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Stédile: Governo Dilma não tem projeto nacional e popular


06/07/2011 - 13h15

Política| 06/07/2011 | Copyleft

Governo Dilma não tem um projeto nacional e popular, diz Stédile

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) engrossa manifestações da Central Única dos Trabalhadores (CUT) com a esperança de que lutas sociais sejam retomadas no Brasil. Para o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, partidos políticos não são mais capazes de defender o interesse dos trabalhadores. “Falta ao governo Dilma um projeto de desenvolvimento nacional a partir dos interesses populares”, afirma Stédile, em entrevista exclusiva.

André Barrocal, na Carta Maior

BRASÍLIA – O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) vai engrossar os atos populares programados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) para esta quarta-feira (06/07) em todo o Brasil. A intenção é tentar reacender a chama das lutas sociais no país, que teriam sido abandonadas pelos partidos políticos.

“Na eleição de 2010, percebemos que as propostas das centrais sindicais eram mais avançadas do que a dos partidos”, diz o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile. “E muito mais avançadas ainda do que o programa da candidata Dilma”, completa.

Para Stédile, este tipo de mobilização é necessário para pressionar o governo Dilma Rousseff a adotar um “projeto de desenvolvimento nacional” que atenda os interesses dos trabalhadores.

Abaixo, o leitor confere a íntegra da entrevista exclusiva concedida por Stédile à Carta Maior.

Por que o MST decidiu unir-se à CUT na mobilização?

O MST apoia todas as lutas sociais do povo brasileiro. E ficamos muito contentes quando a CUT nos procurou com seu programa de mobilização. Realizamos reuniões com os demais movimentos socais, da Via Campesina e urbanos, para que todos, de alguma forma, pudéssemos nos somar a essa jornada. O movimento sindical é a principal força organizada da classe trabalhadora brasileira. E por isso tem muita responsabilidade para a retomada das lutas sociais e para conseguir, através das mobiliações, arrancar da classe dominante as melhorias das condições de vida para todo povo.

Do ponto de vista do MST, qual a reivindicação mais importante a ser lançada nas mobilizações?

A CUT tem apresentado uma pauta muito importante que interessa à base dela mas tambem a toda classe trabalhadora. Nós do MST e da Via Campesina temos nossa pauta específica que tem alguns pontos emergenciais, como anistiar as dívidas dos pequenos agricultores no Pronaf [Programa Nacional de Agricultura Familiar], acelerar o assentamento de 80 mil famílias acampadas e implementar programas estruturantes de distribuição de renda e desenvolvimento no meio rural.

A pauta geral divulgada pela CUT parece “à esquerda”. O MST acha que está faltando quem defenda, no cenário político, uma agenda com esta característica?

Estamos enfrentando um enorme desafio: os partidos políticos ditos de esquerda não têm conseguido apresentar programas da classe trabalhadora. Como fruto da derrota dos países do leste, da crise ideológica e da ofensiva do capital, os partidos priorizaram a luta institucional e se descaracterizaram do ponto de vista ideológico e de classe. Basta ver a forma como os parlamentares votam em questões que interessam aos trabalhadores, no Congresso. Na eleição de 2010, percebemos que as propostas das centrais sindicais eram mais avançadas do que a dos partidos. E muito mais avançadas ainda do que o programa da candidata Dilma.

O governo Dilma está precisando ser puxado mais para a esquerda?

O governo Dilma é resultado de uma composição de classes sociais, diversas e até antagônicas, que foi possível e necessária para ganhar as eleições frente ao projeto neoliberal representado pelo [tucano José] Serra. No entanto, falta ao governo Dilma um projeto de desenvolvimento nacional a partir dos interesses populares. Administrar o Estado, para que haja crescimento econômico com distribuição de renda, é insuficiente como projeto de nação.

Qual projeto o MST defende?

Um projeto de desenvolvimento que seja nacionalista, justo socialmente, ambientalmente sustentável e hegemonizado pela ótica dos interesses populares. Mas isso não depende da vontade do governo ou dos partidos de sua base. Será necessário um verdadeiro mutirão social para construir uma unidade de forças em torno deste projeto e isso leva tempo. Esperamos que esta jornada seja apenas o incío da retomada de muitas mobilizações.

