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Haddad: Putin e Erdogan teriam alertado Lula e Dilma sobre protestos, mas ninguém disse nada na época
Política

Haddad: Putin e Erdogan teriam alertado Lula e Dilma sobre protestos, mas ninguém disse nada na época


06/06/2017 - 23h52

Haddad: Dilma e Lula foram alertados por Putin e Erdogan sobre protestos de 2013

“O impeachment de Dilma não ocorreria não fossem as Jornadas de Junho”, afirma

do Jornal do Brasil

O ex-prefeito Fernando Haddad afirmou, em uma longa análise da conjuntura política publicada na edição de junho da revista piauí, que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff dificilmente teria ocorrido se não fossem as manifestações de 2013, que ficaram conhecidas como “Jornadas de Junho”.

Haddad revelou que, à época, tanto Dilma quanto o ex-presidente Lula foram alertados pelos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Erdogan, sobre a grande possibilidade de que os protestos estivessem sendo patrocinados por grandes corporações que sequer estavam no Brasil.

“Já naquela ocasião vi um estudo gráfico mostrando uma série de nós na teia de comunicação virtual, representativos de centros nervosos emissores de convocações para os atos. O que se percebia era uma movimentação na rede social com um padrão e um alcance que por geração espontânea dificilmente teria tido o êxito obtido. Bem mais tarde, eu soube que Putin e Erdogan haviam telefonado pessoalmente para Dilma e Lula com o propósito de alertá-los sobre essa possibilidade”, lembrou o petista, que é professor de Ciência Política na USP.

Segundo Haddad, já durante os protestos a percepção de alguns estudiosos da rede social era de que as ações virtuais poderiam estar sendo patrocinadas.

“Não se falava ainda da Cambridge Analytica, empresa que, segundo relatos, atuou na eleição de Donald Trump, na votação do Brexit, entre outras, usando sofisticados modelos de data mining e data analysis”.

Segundo a CNN, a Cambridge Analytica, uma empresa dos Estados Unidos, desenha seus anúncios para ter impacto psicológico específico; não há qualquer evidência de que ela tenha atuado nas Jornadas de Junho, no Brasil

Haddad conta que, frente à pressão do Movimento Passe Livre pela redução da tarifa do transporte público e diante de informações sobre possíveis patrocinadores infiltrados nos protestos, ele, então prefeito de São Paulo, estava decidido a manter posição, apesar das pressões.

Haddad conta que recebeu ligação de Eduardo Paes, então prefeito do Rio, dizendo que era melhor ceder. ‘”Não vou segurar, você vai ficar sozinho”, me disse o prefeito do Rio”.

Posteriormente, Haddad conta ter antecipado, em conversa com o governador Geraldo Alckmin, a crise institucional que atinge o país desde então, com a eleição de Dilma Rousseff para seu segundo mandato e seu adversário Aécio Neves (PSDB), que não aceitou o resultado, a deflagração da Operação Lava Jato, o impeachment da presidente, a ascensão de Temer e o desprestígio da classe política.

“A pressão interna sobre nós já atingia patamares insuportáveis e o telefonema era a gota d’água. Foi então que resolvi ir ao Palácio dos Bandeirantes e propor ao governador Alckmin que fizéssemos juntos o anúncio da revogação do aumento. Contrariado, certo de que aquilo nada tinha a ver com tarifa de ônibus, tentei com o gesto despartidarizar a questão e iniciar um processo de construção de uma política tarifária metropolitana. (…) Na chegada, quando apertamos as mãos, pouco antes da coletiva em que faríamos o anúncio, eu disse ao governador o que pressentia: ‘Podemos estar às vésperas de uma crise institucional'”.

PS do Viomundo: Se Haddad tivesse cedido desde o início, o que acabou fazendo DEPOIS, teria esvaziado as Jornadas de Junho. Simples assim. Daí que, pelo raciocínio do ex-prefeito, ele desperdiçou a chance de salvar Dilma! Mas preferiu “despartidarizar” a questão posando ao lado do tucano Geraldo Alckmin.

