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Diário da Resistência


Vivaldo Barbosa: As vias são só duas; Lula, com o povo; Bolsonaro e Moro, na companhia da direita extremada
Fotos: Ricardo Stuckert e Valter Campanato/Agência Brasil
Política

Vivaldo Barbosa: As vias são só duas; Lula, com o povo; Bolsonaro e Moro, na companhia da direita extremada


27/11/2021 - 20h17

E O POVO BRASILEIRO VAI EM FRENTE

Por Vivaldo Barbosa*

A partir da Revolução de 1930, surgem traços fortes de identidade do povo brasileiro. Antes, diversas manchas, mais tentativas do que realidades.

A implantação dos direitos trabalhistas, em especial salário mínimo e férias, Previdência Social, aposentadorias, sindicatos, Justiça do Trabalho. A ideia da soberania e defesa das nossas riquezas. O Estado capaz de defender direitos e enfrentar grupos econômicos. A ideia do desenvolvimentismo como capaz de superar o atraso, tudo a plasmar a identidade do povo brasileiro.

Salário mínimo razoável e aposentadorias foram ideias tão poderosas que marcaram toda uma época e inspiraram muitos países. Tão forte como agora a superação da pobreza e da miséria em tempos recentes com Lula.

A par disso, vamos aí carregando contingentes conservadores.

A elite perversa de que nos fala Darcy Ribeiro, os que teimam em seguir a marca terrível da escravidão e do colonialismo, sócios menores dos grupos econômicos internacionais, domínio fácil dos meios de comunicação e áreas culturais.

Mas, desde que o povo se firmou como tal, o sentimento de gente brasileira e de nacionalidade tem prevalecido.

Podemos traçar uma linha bem definida desde as primeiras manifestações politicas eleitorais: derrubaram Getúlio em 1945, mas o povo elegeu Getúlio em 1950; arrasaram com Getúlio em 1954, o povo elegeu Juscelino e Jango no ano seguinte.

E sempre tendo forças poderosas do outro lado, carregadas de grupos de interesse daqui e de fora. Foi preciso um golpe para barrar os avanços.

Com golpes de outra natureza, procuraram enganar nosso povo com o caçador de Marajás e o Plano Real.

Mas o povo brasileiro se recuperou, devotou desprezo a eles e elegeu Lula duas vezes e Dilma duas vezes.

Fizeram o que fizeram com derrubada da Dilma, golpe judiciário contra Lula, a ponto de tirá-lo da eleição, e elegeram Bolsonaro.

Mas o povo brasileiro já está se recuperando mais uma vez e começa a apresentar sua presença de novo, apesar do conservadorismo, da herança da escravidão e do colonialismo e do direitismo das sociedades de matriz europeia que estão sempre a mostrar poderio e força política.

É razoável estimar que essas forças expressam em torno de 35%, ou um terço, dos brasileiros, um pouco mais, um pouco menos.

Isso se vê através de resultados de eleições, pesquisas e análises bem apuradas, desde as eleições que uniram o conservadorismo, de Eduardo Gomes e Juarez Távora aos quatro tucanos que disputaram eleições mais recentes. E até mesmo com situações anômalas como Collor, Fernando Henrique e Bolsonaro.

Agora, desenha-se este novo quadro. Lula, com ampla preferência, representando as forças populares, beirando entre 40 e 50%.

Do lado conservador e do direitismo, estão Bolsonaro e outros atores menores.

Bolsonaro e sua direita mais extremada — policiais, áreas militares, classe média e uma pequena burguesia radicalizada –, devem contar com, pelo menos, 15 a 20 %.

Juntando seu poder de tomar algumas ações de governo e algumas áreas evangélicas ainda não libertadas, Bolsonaro pode chegar a 25%, outros dirão a 30 %.

Lançado agora, mas já candidato há muito, surge Sergio Moro, bafejado pelos meios de comunicação, de maneira muito descarada pelo sistema Globo.

Moro e Bolsonaro se equivalem, ambos de um direitismo extremado, estarão a disputar a mesma parcela do eleitorado.

Bolsonaro, de maneira mais tosca, mais grosseira, e Moro a receber apoio de áreas de comunicação, elites que querem parecer mais refinada, gente do sistema financeiro e grupos econômicos internacionais que se incomodam com os primarismos mais grotescos do Bolsonaro.

Mas ninguém se iluda: Moro é igualmente extremado de direita, com capacidade de agir em áreas do judiciário, mídia, capital estrangeiro, grupos internacionais, gente que sente certo incômodo com Bolsonaro.

Brizola nunca deixava dúvidas: são novas caras da direita.

Mas o cinismo é tamanho que estão tentando apresentar Moro como terceira via.

A campanha de Moro tende a ser muito raivosa, acirrada, de muitas disputas, a provocar irritações, por tudo que o envolveu até aqui.

Outras áreas que se apresentaram até aqui vão se dissolver, como os tucanos, arrebanhados mais por Moro, e Ciro Gomes, que se reduzirá a áreas com proximidade a Lula e outras mais raivosas que se acertarão com Moro, certamente.

Embora Moro abocanhe algumas áreas, como é previsível, nada chegará aos 10, 12, 15%, se muito.

A luta política se exacerbou muito devido a todos os acontecimentos. A área da direita se estreitou, não há muito mais espaço.

As vias são só duas: de um lado, Lula, com o setor popular; de outro, a direita extremada, com Bolsonaro e Moro.


*Vivaldo Barbosa foi deputado federal Constituinte e secretário da Justiça do governo Leonel Brizola, no RJ. É advogado e professor aposentado da UNIRIO.





1 comentário

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Pedro Luís

28 de novembro de 2021 às 16h28

Acho que o Moro não tem 11% ou 9% dos votos como dizem as pesquisas pq ele disputa o mesmo eleitorado do Bolsonaro. Antes dele se lançar candidato o Bolsonaro não tinha 35% de intenções de voto. Tem que ver qtos eram os indecisos ou não sabiam para ver se dá essa discrepância de 11% nesta data anterior ao Moro se filiar ao Podemos nas pesquisas sem ele.
E no andar de cima tem bem menos eleitores.
Essas pesquisas não dao para acreditar nelas 100%.
Mas para os candidatos da terceira via dá para vender o apoio no 2° turno em troca de cargos ou de dinheiro mesmo, tipo uma vaga no Supremo.
Acho muito difícil aqui e no Chile o povo, povão mesmo, votarem no neo-liberalismo nacionalista de fachada.
O povo não vai votar em neoliberal depois do total fracasso da política econômica dos neo-liberais com gente passando fome aqui e no Chile.
Tem acontecido “ondas” NEOLIBERAL e depois uma onda progressista. Assim aconteceu recentemente na América latrina e até nos EUA.
O povo já sacou que levou bola nas costas faz tempo.
Mas se apoiar o lado perdedor perderá tb e muito. É o caso do Ciro.

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