgir o pensamento participativo, aqui no brazuca, meu amigo, é dose!!!

Responder

    Dialética

    03 de setembro de 2012 às 13h24

    E os tipos de artes diversas, só serão selecionados para exposições, concursos etc, se tiver certo tema, ou a pessoa tiver certo sobrenome, for de alguma familia. É só prestar atenção e verá.

Euler

03 de setembro de 2012 às 00h33

Hegemonia cultural? Meia dúzia de intelectuais ditos de esquerda escrevendo para jornais ou aparecendo na mídia não alteram muito a hegemonia que o mercado mantém sobre as diversas esferas da vida. Esquerda? Que esquerda? O que se vê hoje em relação ao poder é uma briga de foice entre grupos que se esforçam para melhor representar os interesses de banqueiros, dos empreiteiros e do agronegócio. Infelizmente, a ideia de uma real transformação social em favor dos de baixo nunca foi hegemonia no Brasil.

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abolicionista

02 de setembro de 2012 às 22h23

Que eu saiba, a hegemonia cultural no Brasil foi e continua sendo exercida pela Rede Globo. Quando a Globo foi de esquerda? A “alta” cultura brasileira sempre dependeu de meia dúzia de ricaços ilustrados. Não consigo ver grandes mudanças no quadro, por mais que me esforce…

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    Mário SF Alves

    05 de setembro de 2012 às 21h46

    Educação política, educação política e educação política. De um lado causa e de outro o efeito. Desideologizadamente.

    Este pode ser o caminho, prezado Assalariado. Caminho até pra reinventarmos nossas defesas. Caminho até pra “conquistarmos” o Cosmos; pra nos elevarmos aos deuses, quem sabe?

Djijo

02 de setembro de 2012 às 21h50

Não sei ainda escrever, mas ouso fazer um ensaio para espressar minha opinião.
Depois de assistir a Marilena Chauí, acho que se pode tirar mais impressões. Parece que os intelectuais são anarquistas por natureza “se hay gobierno, soy contra” . Eles nunca dão os sistemas por acabados. Constroem e desconstroem para reconstruir seus entendimentos, sempre, pois com o passar do tempo as impressões ficam um pouco mais claras devido aos fatos novos que se aglutinam no enredo.
Direitista é todos que tentam manter intacto o mesmo símbolo social burgues e proletariado nos seus lugares sagrados. Assim, se há movimentos tentado mudar tal perfil, cooptam pensadores para defender suas teses. Há os que aderiam voluntariamente, como a igreja, pois assim participavam da mesa do burgues ou nobre. Os discursos teológicos era sempre de que o proletário devia sofrer para ganhar o paraíso e que não se devia correr atrás do vil dinheiro, pois o camelo tinha mais chance.
Para combater o comunismo, segundo o livro “Quem pagou a conta”, a CIA contratava intelectuais para escrever sobre a superioridade do capitalismo e o modo americano como melhor meio de vida. Não questiono se era melhor ou não. Assim, segundo o livro, até a filósofa Hannah Harendt estaria na folha de pagamento. A CIA comentava de como esse pessoal gostava de dinheiro. Se se perceber, ao se tornarem “pena de aluguel” se deixa de ser livre para questionar toda uma série de coisas que ocorre na sociedade, pois o trabalho agora é fazer barreiras contra a “revolução comunista”, mesmo que se tenha que esconder ou faltar com a verdade. Deixavam de ser “anarquistas” para se tornarem mansos e comportados pois não ousavam questionar o tipo de sociedade de quem parava a conta.
Os intelectuais mais liberados, que não se prendiam a sistemas, faziam seus jogos de simulações intelectuais que incomodava aos que gostavam de estar no poder. Estes sempre se sentiram ameaçados ou incomodados. Talvez até pela consciência culpada por se sentirem ilegítimos no status que usufruem. Os esquerdistas gostavam desse tipo de intelectual pois dava subsídios para construírem seus próprios discursos. Discursos não meramente crítico para ampliar o entendimento ou denúncia pelo padrão de sociedade que tendia a se tornar perene, mas com um objetivo claro de chegar ao poder pois se os burgueses não faziam, era a vez dos esquerditas assumirem o lugar de poder. Os intelectuais se associavam a eles pois viam também a possibilidade de mudança e por dar visibilidade aos seus pensamentos. Um ajudava o outro.
Os esquerditas chegaram ao poder. Os apeados do poder tinham toda uma estrutura de informação que sempre os ajudou a estar no mando, estrutura essa formadas principalmente pela mídia e pela igreja. Uma vez fora desse poder, passam a atacar aqueles que tomaram o lugar dos seus senhores. Aqui os intelectuais que acompanharam os esquerdistas passam a defender o novo governo, caindo na armadilha de ter que criar barreira para protegê-lo e deixado a posição crítica que sempre tiveram sobre qualquer governo. Os discursos passam a ser de sustentação e justificativas dos métodos do governo, sem o aparato midiático tradicional e sem o aparato ideológico da igreja.

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Narr

02 de setembro de 2012 às 21h25

. Conta um amigo meu: “quando entrei para o corpo da universidade, eu era o mais jovem professor de esquerda. Hoje, 20 anos depois, continuo a ser o mais jovem…”
. Por mais que a esquerda se esforce em mostrar que desde 1917 (cf. Rosa Luxemburg) tem sido crítica ao modelo soviético ou stalinista, o fato é que o fim da URSS caiu como o mais duro e gelado balde de água fria. Derrota ainda não assimilada.
. Daí, a agenda socialista foi pra lata do lixo. A esquerda deixou de ser ofensiva para se tornar defensiva. Não se trataria mais de acabar com o capitalismo mas de tentar conservar o pouco que se conquistou no passado.
. Já se chegou ao ponto de considerar a luta anti-tabagista como a principal bandeira de luta da esquerda contemporânea… (cf. A. Guiddens).
. Se o socialismo tem futuro é outra discussão. Mas o fato é que as novas gerações simplesmente não o levam mais em conta. Para elas, o fracasso soviético deu conta de tudo: o futuro é capitalista e ponto final.
. Antes, a esquerda era acusada pelo sonho do futuro inalcançável, agora, é acusada pelo pesadelo do passado irrepetível.
. Antes era a que não conseguia, agora é a que fracassou (tá na turma dos losers – expressão social-darwinista).
. De futuro para passado, de sonho para pesadelo, de ameaça concreta à candidata de vítima universal de bullying político, as metáforas são angustiantes.
. O heroísmo da adolescência deixou de ser o do poeta ou artista marginal, do revolucionário como Trotsky, Brecht, Eisenstein ou Che. Foi substituído pelo heroísmo do campeão esportivo, do jovem milionário, da celebridade ou do delinquente juvenil.
. Grande culpa disso está na esquerda. Por sua derrota histórica mas também por não ter se renovado ainda. Muita gente ainda acha que reafirmar velhas convicções é o suficiente para que se elas finalmente se efetivem.
. Causam consternação os grupelhos que se julgam renovadores porque repetem a cantilena da pureza e bondade do militante, onde há muito de catecismo e pouco de socialismo.
. A direita se renovou. Não só no discurso quanto na agenda.
. Enquanto que muitos da esquerda hoje são dinossauros carrancudos e ressentidos, a confundir ofensa com argumento, há uma nova direita que atrai a juventude porque é alegre, irônica e está no ataque. Diego Mainardi e CQC são exemplos.
. A agenda também mudou. A nova direita não é necessariamente racista, a favor das ditaduras de direita.
. Quem é mais velho, acredita que só existe direitão do tempo da ditadura, aquele idiota ignorante cujo nível de leitura oscilava entre as Seleções do Reader’ Digest, os manuais de Moral e Cívica e os noticiários de O Globo.
. A nova direita é intelectualizada. E pode apreciar muitas coisas que a esquerda aprecia. Desde a tarde vagabunda de cachaça na praia ou no botequim, ou bens culturais de Fellini, Schönberg, Joyce ou Dylan Thomas.
. Existe também uma velha esquerda que simplesmente capitulou, “virou à direita”, como Denis Rosenfield. E têm aqueles que eram do Partidão e ressentidos pelo espaço que o PT ocupou e que eles achavam que era propriedade privada (epa!) dos comunistas. Agora, além do ciúme histórico, caíram pra direita também. Por exemplo, Ferreira Gullar, Arnaldo Jabor e João Ubaldo.
. Convenhamos, o pragmatismo da era Lula, com todas as conquistas, não alimentou nenhum heroísmo político (no sentido romântico da palavra). O que não atrai a juventude.
. O que atrai a juventude é a contestação. E quem é que pode ser contestado senão o partido que governa o país há uma década e que é um “desastre”, como mostram todos as empresas de jornalismo admiradas e respeitadas pelo critério de nosso tempo, ou seja, megaempresas capitalistas bem-sucedidas no mercado.
. Os jovens já quiseram ser como Maiakovski, Baudelaire, Rosa Luxemburg, Mariguella, Pagu ou Bob Dylan, mas o hoje o modelo de heroísmo é o do sujeito em poucos anos entrou no universo incrível dos bilionários.
. Adorno lembra que em Auschwitz os guardas ouviam Bach e Beethoven. Quem saba, se tivessem ouvido Michel Teló teria sido mais abertos e mais críticos.

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assalariado.

02 de setembro de 2012 às 20h38

Sr. Safatle, em momento algum na história do Brasil colonia nunca li, vi ou vejo, a perda da hegemonia da ideologia de esquerda, enquanto caldo cultural das massas, politicamente falando. Por certo, este seu artigo afirmação, fala de uma perda que nunca foi obtida, e se houve, nunca foi além das camadas da classe média. Basta fazer um levantamento dos companheiros assassinados pela burguesia capitalista em 1964 e, a que fatia da sociedade pertencem estes companheiros tombados em luta. Ou seja, esta sua ‘hegemonia’ nunca vazou, do ponto de vista da luta de classes, para os diretamente interessados (os assalariados e explorados em geral), e/ ou para as bases da sociedade. Creio eu, esta pratica politica histórica das esquerdas elitista se deu, e se da, através da tática stalinista (Josef Stalin), de visão ‘socialista’ de sociedade. Sim, o pensamento único, também existe pela ‘esquerda’ que nunca passou de uma proposta da social democracia e seu capitalismo de Estado. Logo, nunca foram de esquerda muito menos socialistas, de fato.

