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Unasul: Uma estratégia comum para enfrentar a crise


12/08/2011 - 02h27

Internacional| 11/08/2011 | Copyleft

Unasul prepara estratégia comum para enfrentar a crise

“É preciso encontrar mecanismos para desmontar o arcabouço neoliberal”, defendem os ministros de Economia e chefes de bancos centrais de doze países da região, como meta dos encontros que iniciam nesta quinta-feira (11), em Buenos Aires. Os eixos do debate estão fixados em quatro pontos: a promoção da integração produtiva regional, a administração coordenada das reservas internacionais dos bancos centrais, a regulação dos movimentos de capitais especulativos de curto prazo e o financiamento dos processos de integração regionais.

Tomás Lukin – Pagina/12, na Carta Maior, sugerido pelo Franco Atirador

As equipes econômicas dos países da União Sulamericana de Nações (Unasul) reúnem-se hoje e amanhã em Buenos Aires. Os ministros de Economia e os chefes de bancos centrais da região procuram avançar na coordenação de medidas para enfrentar a crise financeira internacional e diferenciar-se da abordagem recessiva impulsionada pelos países centrais.

O encontro, onde a turbulência global voltará a estar no centro dos debates, concluirá com o ato constitutivo do Conselho Sulamericano de Economia e Finanças. Além de reforçar e relegitimar a independência econômica dos membros do bloco, o grupo de trabalho quer encontrar ferramentas concretas no plano financeiro que permitam responder de forma conjunta a possíveis ataques especulativos contra as moedas da região e outras políticas destinadas a aprofundar os processos de integração.

O turbulento cenário internacional e a vontade política dos presidentes da Unasul prepararam o terreno para o trabalho conjunto para além das diferenças na orientação da política econômica aplicada nos distintos países. A agenda do convite foi elaborada na reunião extraordinária de ministros de Economia da Unasul, realizada em Lima, na semana passada.

Neste convite, os funcionários tomaram como ponto de partida o debate sobre a crise financeira iniciado pelos mandatários. Na sexta-feira, serão divulgadas as conclusões e deliberações do encontro em um documento conjunto.

Os eixos das discussões, disseram fontes do Ministério da Economia da Argentina ao Página/12, estão colocados em quatro pontos: a promoção da integração produtiva regional, a administração coordenada das reservas internacionais dos bancos centrais, a regulação dos movimentos de capitais especulativos de curto prazo (medidas macroprudenciais) e o financiamento dos processos de integração regionais.

A inclusão dos chefes de bancos centrais no encontro não só enriquece os debates, como também possui uma forte carga simbólica: “A política monetária e fiscal não são independentes nem autônomas. Para enfrentar os efeitos colaterais de uma crise como a atual são necessárias a coordenação e o trabalho conjunto entre o governo e os bancos centrais. É relevante que participem para começar a desmontar o fracassado arcabouço neoliberal”, assinalou entusiasmado um funcionário que participa do Grupo de Trabalho de Integração Financeira.

— Integração produtiva e comercial: os fluxos comerciais entre os países da Unasul cresceram entre 2003 e 2008, antes do estouro da crise, mas ainda se situam abaixo dos parâmetros alcançados no final dos anos noventa. Segundo a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) , 20,5% das exportações da Unasul são intra-regionais, nível inferior aos 28% observados em 1998. O lugar de provedor de matérias primas e insumos manufaturados de baixo valor agregado que a região ocupa nas cadeias globais de valor das empresas multinacionais representa um dos principais desafios na matéria. A Unasul pretende difundir os incipientes mecanismos de uso de moedas locais nas transações comerciais e criar provedores locais que permitam reduzir a exposição da região à instabilidade do dólar.

— Coordenar o uso de reservas: Ao longo dos últimos anos, a região acumulou, segundo assinalou a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, mais de 700 bilhões de dólares de reservas. O braço econômico da Unasul aspira firmar convênios multilaterais que creem um pool com uma porção desses ativos para responder a possíveis ataques especulativos contra os países da região. As economias do sudeste asiático contam com um mecanismo similar e na região existe um relegado Fundo Latinoamericano de Reservas do qual são membros vários países do bloco, ainda que a Argentina e o Brasil não participem dele. A constituição de um fundo de reservas da Unasul faz de um processo de mais longo prazo, onde também figura a capitalização do postergado Banco do Sul.

