VIOMUNDO

Diário da Resistência

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Política

EUA fomentaram o terrorismo proclamando que o combatiam


08/01/2015 - 18h09

Obama e Hollande

Obama e os seus aliados europeus, sobretudo Hollande e Cameron, têm telhados de vidro

Reflexão sobre a chacina de Paris

Miguel Urbano Rodrigues e os editores de ODiario.info

Uma onda de emoção, solidariedade e repulsa corre pelo mundo levantada pela chacina de Paris.

É legítima. Doze pessoas foram assassinadas por um grupo terrorista na sede do semanário francês Charlie Hebdo. Entre elas o diretor, quatro cartunistas e dois policiais.

O jornal, satírico, progressista, havia sido já alvo de atentados por ter publicado caricaturas do Profeta Maomé.

A dimensão, o motivo e a circunstância contribuem para a repercussão mundial do bárbaro crime.

O fato de os assaltantes terem gritado à saída “Alá é grande e o Profeta foi vingado!” funcionou como estímulo à islamofobia.

Na última semana, organizações de extrema-direita da Alemanha, dos EUA e da França promoveram manifestações racistas dirigidas contra as comunidades muçulmanas desses países. Tais iniciativas tendem agora a multiplicar-se.

O Presidente François Hollande, ao condenar o monstruoso atentado, afirmou que a França “está em choque”. Chefes de estado e de governo de todo o mundo expressam solidariedade e horror.

É lamentável mas significativo que o discurso dos políticos e os comentários dos media sejam omissos quanto a uma questão fundamental.

Responsabilizam o terrorismo, reafirmam a determinação de lhe dar combate onde quer que desenvolva a sua ação criminosa, mas abstêm-se de referências às causas do surto de barbárie terrorista.

Obama e os seus aliados europeus, sobretudo Hollande e Cameron, têm telhados de vidro.

Não podem confessar que o terrorismo cresceu em escala mundial desde que o imperialismo norte-americano (com o apoio do estado fascista de Israel) iniciou agressões em serie a países muçulmanos.

A guerra do Golfo foi um prólogo. Mas foi após os atentados do 11 de Setembro de 2001, com a invasão e ocupação do Afeganistão, que essa estratégia assumiu, com Bush filho, carater prioritário.

A segunda Guerra do Iraque, o reforço da presença no Afeganistão, a agressão à Líbia, o apoio na Síria a organizações terroristas configuram crimes contra a humanidade.

Invocando sempre como pretexto para guerras abjetas a democracia e a defesa dos direitos humanos, os EUA mataram centenas de milhares de muçulmanos, destruíram cidades, introduziram a tortura, semearam a miséria e a fome no Médio Oriente e na Ásia Central.

Nesta hora em que os franceses choram os mortos de Charlie Hebdo é necessário recordar que Sarkozy e Hollande foram cúmplices de muitos dos crimes do imperialismo norte-americano.

E indispensável lembrar que muitos dos assassinos do chamado Estado Islâmico foram treinados pela CIA e por militares dos EUA.

Washington fomentou o terrorismo proclamando que o combatia.

Leia também:

Altamiro Borges: Atentado ao Charlie Hebdo fortalece fascismo europeu

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30 comentários

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wendel

13 de janeiro de 2015 às 11h31

Ainda bem que temos a internet, que mesmo monitorada, vigiada, e/ou manipulada, nos possibilita ler de fontes independentes, algum contraponto a este pensamento único que querem nos impor!
Ser ou não Charlie, como querem que sejamos, não passa de manipulação global!!!
Ssja voces mesmos, com suas dúvidas, indecisões, falhas e incertezas!
Jamais permitam que lhes digam o que fazer e em que acreditarem !!!
Voces são especiais, e recusem serem massa de manobras destes governos e seus vassalos que só querem impor controles para se beneficiarem economicamente!!
Finalizando pergunto: A quem interessa o crime ?

Responder

Fpeace

10 de janeiro de 2015 às 01h34

É mentira da mídia oportunista!
O ISLAM condena tais atentados a vida humana
Contra a islamofobia hoje e sempre!

http://mentiradadireita.blogspot.com.br/2015/01/as-mentiras-do-ocidente-xenofobicos.html

Responder

JapValla

09 de janeiro de 2015 às 18h53

A hipocrisia está a toda. Em nome da liberdade de imprensa é provável que a França institua uma lei antiterror tipo americana em que a maior vítima será a liberdade individual e de expressão.

Está difícil sintonizar na BBC, CNN…Todos reverberam a mesma coisa como papagaios de um mesmo mestre.

Rodrigues esqueceu de mencionar o que quase todos já esqueceram; “Flight MH-17”, e as intervenções francesas na África. Estas últimas, agora apresentadas pelo governo francês como forma de evitar o terrorismo. Parece que as coisas foram invertidas.

Responder

Andre

09 de janeiro de 2015 às 18h15

A CIA e o Departamento de Estado americano são um Estado dentro(ou melhor acima) do Estado. Na sua origem a CIA contou com o recrutamento de mais de mil nazistas vindos da Alemanha, inclusive o chefe do comando leste dos nazis que atuo na “guerra fria” pelo lado da CIA. A CIA criou vários ‘atentados terroristas’ e/ou deu suporte a eles através de seus agentes durante todo o perído da guerra fria em uma operação hoje já conhecida e relatada em vários livros. Todos os colaboradores dos nazis no Leste Europeu encontraram guarida nos EUA. O presidente Ronald REagan infestou o departamento de Estado americano de nazis e o fim do autodenominado comunismo no leste europeu (que não era nenhuma maravilha, diga-se de passagem) contou com a forte atuação desses grupos. Hoje o nazismo é glorificado livremente em grande parte do leste europeu e no ano passado os EUA, o Canadá e a UCrania votaram contra uma proposição da Assembléia Geral da ONU proibindo a glorificação do nazismo (os europeus se abstiveram.) A extrema direita de origem nazista ou simpatizante deles está no departamento de Estado dos EUA até hoje, vide a atuação na UCrânia, no Afeganistão (hoje é o maior produtor de heroína do mundo!) e na Síria. Em resumo, são uma continuação do “Reich” adaptado para os novos tempos: são dissimulados, apresentam aliados como inimigos perpetrando um jogo de cena sangrento(seguno o Iraq News um avião que parecia ser americano foi visto jogando armas para militantes do Estado Islâmico, por exemplo), para espalhar o terror e disseminar o ódio pelo mundo para garantir o poder.