Houve erros táticos no passado, e no presente, na forma de se organizar politicamente os explorados da nação sob a orientação, dos quais chamamos de partidos de esquerda, e sua capitulação perante o Estado capitalista constituido, e seu aburguesamento ideológico do pensar poder ‘socialista’. Isto, na pratica cotidiana, ficou claro, o erro tático para se conseguir hegemonia politica dos explorados assalariados e sua plebe, sobre os exploradores capitalistas. Sim, nestes momentos da história da luta de classes no Brasil, aconteceram o aburguesamento e, por consequencia, o afastamento das massas e da ideologia marxista dos partidos ‘defensores’ dos pobres. Ou seja, este seu artigo conta e pressupõe que, uma transformação economica, politica e social juridica, se dará com os intelectuais de esquerda (embora escassos), atuando estritamente dentro da classe média, e não, se jogando em direção as massas diretamente atingidas por este tsunami ideologico e seus valores hipócritas da cultura burguesa de sociedade, o que na real, seria e é, a proposta original da sociedade socialista proposta por Karl Marx.

Claro, o golpe de Estado promovido pela burguesia capitalista, em 1964 e, com o apoio ideologico e logístico do PIG (Partido da Imprensa Golpista), teve e tem, sentido óbvio e estrategico como ferramenta de manipulação da sociedade, para a sobrevivencia dos valores das elites capitalistas mundiais, segundo os principios de dominação e exploração social, dos donos dos meios de produção.

Saudações Socialistas.

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Mariano

02 de setembro de 2012 às 19h36

Desde quando a esquerda no Brasil e no mundo foi hegeonica? Esquerda só os EXÚS, o resto é blá, blá bla….

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Jair Orichio Junior

02 de setembro de 2012 às 18h38

Acho que o autor deve estar morando em outro país.
Vejamos:

FHC não construiu nenhum campus Universitário Federal, Lula fez 34.
FHC não construiu uma única Escola Técnica Federal, Lula 114.
FHC não abriu uma única vaga para caente em Universidades (Pública ou Privada ), Luga criou , somente 900 mil vagas no PROUNI.
FHC não incentivou um centavo a mais para investimentos no exterior para universitários, Lula e Dilma já mandaram mais de 15 mil para fora, sem contar com o Brasil Sem Fronteiras que pretende mandar uns 100 mil…
Acho que ele precisa ler “menas” VEJA, Folha, Estadão, Globo e deixar a televisão desligada na hora do JN e Jornal das 10 da GloboNews…Boa Noite!!!

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    Vlad

    02 de setembro de 2012 às 22h03

    Pois é…gastou mal.
    Onde deveria gastar é no ensino fundamental e não criar mecanismos para enriquecer os donos de faculdades particulares e tentar subir o IDH artificialmente através do aumento do percentual de “dipromados”.
    Cuide da árvore enquanto é pequena…depois ela cresce sozinha.
    Que os governos anteriores não fizeram m… nenhuma todo mundo sabe, mas não venha querer dizer que o PT fez algo pela Educação que vais passar ganhar o Miss Poliana 2012.

Roberto Locatelli

02 de setembro de 2012 às 14h52

Paulo Renato Souza, quando ministro da Educação, abriu as portas do governo para o “mineirinho”, pivô do escandalo pelo Zé Panetone Arruda.

Cristóvam Buarque, no ministério da Educação, não teve uma realização notável.

Haddad levou o Enem ao status de principal exame do ensino médio, apesar dos ataques do PIG.

O próprio FHC, um “intelectual”, fez um governo que entregou o Brasil – inclusive nossa cultura – aos EUA.

Aliás, cabe perguntar: o que é um “cultura”? Afinal, dodo ser humano tem intelecto e tem uma cultura advinda do meio em que vive.

Responder

    Julio Silveira

    02 de setembro de 2012 às 16h27

    Sabe, prezado Locatelli, acredito que tem certas coisas que deviam se compreendidas e assimiladas como um traço evolucionário. Que muitas vezes dão sinal trocado aos enquadrados pelos sistema, como um sinal de rebeldia, uma sintomatica do caos. Acho que o vigor da juventude, não necessariamente etário, que movimenta hormonios para a ebulição das forças do corpo e da mente é isso. Torna as pessoas muito mais propensas a ousadias, motivadoras de ideias e ideiais. Pueris, muitas vezes consideradas, mas por quem não percebe essa dose de ousadia como heroismo, um enfrentamento ao imobilismo que acomete muitas sociedades. A nossa sociedade, nesse sentido, e exemplar. Rigorosamente podadora de inovações genuinas, talvez por ter sido construida com base, propostas e prepostos quase sempre externos. Para mim a cultura devia ser algo em movimento, sujeita, e sujeito, aberta a inovações. Mas acostumano-nos a ver, principalmente em nosso país, essa força, quando posta em movimento ser reprimida pelos despreparados os ignorantes, talvez mal intencionados, buscando represá-la face a inabilidade para enfrentar a inovação, freiando a história, nos tornando conservadores por covardia. Aceitar a manipulação do rio cultural, para acomodá-lo e torná-lo inofensivo para seguir a essa ordem, é justamente o que não devemos aceitar. Creditar a responsabilidade dos nossos vicios culturais, e nossa tradicional covardia, a cultura como um todo, é não entender o proprio sentido da busca pelas mudanças.

    Narr

    03 de setembro de 2012 às 13h01

    Conforme reportagem de Carta Capital, Paulo Renato saiu do MEC para se tornar lobbista de poderosos grupos editoriais espanhóis. Suspeita-se inclusive de sua influência na compra de material didático do ministério.

    Dialética

    03 de setembro de 2012 às 13h26

    e o furto da prova ainda está mal explicado se foi mesmo o peão que quis rouba ou foi mandado. Depois do grampo da Veja no Hotel em Brasilia podemos esperar tudo do PIG

Elias

02 de setembro de 2012 às 14h48

“Nesse contexto, sela-se uma situação nova no Brasil. Pela primeira vez em décadas a esquerda é minoritária no campo cultural. Há de se compreender como chegamos a esse ponto, já que este artigo é apenas um ­tateamento provisório.” Safatle

O professor Vladimir Safatle (Filosofia/USP) aponta que “pela primeira vez em décadas a esquerda é minoritária no campo cultural” e nos insita a pensar “como chegamos a esse ponto”. E ele termina o artigo afirmando-o como um “tateamento provisório”. Esse tatear de Safatle obviamente há de friccionar em altos e baixos relevos. Não me parece tanto asssim que a esquerda perde hegemonia no campo cultural. Sem contar que essa hegemonia sempre foi comedida, às vezes até dissimulada na imprensa, nos meios eletrônicos e nas escolas. Na verdade nunca tivemos uma hegemonia cultural de esquerda. Tivemos algumas figuras de esquerda na literatura, na música, no teatro, no cinema…mas sempre muito controladas, muito bem dosadas e jamais explicitadas. Hoje, alguns dizem que Chico Buarque e Caetano Veloso são exemplos de esquerda e direita, quando o mais provável é afirmar que Chico é de esquerda e Caetano é anarquista. E ambos estão apoiando este ano o candidato a prefeito do Rio que é do PSOL. Mas voltando a Chico Buarque (sem dúvida, emblema da esquerda democrática), por que não compará-lo a Roberto Carlos? Quando Lula se candidatou a governador de São Paulo, Chico apoiou Lula e Roberto apoiou e cantou no terraço dos escritórios da Votorantim, empresa do então canditado a governador de São Paulo, Antonio Ermírio de Moraes. A esquerda nunca teve hegemonia cultural no seio do povo brasileiro. Quando muito, brilhou, sim, em determinados focos das classes médias esclarecidas, livres pensadoras e cristãs progressistas.