Um casaco de 29 reais me levou a concluir: quem ganha salário, no Brasil não tem representação política

Aqui, a agenda da mobilização





30 comentários

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A ausência de debates nacionais « Matutações

20 de dezembro de 2011 às 14h39

[…] um verdadeiro mutirão social para construir uma unidade de forças em torno deste projeto” (https://www.viomundo.com.br/politica/stedile-governo-dilma-nao-tem-projeto-nacional-e-popular.html e […]

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JOSE DANTAS

11 de julho de 2011 às 20h36

"Será necessário um verdadeiro mutirão social para construir uma unidade de forças em torno deste projeto e isso leva tempo."
Leva tempo, sim e por uma razão muito simples: o Povo Brasileiro anda ocupado, já que o País vive uma das menores taxas de desemprego de sua história.
É preciso acabar com essa idéia de que trabalhador é só aquele inserido em movimentos cujos objetivos incluem a invasão de bens em que a justiça brasileira muitas vezes determina a reintegração de posse, o que nos leva a crer que, segundo nossas Leis, naquele momento agiram de maneira ilegal.
Tem muita gente nesse País muito mais interessada em emprego do que em trabalho, até porque o trabalho quem procura acha e o emprego nem sempre, já que dependerá da figura do empregador, visto como um adversário, para não dizer inimigo, nos meios trabalhistas.

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abrantes

07 de julho de 2011 às 21h23

Quem sabe se o Serra fosse o presidente do Brasil o Stedile iria ser recebido com pompas no palácio e receberia uma cópia do programa de desenvolvimento ,distribuição de renda e criação de empregos em Cingapura,Coréia,Estados Unidos,Espanha ,etc.

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José Antero Silvério

07 de julho de 2011 às 18h41

Espera aí. Então o governo Lula também não tinha e se tinha, não era só continuá-lo?

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Alaor

06 de julho de 2011 às 22h23

Anistiar dívidas!
Aí está um dos grandes males do Brasil.
Criadouro de carrapatos e vagabundos às custas dos demais trabalhadores.
Seja Proer dos bacanas, seja prestação de BNH de classe D, não tem que anistiar nada.
Tá com pena pague do seu bolso.
Bando de chupins.

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João

06 de julho de 2011 às 19h50

num país sério, Stedile estaria preso!

aqui, dá entrevistas e ganha dinheiro público…

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    Sagarana

    11 de julho de 2011 às 11h48

    É verdade!

José Mário Comini

06 de julho de 2011 às 17h01

Até parece que os comentários acima são feitos pela direita raivosa demotucana… Olha pessoal parem com estas bobagens, quem em sã consciência não percebe nossos avanços. Claro que queremos muito mais, só que estão esquecendo que ficamos mais de 500 anos a mercê da direita golpista, mudanças profundas demandam tempo, chegaremos lá, já estamos no caminho. Quanto ao Stédile, quem eu sempre admirei e defendi sua luta, peço a ele que não fique nos holofotes, ajude ao governo com propostas plausíveis e de significativos avanços como ele sempre fêz, pare de dar cancha pra esta imprensa maldita que tanto faz para destriuir nosso governo popular.

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carlos saraiva

06 de julho de 2011 às 16h28

Fico extremamente satisfeito, com a união da CUTe MST nessa mobilização. Espero a adesão que estou certo virá da UNE e outros movimentos. Fico satisfeito na preocupação dos movimentos sociais de sairem do seu corporativismo para uma atuação ideológica. Essa mobilização avança no sentido de consolidar a Democracia representativa e transformá-la em Democracia Social. Os partidos de esquerda, se conformaram em uma luta, muito importante, de consolidar e fortalecer a Democracia representativa e se institucionalizaram, se tornando, muitas vezes "correias de transmissão corporativas. Esses partidos precisam ser pressionados pelos movimentos sociais ideologizados. O momento atual no cenário brasileiro é muito rico , pois a agenda está nas mãos da esquerda. Pois o avanço social e economico do governo Lula, neutralizou a Direita e deixou para a esquerda um "boa" questão; Podemos e devemos avançar mais. Podemos e devemos, construir uma contrahegemonia.. A discussão, pela esquerda, entre a esquerda é saudável. A pressão maior das esquerdas, eu diria mais explicita , no governo Dilma, do que foi no governo Lula, se justifica, pela mudança nos limites que as respectivas "correlação de forças", representaram e representam. Esses "limites", nos dizem que podemos ousar mais, podemos avançar, mais. Diferente da perplexidade que tomou conta das esquerdas no mundo inteiro, em um momento de profunda crise estrutural do capitalismo, as esquerdas no Brasil, empurradas pelos movimentos sociais, procuram e irão encontrar o seu rumo. Espero, como petista, e sobretudo como militante de esquerda, a construção desse processo transformador. Sem ressentimentos, sem discurso facil, pseudo radical, mas com uma profunda ética revolucionária.