Responder

Emanuel Cancella

09 de janeiro de 2015 às 15h24

Ataque ao jornal satírico francês
Ao chegar em casa para almoçar, recebi a notícia do atentado contra a sede do jornal “Charlie Hebdo”, que deixou 12 mortos em Paris, na última quarta feira. Recebi a notícia com naturalidade diante da violência cotidiana no mundo. Depois vi o caso tomando proporções de uma tragédia global, inclusive com atos em homenagem aos mortos nas principais capitais do mundo e até no Brasil. A cobertura nos jornais televisivos, em todos os canais e a toda hora, levou-me a refletir sobre a tragédia. Na verdade, a mídia global deu uma repercução ao fato que não dá a outros, como os atentados em escolas e universidades, que matam crianças em número muito maior que 12. Lembrei-me dos milhares de palestinos mortos, inclusive crianças, até escolas palestinas foram alvo do exército de Israel, com o triste óbito de crianças. E não me lembro de comoção internacional! Talvez porque não mostrem o vídeo da tragédia repetida vezes como fizeram agora na França. Ai começo a desconfiar de tudo. E busco explicação para a banalidade da cobertura da tragédia palestina e também para repercução bombástica da tragédia na França. No caso da Palestina, o algoz é Israel que tem apoio dos EUA e de grande parte da Europa, inclusive da França. Aí, segundo a mídia, o míssil que atingiu a escola e matou as crianças foi um erro de um ataque cirúrgico; as milhares de mortes de palestinos são em resposta aos mísseis lançados contra o território judeu; enfim tudo se justifica até a morte de crianças. E agora, depois do atentado na França, começam a atacar as mesquitas mundo afora e esses ataques não são obras de terroristas, segundo a imprensa, mas qualquer ataque a sinagogas é obra de terroristas.
Eu faço parte daqueles seres humanos que gostariam que nenhuma tragédia, dessas que ceifam vidas de inocentes, acontecessem, principalmente de crianças. Mas a própria imprensa internacional age como um tribunal absolvendo os autores de determinadas tragédias e condenando os de outras. Assim a violência nunca vai ter fim!

Rio de Janeiro, 09 janeiro de 2015;

Responder

    Luiza Helena

    10 de janeiro de 2015 às 14h15

    Emanuel, que bom que não sou a única! A sensação de impotência diante da “versão oficial” levada à exaustão diminuiu ao ler seu texto!

    Vitor Hugo Piangers

    11 de janeiro de 2015 às 09h15

    Tens razão em teus argumentos Emanuel, contudo verifico que o assunto é muito mais complexo do que uma simples análise de prós e contras. De motivos e de reações. Este atentado e a reação da mídia é a expressão de uma luta que se iniciou noa primórdios da humanidade e se revela desta forma. A questão central tem a ver com a ocupação da Terra Prometida aos judeus quando estavam no Egito. Esta ocupação foi promovida mediante guerras e muito sangue. É injusto o que Israel fez? Sim, aos olhos humanos é completamente injusto, contudo diante da fé cristã ela não é. Israel cumpriu uma ordem de Yaveh e assim é justificado até hoje esta intervenção.
    Uma questão filosófica se coloca: Seria Yaveh injusto então? Difícil resposta e o apóstolo Paulo tenta responder a esta questão em sua carta aos Romanos da seguinte forma:
    “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?
    Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?
    Romanos 9:20-21
    Em outro trecho Paulo argumenta que Deus escolheu a nação de Israel e a ela tem dispensado um cuidado especial, a despeito de toda a oposição que sofreram no decorrer dos séculos. Esta oposição que hoje vemos já existia na antiguidade senão veja o que diz Paulo:

    “Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.
    Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer.
    Romanos 9:17-18”

    O espaço aqui é pouco e eu me tornaria enfadonho em demonstrar toda a sequencia de eventos e motivos que causaram esta divisão, contudo até nos dias de hoje vemos oposição aos judeus e aos seus aliados (EUA e Europa) e uma guerra de palavras e argumentos que não irão cessar até o final dos tempos.

    Em suma a questão é: De que lado você se coloca: a favor de Deus e de Sua Palavra ou ao lado de Maomé e sua palavra. Deus é Jesus Cristo e Maomé é o anticristo. Você escolhe quem você irá defender e responderá por sua escolha.

Leo

09 de janeiro de 2015 às 11h24

Não posso ser leviano e expor pouco mais que três pessoas como causadoras originais de toda essa barbárie. No mundo, pelo menos, temos quatro fundamentalismos: o cristão, reforçado pelo Destino Manifesto; o nazista, cujo principal garoto-propaganda foi Hitler; o socialista, concebido com base nas ideias de Marx; e o islâmico, difundido a partir do século XX. Todos eles, sem exceção, prenderam, torturaram e mataram e, ainda que um tenha sido a consequência do outro, não podemos esquecer de que o principal ingrediente para todas essas barbáries é a natureza humana.

Pensem nisso: as novas tecnologias e a evolução das leis não têm o condão de modificar nossa psiquê, mas apenas melhoram a sobrevivência e a convivência entre os seres humanos.

Responder

    Luiz Moreira

    09 de janeiro de 2015 às 19h58

    LEO! Tu esqueceu o capitalismo? O que pensa que o FORD era? O comunismo prega terminar com a miséria e a discriminação.Inclusive, nestes atos não tem comunistas, pois eles são ateus e acham, que a religião é o opio do povo, plantado pelos exploradores. Leia MARX e não seus detratores.

    Pitagoras

    09 de janeiro de 2015 às 22h01

    …esqueceu o maior fundamentalismo da atualidade, e o mais terrorista: o de mercado, que está por trás das guerras de agressão contra o mundo árabe-muçulmano, exterminando milhares, justo agora, de inocentes. O de religiões é fichinha perto daquele do Deus Mercado

renato

09 de janeiro de 2015 às 11h16

E mais gente inocente morrendo, não falo dos cartunistas.
não eram inocentes..

