Ângela Carrato: O jornalismo ”profissional” da mídia corporativa é piada

Tempo de leitura: 4 min

Por Ângela Carrato*

A grossa corrupção no liquidado banco Master e seus parceiros sumiu do foco dos jornalões, que estão usando o assunto para atacar o STF.

Ao invés de revelar para o público todo o esquema utilizado por salafrários como o tal ex-banqueiro Daniel Vorcaro e sua patota de ladrões do dinheiro de aposentados e pensionistas, os jornalistas e colunistas amestrados destas publicações estão fazendo de tudo para provocar uma crise no STF, com o objetivo de desestabilizar um Poder que tem sido crucial neste momento tão desafiador em que vivemos.

Umbilicalmente ligados aos interesses da classe dominante (Faria Lima, golpistas e entreguistas) estes jornais e seus “profissionais” acreditam que, ao desestabilizar o STF, estarão atingindo, por tabela, o governo Lula.

Como assim? Podem indagar alguns.

A turma do “andar de cima” não desiste de tentar inviabilizar um novo mandato para Lula e vê neste caso uma oportunidade, apesar da roubalheira ser toda dela e da sua turma.

Como no escândalo do INSS, que começou com Temer, ampliou-se com Bolsonaro e só foi estancado pelo governo Lula, com o Master se deu algo parecido.

Foi o Banco Central independente, presidido pelo neoliberal Roberto Campos Neto que, ao praticamente não fiscalizar o setor e possibilitar que instituições e fintechs atuassem sem regulação, redundou neste rombo de mais de R$30 bilhões.

Rombo que deve ampliar-se mais ainda, na medida em que as investigações avançam e os esquemas dos criminosos vêm à tona.

Foi o presidente do BC indicado por Lula, Gabriel Galípolo, que decretou a falência extrajudicial do Master e, na última semana, também da fintech Will. E as liquidações não devem parar por aí.

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O depoimento de Vorcaro, que a mídia “profissional” trata com deferência, é um escárnio.

Com todas as letras ele disse que fez o que fez, porque sabia que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) bancaria o prejuízo de quem aplicou até R$ 250 mil.

Detalhe: o FGC é bancado pelos bancos privados, pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal. Vale dizer: também pelos impostos que todos nós pagamos.

Se a mídia “profissional” quisesse fazer jornalismo, o que não é e nunca foi o caso, era para estar detalhando toda a corrupção desta turma e de seus parceiros.

A título de sugestão, por que esta mídia não procura mostrar as relações de Vorcaro com os políticos do Centrão e da extrema-direita?

Por que não vai fundo na sua ligação com a Igreja da Lagoinha, cuja sede é em Belo Horizonte?

Sem nenhuma explicação, fundos de pensão dos governos do Rio de Janeiro e do Amapá aplicaram no Master.

Os gestores ligados ao governador de extrema-direita do Rio, Cláudio Castro, já foram alvo de busca e apreensão. E devem ser presos. O mesmo deve acontecer com o fundo do Amapá, cujo governador é amigo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Por que a mídia “profissional” não vasculha isto?

Por que não vasculha as razões que levaram o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, a propor que o FGC passasse a cobrir R$ 1 milhão aos investidores? Isso às vésperas da liquidação do Master!

Por que não mostra que o neoliberalismo do BC “independente” foi o responsável por esse rombo?

Não seria um bom momento para passarmos a discutir este absurdo que é a independência do BC? Independência do governo, mas com rabo preso no mercado.

Por que a mídia “profissional” não faz jornalismo e apura as nada republicanas relações do BRB, do governador do Distrito Federal, Ibanez, com o corrupto Vorcaro?

Ambos se encontraram quatro vezes e Ibanez diz que “nunca” trataram da compra do Master pelo BRB. E fica por isto mesmo?!

Em vez disso, o que a mídia “profissional” está fazendo? Primeiro atacou o ministro Alexandre de Moraes, por sua esposa ter um contrato com o banco Master.

O contrato que apareceu no celular de Vorcaro, não é ilegal. E familiares de Moraes estão longe de serem os únicos a terem contratos no gênero.

Como derrubar Moraes se mostrou inviável, agora a mídia “profissional” vai para cima de outro ministro do STF, Dias Toffoli, que assumiu o caso.

A turma do Vorcaro queria que o assunto fosse para a primeira instância, onde acredita que teria mais chances de se livrar da prisão.

Toffoli bateu o pé e vai ficar com o caso, mesmo diante da tremenda campanha que tenta ligá-lo e à sua família a um resort que teria tido, no passado, financiamento do Master.

O curioso neste processo é que Toffoli virou o Judas em função de dois outros assuntos que a mídia “profissional” faz questão de esconder: ter mandado para a prisão o ex-empresário e dono do jornal Metrópoles, Luis Esteves, por grossa corrupção, além de ter autorizado busca e apreensão na 13° Vara Federal de Curitiba, sede da Operação Lava Jato.

