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Paulo Pimenta: É indispensável mobilizar a sociedade para garantir que haja eleições em 2022!
Foto Ricardo Stuckert
Política

Paulo Pimenta: É indispensável mobilizar a sociedade para garantir que haja eleições em 2022!


12/08/2020 - 11h03

Entre a democracia e o simulacro de democracia

por Paulo Pimenta*

Empresa não faz autocrítica. Empresa realinha procedimentos para alcançar seu objetivo, que sempre é bastante concreto: Lucro. Acumulação.

Enquanto apresentava para a sociedade brasileira – somente cinquenta anos depois — o reconhecimento público de que apoiou o criminoso golpe de 1964, considerando-o “um equívoco”, a Rede Globo de Televisão se empenhava na preparação do golpe de 2016. Mais um no seu currículo.

Aí está a base que sustenta os movimentos táticos da família Marinho nesse momento de dificuldades: colocar-se na condição divina de ente tutelar da nação e recomendar que já é hora de “perdoar o PT”.

Isso apenas alguns dias depois de seus porta-vozes virem a público para reconhecer a possibilidade da candidatura de Lula a presidente em 2022, diante da ruína em que se converteu a construção política das sentenças de Sérgio Moro contra o ex-presidente. O que prova apenas que a Globo tem pressa.

Oligopólio

A evolução do conflito político em que se debate o Brasil em meio a uma pandemia que alcança proporções de um genocídio, somada a uma crise econômica que se aprofunda com inevitáveis repercussões sociais, indica que o oligopólio da família Marinho – como definiu em entrevista recente o jornalista Franklin Martins, “o segundo maior partido do país” – entende que é preciso deter o ex-capitão antes que ele venha a fechar a empresa, negando-lhe a renovação da concessão ou sufocando-a economicamente.

Ocorre que os problemas do Brasil nem sempre coincidem com os problemas de caixa da Rede Globo.

O país tem diante de si o desafio complexo de construir uma frente democrática voltada a reestabelecer a Constituição de 1988, violada pelo Golpe de 2016 – diga-se, com a sempre prestimosa contribuição da família Marinho – e recuperar o Estado Democrático de Direito.

Capitão golpista

Na última semana, mais uma ameaça de golpe veio a público.

Desta vez nas páginas da revista Piauí. A revista denuncia a disposição do presidente da República de enviar tropas para fechar o Supremo Tribunal Federal, caso insistisse em pôr as mãos nos celulares do pai e do filho.

“Vou intervir” teria dito Bolsonaro em reunião. Até o momento a denúncia da Piauí não foi desmentida pelo governo. E o STF não emite qualquer reação.

A direita convencional do Brasil colhe hoje as consequências de ter-se colocado sob a hegemonia política e cultural da extrema-direita neofascista para executar o programa ultraliberal em curso.

Encontrou nela o agente político capaz de realizar o serviço sujo contra os direitos dos trabalhadores e a soberania nacional.

Ataque à mídia

O governo Bolsonaro, porém, está cobrando um preço que aparentemente não estava no cálculo: com o poderoso auxílio das novas tecnologias e da internet, realiza uma ofensiva que está pondo a pique a mídia corporativa.Inviabiliza, seletivamente, seus negócios.

E a Rede Globo de Televisão entrou na alça de mira do capitão-presidente. Sua busca de reposicionar-se no cenário revela mais fragilidade do que força. Sob certo ponto de vista, beira o patético.

O país tem, independentemente das vicissitudes da Rede Globo, um problema prévio a resolver.

É indispensável mobilizar a sociedade para garantir que haja eleições em 2022! E que nela possam inscrever-se para disputar todos os brasileiros aptos que assim desejarem, inclusive Lula, para que não venhamos a repetir a trágica fraude de 2018, quando ele foi arbitrariamente impedido.

Sob pena da democracia brasileira ancorada na Constituição de 1988 se tornar apenas um simulacro de democracia, como temos hoje.