Responder

yacov

09 de janeiro de 2015 às 10h50

Qual é o babado VIOMUNDO !?!? Porque estão cortando meus comentários pelo FACE BOOK !?!? Não tem palavrão, tem poucas linhas .. Qual é o problema ?!?

Repudio totalmente esse massacre, mas os caras cutucaram a onça com vara curta. E chamar esse ataque de atentado de ‘liberdade de expressão’, é forçar uma amizade. Os charlies abusavam bastante da sua liberdade de expressão, e sabiam o que isso podia acontecer, parece até que estavam provocando os fundamentalistas. E agora, os ‘eua’ e a França vão invadir o Irã e matar milhões para vingar os 12 charlies !?!?

“O BRASIL PARA TODOS não passa na REDE GLOBO de SONEGAÇÃO & GOLPES – O que passa na REDE GLOBO de SONEGAÇÃO & GOLPES é um braZil-Zil-Zil para TOLOS”

Responder

    Conceição Lemes

    09 de janeiro de 2015 às 11h20

    Yacov, não estamos cortando nada seu, não. abs

    yacov

    09 de janeiro de 2015 às 16h06

    Então porque é que os meus comentários não estão sendo publicados em nenhum Blog, será que é porque estou teclando da máquina da ‘REPARTIÇÃO’ aqui no TUCANISTÃO ?!?!

    “O BRASIL PARA TODOS não passa na REDE GLOBO de SONEGAÇÃO & GOLPES – O que passa na REDE GLOBO de SONEGAÇÃO & GOLPES é um braZil-Zil-Zil para TOLOS”

    Conceição Lemes

    09 de janeiro de 2015 às 16h39

    Pergunte à chefia do tucanistão, rsrsr. abs

    Leo

    09 de janeiro de 2015 às 15h19

    Estamos diante de um atentado à liberdade de expressão sim! Desde que não haja violação dos direitos e das garantias individuais, não há outra classificação que possa ser conferida aos incidentes ocorridos na França. Saiba que os jornalistas não podem limitar suas atuações a ameaças de morte, pois, senão, os jornalistas do Rio de Janeiro deveriam interromper por completo a cobertura que fazem da criminalidade fluminense.

    Por outro lado, escarnecer da religião alheia é uma escolha essencialmente individual e que, particularmente, não aprovo. Contudo, nada explica e muito menos justifica o assassinato de seres humanos, a não ser que o seja por legítima defesa ou, de forma mais ampla, por instinto de sobrevivência de um povo, o que não é o caso em comento.

    Lafaiete de Souza Spínola

    09 de janeiro de 2015 às 16h18

    Azenha,

    Algo parecido está acontecendo comigo!

    Solicitei esclarecimentos, faz pouco.

    De onde pode estar surgindo essa interferência?

Gerson Carneiro

09 de janeiro de 2015 às 09h39

Estou impressionado é com a explicação dada sobre o método que rapidamente se chegou a identidade dos terroristas.

O terrorista “esqueceu” um RG no carro usado pra fuga.

Ninguém tinha pensado nisso. Quanta originalidade. Essa CIA é demais!

Ah, e o terrorista estava com um pé descalço (fugiu e não deu tempo calçar).

E vem evoluindo. Há dois anos foram as bombas nas panelas de pressão em Boston.

Logo vai aparecer um bilhete da mulher do terrorista no carro usado para a fuga:

“Amor, passe na padaria e traga pão depois do atentado. Doces e croissants. Ah, e uma champagne pra gente comemorar”.

Vou ali praticar um atentado. Ah, pera… Já ia esquecendo de levar meus documentos pessoais. Vou tomar cuidado para não esquecer meu chapéu de couro no carro da fuga.

Responder

    Nelson

    09 de janeiro de 2015 às 15h25

    Depois do passaporte do terrorista, que foi encontrado em meio dezenas de milhares de toneladas de concreto, poeira, e aço, (11set2001), essa do RG esquecido no carro de fuga é piadinha de quinta categoria, Carneiro.

    Lafaiete de Souza Spínola

    09 de janeiro de 2015 às 16h23

    O Noam Chomsky continua explicando o SISTEMA!

    O terrorismo de estado impera!

    É muito poder para manipular!

TIO SAM INCESTO E A DUPLA CARA

09 de janeiro de 2015 às 09h29

É amigos nem sempre quem diz ser o bastião da moralidade e vestal da ética o é! !A “máscara”(2 pesos e 2 medidas),pode ser um fenômeno usado por uma pessoa ou por o governo de um pais inteiro !
Agora entendemos mais como um grupo daqueles(O CALIFADO),surge “do nada”,quem fornecia as modernas armas,quem os treinou,quem dava o suporte logístico,quem montou uma verdadeiro “setor de comunicação” para eles,e PRINCIPALMENTE COMO A MAIOR FORÇA ARMADA DO MUNDO DIZ QUE LEVARÁ ANOS PARA PODER ERRADICA-LOS ?
Essa historia foi muito mal contada desde o início !
Olha a verdade aparecendo genteeee !
valeu,pode demorar mas a verdade sempre aparecerá !
triste triste triste. tio sam tio sam, por essa, os ingênuos de plantão não esperavam não !

Responder

Gerson Carneiro

09 de janeiro de 2015 às 09h14

Obama na TV falando em “ataque covarde”. Nada mais norte-americano que isso.

Responder

    Nelson

    09 de janeiro de 2015 às 15h33

    Toda terça-feira, o Sr Obama se reúne com seus agentes secretos que lhe apresentam listas de terroristas ou de suspeitos de sê-lo, de qualquer parte do planeta.

    Obama tem a tarefa de determinar qual ou quais deles será fulminado por um drone dirigido desde Langley ou outra base nos EUA.

    Para Obama e seus asseclas e puxa-sacos de todo o mundo, isto não é covardia.

Paulo Roberto Gomes

09 de janeiro de 2015 às 00h58

E a pergunta da qual o mundo parece que foge, continua clamando: A QUEM interessa o crime ? Ou seja, a quem interessa o terrorismo ? Quem está levando vantagem dele desde 11/09 ?

