Os cargos de confiança e a jornada de trabalho

Tempo de leitura: 3 min

De um leitor, via e-mail

Trabalho em uma área administrativa e tenho um cargo mediano dentro da hierarquia (“consultor” – algo intermediário entre analistas e gerentes), que é devidamente agraciado com o carimbo de “cargo de confiança”, o que significa que não há compensação das horas-extras em pagamento ou em “banco de horas”.

Oficialmente, deveria trabalhar as 8 horas diárias mas na prática dificilmente a jornada dos “cargos de confiança” é menor que 10 ou 11 horas por dia, ou seja, entrando às 9hrs da manhã dificilmente saímos antes das 20hrs ou 21hrs, sendo rotineiro ficarmos até às 23hrs e não são poucas as vezes que saímos no meio da madrugada.

É comum recebermos demanda após as 20hrs para a manhã seguinte sem que haja nenhuma espécie de desconforto por parte dos gestores, sendo também não raro alguém se indignar quando liga para alguém as 20hrs, por exemplo, e não ser atendido, como também é comum receber “cara feia” (e um follow up de todas as pendências) dos gestores se nos levantamos às 19hrs, assediando e constrangendo quem ousar ter uma agenda pessoal. Vale frisar que esta não é uma rotina deste ou daquele departamento, mas como relatei,  faz parte de uma cultura bastante difundida dentro da empresa.

Deixando a questão legal momentaneamente de lado, gostaria de refletir sobre o conceito por trás deste tipo de cultura. Lógico que é normal em qualquer ambiente, setor ou empresa alguns picos de demanda (os famosos “fechamentos” financeiros ou jornalísticos, por exemplo) ou algum evento extraordinário que nos faça virar a noite uma vez ou outra, mas a relação de trabalho estabelecida e a qual tenho me submetido oprime tanto que o trabalhador acaba considerando jantar com a mulher ou tomar uma cerveja com os amigos artigos de luxo, da mesma forma em que estudar ou assumir qualquer outro tipo de compromisso regular como esportes ou algum hobbie se torna impraticável.

Até mesmo cursos envolvidos diretamente com sua função na empresa (ou seja, a empresa só ganha com a tua qualificação) são impraticáveis e o teu compromisso acaba sendo motivo de constrangimentos.

Desta forma, evidentemente, a empresa passa a contar com funcionários menos motivados e menos criativos. A rotatividade dos funcionários é maior e há inúmeros casos de afastamento por síndrome do pânico, sem contar sintomas secundários como pressão alta, obesidade etc.

Minha atividade, por exemplo,  me gera um prazer grande ao desenvolvê-la, mas meu poder criativo e analítico com certeza estão sufocados por este ambiente opressor e confesso que abriria mão desta atividade se tivesse a oportunidade de trabalhar em uma jornada normal de trabalho e pudesse me dedicar também aos outros aspectos da minha vida. Ou seja, até do ponto de vista da empresa, de produtividade, poder de realizações, etc., esta política de sufoco é contraproducente.

Gostaria de tentar entender o porquê desta “miopia”. Me assusta também que há muitas pessoas que trabalham desta forma e acham que é normal e que parecem já anestesiadas com este sufoco e o aceitam.

O segundo ponto que quero levantar é a utilização dos chamados “cargos de confiança” para validar jornadas extremas sem limitação (a maior eficiência de pagamento pela hora extra não seria a remuneração em si, mas a “pena” para a empresa e conseqüente limitação para a utilização desta) e sem o constrangimento de se utilizá-las, incorporando-as totalmente na cultura da empresa.

Há áreas em que todos os funcionários são “de confiança” sem que nenhum seja considerado executivo ou tenha equipe abaixo, ou seja, há respaldo jurídico em chamá-los de confiança e ignorar qualquer limitação das jornadas?  Os cargos de confiança não estariam desvirtuados quando não há neles posição de comando e quando eles preenchem majoritariamente algumas áreas? Estes cargos de confiança (consultores, como no meu caso) não seriam simplesmente “analistas de luxo” sem limitação de jornada?

O último ponto que gostaria de levantar é a falta de um respaldo para qualquer tipo de reivindicação. Me sinto desamparado em todas as esferas em que poderia reivindicar algum tipo de decência na minha relação trabalhista, me sentindo coagido a aceitar qualquer tipo de situação, sem contar  a difamação natural como “esse cara não agüenta nada”, “fracote”, “pinel”, etc.

Conversando com meu chefe (que não é nenhum crápula mas incorpora este tipo de relação e cultura trabalhista), vou ouvir que esta é a situação da empresa e que se eu não agüento eu tenho que sair. Se procurar o RH, vou ficar com a pecha de “dedo-duro” e logicamente que isso será compartilhado com meu chefe e certamente teria represálias.

Na terceira esfera onde poderia reivindicar algo, na justiça trabalhista, como todos sabemos há uma ameaça velada de não empregabilidade se entrarmos com qualquer processo, afinal sabemos que esta é uma consulta rotineira entre os RHs e assim ficaria “queimado”. Desta forma, a opressão é maior ainda, pois temos que agüentar calados e aceitar esse tipo de relação antiga, insalubre e extremamente opressora.

Um abraço


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Comentários

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José

Prezados, simples a resolução, procurem um emprego que atendam suas necessidades e ponham esse atual na pauta do tribunal do trabalho. A cultura da empresa é essa e ela não vai mudar por você, não adianda nada ficar apenas reclamando por aqui e não fazer nada para mudar sua situação, ainda mais, o tempo que perdeste aqui era mais aproveitável na busca de um emprego melhor.

Aracy_

Credo, o cargo é de confiança, mas a empresa é de lambança.
Não sei onde li que o ser humano não foi feito para trabalhar, mas para criar. O exercício da criatividade em cooperação com os semelhantes é que deveria nortear as relações de trabalho rumo à felicidade coletiva. Talvez seja muita utopia, mas seria ótimo se pudéssemos ter jornada de trabalho flexível, com remuneração justa e tempo para atividades culturais, físicas e de lazer. Aposto que a "produtividade" iria aumentar.

Mar.

Na minha empresa é igualzinho, a chefia é toda neoliberal. Aqui é assim, os empregadores demitem mesmo sabendo que a empresa vai perder na justiça, mas dizem que o sujeito vai penar tanto com um longo processo, que vale a pena fazer como exemplo para outros empregados. O "cargo de confiança" aqui equivale a 40% da remuneração, é um percentual altíssimo que ninguém se arrisca a perder, isso é bem escravizante e sujeita as pessoas a qualquer ato indigno. Menos eu, eu não me sujeito a situações indignas, por isso sou considerada meio pirada. Os trabalhadores do mundo são uma só classe, precisam se unir.