— Financiamento para o desenvolvimento: Pra impulsionar a integração produtiva e a infraestrutura regional são necessárias maiores fontes de financiamento. Em março, decidiu-se que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) duplicaria seus fundos para empréstimos. A medida, aprovada por todos os países membros, ainda não foi concretizada. Por isso, na Unasul, analisam a possibilidade de fortalecer a Cooperação Andina de Fomento (CAF), um organismo do qual são acionistas os países da região, que financia obras de infraestrutura na América Latina.

Tradução: Katarina Peixoto

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10 comentários

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FrancoAtirador

12 de agosto de 2011 às 23h53

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O Neoliberalismo transformou

O Novo Mundo num velho mundo

E o Velho Mundo num mundo velho.

E, ao olhar para a América do Sul,

Um mundo desiludido do Mundo

Começa a enxergar Outro Mundo

Possível de Justiça Social.
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Responder

SILOÉ-RJ

12 de agosto de 2011 às 21h59

A HORA É AGORA
O amadurecimento de uma integração maior entre os países da UNA-SUL e do MERCO-SUL, já vem desde o início de govêrno LULA e do então presidente Nestor Kirchner, por sermos juntos o maior produtor de commodities e praticármos um comércio bem expressivo inte-regional, nada impede a criação dessa moeda ainda mais agora com o enfraquecimento do dolar.

Responder

EUNAOSABIA

12 de agosto de 2011 às 12h27

Tremei estadunidenses… a OTAN cucaracha vai invadir vocês pela costa leste… estaremos tomando café em Manhatan em breve.. tremei iankes…

Tora tora tora…

Tanta coisa pra ser feita…

São uns desocupados mesmo…

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operantelivre

12 de agosto de 2011 às 11h22

Quero ver uma moeda nossa, Sulamericana.
Poderia se chamar UNA-SUR

Responder

    Marcio H Silva

    12 de agosto de 2011 às 12h12

    Isto é complicado. O EURO foi planejado muito antes de se tornar realidade. A zona do euro é considerada zona desenvolvida com seus povos politizados e possuidor de educação avançada e não deu certo. Voce acha que aqui na America do Sul, com tantos pensamentos divergentes, daria certo?

    Silvio I

    12 de agosto de 2011 às 20h59

    operantelivre:
    Mi desejo e de também ver uma moeda diferente de o dólar, que atualmente é papel pintado. Já Venezuela, tem uma moeda junto com alguns países do Caribe.Brasil faz negócios com Argentina, com suas moedas.Agora e bastante difícil unificar moedas, quando existem grandes diferenças econômicas, entre os países. As dois economias mais fortes de América do Sul são Brasil, e Argentina. Como resolver o problema, com as economias de Paraguai, e Uruguai, isso sô no MERCOSUL.

Morvan

12 de agosto de 2011 às 09h24

Bom dia.
"… começar a desmontar o fracassado arcabouço neoliberal”, assinalou entusiasmado um funcionário que participa do Grupo de Trabalho de Integração Financeira…".

De fracassado o modelo neoliberal não tem nada. O seu intuito foi atingido a contento, qual seria expropriar a classe trabalhadora em prol do capital financeiro. Modelo ubíquo no mundo atual, mesmo que se extinguisse hoje, para o bem da humanidade, teria cumprido o seu destino: diminuir a figura do Estado, o grande inimigo do neoliberal ou neo-expropriador.
É uma longa jornada de volta, légua tirana…

Particularmente gosto muito do nome UnaSul: para mim é o contraponto perfeito, é a antítese à Operação Condor, de tristíssima memória. Condor de nossos filhos, condor de nossos amigos, com muita dor.

Obrigado, FrancoAtirador, pela sugestão de excelente leitura.

Morvan, Usuário Linux #433640.

Responder

    FrancoAtirador

    12 de agosto de 2011 às 23h45

    .
    .
    Valeu , meu caríssimo Morvan.

    A união das nações sulamericanas
    talvez seja a única alternativa viável,
    ao Brasil e aos países vizinhos,
    para escapar ao tsunami neoliberal.
    .
    .

FrancoAtirador

12 de agosto de 2011 às 03h22

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ESTE É O CAMINHO PARA A INDEPENDÊNCIA, DE FATO.
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Responder

francisco.latorre

12 de agosto de 2011 às 02h37

é nós. na fita.

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