Responder

Victor

08 de janeiro de 2015 às 22h38

Concordo plenamente com o texto. Acertadíssimo.

Responder

FrancoAtirador

08 de janeiro de 2015 às 21h29

.
.
De acordo com a UNICEF, morrem atualmente todos os dias

17 mil crianças abaixo dos cinco anos ou 11,8 por minuto.

(http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/39042/cuba+mantem+recorde+e+registra+uma+das+menores+taxas+de+mortalidade+infantil+do+mundo.shtml)
.
.
O Banco Mundial define a pobreza extrema

como viver com menos de US$ 1 por dia (PPP)

e pobreza moderada como viver com entre US$ 1 e US$ 2 por dia.

Estima-se que 1,1 bilhão de pessoas no mundo

tenham níveis de consumo inferiores a US$ 1 por dia

e que US$ 2,7 bilhões tenham um nível inferior a US$ 2.

(http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/forca-da-grana/nunca-a-humanidade-teve-tantos-milionarios-como-hoje)
.
.
85 ricos têm dinheiro igual a 3,57 bilhões de pobres no mundo

Essa é a conclusão do relatório da Oxfam Intermón publicado em 19/01/14:

“Governar para as Elites, Sequestro Democrático e Desigualdade Econômica”

(http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/85-ricos-tem-dinheiro-igual-a-3-57-bilhoes-de-pobres-no-mundo/7/30114)
.
.
Mas isso não comove mais ninguém, porque não são pessoas com nome,

mas apenas números de miseráveis, supérfluos, inúteis para o consumo,

inexploráveis, não rentáveis, descartáveis e, portanto, elimináveis.
.
.

Responder

    FrancoAtirador

    08 de janeiro de 2015 às 23h04

    .
    .
    Deve-se lembrar também como é pouco importante a sorte das almas
    e dos corpos camuflados nas estatísticas e usados apenas como um modo de calcular.

    São as cifras que contam, mesmo que não correspondam a nenhum número verdadeiro, a nada de orgânico, a nenhum resultado, mesmo que designem apenas a exibição de uma trucagem.

    Como aquela de um governo anterior, cantando vitória, admirado, orgulhoso: então ‘o desemprego havia diminuído’? Claro que não.
    Ao contrário, tinha aumentado… menos rapidamente, entretanto, que no ano anterior!

    Mas, enquanto alguém diverte assim a platéia, milhões de “pessoas”
    (digo bem: “pessoas”, colocadas entre aspas), por tempo indefinido,
    talvez sem outro limite a não ser a morte, têm direito apenas à miséria
    ou à sua ameaça mais ou menos próxima, à perda muitas vezes de um teto,
    à perda de toda consideração social e até mesmo de toda auto-consideração.
    Ao drama das identidades precárias ou anuladas.
    Ao mais vergonhoso dos sentimentos: a Vergonha.

    Porque cada um então se crê (é encorajado a crer-se) dono falido
    de seu próprio destino, quando não passou de um número
    colocado pelo acaso numa estatística.

    Multidões de seres lutando, sozinhos ou em família, para não deteriorar-se,
    nem demais nem muito depressa.

    Sem contar inúmeros outros na Periferia, vivendo com o temor e o risco de cair nesse mesmo estado.

    Não é o desemprego em si que é nefasto, mas o sofrimento que ele gera
    e que para muitos provém de sua inadequação àquilo que o define,
    àquilo que o termo “Desemprego” projeta, apesar de fora de uso,
    mas ainda determinando seu estatuto.

    O fenômeno atual do desemprego já não é mais aquele designado por essa palavra, porém, em razão do reflexo de um passado destruído, não se leva isso em conta quando se pretende encontrar soluções e, sobretudo, julgar os desempregados.

    De fato, a forma contemporânea daquilo que ainda se chama desemprego jamais é circunscrita, jamais definida e, portanto, jamais levada em consideração.

    Na verdade, nunca se discute aquilo que se designa pelos termos
    “Desemprego” e “Desempregados”; mesmo quando esse problema parece ocupar o centro da preocupação geral, o fenômeno real é, ao contrário, ocultado.

    Um desempregado, hoje, não é mais objeto de uma marginalização provisória, ocasional, que atinge apenas alguns setores, agora, ele está às voltas com uma implosão geral, com um fenômeno comparável a tempestades, ciclones e tornados, que não visam ninguém em particular, mas aos quais ninguém pode resistir.

    Ele é objeto de uma lógica planetária que supõe a supressão daquilo que se chama trabalho; vale dizer, empregos.

    Mas – e esse desencontro tem efeitos cruéis – o social e o econômico pretendem ser sempre comandados pelos intercâmbios efetuados a partir do trabalho, ao passo que este último desapareceu.

    Os desempregados, vítimas desse desaparecimento, são tratados e julgados pelos mesmos critérios usados no tempo em que os empregos eram abundantes.

    Responsabilizados por estarem desprevenidos, eles são ludibriados, acalentados por promessas falaciosas anunciando o pronto restabelecimento daquela abundância e a pronta reparação das conjunturas prejudicadas por alguns contratempos.

    Resulta daí a marginalização impiedosa e passiva do número imenso,
    e constantemente ampliado, de “Solicitantes de Emprego” que, ironia,
    pelo próprio fato de se terem tornado tais, atingiram uma norma contemporânea;
    norma que não é admitida como tal nem mesmo pelos excluídos do trabalho, a tal ponto que estes são os primeiros a se considerar incompatíveis com uma sociedade da qual eles são os produtos mais naturais.

    São levados a se considerar indignos dela, e sobretudo responsáveis pela sua própria situação, que julgam degradante (já que degradada) e até censurável.
    Eles se acusam daquilo de que são vítimas.
    Julgam-se com o olhar daqueles que os julgam, olhar esse que adotam, que os vê como culpados, e que os faz, em seguida, perguntar que incapacidade, que aptidão para o fracasso, que má vontade, que erros puderam levá-los a essa situação.

    A desaprovação geral os espreita, apesar do absurdo dessas acusações.

    Eles se criticam – como são criticados – por viver uma vida de miséria
    ou pela ameaça de que isso ocorra.

