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Pepe Escobar: Imperialismo ‘humanitário’ vai terminar em pilhagem


27/08/2011 - 00h32

R2Ps: De “Responsabilidade de Proteger” a “Razão para Pilhar”

27/8/2011, Pepe Escobar, Asia Times Online

Tradução do Coletivo da Vila Vudu

A tarefa-carga do homem branco [1] não prevê perguntar aos africanos o que pensam do massacre ocidental/monárquico em curso contra os árabes nas praias do norte do continente. Mas alguns, pelo menos, decidiram pôr fim à enrolação.

Mais de 200 líderes e intelectuais africanos distribuíram carta aberta em Johannesburg, África do Sul, chamando a atenção para o “uso distorcido do Conselho de Segurança da ONU para a prática da diplomacia militarizada, com o objetivo de derrubar o governo na Líbia” e para “marginalizar a União Africana”.

Leia o texto da carta aqui

Quanto aos ‘vencedores’ ocidentais na Líbia, já nem tentam disfarçar. Richard Haass, presidente daquele almanaque de Gotha do establishment dos EUA que é o Conselho de Relações Exteriores, assina coluna no Financial Times na qual diz claramente que “a intervenção humanitária introduzida para salvar vidas que se acreditava que estivessem ameaçadas foi, de fato, intervenção política para derrubar o governo”.[2]

Quanto à chusma de atores locais – líbios da Cirenaica – Haass já os despachou para a lata do lixo da história: “Os líbios não conseguirão administrar a situação e emergir por conta própria” e, com “dois milhões de barris de petróleo por dia” em jogo, a única solução é uma “força internacional”. Tradução: exército de ocupação – como no Afeganistão e no Iraque. Bem-vindos ao neocolonialismo 2.0.

A hora da vingança

Por tudo isso, o establishment norte-americano já está tão atrevido quanto a direita rica cabeça de noz da variedade Donald “aquela coisa no cocuruto” Trump. Trump disse à Fox News: “Nós somos a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte]. Nós apoiamos a OTAN com dinheiro e armas. E ganhamos o quê? Por que não ficaríamos com o petróleo?”

Em termos de Dia da Marmota geopolítico, é de fato o Afeganistão e o Iraque, tudo outra vez – uma orgia de saques, destruição de estátuas, segmentos de reality show televisivo para não deixar ninguém descolar o olho das telinhas, até faixas de uma torcida pró-OTAN (mais ou menos como os americanos agradeceriam aos chineses que bombardeassem New York City até reduzi-la a ruínas, para ‘libertá-la’).

E nem se fala da imbecilidade da grande mídia-empresa. A CNN deslocou Trípoli para o leste – para o Mediterrâneo leste, em algum ponto perto do Líbano. A BBC mostrou uma festa ‘rebelde’ numa praça Verde em Trípoli localizada na Índia, com bandeiras da Índia. Homenagem e prova da total integração entre a OTAN e a mídia do CCG, Conselho de Cooperação do Golfo, também conhecido como Clube Contrarrevolucionário do Golfo – as seis ricas satrapias fundamentalistas da região.

Considerando que o CCG virtualmente ordena à Liga Árabe o que fazer, não surpreende que a Liga já tenha reconhecido o sinistro Conselho Nacional de Transição ‘rebelde’ como governo legítimo, embora só represente a Cirenaica e apesar de o Grande Gaddafi [3] continuar vivo (embora com a cabeça a prêmio: 1,6 milhão de dólares). Digamos que é o troco da Liga Árabe, por Gaddafi ter chamado o rei saudita Abdullah de “estúpido”, nas preliminares para a guerra do Iraque.

Também é como se a Líbia agora fosse um emirado árabe em construção, sem nada ter a ver com a África. O CCG financiou e armou os ‘rebeldes’. A União Africana era quase unanimemente contra a guerra OTAN/CCG. Ergo, no que dependa de OTAN/CCG, a África que se dane; a única coisa que realmente importa – estrategicamente – é meter uma base militar/naval do Africon/OTAN na Líbia.