Mauro A. Silva

<img src="http://movimentocoep.files.wordpress.com/2011/07/haddad_cenoura4.jpg&quot; alt="" title="haddad_cenoura4" class="size-full wp-image-1666" width="468" height="428">
É este ministro da educação que quer ser prefeito da Cidade de São Paulo?
O ministro da Educação fez um pacto da mediocridade com o mau corporativismo que reina nas escolas públicas brasileiras: ele decidiu não divulgar as medíocres notas que as escolas tiraram no ENEM 2010 (Exame Nacional do Ensino Médio).
Sendo assim, os medíocres professores não poderão ser cobrados pelo péssimo serviço que oferecem nas escolas públicas. Os pais somente conhecerão as notas baixas dos filhos, sem poder comparar com o desempenho geral da escola e nem com as outras péssimas escolas brasileiras.

leia o artigo completo aqui: <a href="http://tribunadacidade.ning.com/profiles/blogs/este-ministro-da-educa-o-que” target=”_blank”>http://tribunadacidade.ning.com/profiles/blogs/este-ministro-da-educa-o-que

    Ariane Sales

    Eu tbm tenho cargo de confiança, tem dia que trabalhamos mais de 8 horas mas tem dia que é possível trabalhar apenas 6 horas, entretanto meu chefe disse que existe uma carga mínima que o nós do cargo de confiança devemos fazer. Gostaria de saber se isso é verdade… Obrigada

Gabriel

Uma bandeira a se levantar é a ratificação das Convenções OIT 151 e 158, que proibem a demissão imotivada do trabalhador, transferindo o ônus da prova para o empregador, em caso de demissão abusiva a justiça reintegra o funcionário ao cargo, é o que na prática já ocorre no serviço público para os funcionários efetivos, seria extendido também aos trabalhadores CLT. Essa ratificação se arrasta desde 1995 e no momento está parada no Congresso Nacional.

armindo

Cargo de confiança só para pai e mãe. Os demais são cargos de COMPETÊNCIA.
O relato retrata uma grande verdade se o rapaz for em qualquer delegacia do trabalho eles VÃO MANDAR PROCURAR O SIDICATO DA CATEGORIA E ESTE VAI ENROLAR O TRABALHADOR DIZENDO QUE NÃO PODE FAZER NADA. ( é assim que funciona em 99% dos casos). VERGONHA!!!

Vinícius

Mas há mais. Através da lei 8745/93, que permite ao governo contratar funcionários temporários para funções temporárias, o governo já contrata abertamente funcionários precarizados, que podem ser despedidos do dia para a noite sem explicação, para funções rotineiras e admnistrativas. No IBGE, 60% do quadro já é temporário. O IBGE já admitiu que pretende aumentar o uso dessa mão de obra, e deixou a entender que não vai repor todo o quadro de técnicos que vem se aposentando…

Ou seja, se preparem, logo no serviço público a realidade vai ficar parecida com o que foi dito aí,

Vinícius

Muita gente diz hoje em dia que como os grandes empresários decidiram se marginalizar de vez, ou seja, desrespeitar as leis na cara dura, o mercado está cada vez mais feroz com o trabalhador, e a saída pra ter sua dignidade respeitada é ir pras pequenas empresas ou pro serviço público.

O que não sabem é que o Governo Federal também resolveu se marginalizar. Em primeiro lugar, com a tercerirização. Terceirizados não tem relação com o RH do órgão. Se são maltratados ou bem-tratados, tudo dependerá da boa vontade do gestor de seus contratos. Não há norma interna regulamentando isso. As empresas terceirizadas não atrasam salários, não pagam benefícios, depois vão à falência. O empresário abre outra empresa e o empregado fica a ver navios – tudo isso com o conhecimento do Governo Federal, que continua abusando deste tipo de relação.

Marcio H Silva

Muitos leitores aqui do Blog estão sugerindo o trabalhador a denunciar o patrão ao MPT. É difícil para o trabalhador, e vai colocá-lo em situação de demissão e dependendo do setor se queimar neste mercado. Porque o MPT não exerce o poder de fiscalização destas empresas, baseado nos milhares de processos contra as mesmas?
Sindicato? no caso das teles são financiados pelos patrões e fazem o jogo dos mesmos. Nunca mais houve greves ou discussões para aumento de salário e melhores condições de trabalho.
Perfil dos jovens no mercado udou, as novas gerações X,Y e Z falam que nunca se aposentarão, migram de trabalho sempre que surja uma nova oportunidade de ganhos maiores.
Mas chega a idade e esta migração fica mais difícil, até para negociar salário e começam a cair na realidade. E com a idade chegando fica mais fácil pro patrão fazer o jogo dele.
Ser autonomo, é uma realidade para parcela do mercado. Se todos fossem autonomos não teria mão de obra para as ndustrias, comercio e serviços. É utopia.

jefferson

Caros, acho que tem todo o debate e as saidas do que ocorre nesta situacao, mas o que deve nos chamar a atencao e o tipo de relacao trabalhista estabelecida e o tipo de cultura corporativan que se implanta nao so nesta empresa co mo sei de outras inumeras, o que deve ser questionado pelos pontos de vista humenos, moral, legal e ate de eficiencia e produtivifade para a propria empresa. O leitor ilustrou um caso muito comum, e lembrando que a diferenca e que o cargo nao deveria ser de confianca, que o conceito deste cargo esta distorcido. Eu mesmo ja fui cargo de confianca quando o tirulo do meu cargo era analista junior, isto e, acima somente do estagiario na hierarquia da empresa.

alício

Cargo de confiança é malandragem dos patrões, que o digam os engenheiros de empresas privadas.

operantelivre

"Vale frisar que esta não é uma rotina deste ou daquele departamento, mas como relatei, faz parte de uma cultura bastante difundida dentro da empresa."

"Conversando com meu chefe (que não é nenhum crápula mas incorpora este tipo de relação e cultura trabalhista), vou ouvir que esta é a situação da empresa e que se eu não agüento eu tenho que sair."

Caro colega seu discurso tem traços típicos de pessoas que vivem ameaçadas. Selecionei os três trechos acima para mostrar a minha perspectiva (sou um profissional de saúde mental que lida com pessoas nessas situações com frequência razoável).

Você reconhece que as pessoas vivem subordinadas a uma cultura que explica e justifica ações de seu chefe que você se recusa chamar de crápula. Veja bem, seu chefe não sabe que é você que está falando sobre ele aqui, mas talvez seu estado de medo te faça se sentir 24h por dia como se ele estivesse pronto a te chamar.

Entendo que não somos isto ou aquilo e que a cultura ajuda a nos moldar, mas nós também podemos transformá-la. O Fato de agir inescrupulosamente não isenta o chefe da responsabilidade pelas mudanças.