    Uma vida freqüentemente “assistida” (abaixo, por sinal, de um limite tolerável).

    Essas críticas que lhes são feitas e que eles próprios se fazem
    se baseiam em nossas percepções defasadas da conjuntura, em velhas opiniões
    outrora sem fundamento, hoje redundantes e ainda mais pesadas,
    mais absurdas, sem nenhuma ligação com o presente.

    Tudo isso – que não tem nada de inocente – os leva a essa vergonha,
    a esse sentimento de ser indigno, que conduz a todas as submissões.

    A abjeção desencoraja qualquer outra reação de sua parte que não seja uma resignação mortificada.

    Pois não há nada que enfraqueça nem que paralise mais que a Vergonha.

    Ela altera na raiz, deixa sem meios, permite toda espécie de influência,
    transforma em vítimas aqueles que a sofrem, daí o interesse do poder
    em recorrer a ela e a impô-la; ela permite fazer a lei sem encontrar oposição,
    e transgredi-la sem temor de qualquer protesto.

    E ela que cria o impasse, impede qualquer resistência, qualquer desmistificação,
    qualquer enfrentamento da situação.
    É ela que afasta a pessoa de tudo aquilo que permitiria recusar a desonra
    e exigir uma tomada de posição política do presente.

    É ela, ainda, que permite a exploração dessa resignação, além do pânico virulento que contribui para criar.

    A Vergonha deveria ter cotação na Bolsa:
    ela é um Elemento importante do Lucro.

    A vergonha é um valor sólido, como o sofrimento que a provoca
    ou que ela suscita.

    Não é de espantar, portanto, o furor inconsciente, digamos instintivo,
    para reconstituir aquilo que está na sua origem: um sistema falido e extinto,
    mas cujo prolongamento artificial permite aplicar sub­repticiamente castigos e tiranias de alto quilate, protegendo a “coesão social”.

    Desse Sistema emerge, entretanto, uma pergunta essencial, jamais formulada:

    “É preciso ‘merecer’ viver para ter esse direito?”.

    Uma ínfima minoria, já excepcionalmente munida de poderes,
    de propriedades e de privilégios considerados implícitos, detém de ofício esse direito.

    Quanto ao resto da Humanidade, para “merecer” viver,
    deve mostrar-se “Útil” à Sociedade, pelo menos àquela parte
    que a administra e a domina: a Economia, mais do que nunca confundida com o Comércio, ou seja, a Economia de Mercado.

    “Útil”, aqui, significa quase sempre “Rentável”, isto é, lucrativo ao Lucro. Numa palavra, “Empregável” (“Explorável” seria de mau gosto!).

    Esse mérito – esse Direito à Vida, mais precisamente passa, portanto,
    pelo dever de trabalhar, de ser empregado, que se torna então
    um direito imprescritível, sem o qual o Sistema Social nada mais seria do que um amplo caso de assassinato.

    Mas o que ocorre com o direito de viver, quando este não mais opera,
    quando é proibido cumprir esse dever que lhe dá acesso, quando se torna impossível aquilo que é imposto?

    Sabemos que hoje em dia estão permanentemente fechados esses acessos ao trabalho, aos empregos, eles próprios excluídos pela imperícia geral, pelo interesse de alguns ou pelo sentido da história – tudo isso impingido sob o signo da fatalidade.

    Será normal, então, ou mesmo lógico, impor justamente aquilo que está faltando?

    Será que é legal exigir o que não existe como condição necessária de sobrevivência?

    Teima-se, entretanto, em perpetuar esse fiasco.
    Insiste-se em considerar norma um passado extinto, um modelo apodrecido;
    em dar sentido oficial às atividades econômicas, políticas e sociais, essa corrida aos espectros, essa invenção ‘ersatz’, essa distribuição prometida e sempre adiada daquilo que não existe mais; continua-se fingindo que não há impasse, que se trata apenas de atravessar algumas seqüências desagradáveis e passageiras de descuidos reparáveis.

    Que impostura!

    Tantos destinos massacrados com o único objetivo de construir a imagem de uma sociedade desaparecida, baseada no trabalho e não na sua ausência;
    tantas existências sacrificadas ao caráter fictício do adversário que se promete vencer, aos fenômenos quiméricos que se pretende reduzir e sufocar!

    Por quanto tempo ainda vamos aceitar ser enganados e considerar
    únicos inimigos aqueles que nos são designados adversários desaparecidos?

    Permaneceremos cegos ao perigo em curso, aos verdadeiros escolhos?

    O navio já naufragou, mas nós preferimos (encorajam-nos a isso) não admitir
    e continuar a bordo, afundar sob a proteção de um ambiente familiar,
    em vez de tentar, talvez em vão, algum meio de salvação.

    Desse modo, continuamos com rotinas bem estranhas!

    Não se sabe se é cômico ou sinistro, por ocasião de uma perpétua, irremovível e crescente penúria de empregos, impor a cada um dos milhões de desempregados – e isso a cada dia útil de cada semana, de cada mês, de cada ano – a procura “efetiva e permanente” desse trabalho que não existe.

    Obrigá-lo a passar horas, durante dias, semanas, meses e, às vezes, anos
    se oferecendo todo dia, toda semana, todo mês, todo ano, em vão,
    barrado previamente pelas estatísticas.

    Pois, afinal, ser recusado cada dia útil de cada semana, de cada mês e, às vezes, de cada ano, será que isso constituiria um emprego, um ofício, uma profissão?
    Seria isso uma colocação, um ‘job’, ou mesmo uma aprendizagem?
    Seria um destino plausível?
    Uma ocupação razoável?
    Uma forma realmente recomendável de emprego do tempo?

    Essa parece mais uma demonstração com tendência a provar que os rituais do trabalho se perpetuam, que os interessados se interessam, levados por um otimismo reconfortante a colocar-se nas filas de espera que enfeitam os guichês da ANPE [Agência Nacional Para o Emprego] (ou outros órgãos), por trás dos quais se acumulariam virtualidades de empregos estranha e provisoriamente desviados por correntes adversas!
    Quando subsiste apenas a falta produzida pelo seu desaparecimento…

    Todas essas recusas, essas rejeições em cadeia, não seriam sobretudo uma encenação destinada a persuadir esses “solicitantes” de sua própria nulidade?

