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Tenente-coronel Adilson: Bolsonaro já usou PM para tentativa de golpe eleitoral no Ceará e vai usar de novo em 2022
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Tenente-coronel Adilson: Bolsonaro já usou PM para tentativa de golpe eleitoral no Ceará e vai usar de novo em 2022


02/06/2021 - 16h57

Da Redação

O tenente-coronel Adilson Paes de Souza, da reserva da Polícia Militar de São Paulo, está causando polêmica até entre seus pares com a previsão de que o presidente Jair Bolsonaro vai usar seu fervoroso apoio entre policiais militares em “aventuras” ligadas à sua reeleição e pós-eleição de 2022, se for derrotado nas urnas.

Depois que pediu reforma da PM, Adilson decidou-se a estudar a instituição. 

Fez mestrado em Direitos Humanos na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e doutorado no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, com a tese O policial que mata: um estudo sobre a letalidade praticada por policiais militares do Estado de São Paulo.

Para Adilson, o bolsonarismo já deu um exemplo de como pode usar integrantes de uma instituição para seus fins políticos, quando estimulou a greve das polícias do Ceará para favorecer seu candidato à Prefeitura de Fortaleza em 2020, o deputado federal e oficial reformado da PM cearense, Capitão Wagner.

Wagner obteve mais de 33% dos votos no primeiro turno e 48% no segundo turno, perdendo por pouco para o candidato da família Gomes.

Adilson aponta para duas pesquisas ao sustentar sua observação: uma feita pelo Instituto Atlas, segundo a qual “71% dos policiais militares declaram ter escolhido Bolsonaro no segundo turno em 2018. Desse total, 81% dizem que hoje não se arrependem”.

A pesquisa comparou a preferência por Bolsonaro entre policiais federais, civis e militares e estes foram o que declararam maior apoio ao ocupante do Planalto.

De acordo com a pesquisa, publicada em abril deste ano, em 2022 Lula venceria Bolsonaro entre os policiais civis (43% a 30%), mas perderia entre os federais (46% a 34%) e de forma esmagadora entre os PMs (61% a 12%).

A outra pesquisa, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, demonstrou que 41% dos soldados, cabos e sargentos e 35% dos oficiais da PM interagem no Facebook em páginas bolsonaristas. No grupo de baixa patente, 25% apoiam o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.

Para o tenente-coronel Adilson, isso tem relação direta com a própria formação das PMs, em 1969, como “filhas” do Ato Institucional número 5, para controlar o território e combater o inimigo interno.

Entre muitos policiais militares a esquerda política ainda hoje é considerada inimiga interna.

Daí o notório fato, aponta o tenente-coronel, de que os PMs se confraternizam com manifestantes pró-Bolsonaro mas reprimem duramente os atos ligados aos movimentos sociais em geral e à esquerda em particular.

Adilson relembra levantamento demonstrando que em casos de mortes cometidas por policiais, 92% são arquivados a pedido do próprio Ministério Público, o que demonstra que parcelas do Ministério Público e da Justiça absorveram os objetivos da militarização.

Bolsonaro se tornou campeão dos policiais justamente por representar a impunidade que eles próprios almejam: ele fala o que quer e faz o que quer, sem qualquer consequência prática.

O tenente-coronel Adilson culpa os próprios governantes pela tibieza com que agem em relação aos policiais militares que cometem crimes.

Ele diz que seria possível identificar imediatamente e enquadrar por tentativa de homicídio os policiais militares que cegaram parcialmente duas pessoas no sábado passado, em Recife, assim como os tenentes que comandavam os pelotões da Tropa de Choque.

No entanto, na prática, o que aconteceu até agora foi a saída do comandante da PM de seu posto, uma espécie de pizza política.

“Quem foi punido pelos motins do Ceará?”, pergunta o tenente-coronel.

Este medo ou falta de vontade política para lidar duramente com as PMs nasce do fato de que os governadores não querem confrontar uma instituição que, embora controlem no papel, está legalmente subordinada ao Exército, como uma extensão dele para combater os próprios brasileiros, especialmente pretos e pobres.

Vale a pena ver a entrevista do tenente-coronel Adilson, no topo.





3 comentários

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Carlos Alberto Freitas Lima

02 de junho de 2021 às 22h53

Quem comanda as polícias militares para Bolsonaro? Os governadores, não mais ás comandam, é notório o viés politico e ideológico que as PMs assumiram no país quase todo, isso não coaduna com a constituição federal e é ameaça a população civil, principalmente a população pobre.

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Zé Maria

02 de junho de 2021 às 21h34

Não há dúvida:

1) Em primeiro lugar, identificar os PMs agressores e afastá-los;

2) Em segundo lugar, afastar os Comandantes
dessas Operações Criminosas da PM;

3) Passo seguinte, extinguir a Polícia Militar
– que presume que todo negro é um bandido e
considera que todo manifestante, em protestos
coletivos de rua, é um inimigo a ser abatido –
substituindo-a por uma Polícia Civil treinada
para garantir os Direitos do Cidadão de acordo
com o Princípio Universal da Dignidade da
Pessoa Humana.

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