Responder

    Darcy Brasil Rodrigues da Silva

    02 de setembro de 2012 às 21h37

    A afirmação de que a esquerda nunca teve hegemonia cultural no Brasil é absolutamente correta, ELIAS . Aliás, eu não compreendi bem o que o autor quis com seu artigo dizer, ou melhor, compreendi, mas acho que ele fez uma pequena confusão entre cultura e militância política através da atividade cultural ( a chamada “CULTURA ENGAJADA’, que se produziu na música , com Chico Buarque e Capinan, por exemplo; no teatro ,com Vianinha e Gianfrancesco Guarnieri; na pedagogia ,que também faz parte da cultura, com Paulo Freire; nas Ciências Sociais, com Florestan Fernandes. Aliás, fico pensando se quando o autor referiu-se a cultura ele tinha clareza que a pedagogia de Paulo Freire é uma realização cultural brasileira?.Porém,primeiro, seria necessário estabelecer o que vem a ser esquerda e direita do ponto de vista cultural. Esquerda é um termo vago demais para definir agentes culturais e restrito de mais para adjetivar cultura. Digamos que se queira, de fato , diferenciar, sobre o prisma da oposição esquerda x direita, cultura progressista x cultura conservadora.Porém, a mim me parece que definir a cultura desse modo também seria um equívoco, uma arrogância conceitual. Para desfazer logo a confusão, começo com uma afirmação: o esforço de preservação (preservação é o mesmo que conservação, nesse caso?) da cultura é progressista, enquanto que os esforços de liquidação da cultura são reacionários, parte integrante de políticas de dominação coloniais ( colonialismo cultural).Porém, há um problema: LOCATELLI pergunta com propriedade: mas o que é cultura? A rigor, cultura é toda manifestação da consciência social que vincula determinados indivíduos a um grupo social de que cada indivíduo se sente parte, posto que nele essa consciência social de alguma forma se expressa em sua consciência individual.Desse modo a língua portuguesa de que me utilizo para me expressar nesse blog com membros do grupo social a que pertenço, em sua forma mais genérica, enquanto parte que somos do povo brasileiro, faz parte da nossa cultura, que se expressa em mim porque a aprendi no seio desse grupo a que pertenço, mas se expressa em mim apenas como a parte dessa língua que domino( nenhum indivíduo pode expressar em sua consciência individual a consciência social que se confunde com o ethos da cultura). Lógico que a cultura se manifesta em uma dança regional, se expressando objetivamente, como algo que pode ser visto, ou através de uma escultura, como algo que pode,além de ser visto, também tocado. Porém,para os indivíduos que realizam o ato de dançar, antecede-os a convivência com o grupo social de que faz parte,e que lhes ensinou a dançar e a sentir-se parte do grupo quando dança; e mais, nessa dança quase sempre se pode encontrar signos ligados a história particular daquele grupo social visto historicamente em suas relações sociais e com o ambiente em que vive e se reproduzem socialmente ( Desculpe-me pelo esforço horrível de definição; sei que ela não está boa, mas considerarei que dá para o gasto). Um companheiro que comentou por aqui, o JAIR ORICHIO JUNIOR, relacionou a cultura com a multiplicação de Universidades e Escolas Técnicas. É verdade que tais iniciativas podem ser considerados esforços voltados a elevação do nível cultural , na medida que o ensino formal e acadêmico fazem parte da cultura ( na sociedade tecnicista de nossos tempos, é um instrumento fundamental). Mas do ponto de vista das políticas públicas voltadas para a viabilização da manifestação da cultura, entendida como um movimento destinado a promover o auto-conhecimento de um povo através da sua própria cultura e de sua própria produção cultural( me refiro a cultura tomada em bloco, que é um conceito difícil de se definir posto que se refere a tudo que seja produto espiritual e material pertinente a um grupo), acredito que o governo Lula deixou muito a desejar, embora,relativamente ao governo FHC, tenha feito muito mais. LOCATELLI pergunta mas o que é cultura? E ele mesmo responde: existem muitas culturas. É verdade, o Brasil , a par de elementos culturais gerais que nos identificam como brasileiros, abriga diversas manifestações que particularizam grupos de indivíduos, vinculadas a histórias regionais,locais, muitas vezes desconhecidas e sequer ainda sistematizada pelo conhecimento acadêmico.E é aqui é que está, em minha opinião, o nó da questão: como disse Aldir Blanc ( que poucos brasileiros conhecem, nos dias de hoje): “O Brasil não conhece o Brasil”. E o Brasil não conhecerá o Brasil por meio da multiplicação de Universidades e Escolas Técnicas. É preciso multiplicar salas de cinema, teatro. É preciso de uma “Lei de Mídia” que permita a veiculação de imagens e sons característicos à nossa cultura.A multiplicação de restaurantes populares de novo tipo que apresente os sabores do Brasil aos brasileiros. Quantos gaúchos conhecem o maracatu? Quantos pernambucanos reconhecem a música regionalista gaúcha? Por que esses diferentes estilos não se veiculam nas rádios e televisões brasileiras, aumentando o sentimento de brasilidade ,de coesão social. Quando me falam de Unasul, pergunto: por que não se implantou imediatamente medidas visando multiplicar o intercâmbio cultural entre os diferentes países-membros deste bloco. Tais iniciativas visariam atender a necessidade de construir o sentimento de latino-americanidade entre todos nós, coesionando-nos culturalmente. E esse é o outro nó da questão: a cultura, a identidade cultural entre os indivíduos é o principal fator de coesão entre eles, maior do que a política e que seus interesses econômicos. Por isso que há que se diferenciar políticas culturais de esquerda, que são aqueles que buscam valorizar e intercambiar as diferentes manifestações culturais de um povo, de políticas culturais de direita, que são aquelas que visam liquidar as identidades culturais dos povos, produzindo indivíduos que não se reconhecem como parte de um grupo “descoesionado” culturalmente. Voltando ao artigo do autor,penso que ele está a sentir falta ( e eu também) de intelectuais de esquerda que são também artistas engajados, como o foram Chico Buarque e Gianfrancesco Gauarniell. Por outro lado, há uma novidade no presente que é o surgimento de manifestações culturais populares engajadas, presente nas periferias das grandes cidades, fenômeno que se fosse abordado pelo interesse de artistas-intelectuais da classe média, tenderia a produzir,por sua vez, uma cultura engajada de novo tipo, adaptada aos tempos modernos , algo que ,por sinal, vinha ocorrendo na produção de Chico Science e seu “Maracatu Atômico” ( penso que a morte prematura desse menino genial que ainda estava inventando um estilo, uma síntese cultural, papel do intelectual de esquerda em qualquer área em que atue, foi uma das perdas mais sentidas nesse sentido de realização de uma CULTURA ENGAJADA reclamada pelo autor do artigo).

    Elias

    03 de setembro de 2012 às 10h05

    Parabéns, Darcy, pela bem detalhada explanação, inclusive pelas idéias de intercâmbio cultural entre norte e sul do Brasil. Você faz uma excelente sugestão à Unasul para inter-relação cultural de nosso país com os demais que formam o bloco econômico cada vez mais robusto, mas deixa a desejar em termos de reciprocidade de relações culturais, artísticas e demais campos que o tema de Safatle sugere.

    Darcy Brasil Rodrigues da Silva

    03 de setembro de 2012 às 11h48

    EIAS, continua , ao meu ver ,a persistir no artigo uma confusão entre ENGAJAMENTO CULTURAL e CULTURA. O que é cultura? Cultura , é tudo que se “arquiva”,se reproduz, se transforma na e pela consciência social de um povo, e que se manifesta em infinitas maneiras, na dança, na língua, dos dialetos, na gíria, na música, as artes em geral, na religiosidade para além da religião, na culinária, na forma de se produzir conhecimento,etc. E o que é mais importante: A CULTURA É O PRINCIPAL FATOR DE COESÃO SOCIAL DE UM POVO. Como não fiz referências à necessidade de aprofundamento das relações inter-culturais? O exemplo da Unasul só ocorre como um desdobramento dos exemplos a que me referi dentro do país, uma vez que perseguimos que um dia a Unasul se converta em uma GRANDE PÁTRIA, e para que isso venha a ocorrer ela precisa contar com a CULTURA COMO SEU PRINCIPAL FATOR DE COESÃO, muito mais que acordos comerciais ou que a sua própria formalização como bloco político e econômico. Nesse caso falei explicitamente que o que diferencia a esquerda da direita é a posição que assume em relação à cultura como um todo, particularmente à chamada cultura popular e regional. À esquerda interessa que o povo se reconheça (que o Brasil conheça o Brasil),multiplicando os níveis de divulgação, de intercâmbios culturais.Por isso surge a questão de fundo do que deveria interessar a um governo que se diz de esquerda no campo das POLÍTICAS PÚBLICAS DE ESQUERDA que , a o meu ver, não é compreendido devidamente por esse governo. Não poderia escrever um projeto de governo na área de cultura em um comentário, por isso fiz algumas propostas: criação de uma rede nacional de rádio e TV exclusivamente dedicada a divulgação de nossa cultura entre o nosso povo ( a TV Brasil não cumpre esse papel);multiplicação de pontos destinados à performances de manifestações culturais que possibilitem o intercâmbio cultural entre as diversas refiões,como teatro, dança, música, mostras de esculturas, pinturas, artesanatos, literatura de cordel….; criação de restaurantes populares ( digo com isso a preços módicos, acessíveis ao povo) de novo tipo , destinados a colocar os brasileiros em contato com os diversos sabores da culinária brasileira. Ora, Elias, não haveria como esgotar propostas práticas por aqui. Volto a insistir, um gaúcho que não se reconhece quando ouve uma congada, é um gaúcho que se fragmentou como brasileiro; um mineiro que não se reconhece quando assiste uma exibição de um boi-bumbá ou pavulagem é um mineiro fragmentado como brasileiro; um paulista que se reconhece mais no cinema estadunidense que no teatro brasileiro é um paulista colonizado culturalmente, deslocado de sua brasilidade. Por isso que não houve e nem pode haver “cultura de esquerda” ( poderá haver um dia um processo de transformação cultural mais vigoroso e amalgamado da cultura nacional em uma sociedade socialista, o que também não pode ser chamado de cultura de esquerda), mas sim militância da esquerda na área cultural, tanto no sentido engajado, como o fizeram Vianinha e Capinã, como no esforço de políticas públicas voltadas a intercambiar as diversas manifestações culturais nacionais com o PROPÓSITO DE AUMENTAR O SENTIMENTO DE BRASILIDADE, DE PERTENCIMENTO À UMA IMENSA NAÇÃO QUE SOMOS, e com isso refutar às tentativas de COLONIZAÇÃO CULTURAL que interessam às políticas públicas de direita. É lógico que não quero com isso propor nenhum chauvinismo cultural.Conhecer as culturas de outros povos também nos interessa,assim como nos interessa multiplicar por 100 o número de orquestras sinfônicas no país;mas no atual estágio em que estamos, é lícito reconhecer que a maioria dos brasileiros não se reconhecem em várias manifestações culturais brasileiras; que a colonização cultural no Brasil atingiu níveis extremamente perigosos, demandando POLÍTICAS PÚBLICAS VIGOROSAS para reverter esse quadro, entre elas uma LEI DE MÍDIAS. Por ser tão importante frisar, em última análise, A CULTURA É O PRINCIPAL FATOR DE COESÃO DE UM POVO, DE UMA NAÇÃO!!!

    Elias

    03 de setembro de 2012 às 16h50

    Acho que que me expressei mal porque concordei inteiramente com suas observações. E acima de tudo com a sugestão à Unasul para que se faça ampamente uma relação cultural entre os países do bloco. O que eu quis dizer é que o bloco está robusto economicamente e só deixa a desejar (o bloco) em termos de reciprocidade de relações culturais, artísticas e demais campos que Vladimir Safatle não abordou e você o fez, aliás, detalhadamente. Creio que você pode contribuir e muito, enviando sugestões à minista da Cultura Ana de Hollanda.