O bem escrito ensaio de Haddad na revista Piauí nos pareceu uma tentativa de revisionismo histórico para justificar erros que ele próprio cometeu. Por exemplo, revelou “surpresa” com os maus tratos recebidos da mídia! Não pensou em uma alternativa para falar diretamente aos eleitores? Uma pena…

Entre 2014 e 2016 as circunstâncias políticas mudaram muito. Mas Dilma teve 60,95% dos votos em Cidade Tiradentes no segundo turno de 2014. Em 2016, Haddad ficou em terceiro lugar lá, com 20,87% dos votos — Doria recebeu 33,25%.

Havia um claro descontentamento com Haddad nos redutos tradicionais do PT na periferia de São Paulo e simplesmente não dá para jogar tudo isso nas costas das denúncias contra Lula e o partido. Deve ser doloroso admitir isso, mas a gestão do prefeito foi rejeitada mesmo entre uma parcela razoável dos tradicionais eleitores do PT.

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19 comentários

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Paulo Eduardo Truglio Alvarenga

08 de junho de 2017 às 18h27

Discordo da análise, por ser simplista. É de um primarismo grosseiro acreditar que as ações de Haddad tenham levado Dilma ao impeachment.
A presença de alienígenas nas manifestações de 2013 são bem conhecidas.
A crítica ao ex-prefeito é irresponsável do ponto de vista factual.

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    Luiz Carlos Azenha

    08 de junho de 2017 às 19h06

    Ao contrário, não dissemos que o comportamento do Haddad levou ao impeachment. Utilizamos a lógica do próprio prefeito, segundo a qual sem os protestos de junho Dilma teria sobrevivido. Ora, para esvaziar os protestos eles deveria ter recuado logo e desistido do aumento.

Dan Balan

08 de junho de 2017 às 18h05

Culpar o MPL por ter dado o start ao processo golpista é mais uma desfaçatez deste prefeito que governou apenas para o bairro de Pinheiros. Enquanto os garotos e as garotas do MPL apanhavam da polícia em São Paulo, o prefeito posava para fotos com o governador em Paris.

Parabéns MPL, vocês são esquerda de verdade, porque vão paras as ruas, e não burocratas de gabinete que acham que o mundo se resume a gráficos e estatísticas.

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LUÍS

08 de junho de 2017 às 17h04

Discordo do Putin; concordo genericamente com a crítica ao Haddad, discordando um pouco ao fim.
O movimento de 2013 foi mal compreendido por todos os partidos políticos, não só pelo PT. Mas Haddad era o prefeito do PT, da principal cidade do país e do principal palco dos atos… a sua compreensão tardia foi um tremendo erro. Mas nem por isto devia ser “crucificado”… era uma opção infinitamente superior em aspectos muito óbvios em relação a quase todos os demais concorrentes, mas a disputa eleitoral ficou ainda mais difícil, consumado o golpe parlamentar.
E o problema de 2013 foi justamente esse: um movimento que começou espontâneo, em seguida assumiu um preconceito político, para terminar engolido pela direita… lembrando que “direita” vai muito além do PSDB, DEM ou qualquer outro partido.

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Marcelo

08 de junho de 2017 às 13h47

Auto lá Vi o Mundo! Todo mundo sabe que não importava qual a ação dos petistas, o golpe seria dado. Se Haddad cedesse logo perderia poder, seria chamado de fraco, aí sim ficaria ainda mais fácil derrubar o PT. Vocês qieriam que Haddad fosse igual a marina pra falar ou anunciar algo e voltar atrás toda hora?! Quando o Vi o Mundo é acometido pelo virus pessolista lucianis genrrus é fod…!!!

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Morvan

08 de junho de 2017 às 11h17

Bom dia.

