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Vivaldo Barbosa: Episódio do senador e seu dinheiro sujo nas partes íntimas nos serve de lição sobre corrupção e política
Jair e Chico, o senador do dinheiro sujo nas nádegas. Reprodução
Política

Vivaldo Barbosa: Episódio do senador e seu dinheiro sujo nas partes íntimas nos serve de lição sobre corrupção e política


17/10/2020 - 18h50

CORRUPÇÃO E POLÍTICA

Por Vivaldo Barbosa*

Este episódio do senador e o dinheiro nas suas regiões íntimas é bem elucidativo para compreensão de fatos recentes da vida republicana brasileira.

É evidente que não se deve atribuir isto ao governo atual, nem ao presidente Bolsonaro.

Mas o fato de ele ser vice-líder do governo, dos líderes do governo no Senado e na Câmara estarem sendo processados por corrupção e terem sido objeto de buscas e apreensões é revelador do quanto se lida com os interesses da República com tanto descuido e até mesmo descaso.

As situações de corrupção rondam todos os tipos de governo, mas são evidentemente mais presentes nos ambientes conservadores e onde mais circulam interesses econômicos e o mundo do dinheiro.

E também em ambientes progressistas menos cuidadosos.

Me lembro da advertência de Leonel Brizola na primeira reunião do secretariado em seu governo no Rio de Janeiro, em 1983:

“Tomem cuidado. Em seus gabinetes nunca vai circular uma mãe com filho no colo passando fome. Por lá vão andar larápios e gente cuidando de interesses às vezes escusos. E notem que eles (o outro lado, o conservadorismo) vão estar sempre nos mirando”.

A questão da corrupção tem sido uma arma de ação política decisiva em muitos momentos no Brasil e em outros países.

Criou-se a figura do “mar de lama” para derrubar o Presidente Vargas.

Em 1964, deram o golpe para combater a corrupção e o comunismo. Não encontraram nada, nem uma coisa nem outra. Mas isto não importava, os meios de comunicação estavam aí para criar o clima.

Agora, nos episódios mais recentes do criado mensalão, da derrubada da Presidente Dilma, na retirada de Lula das eleições e sua prisão e nos fatos que levaram à eleição de Bolsonaro, outro fator entrou em cena: o Judiciário e o Ministério Público. No meio, o acordo com o Ministério da Justiça dos Estados Unidos.

Igualmente, a participação dos meios de comunicação.

Os juízes e promotores que se reuniram como a República de Curitiba e seu pé no Tribunal Federal de Porto Alegre e no STJ e Supremo elegeram o combate à corrupção como missão.

Passaram por cima das leis, da Constituição e da natureza das suas instituições.

A missão do Judiciário e do MP é combater todos os crimes, seja de que natureza for.

A lei, que emana dos poderes eletivos na República, é que classifica os crimes. Algumas leis chamam até de hediondos alguns crimes. Não compete a juiz ou promotor esta classificação.

A primeira lei da República, do Ministro da Justiça Campos Salles, dizia que a função do Ministério Público era fiscalizar a execução do direito, em sentido bem amplo.

Aliás, por definição teórica, o MP é considerado o fiscal da lei. E assim o é o juiz.

Dar preferência a combater determinado crime, classificá-lo com penas maiores ou menos severas é da esfera da política.

Para tanto, tem que se ir a praças públicas, subir no caixotinho, pedir votos e chegar ao Congresso Nacional. E fazer as leis.

Ser promotor, procurador ou juiz não dá direito a fazer distinções, nem ter preferências.

Justificam que corrupção retira recursos de saúde, educação e outras necessidades.

Por acaso o contrabando também não?

Falta de arrecadação adequada, falhas na fiscalização ou outros delitos?

Os procuradores e os juízes da República de Curitiba elegeram a corrupção como missão com nítidos propósitos políticos.

E até se acertaram com o FBI e Ministério da Justiça americano. E com respaldo dos meios de comunicação, total apoio.

Tudo ficou claro com os diálogos que travaram a respeito, como revelados.

O procurador Dellagnol, um celerado neste propósito, chegou a visualizar um centro de corrupção que mapeou e a imprensa difundiu com gosto especial. E o juiz Moro todo engajado na campanha do Bolsonaro.

Este episódio do senador e de seu dinheiro sujo nos serve de lição: para enfrentarmos a corrupção é necessário um esforço geral, uma ação da República, de todas as instituições, todos temos de estar envolvidos.

Não podemos deixar que sirva mais a propósitos de derrubada de governos, de tomada de poder.

* Vivaldo Barbosa é advogado,  professor e coordenador do Movimento O Trabalhismo. Brizolista e trabalhista histórico, foi deputado federal constituinte pelo PDT e secretário da Justiça de Brizola.



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6 comentários

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Zé Maria

18 de outubro de 2020 às 19h57

É verdade, Professor Vivaldo.

A Sonegação de Impostos, por exemplo,
retira mais Dinheiro Público da Saúde
do que esses casos de corrupção aí.

Aliás, está na hora de o Congresso
criminalizar os Sonegadores e
fazê-los pagar o que devem,
não isentá-los como é feito e
defendido por Guedes e Maia.

Responder

Henrique Martins

18 de outubro de 2020 às 18h45

https://www.brasil247.com/midia/wall-street-journal-mark-zuckerberg-orienta-o-facebook-para-favorecer-direita-e-prejudicar-sites-e-iniciativas-de-esquerda

Isso é só a ponta do iceberg. O Facebook foi usado para promover a Primavera Árabe e insuflar as manifestações de junho de 2013 contra o governo Dilma Rousseff. Depois que o golpe foi descoberto imediatamente Mark comprou o WhatsApp e agora a rede está sendo usada para propagar fake news e eleger governantes de extrema direita, além de derrubar governos.
Mark está a serviço do demônio.

Responder

Roberto Garcia

18 de outubro de 2020 às 18h32

bela contribuição. esse vivaldo deveria escrever mais. precisamos de gente como ele.

Responder

Henrique Martins

18 de outubro de 2020 às 17h59

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-apresentadora-da-record-passa-pano-em-robinho-e-fala-em-prostituicao-e-algo-programado/

Robinho – cidadão do bem – se comparou publicamente ao demônio que nos governa. Obviamente que ele pediu ao demônio dono da Record para mandar a moça fazer o serviço sujo para passar um pano. Afinal, não fica bem ser comparado ou elogiado por estuprador.
A propósito, é impressionante até onde uma pessoa pode descer para manter um emprego na TV.

Responder

Henrique Martins

18 de outubro de 2020 às 16h34

Obviamente a apresentadora foi intimada por Edir Macedo a fazer essa defesa de Robinho a mando de Bolsonaro já que o jogador – cidadão do bem – se comparou a ele.
Afinal não fica bem ser comparado a um estuprador.

Responder

    LUIZ GOMES MOREIRA

    19 de outubro de 2020 às 16h03

    Isto é fichinha para p fulano, pois ele disse que não estrupava a deputada porque era feia e não era seu tipo. Creio que o ROBINHO aprendeu com ele. Bom aluno.


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