    Darcy Brasil Rodrigues da Silva

    04 de setembro de 2012 às 14h32

    Valeu, ELIAS! Porém penso que propostas desse tipo não deveriam ser encaminhadas ao Ministério da Cultura, mas ao governo Dilma. Dilma e os demais integrantes de seu partido e de seu governo deveriam, primeiro, se debruçar sobre o tema da cultura , de forma séria, deixando de olhá-la com o olhar economicista predominante nesse período Lula/Dilma, que fez com que a Cultura fosse tratada como área periférica, quase marginal, do governo, com orçamento baixíssimo e sem se definir com clareza a que se queria chegar através dela, para passar a ser uma das áreas estratégicas do processo de aprofundamento da integração nacional, fundada para além da integração dos mercados regionais e superação de suas assimetrias econômicas históricas, que submeteu o país a um sub-colonialismo político, econômico e cultural do Sudeste, sobretudo por parte de São Paulo, produzindo muitos “Brasis” estanquizados e fragmentados culturalmente, que só poderão ser re-totalizados através e principalmente da integração cultural. Assim, antes de se encaminhar propostas na área das políticas culturais, deve-se entender a Cultura como área tão ou mais estratégica quanto a economia. Até porque políticas públicas para a área cultural movimentam a economia de forma sinergética, sendo algo que tem tudo a ver com o espírito desenvolvimentista invocado por esse governo, resumido na insígnia distribuir para crescer e crescer para distribuir. Tal ideia poderia ser, como disse, estendida para o âmbito da Unasul, desde que fosse compreendida como tão estratégica quanto a integração econômica e política,ou melhor, como estratégica para que a integração econômica e política se acelere e se consolide em tempo mais curto possível. Se assim ocorresse, a minha proposta seria a de que todos os países constituíssem um fundo ( se tal fundo já existe, deveria ter seu caixa vigorosamente fortalecido, à altura de seus desafios) destinado a financiar políticas públicas no interior da Unasul objetivando a aprofundar os intercâmbios culturais intra-regionais. Aliás, pergunto,para finalizar, quais são as facilidades oferecidas aos povos da Unasul para que se visitem turisticamente? Por que não se implementam programas voltados à juventude na América do Sul ( sobretudo , numa primeira etapa, por causa da necessidade do aprendizado da língua, entre o Brasil e os demais países ) tais como os que levaram muitos brasileiros a viver nos EUA, enquanto estadunidenses para cá vinham? Penso que esse seria um caminho barato e rápido para aumentar o intercâmbio cultural entre a juventude, produzindo em , talvez, no máximo duas décadas uma maioria de falantes bilíngues na América do Sul , convertendo o português e o espanhol em línguas dominadas pela maior parte da população sul-americana ( a língua talvez seja o principal fator de coesão cultural). UM GRANDE ABRAÇO, COMPANHEIRO ELIAS!

enio

02 de setembro de 2012 às 14h47

Além da boa observação do blog sobre o artigo, Safatle sequer toca sobre os anos do pensamento único,cuja prática vem sendo exercida desde a década de 80 pelos meios culturais dominantes da Europa e Estados Unidos, com o vigor dos staff de intelectuais originados das eras Tatcher e Reagan.Esse pensamento, que coloca a virtude do mercado, se é que isso existe, acima do valor humano, acabou sendo formatado e utilizado de forma avassaldora pelos governos FHC com adesão da mídia e nos meios intelectuais da USP e da PUCRJ. O governo Lula foi repudiado por essa onda intelectual de direita, já que um metalúrgico comprovou que pode fazer mais para seu povo do que a maluquice neoliberal que arrebanhou as mentes e os bolsos dos analistas de gabinete acadêmicos. Os que foram contra essa onda hoje amargam o limbo e são execrados pela mídia nacional, a grande trincheira do pensamento conservador. Portanto, utilizá-la como termômetro é pedir para chupar pirulito com sorvete na testa.

Responder

FrancoAtirador

02 de setembro de 2012 às 14h29

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O PROJAC

O projeto de longo prazo da Ditadura Militar iniciada com o Golpe de Estado de 1964 se realizou plenamente, através das Organizações Globo.

Nisso os militares foram gênios… do Mal, mas gênios:

Assassinaram fisicamente e anularam politicamente uma geração contestadora e revolucionária, e, com a TV Globo, imbecilizaram culturalmente e converteram ideologicamente ao capitalismo norte-americano as gerações subsequentes.

Foi o PROJAC:

Projeto Reacionário das Oligarquias Jactantes para Anulação da Cultura.

Assim, temos hoje que:

1) A Utopia sucumbiu ao Pragmatismo;

2) O Coletivismo sucumbiu ao Individualismo;

3) A Ética sucumbiu ao Costume;

4) O Respeito sucumbiu ao Egoísmo;

5) A Dignidade sucumbiu ao Dinheiro;

6) A Razão sucumbiu ao Instinto;

7) A Política sucumbiu ao Financismo;

8) A Liberdade sucumbiu ao Policiamento;

9) A República sucumbiu ao Privatismo e

10) A Democracia sucumbiu à Plutocracia.

11) O que mais falta?
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Responder

    Julio Silveira

    02 de setembro de 2012 às 18h35

    Não sei se a Globo é esse “djinn” tão poderoso, visto que ela concorre com outras similares. Para sermos mais justos deveriamos distribuir responsabilidades. De qualquer maneira concordo contigo, que deu uma tradução brilhante ao “Projac” subjetivo, mas neste projeto todas as co-irmãs e similares tem parcela de colaboração nessa construção.
    Concordo plenamente na existência de um fator alienante na cidadania, só tenho duvidas quanto a isso não ter vindo por meio de algum acordo, desses secretos, feitos internacionalmente a revelia de nossos reais interesses e conhecimento, trazendo as mazelas que apontaste. Acredito que existe um vassalismo, um colonialismo muito grande em nosso grupos dominantes, até intelectuais, para que crer que essa total falta de perspectiva seja uma coisa que aconteça de forma natural, dessa forma eu acho inacreditável.

    FrancoAtirador

    02 de setembro de 2012 às 19h10

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    Caro Julio Silveira.

    É claro que houve influência externa no Golpe de Estado de 1964 e, a partir de então, em todos os desdobramentos históricos no Brasil, com participação direta da CIA, do Departamento de Estado Norte-Americano e até do Presidente dos EUA:

    http://www.espacoacademico.com.br/034/34ebandeira.htm

    Quanto à Rede Globo, é a única emissora de televisão que, graças à troca de favores com os generais, nos anos 60 e 70, atinge atualmente quase 100% do território nacional.

    Em termos de “informação”, por exemplo, a audiência e repercussão do Jornal Nacional da TV Globo, no país inteiro, principalmente nas cidades menores, são incomparáveis com as de outras redes de televisão e diante de qualquer outro meio informativo.

    Isto foi introjetado na cultura brasileira no período da Ditadura Militar.

    Um abraço camarada e libertário.
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    FrancoAtirador

    02 de setembro de 2012 às 20h29

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    A Comissão da Verdade bem que poderia ouvir o depoimento do Sr. Euripedes

    que prestou o seguinte testemunho sobre Roberto Marinho e a Ditadura:

    De 1967 a 1970 trabalhei na Agencia Nacional órgão do Gabinete Civil da Presidência da República. Era teletipista,cinegrafista, auxiliar da redação e mensageiro entre Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada, Granja do Torto e todos os ministérios.
    Foi na de mensageiro que sabia de todo tipo de sujeira da DITADURA, pois eram usados envelopes amarelos com um simples barbante para fechá-los e era nessa oportunidade que lia todos os atos secretos da ditadura, inclusive diversas vezes assuntos particulares da primeira dama da republica Dona Yolanda Costa e Silva.
    Numa dessas mensagens eram para beneficiar Roberto Marinho, para que dessem todo apoio a ele junto ao Ministério das Comunicações e BNDS, que não desse apoio à imprensa de oposição à ditadura.
    Roberto Marinho enriqueceu às custas de ser um homem sujo, um verdadeiro ^^PUCHA SACO^^ da ditadura.
    Por eu saber demais, o jornalista Diretor-Geral da Agência Nacional, Arnaldo Cavalcante Lacombe, teve que me demitir a mando do Gabinete Militar e SNI.
    Segundo eles eu sempre estava enviando mensagens secretas para o jornal “O Estado de Sao Paulo” e a TV Morena, que não era antes filiada à TV Globo, e que eu havia participado de protestos na Universidade de Brasília, UNB,
    eu não era louco de fazer isso, pois sabia que todos da Agência Nacional eram vigiados pelo SNI.
    Eu estava simplesmente fazendo um curso preparatório para vestibular de jornalismo, curso gratuito mantido por professores voluntários da UNB.
    Foi quando soldados do Exército atacou todos que estavam na frente da UNB.
    Não adiantou eu mostrar minha credencial da Presidência da República e o crachá que eu usava para ter acesso a todos os órgãos do governo. Era uma credencial com duas faixas verde e amarela com dizeres Presidência da República e Agência Nacional.

    Mais de 40 anos depois ainda tenho sinas na cabeça, mão e perna.

