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Professor Ignacio Delgado alerta sobre a farsa que se constrói: Globo,  mercado e o fascista paz e amor
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Falatório Política

Professor Ignacio Delgado alerta sobre a farsa que se constrói: Globo, mercado e o fascista paz e amor


09/09/2018 - 00h17

A FARSA QUE SE CONSTRÓI DEPOIS DOS EVENTOS DE JUIZ DE FORA

por Ignacio Godinho Delgado*, no Facebook

O esfaqueamento do candidato da extrema-direita é inaceitável no jogo democrático e foi condenado sem titubeios por todas as forças políticas.

Tornou-se o centro da cobertura da mídia familiar oligárquica e pode ter efeitos no curso da campanha eleitoral.

Implausível a hipótese da armação, seja como farsa, seja por iniciativa dos adversários do candidato atingido.

Até o momento, tudo indica ser ação isolada de uma pessoa desequilibrada, inflamada pelo clima de ódio criado no país pela mídia e pela direita política, com seus braços no parlamento, no Executivo e no Judiciário.

Na verdade, fora o dano físico, apenas o fascista pode faturar algum dividendo político com o episódio, como o registraram o comportamento eufórico dos “mercados” logo em seguida e o pronunciamento de seu filho sobre a possibilidade de vitória no primeiro turno.

No mais, na véspera do evento ocorreu o encontro do fascista com um alto dirigente das Organizações Globo que, tudo indica, adotou-o como a grande esperança branca da reação, desfeitas as expectativas de crescimento de Alckmin e as incertezas e quase certa desidratação de Marina.

As presenças de Álvaro Dias e Amoedo na disputa – o primeiro se apresentando como o representante da Lava Jato, o segundo portador de um discurso liberal doutrinário pueril, “descolado”, com o tempero da postura anti-política – reduzem ainda mais as chances de Alckmin e Marina, tornando a opção pelo fascismo a alternativa derradeira da direita.

De todo modo, numa eleição marcada pelo tapetão recorrente, a começar pela interdição de Lula num processo carregado de vícios, registre-se que, no cenário indicado acima, abre-se a oportunidade para algum tipo de coordenação entre os candidatos de centro-esquerda, de modo a evitar que a disputa pela vaga no segundo turno, não favoreça a ressurreição das alternativas em declínio no campo da direita.

Nos fascismos históricos, a adesão das elites econômicas e a tibieza dos liberais diante de seu avanço se verificaram em ambientes marcados pela ameaça real de uma ruptura revolucionária.

No caso do Brasil, isso nunca esteve em questão. O que se vê aqui é apenas a demonstração cabal da incipiência moral e política das classes dominantes do país, diante de uma alternativa que, quando no governo, propôs e conduziu medidas singelas e compartilhadas de reversão gradual das iniquidades da trajetória capitalista brasileira e de afirmação soberana do país na cena internacional.

Por seu turno, diferentemente dos fascismos históricos, sua versão brasileira atual é absolutamente avessa a qualquer projeto econômico nacional (tal como, lamentavelmente, a maioria do empresariado) propugnando abertamente a integração subalterna do país aos polos dominantes da ordem capitalista global.

O que resta é exaltação da violência como método básico da disputa política, a defesa do extermínio do inimigo, o racismo, a misoginia, a homofobia, o desprezo pelo Estado de Direito.

Há que se condenar resolutamente o ataque ao candidato da extrema-direita, porque, por princípio, abjuramos tais práticas na luta política.

Mas não se pode esquecer seus enunciados sobre como lidar com os quilombolas, a comunidade da Rocinha, os petistas, as mulheres, os homossexuais.

Liberais de verdade não podem coonestar com isso, embora na matriz udenista da maior parte de seus representantes no país, o flerte com o autoritarismo seja recorrente, dada a virtual impossibilidade de verem suas propostas alcançarem a maioria na preferência popular em eleições democráticas.

A utilização política do episódio ocorrido em Juiz de Fora pela mídia, em especial a Globo, terá como mote torná-lo produtor de uma epifania, que acarreta a metamorfose do fascista, destacando sua disposição para a concórdia e a conciliação, de modo a torná-lo assimilável para espíritos menos toscos, mais sensíveis.

Encontrar um modo de desmistificar esta farsa é uma responsabilidade de todos os democratas nas próximas semanas.

Que não seja no horário eleitoral, mas nas rodas de conversa, nas redes, nos pronunciamentos e ações, esta operação camaleônica precisa ser desmistificada.

Para salvar o que resta da democracia brasileira.

Ignacio Godinho Delgado é professor titular aposentado da Universidade Federal de Juiz de Fora.

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6 comentários

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RONALD

11 de setembro de 2018 às 10h39

Ao contrário desta “fakeada”, todos os dias, assistimos a reais facadas que sangram a nossa democracia.
Facadas do judiciário, facadas da mídia golpista grotesca, facadas do stf, do tse, no cidadão que detém mais de 50% do eleitorado brasileiro, que sabe que ele é inocente e quer votar nele.
Essas facadas, reais, estão destruindo o Estado brasileiro, o povo brasileiro, o patrimônio brasileiro e a possibilidade de mudança para melhor.
Sem LULA, teremos um governo pastiche, uma continuação piorada do Regime temer e a grande possibilidade de barbárie !!!!

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RONALD

11 de setembro de 2018 às 10h30

“… na grande mentira há sempre certa força de credibilidade, porque as grandes massas de uma nação são sempre mais facilmente corrompidas nas camadas mais profundas de sua natureza emocional do que consciente ou voluntariamente e, portanto, na simplicidade primitiva de suas mentes elas mais facilmente caem vítimas para a grande mentira do que a pequena mentira, uma vez que eles próprios contam pequenas mentiras em questões triviais, mas teriam vergonha de recorrer a mentiras em grande escala. Nunca iria entrar em suas mentes fabricar mentiras colossais, e eles não acreditam que outros pudessem ter a imprudência de distorcer a verdade de forma tão infame.
Mesmo que os fatos que provem que isso seja assim e possam ser trazidos claramente às suas mentes, eles ainda vão duvidar e vacilar e continuarão a pensar que pode haver alguma outra explicação”.

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cristina rezende valle souza

10 de setembro de 2018 às 12h32

a quem mais interessa esse atentado? quem.pode ser o maior beneficiafp com esse atentado? O próprio projeto….Logo,eu arrisco a opção de que foi a mando de gente de dentro…..Quem está pagando advogado para o autor do delito? há de se investigar muito esse crime.Não podemos deixar de olhar isso!

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Ma Cardoso

10 de setembro de 2018 às 02h53

“Implausível a hipótese da armação, seja como farsa, seja por iniciativa dos adversários do candidato atingido.”

Prove

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carlos

09 de setembro de 2018 às 08h13

O que eu sempre digo, qualquer que seja o presidente eleito tem que providenciar a reforma do judiciário extinção dos tribunais superiores, e a criação do poder de notáveis com uma nova cultura, que atenda as exigências da lei e respeito a nossa constituição e não aos ditames da mídia, aliás os papéis estão invertidos bastou a mídia noticiar já é condenado, outra coisa que deve mudar temos elaborar uma lei de regulação da mídia, porque o judiciário não produz nada que não seja prá ser beneficiado por regulamentos fajutos e que não tem força de lei caso do auxílio moradia isso é uma escrescencia .

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Cláudio

09 de setembro de 2018 às 02h55

Belo e interessante artigo, muito bom. Precisa-se fazer exatamente isso : cuidar desse novo microgolpe dentro do golpe (eleições sem Lula) do Golpe…

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