E lá nos vamos, para outra Zona Verde

Já não é segredo para ninguém que agentes dos serviços secreto britânico, francês, da CIA, do Qatar e mercenários de todos os tipos choveram (de paraquedas) sobre território líbio como força de invasão, há meses, planejando e treinando ‘rebeldes’ e em estreita coordenação com a OTAN, essa entidade prodígio da filantropia universal.

Nunca se tratou de mandado da ONU, mas… quem liga?! OTAN/CCG pagam as contas, a OTAN cuida do bombardeio e OTAN/CCG “estabilizarão” a confusão toda, como se lê em plano de 70 páginas vazado pelo Times de Londres e de Rupert Murdoch. [4]

Só tolos acreditarão na notícia-boato previsível de que o plano teria sido elaborado pelo Conselho Nacional de Transição com “ajuda ocidental”. A OTAN não se atreverá – não, pelo menos, no começo – a pôr os pés em terra; daí a proposta de “uma força-tarefa de 10.000-15.000 soldados em Trípoli”, a ser fornecida pelos Emirados Árabes Unidos, que, mais dia menos dia, lá estará. A pergunta mais eletrizante é: na folha de pagamento dos Emirados Árabes Unidos haverá mercenários estrangeiros (jordanianos, sul-africanos, colombianos) treinados pela Blackwater, ou mercenários tribais?

E – adivinhem o quê! – uma Zona Verde remix, como no Iraque, próxima da praça Verde. São notícias quase tão deliciosas quanto o embaixador do Conselho Nacional de Transição nos Emirados Árabes Unidos, Aref Ali Nayed, a desmentir compungido o plano vazado, no mesmo momento em que Benghazi confirmava a coisa toda.

Todos já sabem também que a rendosa reconstrução de tudo que a OTAN destruiu beneficiará – e quem poderia ser?! – os ‘vencedores’: os países da OTAN/CCG.[5] O líder do Conselho Nacional de Transição Mustafa Abdel Jail já confirmou, em Benghazi.

Devem-se esperar ruidosas comemorações locais – e globais –, no que tenha a ver com pôr a mão no butim. Sem considerar a riqueza (ainda inexplorada) em gás e petróleo, a Líbia tem mais de 150 bilhões de dólares em bancos estrangeiros. E o Banco Central da Líbia – agora em vias de ser privatizado – guarda nada menos que 143,8 toneladas de ouro. Há também por lá água doce suficiente para um milênio, que Gaddafi começava a tornar acessível via o espetacular multibilionário Projeto “Grande Rio Feito pelo Homem” [orig. Great Man-Made River (GMR) project].

Aí está também mais uma sólida resposta à pergunta sobre por que a França decidiu, tão freneticamente, derrubar Gaddafi: as maiores empresas mundiais de exploração de água são francesas; e a possibilidade de privatizar suprimento de água doce a ser comercializado por mil anos deixou os executivos daquelas empresas, digamos… babando.

Por tudo isso, como vasto novo mercado potencialmente muito lucrativo para empresas europeias, e bem ali, na outra margem do Mediterrâneo, a Líbia é artigo de primeira, o que dá novo significado à doutrina do imperialismo humanitário e sua “responsabilidade de proteger” [orig. R2P (“responsibility to protect”)], que passa a significar “direito de pilhar” [orig. R2P (“right 2 plunder”)] – como escreveu um leitor de Asia Times Online.

O primeiro-ministro italiano Silvio “bunga bunga” Berlusconi foi gentil: encontrou-se em Milão com o primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição, bem à frente da nova bandeira da Líbia (de fato, é a velha bandeira monárquica do rei Idris), posta ao lado das bandeiras da Itália e da União Europeia.

E dizer que há apenas um ano, Silvio B. oferecia fantástica festa ao seu camaradinha cujas mãos adorava beijar –, precisamente nosso Grande G. –, com desfile de 30 beduínos montando cavalos puros-sangues importados.

Em 2008, Silvio B. e o Grande Gaddafi assinaram tratado para enterrar a infeliz era colonial (1911-1942), pelo qual a Itália gastaria $5 bilhões ao longo de 25 anos em investimento na infraestrutura da Líbia – estradas e ferrovias; graças a esse tratado, 180 empresas italianas conseguiram contratos fabulosos na Líbia, e a Itália passou a ser  principal parceira comercial da Líbia.