    Sobre o envio de mensagens secretas, eu enviava sim, inclusive para imprensa oposta a Roberto Marinho, pois eu não gostava dele – era um PUCHA …..dos militares, era um traidor para enriquecer.
    Enquanto eu lia nos relatórios do Ministério da Justiça, Gabinete Militar e SNI.
    Eles achavam que eu era de muita confiança deles, mas não sabiam que quando chegava na redação da Agência Nacional eu gravava tudo quanto era sujeira nas fitas do gravador de telex – uma fita de papel perfurada, pois eu sabia muito bem ler os códigos das fitas, e quardava os rolos de fitas junto com os arquivos.
    Ninguém na Agência Nacional e nem o próprio SNI sabiam ler os códigos perfurados.
    Depois que terminava a transmissão da Voz do Brasil, quando todos iam embora, eu fechava as portas e enviavam todas as notícias secretas, inclusive quando tinha Roberto Marinho no meio, para a imprensa concorrente.
    Tenho muitas histórias para contar que levaria mais de 20 páginas sobre a sujeira da ditadura.
    Fui também perseguido pelo DEOPS em São Paulo e fui refugiado no exterior por 18 anos.
    – Euripedes Mendes da Cunha

    http://argemiroferreira.wordpress.com/2010/04/03/a-globo-e-a-ditadura-militar-segundo-walter-clark/

    FrancoAtirador

    02 de setembro de 2012 às 20h45

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    PARA A COMISSÃO DA VERDADE

    A seguir, o relatório mais completo do Senhor Eurípedes:

    A IMPUNIDADE DOS TORTURADORES DA DITADURA MILITAR.

    Os torturadores da Ditadura Militar estao ate hoje impunes. Deixaram centenas de pais e filhos desaparecidos ou mortos. Torturaram e assassinaram jovens inocentes que muitos deles nao tinham nocao do que estavam fazendo. Todos queriam somente ter liberdade de expressao, cidadania, viver na democracia e ser livres. Sabemos que centenas de filhos e pais nunca conseguiram ver pelo menos os restos mortais dos seus entes queridos, que seus corpos foram jogados em alto mar,enterrados em cemiterios clandestinos, torturados ate a morte, Incinerados em fornos de usina de cana-de- acucar, colocados em hospicios como loucos, mortos e depois sepultados como indigentes nas mesmas covas de outras vitimas com identificacao falsas. Ate hoje vivem partes dos torturadores impunes sem que a justica possa puni-los devido uma lei feita para protege-los, esconder-se atraz A Lei de Anistia sem que seus crimes fossem julgados. Aprovada em 1979 visava proteger os genocidas a impunidade e o esquecimento.

    Fui operador de telex, mensageiro, assistende de cinegrafista e aux-redacao. de 1967/1970 na Agencia Nacional, (Voz do Brasil), ligado ao Gabinete Civil da Presidencia da Republica, depois ao Ministerio da Justica e Negocios Interiores. Como mensageiro entre Palacio do Planalto, Palacio da Alvorada, Ministerios e Agencia Nacional o que aconteceu no governo federal que a imprensa ate hoje nao sabe. Tinha chances de saber antes do que ia acontecer no governo militar. Usavam envelopes tipo vai-e-vem daqueles amarelos que usava somente um barbante para fecha-los, nesse trajeto eu lia quase todos. Sabia de tudo que estava acontecendo ou iria acontecer. A Agencia Nacional funcionava no terceiro andar do bloco 10 do Ministerio da Justica. Como mensageiro e operador de telex era muito vigiado pelo Gabinete Militar, SNI, agentes do Ministerio da Justica, pois trabalhava no mesmo bloco. Vestidos de ternos e disfarcados ate de faxineiros, isso aconteceu uma vez, transferiram um rapaz da limpeza durante uma semana para outro andar e veio em seu lugar um sujeito que era do SNI ou Gabinete Militar, disfarcado de faxineiro. Eles nao tinham como enganar-me, pois eu sabia quem eram eles no Palacio do Planalto. Conhecia quase todos do Ministerio da Justica, inclusive delatores para se promoverem de funcoes e salarios e outros do servico de censura. Minha missao era retirar e entregar mensagens do Gabinete Militar, Gabinete Civil, Gabinete do Presidente da Republica, -terceiro andar-, Palacio da Alvorada, Granja do Torto, Ministerio da Justica e outros ministerios. Inclusive quando ia ao Palacio da Alvorada a maioria das mensagens eram entregues diretamente nas maos da Dona Yolanda Costa e Silva e quando ela enviava mensagens deveria ser entregue diretamente a pessoa indicada, nas mensagens dela os cachorros do SNI nao abriam. Todos os telex que enviavam da Agencia Nacional eram censurados. Inclusive ate as fotos e noticiarios cinematograficos eram censurados. Os noticiarios que iam para os cinemas so podiam mostrar inauguracoes, visitas de celebridades e as forcas armadas para amedrontar a populacao que eram poderosos. Centenas de vezes eu gravava no telex, fita de papel codificada as noticias originais e enviavam para a imprensa escrita, falada e televisada, as quais eu conhecia que eram contra o regime militar. Menos uma grande rede de radio e tv hoje no Brasil que seu proprietario era traidor do povo brasileiro e mais outro jornal. O proprietario desta grande rede, enriqueceu porque se uniu com os homens do mal. Como prova disto ha fotos divulgada em livros e pela imprensa, ele andando de bracos dados com um presidente da republica brasileira. Recebia apoio do Ministerio da Justica e do Ministerio das Comunicacoes recomendado pelo Palacio do Planalto, foi em um memorando enviado do Palacio do Plnalto para o Ministerio das Comunicacoes. Dias antes eu ja sabia qual seria parte do texto a ser assinado na reuniao do Conselho de Seguranca Nacional o ato do governo militar que iria fechar o Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal, Assembleias Legislativas e Camaras Municipais e que os governadores e prefeitos das capitais seriam nomeados. Tinha ate planos para colocar neste decreto pena de morte recomendada por militares da Linha Dura. Numa quarta-feira 11 de dezembro de 1968 eu ja sabia que o Presidente Costa e Silva iria dia 12 a Belo Horizonte e de la iria para o Rio de Janeiro. Eu sabia porque no dia 11 havia lido uma mensagem do Ministro da Justica enviada para a acessoria do presidente. Foi o que aconteceu no dia 13 de dezembro de 1968 o AI-5. Naquela noite fomos convocados pelo Diretor-Geral da Agencia Nacional jornalista Armando Madeira Bastos para ficar de plantao ate encerrar a reuiniao do Conselho de Seguranca Nacional no Rio de Janeiro. A noite uma amiga da Agencia Nacional do Rio de Janeiro havia me informado pelo Telex Ponto a Ponto que o locutor Alberto Cury havia sido convocado pelo Presidente Costa e Silva no Palacio do Catete, foi ai que achamos estranho pois, conheciamos o Alberto Cury e ele nunca teve contacto com o presidente. Foi transmitido em rede nacional o AI-5. A Agencia Nacional que enviava som em rede nacional de radios, naquela noite foi transmitida tambem pela TV em rede nacional. A Agencia Nacional somente gerava som, enviava via ponta a ponta e as emissoras formavam rede nacional. No periodo de 1967/1970 era assistente de cinegrafista, mas porem, fiz diversas filmamgens que estao no Arquivo Nacional, inclusive da visita da Rainha Elizabeth II, Primeira Ministra Indira Gandhy, Nelson Rockefeller e outras importantes figuras internacionais daquela epoca. Quando nao tinha redator disponivel preparava sinopses nas manhas. A unica autoridade que eu tinha amizade era o Chefe do Gabinete Civil Rondon Pacheco o qual tinha um filho que faleceu em um acidente na epoca que era meu amigo. Muitas vezes ele dizia que era contrario a linha dura dos militares. O Ministro da Justica e o Chefe do Gabinete Militar eram da Linha-dura sugeriram fechar o Congresso, o STF e cassar todos senadores e deputados que fossem contrarios a ditadura e pretendiam que todos os governadores e prefeitos das capitais fossem militares de alta patente. A intencao dos militares da Linha- dura era nao ter nenhum civil nos ministerios e outros cargos altos do executivo, a prova disto era que muitas chefias do excutivo que deveriam ser administradas por civis eram administradas por generais. A intencao era colocar ate pena de morte, isto a imprensa nunca ficou sabendo, ouvi de um funcionario do Planalto que eu conhecia falavamos quando almocavamos no restaurante no sub-solo do Palacio do Planalto. Segundo ele, ouviu numa reuniao de generais no Palacio do Planalto. A maioria das pessoas com quem trabalhei ja faleceram. Os funcionarios: Armando Madeira Basto, Arnaldo Cavalcante Lacombe, Diretores-Geral, Mateus Celano, Redator/Teletipista,(Secretaria de Imprensa), Meira Filho, Locutor e senador por Brasilia, Osmar Maria Assuncao, Ramon Garcia Casaus, Cinegrafistas (famosos), Eliezer Dutra Ribeiro e Jose Pedro Costa (JP Costa), Tecnicos Radiofonicos, Alfredo Pinto de Almeida, fotografo, Ulisses de Carvalho fotografo, Alberto Cury, Locutor oficial, Edison Nequete redator . Prestei servicos na Agencia Nacional de Sao Paulo, funcionava na Rua Sete de abril no predio do antigo Diarios Associados, Assis Chateaubriand. Foi nesse periodo que fiquei conhecendo um dos proprietarios do Jornal o Estado de Sao Paulo, o qual solicitou que quando soubesse de noticias nao censuradas que repassasse para ele. Tambem em Belo Horizonte e Rio de Janeiro, Av. Antonio Carlos.

