VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Pela primeira vez na história trabalhadores rurais chegam à USP


19/08/2013 - 15h50

Aula inaugural na USP do 1º Curso de Residência Agrária

Da Página do MST

Nesta quinta-feira (15/08), ocorreu na Faculdade de Educação da USP (FEUSP) a abertura do 1° Curso de Residência Agrária em Educação do Campo e Agroecologia. O curso de pós-graduação é uma parceria entre a universidade, o MST, Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq) e o Incra.

O curso, que funciona através da pedagogia da alternância, tem duração de dois anos e tem como objetivo debater de forma crítica o meio rural brasileiro hoje, tanto na perspectiva de se pensar e praticar um novo modelo produtivo, como a agroecologia, quanto em reflexões sobre comunicação, cultura e artes.

Além do curso em São Paulo, há mais 36 cursos sendo realizados em mais de 30 Universidades Federais. No total são 1.610 educandos inscritos.

Segundo Lizandra Guedes, do setor de educação do MST e educanda do curso, a aprovação do projeto na USP é um marco. “Esse curso tem importância histórica. Estamos há mais de 10 anos tentando realizar uma parceria com a USP, e hoje podemos dizer que a classe trabalhadora rural finalmente se faz presente em uma das universidades mais elitistas do país”.

A função do curso não é apenas de fornecer conhecimento aos estudantes, mas também de fomentar debates dentro das universidades vindos das demandas e do conhecimento do campo.

Para a coordenadora do Pronera Clarice Santos, “os cursos precisam conquistar espaços institucionais da universidade, como congressos e debates, além de promover seus próprios debates e seminários, para fazer com que o conhecimento circule, não só dentro da USP, mas entre todas as universidades”.

O superintendente do Incra de São Paulo, Wellington Diniz, vê o curso como um importante passo para a consolidação da Reforma Agrária. “A Reforma Agrária vai para além do desenvolvimento produtivo e social do assentamento. É preciso que haja o desenvolvimento humano pela educação, por isso esse curso tem uma importância imensa”.

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10 comentários

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JOTACE

20 de agosto de 2013 às 22h40

ROMPENDO VELHOS E…NOVOS LAÇOS

Finalmente, cooptada desde os primeiros dias pelas oligarquias e atualmente também por multinacionais inclusive estrangeiras, a universidade brasileira ensaia seus primeiros passos na direção daqueles que realmente produzem e o fazem corretamente. Ainda que a decisão possa ser atribuída a vários agentes, o certo é que o MST, com sua insistência e práticas de agricultura familiar, muito tem contribuido para que a USP democratize e dê novas formas ao ensino de como fazer agricultura e respeitar o meio ambiente. A luta, que apenas começa, deve continuar para que, especialmente no caso das escolas superiores de agricultura, não continuem as mesmas como um apêndice de transnacionais e nossos agrônomos e técnicos agropecuários transformados em seus instrumentos de trabalho. Torna-se necessária uma mudança radical da visão de como cultivar a terra e de como criar os animais. Há que mostrar à nossa juventude estudiosa que é inteiramente possível a produção econômica de alimentos de alta qualidade nutricional sem transformar os nossos campos em desertos contaminados por agroquímicos, e incapazes de ofertarem melhor qualidade de vida.

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demetrius

20 de agosto de 2013 às 09h07

USP, um dos últimos redutos do Brasil Colônia.

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    Octaedro

    20 de agosto de 2013 às 16h08

    Invejoso…

ma.rosa

20 de agosto de 2013 às 08h44

Nossa me emocionei só com o título(pela primeira vez trabalhadores rurais…)e as fotos, ainda nem pude ler o texto! Mas é assim imagens(fotos, neste caso)são textos que dizem muito mais que palavras escritas. Mas assim que puder volto aqui e leio tudo! Agora fui!!!!

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Biru-Biru

20 de agosto de 2013 às 07h10

Se está com a camisa do MST não é trabalhador rural, no sentido de pegar na enxada. O trabalho dele é outro. Fala que é mentira.

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Isidoro Guedes

20 de agosto de 2013 às 05h25

Essa é mais uma das “heranças malditas” do lulo-petismo. Pra que pobre estudar? Pra que pobre em universidade? Onde a classe alta irá encontrar suas empregadas (de meio salário-mínimo)? Seus jardineiros? Seus porteiros? Seus serviçais enfim!? Céus! Que país é este? (rs…)

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renato

19 de agosto de 2013 às 17h38

Fantástico, se estas pessoas não permanecerem e serem donas de suas terras, nos aqui da cidade começaremos a comer SILÍCIO.
Parabéns mesmo a este meu Povo Querido.
Vivam bem,vivam longos anos.

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Maria Amélia Martins Branco

19 de agosto de 2013 às 17h32

Cuidado, o Serra por meio do Reitor, Rodas, vai mandar fechar o curso

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Urbano

19 de agosto de 2013 às 17h18

Escondam isso daquelas famosas vetustas… E também da burguesia, principalmente da já decadente.

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    Biru-Biru

    20 de agosto de 2013 às 07h10

    A burguesia agora é outra, cumpanhêru.


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