É bastante razoável que comportamentos aprovados por uma cultura organizacional sejam difíceis de mudança e que dependam muitíssimos do exemplo dados pelas direções, gerências, gestores enfim. Contudo, não se pode perder de vista que a pessoa jurídica (imaterial) não pode garantir a impunidade de quem a dirige. Mais ainda, quem a dirige pode dizer a você que mude de trabalho e isto não o isenta das responsabilidades pelas atrocidades.

Sobre a cultura é bem interessante o que propõe a a lei municipal 13288 de 2002 de autoria do Arselino Tatto, na gestão da Marta. A primeira de uma sequência de quatro penalidades para os servidores públicos municipais responsáveis por assédio é " curso de aprimoramento profissional". Isto vai possibilitar uma mudança dos valores culturais que sustentam as práticas humilhantes impetradas por chefias que não deixam de ser massas de manobra para os interesses dos reais donos do dinheiro. Neste sentido, ainda que o assediador seja também produto de uma cultura, cabe também a ele, a responsabilidade para a mudança e não simplesmente dizer que "você busque outro trabalho". .

Mas, colega, não deixe de dizer que seu chefe está agindo como um crápula e não use a cultura como uma justificativa natural para a desumanização do trabalho. Ele pode não ser um crápula, mas está agindo como tal e te provoca medo até de dizê-lo com todas as palavras no anonimato deste blog.
Se quiser conversar mais sobre este assunto que me interessa muitíssimo (cultura organizacional – assédio, etc) entre em contato pelo [email protected]
Abraço e parabéns por, apesar do medo, ter tido a coragem de expor, ainda que no anonimato

    Luiz

    Quem sabe ele poderia usar esse espaço para xingar o chefe dele? Nem nós vamos saber quem e de que está falando, ne?

João Bahia

Essa situação é um absurdo, porém muito comum. Na verdade, em alguns setores, o serviço é "tocado" pela turma que assume "cargo de confiança". Aqui na Bahia é muito comum: com certeza existe exceção, mas quem toca o serviço público são os REDA… o funcionário público concursado, no exercício normal de sua função faz um corpo mole lascado… impera aquele conceito de "estabilidade" e muita gente simplesmente não trabalha… o "gestor", quando assume uma pasta, pisa em ovos e lança mão dos REDA para fazer as coisas acontecerem… sei que vou tomar cascudo de tudo quanto é lado, mas na minha opinião tinham que acabar com esse regime especial para o funcionalismo público, em especial a estabilidade (sem deixar de fazer concurso para o ingresso).. seria muito bom dar uma "peneirada" no serviço público no Brasil, até para valorizar os que ralam prá valer..

    Zé Augusto

    1) Acabar com a garantia que o concursado tem de que não será vítima dos nossos políticos? Você não tem idéian do que fala e desconhece o comportamento de políticos

    2) Funcionário público que faz corpo mole pode ,como qualquer empregado comum , ser advertido , ser colocado em disponibilidade, ser remanejado por incompetência , etc.
    Novamente você mostra seu desconhecimento. Desconhece inclusive que quem manda (isso mesmo,o chefe, o capataz, o gerente, etc.) no funcionário público é quem é eleito pelo "público. Depois disso o chefe maior "elege" ele próprio seus "homens e mulheres de confiança" que farão esses papéis em cada setor,
    Mas você , é claro, desconhece ainda (ainda?!) que os que são eleitos e depois indicados pelos eleitos no mais das vezes são péssimos gerentes, capatazes, chefes , etc. Sequer sabem sobre direitos e deveres do funcionário público , seja de qual intância for.
    Obviamente que os sem caráter, os vagabundos desde nascimento, etc. aproveitam-se disso pata pessoas como você João Bahia, desavisadas, façam comentários nas esquinas, nos bares e na internet sobre como o funcionário público e vagabundo.

    Chamar de vagabundos ou incompetentes os políticos que você elege é mais difícil não é? Mais fácil chamar funcionário assim.

    Você meu caro , desconhece o quanto os funcionários que trabalham , que não são vagabundos desde o berço passam por amarguras ao verem como isso acontece. Sim, porque continuarão cumprindo seus deveres independentmente dos malandros , dos políticos e dos que esses politicos indicam como "gerentes","capatazes", "chefes" ou coisa que o valha.

    Raça maldita a de políticos. Todos eles.

    Mas que seja feita a vontade do povo. Sào os que colocam essa gente nas prefeituras, câmaras, governos,etc.

    Amém.

    zé Augusto

    Nota: Meu teclado é horrível.

    Zizi

    Agora,por exemplo,o contigenciamento de verbas atinge profundamente os projetos dos funcionários concursados,mas, não as acoes politiqueiras dos indicados políticos.Vou apresentar dados de pesquisa sobre gênero,migracäo e política social.Quem está financiando as viagens ? O meu próprio salário.Já os indicados políticos ,sem qualquer projeto,vivem em céu de brigadeiro .Destino ? Brasilia .

    zé Augusto

    Seu comentário me parece um tanto "suspeito". Típico de quem adora ser "indicado" para chefiar isso e aquilo.
    Conheço bem o tipo. Posso estar enganado por não conhecê-lo, mas não me parece que seja apenas "desconhecimento" das legislações sobre deveres do funcionalismo.

    zé Augusto

    Você deu um "jeitinho" de usar o tópico que nada tem a ver com funcionalismo público para fazer sua "propaganda" habitual.

    zé Augusto

    " impera aquele conceito de "estabilidade" e muita gente simplesmente não trabalha… o "gestor", quando assume uma pasta, pisa em ovos e lança mão dos REDA para fazer as coisas acontecerem "

    MENTIRA. Desculpa para poder contratarem quem bem entenderem sem concurso. Cansei de presenciar isso.
    Funcionário qualquer pode ser advertido e até exonerado. Existem leis. Estabilidade é apenas proteção contra perseguição política. Não existe ,seu infeliz, nada na lei que dê poderes para que o funcionário falte, chegue atrasado, etc. sem ser punido.

    Você é um MENTIROSO. SAFADO.

    zé Augusto

    Pena que esse site não publique a verdade.

operantelivre

"Me assusta também que há muitas pessoas que trabalham desta forma e acham que é normal e que parecem já anestesiadas com este sufoco e o aceitam".

Essas pessoas acostumadas são aquelas que não têm problemas mentais e de comportamento classificados "Stress" Grave e Transtorno de Adaptação (F43 no grupo V CID 10 – código internacional de doenças). Por alguma razão conhecida o nexo causal entre as doenças e a servidão não é tão fácil de ser vista pelos juízes. Apenas sentidas na carne e na alma pelos que recebem esta pecha de "pinel" ou até mesmo de sacana que quer se aproveitar para deixar os outros colegas sobrecarregados.