    1967 – Lembro-me do dia 18 de julho de 1967 a morte do ex-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco ocorrida em um acidente com um aviao bimotor com um caca militar. Todo mundo suspeitava. O ex-presidente Castelo Branco ia fazer um pronunciamento para a nacao no dia seguinte. A Agencia Nacional foi avisada deste pronunciamento e iria mudar muitas coisas devido as torturas que haviam dentro dos quarteis e externamente protestos de civis, e militares moderados contra a atitude dos da Linha- dura. A Intencao do Marechal Castelo Branco, aliado com o senador Daniel Krienger contra o autoritarismo dos militares. Inclusive depois de muito tempo Krienger conseguiu assinaturas de diversos senadores contra o maldito AI-5 e deixou a presidencia da ARENA. A intencao de Castelo Branco era voltar o poder a um politico civil para derrubar o Presidente Costa e Silva, mas isso segundo militares da ala moderada seria uma tragedia para o Brasil, uma guerra dos moderados e civis contra a ala da linha dura. Segundo um tenente da aeronautica que eu conheci em um voo do Correio Aereo Nacional – CAN, eu sempre usava os avioes Avro C-91 e DC 3 de Brasilia para o Rio de Janeiro. Esse mesmo tenente ficou meu amigo. Ele era totalmente contrario a Ditadura Militar e tinha uma irma que estudava na UNB, a qual eu conhecia. Dias depois do sepultamento do General Castello Branco ele pediu para manter sigilo que havia comentarios dos moderados dentro do Ministerio da Aeronautica que aquilo foi coisa dos militares da Linha-dura. pois, eram inimigos do Marechal Castelo Branco. Segundo esse mesmo tenente havia oficiais de alta patente envolvidos neste acidente, pois, segundo ele que era tambem aviador era impossivel colidir num espaco aero limpo como estava. Nesta mesma epoca fiquei sabendo tambem da morte de um integrante do MNR Milton Palmeira dentro de um quartel do exercito.

    1968 – Foi um ano muito tumultuado. Criado o Conselho Superior de Censura – CSC para complicar mais, pois ja havia o CONTEL comandado pelos cachorros do SNI e DOPS. Eu residia perto da Universidade de Brasilia UNB e fui testemunha, lembro-me do mes de agosto que a UNB foi invadida pela policia. O Ministro da Justica Gama e Silva que autorizou essa invasao. No dia seguinte o Presidente Costa e Silva estava furioso com o ministro Gama e Silva, porque ele estava mexendo com caixa de marimbondos. Para o Presidente a UNB seria intocavel devido a filhos de militares e autoridades do governo frequentarem. Naquele ano fiquei sabendo que um brigadeiro chefe do gabinete do Ministro da Aeronaltica estava planejando explodir uma tubulacao de gas no Rio de Janeiro e dezenas de outros atentados para culpar os opositores rebeldes contra a ditadura , e jogar a populacao brasileira contra os rebeldes e que a populacao penssasse que fosse atos terroristas e subversivos. Posteriormente colocar pena de morte no Brasil. Tinha ate planos de atentados com aeronaves para culpar os revolucionarios. Esse mesmo brigadeiro era a figura do Hitler, queria usar um capitao para praticar os atentados. Quando ele negou, depois de certo tempo foi declarado pelo mesmo brigadeiro como louco. Causou grande revolta nos proprios militares da ala moderada. No mes de marco daquele ano fui ao Rio de Janeiro pensando que ia descancar mas foi pior que Brasilia, assassinaram o estudande Edson Luiz de Lima. Tive que permanecer somente dentro de casa, pois devido ao meu servico nunca poderia ser visto ou mesmo fotografado em lugares de protesto, pois poderia ser punido seriamente.

    O Ministro Gama e Silva era um Linha-dura que teve grande participacao no AI-5. Os pretextos para editar o AI-5 foram o discurso do deputado federal Marcio Moreira Alves, passeatas de civis, invasao da UNB, oposicao no Congresso Nacional e ala militar contraria a Linha-dura. Ele era vingativo.

    1969 – A Lei de Seguranca Nacional – LSN veio em setembro daquela ano para calarar, deixar o cidadao brasileiro congelado sem poder defender das barbaridades. Nao podia dar um telefonena, enviar cartas, um memorando ou mesmo um bilhete que era censurado. Nao podiamos falar nada, quando falava alguma coisa para o diretor ele dizia cuidado as paredes, as mesas e as cadeiras estao ouvindo. Sequestro do embaixador americano foi um dos motivos que os militares ficaram furiosos, pois havia pressao do governo americano e agentes da CIA infiltrados no Brasil. Costa e Silva é afastado por motivo de saúde. Uma junta de ministros militares assume provisoriamente o governo. A alta oficialidade das Forças Armadas escolhe o general Garrastazu Médici para presidente.

    Morte do Presidente General Arthur da Costa e Silva.

    Na tarde do dia 25 de agosto de 1969, fomos avisado pelo Diretor-Geral da Agencia Nacional que deveria permanecer ate acabar a reuniao no Palacio do Planalto e poderia terminar tarde, um operador de telex, um redator, um operador radiofonico e um locutor, o diretor ia ficar na Secretaria de Imprensa da Presidencia da Republica. A intencao do presidente era derrubar o AI-5, e promulgar uma nova Constituicao. Naquela noite ele comecou a passar mal, segundo o jornalista Armando Madeira Bastos com pressao arterial muito alta. Tudo causado pela rejeicao dos generais da linha dura. O comentario na Agencia Nacional era grande sobre a saude do Costa e Silva, pois todos os dias tinha que levar e retirar correspondencia no Palacio da Alvorada. Na noite de 17 de dezembro o senhor Dario, motorista da Agencia Nacional passou na minha residencia com mais funcionarios para ficar de plantao. Chegando la recebemos a noticia que o Presidente Arthur da Costa e Silva havia falecido.

    No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repressão em São Paulo.

    1970- Nao recordo exatamente o dia e mes, eu estava tomando cafe a tarde numa cantina no predio do Ministerio da Justica o qual era cedido para a Agencia Nacional, foi qundo dois agentes declararam que a OBAN Sao Paulo havia interrogada uma chefe da VAR- Palmares que seria uma mulher, nunca imaginaria que ela seria a Presidente Dilma Rousseft. Fui demitido pelo Diretor-Geral da Agencia Nacional jornalista Arnaldo Cavalcante Lacombe. Segundo ele nao partia dele, era recomendacao do Gabinete Militar e do SNI que haviam informacoes que eu sabia muito e que estava enviando materias censuradas para a imprensa, acredito que partiu de delatores da propria Agencia Nacional ou mesmo de proprios funcionarios do Ministerio da Justica, que tinha participado de protestos na UNB. A respeito da UNB eram noticias mentirosas, eu estava fazendo um curso com voluntarios para prestar vestibular de jornalismo e ouve um protesto de alunos com um caminhao de soldados do exercito que estavam passando numa avenida proxima. Os alunos jogaram pedras nos soldados e os mesmos desceram e bateram em que aparecia na frente, eu que nao tinha nada a ver com aquilo fui espancado e fui parar no Hospital Distrital de Brasilia, tenho ate hoje sinais na cabeca, perna e cortes na mao. Foi um caminhao do execito que passava proximo da UNB sentido Asa Norte. Sobre mensagens secretas que enviavam e saber muito das mensagens secretas eram verdade. Sempre ficava depois que todos saiam eu enviavam. Gravava nas fitas codificadas do telex noticias antes de serem censuradas. O Diretor-Geral da Agencia Nacional nomeado depois da morte do ex-presidente Costa e Silva era meu amigo e foi obrigado a dar a noticia da minha demissao, pois ele poderia perder o cargo e ainda recomendou-me que eu deveria sair imediatamente de Brasilia. Fiz diversas tentativas para retornar, mas nao foi possivel. Proibiram minha entrada no predio. Naquele No mesmo ano, fui para Sao Paulo. Foi em Sao Paulo que comecou o sofrimentro. Todo emprego que conseguia tinha que fornecer Atestado de Ancedentes do DEOPS, pois eu era obrigado a colocar na ficha de emprego que trabalhei para o Governo Federal, pouco tempo a empresa me demitia com medo de repreencao dos militares. Haviam delatores em muitas empresas privadas. Naquela epoca 1972, trabalhava numa empresa no bairro Agua Branca e conheci um amigo que morava em Franco da Rocha, o qual me disse que havia um concurso para trabalhar na laboraterapia do Hospital Juqueri em Franco da Rocha. Para admitirem exigiram um atestado do DEOPS, este mesmo DEOPS exigiu que eu fosse ate a cidade de Monte Carmelo, MG e solicitasse ao Cartorio de Crimes Eleitorais uma certidao para provar que eu nao estava sendo processado por participacao em grupos subversivos ou terroristas. Fui fazer treinamento, foi ai que descobri que o Hospital Juqueri era igual a um campo de concetracao nazista, eram aplicadas injecoes de Escopolamina. A substância foi largamente empregada por Hitler nos campos de concentração nazistas, injecoes que deixavam as pessoas alucinadas com perda de memoria. produz a sensação de morte iminente. Em altas dosagens, causa delírios e amnésia temporária, a pessoa não se lembra do que faz durante o efeito da droga e faz o sujeito confessar qualquer negocio. Pacientes abusadas sexsualmente, engravidadas por certos funcionarios, inclusive criancas vivendo no meio dos doentes. Era horrivel, ver deficientes fisicos/mentais, idosos mentais e nao mentais abandonados pelas familias, mentais tuberculosos e outras doencas infecto-contagiosas. Havia uma arena enorme fechada e coberta por cima com telas para pacientes tomar sol parecia um circo, a comida era colocada em pratos por buracos, como jaulas de bichos, aquilo era imprenssionante parecia cenas do filme Fuga de Sobibor, era o Holocausto pisiquiatrico neste meio haviam pessoas enviadas do DEOPS, do DOI-CODI, de quarteis, para serem internadas como loucas, segundo funcionarios,elas eram torturadas nos orgaos de repreecao ate perder a memoria, inclusive segundo funcionarios eles batiam na cabeca dos torturados sem ferimentos mas que perdiam a memoria. No Juqueri para mante-los inconcientes aplicavam as tais injecoes alucinadoras. Foi nesta epoca que cheguei a ver viaturas do IML, Servico Funerario de Sao Paulo, enterrando corpos no cemiterio do Juqueri em covas de outros mortos e colocavam a identificacao de volta do antigo, ficando o corpo sepultado naquela hora sem identificacao, isso acontecia tambem no cemiterio de Perus. O movimento de sepultamentos no cemiterio de Perus era 5 vezes mais do que morria na cidade. No Juqueri haviam pacientes de boa aparencia, que nao tinha nada a ver com aparencia de um doente mental, eram dopados e perdiam a memoria. Um paciente havia saido e tentava fugir e disse que ele nao era louco e que procurasse sua familia. Quando ele estava fornecendo os dados pegaram ele e aplicaram uma injecao e colocaram uma camisa de forca, nunca aquilo saiu da minha mente, nao acreditava que ele estava falando a verdade, cheguei a anotar o nome, mas nao recordo mais. Depois que fiquei sabendo que aquilo era um campo de concentracao da ditadura militar. Um funcionario informou-me que haviam buracos cobertos e com matos cobrindo, na mata do Parque do Juqueri, mas tinha medo de falar e ser morto. Tudo isto aconteceu em apenas duas semanas. Com medo, nunca mais vi meu amigo e sua familia e nao quis saber do emprego do Juqueri. Nessa epoca comecaram a procurar-me porque nao queria mais trabalhar naquele emprego. Em dezembro de 1990, voltei a Franco da Rocha para ver se localizava alguem. Era tudo diferente fui ate o Juqueri entrei em depressao imediatamente e comecei a chorar por saber que centenas de pessoas havia morrido sem que eu nao pudesse fazer nada, inclusive, os que foram torturados pela ditadura militar. Nao tinha muita nocao do que eles torturadores agiam por traz dos centros de repeencao da ditadura, achava que as vitimas nao estavam falando a verdade por estarem naquele lugar, talvez eu poderia ter ajudado alguem a localizar suas familias. Com o passar do tempo que descobri o que era a Ditadura Militar. Nessa minha visita consegui localizar uma pessoa aposentada que nao quis me fornecer o nome com medo de ser punido. Ele disse que aquilo e um campo de concetracao e que o incendio de 1978 foi provocado por pessoa que ( divida no cartorio). Um mes depois resolvi enviar diversas cartas denunciando. Tive muitas dificuldades em todo emprego que trabalhava, sempre alguem perguntando sobre minha vida, eu sabia que eram da ditadura. Nessa epoca conheci minha esposa que era do Vale do Ribeira. Neste periodo no Vale do Ribeira havia grande quantidade de grupos contra a ditadura militar. Por este motivo que o exercito, policia militar e agentes do delegado Sergio Paranhos Fleury estavam sempre presentes no Vale do Ribeira. Foi nesta epoca que estava na Ilha Comprida a passeio e vi avioes militares passando baixo na regiao, foi quando um pescador me disse que eles haviam jogado dias anteriores pacotes parecidos com corpos enrolados mais ou menos a dois quilometros da praia, segundo ele amigos que estavam pescando no mar eram corpos enrolados com pesos e afundavam rapidamente. Em 1975 comecei a trabalhar de Despachante foi ai que comecei a ver coisas barbaras, no predio do DEOPS, Rua Maua, e no DEIC em Sao Paulo. O Servico de Fiscalizacao de Despachantes funcionava no DEIC, mas quem era responsavel era um delegado da Corregedoria da Policia Civil, depois transferida para a Delegacia do Consumidor – DECON – predio do DEOPS. Sempre ia retirar Atestado de Antecedentes do DEOPS, para advogados e outros Despachantes. Escutava gritos horrives de espancamentos. Sempre via o temido delegado Sergio Fleury, que sempre passava pelos corredores oficiais do exercito e outros delegados tambem torturadores. Nesta epoca como Despachante conhecia todos os torturadores do DEOPS, DEIC, militares e alguns do DOI-CODI. Tinha investigadores contra os torturadores que tinham medo de serem mortos pelos proprios colegas. Isso fiquei sabendo no restaurante que ficava na esquina da Brigadeiro Tobias com a Rua Senador Queiroz atraves de dois investigadores e um delegado que trabalhava no DEIC , mas eram gente boa que que trabalhavam mais na area administrativa segundo outros despachantes. Eu retirava todos os dias Certidao Negativa de Furtos de Veiculos para outros Despachantes da capital e do interior convidei eles para almocar que eu pagaria a conta. Na mesa disseram para ter muito cuidado com as pessoas citadas por eles que eram torturadores, que eles proprios tinham medo deles.