Por isso, o líder do Conselho Nacional de Transição Mustafa Abdel Jalil estava obrigado a confirmar para Berlusconi que a nova Líbia manterá “relações especiais” com todos os “vencedores” da guerra de OTAN/CCG contra a Líbia; e destacou a Itália.

Semana que vem, será a vez do Xeique Abdullah bin Zayed, ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, que visitará Benghazi para passar a mão em fatia bem gorda do bolo da reconstrução. Depois do estouro da bolha imobiliária, os Emirados Árabes Unidos pululam de empresários prontos a saltar sobre qualquer oportunidade.

E quanto ao mapa do caminho

Mas e se o Grande Gaddafi tiver carregado seu ouro? O ex-presidente do Banco Central da Líbia garante que, em Trípoli, estão fisicamente guardadas reservas equivalentes a nada menos que $10 bilhões em ouro.

Assim, enquanto os britânicos do serviço secreto metidos em trajes civis árabes e brandindo Kalashnikovs idênticas às dos ‘rebeldes’ procuram Gaddafi “vivo ou morto”, ao estilo texano de George W Bush, o Grande Gaddafi pode bem estar comprando aliados tribais e pagando, literalmente, em ouro. Para não dizer que já conta com o apoio da tribo Gaddafi (habilíssimos caçadores noturnos), da tribo al-Magarha (atiradores de primeiríssima) e de quase toda a tribo da esposa de Gaddafi, os Warfallah (a maior do país, com mais de 2 milhões de pessoas).

Dado que o Conselho Nacional de Transição anda dizendo por todos os cantos que a Líbia pós-Gaddafi será pluralista e multicultural, já se veem sinais claros de que já começaram a construir mais uma Areia Movediça City.

Os árabes do norte absolutamente desprezam os berberes do sul – e vice-versa. A gente da Tripolitania absolutamente despreza os salafitas da Cyrenaica – e vice-versa.

Com tanta coisa em jogo, é fácil visualizar um mapa do caminho que será, com pequenas variações, o seguinte:

– Um governo do Conselho Nacional de Transição muito fraco, governo-fantoche; as tropas da doutrina do neoliberalismo de desastre distanciar-se-ão cada vez mais dos líbios habituados a 40 anos de ensino gratuito, atendimento gratuito à saúde e moradia gratuita; logo se organizará movimento de guerrilha contra a ocupação estrangeira; salafitas-jihadistas de outras latitudes árabes acorreram para a Líbia; cidades do deserto facilmente se tornarão bases de grupos guerrilheiros; os oleodutos do sudeste do país serão atacados; será réplica de Bagdá, de 2004 a 2007; haverá uma ‘avançada’ [surge] em cenário de guerra civil/tribal sem fim; e lá estará o Afeganistão 2.0, como frente-gêmea guerrilheira – o grupo de Gaddafi contra os ‘rebeldes’/OTAN, e os salafitas contra a OTAN, porque o ocidente nunca admitirá que a Líbia converta-se em estado islâmico.

Gaddafi, hoje, aposta que os espiões e mercenários de OTAN/CCG converterão a Líbia em novo Iraque/Afeganistão. (É bem possível, aliás, que a OTAN adore a ideia.) Com isso, forçarão Gaddafi a entrincheirar-se mais fundo no norte da África. Voltarão as mesmas velhas táticas imperiais de dividir-para-reinar, enquanto as empresas ocidentais exercerão seus direitos de saquear.

Simultaneamente darão nova vida, numa espécie de trama secundária, à “guerra ao terror”, enquanto a recessão devora o que resta das respectivas economias nacionais. Mas o complexo industrial-militar e empresários do ramo de armas/segurança continuarão felizes da vida. Iraque/Afeganistão, tudo outra vez? Vamos ver quem pode mais.

Notas:

[1] White man’s burden é poema de Rudyard Kipling, de 1899, um apelo para que os EUA assumam a tarefa de promover o desenvolvimento das Filipinas que acabavam de ser derrotadas na Guerra hispano-americana; é considerado o ‘hino’ do imperialismo britânico (pode ser lido em http://public.wsu.edu/~wldciv/world_civ_reader/world_civ_reader_2/kipling.html) [NTs].