Embora as ações de combate se dá entre os agentes de mudanças (trabalhadores sob condições de sofrimento) e os agentes biológicos humanos da classe dos parasitas.

Recomendo o conhecido site www. assediomoral.org como uma forma de ação consequente.

Francisco

E depois dizem que o marxismo está ultrapassado…

Klaus

Infelizmente nem todos podemos trabalhar no que gostamos. Eu não trabalho. É impensável Steve Jobs, Fernanda Montenegro, Frank Zappa ou Luiz Carlos Azenha reclamando do trabalho. Quando o trabalho é um prazer a carga fica mais leve.

Marcelo Beltrão

Ao invés de comentários tolos, do tipo " bons tempos que os sindicatos lutavam pelos trabalhadores", parece-me mais importante, tanto quanto a narração da história de nosso amigo -que,decerto não é só dele, mas de milhares de pessoas espalhadas pelo país e, por que não, pelo mundo?
Procure o seu sindicato. Denuncie. Tem sindicato fraco. Tem. Tem sindicato pelego. Tem. Mas também tem um sem-número de sindicatos e dirigentes sindicais, que mesmo sem aparecer muito, trabalham, se esforçam e lutam para solucionar os pequenos e os grandes problemas que atingem os trabalhadores…

    João Bahia

    a relação do sindicato com o pessoal que assume cargo de confiança não é a mesma que se observa com os trabalhadores "comuns"… é provável que o sindicato nem aceite essa relação…

JOSE DANTAS

A situação colocada pelo autor do texto é apenas a realidade.
Quem aceita um cargo de confiança, com todos esses percalços, indiretamente se submete a um "estágio" para ser dono de algum negócio próprio. É ali que você aprende a ser dono, na prática, através das situações que muitas vezes nem ao nível de gerência chegam. É a experiência que não se adquire nos bancos escolares. Obter sucesso em um empreendimento de qualquer forma já é difícil, imagine para "marinheiro de primeira viagem"?
Quem é dono não tem hora extra, privacidade e muito menos garantia de lucratividade e portas abertas, independente do porte da empresa.
O mundo ta cheio de pessoas que buscaram no sacrifício esse tipo de capacitação e se deram bem como empresários, assim como quem comanda uma grande empresa vende essa experiência para aquele empregado no qual confia – daí o nome de cargo de confiança – em troca de sua dedicação enquanto permanecer no cargo, inclusive preparando-o para assumir funções mais importantes dentro da própria instituição.

João PR

O leitor que enviou o texto tem toda a razão para não estar satisfeito, pois, assim como muitos de nós, sofre as agruras do sistema capetalista.

Infelizmente não vejo muita saída para o mesmo, haja vista que a troca de emprego só o levaria para outra empresa com uma cultura muito semelhante (capitalismo, no Brasil, é selvagem – só tivemos um arremedo de welfare state).

Acho que ele deveria "chutar o pau da barraca", pedir para a empresa lhe mandar embora, e ir fazer outra coisa da vida (eu estou pensando seriamente nisto, pois a vida que levo não é diferente da descrita por ele).

anna db

Isso é escravidão!
Faça um concurso publico ou vá ser autõnomo.

    Werner_Piana

    Doce ilusão… "autonomo" é o mais escravo de todos. Só tem deveres, "direitos", apenas o de trabalhar e nada mais. Ninguém merece viver sem o direito mínimo, que seriam férias remuneradas.

pfelipecs

Eu acho que é sempre uma situação delicada para o empregado ser submetido a essa situação, mas pior é ter que participar do ambiente pseudo-workaholic. Ou seja você está errado por reclamar da sua exploração.

No mais, esse tipo de expediente (nomear em cargo de gestão visando a fraude) dificilmente se mantém quando apreciado pela Justiça do Trabalho.

Ozeias Laurentino

Me desculpe leitor, eu confundi cargo de confiança de empresa particular, com cargo comissionado que é o de confiança na administração pública. mantenho a critica e a proposta para os casos do serviço publico. que também merece um debate nesse momento.

Ozeias Laurentino

É no que dá esses benditos cargos de confiança, por isso proponho que seja através de lei, ou de uma nova ética política que todos os perdedores saiam desses cargos e voltem para suas verdadeiras profissões na sociedade, não podendo participar da outra administração vencedora.
Dando oportunidade aos novos gestores, e quem quiser permanecer que passe no concurso público. Para isso é preciso o FIM DA REELEIÇÃO NO LEGISLATIVO, pois são os vereadores que bancam a maioria desse cargos, que o leitor relata. Cargo de confiança não é profissão é um serviço temporário que se presta ao país, por uma parte da sociedade que ganharam uma eleição pelo voto, mais muitos se acham no direito de continuar mudando de lado, para decepção dos eleitores e ainda reclama, não sei se é o caso desse leitor.

jura

Eu nunca vi "cargo de confiança" com tantas desvantagens. SE não tiver nenhuma vantagem, quem vai entregar a tal confiança?

Faltou ele contar a outra metade da história: quem outorgou tanto confiança a ele e em troca de que?

Que tal seguir o exemplo do Palocci e trocar a consultoria por uma "imobiliária"? Quem sabe ajuda…

silviakochen

Fiz recentemente uma matéria sobre essas questões. A constatação: as pessoas estão adoecendo porque o trabalho está organizado de forma desumana.
Agora essa coisa de usar o artifício de cargo de confiança para burlar a legislação trabalhista é cruel e muito comum no Brasil. Minha sugestão: se a questão é corriqueira na empresa, faça uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho. Lembre-se de que não é uma situação individual.

assalariado.

A cultura de exploração do capital sobre o trabalho vai mais fundo, dependendo da organização e resistência de cada categoria de assalariados. No meu caso, sou metalúrgico, onde através de muitas luta coletivas foi construída uma cultura de resistência a exploração dos donos do capital, mesmo assim, hoje, esta resistência esta debilitada, devido ao peleguismo generalizado dos sindicatos de trabalhadores.

A exploração do capital sobre o trabalho funciona assim:

1º ) A primeira parte da força de trabalho é a que fica com o assalariado. Chama-se "trabalho necessário". Por que necessário? Porque nesta parte, o trabalhador produz os valores que são necessários para reprodução de sua força de trabalho e, de sua família. No meu caso por exemplo, uma hora de trabalho já paga o meu dia inteiro, as restantes 7 horas fica para o capitalista, que ele chama lucro e, Karl Marx chama de MAIS VALIA, que é a hora trabalhada mas, não paga pelo patrão ao operário.

2º ) A segunda parte da força de trabalho, não fica com o trabalhador que a produziu. Chama-se "trabalho excedente". Por que excedente? Porque a força de trabalho tem a capacidade de produzir, não só os valores necessários para sua reprodução, mas também valores excedentes que o patrão embolsa com o nome de lucro.