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    Micuim

    06 de julho de 2011 às 17h36

    Perfeito seu comentário Carlos Saraiva. Como petista também – talvez menos talentosa em meus raciocínios – assino embaixo.

    Julio Silveira

    06 de julho de 2011 às 18h30

    Carlos, se você considera-se base em seu partido, por favor peça para sua direção partidária que voltem ao ideário que pautou a criação do partido. Lute para não deixá-lo transformar-se num PPSDB, que seria a incorporação uma esquerda que perdeu de identidade ideologica e uma pseudo social democracia que aderiu ao neoliberalismo. Ou seja, todos com desvios de personalidade.

francisco cunha

06 de julho de 2011 às 15h34

Peço desculpas, mas a mensagem era para outro tema.

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Miuxo

06 de julho de 2011 às 15h32

Vc acredita mesmo que a Dilma é um zero a esquerda?
Lamentável esta sua opnião

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    Scan

    06 de julho de 2011 às 16h28

    Se for resposta ao meu post, por favor, esclareça porque minha opinião é "lamentável".

Luciene

06 de julho de 2011 às 15h25

Tenho observado que as pessoas têm sido muito menos complacentes com Dilma quanto foram com Lula, que também não tinha uma clara agenda para as demandas populares. A reforma agrária, aspecto fundamental para o combate à pobreza e ao desenvolvimento econômico não teve a atenção devida, pelos aspectos econômicos e sociais, mas também pelo que representou Lula, um grande líder social, o que fez com que esperássemos muito mais dele. A coalizão de forças em torno da candidatura e governo de Lula e também de Dilma tem, claramente, a marca de abandono ou retrocesso da agenda social. Dilma não é menos "popular" que Lula, mas certamente tem que lidar com questões mais cascudas, e está sendo testada pelas forças que compõe sua base de governo. Ela merece o mesmo voto de confiança que Lula, sem dois pesos e duas medidas.

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filho

06 de julho de 2011 às 15h24

O engraçado é que ele falava a mesma coisa do Lula. Vai ficar reclamando a vida toda, tirar 20 milhões da linha da miséria nada significa neste país. A esquerda tem um sério problema, nunca está satisfeita com ela própria, pois cresceu só sabendo criticar e não sabe fazer outra coisa.

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    José Ruiz

    06 de julho de 2011 às 15h59

    meu "filho", essa insatisfação das esquerdas é que impulsiona as pequenas evoluções em nossa sociedade… ainda bem que "eles" nunca se satisfazem, porque estamos muitíssimo aquém do necessário…

    trombeta

    06 de julho de 2011 às 16h16

    É issso ai filho, você tem toda a razão. A esquerdinha de botequim de faculdade ou a esquerdinha classe média nunca está satisfeita com nada, os avanços do país nos últimos anos já não significam muito a essa gente tão exigente que quer que a presidenta seja a chefe da torcida organizada de partido político e não comandante de uma nação. Enquanto, a europa e EUA estão quebrados, endividados e em profunda crise financeira, o Brasil vive uma situação de prosperidade jamais vista mas nem isso agrada.
    Ontem, teve uma passeata de servidores da universidade federal, aqui em Porto Alegre, em campanha salarial, você precisava ver o nível dos discursos raivosos e desrespeitosos contra Dilma, palavras que nem a mais odiosa publicação de direita chamada Veja ousou dizer… lamentável!

    César Augusto Sandri

    07 de julho de 2011 às 09h08

    Trombeta,querer sempre melhorar a vida do povo deve ser o pensamento de quem é de esquerda. A esquerda quando se acomoda com o "status quo" já não é de mais de esquerda , é da direita. Sempre votei no PT , aqui na minha cidade já me chamaram várias vezes para se filiar no partido, mas sempre recusei porque sou de esquerda e o PT a cada dia vai passando mais ainda para a direita.