Faça-se qualquer análise sobre o que descreve Haddad, de como ele vivenciou a situação, de como se deu o seu enfrentamento, ou não, não era necessário ser um animal político para saber da dopagem dos movimentos, das “Jornadas”, primaveras, etc.
Não, não se trata de defender o então Prefeito. Mas o que ele afirma tem verossimilhança e pode ser corroborado, mesmo sob o crivo da agenda do artigo. O próprio Haddad foi vítima das campanhas de assassínio político deliberado e não mitigado. Quem não lembra as “faixas comunistas”, digo, ciclovias? O “kit homoafetivo” e sua satanização, por parte dos “aliados” da Presidente?
Por mais anti-haddadiano que se possa ser, não é desprezível a falta de apetência política de Dilma (e de seu mentor, Lula, embora este possa ter, às expensas, carisma, o que, efetivamente faltava à sua pupila).
O que nos fala o articulista, ao largo de se concordar, parcial ou totalmente, ou não, efetivamente, deveria servir de ponto de inflexão para se discutir o [verdadeiro] papel da esquerda. Se seremos gestores da massa falida da incúria dos capitalistas ou se temos um projeto de Nação. Se se ganha, com Lula, e se busca a tão sonhada (e cruelmente demonstrada inexequível) governabilidade, com os Joesleys, Emílios, ou se tem um projeto, reitere-se, uma alternativa de gestão; sem governabilidade. Governar com quem elegeu o projeto. É válido ganhar nas urnas e não ter um plano de Governança? Este perece ser o tópico. Não se Haddad está ou não a se auto-indultar. Não parece ser este, o cerne.

Saudações “#ForaTemerGolpsista; Eleger o ‘Jara’, recobrar o país das mãos dos destruidores. Reformas Política e do Golpiciário são indispensáveis; governabilidade é o k-cete“,
Morvan, Usuário GNU-Linux #433640. Seja Legal; seja Livre. Use GNU-Linux.

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Gilberto

08 de junho de 2017 às 09h57

Discordo completamente! As jornadas de junho foram o primeiro e único movimento de massa espontâneo brasileiro. Todos os outros foram liderados por interessados em coisas escusas. Todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido. Simples assim!

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    Marcelo

    08 de junho de 2017 às 13h49

    Tão espontâneo quanto o sorriso da mulher do cunha. Acorda guri!!!

    AYRES

    08 de junho de 2017 às 17h59

    Movimento espontâneo capitaneado inicialmente pelo PSOL e, depois, capturado pela rede Globo, sem que os participantes percebessem que estavam sendo conduzidos como marionetes. Simples assim.

Policarpo

07 de junho de 2017 às 23h22

Não vamos fulanizar, nem falar no varejo, nem chover no molhado. Não errou apenas Haddad. De uma maneira ou de outra, erramos todos nós, lideranças e liderados, que apoiamos um “projeto de país popular e democrático”. Do contrário não estaríamos aqui chorando pitangas.
A política “Paz & Amor” foi definitivamente um erro, a política “realista” da conciliação se mostrou de fato totalmente irrealista para o nosso projeto.
Nossas lideranças não enfrentaram de maneira efetiva nossos adversários mesmo quando nos atacavam insidiosamente.
Ao priorizar o “carisma” e a perigosa “aliança” com setores fisiológicos do Congresso, que mais tarde veio a ser mostrar fatal, e como modo de compensar o baixo investimento na formação de uma bancada de apoio forte no Congresso e de novas lideranças políticas pelo resto do país, como havia feito até 2002, nossas lideranças são também responsáveis pela perda da mais efetiva a arma de luta que tínhamos a mão: o PT como partido.
São também responsáveis por desmobilizar após cada nova eleição os milhões de simpatizantes e os milhares de militantes do nosso projeto de país. Foi um erro também se afastar dos principais movimentos sociais.
Além disso, suicidamente nossas lideranças políticas deram munição em forma de dinheiro e espaço aos nossos principais e mais ativos adversários: o principal partido de oposição, os meios de comunicação.
Mesmo após as vitórias eleitorais, nossas lideranças acenavam sempre e uma vez mais aos nossos adversários com o lenço do Paz & Amor e buscavam antes o apoio de nossos adversários do que o apoio dos nossos simpatizantes e militantes fiéis. O caso do imediato pós Dilma II é o exemplo mais acabado dessa estratégia.
A aliança com certos setores do empresariado também me pareceu se não irresponsável pelo menos uma política ingênua levada a cabo pelas nossas lideranças.
Se não quisermos depender do erro de nossos adversários, sem recuperar nossa principal arma de luta democrática, o partido, um “projeto de país popular e democrático” realisticamente me parece a cada dia mais distante e utópico.