[2] 22/8/2011, Financial Times em http://www.ft.com/intl/cms/s/0/559804f8-cc7f-11e0-b923-00144feabdc0.html#axzz1W95meZMg

[3] http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/08/o-grande-gaddafi-1.html

[4] Há matéria detalhada sobre o plano em http://www.theaustralian.com.au/news/world/iraq-haunts-plans-for-post-gaddafi-libya/story-e6frg6so-1226111211251

[5] Ver “Capitalismo de desastre: abutres sobre a Líbia”, http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/08/pepe-escobar-capitalismo-de-desastre.html).

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36 comentários

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Pepe EscobarFantasma de Gaddafi assombra o morto-vivo Rei Sarkô  | Observatório de Relações Internacionais da UFOP

27 de março de 2018 às 09h01

[…] setembro de 2011, comentei, para Asia Times – ver, por exemplo, aqui e aqui – as incontáveis razões pelas quais Gaddafi teria de ser derrubado, a maior parte das quais […]

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Pepe Escobar: Líbia-Fantasma de Gaddafi assombra o morto-vivo Rei Sarkô | NavalBrasil.com

24 de março de 2018 às 13h48

[…] setembro de 2011, comentei, para Asia Times – ver, por exemplo, aqui e aqui – as incontáveis razões pelas quais Gaddafi teria de ser derrubado, a maior parte das quais […]

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Jason_Kay

29 de agosto de 2011 às 19h10

"Nora de Kadhafi castiga babá com banho de água fervente"

Trípoli (Líbia) – Uma babá que trabalhava para um dos filhos do ditador líbio Muammar Kadhafi, Hannibal Kadhafi, sofreu sérias queimaduras depois que seu chefe mandou que jogassem água quente sobre seu rosto. Shweyga Mullah afirmou que a própria nora de Kadhafi, a ex-modelo Aline Skaf, derramou a água fervendo em seu rosto

Shweyga foi encontrada abandonada em uma sala em uma das casas de luxo da família Kadhafi, a noroeste da capital Trípoli. Incapaz de ir ao médico, a etíope estava deitada em um colchão no chão. De acordo com a rede de TV CNN, Mullah, de 30 anos, veio da Etiópia para trabalhar como babá para a filha do casal, cerca de um ano atrás.

Ela explicou que Aline perdeu a paciência depois que a filha recusou-se a parar de chorar e determinou que Mullah batesse na criança.

"Ela me levou para um banheiro, amarrou minhas mãos nas costas, além de meus pés. Em seguida, ela me amordaçou e começou a derramar a água fervendo na minha cabeça.

Um repórter da CNN disse que quando ele entrou na sala, ele pensou que ela estava usando um chapéu, porque seus ferimentos eram muito ruins. ""Então percebi que seu couro cabeludo e seu rosto estavam cobertos de feridas vermelhas e crostas", contou.

Um guarda levou Mullah a um hospital, onde ela recebeu tratamento. Mas quando Aline descobriu, ele foi ameaçado de prisão caso se atrevesse a ajudá-la novamente. "Ela me torturou por três dias e não me deixava dormir," disse a babá. "Eu fiquei no exterior da casa, no frio e sem comida. E ela dizia para os empregados: "Se alguém lhe der comida, eu vou fazer o mesmo com você. "

A babá foi queimada duas vezes e último incidente aconteceu há três meses. Ela diz que quer ir para o hospital, mas é incapaz de se dar ao luxo de fazê-lo, já que os patrões não lhe deram "um centavo" durante todo o tempo em que trabalhou na residência.

Um outro empregado da casa contou que Shweyga Mullah era constantemente espancada e cortada com facas.

Desde o início dos conflitos com os rebeldes, a família de Muammar Kadhafi, incluindo seus filhos, noras e netos, encontram-se desaparecidos.
http://odia.terra.com.br/portal/mundo/html/2011/8

Obs.: Com fotos.

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Paulo

28 de agosto de 2011 às 20h57

Pepe Escobar é uma viuvinha do Kadafi. Sobre o Oriente Médio eu recomendo o blog do Gustavo Chacra no Estadão (Estadão! que horror!!!)