    Para inculcar no público a imagem de seu fracasso e propagar a idéia (falsa) da responsabilidade, culpada e castigada, daqueles que pagam pelo erro geral ou pela decisão de alguns, pela cegueira de todos, inclusive a deles?

    Para exibir o espetáculo de um mea culpa ao qual, aliás, eles aderem. Vencidos.

    Tantas vidas encurraladas, manietadas, torturadas, que se desfazem, tangentes a uma sociedade que se retrai.
    Entre esses despossuídos e seus contemporâneos, ergue-se uma espécie de vidraça cada vez menos transparente.
    E como são cada vez menos vistos, como alguns os querem ainda mais apagados, riscados, escamoteados dessa sociedade, eles são chamados de excluídos.
    Mas, ao contrário, eles estão lá, apertados, encarcerados, incluídos até a medula!
    Eles são absorvidos, devorados, relegados para sempre, deportados, repudiados, banidos, submissos e decaídos, mas tão incômodos: uns chatos!
    Jamais completamente, não, jamais suficientemente expulsos!
    Incluídos, demasiado incluídos, e em descrédito.

    É dessa maneira que se prepara uma Sociedade de Escravos,
    aos quais só a Escravidão conferiria um Estatuto.

    Mas para que se entulhar de escravos, se o trabalho deles é supérfluo?

    Então, como um eco àquela pergunta que “emergia” mais acima, surge outra que se ouve com temor: “será ‘útil’ viver, quando não se é lucrativo ao lucro?”.

    Aqui desponta, talvez, a sombra, o prenúncio ou o vestígio de um crime.

    Não é pouca coisa que toda uma “população” (no sentido apreciado pelos sociólogos) seja mansamente conduzida por uma sociedade lúcida e sofisticada até os extremos da vertigem e da fragilidade: até as fronteiras da morte e, às vezes, mais além.
    Não é pouca coisa também que aquelas mesmas pessoas que o trabalho escravizaria sejam levadas a mendigar, a procurar por um trabalho, qualquer um, a qualquer preço (quer dizer, o menor).
    E quando todos não se dedicam de corpo e alma a essa solicitação inútil,
    a opinião geral é que deveriam fazê-lo.

    Não é pouca coisa ainda que aqueles que detêm o poder econômico,
    vale dizer, o Poder, tenham a seus pés aqueles mesmos agitadores que ontem contestavam, reivindicavam, combatiam.

    Que delícia vê-los implorar para obter aquilo que vilipendiavam
    e que hoje consideram o Santo Graal.

    Mais uma vez, não é pouca coisa ter à sua mercê aqueles outros que, providos de salários, de empregos, não protestarão, com medo de perder conquistas tão raras, tão preciosas e precárias, e ter que se juntar ao bando poroso dos “miseráveis”.

    Ao ver como se pegam e se jogam homens e mulheres em virtude de um Mercado de Trabalho errático, cada vez mais imaginário, comparável
    àquela “pele de onagro” que se encolhe, um Mercado do qual eles dependem, do qual suas vidas dependem, mas que não depende deles;
    ao ver como já não são contratados com tanta freqüência, e como vegetam, em particular os jovens, numa vacuidade sem limites, considerada degradante, e como são detestados por isso;
    ao ver como, a partir daí, a Vida os maltrata e como a ajudamos a maltratá-los;
    ao ver que, para além da exploração dos homens, havia algo ainda pior:
    a ausência de qualquer exploração – como deixar de dizer que, não sendo sequer exploráveis, nem sequer necessárias à exploração, ela própria inútil, as multidões podem tremer, e cada um dentro da multidão?

    Então, como um eco àquela pergunta:
    “Será ‘Útil’ viver quando não se é lucrativo ao Lucro?”,
    ela própria eco daquela outra:
    “É preciso ‘merecer’ viver para ter esse Direito?”,
    surge o temor insidioso, o medo difuso, mas justificado, de ver um grande número, de ver o maior número de seres humanos considerados
    Supérfluos.
    Não subalternos nem reprovados: Supérfluos.
    E por essa razão, nocivos.
    E por essa razão… Esse Veredicto ainda não foi pronunciado, nem enunciado
    e, certamente, nem pensado de modo consciente.
    Vivemos numa Democracia.

    Para o conjunto da população, esse mesmo “conjunto” ainda é objeto de um interesse real, ligado a suas culturas, a afetos profundos, adquiridos ou espontâneos, mesmo se uma indiferença crescente se instaura em relação aos viventes.

    Esse “conjunto” representa também, não nos esqueçamos, uma clientela eleitoral e consumidora que gera outro tipo de “interesse” e leva os políticos a mobilizar-se em torno dos problemas do “trabalho” e do “desemprego”, agora questões de rotina, a oficializar esses falsos problemas, pelo menos os problemas mal colocados, a ocultar qualquer constatação e a fornecer a curto prazo sempre as mesmas respostas anêmicas a questões factícias.

    Não que se deva – nem de longe! – isentá-los de encontrar soluções mesmo parciais, mesmo precárias.

    Mas seus remendos têm como principal efeito manter sistemas que se esforçam em fazer de conta que funcionam, mesmo mal, e sobretudo permitir a recondução de jogos de poderes e hierarquias, eles próprios ultrapassados.

    Nossa velha experiência dessas rotinas nos dá a ilusão de uma espécie de domínio sobre elas, conferindo-lhes assim um ar de inocência, deixando-as marcadas por um certo humanismo, cercando-as sobretudo de fronteiras legais como verdadeiras barreiras de defesa.

    Vivemos realmente numa Democracia.

    Entretanto, aquilo que nos ameaça está a ponto de ser dito, e já é quase murmurado: “Supérfluos…”.

    E se acontecesse de não estarmos mais numa Democracia?!?

    Esse “excesso” (que só está aumentando) não correria então
    o risco de ser formulado? “Pronunciado” e, portanto, consagrado?

    O que aconteceria se o “mérito”, do qual dependeria mais do que nunca
    o direito de viver, e esse direito de viver, ele próprio,
    fossem argüídos e administrados por um regime autoritário?