3º ) A super exploração da força de trabalho que a burguesia expropria dos colaboradores é quando os trabalhadores estão pouco organizados e há excesso de oferta de força de trabalho, a burguesia não se contenta em se apropriar do trabalho excedente dos colaboradores, assim, há aumento de jornada de trabalho como, horas extras, banco de horas, rebaixam salários, aumentam o ritmo de trabalho, enfim…

4º ) Sugiro os assalariados a lerem o livro (O CAPITAL ), de Karl Marx, lá tem muito mais…

5º ) Saudações Socialistas.

aurica_sp

Acho que você deve procurar outra oportunidade mesmo trabalhando. Quando uma oportunidade melhor aparecer faça a carta de demissão e mande seu chede ENGOLIR…Falando sério va atrás de outro urgente depois disso que você ouviu amigo, creio que não teráque encontra outra coisa.

Adalberto

Eu sou Analista de Sistemas … ainda recebo horas extras, mas é uma luta todo mes para pagarem heheh , uma parte vai obrigatóriamente pra banco de horas, e depois eles vem na cara de pau te pedirem pra tirar uma folguinha basica no meio da semana quando não precisam tanto da gente.

pperez

Houve um tempo em que, além da justiça do trabalho, que quase sempre dava ganho de causa ao trabalhador, os sindicatos protegiam, de fato, os interesses dos trabalhadores.
Eram memoraveis as assembleias e mobilizações dos ,petroleiros,eletricitarios,bancarios,professores,funcionalismo publico e metalurgicos, categoria aliás de onde saiu o nosso querido Lula para ser presidente.
Aí, a correia de transmissão com a luta de classe soltou-se, acompanhando Lula para o governo onde permanece até hoje, com Dilma.
Os trabalhadores? Estão aí como o colega lá de cima praticamente abandonados à propria sorte, porque aqueles que poderiam usar o poder da politica sindical para defende-lo, usam hoje a politica partidaria para ter uma mísera migalha de poder.

EUNAOSABIA

Será uma boa?

Edivaldo Carvalho

Amigo eu sou autonomo trabalho como corretor, alem da jornada estafante e da pressão para atingir as metas, temos problemas eu diria semelhantes. Recentemente apos todo o trabalho de aproximação e apresentação de comprador e vendedor tratativas comerciais etc e tal o comprador primeiramente se diz desinteressado pelo negocio, e depois descobrimos que conversaram a sós tirando nós corretores da transação realinharam os preços desconsiderando a comissão, resultado deixamos de ganhar a comissão sobre uma transação de R$ 3 milhões. Nosso caminho agora é a justiça e mesmo assim de tres corretores envolvidos um preferiu não acionar o cliente devido a ser um grande cliente e ele poderia se queimar no futuro. Para ter clientes assim é melhor não te-los argumentei antes de ir ao advogado.

Edson Oliveira

Simplesmente é a cartilha do capitalismo.

Olho na oPósição

Depois fazemos críticas à "escravidão trabalhista na China". Contudo lá, a existência desse tipo de relação laborativa está dentro de um projeto nacional que visa melhorar a vida futura das atuais crianças, como em um pacto social, e aqui no Brasil é em nome do que? Da exploração do homem pelo homem, da concentração de capital nas mãos de alguns ou sei lá o que se pensaria como motivo, mas que nunca teve se quer uma relação com o bem estar do indivíduo.

Olho na oPósição

Depois fazemos críticas à "escravidão trabalhista na China". Contudo lá, a existência desse tipo de relação laborativa está dentro de um projeto nacional que visa melhorar a vida futura das atuais crianças, como em um pacto social, e aqui no Brasil é em nome do que? Da exploração do homem pelo homem, da concentração de capital nas mãos de alguns ou sei lá o que se pensaria como motivo, mas que nunca teve se quer uma relação com o bem estar do indivíduo.
Agora o interessante é o começo da discussão de um novo paradigma para o mundo do trabalho. Quando se dizia que os servidores públicos eram vagabundos e que suas conquistas deveriam ser suprimidas, todos concordavam, principalmente que trabalhava na iniciativa privada, ou seja, ao invés dos CLTs brigarem para terem os mesmos direitos, eles se contentavam com a retirada desses direitos dos servidores, numa atitude extremamente pueril e insensata, quando eles estavam certos. Trabalho não é escravidão, ou melhor, não deve sê-la! É um meio e não um fim em si mesmo!!!

    Jr.

    É verdade. Muitos trabalhadores celetistas ao criticarem servidores publicos (estatutarios), nao sabem nossa real situacao. Quando aposentamos, nao temos um tostao de FGTS, nossa contribuicao previdenciaria é maior, etc. Sem contar que a maioria dos governos nao
    respeita dissidio…

pap

Vejo que pouco ou nada se diz do mundos dos recursos humanos, em especial desses especialistas, consultores
e profissionais de rh, que gostam de usar um discurso bem bonito, algo que beira ao politicamente correto
mas que, como conjuges traidos, são sempre os ultimos a saber, para não dizer que por causa do seu empre-
go vagabundo simplesmente fazem papel de pelegos.
O pior de tudo isso é, na minha opinião, ver psicologos atuando em rh. Não deveriam ajudar,dar suporte ao lado
mais fraco, no caso os funcionarios de nivel intermediario até a base? Não,é submisso aos interesses da empresa. Depois, que não servirem mais aos interesses da empresa, não venham chorar as lagrimas- de croco-
dilo, evidentemente- Podem querer buscar ajuda psicologica, mas sem o plano de saude da empresa, não vão
poder pagar, viu rh!

    pap

    Essa gente do rh deve pensar as relações de trabalho como "escolha de sofia", pior ainda, como naquela
    passagem da odisséia onde ulisses tem que evitar o "perigo mais perigoso"(de antemão foi avisado por circe,
    a feiticeira, mas tomou a decisão de caso pensado) para seguir adiante e entre passar por caribdae e ter
    que sacrificar 6 marinheiros na boca do não monstruoso cila, não vacila de plena consciencia e ao custo de
    pedidos angustiados e desesperados dos marinheiros capturados por cila, deixa-os serem engolidos pelo
    monstro e prossegue a viagem.Se o rh tiver que tomar atitudes, com exceçoes de sempre,vai priorizar onde
    "a dor do sacrificio vai doer…menos na empresa!

    pap

    retificação: onde se ve nao monstruoso cila,

    leia o não menos monstruoso cila

    pap

    explicação: o submisso a que foi referido é o profissional que trabalha em rh, que depois de demitido, se preci
    sar de ajuda psicologica e caso não tenha mais direito a plano de saude, vai ficar a ver navios!