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Página 13 » Blog Archive » Pepe Escobar: Imperialismo ‘humanitário’ vai terminar em pilhagem

28 de agosto de 2011 às 10h51

[…] News: “Nós somos a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte]. Nós apoiamos a OTAN com dinheiro e armas. E ganhamos o quê? Por que não ficaríamos com o […]

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Eugênio

28 de agosto de 2011 às 04h42

Tomai o fardo do Homem Branco – Envia teus melhores filhos.
Vão, condenem seus filhos ao exílio para servirem aos seus cativos; Para esperar com arreios, com agitadores e selváticos. Seus cativos, servos obstinados, metade demônio, metade criança.

Tomai o fardo do Homem Branco – Continua pacientemente.
Encubra-se o terror ameaçador e veja o espetáculo do orgulho; Pela fala suave e simples, explicando centenas de vezes, procura outro lucro e outro ganho do trabalho.

Tomai o fardo do Homem Branco – As guerras selvagens pela paz – Encha a boca dos Famintos, e proclama, das doenças, o cessar; E quando seu objetivo estiver perto (O fim que todos procuram) olha a indolência e loucura pagã levando sua esperança ao chão.

Tomai o fardo do Homem Branco – Sem a mão-de-ferro dos reis, mas, sim, servir e limpar – a história dos comuns. As portas que não deves entrar, as estradas que não deves passar. Vá, construa-as com a sua vida e marque-as com a sua morte.

Tomai o fardo do homem branco – E colha sua antiga recompensa – A culpa de que farias melhor, o ódio daqueles que você guarda, o grito dos reféns que você ouve (Ah, devagar!) em direção à luz: "Porque nos trouxeste da servidão nossa amada noite no Egito?"

Tomai o fardo do homem branco – Vós, não tenteis impedir – Não clamem alto pela Liberdade para esconderem sua fadiga, porque tudo que desejem ou sussurrem, porque serão levados ou farão, os povos silenciosos e calados, seu Deus e tu, medirão.

Tomai o fardo do Homem Branco! Acabaram-se seus dias de criança, o louro suave e ofertado, o louvor fácil e glorioso. Venha agora, procura sua virilidade através de todos os anos ingratos, frios, afiados com a sabedoria amada, o julgamento de sua nobreza.

(O fardo do Homem Branco, Rudyard Kipling – 1899)

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HMS TIRELESS

27 de agosto de 2011 às 22h23

Pepe Escobar não para com choro de perdedor, de quem perdeu um dos seus tiranos favoritos!

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Mariana

27 de agosto de 2011 às 18h46

Jesus! Nasceu um novo Afeganistão e um novo Iraque. Vamos ver onde está guerra pelo petróleo irá terminar. Pela ordem: Irã, Venezuela, Nigéria, Arábia e por último o Brasil, este não haverá guerra, mas disputas políticas internas com aqueles que são/serão aliados dos americanos. Resta a Rússia, porque tem bomba atômica e o Exército Vermelho não se curva.

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Substantivo Plural » Blog Archive » De “Responsabilidade de Proteger” a “Razão para Pilhar”

27 de agosto de 2011 às 18h18

[…] Pepe Escobar Asia Times Online – NO VI O MUNDO Tradução do Coletivo da Vila […]

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Bonifa

27 de agosto de 2011 às 17h09

O melhor plano de ocupação que a Europa pode fazer na Líbia, incluiria: Garantir assistência pública de saúde nos mesmos níveis em que ela era garantida pelo governo de Kadafi, níveis altíssimos, os mais altos da África. Não poderão fazer isso, primeiro, porque não é sua prioridade. Segundo, pporque é cintra a doutrina neoliberal de "salve-se quem puder pagar e assistência (provisória) da cruz vermelha para grandes mortantes". Outra coisa, a segurança alimentar garantida pelo governo Kadafi, já era. A Europa deve achar que isto é um luxo desnecessário. Outra coisa, os rebeldes estão reclamando urgentementemte a grana que a Líboia tinha no exterior. Vão sonnhando. Os banqueiros já disseram que não há quase nada de recursos. Gastaram quase tudo tudo na sagrada tarefa da libertação da Líbia do monstro devorador de cidadãos. E os líbios, saberão antes que todo mundo, que foram vitimas de vampiros internacionais.