    Já não ignoramos, não podemos ignorar que ao horror nada é impossível,
    que não há limites para as decisões humanas.

    Da exploração à exclusão, da exclusão à eliminação,
    ou até mesmo a algumas inéditas explorações desastrosas,
    será que essa seqüência é impensável?

    Sabemos, por experiência própria, que a barbárie, sempre latente,
    combina de maneira perfeita com a placidez daquelas maiorias
    que sabem tão bem amalgamar o pior com a monotonia ambiente.

    Como se vê, ante certos perigos, virtuais ou não, ainda é o sistema baseado no trabalho (mesmo reduzido ao estado atual) que faz o papel de muralha, o que talvez justifica nosso apego regressivo a algumas de suas normas que não estão mais em vigor.

    Mas esse sistema não deixa de assentar-se sobre bases carcomidas,
    mais permeável do que nunca a todas as violências, todas as perversidades.

    Suas rotinas, aparentemente capazes de atenuar o pior e retardá-lo, giram no vazio e nos mantêm entorpecidos naquilo que em outro lugar eu chamei de “Violência da Calma” (FORRESTER, 1980).

    É a mais perigosa, a que permite que todas as outras se desencadeiem sem obstáculo;
    ela provém de um conjunto de opressões oriundas de uma longa, terrivelmente longa, tradição de leis clandestinas.

    “A calma dos indivíduos e das sociedades é obtida
    pelo exercício de forças coercitivas antigas, subjacentes,
    de uma violência e de uma eficácia tal que passa despercebida”,
    e que, no limite, não é mais necessária, por estar inteiramente integrada;
    essas forças nos oprimem sem ter mais que se manifestar.
    Só aparece a calma a que fomos reduzidos antes mesmo de nascer.

    Essa violência, escondida na calma que ela própria instituiu,
    sobrevive e age, indetectável.

    Ela cuida, entre outras coisas, dos escândalos que ela própria dissimula,
    impondo-os mais facilmente e conseguindo suscitar uma tal resignação geral
    que já não se sabe mais ao que se está resignando:
    de tão bem que ela negociou seu esquecimento!

    Não existe arma contra ela, a não ser a exatidão, a frieza da constatação.

    Mais espetacular, a crítica é menos radical, já que entra no jogo proposto e leva em conta suas regras que, desse modo, ela cauciona, nem que seja por oposição.

    Ora, ocorre que “desarmar” representa, pelo contrário, a palavra-chave.

    Desarmar a imensa e febricitante partida planetária cujos valores em jogo jamais se sabe muito bem quais são, nem que espetáculo nos é dado, por trás do qual se jogaria outro.

    Para fins dessa constatação, nunca será demais pôr em dúvida até mesmo a existência dos problemas, nem pôr em causa seus termos ou pôr em questão as próprias questões.

    Em particular quando esses problemas implicam os conceitos de “trabalho” e de “desemprego”, em torno dos quais se cantam as melopéias políticas de todas as tendências e se entoam as ladainhas de soluções fúteis, apressadas, repisadas, que sabemos que são ineficazes, que não atacam a desgraça acumulada, que nem sequer a visam.

    Assim – e esse é o maior exemplo –, os textos, os discursos que analisam esses problemas, do trabalho e do desemprego, só tratam, na verdade,
    do Lucro que é sua Base, que é sua Matriz, mas que jamais mencionam.

    Permanecendo nessas zonas calcinadas como o Grande Ordenador,
    o Lucro, entretanto, é mantido em segredo.

    Ele continua pairando, como um pressuposto tão evidente que nem sequer é mencionado.

    Tudo é organizado, previsto, proibido e suscitado em razão dele,
    que dessa maneira parece inevitável, como que fundido
    à própria semente da vida, a ponto de não se distinguir dela.

    Ele opera à vista de todos, mas despercebido.

    Ativo, propaga-se por toda parte, mas jamais é citado, a não ser sob a forma daquelas pudicas “criações de riquezas” que pretendem beneficiar toda a espécie humana e ocultar tesouros de empregos.

    Tocar nessas riquezas seria então criminoso.
    É preciso preservá-las a qualquer preço, não discuti-las, esquecer (ou fingir esquecer) que elas beneficiam sempre o mesmo pequeno número,
    cada vez mais poderoso, mais capaz de impor esse Lucro (que lhe toca) como a Única Lógica, como a própria Substância da Existência,
    o Pilar da Civilização, a garantia de toda Democracia, o móvel (fixo) de toda mobilidade, o centro nervoso de toda circulação, o motor invisível e inaudível, intocável, de nossas animações.

    A prioridade vai então para o Lucro, considerado original, uma espécie de Big-Bang.

    Só depois de garantida e deduzida a parte dos Negócios – a da Economia de Mercado – é que são (cada vez menos) levados em conta os outros setores, entre os quais os da cidade.

    Em primeiro lugar, o Lucro, em razão do qual tudo é instituído.

    Só depois é que as pessoas se arranjam com as migalhas dessas famosas “criações de riquezas”, sem as quais, dizem, não haveria nada, nem mesmo essas migalhas, que por sinal estão diminuindo – nenhuma ou quase nenhuma outra reserva de trabalho, de recursos.

    VIVIANE FORRESTER
    (“O Horror Econômico”. UNESP. 1997.)

    Íntegra do Livro
    Em Português: (http://abre.ai/livro_o-horror-economico_viviane-forrester)
    Em Espanhol: (http://www.ddooss.org/libros/Viviane_Forrester.pdf)
    .
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    FrancoAtirador

    08 de janeiro de 2015 às 23h39

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    “Deus me livre de matar a galinha dos ovos de ouro!”, dizia a velha ama
    falando da necessidade de existirem ricos e pobres:
    “Os ricos serão sempre necessários.
    Sem eles, pode me dizer como é que os pobres iam fazer?”.

    Essa ama Beppa (*) é uma verdadeira política, uma grande filósofa!
    Ela compreendeu tudo.

    A prova: surdos às suas tramóias, ficamos aqui ainda ouvindo as gracinhas mentirosas desses poderes que a ama venerava.