Eduardo Guimarães

É por essas e por outras que virei autônomo em 1989 e nunca mais trabalhei para ninguém. A gente pode até ganhar menos, em alguns momentos – porque noutros ganha o que jamais ganharia como empregado -, mas tem vida pessoal e dignidade.

Trabalhei nesse tipo de esquema e sob o mesmo artifício sobre "cargo de confiança". Era gerente e, assim, tinha que estar na turminha do patrão inclusive em reuniões que se estendiam a restaurantes e bares. Eles te dão uns trocados a mais para você virar escravo.

E o mais intolerável é essa questão de "se queimar no mercado", naquele segmento, pois as notícias correm e se você tiver fama de "encrenqueiro" não arruma emprego.

Nesses anos todos, descobri que ser empregado é estar sempre em vias de estar desempregado e, assim, sob uma pressão que acaba te transformando em um robô, em um ser de mente compartimentada e incapaz de ousar.

A solução não é fácil e se todos a adotassem, deixaria de ser solução. Você tem que ser livre e também tem que tirar da sua cabeça e da cabeça da família o consumismo que te transforma em alguém que só tem um objetivo na vida, o de ganhar dinheiro para dar ou ter, dar ou ter, cada vez mais, sem parar.

Seja feliz: trabalhe por conta própria.

    Roberto

    Edu eu também passei pelo mesmo problema até que um dia dei a louca e fui trabalhar com cosméticos proposicionais com distribuição, resumo nunca mais voltei a trabalhar pra ninguém, mas é bom ressaltar que no começo o sofrimento é grande.

Marcos C.Campos

Pobre raça humana … Quando é que vai acabar a exploração do homem pelo homem ?

    assalariado.

    Marcos, isto acontecerá quando, nós, os assalariados, acabarmos com o capeta-lismo e seus mentores intelectuais que, nada mais é do que os conhecidos pelo nome de burguesia capitalista. Mas para isso acontecer e, como sugestão, teremos primeiro que, perder o medo de levantar a cabeça, segundo, por baixo dos panos, nos unir com outros companheiros de confiança, dentro dos nossos locais de trabalho, assim como vc, eles sentem o mesma exploração mas, não se revelarem, terceiro, através destas atitudes, eu disse atitudes, começaremos há adquirir conhecimentos de organização nos locais de trabalho. A saida para acabarmos com a exploração capitalista é, adquirirmos conhecimento do que é uma sociedade socialista que de principio é, e será, uma sociedade sem explorados nem exploradores, o fruto do trabalho coletivo será do coletivo, e não dos parasitas do capital.

    Saudações Socialistas.

Marcos

É a escravidão do século XXI, trabalhei 10 anos na iniciativa privada e passei muitas vezes por esta situação, se você não trabalha 12 ou 13 horas por dia é taxado de vagabundo e não serve para empresa, sempre tem um alienado, ganancioso, que acha que a vida é só trabalhar e, que trabalhar não é meio mais o fim, e acaba aceitando estas condições terríveis de opressão. Por estas e outras que optei pelo serviço público hoje trabalho as minhas 08 horas quando chegas as 18:00 apago à luz da sala desligo o computador e vou embora sabendo que tenho estabilidade, mas sempre estou aprensivo pois sei que sempre tem um cavaleiro da modernidade procurando eliminar esta garantia do Servidor.
Fico pensando em que condições o trabalhador brasileiro estaria hoje se não existisse a CLT.

    Jr.

    Um deles é o finado éfegagácê. Esse sujeito não merece ter nem o nome escrito corretamente.

    Marcos C.Campos

    Tem muita gente querendo acabar com o serviço público. Estão concorrendo em todas as eleições, e se deixar o Estado servirá somente para empregar sua (a deles) familia.

felipe

CARGO DE CONFIANÇA. GERÊNCIA. AFASTADA A HIPÓTESE PREVISTA NO ARTIGO 62, II, DA CLT. A caracterização do cargo de confiança emerge após análise da situação fática. Demonstrado que o empregado estava investido apenas das prerrogativas inerentes aos exercentes de cargo de confiança a nível de gerência, tais como a existência de subordinados e de assinatura autorizada, enfeixando poderes limitados, com reduzida esfera de autonomia e expressiva restrição no âmbito de atuação, além de subordinar-se aos comandos emanados da diretoria do banco, enquadra-se a questão na regra do artigo 224, parágrafo 2o da CLT. Mesmo admitindo-se que desempenhava atribuições mais qualificadas ou de maior relevância, tal circunstância serve unicamente para distinguí-lo do bancário comum. Nesse contexto, arreda-se por completo a exceção traçada no artigo 62, II, celetista, porquanto, em tal condição inserem-se apenas aqueles empregados que efetivamente possuem poder de mando na empresa, agindo como substitutos do empregador na gestão dos negócios, a exemplo dos diretores e daqueles que atuam investidos de prerrogativas aptas a habilitarem na tomada de decisões importantes que possam, no limite extremo, afetar a própria existência do empreendimento. 2. HORAS EXTRAS. REFLEXOS NOS DESCANSOS SEMANAIS. A integração das horas extras nos DSR's é medida que se impõe por força do disposto no art. 7o, "a" da Lei 605/49, ressaltando-se que a condição de empregado mensalista implica apenas na conclusão de que o salário base já traz embutidos os mencionados descansos semanais, mas que não é extensivo à sobrejornada, que, pela habitualidade, deve refletir-se nessa parcela. (TRT/SP – 01050200603302008 – RO – Ac. 4aT 20090261229 – Rel. Paulo Augusto Camara – DOE 28/04/2009)

