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Presidente da CPI enquadra ex-chanceler: caminhões da Venezuela levaram dias para trazer oxigênio até Manaus, quando poderiam ter sido horas
O chanceler venezuelano na saída dos caminhões de oxigênio
Política

Presidente da CPI enquadra ex-chanceler: caminhões da Venezuela levaram dias para trazer oxigênio até Manaus, quando poderiam ter sido horas


18/05/2021 - 15h19

Da Redação

Talvez no trecho mais danoso de suas declarações à CPI da Pandemia, o ex-chanceler Ernesto Araújo admitiu hoje que não ligou, nem agradeceu à Venezuela pelo envio de oxigênio para salvar vidas de pacientes durante a segunda onda da pandemia em Manaus.

O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), que acompanhou a crise de perto, disse que se o governo brasileiro tivesse se mexido o oxigênio poderia ter chegado muito mais rapidamente.

Aziz lamentou que as remessas venezuelanas não tenham sido transportadas por via aérea.

Se isso tivesse acontecido, vidas poderiam ter sido salvas, afirmou Aziz.

Em vez disso, a primeira remessa de oxigênio da Venezuela veio num comboio de caminhões.

Sairam de uma siderúrgica estatal de Puerto Ordaz, no estado de Bolívar, num sábado, e só chegaram a Manaus na noite de segunda-feira.

O pedido foi feito pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC-AM) a seu congênere de Bolívar.

São cerca de duas horas de vôo entre Ciudad Guayana, que fica na região de Puerto Ordaz, e Manaus.

À época, Bolsonaro não só não agradeceu  à Venezuela, como espalhou fake news sobre a doação de emergência.

“Se o Maduro quiser dar oxigênio, carne tá sobrando lá, mantimentos, ele é bem-vindo. Afinal de contas, nós recebemos, eu não sei o número certo, dezenas milhares de venezuelanos, fugindo para o Brasil. Depois, tomamos conhecimento que foi a White Martins, empresa sediada na Venezuela”, disse o presidente em uma live, que foi desmentida pela própria empresa.

Hoje, em seu depoimento, o chanceler Araújo também confirmou esforços de seu ministério para comprar cloroquina — não oxigênio, nem vacina, mas cloroquina.

Ele negou ter tido um comportamento anti-China, adotado por outros integrantes do governo, como o ministro da Economia Paulo Guedes.

“Não vejo nenhuma declaração que eu tenha feito como antichinesa. Em notas oficiais, nos queixamos do comportamento da embaixada da China mas não houve nenhuma declaração que se possa classificar como antichinesa”, ele afirmou.

O chanceler foi chamado de mentiroso.

“O senhor no MRE foi uma bússola que nos direcionou para o caos, que nos levou ao iceberg, ao naufrágio”, disse a senadora Kátia Abreu (PP-TO).

Embora sem mencionar especificamente a China, Araújo já denunciou a pandemia como uma tentativa de cerceamento global da liberdade:

“Aqueles que não gostam da liberdade sempre tentam se beneficiar de momentos de crise para pregar o cerceamento da liberdade. Não caiamos nessa armadilha. O controle social totalitário não é o remédio para nenhuma crise. Não façamos da democracia e da liberdade mais uma vítima da Covid-19”, escreveu.

Esse discurso soou como bênção aos negacionistas, que se opuseram ao uso de máscaras, ao distanciamento social, às medidas de fechamento do comércio e outras atividades e aos que acusaram a China de ter produzido o coronavírus em laboratório como parte de uma guerra ideológica.

Críticas de integrantes do governo brasileiro à China são apontadas como responsáveis pela demora na entrega da matéria primeira que permite ao Instituto Butantan produzir a vacina Coronavac em São Paulo.

A produção foi suspensa, comprometendo a vacinação em várias cidades e a aplicação da segunda dose em milhares de brasileiros.

Depois de atrasar a compra de vacinas à espera da chamada imunidade de rebanho, o governo Bolsonaro parece ter acelerado as negociações com a norte-americana Pfizer, ao mesmo tempo em que boicota as iniciativas do governador paulista João Doria.





4 comentários

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Zé Maria

18 de maio de 2021 às 20h21

Moda Nazi-Fascista:
Crimes em Série.
De Lesa-Humanidade.

Responder

Zé Maria

18 de maio de 2021 às 18h49

Pessoal tá dizendo que amanhã o Pezaduello
vai fazer Delação Premiada na CPI do COVID.
Prêmio Mínimo: CADEIA.

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