    Poderes que, por sinal, gracejam e mentem cada vez menos,
    de tanto ter aplicado seus postulados e inculcado seu credo nas massas planetárias assim anestesiadas.

    Para que gastar energia para persuadir aqueles que uma longa propaganda,
    se ainda não convenceu, pelo menos desarmou?

    Propaganda eficaz e que soube recuperar (o que não é desprezível) muitos termos positivos, sedutores, que ela judiciosamente monopolizou, desviou, dominou.

    Vejam esse Mercado ‘livre’ para produzir Lucro;
    esses planos sociais encarregados, na verdade, de expulsar do trabalho, e com pouca despesa, homens e mulheres privados de meios de vida e, às vezes, de um teto;
    o Estado-providência, que dá a impressão de reparar timidamente injustiças flagrantes, freqüentemente desumanas.

    E, entre tantas outras expressões, aqueles assistidos que devem se sentir humilhados de seu estado (e que se sentem), ao passo que um Herdeiro, do Berço até a Sepultura, não será considerado “assistido”.

    Insignificante?

    Já nem ouvimos mais o anúncio da morte de certos termos.

    Se “trabalho” e, por conseguinte, “desemprego” resistem, esvaziados do sentido que parecem veicular, é porque, pelo seu caráter sagrado, intimidante,
    eles servem para preservar um resto de organização certamente caduca,
    mas suscetível de salvaguardar, por algum tempo, a “coesão social”, apesar da “fratura” do mesmo nome – vê-se que a língua, de qualquer modo, se enriquece!
    Quantos outros termos, em compensação, flutuam nos encantos do desuso: “Lucro”, certamente, mas também, por exemplo, “proletariado”, “capitalismo”, “exploração”, ou ainda essas “classes” agora impermeáveis a qualquer “luta”!

    Empregar esses arcaísmos seria dar provas de heroísmo.

    Quem aceitaria entrar resolutamente no papel do retrógrado iluminado,
    do ingênuo desinformado, do roceiro cujos dados remontam à caça ao bisão selvagem?

    Quem apreciaria ter direito não ao cenho franzido pelo furor, mas erguido por uma estupefação incrédula, mesclada de doce compaixão?

    “Mas você não quer dizer que…
    Você ainda não… O muro de Berlim caiu, sabia?
    Então a URSS, você realmente apreciou? Stalin?
    Mas a liberdade, o Mercado Livre… não?”

    E, diante desse retardado, kitsch a ponto de comover, um sorriso desarmado.

    Entretanto, o seu conteúdo reclama essas palavras que foram postas no Índex e sem as quais, não expresso, jamais contestado, aquilo que elas recobrem retorna sem cessar.

    Mutilada desses vocábulos, de que modo a linguagem pode dar conta da História que, por sua vez, está repleta deles e continua a carregá-los, mudos?

    Só porque uma operação totalitária monstruosa fazia uso deles e até os promovia, eles nos são proibidos, perderam o sentido?

    Estamos tão influenciados a ponto de recusar de maneira autoritária, mecanicamente, o que outros absorviam de maneira autoritária, também mecanicamente?

    A autoridade, a mecânica, só elas então retornam?

    O stalinismo teria assim erradicado tudo, mesmo a partir de sua ausência, continuando pelo absurdo de autorizar apenas o silêncio dos intercessores, dos árbitros, dos intérpretes, mas também dos interlocutores esperados?

    Vamos deixá-lo determinar esses mutismos, essas ablações que, dentro da língua, mutilam o pensamento?

    É evidente que a autoridade do discurso lacunar, organizado em torno de suas lacunas, impede qualquer análise, qualquer reflexão séria – com maior razão ainda qualquer refutação daquilo que não é dito, mas que atua.
    Se os vocábulos, instrumentos do pensamento capazes de exprimir o evento, são não só gravemente suspeitos, mas também decretados vazios de sentido, e se, contra eles, atua a mais eficaz das ameaças, a do ridículo, que armas e que aliados ainda restam para aqueles que só uma constatação muito estrita da situação salvaria, não tanto da miséria ou da vida ultrajada, mas da vergonha e do esquecimento em vida?

    Como é que nós chegamos a essas amnésias, a essa memória lacônica, a esse esquecimento do presente?

    O que aconteceu para que hoje grassassem tanta impotência de uns, tanta dominação de outros?

    Tanta aquiescência de todos para uma como para a outra? Tanto hiato?

    Nenhuma luta, a não ser aquela que reivindica sempre mais espaço para uma Economia de Mercado, se não triunfante, pelo menos onipotente, que certamente tem sua lógica, mas à qual não se confronta nenhuma outra lógica.

    Todos parecem participar do mesmo campo, considerar o estado atual das coisas seu estado natural, como o ponto exato onde a história nos esperaria.

    Nenhum apoio subsiste para aqueles que não têm nada, a não ser a perda.

    Só o outro discurso é que ensurdece.
    Paira no ar algo de totalitário, de terrificante.
    E os únicos comentários são os do Sr. Homais (**), mais eterno, mais oficial,
    mais solene e mais plural do que nunca.
    Seus monólogos.
    O veneno que ele detém.

    *(http://www.citador.pt/poemas/a-piedosa-beppa-friedrich-wilhelm-nietzsche)
    **(N.T.: Personagem de Madame Bovary, de Gustave Flaubert.
    Farmacêutico, detentor do veneno que Emma Bovary usa
    para suicidar-se, Homais é igualmente detentor
    de um pretensioso discurso pseudocientífico.)

    (http://books.google.com.br/books/about/O_horror_econ%C3%B4mico.html?id=53ZK_39PoVUC&redir_esc=y)
    .
    .

Marat

08 de janeiro de 2015 às 21h10

Esse é mais um movimento da III Guerra Mundial, que está em curso. Só que desta vez o Reich está nos EEUU e em seus poodles europeus. Esse é o Império do IV Reich que apendeu muito bem com Göebbels.

Responder

Toga

08 de janeiro de 2015 às 19h06

Não adianta, já vi muita gente ontem e hoje distorcendo fala da Dilma e pegando aos não tem que negociar, tem que matar mesmo “essa gente”.
governante burro porque tem eleitor burro.

Responder

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