    Em 1975 fui ate a Tv Cultura para conseguir uma vaga como cinegrafista 16 mm, pois havia trabalhado com 35 mm. Foi na Tv Cultura que conheci o Vladimir Herzog , isso foi no inicio do ano. Em outubro do mesmo ano torturam ele ate a morte e depois disseram que ele se enforcou. Foi mentira porque dois investigadores que trabalhavam no DETRAN informou-nos que eles torturaram ele tanto que ele deu uma parada cardiaca e morreu, depois ensairam que ele se enforcou. O medico-lexista mentiroso do IML concluiu que foi asfixia. Na manha do dia 16 dezembro de 1976 , dia da Chacina da Lapa, estava indo para meu trabalho na Vila Anastacio e passava pelo rua Pio XI na Lapa, bairro de Sao Paulo haviam dezenas de soldados do exercito e caros da Policia Militar e Policia Civil, inclusive estava la os torturadoes, o demente delegado Sergio Fleury do DOPS e o coronel do exercito Ustra, inclusive naquele dia a equipe do Fleury plantou armas apreendidas de outras pessoas no local do crime para dizer que foi em legitima defesa. Foi horrivel parecia filme de Al Capone, metralharam janelas, portas e paredes. Assassinaram Pedro Pomar e Angelo Arroyo sem reagir. Joao Batista Franco Drummond foi torturado e morto no DOI-CODI, depois colocaram seu corpo na Av. 9 de Julho esquina com R. Paim, Bela Vista recolhido pelo IML como atropelamento.

    Em 1980 mudei de Sao Paulo para Registro, SP para sair da pertubacao e comprei um sitio no municipio de Iguape,SP. Consegui um emprego no departamento de agua e esgoto de Registro, poucos meses depois fui demitido sem saber o motivo. Nesta mesma epoca abri um escritorio de despachante em Iguape,SP, mas ficava mais no sitio. Certo dia apareceu no sito uma Veraneio e um Jipe com aproximadamento 8 policiais civis todos com armamentos pesados procurando fujitivos de Sao Paulo. Um dos policiais eu conhecia. Ele me confidenciou que estavam a procura de grupos subversivos e que ele estava ali escalado pelo chefe que estava presente, mas que nao estavam muito interessados em capturar ninguem e que haviam muitas viaturas do exercito na regiao. Depois que acabou a ditadura em 1985, ainda existia grupos de exterminio da policia militar e policia civil. Em 1990 comecei a fazer denuncias sobre o Juqueri, cemiterio de Perus, do DEOPS e DEIC, enviei denuncias para a Assembleia Legislativa e diversos orgaos de direitos humanos e imprensa contando sobre o que sabia de todos os anos que passaram da ditadura. Certo dia estava no DETRAN de Sao Paulo e vi dois caras vestidos de terno me vigiando. Meu carro estava estacionado do lado do Ibirapuera. Quando estava cruzando a passarela para pegar meu carro, os dois individuos me seguiram. Para minha surpresa havia um Opala preto com antenas no teto, foi quando os dois vieram atraz de mim. Eles entraram no carro e me seguiram ate o bairro Imirim zona norte, apartir deste dia sempre os via nas emediacoes da minha casa. Todas vezes que saia de casa era obrigado sair pelos fundos e nao ir mais ao DETRAN. Quando percebi que algo mal ia acontecer comigo viajei para o exterior e pedi exilio conforme documentos fornecidos em meu poder.
    Refugee Travel Document (UN Convention of July ,28 1951).

    Texto sem acentuacao devido o teclado ser en ingles -USA
    Euripedes Mendes da Cunha

    http://edacunha.blogspot.com.br/2012_06_01_archive.html

    FrancoAtirador

    02 de setembro de 2012 às 21h02

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    PARA A COMISSÃO DA VERDADE

    Sobre Shibata, o legista da ditadura

    Outro testemunho do Sr. Eurípedes:

    Euripedes Mendes da Cunha
    abril 7, 2012 – 12:56 pm
    Fui uma das vitimas das ditadura. Comecou por Brasilia. Era funcionario do Gabinete Civil da Presidencia da Republica de 1967 a 1970, na epoca era o Ministro Rondon Pacheco. Executava servicos na Agencia Nacional, (Voz do Brasil) . Comecei como continuo, depois passei a auxiliar da redacao, teletipista, cinegrafista e mensageiro entra Agencia Nacional, Ministerios, Gabinete Civil, Palacio do Planalto, Palacio da Alvorada e Granja do Torto. Fui o primeiro operador de telex a transmitir para toda a imprensa falada, escrita e televisada as 11.30 da noite do dia 13 de dezembro de 1968. Era diretor da Agencia Nacional, o jornalista Armando Madeira Bastos, depois da morte do Presidente Costa e Silva assumiu o cargo o jornalista Arnaldo Cavalcante Lacombe. Dia 20 de marco de 1970, por ordens do SNI o doutor Lacombe me comunicou que o SNI havia pedido minha demissao.Segundo eles eu havia participado de protestos na UNB. Isso era mentira,pois eu nao era louco de participar de protestos, pois sabia que todos funcionarios da Agencia Nacional eram vigiados pelo SNI. Estava fazendo um curso com voluntarios da Universidade de Brasilia – UNB, para prestar vestibular de jornalismo. Alunos da UNB jogaram pedras nos militares que estavam num caminhao do exercito e eles atacaram os estudantes. Nessa fui espancado, tenho sinais ate hoje na mao, cabeca e perna. Fui hosptalizado no Hospital distrital de Brasilia por dois dias. Foi por este motivo e segundo o SNI eu havia traido o governo federal enviando noticias censuradas para a imprensa. Nao me deram chances de defender, pois estava na UNB estudando, nao fiz nada de errado.Nunca pude defender, pois era concursado para exercer minha profissao. Segundo o Diretor-Geral da Agencia Nacional Dr. Arnaldo Cavalcante Lacombe eu deveria sair de Brasilia, pois seris muito perigoso para mim. Fui para Sao Paulo, fui perseguido pelo DEOPS, Todo emgrego que encontrava era preciso tirar atestados de atencedentes do DEOPS, pouco tempo era demitido.