Até hoje a mídia “profissional” e seus jornalistas igualmente “profissionais” não informaram ao público que a Lava Jato foi o maior embuste contra o Brasil e os brasileiros. Tanto que o ex-juiz pau-mandado dos Estados Unidos, Sérgio Moro, continua sendo herói para a família Marinho, proprietária do grupo Globo.

É bom não perder de vista que Moro, aos olhos destes canalhas, sempre pode ser uma espécie de versão nacional para Juan Guaidó ou Corina Machado, se tiverem oportunidade para tanto.

Não por acaso as edições de hoje (25/1) desta mídia estão coalhadas de editoriais, colunas e notinhas tentando se autoelogiar na cobertura (?!) do caso Master e lançam farpas e pedradas contra o STF.

Não estou fazendo a defesa do STF.

O Supremo, como todas as instituições, públicas e privadas, precisa de código de ética. Inclusive a mídia, que no Brasil age sem qualquer lei e conseguiu até mesmo acabar com a exigência de diploma em Jornalismo para seus profissionais.

Estou apenas chamando atenção para a canalhice desta mídia, que trata Trump como se fosse um governo normal, que considera a gestão Milei um sucesso, que tem feito de tudo para emplacar a anistia aos golpistas do 8 de Janeiro e que tudo fará para evitar um quarto mandato para Lula.

Não vamos perder de vista que Trump tentou impedir que Bolsonaro fosse julgado e preso, taxou exportações brasileiras e aplicou a lei Magnitsky a Alexandre de Moraes.

Com sua firmeza, Lula conseguiu que tudo isso fosse revogado, enquanto esta mídia queria porque queria que Lula se ajoelhasse diante de Trump.

Lembra-se disso?

Pois é. Essa mídia e seus jornalistas amestrados continuam onde sempre estiveram. Sempre batendo palmas e abanando a cauda para o Tio Sam.

Enfraquecer o STF numa conjuntura como a atual faz todo sentido para esta turma. E para Trump também.

*Ângela Carrato é jornalista, professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG e membro do Conselho Deliberativo da ABI

Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo

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Comentários

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Zé Maria

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O Banco Master de Vorcaro
caloteou inclusive o FGC.
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“No meio do caminho, o banco [Master] parou de
depositar dinheiro no FGC, uma demanda legal.

Na data de sua liquidação, aponta o relatório do Novo
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o
Master deveria ter depositado R$ 2,5 bilhões no FGC,
mas mantinha apenas R$ 22,9 milhões – uma ninharia.”

Jornalista Leandro Demori, no ICL

[Vide link no Comentário Abaixo ( 26/01/2026 – 21h58)]

Zé Maria

“Roberto Campos Neto, o fiador da salvação
amiga do Banco Master com o BRB”

“Campos Neto nunca fez Intervenção direta,
mesmo que em parte, no conglomerado Master.”

Em 2024, na gestão de Roberto Campos Neto
no Banco Central, o Banco Master de Daniel Vorcaro
já patinava em crise de liquidez.

O Master era incapaz de mostrar que tinha dinheiro
suficiente em caixa pra honrar suas contas e relatórios
internos do BC pipocavam alertas.

“Campos Neto fez algum tipo de Intervenção direta, mesmo que em parte do conglomerado Master? Jamais!”
Escolheu o caminho tortuoso:
deixou rolar uma “solução particular” às custas
do contribuinte e do dinheiro público para salvar
uma operação que já se provava, pelos relatórios
do BC comandado pelo próprio Campos Neto,
um buraco sem fundo.

Um documento que une todos esses registros foi
esmiuçado na coluna de Lula Costa Pinto (*).
Ele foi enviado ao TCU e ao MPF com uma linha do
tempo de todos os alertas e ações feitos pelo BC
no caso Master.

Por Leandro Demori, no ICL

Em fins de 2023 a coisa começou a ficar feia pros lados do Master.

Em meados de 2024, como revelam documentos internos do BC, o Master falhou em apresentar ao BC
capacidade de captação de dinheiro junto ao mercado.

A expectativa era que o banco de Daniel Vorcaro
levantasse R$ 15 bilhões para mostrar alguma musculatura.

Pelos relatórios, conseguiu apenas R$ 2 bilhões.

Em novembro, o BC identificou que o Master já
não mais conseguia pagar suas obrigações vencidas.

Ou seja: o calote estava acontecendo ao vivo, diante
de Campos Neto.

Um caso daquela época deveria ter acendido todos
os alertas.

Em abril de 2024, o Master emprestou R$ 459 milhões
à Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias
(uma empresa de capital irrisório), que aportou
R$ 450 milhões no Fundo Brain Cash, da Reag Asset
Management, empresa envolvida na Operação
Carbono Oculto sob suspeita de trabalhar com
dinheiro do PCC.