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Nelson

27 de agosto de 2011 às 17h05

Latrocínio. Mais um. Apenas o seguimento de uma longa, muito longa série de conquistas coloniais empreendidas à base de guerras e assassínios sem conta.

No livro ANO 501: A CONQUISTA CONTINUA, focando o continente americano, Noam Chomsky mostra que os tempos modernos observam a sequência da conquista colonial iniciada com o chamado “descobrimento” da América.
Mas, Chomsky não se resume ao nosso continente e, pode-se dizer, didaticamente, nos familiariza com conceitos como “maçã podre”, “fardo da responsabilidade”, “proteção da democracia”, “intervenção desinteressada” (os “bombardeios humanitários” na Líbia) e muitos outros.
Altamente instrutivo, imperdível, ANO 501: A CONQUISTA CONTINUA é um livro essencial para entendermos o que se passa no nosso “mundão” atualmente.

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Avelino

27 de agosto de 2011 às 16h00

Caro Azenha
A OTAN não irá recosntruir as casas, nem recuperar a eletricidade, nem as estradas entre os muitos serviços que a Libia, caso derrotada, irá fornecer.
Quem serão eles?!
Parte do dinheiro da Libia estava no HBSC, fornecido aos rebeldes. Quem mais???
Rebeldes lá, tucanos aqui.
Extrai-se o barril por apenas U$1, e vende-se a U$ 100, boa margem de lucro.
Saudações

Responder

Antonio

27 de agosto de 2011 às 15h12

Os Africanos têm que ir para cima desse conlúio neoliberal ocidental para roubar petróleo e riquezas da Líbia. O mesmo discurso foi usado no Iraque. Os neosaqueadores usam o fazer o bem ao País, acabando com a ditadura, com armas perigosas, libertando seu povo, como pretexto para matar e roubar. São os modernos tempos bárbaros.

O Brasil tem que fazer tecnologia que nos proteja dos aviões não tripulados que voam a milhares de quilômetros acima para bombardear determinados pontos.

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“A Líbia precisa agora de soldados no chão” « Matutações

27 de agosto de 2011 às 15h11

[…] Vi o Mundo […]

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edv

27 de agosto de 2011 às 13h02

Admiro o "ônus" ocidental de combater ditaduras (ou o que fôr) para instaurar "petrocracias", oops, democracias… desde os tempos da Pérsia pré-xá, do canal de Suez…
Espero que o custo de retirar o ouro negro marinho em grandes profundidades nos mantenha fora deste "altruístico burden"…

Responder

Ricardo Melo

27 de agosto de 2011 às 12h32

A primeira frase do texto merece uma tradução muito melhor.

"A tarefa-carga do homem branco [1]" deveria ter sido traduzido "fardo do homem branco".

Responder

assalariado.

27 de agosto de 2011 às 12h19

A luta de classes se acirra. Os anseios de lucros da classe burguesa globalizada, já não cabem dentro de si. Cada vez mais as elites se desesperam matam, prendem, arrebentam quem cruzar o seu caminho. Isto os levam a invadir terras alheias desde seus primórdios, enquanto classe dominante e exploradora dos povos, dos assalariados e do planeta. Praticam a politica de que, se não é meu, não é de ninguém, e tome guerra civil, dividir para reinar. Esta é a história das elites do capital, só que cada vez mais afundada em suas crises de super produção. Isto mesmo, é a crise na abundância, excesso de mercadorias, dinheiro -(papéis que se evaporam?), enfim… recheado com muitas mentiras e manipulações da imprensa burguesa.

Esta é a lógica natural da burguesia e seu alto falante institucionalizado, conhecido também como ( Estado de direito?! ), organizado e armado, em sua defesa, para enfrentar as revoltas dos povos e dos assalariados em geral –( dentro das fabricas/ escritórios, também é assim, é a ditadura do capital. Afinal, a raiz exploratória da burguesia capitalista enquanto classe organizada, começa/ parte de onde?). É isso aí,… a organização dos capitalistas vão além das portas das empresas… criaram um cavalo de troia chamado, Estado, para legalizar toda esta barbárie que esta ocorrendo no planeta, com o devido carimbo das organizações internacionais, também comandadas, controladas pelo capital internacional. A doença dos homens e do planeta se chama, deus mercado, modo de produção capitalista. Ou damos fim nele, ou ele nos dará… assim já foi dito…

Responder

Julio Silveira

27 de agosto de 2011 às 11h36

O Brasil que não esteja preparado, para insinuações desse tipo no futuro, para ver. Devemos preparar bem nossas F.As com armas, mas também culturalmente com sentimento de cidadania e civismo, tanto nossos militares como nossos civis, para que não exista a tentação vinda do canto da sereia dos mestres do universo e exploradores das ocasiões.

