Senadora Ana Rita: Em defesa da Voz do Brasil

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Em defesa da Voz do Brasil

por Ana Rita Esgario*, no Facebook, via Eduardo Nunes Loureiro

A Voz do Brasil, o mais antigo programa radiofônico do gênero no mundo, completa 78 anos, no dia 22 de julho deste ano. O programa é um importante e indispensável instrumento de informação para a imensa massa de brasileiras e de brasileiros que vive no campo e na cidade, sem acesso a jornais e revistas e que não dispõe de outra forma de saber com transparência dos atos e realizações públicas.

Não à toa pesquisa do Ibope sobre o perfil da audiência radiofônica em nosso País aponta que um em cada três brasileiros ouve rotineiramente o programa. Outra enquete indica que 73% dos entrevistados concordam com a continuidade da veiculação da Voz do Brasil às 19h.

Sem distorcer informações e fatos, a Voz do Brasil cumpre um dos mais importantes papéis do jornalismo ao tratar igualmente as notícias dos poderes públicos e não privilegiar nenhum segmento. Com isso, faz chegar aos ouvintes a verdadeira e real informação.

Tais características, evidentemente, não agradam a setores da grande mídia. Motivados por interesses meramente econômicos, voltados apenas à exploração comercial do horário nobre no qual é veiculada a Voz do Brasil, muitos tentam enfraquecer o caráter democrático e transparente do programa com propostas como a que tramita na Câmara dos Deputados, de “flexibilização” do horário do programa. Uma forma disfarçada de relegar a segundo plano a Voz do Brasil. Sou terminantemente contra este projeto de lei!

No Senado, sou relatora de outro projeto de lei que trata da Voz do Brasil: o que transforma o programa radiofônico em Patrimônio Imaterial e Cultural do Povo Brasileiro. Ele tramita na Comissão de Educação, Cultura e Esporte onde tem caráter terminativo, ou seja, se aprovado, não passa no plenário, indo direto à Câmara dos Deputados.

Em que pese o meu relatório se basear nos argumentos contidos no parecer da assessoria técnica do Senado, que aponta o Executivo como o único poder com competência técnica para declarar a Voz do Brasil Patrimônio Cultural Imaterial, retirei a matéria de pauta. O parecer técnico leva em conta o decreto presidencial 3.551 de 2000.

A razão para a retirada de pauta é que considero essencial ouvir a respeito do assunto os mais amplos segmentos da sociedade – sindicatos, movimentos sociais, órgãos governamentais, entidades que lutam pela democratização da comunicação.

Quero construir coletivamente um parecer adequado aos anseios da maioria. Considero a Voz do Brasil patrimônio da sociedade brasileira e, portanto, fortalecê-la é tarefa de todas e todos que compreendem que o acesso à comunicação é um dos pressupostos básicos para consolidação da democracia. O meu total compromisso é com a nossa voz: a Voz do Brasil!

*Ana Rita é senadora da República e preside a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado

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Comentários

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Quando crianca, meados dos anos 60 ouvia todos os dias a VOZ DO BRASIL. Era sagrado para meu pai, morávamos no sítio e o unico meio de informacäo era este, pois o rádio era a acomulador, näo tinhamos energia elétrica, tinhamos que economizar a tal bateria. De manhä o Reporter Esso e à tarde a Voz do Brasil. Saudade dos tempos, quando o sol se punha, e no rádio comecava a Voz do Brasil

Marcelo de Matos

A Voz do Brasil foi criada na ditadura Vargas e mantida na ditadura subsequente. É bem típico de ditaduras esse negócio de forçar o público a ouvir determinada coisa, no caso, em todas as emissoras de rádio, diariamente das 19 às 20 horas. O ser humano tem um viés canino – acaba gostando de ser forçado a fazer isso ou aquilo, acostuma-se à rotina. Está na hora de rever o papel do rádio. Não é só a Voz do Brasil que somos obrigados a ouvir. Se você se distancia 100 km de São Paulo, por exemplo, é obrigado a ouvir música sertaneja e entrevistas com líderes políticos regionais. O rádio precisa ser modernizado: digitando um código poderíamos acessar a emissora de nossa preferência, em qualquer lugar do território nacional ou até do exterior. Precisamos defender a liberdade de acesso à programação e não a obrigatoriedade de ouvir o que outros querem que ouçamos. O rádio tem de avançar para frente e não para trás, rumo à digitalização. Hoje ouvimos música no notebook, quando não queremos ouvir música sertaneja e discurso de político do interior. O som, porém, é precário.

willian

Não encontrei em lugar algum enquete q afirmasse q 73% aprovariam o programa neste horário. Ela existe?

willian

A pesquisa q diz q um em cada três brasileiros ouve o programa não existe. Esta pesquisa a q se referem diz 31% ouviriam rádio das 18 as 20 horas. Como o programa vai ao ar as 19, fizeram esta ilação. Deveriam perguntar aos supostos 31% q ouviriam radio neste horario se eles continuavam ao ouvir quando o programa começa.

Julio Silveira

A Voz do Brasil surgiu de uma necessidade histórica de comunicação do Presidente Getulio Vargas com os cidadãos, para transmitir as informações sobre as politicas publicas de seu governo num canal direto, sem os tradicionais chiados que acontenciam e ainda acontencem entre a comunicação e o publico de interesse, a cidadania.
Desde o inicio os grupos empresariais de radio, que perdiam aquele tempo, que se traduzia em perda financeira, nas suas emissoras foram contra. Mas não só por isso, também por que passaram a ter um contraponto politico a suas vozes. Ainda hoje exercem pressão contra esse tempo, para eles vendidos como perdido pela população. Na verdade é luta politica e financeira, disfarçada sob o interesse popular, por quem se acreditam proprietários das ondas e dos espaços de concessão publica, que reforça o dito “dá-se as mãos, querem teus braços”.

Arthur Schieck

Por favor, em nome do bom jornalismo, indique um link que comprove essa enquete onde “73% dos entrevistados concordam com a continuidade da veiculação da Voz do Brasil às 19h.”

Terezinha

Escuto a Voz do Brasil todos os dias de segunda a sexta feira e digo que gosto muito. Muito mesmo. Escuto as falas diretas de seus autores sem intermediários e faço então o meu julgamento. Prefiro a Voz do Brasil mil vezes do que os noticiários distorcidos.

    JOSE NETO

    Mas, tem gente que prefere ouvir as interpretações dos fatos com a abalizada opinião de um Merval Pereira ou um Waack, não é mesmo? Pra que ouvir o proprio depoimento da propria autoridade se podemos ouvir a explicação dos “mais preparados” e cheirosos?? É isso Terezinha que eles querem.

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renato

Não existe coisa mais clara e limpa em
Jornalismo, do que a VOZ DO BRASIL.
Penso que seria assim o modo de informar-se
Sem colocar sua posição pessoal em cima de
cada manchete ou informação. Só a Voz.
A Voz vinda com a face do ancora é nada
filosofal.
A VOZ,a FACE, e IMAGENS, não é informação.
É televisão e televisão é embromação, diversão
e arte.
O dia que você ligar um rádio ( que tenha no mínimo
uma bateria, e não ouvir nada das duas uma.
Ou tá surdo ou o bicho pegou!

    Mário SF Alves

    Isso. E fora com esse teatro de quinta sensacionalista e travestido de noticiário; fora com as caras e bocas e a maldita encenação de um a toda hora olhando pra cara do outro, como a conferir legitimidade ao que dizem. É isso.

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