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Ayres

07 de junho de 2017 às 17h08

Haddad perdeu graças à campanha difamatória diária das grandes corporações de mídia contra o PT. Acho que Azenha está só se doendo por Dilma em razão das críticas de Haddad. Não houvesse o desgaste do PT, ele seria reeleito. Vão dizer: como é que Lula continua na frente? Ora bolas, querem comparar a força do nome de Lula com Haddad? Não existe como. Vejam como anda o nome de Lula nas pesquisas em São Paulo. Talvez em 3º lugar. Em resumo: na minha opinião Haddad foi derrotado pela avalanche midiática que tentou desmoralizar o PT.

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    Marcelo

    08 de junho de 2017 às 13h54

    Não esta se doendo por Dilma, mas sim pelo psol.

RodrigoR

07 de junho de 2017 às 15h23

Lembrando bem que se Erdogan e Putin já tinham avisado Lula e Dilma, o que fez o PT? Meteu a cabeça no buraco feito um avestruz.

Lembrando ainda que um golpe parecido foi tentado na Turquia, aliás, o próprio Erdogan foi avisado a tempo por Putin e o presidente da China.

Haddad perdeu sua chance, o PT tmb, poderia ter impedido o golpe…e a presidente detinha poderes para isso .

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Helena/S.Andre (SP)

07 de junho de 2017 às 11h30

Tudo bem, é fato que Haddad obteve menos votos que Dória nos chamados tradicionais redutos do PT na periferia de SP. Agora, seria interessante fazer uma pesquisa nesses mesmos redutos do PT para se constatar se já há um certo arrependimento após quase 6 meses de governo do João “Dólar”. Verificar o que esse prefake está fazendo por lá que justifique essa preferência por ele pelos seus respectivos eleitores. Garanto que muios já mudaram de opinião. É só ver as recentes pesquisas evidenciando o aumento de insatisfeitos com “Dólar”.

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    Helena/S.Andre (SP)

    07 de junho de 2017 às 11h32

    Correção: ….. MUITOS já mudaram de opinião.

Véio Zuza

07 de junho de 2017 às 08h54

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Haddad foi rejeitado por parte do eleitorado dele; e por isso perdeu a eleição.
As “jornadas de junho de 2013” foram o pontapé inicial do golpe, na mesma onda das “revoluções coloridas”. Alguem por aí fala em “passa livre” ou em “padrão fifa” hoje em dia? Quem embarcou, foi inocente útil da direita, sim. Admitir ou não é questão de honestidade intelectual. Ou não?!

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Otto

07 de junho de 2017 às 08h43

O Haddad elogiando os autocratas da Rússia e da Turquia. É isso que ele quer para o Brasil? Que asco!

Responder

Jeferson Luvio

07 de junho de 2017 às 02h35

Pois é. Putin e Erdogan, dois amantes da liberdade, democracia e paz no mundo. Turquia e Rússia, ninguém migra destes países para outros lugares do mundo, afinal, todos cidadãos de ambos países amam suas nações.

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RFFSA

07 de junho de 2017 às 01h05

Me parece que temos material para boa análise, ponderando, claro, como fez o o PS do Viomundo.

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