Responder

Wanderson Brum

27 de agosto de 2011 às 10h47

Há só um adendo muito importante, embora a revolução tecnológica tenha encurtado as distancias, o Afeganistão era para lá de Bagdá, e o Iraque também não era assim tão perto do Ocidente, já a Libia, bem essa fica de cara para Europa… vai que as coisas "vazem" pra lá…

Responder

Bonifa

27 de agosto de 2011 às 10h31

Líbia: PCP condena "massacre" na NATO em Tripoli e critica posição "seguidista" do Governo português
Lusa – Agência de Notícias de Portugal S.A. – 26 de Agosto de 2011, 18:15
.
Lisboa, 26 ago (Lusa) — O PCP (Partido Comunista Português) condenou hoje o "massacre perpetrado pela NATO" na cidade de Tripoli e criticou a posição "seguidista" do Governo português de apoio à "guerra de invasão e ocupação da Líbia".
"A tomada de Tripoli é sobretudo resultado, não de uma propagandeada vitória militar dos chamados 'rebeldes', mas sim da intervenção direta da NATO e de um verdadeiro massacre perpetrado por esta estrutura político-militar", lê-se num comunicado do PCP.
Condenando "o autêntico banho de sangue perpetrado contra a população da capital Líbia na denominada 'Operação Sereia'", os comunistas reiteram que o que está em causa com a "guerra de invasão e ocupação da Líbia" não são os direitos do povo, nem qualquer desejo de liberdade ou democracia. http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/12971049.html

Responder

Marcio

27 de agosto de 2011 às 10h27

O Brasil tem que ficar fora disso. Eles (OTAN e demais) pariram Mateus, que o embalem então. Seria oportunismo o Brasil concordar em sentar à mesa para debater a transição. Não concordou com os ataques, clamou por negociações antes da carnificina, não precisa do petroleo da Libia, não concorda com os ataques da Otan, não concorda com o modus operandi das velhas e caquéticas nações que fazem horrores para se manter dominantes, enfim, que se afaste o Brasil dessa negociação de transição para "idiota" ver. Os termos da partilha já estavam definidos antes mesmo doa ataques. Cafa força invasora já sabia com o que iria ficar. O Brasil será feito de bobo por Obama e coleguinhas como no caso do Iran. Acorde Patriota, reflita Amorim. Não precisamos disso. Para afirmar a nossa soberania temos que entrar com o pé direito (e bem lavado) no rol das nações desenvolvidas. Nâo podemos sujar nossas mãos com o sangue dos inocentes.

Responder

    Bonifa

    27 de agosto de 2011 às 16h12

    O Brasil não tem que ficar fora. O Brasil tem que acompanhar as decisões da União Africana.

    Nelson

    27 de agosto de 2011 às 17h15

    É isto mesmo Bonifa.
    E, ao mesmo tempo, o governo Dilma tem que acabar, já, com essa lamentável submissão brasileira aos interesses dos assassinos encastelados em Washington e suas manobras de submissão, também, do povo haitiano. Em poucas palavras, no esclarecedor artigo DE COMO DE CASTIGA A HAITI, o poeta argentino, Juan Gelman, explicita o quão vergonhosa é essa empreitada brasileira.
    O artigo de Gelman pode ser lido em http://rebelion.org/noticia.php?id=134657.

    HMS TIRELESS

    28 de agosto de 2011 às 15h09

    Risível! A presença do Brasil no Haiti é motivo de júbilo para o povo brasileiro. Caso o Brasil não tivesse se feito presente teria havido uma guerra civil por lá. E respeito ao nossos soldados caro Hippie!