Em 20 dias, ela teve seu patrimônio multiplicado por
30 mil vezes (sim, trinta mil vezes) apenas fazendo
troca de numerário em papéis sem valor comprovado.

Uma hora e meia depois da mágica contábil, recursos
no Fundo D Mais (Reag) foram parar em outro lugar:
FIDC High Tower – que reavaliou papéis tóxicos do
extinto banco Besc para R$ 10,8 bi.

Uma rentabilidade surreal de 10 milhões por cento.

Ficção pura para simular liquidez e voltar ao Master
via CDBs.

Uma espécie de criação fictícia de clientes.

O banco de Vorcaro suplicava por uma intervenção
ou liquidação, mas seguiu operando sob os olhos
de Campos Neto.

A solução BRB
Enquanto o Master derretia, o Banco de Brasília (BRB),
estatal do DF, injetava bilhões de reias nele, iniciando
uma compra de carteiras de créditos opacos ou ‘podres’
em julho de 2024 nas mesmas semanas em que o BC
de Campos Neto registrara a incapacidade do Master
de conseguir dinheiro no mercado.

O buraco já era sem fundo.

Mesmo assim, o banco comandado pelo governador
Ibaneis Rocha seguia firme em seu propósito de jogar
uma bóia de dinheiro público a Vorcaro.

Pouco tempo depois, Ibaneis defenderia publicamente
não apenas a compra de produtos do Master, mas a
compra de parte do próprio banco de Vorcaro.

Uma “operação que tem muito pouco risco para o BRB”,
afirmou Ibaneis em um evento em Dubai.

Aos olhos da opinião pública, a movimentação pareceu
apenas uma tentativa desesperada de evitar que a
panela de pressão de Vorcaro explodisse na cara
dos envolvidos.

A fala de Ibaneis andava na contramão dos balanços
do banco.

Enquanto era cortejado pelo BRB como um negócio
de ouro, o Master navegava com a vela inflada por
CDBs turbinados muito acima do mercado e uma
exposição dezenas de vezes além do limite regulatório.

Seu caixa estava vazio.

No meio do caminho, o banco parou de depositar dinheiro
no FGC, uma demanda legal.

Na data de sua liquidação, aponta o relatório de Galípolo,
o Master deveria ter depositados R$ 2,5 bilhões no FGC,
mas mantinha apenas R$ 22,9 milhões – uma ninharia.

A faxina de Galípolo
Logo que assumiu o BC, Galípolo precisou fazer uma faxina emergencial no Master. Seguidos pedidos de informação sobre a capacidade de honrar seus pagamentos foram feitos pela instituição a Vorcaro. O que se vê no relatório é uma enrolação sem fim por parte do banqueiro. Entre tantos casos remanescentes da era Campos Neto, há o envolvimento com a Reag, que seria abatida pela operação Carbono Oculto.

Sem dinheiro, Vorcaro disse ao BC de Campos Neto, ainda em 2024, que a Reag seria uma espécie de fiadora do Master. Através de um fundo, o Gold Style, a Reag tentou convencer o BC que teria condições de aportar R$ 1 bilhão de reais por mês no Master, se necessário.

O Gold Style, nessa espécie de terceirização da liquidez do banco, seria uma espécie de “cliente” dos tais papeis do extinto Besc. Afinal, se aqueles papeis valiam algo (e não valiam), era preciso provar ao BC que alguém estava disposto a pagar por eles. Este alguém seria o Gold Style. Os informes obrigatórios do Gold Style revelaram, no entanto, outra gaveta vazia do esquema: a inexistência de ativos líquidos para suportar resgates alegados pela Reag. O fundo, em suma, não tinha o dinheiro que disse que tinha. Um castelo de cartas contábil. Mesmo assim, o Master seguiu operando.

O silêncio de Campos Neto
Campos saiu em dezembro de 2024 como ícone da
autonomia, legando a Gabriel Galípolo o trabalho de
descascar o pepino da maior fraude bancária da
história do Brasil.

*(https://iclnoticias.com.br/bc-detalha-fraudes-no-master-e-na-reag-com-cumplicidade-do-brb-em-oficios-ao-tcu-e-mpf/)

https://iclnoticias.com.br/roberto-campos-neto-o-fiador-da-salvacao-amiga-do-banco-master-com-o-brb/

Leia também:

“O Sujeito Oculto no Caso Master”

“A Gestão de Roberto Campos Neto no
Banco Central Precisa Ser Investigada”

Por Cleber Lourenço:

https://iclnoticias.com.br/o-sujeito-oculto-no-caso-master-campos-neto/
.

Wagner

Parabéns Ângela a cada artigo seus lhe admiro mais , pena que a maioria da mídia sem geral a chamada mídia corporativa e amestrada não tenha vergonha na cara

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