pap

Nesse email postado pelo leitor, depreendo que seus superiores, em forma de supervisores,gerentes,diretores,presidentes,donos e investidores e clientes não passam de lacaios, para não dizer da mediocridade e do baixissimo nivel mental que possuem e piorado pelo fato de terer "nivel" universitario,
pós em não-sei-o-quê,viajar para cima e pra baixo e sua vida só existir em linhas de curriculo(que já vem formatado num "word"- e que se voce diz que usa software livre, o pessoal do mundo corporativo tem chiliques
a lá caco antibes).
Essa cultura corporativa relatada pela email do leitor só existe porque há interesse que ela exista,parece que
é lucrativa, a empresa permite, é modus operandi no universo corporativo. Todavia, tem algo que gostaria de
abordar e que vejo pouca gente tocar no assunto: a responsabilidade do rh.
A area de recursos humanos se apresenta sempre com discurso de bom-mocismo,de onisciencia e de infalibili
dade "papal",para não dizer do "politicamente correto";acaba passando a ideia de "a tudo querer controlar".
No fundo, não passa de "caixa de ressonância" de um tipo de cultura de trabalho, para não dizer que "são mais
realistas que o rei" e no fundo fazem papel de relações-publicas e publicitarios da empresa pra qual trabalham.
Agem como aqueles 3 macaquinhos, nao olham,não escutam e não falam(claro que só o que a empresa disser).
Para mim, o depto de recursos humanos só tem serventia para administrar a vida funcional e aquela que é ine-
rente a sua existência: o papel de pelego por excelencia.Sujeitam-se ao peleguismo em nome de um emprego
vagabundo e de um salario-fígado, pois sem seu carguinho de rh no dpto pessoal e o cracha da empresa, nada
são. O mais cruel nessa história toda é quando trabalham em recursos humanos psicologos.Ai é pior ainda.
Psicologos e psicologas que deveriam estar do lado do mais fraco, acabam de forma submissa e vassala ao
lado da empresa e de funcionarios superiores e via aceitação compulsória, tacitamente convivem com culturais
empresariais como a relatada pelo leitor.Calam-se,fazem "ouvidos de mercador". São richilieus de depto.
Todavia, no fundo são despreziveis e desprezados, pelos de cima, que lhes dão migalhas e pelos de baixo, que os oprime.Só que um belo dia, essa gente do rh, principalmente se forem psicologos, podem ser demitidos e tomar um bico nos fundilhos. Ai, seu mundo desaba, seu foco da vida acaba e eles vão recorrer a quem?
Ao pessoal de baixo, que queria distancia? Aos superiores, que os mantinha enquanto serviam? A sindicatos,
que acham "bem feitinho" mas "é só isso!" As tai redes sociais/networking(nomes bonitos do famoso "quem indi-
cou")? Ou vão fazer psicoterapia? Não, terapia não vão poder, porque o plano de saúde que a empresa pagava
e poderia cobrir via demissão acabou com o desemprego!

    pap

    retificação: no trecho "…pelos de baixo, que os oprime" o certo é "…pelos de baixo, que oprimem"

    pap

    outra retificação : o correto é poderia cobrir, entretanto, via demissão acabou por causa do desemprego!

Gerson Carneiro

Há tanta coisa errada nessa relação. Trabalhei por 10 anos como programador de software. Chegava na empresa às 07h45 numa jornada que frequentemente ia até às 19h00. Trabalhando em uma atividade que exigia criatividade, quem disse que eu tinha as melhores idéias numa segunda-feira às 07h45 da manhã? No entanto tinha a obrigação de lá estar.

Pior: o funcionário fica dez anos no tal cargo de confiança. Um belo dia, o patrão em casa briga com a esposa por ter sujado a tampa do vaso sanitário, daí chega na empresa e desconta no primeiro funcionário que cruza o caminho dele, por azar é o funcionário que ocupada o tal cargo de confiança. O pobre coitado resolver ir à Justiça do Trabalho. Aquele patrão que antes te elogiava quando você varava a noite trabalhando, quando não comparece à audiência manda um preposto, e mente na cara dura tudo que você alega.

Os Bancos são os mais sacanas. Quem já trabalhou em Banco sabe como são especialistas em sacanear nas audiências.

Graças a Deus estou livre dessa sina. Há muito tempo o último patrão que tive me deu um butinada em plena manhã de terça-feira, faltando 10 dias para o final do mês. Achou que estava me causando um mal porém, me fez um bem danado. Quase voltei lá para abraçá-lo.

Jairo_Beraldo

É sempre assim…no CURRICULUM VITAE, coloca-se DISPONIBILIDADE…em conseguindo a VAGA, vem a RECLAMAR…melhor ler e pensar antes de assinar o contrato de trabalho, pois a regra é BURLAR a lei.

    jefferson

    Concordo contigo Jairo, se estivessemos falando de altoss cargos ee salarios, mas as empresas tem entitulado como de confianca cargos de baixo escalao, quando nem executivios sao

    barreto

    Concordo com vc, quando se fala de um cargo de alto escalão, com remuneração muito alta. Afinal, um gerente que recebe 500 mil/ano não pode reclamar de horário, mas o empregado que ganha 05 mil/mês, sem qualquer poder de mando e ingerência sobre a empresa, pode e deve reclamar o cumprimento do que está escrito na CLT. E se o empregado não reclamar na JT é que a situação vai piorar, vai haver mais exploração por parte da empresa.
    É preciso entender uma vez por todas que a ganância humana não tem limites.

Remindo Sauim

É só se recusar a cumprir este horário. Ganhar muito nem sempre é o razoável.

    Anônimo

    Fácil falar! Por acaso você trabalha e tem contas para pagar?

    Bruno

    Rua. E tente processar o patrão pra ver no que dá.

Luiz

Trabalhei no setor público em "cargo de confiança" e a situação era a mesma. Sendo pior, pois para o senso comum ter cargo de confiança no setor público é sinônimo de vagabundo ou coisa que o valha

Marcio H Silva

Igualzinho a Empresa que eu trabalhava. Em 1998, após a privatização das teles, era chic voce trabalhar até 12 horas por dia, sem ganhar hora extra, já que o cartão de ponto havia sido abolido. Em 2000, esta empresa mudou todos os cargos de Engenheiros para " Especialistas", mas voce tinha que comprovar o pagamento do CREA anualmente. Ou seja nestas empresas não tem mais o cargo de Engenheiros, artificio para não pagar periculosidade e/ou insalubridade. Me aposentei e entrei na Justiça requerendo horas extras e equiparação salarial, processos em andamento. Entrei na Justiça e ganhei a manutenção do plano de saúde baseado na Lei 9656 de 1998 art. 30 e 31 ( http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9656.h… ). Entrei na Justiça contra a previdência privada desta empresa requerendo reajuste na remuneração mensal já que eles "roubaram" 50% da reserva matemática na época da migração das estatais para a privada. Não podemos esmorecer em nossas reinvindicações, a justiça do trabalho é uma das poucas que funcionam neste país.

    O leitor

    Marcio, suponho que esta empresa seja a mesma na qual tenho trabalho (telecom em SP), mas ela mais serve como exemplo de uma relação que tem se estabelecido e se enraizado nas relações de trabalho senão do Brasil pelo menos em SP. Aproveito e agradeço ao Azenha por contribuir para o levantamento desta discussão que se faz muito necessária

    Marcio H Silva

    Telecom no RJ.

    Vinícius

    Por que não falar em nome? É por os processos estarem em andamento?

    Se não for por isso não entendo. Essas empresas são anti-éticas de cabo a rabo: roubam o trabalhador, roubam o consumidor, enganam o governo. Depois, fazem comercial com criancinha, cachorrinho e atuam em projetos sociais pra desbaratinar. E o povo acredita! Expor a verdade não é difamação, é só negar a propaganda mentirosa deles, é só impedir que repitam a mentira mil vezes…

    Mas é só o que eu acho.