*Paulo Pimenta é deputado federal e presidente do PT/RS



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3 comentários

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Zé Maria

13 de agosto de 2020 às 22h39

Primeira Turma do STJ ANULA CONDENAÇÃO de ex-Prefeitos de Porto Alegre/RS em ACP do MP-RS contra Tarso Genro, Raul Pont e João Verle – todos do PT

Em 2002, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP- RS) ajuizou
Ação Civil Pública (ACP) por improbidade administrativa contra
o município, os três ex-prefeitos e profissionais da saúde,
após verificar que, em diferentes períodos, foram realizadas
contratações temporárias [emergenciais] para cargos desse setor
com base na Lei Municipal 7.770/1996.

O colegiado manteve a conclusão do relator, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, de que não é possível identificar conduta dolosa dos ex-prefeitos …

Íntegra do Acórdão:
https://ww2.stj.jus.br/processo/julgamento/eletronico/documento/mediado/?documento_tipo=integra&documento_sequencial=111539339&registro_numero=201600094066&peticao_numero=201600136158&publicacao_data=20200701&peticao_numero=201600136158&ejulgpres=true&formato=PDF

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Veio Zuza

13 de agosto de 2020 às 09h02

A estratégia que o comentarista Darcy está sugerindo não parece ser a que seguiu Mao Ze Dong nos anos 30/40. Para derrotar os japoneses ele fez de conta que era aliado do Chiang K Check, mas sempre sabotou o aliado – inclusive deixando que os japoneses o atacassem com força. Pelo menos é o que penso ter lido em A Beevor. Se esperasse o pos guerra teria sido destruído pela Globo, digo, pelo tio Chiang. Priviet.

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Darcy Brasil Rodrigues da Silva

12 de agosto de 2020 às 17h53

A confusão entre tática e estratégia sempre foi uma característica de um setor da esquerda que militava fora dos partidos comunistas em meus tempos de ME. A capacidade de plasticidade no plano da tática, sem jamais confundi-la com a estratégia, é, por sua vez, uma marca dos partidos comunistas. As razões que levam a Globo a partir para o enfrentamento ao governo fascista de Bolsonaro pouco importam, a não ser para responder à questão de saber se essa determinação de luta é sincera e pode colaborar para somar forças capazes de afastar Bolsonaro do Palácio do Planalto. A realidade mudou, o próprio texto reconhece esse fato, sem ser, entretanto, capaz de tirar consequências políticas disso. Nesse momento, a Globo não é o inimigo principal, e sabemos o quanto deve ser difícil para um militante ou dirigente do PT aceitar esse fato. Sendo verdade que ela, Globo, tem muito a ganhar com o afastamento de Bolsonaro, é igualmente verdadeiro que os democratas não têm menos expectativas de avanços. Portanto, ambos ganharão. A tática recomenda essa aliança, impensável há dois anos atrás, enquanto o fascismo representar uma ameaça. Uma vez afastada a ameaça fascista, estará encerrada a aliança tática com todos os golpistas que trabalharam pelo impeachment de Dilma e que agora trabalham pelo impeachment de Bolsonaro. Por que, sem essa Frente Super Ampla, provavelmente o golpe fascista em preparação triunfará. À essa conclusão a Globo parece ter chegado muito antes que os dirigentes do PT, percebendo que sem uma aliança com a esquerda que ela, Globo, trabalhou para afastar do governo, não haverá como derrotar às milícias bolsonaristas. Isso é fazer politica, sabendo isolar o inimigo principal, derrotando-o, como um jogador de xadrez que sacrifica a rainha três lances antes de gritar “xeque mate!” Chega de infantilismo de esquerda! A luta não é para reconduzir o PT ao governo, nem para favorecer esse ou aquele partido, essa ou aquela corrente política, ma, sim, para barrar um golpe fascista. A luta contra os setores da plutocracia representados pela Globo deve ser travada em um segundo momento. Agora, o foco deve ser derrotar o golpe fascista. Simples assim!

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