    Em 1975 comecei a trabalhar de Despachante, foi nessa epoca que sabia tudo sobre a repreencao da ditadura, pois conhecia muito bem o DEIC, delegacias de policias, inclusive toda semana retirava atestados de antecedentes no ao lado da Estacao Julio Prestes, escutava muitas vezes gritos no interior do predio.

    Quando fiquei sabendo do medico legista HENRRY SHIBATA , foi atraves de um delegado e de um investigador de policia o qual conheci no proprio DEIC, eles eram da delegacia de furtos e fomos almocar num restaurante na esquina da Senador Queiros com Brigadeiro Tobias. foi na mesa que eles disseram cuidado com o que voce ve dentro do DEIC e no DEOPS, foi nesse dia que o delegado contou sobre o HENRRY SHIBATA , que ele era medico da ditadura e que dava atestados de obtos sem ver a vitima.
    Antes de ser despachante passei num concurso para trabalhar no Hospital Juqueri. Foi um amigo que me incentivou a fazer o concurso.
    Quando fui passar pelo treinamento que comecei a ver coisas horriveis jamais vistas, somente no nazismo. Haviam dezenas de pessoas que nao eram loucas e sim enviadas do Doi-Codi e DEOPS para la, Eram aplicadas injecoes usadas nos campos de concentracoes nazistas. Tenho muito para falar deste Juquiri, depois de 15 dias abandonei o servico.

    Fui muito perseguido porque havia contado muito para o Diario da Noite, Diario Popular e para o proprio Estado De Sao Paulo. Mesmo acabando a ditadura era perseguido. Fui refugiado durante 19 anos.

    Tive um REFUGEE TRAVEL DOCUMENT. UN Convention de July 28, 1951.
    Ha um ano estou no Brasil.
    Euripedes Mendes da Cunha.

    http://correiodobrasil.com.br/shibata-o-legista-da-ditadura/426238

    vinìcius

    02 de setembro de 2012 às 21h39

    a coragem sucumbiu à covardia.

O_Brasileiro

02 de setembro de 2012 às 13h49

Eu quero é TCHU, eu quero é TCHÁ… Eu quero TCHU, TCHU, TCHU, TCHÁ, TCHÁ!
Quando o homem tem liberdade e alimento, se volta para coisas “secundárias”.
E, da mesma forma que ocorre nos apelos publicitários dos artistas, para os intelectuais também é interessante se mostrar na “vanguarda”, mesmo que isto signifique um retrocesso reacionário pré-iluminista!
Pessoal, aproveitem e TCHU, TCHU, TCHU, TCHÁ, TCHÁ… seja lá o que for que isto quer dizer…

Responder

Julio Silveira

02 de setembro de 2012 às 12h34

Nem gosto de expor minha opinião, já que nem sou tão “intelectual” quanto muitos dos nossos “esquerdistas” de plantão, que acham ser o máximo do esquerdismo ter conhecimento do texto de Marx. Mas não me furtarei em dar minha opinião. Acredito que no Brasil as “esquerdas” carecem de conteúdo, de alma própria, que a direita, o coservadorismo, sempre ostentou. A direita sempre teve seus herois, e souberam através de seus instrumentos transportá-los para os cidadãos. Seus nomes e suas histórias, sob a pespectiva deles. A esquerda, não tem herois nacionais, só a falsa utopia, ou alguns nomes próprios utilizados como exemplo da tal ideologia. Mas todos ambiguos na história, como um Prestes, dubio na opção esquerdista. Já que, pelo menos até onde se sabe, não só por mim, ele foi levado até este posicionamento ideologico por questões, nem tanto de convicção mas de conveniência para poder manter vivo seu ideal, isso sim dele, ideal nacionalista. Ou um Getulio, que não pode ser chamado de esquerdista, mas de um progressista humanista em muitos sentidos e conservador em muitos outros. Um Brizola que para um simbolo esquerdista deveria estar muito distante, por ter sido, sempre, um patrimonialista. Assim como nosso proprio atual exemplo de esquerdista, o ex-presidente Lula, que sempre declarou não sê-lo, assim como muitos ditos esquerdistas. No Brasil, o termo esquerdista tem sido muito utilizado para abrir flancos de exploração do poder. Como se a politica fosse enxergada como uma mina de ouro, e o discurso, direita ou esquerda, um veio a ser explorado.
Nossa “esquerda”, não tem nada de autentica. São arrogantes complexadas, com complexo de incompreensão. Mas sem auto critica verdadeira. Como anencefalas, se inspiram no legado da direita que sempre lhes governou e impos no seus incoscientes seus idolos. No poder se utilizam dos mesmos intrumentos da direita, não alteram virgulas, nem na cultura nem na ação, que por mais contestações que possa haver, quem tem senso critico virificará o fato. Nossos atuais governos de esquerda tem muito de inspiração nos governos militares ditatoriais, deferem-se apenas na origem, não na ação. Falta o processo criador e talvez isso acabe por identificar o fator que torna a esquerda tão decadente culturamente na formação cultural, afinal ela tem abdicado de pensar e propor, preferindo criar o conto do vigário que é apontar os males da direita sem oferecer um contraponto efetivo e original.

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pperez

02 de setembro de 2012 às 12h10

Não sei o que é pior se a inexcistencia da hegemonia na cultura ou na politica!

Responder

Luc

02 de setembro de 2012 às 11h48

O que acontece na natureza ocorre nos grupos dentro da sociedade, como se dentro de biomas. Num país, ao passar do tempo, vai ocorrendo com os partidos o que se chama na biologia de sucessão ecológica. Para se entender mais os fenômenos, uma abordagem multidisciplinar é preferível.

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Bonifa

02 de setembro de 2012 às 11h47

É um fenômeno que é mera repetição do que aconteceu na Europa. Castrar de qualquer modo a intelectualidade de esquerda, confinadoa nas masmorras luxuosas das academias, onde poder discursar à vontade, mas sem jamais atingir novamente os ouvidos do povo. Enquanto isso, lá fora promover a sociedade do espetáculo, fazendo com que a opinião de celebridades seja mais importante que um tratado inteiro de sociologia.

Responder

    pperez

    02 de setembro de 2012 às 17h51

    isso! e + doses cavalares de tchu,tcha ou coisa que o valha para manter anestesiados os neuronios da tchurma!

    Bonifa

    03 de setembro de 2012 às 09h15

    Na Europa, com cultura mais profunda, foi preciso anular os artistas e filósofos da esquerda, trancandosos em galerias luxuosas ou no espaço exíguo de uma intelecualidade estéril. Para isso, entretanto, foi necessário improvisarem filósofos midiáticos e espetaculosos, para servirem de tampão a uma carência cultural objetiva. No Brasil, o teatro, depois do trabalho maravilhoso de toda uma geração que moeu a própria carne para jogar seu sangue no palco, teve que se refugiar na comédia vulgar do cotidiano, para não morrer. Ou, mesmo que tendo de se travestir em alguns relâmpagos de consumo, na contínua visitação dos mestres da antiguidade, para manter viva a semente da finalidade didática. A poesia se refugiou nas mais obscuras cavernas da Rede, de onde prepara armadilhas impotentes para atacar a realidade do espetáculo neoliberal. E quando consegue botar a cabeça para fora de seu refúgio, é imediatamente atacada pelos pitbulls da crítica da mídia do sistema, que não desejam marolas de novidades perturbando o domínio de sua mediocridade, e tem que voltar a seus abrigos de sombra virtual. Tristes tempos, que haverão, contudo, de passar, e que disso ninguém duvide.

Paulo Henrique nTavares

02 de setembro de 2012 às 11h46

Eu não tinha nunca tido esta leitura.
Porém, se perdemos (pois defendo o pt e o governos Lula/Dilma) a “hegemonia” na cultura (tenho minhas dúvidas), temos uma das menores taxas de desemprego da história, a maior taxa de jovens estudando em universidades, a menor taxa de juros dos últimos 30 anos (que na prática é tirar dinheiro de pobre para dar para rico), temos o momento de menores conflitos armados na América Latina, o momento de maior integração regional, a maior independência energética da história, entre muitas outras mudanças
Nos damos ao luxo de não reconhecer governos golpistas, como o do Paraguai, então, como assim Safatle? Se estamos supostamente mais “conservadores” na cultura, estamos mais povo na política e na economia.
Se for verdade o que você constatou, acho que estamos ganhando e muito.
Os mesmos “revolucionários” bem pagos da música, muitas vezes defenderam e defendem os maiores absurdos na política e na economia, vide por exemplo, Caetano Veloso.

Responder

    Lu Witovisk

    02 de setembro de 2012 às 12h27

    Pois é Paulo Henrique, temos tantos prós e não aproveitamos.
    Agora era hora de honrar o compromisso da reforma agraria, de não deixar empresas como a Embrapa como “a bola da vez” em abertura de capital, em se dar ao luxo de ser sim mais povo.

    Por enquanto estamos deixando boa parte da alegria para empresarios do agronegócio e para os Eikes da vida.

    abraço.

    Paulo Henrique Tavares

    04 de setembro de 2012 às 15h17

    Lu,

    Ti ruskaia?
    Patamu shta ia russki (palavini)
    Tseluiu

    Paulo

    02 de setembro de 2012 às 13h25

    Pois então: (Frisando, o que parece que você não entendeu!)

    “Por outro lado, a repetição reiterada do lado bem sucedido do governo soava, para muitos, como estratégia para diminuir a força crítica diante dos erros, que não eram mais comentados no espaço público, devido ao medo de instrumentalização pela mídia conservadora.”

    =========================================================
    A “hegemonia” da esquerda agora é caduca, fica repetindo, repetindo, repetindo, como velhos esquizofrênicos que já não tem mais sonhos ou desafios.


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