    Marcio H Silva

    Caro Vinicius, é só raciocinar. Como não temos concorrência neste ramo, só sobram aquelas mesmas empresas que foram privatizadas. Em 1998 eram 3, em 2008 virou 2. Como o Gerson, Jairo e outros assíduos aqui do blog falam: quer que desenhe?

CLAUDIO LUIZ PESSUTI

Na verdade, este e mais uma técnica das empresas para revogar, informalmente , a CLT:"cargo de confiança".Lustra-se o ego do funcionário para na verdade torna-lo um escravo.Ora, se todo dia tem excesso de serviço, e porque a empresa esta economizando no quesito mão de obra.Alias, isto já foi estudado, que o enorme aumento de produtividade observado dos anos 90 para cá não e consequência da informatização e sim da maior quantidade de horas que o trabalhador esta atuando na empresa, sem pagamento.Afinal, isto e que e "globalização"…

Leonardo Oliveira

Senhor, formalize uma denúncia junto à SRTE e ao MPT de seu Estado. Essa situação caracteriza fraude à legislação trabalhista e Assédio Moral no Trabalho.

    Adenir Mateus Alves

    Concordo!

Bruno

Relações trabalhistas como a que o Leitor está passando é sufocante e meu colega de profissão achou a seguinte saída.

Vez ou outra ele não ía a empresa por motivos de saúde. Num belo dia (um mês depois) foi a empresa simplesmente para dizer tchau. Inclusive disse (para surpresa de seu superior) que dispensaria aviso prévio.

Contando para mim depois de tudo, as vezes que não ía na empresa era porque estava em processo seletivo para outra empresa.

    Bruno

    Isto se chama fraude.

    Juca

    Pelo que eu pude perceber, isso se chama "largar mão de ser trouxa"

    Bruno

    Inventar uma mentira – no caso, "motivos de saúde" – para ter saídas abonadas é, sim, fraude. Não se justifica o erro de um pelo erro de outro, Juca. Se quer sair para um processo seletivo, que se alegue "motivos pessoais" – o que não seria problema algum para alguém que não tem ponto, certo?

    Quanto a procurar emprego, é normal que, nos casos de vagas de "coordenador", "consultor", etc., os entrevistadores aceitem fazer as sabatinas em horários mais adequados ao candidato, como de manhã cedo, na hora do almoço ou pela noite, pois sabem das limitações de tempo que existem.

Jeferson

Azenha, é impressionante a falta de possibilidades para nos defendermos destes abusos. Lembram as indústrias pré-CLT. Essa discussão se faz impreenscindível, mas pena que a lavagem cerebral-motivacional das empresas faz com que muitos não percebam essa opressão monumental.

Luiz (o outro)

Entendo perfeitamente a situação do leitor, pois trabalhei em empresas com esse tipo de cultura. Esse foi mais um dos sintomas nefastos que o neoliberalismo nos legou. Infelizmente, o MPT é conivente com esses abusos e só após muitas denúncias, algo é investigado, e ass punições são muito brandas, o que estiumula as empresas a abusarem dos empregados. Trabalhador brasileiro precisa perder o preconceito contra os sindicatos, precisa se sindicalizar e cobrar dos dirigentes comprometimento com as causas e os direitos da categoria. A desunião dos trabalhadores brasileiros faz empresário picareta rir à toa…

    Miriam

    E se for o sindicato dos publicitários?

Anônimo

Eu memso, trabalhava 8 horas por dia em uma empresa de sinalização. mas era frequente que esse horário se estendesse muito mais. Já cheguei a sair de madrugada e ganhava um pouco mais de um salário mínimo. Eu sei bem o que o autor do texto se sente.

Por isso atualmente eu trabalho em um serviço que me paga 300 reais por mês. Alguns vão ficar espantados copm o valor, mas ele tem uma grande vantagem, eu tenho tempo para estudar e me aperfeiçoar profissionalmente. Tenho sorte de ainda morar com minha mãe, pois sei que esse valor não daria para me manter. Vou fazer vestibular e concurso público, porque apesar de se propagar que o Brasil sofre uma enxurrada de empregos, ainda se ganha mal, se sofre de stress, assédio e falta de valorização.

Tá valendo muito mais a pena trabalhar no serviço público em uma área diferente da sua, do que no mercado.

Bruno

É mais ou menos por aí. Pelo cargo ("consultor"), é provável que o leitor trabalhe em uma empresa de consultoria – e nestas, em especial nas de consultoria estratégica, o regime é cruel, até porque a empresa ganha por empreita, e agilizar os trabalhos para entregar o produto antes do previsto maximiza os lucros. Mas atividades semelhantes acontecem frequentemente em empresas de outros tipos, nos chamados cargos de "média chefia". Cabe ao Ministério do Trabalho e aos sindicatos laborais apoiar este tipo de situação, mas sabemos que o primeiro não dá a mínima e o segundo considera o funcionário de média chefia um executivo, que não precisa da defesa que se faz ao operário ou ao "analista". O funcionário sozinho realmente tem que ficar calado, visto que o risco de represálias é grande.

Klaus

Por coisas como esta fui para o serviço público. Quando trabalhava na Caixa era a mesma coisa. No serviço público as coisas são mais "light".

    Daniel

    Em que ramo, Klaus? Atuo no serviço público e as coisas não são tão lights assim… Light, só se for aquela onde explode bueiro…

    Klaus

    Quando sair o edital do concurso te dou um toque.

    Bruno

    Te garanto que o engenheiro da Petrobras se estressa bem menos que o da Braskem. E ganha o dobro.

etvanita

sei bem como é isso. as pessoas onde trabalho se orgulham de fazer 10 coisas ao mesmo tempo e de dedicar sua vida exclusivamente ao trabalho. tenho vontade de explodir com tudo, mas aí lembro das contas e acabo me calando. crueldade

Felipe

Olha trabalho em uma empresa grande e sei que vários trabalhadores sofrem diversas formas de pressão para trabalharem mais, como se não estivessem trabalhando muito. Entretanto as pessoas que aceitam cargos na empresa abandonam o comprometimento com a luta coletiva, pensando exclusivamente em si próprio, para poder ganhar um pouco mais no final do mês. Geralmente estes trabalhadores que aceitam os famosos cargos de confiança, são conhecidos como "amigos do rei" porque não batem de frente com a sua chefia e se acovardam utilizando um blog sério ṕara um interesse pessoal. Se realmente for contrario ao que vem te ocorrendo, só posso sugerir uma opção largue o título do seu cargo e junte-se a peãozada. Não chore. Lute!

    Jefferson

    Pelo que entendi da questao colocada pelo leitor é a de que ele de fato faz parte da peaozada, e que a politica da empresa consiste em dar este falso título de "cargo de confiança" para que seja um peão sem limitação de jornada, só isso

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