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Rogério Correia defende CPI da Cloroquina: Ela pode derrubar Bolsonaro e Maia tem condições de instalá-la
Fotos: Reprodução de vídeo
Política

Rogério Correia defende CPI da Cloroquina: Ela pode derrubar Bolsonaro e Maia tem condições de instalá-la


19/01/2021 - 13h21

CPI DA CLOROQUINA JÁ: ELA PODE DERRUBAR BOLSONARO

Por Rogério Correia*

Há quase seis meses está protocolado na Câmara pedido de CPI para investigar a produção em massa de cloroquina para “combater” a covid, levada a cabo pelo governo Bolsonaro.

De minha autoria, a proposta de CPI se faz necessária porque o governo gastou muito dinheiro e tempo para algo que desde antes já era contestado pela comunidade científica em todo o mundo.

O governo Bolsonaro certamente tem medo da CPI da Cloroquina.

Temos certeza de que, se uma investigação séria for feita pela CPI, descobriremos muita coisa errada.

A tal ponto de justificar, sem contestação, o impeachment do pior presidente da história brasileira.

Um comandante militar do Rio chegou a justificar o preço em dólar 77% superior na compra da cloroquina pelo governo/Exército, afirmando que eram cotações “de mercado”. Não convenceu ninguém.

Agora, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, diz ser “inevitável” uma CPI para investigar “toda a desorganização, falta de capacidade de logística e de entrega de equipamentos e insumos aos estados e municípios”.

Não precisamos esperar tanto. O pedido já está protocolado por mim na Mesa da Câmara.

Basta ser aceito pela Mesa e começarmos os trabalhos.

O caso é ainda mais grave diante da nova notícia de que médicos do Hospital da FAB denunciam pressão, coação e represálias para que a hidroxocloroquina seja receitada a pacientes com covid.

Muito estranha essa obsessão do governo por um medicamento sem eficácia contra a pandemia.

Mais uma vez: por que o medo da CPI da Cloroquina?

No último fim de semana, o médico francês Didier Raoult admitiu pela primeira vez que a cloroquina não reduz a mortalidade ou agravamento da doença.

Detalhe: ele era até outro dia o principal promotor da substância em todo o mundo.

Não faltaram bolsonaristas, aqui no Brasil, a usar os argumentos de Raoult para defender a cloroquina – estão calados agora, após a confissão do microbiologista francês.

Precisamos investigar a fundo por que Bolsonaro autorizou, ou até determinou, um gasto tão grande em algo inútil.

*Rogério Correia é  deputado federal (PT-MG)





1 comentário

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Darcy Brasil Rodrigues da Silva

21 de janeiro de 2021 às 17h25

A crença de que uma CPI ou a boa vontade de Rodrigo Maia para acatar um dos mais de 50 pedidos de impeachment que já foram apresentados podem afastar Bolsonaro do Planalto continua sendo cultuada por uma parte da esquerda. Esses companheiros me dão a impressão de não se darem conta de que Bolsonaro usaria a instalação desses processos, nesse momento, como um pretexto para um golpe de estado, para o que conta com um expressivo contingente de milicianos armados, sedentos de sangue . O pedido de impeachment de Bolsonaro, seguido de um pedido de abertura de processo para apurar o crime de genocídio que praticou, somente se justificam se for um grito de revolta vindo das ruas. Trata-se de ato que deverá coroar um movimento de massas que deveria ser construído desde já por uma Frente Ampla Antifascista em torno da palavra de ordem “Fora, Bolsonaro”, e não um ato que será deflagrado por políticos burgueses no âmbito de um Congresso controlado pela centro direita com uma significativa presença de fascistas e milicianos (os politicos de centro somente descerão do muro, que é o lugar natural dos mesmos, se forem pressionados por um forte clamor das ruas, sem o que jamais tomarão a iniciativa de enfrentar a besta fascista). Penso que, se não fosse a obrigação de respeito ao isolamento social, a revolta represada contra o governo Bolsonaro já teria explodido nas ruas de todo o Brasil. Nesse sentido, embora pareça uma contradição, a Covid-19, ao mesmo tempo que serviu para aprofundar o desgaste de um governo cada vez mais reconhecido como desumano e cruel, serviu também para poupar Bolsonaro de ter que enfrentar a indignação das ruas, ruas que já tinham esboçado o seu potencial em agosto de 2019 nos protestos contra os incêndios criminosos na Amazônia. Posso apenas estimar com minha intuição política a força da revolta que se prepara para tomar as ruas, e a minha intuição me afirma que há grande probabilidade de que a combinação de impeachment de Bolsonaro e campanha de 2022 se deflagrem antecipada e simultaneamente, se condicionando mutuamente, no momento em que milhões de brasileiros puderem finalmente se expressar politicamente nas ruas. É fundamental procurar andar no ritmo da História, sem ficar na sua traseira, como fazem os covardes conciliadores, bombeiros da luta de classes, nem se adiantar a ela, como fazem os estabanados voluntaristas.

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