Leonardo Scalercio

06 de julho de 2011 às 15h19

Concordo com Stédile. O governo – é claro – não é sequer de Centro-Esquerda. Votamos nela porque houve avanços durante os governos Lula e principalmente para evitar que os golpistas e entreguistas ganhassem e acabassem com o país e com nossas conquistas. Entretanto, urge uma mobilização para trazer o governo para os interesses populares e nacionais. É ótimo um Pré-Sal, Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos, Empregos… mas é preciso avançar e muito. Parabéns, companheiro Stédile pela clareza, pela crítica e consciência política.

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Carmem Leporace

06 de julho de 2011 às 15h14

Sei!

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francisco cunha

06 de julho de 2011 às 15h14

Pedro Stedile, vá plantar batatas! Voc e Dilma são do mesmo saco.

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cunha

06 de julho de 2011 às 15h12

Senhoras e senhores, sou estudante dessa universidade. Estou totalmente por fora das intrigas políticas que "rolam" nos corredores, mas, observo atentamente o tipo de debate entre comunidade acadêmica e estudantil. Isso me fez concluir que existe sim uma ditadura velada, não diretamente do Sr. Reitor que, para todos os efeitos, é um democrata (ou aparenta ser), mas da elite acadêmica e estudandil que fazem da UnB um laboratório de experiências culturais, tendo como eixo as novas tendências da antiga ideologia marxista: ambientalismo, multicuralismo, idolatria à maconha, LGBT etc. E como se dá essa ditadura? Tanto quem faz o discurso quanto quem houve já estão antecipadamente sintonizados. Repete-se um ambiente de Igreja: quem vai lá, já sabe o que o padre vai dizer. De qualquer forma, quero ficar no anonimato, pois não desejo ser queimado vivo na fogueira santa dessa nova esquerda, a pretexto de, em nome do social, extirpar uma alma maculada pelo demônio do discurso retrógrado e direitista.

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Julio Silveira

06 de julho de 2011 às 14h45

Daqui a pouco vão dizer que o Stedille é peça de transmição da direita que está fazendo o jogo dela.
Por que aqui um cidadão um pouco mais critico de situação necessária a País direita ou esquerda tem que dizer o que interessa ao partido do poder, do momento. Essa é uma das coisas que fazem com que nosso atrazo perdure por mais tempo e nossos beneficios seja adiados, quem está no poder perde o senso e a massa critica, adoram o espelho do aquário.

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Fernando

06 de julho de 2011 às 14h38

O PT chegou ao limite do que pode ou do que quer fazer pelo Brasil.

Chegou a hora de darmos oportunidades a outras legendas mais à esquerda.

Responder

    José Ricardo Romero

    06 de julho de 2011 às 15h40

    Isto mesmo Fernando. No mundo inteiro se constata que os partidos políticos não mais representam o povo. A esquerda partidária acabou e no seu vácuo a direita ocupou todos os espaços. Esquerdizar os partidos que se dizem de esquerda. Só assim será possível sair desta falta de definição que faz a alegria do neo-liberalismo econômico.

Scan

06 de julho de 2011 às 14h25

Stedile está absolutamente correto.
A pasteurização dos partidos "de esquerda", PT à frente, os transformou em massa amorfa e distante de qualquer coisa que se chame movimento populares.
Dilma é o resultado acabado dessa descaracterização. Não tem discurso, não tem cacife político, não tem transparência, é refém de seus "aliados" e age movida apenas por estímulos puntuais e transitórios.
Numa palavra: está mais perdida do que surdo em bingo e enfia, sistematicamente, os pés pelas mãos.
Dilma pode ser excelente técnica, mas como política "de esquerda" é um zero. Um zero à esquerda.
Resta saber se, do seio dos movimentos sociais e operários, é possivel que apareça, em menos de um século, outro Lula. A esperança é a última que morre.

Responder

    Valdeci Elias

    07 de julho de 2011 às 08h44

    Parabens Scan, voce está começando a descobrir oque é DEMOCRACIA. Onde pessoas diferentes com ideias diferentes, se relacionam. Dilma não é Janio Quadros, que só sabia governar autoritariamente e acabou renunciando e jogando o pais na Ditadura.
    Pra que esperar um outro Lula, se o primeiro ainda está vivo e trabalhando ????

    Scan

    08 de julho de 2011 às 01h42

    Transformar-se em massa amorfa é o supra sumo da democracia, né?
    Va ler alguma coisa que preste e volte aqui pra discutirmos. Seus lugares comuns são…comuns demais.
    Bleurk!


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