    Antonio

    27 de agosto de 2011 às 17h34

    O Brasil e os países marginalizados e ocupados têm que criar uma Força Diplomática Militar que os proteja da Europa, da China e dos EUA. Tem que se investir muito na área militar de alta tecnologia e treinamento, além de renomados diplomatas para negociar os não ataques dos grandes. Só assim o mundo poderá contrabalancear suas forças. Enquanto ficarem nessa história de ONU, OTAN, que são joguetes nas mãos desses saqueadores e assassinos, a coisa continua do jeito que está. Países assolados, saqueados e seu povo assassinado.

    gilberto

    28 de agosto de 2011 às 09h47

    Concordo que o Brasil deva ficar de fora.
    O negócio por lá vai virar um atoleiro que vai prender as potencias por muito tempo.
    È uma besteira muito grande"libertar" quem não quer ser libertado.

alexandre

27 de agosto de 2011 às 10h18

Essa é a "Primavera Árabe da Líbia? Ou seria,ainda,o "fim da Ditadura" (de quem?) naquele país?

Responder

ZePovinho

27 de agosto de 2011 às 10h09

É……………..o fardo do homem branco,nós,é civilizar e roubar esses africanos tribais.

Responder

Bonifa

27 de agosto de 2011 às 10h03

Bem a propósito, esta notícia da Lusa;
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Líbia: Intervenção francesa é um "investimento no futuro" — MNE
Agência Lusa – 27 de Agosto de 2011, 05:51
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Paris, 27 ago (Lusa) — A intervenção da França na Líbia é um "investimento no futuro", afirmou na sexta-feira o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Alain Juppé, numa entrevista ao jornal Aujourd' hui en France/Le Parisien.
"Quando nos questionamos sobre o custo da operação — o Ministério da Defesa aponta para um milhão de euros por dia — saliento que é também um investimento no futuro", disse Juppé.
De acordo com o governante francês, os "recursos do país foram confiscados por Kadhafi que acumulou 'stocks' de ouro".

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Avelino

27 de agosto de 2011 às 10h01

Caro Azenha
Que tal se começar a falar do nomes das empresas e bancos que pilharão a Líbia? Nada disso se fala no Iraque, Afeganistão., nenhum blogue dito sujo está fazendo isso.
É muito anonimato para uma pilhagem.
Saudações

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FrancoAtirador

27 de agosto de 2011 às 08h56

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19/09/209

BP ganha maior campo de petróleo do Iraque

Um consórcio liderado pela BP (British Petroleum) ganhou o contrato pelo campo de petróleo Rumaila, o maior do Iraque e um dos maiores do mundo.

O Iraque concederá contratos de serviços técnicos por 20 anos, nos quais as empresas receberão uma tarifa pelo aumento da produção.

A BP PLC, a Royal Dutch Shell PLC, a Exxon Mobil Corp. e a Total estão entre as 35 empresas qualificadas no ano passado a apresentar ofertas pelos contratos.

Os contratos são vistos como uma maneira de as empresas entrarem no Iraque, que acredita-se ter uma das maiores ofertas mundiais de petróleo, com cerca de 115 bilhões de barris em reservas provadas.
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Responder

    Bonifa

    27 de agosto de 2011 às 17h17

    Era isso o que queriam. Quanto custou a guerra do Iraque para os agressores até agora? Zero seria um número irresponsável. Tudo foi pago pelo próprio Iraque, e talvezhaja até lucro. A guerra do Iraque, como outras, só custou uma única coisa sensível: a vida de muitos rapazes que lutaram enganados, pensando que estavam defendendo seu país, quando na verdade estavam defendendo os interesses de meia dúzia de empresários.

    FrancoAtirador

    27 de agosto de 2011 às 20h25

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    As corporações petrolíferas fizeram um investimento com retorno garantido.

    A indústria armamentista, como sempre, só teve lucros desde o início.

    Além dos iraquianos, quem pagou a conta foi o idiota do povo norte-americano

    que elegeu os Georges Bushs e ainda aplaudiu essas guerras em nome da liberdade.

    E vai continuar pagando com o Obama, com o Tea Party ou com o diabo a quatro.

    Os estadunidenses estão fedidos e mal pagos, e sempre se considerando superiores.

    E este é um processo autofágico. Não te admires se ocorrer até uma guerra civil por lá.
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A mídia descontrolada

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